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1 lnsiituto e...,..,., ;_... _ tº VOLUME _ G,e_ogn~f!ço d_e _ ~i:f ªÇfo_~~a 11 :WV~~ ---~ - --"... ~ 1,u~J;... ~~~ili:i~... t..~""-:..f._:-_ - :;..:..~ -J ~..:;._<..~v.i:.~..!:... --;: l!iii,;,-._,,,,.1;&., :_ - 1 ~" ~ M...:..M..._,~..

2 O AUTOR - Nasceu piracicabano, em Fugindo da chapa "cedo ainda ". dirá que se voltou ao jornalismo bem jovem. com rabiscos nos jornalecos críticos da época e na "Gazeta de Piracicaba". Anos depois, iniciou-se realmente no ' ~Jornal de Piracicaba", onde andou de revisor a redator-chefe. Namorou o teatro, tendo "bri lt1ado" como comparsa de circo e companhias de opereta. Começou o ganha-pão como "faquinha" avulso, arrebanl1ando uns vintens para capinar sargetas. Aprendiz de sapateiro. Fez a Escola de Comércio "Cristóvão Colombo" e fracassou na profissão. Cassado com a escritora Jaçanã Altair Pereira Guerrini. É "professor" de apelido, pois nunca cursou escolas relativas. Enfrentou banca do Ministério da Educação e virou, assim. mestreescola secundário. Em que matéria? Dizem que foi na de Português. Outra mania absorvente: - a música. Tentou o bandolim. o violão, o piano e estagiou na flauta, sem passar do aprendizado, embora roncasse grosso: "Fui aluno do Erotides! " Como soldado raso. pertenceu às muitas orquestras locais. "Tenor", teve a ousadia de participar de festivais e concertos. E de programas de rádio. Serenatista da velha guarda. perpetrou músicas quejandas. (continua noutra orell1a)

3 LEANDRO GUERRINI HISTÓRIA DE PIRACICABA EM QUADRINHOS lºvolume Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba Piracicaba - SP 2009

4 INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE PIRACICABA Rua do Rosário, Telefone - (19) DIRETORIA ( ) Presidente - Pedro Caldari Vice~presidente - Marly Therezinha Germano Perecin 1º. Secretário - Waldemar Romano 2º. Secretário - Toshio lcizuca 1. Tesoureiro - Vítor Pires Vencovsky 2. Tesoureiro - João Umberto Nassif Orador - Gustavo Jacques Dias Alvim Diretor de Acervo Francisco de Assis Ferraz de Me/lo SUPLENTES Elias Salum Noedi Monteiro Renato Leme f"errari CONSELHO FISCAL Antônio Altafin Antônio Carlos Neder Geraldo Claret de Mel/o Ayres SUPLENTES - CONSELHO FISCAL Fidvio Rizoiio Timótheo jardim

5 LEANDRO GUERRINI HISTÓRIA DE PIRACICABA EM QUADRINHOS 1ºVOLUME EQUIUBRIO editora Apoio: PIRACICABA l'rcfoil.ura do Munldp1o Ação Cultural a...;:r.,llltln Mun!clp'd Secretária de Ação Cultural Prefeitura Municipal de Piracicaba

6 Copyright Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba G935h Guerrini, Leandro História de Piracicaba cm Quadrinhos - 1 Volume J Leandro Guerrini. - Piracicaba, SP: Equilíbrio : Instituto Histórico e Geográfico - IHGP, p; 15 cm. Publicado com apoio da Secretaria de Ação Cultural de Piracicaba. ISBN: Piradcaba - História. 2. Piracicaba - História em quadrinhos. 1. Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. II. Secretaria de Ação Cultural de Piracicaba. III. Título. CDU: PI INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE PIRACICABA PIRACICABA ~ SP 2009 COORDENAÇÃO EDITORIAL Equilíbrio Editora Sociedade Ltda DIREÇÃO Carlos Terra Gustavo Alvim EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Fabrício Komatsu CAPA Genival Cardoso FICHA CATALOGRÁF!CA RosangelaAparecida Lobo (CRBS ) IMPRESSÃO E AcABAMEl\'TO Printfit Soluções

7 REIMPRESSÃO O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, em consonância com os seus objetivos estatutários, tomou a decisão de, sem prejuízo da edíção de trabalhos inédítos, reímprimir alguns livros, publicados anteríormente por esta mesma entidade, e que se encontram esgotados. São obras valiosas de autores consagrados e renomados, que pesquisaram a história de Piracicaba com acuidade e competência, e cujos textos resultantes dessa dedicação tornaram-se fundamentais não só para os que querem simplesmente conhecer a história de Piracicaba, mas, também e sobretudo, para historiadores, professores, pesquisadores que encontram fontes para seus estudos e trab,alhos acadêmicos. São sete os livros ora publicados, com o apoio da Prefeitura Municipal de Piracicaba por meio da Secretaria de Ação Cultural, a saber: História de Piracicaba em Quadrinhos, 1 e 2 volumes, de Leandro Guerrini (1970); A Vila e seus Vilões, de Alcídes Aldrovandi (1991); Manual de História Piracicaba, de Guilherne Vitti (1966); A Síntese Urbana, de Marly Therezinha Germano Perencin (1989); Piracicaba no Século XIX, de Maria Celestína Teixeira Mendes Torres (2003); História da Fundação de Piracicaba, de Mario Neme (1974). Não se trata de uma segunda edição, mas, sim, de uma reimpressão, com uma revisão mínitna, para pequenas e necessárias correções, sem qualquer alteração no seu conteúdo. Há outros autores e respectivas obras, que, certamente, merecerão também essa atenção e reconhecimento. A Comissão de Publicações do IGHP está trabalhando no sentido de selecioná-las, para propor a republicação futuramente.

8 À memória da inesquecível espôsa Jaçanã Altair Pereira Guerrini e da sempre lembrada filha Lilia Guerrini Sêga aos netinhos Ângela e Fábio ao filho Délio Pereira Guerrini à Iria e Maecira Álvaro e João

9 Algumas palavras Com «História de Piracicaba em Quadrinhos», de Leandro Guerrini, inicia o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba suas atividades editoriais. Para tanto, contou com o decidido apoio do sr. dr. Cássio Paschoal Padovani, prefeito municipal, que lhe deu os recursos necessários, numa afirmação do alto descortínio com que administra a "res publica". Pretende o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba editar uma COLEÇÃO PIRACICABANA, oferecendo, na medida de suas possibilidades, às velhas e às novas geraçóes, todo o pasado da «Noiva da Colina». Assim, as obras esgotadas serão reeditadas e os depoimentos esparsos, de estudiosos nacionais e estrangeiros, serão reunidos en1 volume, tarefa que reconhece ser das mais difíceis, mas viável, se não lhe faltarem apoio e compreensão. Neste programa se insere, também, o patrocínio de concursos de monografias, como incentivo à pesquisa e interpretação histórica da comuna. O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba deseja agradecer a Leandro Guerrini a cessão dos direitos autorais de «História de Piracicaba em Quadrinhos», magnífico estudo cronológico do Município, que revela pesquisa criteriosa e amor à terra; a Euclessio Boscariol, responsável pelo trabalho gráfico desta edição, a cargo da Imprensa Oficial, e a seus dedicados colaboradores; e à Refinadora Paulista S. A., a oferta do papel, de sua fabricação, na Usina Monte Alegre, cooperação das melhores ao movimento editorial que se inicia, com vistas ao engrandecimento de Piracicaba.. Piracicaba, 1. 0 de agôsto de Acary de Oliveira Mendes Presidente

10 Mais algumas palavras O lançamento deste livro estava programado para agôsto de Incumbiu-se dele nosso confrade Acary de Oliveira Mendes, então presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, assumindo o encargo de tôdas as providências para transformar em realidade um sonho há muito tempo acalentado por este sodalício. Motivo vários retardaram a impressão da obra e, conseqüentemente, seu aparecimento na época prevista. Entretanto, a dedicação, o entusiasmo e a eficiência de Acary de Oliveira Mendes foram de tal forma evidentes que a atual diretoria do Instituo houve por bem cometer-lhe a conclusão da tarefa por êle iniciada. Assim, graças ao seu trabalho, podemos agora, orgulhosamente, oferecer ao público a HISTÓRIA DE PIRACICABA Em Quadrinhos, notável estudo cronológico de nosso município, de autoria de Leandro Guerrini. Fazendo nossas «Algumas Palavras» que o ilustre confrade Acary escreveu para este livro em 1970, reiterando, inclusive, os agradecimentos por ele apresentados a todos que cooperaram para o êxito do empreendimento. Piracicaba, 1. 0 de Agôsto de Júlio Soares Diehl Presidente do l.h. G.P.

11 Tabuleta Acho indispensável esta espécie de letreiro inicial, à moda de prefácio, contando a razão dêste livro, se é que possa existir razão para «mais uma obra» que vá abarrotar as prateleiras do piracicabano curioso ou complacente com tudo que envolva sua terra. Assim começou o enrêdo: quando eu era funcionário da Biblioteca Pública Municipal, conduzindo consulentes através da História de Piracicaba, servia-me dos textos de Mário Neme e Joaquim Silveira Mello, os únicos existentes na época, ou de artigos esparsos pela imprensa local, mormente os assinados pelo saudoso colega Nelson Camponês do Brasil. Co1necei, dessa forma, a colecionar informações e notas, encontradas aqui e ali, especiahnente aquelas que não constassem nos trabalhos dos autores mencionados. Por hábito de ofício, tais notas ou informações eram registradas em fichas, que ofereciam fácil manuseio, dentro de absoluta ordem cronológica e alfabética, fichas de dizeres resumidos, realmente no jeito de efemérides. A pouco e pouco, o fichário cresceu de maneira alentada e aquêle «hábito de ofício» se transformou nun1a paixão muito séria. As horas vagas era1n tomadas com leitura de docu1nentos preciosos, livros raros, jornais antigos, numa azáfama absorvente. Ler, escarafunchar, espiolhar se1n perdão, acionar a velha «Corona», tudo era <(hobby» capitoso, que durante longos anos, chegou a superar a atração pelo futebol. Nas férias, eram as viagens perfurantes, etn busca intérmina, pellos departamentos e bibliotecas, pellos institutos e arquivos, pelas prefeituras e cartórios, pellos guardados particulares. Dezenas de viagens a São Paulo e ao Rio de Janeiro, às cidades de Pôrto Feliz e ltú. Sem vexame, tomei-me paleógrafo razoável, movimentando a lupa ou a garrafa branca com água cristalina, a fim de «traduzir» documentos venerandos que me vinhan1 às mãos, nos quais as traças e a folhinha deixaram marca i1nperecíveis. Cartas deitei às dúzias, com enderêço para escritores, jornalistas, acadêmicos e curiosos, que se dedicassem a estudos históricos, nos quais estudos Piracicaba merecesse referência. Nessa marcha, bati às secretarias de diversas bibliotecas de Lisboa, sem resultado satisfatório.

12 Não me furto em dizer da minha alegria tôdas as vêzes que meu irmão carteiro me entregasse um envelope sigiloso, dentro do qual se me deparasse um «quadrinho» inédito. Faz quatro ou cinco anos, publiquei, no «Jornal de Piracicaba>>, diàriamente, durante um exercício todinho, as efemérides da data, sob o título de «Histórias de Pirácicaba em Quadrinhos», que me pareceu significativo. E com algum êxito, pois diversas foram as manifestações de agrado que recebi, a par de outras de justa irreverência, porquanto a sabedoria de La Fontaine está sempre presente naquilo que fazemos ou deixamos de fazer. ~<História de Piracicaba em Quadrinhos», título que ficou em definitivo, é isso - efemérides de poucas linhas, mas de conteúdo real, numa enfiada sincera e cronológica, de sorte que a reconstrução histórica de nossa terra vai se desenrolando diante do leitor, sem profundidade temática que force esta ou aquela trincheira, nem sentido erudito que chame a atenção dos doutos. Quando foi da fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, de que desajeitadamente faço parte, falei algures que, pela minha morte, iria deixar os originais dos «quadrinhos» a possível herdeiro que se interessasse pelo «legado», uma vez que minhas posses bancárias primam pela negação e, nessas circunstâncias, ainda não dão vaza a que meus escritos ganhem contornos de volume. O ilustre presidente de então, dr. Edmar José Kiehl, tomou logo o efeito pela causa: «E por que não o Instituto, antes mesmo das coroas e subida pela rua Moraes Barros?» Nestas andanças, nasceu o projeto da edição do trabalho, depois das conversações e estudos regulamentares. Todavia, o dr. Edmar José Kiehl estava no fim de sua excelente gestão e seu sucessor, o professor Acary de Oliveira Mendes não deixou cair a peteca, isto é, o projeto, nêle ponto o melhor de sua dedicação bem orientada. Um rol de empenhos, de malogros, de lutas. As arestas, porém, foram desbastadas e os originais puderam subir os degraus do prelo, para o livro galgar as culminâncias da publicidade. Considero o fato, diante da minha impossibilidade monetária, como uma notável realização do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba - um capítulo todo especial na administração dos presidentes acima. O primeiro deitou a semente; o segundo foi o lavrador arguto e generoso que fêz viçar a planta, para a festa dos frutos sazonados.

13 Agradeço penhoradamente a ambos, como agradeço de coração aos confrades do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba que, na memorável reunião do mês de janeiro de 1970, aprovaram o projeto da edição dos «quadrinhos». Pronto está, por conseguinte, com roupagens de vitrina, o livro «História de Piracicaba etn Quadrinhos». Pronto está para visitar amigos, estudantes e críticos, à chuva, ao sol, entre flôres ou espinhos, numa missão estritamente local. A êle, que nasceu piracicabano e para Piracicaba vai comandar os passos, esta saudação paterna: - Oi, meu chapa, felicidade! Nestes parágrafos finais, deixo assente que, para efeito de lei e na possibilidade de imprevistos futuros, transferi ao Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba os direitos autorais que me pertenciam, visando a apenas em legar à terra do berço uma contribuição insignificante ao estudo histórico de sua fundação, na enquadratura de um penhor emocional. É costume nas obras que-tais a citação dos veios, onde se buscaram subsídios. Deixo isso de lado, porque não quero arrastar quem quer que seja nesta aventura. Entretanto, leitor a1nigo, pense um bocado nos jornais da terra, já dobrando o tempo, nos jornais e revistas do Estado, ou de outras unidades federais, nos autores que me precederam na faina, nos livros lidos, nos volumes de atas e correspondência, documentos respeitáveis, na relação de sesmarias, pense nas bibliotecas do país, nos departamentos de São Paulo, nos Institutos Históricos e Geográficos do Rio, da Capital, de Santos, nos arquivos particulares, nas Cã1naras e Prefeituras, nas Cúrias Diocesanas, nos muitos cartórios percorridos, nas leis e decretos de antanho, folhetos e conferências, consultas a venerandas figuras da «Sempre-Noiva» - pense na mágua por aquilo que deixei de realizar - e, assün, terá no pensan1ento a possível bibliografia de praxe. A revisão também é minha, exclusivamente 1ninha. Tive, é verdade, bons amigos que me deram mão. Não lhes cito o nome, porque não quero que participe1n da pancadaria que me está reservada, porque sempre fui razoàvelmente péssüno como revisor. Piracicaba, fins de julho de Leandro Guerrini

14 Leandro Guerrini 15 SÉCULO XVII DE ABRIL - Criada a Vila de!tu, sendo então a sétima vila instalada na Capitania de São Paulo. A povoação já existia desde 1610 e o seu papel na história de Piracicaba é de importância capital DE NOVEMBRO -Doação da primeira sesmaria, na região de Piracicaba, a Pedro de Morais Cavalcanti, pelo capitão-mor Manuel Peixoto da Motta. O peticionário alegava que a iria povoar com tôda a sua família, de uma a outra banda do rio Piracicaba, ficando o Salto no meio. -Não foi possível encontrar-se o documento relativo a esta doação. No Departamento de Arquivo do Estado, obtivemos a informação de que o «Livro n. 11 das Sesmarias», que continha o assentamento correspondente, foi completamente destruido pelo tempo. No Arquivo Histórico Ultramarino, de Lisboa, onde nos levou vaga esperança, também nada conseguimos. - Todavia - como também afirma Mário Neme na sua «História da Fundação de Piracicaba» - não pomos dúvida no verbete de Azevedo Marques nos seus «Apontamentos Históricos e Geográficos», com relação ao assunto, porquanto, no seu tempo, o historiador teria consultado aquêle livro, antes da obra impiedosa dos anos DE NOVEMBRO - Ordem real portuguêsa, segundo a qual as sesmarias concedidas no Brasil deveriam, quando observadas suas disposições fundamentais, ser confirmadas dentro de dois anos pelo Conselho Ultramarino. A esta ordem ficou sujeito Felipe Cardoso, em virtude da sesmaria que lhe foi concedida em 1726 em Piracicaba. SÉCULO XVIII DE MARÇO - Ordem real portuguêsa, contendo disposições fundamentais, segundo a qual foi concedida sesmaria em sítios de Piracicaba a Manuel Lopes Castelo Branco. Impunha a condição de implantar benfeitorias e, assim, seria confirmada dois anos depois pelo Conselho Ultramarino.

15 16 História de Piracicaba em Quadrinhos DE NOVEMBRO - Carta régia, emanada da Côrte de Portugal, criando a Capitania de São Paulo, com sede em Ouro Prêto. A rigor, êste «Quadrinho» não entra na hístória de Piracicaba, mas a referência é interessante ou um ponto de partida digno de menção DE JULHO - A vila de São Paulo é elevada à categoria de cidade, com sede em Ouro Prêto, Minas Gerais. Também este «Quadrinho» não pertence própriamente aos fatos históricos de nossa terra, mas a referência aqui fica, na enquadratura de estudo DE ABRIL - Descoberta das celebrizadas minas de ouro de Cuiabá pellos desbravadores paulistas Pascoal Moreira Cabral, irmãos Leme e outros, descoberta essa que não deixou de influir, mes1no indiretamente, na história da fundação de Piracicaba DE DEZEMBRO - Alvará régio, segundo o qual as Minas Gerais passaram a ter govêrno próprio, separado do de São Paulo. Abrese, assim, a fa1nosfssima questão dos limites São Pau1o-Mínas Gerais, resolvida mais de dois séculos depois, (1936), no govêrno Armando Sales de Oliveira, sendo árbitro por São Paulo o jurista piracicabano, dr. Francisco Morato. -Muitos dos «Quadrinhos» que se vão encontrar não estão ligados diretamente à história de nossa terra, inas indiretan1ente, ou expressando circunstâncias interessantes, que convém sejam lembradas, co1no no caso acima registrado DE SETEMBRO - Toma posse do govêrno da Capitania de São Paulo o Capitão-general Rodrigo Cezar de Menezes, em cuja atuação oficial se destaca a abertura do celebrizado caminho às minas de Cuiabá, a que se propôs o intrépido sertanista Luís Pedroso de Barros. Tal caminho teve papel preponderante na história da fundação de Piracicaba, embora sem confirmação. - «para ficar meio fácil a todos o hire1n e viren1 com cavallos e cargas com mais commodidade do q'até gora experimentão pellos ríos por onde se navega, assin1 a respeito da dilatação co1no do risco». êsse caminho, que foi terminado em 1726, partia de ltú, atravessava o

16 Leandro Guerrini 17 rio Piracicaba, abaixo do Salto, e seguia em demanda do Rio Grande, através dos sertões da margem direita do rio Tietê. 28 DE OUTUBRO - D. Rodrigo César de Menezes, capitãogeneral da Capitania de São Paulo, indefere uma petição do capitão Bartolomeu Pais de Abreu, que queria se obrigar a fazer o caminho às novas minas do Cuiabá. - Esta e outras notícias sôbre o caminho às minas de Cuiabá se relacionam remota e indiretamente à história da fundação de Piracicaba. Eis porque, sem serem propriamente peças históricas imediatas, têm seu valor intrínseco, para estudo ou confronto. 23 DE NOVEMBRO - O capitão-general D. Rodrigo César de Menezes, governador da Capitania de São Paulo, manda lançar um bando, (edital), a fim de ser aberto «O caminho pelo sertão para as novas minas de Cuiabá». No estudo da fundação de Piracicaba, êsse caminho não pode ser desprezado. 24 DE DEZEMBRO - Prazo concedido pelo capitão-general D. Rodrigo César de Menezes, no bando de 23 de novembro do ano acima, convocando as pessoas interessadas, a fim de ser aberto «O caminho pelo sertão para as novas minas de Cuiabá». Os bandos eram apregoados pelos arautos, geralmente a cavalo, nas praças públicas ou ruas centrais, ou afixados à porta das igrejas DE JANEIRO - O capitão-general da Capitania de São Paulo, D. Rodrigo César de Menezes, pela segunda vez indefere uma petição do capitão Bartolomeu Pais de Abreu, que desejava abrir caminho para as minas de Cuiabá. Foi preferido outro peticionário, Manoel Godinho de Lara, por oferecer maior vantagem à Capitania. 19 DE JANEIRO - Provisão passada por D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general da Capitania de São Paulo, autorizando a Manoel Gonçalves de Aguiar, Manoel Godinho de Lara e Sebastião Francisco do Rêgo para abrirem caminho às novas minas de Cuiabá. 20 DE JANEIRO - Tem esta data o registro da provisão com que D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general de São Paulo, concedeu ao sargento-mor Manoel Gonçalves de Aguiar e outros permissão para abrirem um caminho por terra que fôsse de São Paulo às minas de Cuiabá. Ao que se afirma, êsse caminho passava por Piracicaba. 6 DE FEVEREIRO - Em carta, D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general da Capitania de São Paulo, presta ao rei de Portugal informações a respeito de Manoel Godinho de Lara e seus sócios, aos quais competia abrir caminho às minas de Cuiabá.

17 18 História de Piracicaba em Quadrinhos 7 DE FEVEREIRO - Tem esta data a entrega da provisão, (título de nomeação ou contrato), passada a Sebastião Fernandes do Rêgo e outros por D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general de São Paulo, a fim de que pudessem abrir um caminho por terra, que fôsse de São Paulo às minas de Cuiabá, ca1ninho êsse que, mais tarde, foi aberto por outros. 27 DE MARÇO - Contribuição à história do caminho às minas de Cuiabá: bando assinado por D. Rodrigo César de Menezes, proibindo novas tentativas de novos caminhos para as minas. Com êsse bando, intentava intimidar o capitão Bartolomeu Pais de Abreu, que não escondia seu propósito de se atirar ao trabalho. 12 DE ABRIL - Numa espécie de recenseamento, para contagem dos aldeamentos dos índios, já civilizados, de que se encarregavam padres e frades, é localizado por frei Sebastião dos Anjos o individuo Tanasio, em Pirasicaba. Seria Piracicaba, por êrro de cópia, de grafia ou transmissão oral? Se fôr Piracicaba, teremos assim um dos mais antigos docu1nentos focalizando nossa terra. 2 DE MA10 - Carta escrita ao vice-rei de Portugal por D. Rodrigo César de Menezes, governador geral da Capitania de São Paulo, com respeito ao caminho às minas de Cuiabá, fechando-o pela paragem «Vacaria», «por não convir a haja algua diversão, ou descaminho do Ouro» DE AGÔSTO - O sertanista e explorador Luiz Pedroso de Barros, nu1na de suas fa1nosas viagens com que avassalava o sertão da capitania, talvez sondando o caminho às fa1nosas minas de Cuiabá, segundo uma carta sua a D. Rodrigo César de Menezes, partia da Vila de!tu. «seguindo o caminho do Rio Capivary, e dahy ao Rio Pirassicava, e deste ao morro de Araraquara». - Êste fato é u1n dos teste1nunhos com referência ao roteiro às minas de Cuiabá, passando por Piracicaba, a fim de atingir o rio Tietê. Mais tarde, ficaram famosas as monções que partiam de Pôrto Feliz, em demanda a Cuiabá D E MAi O - De uma carta do sertanista Luiz Pedroso de Barros ao capitão-general de São Paulo, D. Rodrigo César de Menezes, sôbre assunto de viagem pelos sertões de Araraquara: «A dous de Agosto party da Villa de!tu seguindo a caminho do Rio Capivary e dahy ao Rio Pirassicaba, e deste ao morro de Araraquara donde Plincipião os campos do dito Araraquara».

18 Leandro Gnerrini 19 - Não resta dúvida que essa viagem de Luiz Pedroso de Barros se referia a explorações relativas ao caminho para as minas de Cuiabá, como se vê por êste final: «Quando V. Ex.a seja servido q. se abra o caminho por onde eu fiz a picada estou a obediencia de V. Ex. a concederme os oito companheiro q. a V. Ex. a nomeey>>, 4 DE MAIO - D. Rodrigo César de Menezes, governador-geral da Capitania de São Paulo, escrevia carta a Luiz Pedroso de Barros, que intentava abrir picada às celebrizadas minas de Cuiabá, a fim de obter perdão de crimes anteriores. Ao que tudo indica, tal caminho passava por Piracicaba, obedecendo traçado antigo. " vejo q. na derrota q. segue encontrou dificuldades, q. lhe embaracarão o q. intentou, não sendo de menos supozição não haver capacidade, p. a se introduzirem gados até o Rio grande por lhe servir de estorvo os serrados q. V. M. diz ha por aquellas partes». 26 DE AGÔSTO - D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general da Capitania de São Paulo, comunica ao rei de Portugal que o caminho às minas de Cuiabá já não estava sendo feito por Manuel Godinho de Lara e seus sócios, mas, sim, por Luiz Pedroso de Barros com inteiro êxito. Presume-se que tal caminho passasse pelos sítios de Piracicaba, seguindo o rio até o Tietê. - Também se conclue, pela leitura dos documentos, que Manoel Godinho de Lara e seus sócios, por teimosia, continuavam a abrir a picada a que se tinham proposto. Eram, pois, na época, duas picadas que se abriam, Luiz Pedroso de Barros pelo Tietê e Godinho de Lara pela paragem «Vacaria». - Segundo Joaquim Silveira Melo, no excelente esbôço «A fundação de Piracicaba», «êsse caminho, (o de Luiz Pedroso de Barros), atravessava o rio Piracicaba logo abaixo das corredeiras do Salto do mesmo nome em um baixio arenoso que dava perfeitamente vau durante o tempo invernoso>>. - Mário Neme, com sua autoridade de pesquisador, também afirma: «E o que é mais certo ainda, e indiscutível, é que foi Luiz Pedroso de Barros quem pelos anos de 1723 a 1725 abriu o caminho de São Paulo até o rio Paraná, à sua custa. Essa estrada atravessava o rio Piracicaba» DE MARÇO - Carta de D. Rodrigo César de Menezes, governador-geral da Capitania de São Paulo, concedendo honrarias a Luiz Pedroso de Barros - "ª merce do habito das tres hordens com teaca de cinqüenta mil reis cada anno pagos das Minas do Cuyabá» - por haver

19 20 História de Piracicaba em Quadrinhos concluído o caminho às ditas minas. Há indícios certos de que êsse caminho passava por Piracicaba. 10 DE JULHO Carta de D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general da Capitania de São Paulo a seu preposto Sebastião Ferraz do Rêgo, localizado em Cuiabá, proibindo terminantemente passagem pelo caminho aberto por Luiz Pedroso de Barros às minas de Cuiabá. - Por aí se vê que a picada aberta por Luiz Pedroso de Barros, apesar de concluída, não foi muito usada, «OU por mal feita ou em virtude do gentio que infestava as suas margens:». Parece, também, pelo descaminho de ouro que ela oferecia DE JANEIRO - Carta de D. Rodrigo César de Menezes ao vice-rei do Estado, (Brasil-Colônia), propenso agora a aproveitar o caminho às minas de Cuiabá, feito por Luiz Pedroso de Barros, bem como dando conta de outros assuntos. - «Pella abertura do novo caminho q. fez o Sarg. to-mor Luiz Pedroso pertendo fazer com q. se introduza gado, e cavalgaduras por elle nas ditas minas...» 8 DE MA10 - D. Rodrigo César de Menezes, capitão-general da Capitania de São Paulo, comunica ao rei de Portugal a terminação do caminho para as minas de Cuiabá pelo sargento-mor Luiz Pedroso de Barros, merecedor, por isso, do Hábito de Cristo, honraria insigne para a época. - Como se vê, o caminho para as minas de Cuiabá foi iniciado por Manoel Godinho de Lara e seus sócios, mas concluído por Luiz Pedroso de Barros. Ao que tudo indica, foi o traçado dêste sertanista que incluiu a paragem de Piracicaba na derrota, aliás ainda não confirmada plenamente. 26 DE JUNHO - Carta de data de terra de Sesmaria, passada a favor de Felipe Cardoso, residente em!tu, sendo que tal sesmaria se localizava e1n sítios de Piracicaba. ~<. e por que estava vaga n1uita parte da terra no Porto de Piracicaba e êle suplicante queria situar-se no pôrto do dito rio...» - «... hei por bem conceder em nome de Sua Magestade que Dens guarde por carta de data de terra de sesmaria ao dito Felipe Cardoso da vila de!tu no porto de Piracicaba uma legua de terra de largo de testada mais para baixo, e 1nais para cima ficando o porto em meio e u1na legua de comprido para o sertão, com os rumos e confrontações que o suplicante declara». - Sesn1arias eram concessões de terra a todos quantos se propusesse1n povoar e cultivar os sftios requeridos. Dois anos depois, confir-

20 Leandro Guerrini 21 madas tais promessas, vinha de Portugal a ordem régia, dando título de posse ao requerente. - O paciente pesquisador Jair Toledo Veiga, em recente trabalho de reconstrução histórica, diz o seguinte, com referência a essa sesmaria: «Fazendo-se a verificação no mapa do município de Piracicaba, organizado em 1959 pelo engenheiro civil Fausto Fonseca Filho, (área do município 1.415,6 km2.), com escala de , fácil verificar-se os limites dessa sesmaria que, como se vê da respectiva carta, continha uma légua em quadra, (uma légua de sesmaria equivale a mts), teria então a sesmaria abrangido terras do porto do Salto, (meia légua para baixo), até o atual povoado do Bairro dos Marins, e do lado oposto, (outra meia légua), a partir do porto do Salto, iria atingir o povoado do Bairro do Sertãozinho, pouco além. Calculada a outra légua, de comprido para o Sertão iria atingir as proximidades da Fazenda Pompermayer, imediações da Água das Pedras, e do outro lado iria atingir a Fazenda Taquaral da Usina Monte Alegre, nas proximidades da povoação do Bairro do Rolador» DE JANEIRO - O Conselho Ultramarino, junto ao governoreal português, é de parecer seja confirmada a doação de sesmaria a Felipe Cardoso, em terras de Piracicaba. A confirmação tem a data de 6 de fevereiro do mesmo ano. 6 DE FEVEREIRO - Felipe Cardoso obtem do Reino de Portugal a confirmação de posse da sesmaria que lhe fôra concedida em Piracicaba, em virtude dos melhoramentos nela verificados. Na ordem dos fatos positivados, Felipe Cardoso se torna, assim, o primeiro povoador de nossa terra. -As capitanias do Brasil eram dirigidas por um governador-geral ou capitão-general, nomeado pela Côrte de Portugal. O capitão-general centralizava a administração na capitania, da qual era chefe supremo em todos os setôres. Entre suas atribuições, constava a de dar terras de sesmarias sob determinadas condições, especialmente aquelas de povoamento e cultivo das terras. 13 DE MARÇO - Foi assentada a carta de confirmação de terras, (sesmaria), concedida a Felipe Cardoso, em sítios de Piracicaba nos livros de mercê da Côrte Portuguêsa, pelo que se pagaram $400, (quatrocentos réis), e aos oficiais, 1$110 (um mil, cento e dez réis). 15 DE MARÇO - Foi registrada na Chancelaria-mor da Côrte e Reino de Portugal, no livro de ofícios e mercês, a fôlhas 158, a carta de confirmação de terras, (sesmaria), concedida a Felipe Cardoso em Piracicaba.

[fl. 1] Senhor, Despacho à esquerda: Como parece. Lisboa, 16 de novembro de 1689 [?] [rubrica]

[fl. 1] Senhor, Despacho à esquerda: Como parece. Lisboa, 16 de novembro de 1689 [?] [rubrica] AHU, Alagoas Avulsos, Documento 2 (Versão Adaptada) 1 Documento 2 Consulta do Conselho Ultramarino ao rei D. Pedro II sobre o requerimento de D. Maria da Silveira, viúva de Francisco Álvares Camelo, em

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