Levantamento de Indicadores de Sustentabilidade no Assentamento Antonio Conselheiro, Município de Barra do Bugres 1

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1 Levantamento de Indicadores de Sustentabilidade no Assentamento Antonio Conselheiro, Município de Barra do Bugres 1 B. R. WINCK (1) ; M. Rosa (2) ; G. LAFORGA (3), R. N. C. FRANÇA (4), V. S. Ribeiro (5) 1 Acadêmica do curso de Agronomia, UNEMAT, Campus Universitário de Tangará da Serra, 2 Professora da UNEMAT, departamento de letras, 3 Professor Orientador da UNEMAT, Departamento de Agronomia, 4 Professor da UNEMAT, departamento de letras, 5 Acadêmica do curso de Agronomia, UNEMAT, Campus Universitário de Tangará da Serra, RESUMO: O conceito de sustentabilidade não é um consenso quanto o seu significado, surgindo diferentes conceitos de desenvolvimento, muitas vezes extremamente distintos. Para nortear os rumos deste, são necessários indicadores que permitam caracterizar, avaliar e acompanhar um dado sistema. Essa agricultura atual causa sérios impactos, sendo eles a contaminação dos recursos naturais e do homem, destruição da biodiversidade, mudança das tradições culturais, queda da renda agrícola e do preço da terra e por conseqüência, intenso abandono do campo, nas cidades ocorre a saturação populacional, aumento dos índices de violência, aumento da fome, das favelas e diminuição da qualidade de vida da população urbana. Esse tipo de agricultura deve ser mensurado, avaliando assim a sua sustentabilidade. A partir daí, surgiu os a proposta de utilização de indicadores capazes de avaliar a sustentabilidade nas dimensões ambiental, social e econômica. O trabalho segue a metodologia proposta pelo MESMIS. Para avaliar a dimensão social da sustentabilidade foram selecionados indicadores com base em três propriedades que fizeram parte de um projeto, o Saber Camponês: estudo sobre a construção do conhecimento camponês no assentamento Antonio Conselheiro, microrregião de Tangará da Serra, MT. Esses indicadores serão agrupados com outros de natureza ambiental e econômica, possibilitando uma avaliação da sustentabilidade em todas as suas dimensões. Palavras-chave: Sustentabilidade, indicadores, agroecossistema. 1 Projeto: Saber Camponês: estudo sobre a construção do conhecimento camponês no assentamento Antonio Conselheiro, microrregião de Tangará da Serra, MT, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Esta sendo desenvolvido no assentamento Antonio Conselheiro, microrregião de Barra do Bugres, MT.

2 1. INTRODUÇÃO Uma das questões presente no debate atual sobre a agricultura é a sua sustentabilidade. Nos desafios colocados pela sociedade aos sistemas de produção agropecuária estão incluídas as novas exigências da sociedade de que essa produção não contamine o ambiente, não exerça pressão inadequada sobre os recursos naturais e que leve em consideração os aspectos relacionados à eqüidade social. Assim, exige-se que seja estabelecido um padrão de tecnologia sustentável ao longo do tempo (AZEVEDO, 2002). Sendo assim, a sustentabilidade pode ser conceituada como o equilíbrio entre três fatores: social (organização dos produtores de forma coletiva), econômico (garantir a sustentação familiar e disposição de recursos financeiros) e ambiental (manejo adequado de recursos naturais) (KHATOUNIAN, 2001). O manejo de agroecossistemas, numa perspectiva sustentável, passa pelo uso racional dos recursos naturais e por uma maior compreensão do ambiente. Para isso, a utilização de indicadores que visam levantar o estado de um sistema produtivo e monitorar os impactos socioeconômicos e ambientais provenientes das atividades agrícolas, constituindo-se em um importante instrumento para subsidiar políticas, planos, programas e projetos de desenvolvimento do setor agrícola (EPAMIG, 2009). Segundo Deponti (2002), indicadores são instrumentos que permitem mensurar as modificações nas características de um sistema. O desenvolvimento dos indicadores de sustentabilidade surgiu na Rio-92, Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, exposto na Agenda 21. A idéia era definir padrões sustentáveis de desenvolvimento que considerassem aspectos ambientais, econômicos, sociais, éticos e culturais. Ai esta a necessidade de indicadores que a mensurassem, monitorassem e avaliassem. Neste sentido, o presente trabalho esta sendo realizado com produtores da agrovila 28 do Assentamento Antonio Conselheiro Micro-região Paulo Freire no município de Barra do Bugres MT e tem como objetivo inferir o nível de sustentabilidade das unidades de produção, utilizando-se uma metodologia de análise do paradigma de sustentabilidade com a seleção de indicadores de qualidade ecológica, econômica e social que possam constituir uma matriz de valores observáveis a campo, de modo expedito e versátil.

3 2. OBJETIVOS Objetivo Geral Levantamento de indicadores que permitam mensurar os níveis de sustentabilidade de propriedades familiares do Assentamento Antonio Conselheiro Micro-região Paulo Freire no município de Barra do Bugres, MT. Objetivos Específicos 1. Tipificar propriedades familiares da agrovila 28 do assentamento Antonio Conselheiro; 2. Identificação dos pontos críticos das unidades de produção; 3. Identificar indicadores que permitam inferir o nível de sustentabilidade das unidades de produção; 3. MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho consiste numa pesquisa no Assentamento Antonio Conselheiro, este localizado a 34 km de Tangará da Serra MT. No presente trabalho, limitamos os estudos a agrovila 28, onde localiza-se a Escola Paulo Freire, localizada no município de Barra do Bugres. Os produtores foram entrevistados através de um questionário semi-estruturado para realização da tipificação dos produtores quanto ao seu sistema de cultivo (agroecológico, transição agroecológica ou convencional). Através dos questionário faz-se um levantamento de grande parte dos indicadores. Logo após, foi adotado o MESMIS Marco para a Avaliação de Sistemas de Manejo de Recursos Naturais Incorporando Indicadores de Sustentabilidade, como método de seleção dos indicadores (MASERA et al, 1999). Os indicadores estão sendo selecionados com base nos pontos críticos das unidades de produção selecionada, os quais estão sendo identificados de forma participativa, através de visitas às propriedades e reuniões com os agricultores e parceiros envolvidos no projeto. A coleta de dados ocorreu através de registros em diários de campo, fotos das atividades realizadas, e posteriormente, tabulação dos dados da entrevista.

4 4. RESULTADOS Tipificação das Famílias O primeiro momento da pesquisa foi a visita a todas as unidades de produção familiar da agrovila 28, a qual foi aplicada um questionário socioeconômico que fazia uma caracterização geral da comunidade quanto a organização social, economia e ambiental. Nesta etapa faz-se a tipificação das propriedades quanto ao sistema produtivo: Agroecológica, em transição agroecológica e convencional. Foram escolhida 02 propriedades familiares para execução das atividades de levantamento de indicadores a campo, sendo todas propriedades caracterizadas em transição agroecológica. Outro ponto avaliado foi o interesse do produtor quanto se manter num sistema agroecológico, favorecendo assim a seleção destes produtores. Com base nos critérios selecionados, 03 produtores fizeram parte da pesquisa para o levantamento dos indicadores, sendo: 1. Propriedade 01: Sr. Adilson de Jesus e sua esposa Cida; 2. Propriedade 02: Sr. Fernando; Os três produtores selecionados representam os agricultores inseridos no contexto de transição agroecológica da região e apresentam a motivação para trabalhar com sistemas de produção de base ecológica. Levantamento de indicadores de sustentabilidade Este levantamento dos indicadores se deu inicialmente através do levantamento dos pontos críticos do sistema, ou podemos ainda chamar de restrições (pontos fracos) e os pontos fortes. Posteriormente, estas restrições foram acompanhadas e discutidas juntamente com os agricultores da região. Sendo assim, os indicadores serão estudados da seguinte forma: indicadores sociais, indicadores econômicos e indicadores ambientais e técnicos. Pontos Críticos do sistema Os seguintes pontos críticos foram levantados, de acordo com cada propriedade/família:

5 Propriedade 01: dificuldade no controle de plantas daninhas em pastagem, a distância dos centros urbanos, falta de transporte, dificuldade de crédito, falta de assistência técnica especializada, seca, comercialização, falta de organização coletiva, etc. Propriedade 02: dificuldade no controle de plantas daninhas em pastagem, a distância dos centros urbanos, falta de transporte, solos pobres (arenosos), queimada, falta de assistência técnica especializada, a estação seca do ano, comercialização, falta de organização coletiva, etc. Esta pesquisa semi-estruturada foi realizada com 20 produtores, onde percebe-se que a maior parte dos problemas são similares. Podemos agrupar estes pontos críticos da seguinte forma: Problemas sociais: os produtores tem dificuldade de se organizar coletivamente, principalmente no que tange a produção. Também engloba neste ponto: Qualidade e acesso a saúde, educação escolar, infra-estrutura da comunidade, assistência técnica, ocupação da área, origem da propriedade, etc. Problemas Econômicos: no geral, os agricultores dependem de financiamento e créditos para a continuidade das atividades agrícolas nas unidades de produção, a falta deste limita a continuidade da produção. Também insere neste contexto a uso da terra, forma que trabalha na propriedade, escolha e destinação da produção, insumos externos, sanidade da lavoura, Problemas Ambientais: Vários problemas ambientais foram citados, principalmente a disponibilidade de água, a estação seca, pragas, doenças e plantas daninhas, a falta de fertilidade do solo, sua desestruturação física e escassez de diversidade macro e microbiológica, contaminação dos solos com agrotóxicos, a falta de sementes, etc. Critérios de Diagnóstico (descritores) De acordo com a metodologia adotada, a MESMIS, após o levantamento dos prontos críticos do sistema, faz-se a escolha dos critérios de diagnóstico para posteriormente fazer o levantamento dos indicadores estratégicos para melhor mensurar a sustentabilidade. Na dimensão social da sustentabilidade, tem-se com descritores e seus respectivos indicadores: 1. Organização: Envolvimento das pessoas em organizações coletivas, como associações e cooperativas é um indicador muito importante para mensurar a sustentabilidade.

6 2. Uso da terra: Número de pessoas por hectare e o total de pessoas na unidade de produção, onde se faz a avaliação da disponibilidade de terra para as pessoas que ali vivem. 3. Saúde: acesso e condições de saúde, qualidade do atendimento médico, odontológico, primeiros socorros e ambulatório no assentamento, avaliando a qualidade de vidas das pessoas. 4. Educação: Os indicadores aqui abordados serão o nível de escolaridade de cada membro da família e o aspecto metodológico da escola da região. 5. Trabalho: Satisfação e acesso a assistência técnica e extensão rural pública, quantidade de técnicos para atender a demanda local. 6. Origem da propriedade: Indicador de posse de terra completa ou ocupada por terceiros e venda de lote. Na dimensão Econômica, têm-se abaixo os descritores e os respectivos indicadores: 1. Recursos financeiros: O indicador se dá pelo levantamento de acessos a crédito, partindo da premissa de que o ideal é a possibilidade de obtenção de empréstimos financiados através de programas de crédito rural em bancos oficiais. 2. Tecnologia: O indicador pode ser medido através do número de culturas utilizadas e de tecnologias adotadas, praticas como adubação verde, consórcio, rotação de culturas, cobertura morta, percentual de perda devido o ataque de pragas e doenças, infestação por plantas daninhas, o rendimento do produto em ton.ha -1, infra-estrutura. 3. Forma de trabalho: Participação de mão-de-obra contratada na propriedade nos custos de produção e em que épocas do ano há a contratação. Porém, é importante ter como indicador social e econômico a faixa etária dos produtores, uma vez que a evasão do jovem no campo é muito grande a busca de oportunidades nos centros urbanos, causando assim o envelhecimento do campo. 4. Manejo de Produção: Opção pela atividade agrícola da propriedade (vocação da família, aptidão agrícola ou simplesmente interesses de mercado) e destino da produção. 5. Insumos: Custos de insumos externos e o custo total dos insumos, acrescentando os oriundos da propriedade e, avaliar economicamente a renda mensal dos produtores de

7 acordo com a opção de produção que eles tem, observando assim a sustentabilidade econômica da família. Finalmente, na dimensão ecológica e abaixo os descritores com seus indicadores: 1. Solo: O critério adotado para avaliar o indicador será através da erosão visível que é suficiente para apontar a necessidade ou não de intervenções de maior urgência para evitar a perda de solo, análise física, química e biológica do solo. 2. Disponibilidade de água: O indicador selecionado para este critério foi as fontes de água disponíveis para a produção e o volume de água. A qualidade da água será avaliada através do testes de coliformes fecais e outros agentes patógenos. 3. Diversidade: A diversificação de cultivos ajuda o agricultor a minimizar os riscos decorrentes de fenômenos naturais, pois no caso de estragos causados em uma cultura, outras ainda podem garantir algum retorno econômico (CÁCERES, 2006, p.403; ALTIERI, 2002, p.186). Os indicadores podem ser o número de espécies cultivadas na propriedade e os tipos de técnicas alternativas para a manutenção das culturas e criação. 4. Sanidade da lavoura: Monitoramento de pragas, doenças e plantas daninhas na propriedade, destinação de embalagens de insumos químicos, etc. 5. Consciência ambiental: a diversificação de produtos alternativos utilizado na propriedade e a utilização de práticas conservacionistas (terraço, curva de nível, plantio direto, cobertura vegetal é um indicador mencionado por López-Ridaura, Masera e Astier (2002, p.142). Outro indicador importante é a área coberta por vegetação nativa e mata ciliar, de acordo com o Código Florestal Brasileiro, Lei Federal de 15 de setembro de 1965 e alterações. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os indicadores apresentados foram identificados de forma participativa, englobando avaliação que partiu tanto da comunidade como também da equipe de pesquisa. Esta pesquisa ainda se encontra em andamento, ou seja, é possível que seja agrupado junto as estes outros indicadores de natureza social, ambiental e econômica, de forma que a sustentabilidade dos agroecossistemas possa ser avaliada em todas as suas dimensões. Espera-se que com o

8 levantamento dos indicadores de sustentabilidade das unidades de produção, possibilite monitorar e mensurar a sustentabilidade do agroecossistema de modo perceptível e compreensível pelos próprios agricultores envolvidos. A partir disto, fornecer subsídios para programas de extensão rural e assistência técnica, onde possa favorecer o desenvolvimento rural daquela comunidade. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALTIERI, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba, Agropecuária, p. AZEVEDO, R. A. B. A sustentabilidade da agricultura e os conceitos de sustentabilidade estrutural e conjuntural. Rev. Agr. Trop. Cuiabá. N. 1, p CÁCERES, D. M. Agrobiodiversity and technology in resource-poor farms. Interciencia, vol.31, n.6, p , jun DEPONTI, C. M. Indicadores para avaliação da sustentabilidade em contextos de desenvolvimento rural local. Monografia (Especialização) UFRGS. Programa de Pós- Graduação em Economia Rural, Porto Alegre p. EPAMIG. Workshop sobre Indicadores de Sustentabilidade em agroecossistemas. Belo Horizonte, MG p. KHATOUNIAN, C.A. A reconstrução ecológica da agricultura. Botucatu: Agroecológica, LÓPEZ-RIDAURA, S; MASERA, O.; ASTIER, M. Evaluating the sustainability of complex socio-environmental systems. The MESMIS framework. Ecological Indicators, n.2, p MASERA, O.; LÓPEZ-RIDAURA, S. (ed.). Sustentabilidad y Sistemas Campesinos Cinco experiencias de evaluación en el México rural. México: Mundi-Prensa, p.

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