Jornada dos Cursos de História, Geografia e Arquitetura: Espaço, História e Globalização

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1 28 Jornada dos Cursos de História, Geografia e Arquitetura: Espaço, História e Globalização TOPOFILIA E PRESERVAÇÃO TERRITORIAL: IDENTIDADE LOCAL E GLOBALIZAÇÃO Mariana Polidoro da Silva 1 Patrícia Adriana Marques de Andrade 2 Priscila Priori 3 RESUMO O presente artigo tem por objetivo analisar os laços afetivos do indivíduo em relação o um determinado lugar, cujas, características próprias apontam para uma identidade sócio-cultural. /a necessidade desta identidade é reforçada pelo processo de globalização fazendo com que a pessoa sinta-se parte integrante daquele lugar, assim formam-se as tribos urbanas. A relação entre individuo e lugar reflete a maneira com que cada tribo se relaciona entre si, em detrimento das padronizações socio-culturais e comportamentais impostas pela globalização. Palavras-chave: Topofilia. Identidade territorial. Desenvolvimento local. Globalização. 1 INTRODUÇÃO As primeiras discussões sobre topofilia surgiram simultaneamente às de globalização, no entanto este fato não é uma simples coincidência, pois ambos estão diretamente ligados e associados ao desenvolvimento, que promovido pela globalização e pelo modelo capitalista que valorizam as políticas privadas, tem como conseqüência a facilidade e rapidez do fluxo de pessoas, noticias, idéias, desta maneira existe uma padronização dos modos de produção e bens de consumo, assim o ambiente sofre uma grande interferência do meio externo global, desta maneira ocorre uma descaracterização da identidade sócio-cultural e territorial. 1 Graduação, Universidade Sagrado Coração - Bauru SP. 2 Graduação, Universidade Sagrado Coração - Bauru SP. 3 Graduação, Universidade Sagrado Coração - Bauru SP.

2 29 A descaracterização sócio-cultural faz com que se perca a diversidade de expressão social, cultural e estética, em prol de uma expressão generalizada que sugere estereótipos impostos pela sociedade e tido como adequados. A topofilia no âmbito arquitetônico e urbanístico visa preservar o ambiente natural e artificial, voltando o foco para a idéia da preservação patrimonial, que a partir dos laços afetivos do individuo em relação com um determinado local torna-se algo natural, e não imposta por leis e nem códigos civis. A necessidade do estudo sobre topofilia dá-se devido à necessidade de preservação do ambiente, que por meio do apego ao lugar, cria-se então a iniciativa de ter cuidados especiais e de promovê-lo. 1.1 OBJETIVO GERAL Apresentar um estudo sobre topofilia e preservação territorial, por meio de uma analise da relação entre o individuo e o espaço, da necessidade dessa relação diante da sociedade globalizada que se vive hoje, a fim de preservar as características e identidade local. 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Preservar a identidade territorial Resgatar a identidade sócio-cultural Promover a conscientização da preservação patrimonial Incentivar o desenvolvimento local Preservar as características locais 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 GLOBALIZAÇÃO E DESCARACTERIZAÇÃO TERRITORIAL Globalização é um processo que consiste na facilitação dos fluxos de pessoas, idéias, notícias, culturas e tendências, este processo acelerou-se muito

3 30 rapidamente, em especial no ultimo século, devido à segunda revolução industrial, isto deu-se devido à expansão das tecnologias desenvolvidas e aplicadas aos meios de transporte e comunicação e pela acessibilidade alcançada por tais. Com este processo acelerado, criou-se uma espécie de padronização tanto entre os bens de consumo quanto entre os meios de produção, fator que teve um a intervenção diretamente no espaço territorial, modificando drasticamente as paisagens. Cada local possui uma identidade própria, é marcado por suas peculiaridades, pelo hábito de seus moradores e ou freqüentadores, formando espécies de tribos, de pessoas que possuem interesses em comum, ou laços afetivos de proximidade e também relações comercias entre comerciante e consumidor, por exemplo. Os relacionamentos entre os que de alguma maneira fazem parte de determinado ciclo social são determinadas e marcadas por alguma caracterização ambiental. Assim o ambiente e as relações humanas se integram, tornando-se parte integrante um do outro, explicando as preferências de cada um por determinado local. Neste sentido TUAN (1980, p. 68) afirma: Para compreender a preferência ambiental de uma pessoa, necessitaríamos analisar sua herança biológica, criação, educação, trabalho e arredores físicos. No nível de atitudes e preferências de grupo, é necessário conhecer a história cultural e a experiência de um grupo no contexto de seu ambiente físico. Em nenhum dos casos é possível distinguir nitidamente entre os fatores culturais e o papel do meio ambiente físico. Os conceitos cultura e meio ambiente se superpõem do mesmo modo que os conceitos homem e natureza. A necessidade de afirmação de uma identidade, tornou-se essencial com a globalização, pelo desequilíbrio e desigualdades das relações político-sociais, que acabam determinando o desordenamento territorial, degradação ambiental, descaracterização local, decorrente da adoção de uma identidade global. Embora as tecnologias tenham se tornado mais acessíveis, seu domínio ainda está ns mãos de um seleto grupo de países ricos, criando um grande contraste com os demais. Portanto, apesar da globalização aproximar através do que sua tecnologia proporciona, ela segrega ainda mais, tanto na detenção do conhecimento tecnológico, quanto nas disparidades sociais, dividindo o mundo em dói hemisférios, o Norte rico e o Sul pobre.

4 31 Desta maneira o indivíduo sente um a necessidade cada vez maior de um lugar próprio no espaço de cada indivíduo, como maneira de afirmar sua identidade cultural e social, assim busca preservar o local como se fosse parte integrante de seu ciclo social. Busca também uma forma de expressão sócio-cultural menos abrangente, menos global e mais local, por meio desta expressão é possível desenvolver-se uma identidade própria de cada território e de cada indivíduo. 2.2 IDENTIDADE E DESENVOLVIMENTO LOCAL Muito embora o processo de globalização tenha dissolvido algumas características próprias de cada local, não foi possível descaracterizá-la totalmente, pois é próprio do ser humano o apego em relação ao lugar, desenvolvido por sua memória afetiva e estimulada por seus sentidos e pela afetividade pelo entorno, pois vizinhança fator que mais determina o nível de satisfação da pessoa em relação ao lugar, sua importância é tão grande, que se torna maior que os desejos por melhores condições habitacionais e o emprego de infra-estrutura, tanto é que as reclamações da vizinhança são maiores que as de condições residencial. Com base nesta importância Tuan (1980, p. 252), confirma: A satisfação com o bairro, depende mais da satisfação com os vizinhos sua amizade e respeitabilidade do que das características físicas da área residencial. As reclamações sobre moradias inadequadas ou ruas inseguras comumente são reclamações sobre hábitos e padrões dos vizinhos. As relações sociais parecem determinar a maneira como as pessoas responderão à adequação de suas moradias e facilidades ou se mudam como enfrentam a superlotação e outras inconveniências. As diferenças e peculiaridades de cada ambiente contribui ao desenvolvimento especificamente voltado a um determinado lugar, atendendo às necessidades específicas de seus habitantes, buscando atender às necessidades locais, diferente do que geralmente ocorre, o desenvolvimento que visa atender às necessidades generalizadas das pessoas, enquanto ocorre uma deficiência no atendimento das necessidades específicas de determinado grupo. Partindo do princípio de desenvolvimento local é possível criar iniciativas a fim de atender a um grupo específico de indivíduos, a iniciativa deve partir de diversos

5 32 setores da sociedade, pois deve atender aos anseios sociais, culturais e econômicos de determinada parcela da sociedade. 2.3 TOPOFILIA E PRESERVAÇÃO PATRIMONIAL E AMBIENTAL O sentimento de afetividade com o lugar parte das memórias afetivas, das lembranças e do apego sentimental com seus moradores e a sensação de ser parte integrante do espaço, desperta nas pessoas a iniciativa de preservar alquilo como se fosse uma extensão de sua casa, isso não ocorre por imposição, nem por conscientização, ocorre devido à própria afetividade em relação ao espaço natural e artificial, ou seja, preservação ambiental e patrimonial. A preservação é garantida pelo tombamento que é um ato administrativo que ocorre por intermédio da aplicação de legislação especifica, podem ser tombados bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambienta, e afetivo. Impedindo sua destruição e descaracterização. O termo tombar vem de Portugal, onde os documentos antigos e preciosos são guardados, até hoje, no Arquivo que se chamava torre do tombo, tudo que está registrado lá recebe o nome de tombado, ou seja, pertencente á torre do tombo. Esse costume ficou no Brasil como sinônimo de algo que é precioso e importante, que é um bem público de valor inestimável. A iniciativa de preservação ambiental, não parte somente pelo apego ao ambiente natural ou rural, ele surge da necessidade de se apreciar as coisas simples da vida, quando se alcança um certo nível de desenvolvimento e complexidade humana, como um resgate às raízes. Segundo Tuan (1980, p. 252), quando uma sociedade alcança um certo nível de desenvolvimento e complexidade, as pessoas começam a observar e apreciar a relativa simplicidade da natureza [...] Esta apreciação romântica da natureza é privilegio e riqueza da cidade. Nos tempos arcaicos o prazer do homem pela natureza era mais forte e direto. O mesmo sentimento de preservação ocorre na parte patrimonial em especial no diz respeito a arquitetura, pois remete a lembranças e ao apego afetivo do individuo para com o edifício e o local. Assim a preservação e os cuidados ocorrem de maneira espontânea, independente das legislações e normas que a impõem.

6 33 Além da ação de tombar o imóvel, a topofilia é o nome do sentimento que desperta nas pessoas a vontade de preservar aquilo que lhe remete memórias afetivas, independente do impedimento legal de sua destruição, preservando não só a memória coletiva e sim todos os recursos já investidos para sua construção na época. Porém sua preservação só torna-se perceptível devido ao bom estado de conservação. A própria Constituição Federal estabelece o apoio das comunidades, preservar os bens naturais e culturais brasileiros. Os planos diretores estabelecem também formas de preservação do patrimônio. A preservação de um imóvel não significa que ele deverá estabelecer a mesma função a que foi designado quando construído, pode lhe ser atribuída qualquer outra função, ainda com a vantagem de harmonizar com a paisagem local. Desde que o lugar não seja alterado. A preservação dos bens culturais deve ser assegurada pelo tombamento, afim de preservar as memórias coletivas e os esforços e recursos investidos para sua construção. Qualquer cidadão pode impedir a agressão à um patrimônio histórico, através da ação do ministério público. A proteção do patrimônio ambiental urbano está diretamente vinculada à melhoria da qualidade de vida da população, pois a preservação da memória é uma demanda social tão importante quanto qualquer outra atendida pelo serviço público. O tombamento não tem por objetivo "congelar" a cidade. De acordo com a Constituição Federal, tombar não significa cristalizar ou perpetuar edifícios ou áreas, inviabilizando toda e qualquer obra que venha contribuir para a melhoria da cidade. Preservação e revitalização são ações que se complementam e, juntas, podem valorizar bens que se encontram deteriorados. PRESERVATION AND TERRITORIAL TOPOPHILIA: LOCAL IDENTITY AND GLOBALIZATION ABSTRACT This article aims to analyse the affective ties between an individual and a particular place, whose own features aim to a social and cultural identity. The need of that identity is enhanced by a globalization process, making the person fell part of that place, so come up the urban tribes. The relationship between individual and place reflects the way each tribe connects to each other, despite the socio-cultural patterns and behavior imposed by globalization.

7 34 Keywords: Topofilia. Territorial identity. Local development. Globalization. REFERÊNCIAS TUAN, Y. Topofilia um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. Rio Claro: DIFEL, ROCA, Z.; OLIVEIRA, J.A.; LEITÃO, N. Desenvolvimento territorial entre a topofilia e a terrafilia: das palavras aos actos. Lisboa: TERCUD, 2006.

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