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1 BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão Glauber Aparecido Domingos Resende* Este procedimento cautelar tem sido debatido em demasia, principalmente em bancos universitários, contudo não vislumbramos, na mesma medida, o entusiasmo de doutrinadores com o tema, o que por conseqüência, tem gerado inúmeras dúvidas por parte dos que cumprem a ordem judicial. Está esculpida no art. 5º da Constituição Federal, a garantia de que a casa é asilo inviolável do indivíduo, sendo que para ser penetrada dever-se-á observar os mandamentos legais, dentre eles a expedição de mandado de busca e apreensão, senão vejamos: XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; Ora, tem sido o artifício do mandado de busca e apreensão utilizado de forma maciça pelos Órgãos do Sistema de Defesa Social, mesmo porque ao longo destes anos tem se verificado

2 que o crime organizado está cada vez mais potencializando suas ações, haja vista sua melhor articulação organizacional. Restou aos órgãos de segurança pública o aprimoramento do seu aparato de inteligência, além do que tem conclamado através da mídia em geral o cidadão ordeiro para estar denunciando, ainda que anonimamente, todo e qualquer tipo de ilícito, mas principalmente os descritos na Lei de Crimes Hediondos. O que se tem visto é que uma porcentagem da população tem respondido a esta conclamação e denunciado fatos delituosos, e do outro lado, o aparato policial por sua vez, tem utilizado muito de escutas telefônicas, a fim de acompanhar cidadãos perpetradores. Estas duas repostas ao status quo têm como conseqüência um maior número de expedição de mandado de busca e apreensão. Ao percorremos as linhas iniciais do art. 240 e seguintes do Código Processo Penal percebemos a preocupação do legislador com a correta aplicação deste procedimento cautelar, vejamos: Art A busca será domiciliar ou pessoal. 1º - Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para: a) prender criminosos; b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;

3 c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos; d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso; e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu; f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato; g) apreender pessoas vítimas de crimes; h) colher qualquer elemento de convicção. Todavia, ao percorrermos artigos subseqüentes, principalmente, o art. 245 e seus parágrafos, alguns senões devem ser alvo de reflexões, mormente por aqueles que criam normas. O caput do art.245 do CPP traz a obrigatoriedade do agente cumpridor do mandado mostrar e ler tal documento antes de penetrar na residência. Art As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerão o

4 mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a porta. (grifo nosso) Talvez o legislador tenha posto tal obrigatoriedade, a fim de proteger tanto o morador quanto o executor de adentramentos em casas erradas. Se a finalidade foi buscar este certame, com certeza deve ser revisto, pois é inadmissível que o setor de inteligência da polícia, ou mesmo qualquer outra autoridade, solicite a expedição de mandado judicial sem o mínimo de convicção e principalmente sem realizar levantamentos iniciais que darão robustez ao pedido, e mesmo que isto venha a ocorrer o infrator já saberá que será responsabilizado judicialmente. Não é que se permitirá que todas as entradas para cumprimento de mandados sejam forçadas, mas tão somente será utilizada a força naquelas em que há o real risco de confronto entre executores com o morador, ou mesmo risco de perdimento de materiais ilícitos. Neste quesito o próprio 1º do art. 240 do CPP traz em seu bojo algumas situações em que há necessidade da presença do fator surpresa quando do cumprimento de mandados: a) prender criminosos; b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;... d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso;...

5 g) apreender pessoas vítimas de crimes; Por outro viés há de citarmos que o morador ao ser informado da presença da polícia, pode ele mesmo ou um cidadão infrator que lá reside, tentar (na maioria das vezes faz) se desfazer de produtos ilícitos, mormente drogas (joga-se no vaso sanitário) e armas (joga-se no terreno de vizinhos), além do que pode até mesmo empreender fuga. Desta feita todo o trabalho dos órgãos policiais é escoado ralo abaixo, aumentando ainda mais a sensação de insegurança da sociedade, e da outra ponta aumenta-se a crença do cidadão infrator que quanto à uma incapacidade dos órgãos de segurança pública. Outro ponto a ser verificado é a exigência da presença de testemunhas:... 7º - Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o com duas testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no 4º. Não se deseja a inexistência de testemunhas, mas o momento apropriado da presença destas pessoas é que deve ser revisto, pois tem sido o entendimento de que elas devem acompanhar toda a ação policial, mas em momento algum não se vê a preocupação do legislador com a segurança da testemunhas. Não raras às vezes, durante cumprimentos de mandados de busca e apreensão, ou mesmo de prisão, há confrontos armados entre policiais e detratores, e as testemunhas se lá estão, ficam a mercê da situação, podendo inclusive

6 tornar-se vítimas, quer seja sendo tomadas como refém ou mesmo sofrendo com as famigeradas e tão faladas balas perdidas, as quais de perdidas não têm nada, mesmo porque sempre encontram alguém. Sendo a testemunha ferida, numa situação desta, a quem caberá a responsabilidade pela sua integridade física? Ao policial que deveria protegê-la ou apenas não há o que se falar em responsabilidade porque o mandamento normativo exigia sua presença no local? Mesmo porque se ali não estivesse poderia o perpetrador se safar das acusações ou mesmo alegar qualquer outra irregularidade no cumprimento do mandado judicial. O que se percebe é que há necessidade absoluta de que todas as buscas sejam acompanhadas pelas testemunhas, mas para que isto ocorra é preciso que inicialmente todo o ambiente a ser revistado esteja seguro, e a partir deste momento se iniciariam as buscas, precedido da leitura do mandado, com o acompanhamento testemunhal. O cidadão-testemunha ser colocado em situação de risco por quem teoricamente deveria aos auspícios da lei protegê-lo, é totalmente descabido e impensável, portanto, não se pode sob a alegação de que talvez, quem sabe, poderia haver uma suposta violação de direito do cidadão infrator, colocar um outro ser humano numa cilada oficial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PAIXÃO, Ana Clara Victor. A BUSCA E A APREENSÃO NO PROCESSO PENAL. Garantias Constitucionais não escritas. Disponível na Internet via

7 Arquivo capturado em 16 de setembro de ARAÚJO, Sérgio Luiz de Souza. Teoria Geral do Processo Penal. 1.ed. Belo Horizonte: Mandamentos, JESUS, Damásio E de. Código de Processo Penal Anotado. São Paulo: Saraiva. MIRABETE, Júlio Fabbrini. Código de Processo Penal Interpretado. São Paulo: Atlas, Tribunal de Justiça de Minas Gerais Consulta à Jurisprudência BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, BRASIL. Decreto-Lei Federal nº 3.689, de 3 de outubro de Estabelece o Código de Processo Penal Brasileiro. *Policial Militar / Bacharel em Direito Disponível em: s. Acesso em: 08 nov

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