UMA DECISÃO EM TRANSPORTE

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1 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES UMA DECISÃO EM TRANSPORTE Débora Duarte de Campos Cruz Orientador: Celso Sanchez Abril 2005

2 2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES UMA DECISÃO EM TRANSPORTE Objetivos: Levantar informações que possam auxiliar os profissionais na decisão pela opção mais vantajosa entre a utilização de frota própria ou a terceirização de serviço de transporte logístico.

3 3 AGRADECIMENTOS Aos professores do Curso de Pós-graduação em Logística (Projeto A Vez do Mestre ) da UNICAM e especialmente, ao professor César Lima que através de suas aulas mostrou a importância da gestão de transportes para as empresas, despertando assim para a escolha do tema pesquisado.

4 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a minha família e de forma especial, ao meu marido Andremar, que sempre me incentivaram ao aprimoramento profissional, através do desenvolvimento constante do conhecimento.

5 5 RESUMO Diante da observação do crescimento de empresas prestadoras de serviços de transporte e do impacto dessas atividades nos custos logísticos e no nível de serviço houve o interesse em pesquisar sobre o assunto. Dentre todas as decisões envolvidas na gestão de transporte, o estudo concentrou-se naquela que talvez seja a primeira e mais importante a ser tomada: utilizar frota própria ou contratar serviços de transporte de terceiros. Após a pesquisa bibliográfica, constatou-se que vários são os fatores de influência para que a empresa opte por uma das duas alternativas. No entanto, o trabalho aborda aqueles parâmetros considerados como indispensáveis a decisão: custo, tempo de espera e segurança. Foram feitas também, algumas considerações sobre a administração do transporte próprio e do serviço contratado de terceiros.

6 6 METODOLOGIA O trabalho foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, a autores com amplo conhecimento na área de logística e que abordaram em suas obras o tema em estudo. A proposta do trabalho é apresentar parâmetros, considerados na bibliografia estudada, que auxiliem os profissionais no processo de escolha pela propriedade da frota ou uso de serviços terceirizados. Visa-se principalmente, estimular o leitor a baseado na realidade de sua empresa, avaliar as duas alternativas de forma criteriosa. Como há diferenças entre os aspectos definidos como parâmetros para essa decisão entre os autores pesquisados, o trabalho concentrou-se nos três avaliados como indispensáveis para a escolha.

7 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 8 CAPÍTULO I:... 9 UMA VISÃO GERAL SOBRE TRANSPORTE... 9 CAPÍTULO II:...17 UTILIZAÇÃO DE FROTA PRÓPRIA...17 CAPÍTULO III:...30 CONTRATAÇÃO DE TERCEIROS...30 CONCLUSÃO...39 ANEXO:...41 ATIVIDADES CULTURAIS...41 BIBLIOGRAFIA...42 ÍNDICE...43 FOLHA DE AVALIAÇÃO...45

8 8 INTRODUÇÃO Hoje, já entende-se a logística como um grupo de atividades que deve garantir o atendimento ao cliente com o produto certo, no lugar certo e no momento certo, fazendo-se necessário incluir também o custo a esses aspectos. O serviço de transporte tem boa parte da responsabilidade sob essas quatro considerações e, baseando-se nesse argumento, o estudo realizado e apresentado neste trabalho tem o objetivo de levantar informações que possam auxiliar os profissionais em uma das principais decisões em relação a transporte: utilizar frota própria ou a terceirização de serviço de transporte logístico? Qual das opções é a mais vantajosa? É possível observar um crescimento das empresas que oferecem serviços de transporte logístico, mas para optar pela utilização de serviços de terceiros é necessário que haja uma avaliação estruturada baseada em parâmetros pré-definidos, considerados nos capítulos dois e três como: custo, segurança e tempo de entrega. Essa decisão tem grande impacto para as atividades da organização e por isso, deve ser tomada no nível estratégico. A escolha entre as duas alternativas se dará apenas para o transporte rodoviário, que representa o maior percentual entre os modais de transporte, segundo mostra Bertaglia, em seu livro Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento, Os capítulos tratam, primeiramente, da visão geral sobre transporte com as modificações sofridas no tempo, depois, apresentam respectivamente, o transporte realizado com frota própria e serviços terceirizados e por último, têm-se as considerações finais sobre as duas formas de executar o transporte, visando determinar a melhor opção.

9 9 CAPÍTULO I: 1. UMA VISÃO GERAL SOBRE TRANSPORTE Antes de decidir-se entre a utilização de frota própria ou de serviços terceirizados é preciso entender em que contexto as atividades de transporte estão inseridas. Muitas mudanças ocorreram no mercado e o transporte também foi afetado por essas mudanças. Seu principal objetivo não mudou. De acordo com Bowersox 2001, este é movimentar produtos de um local de origem até um determinado destino minimizando ao mesmo tempo os custos financeiros, temporais e ambientais. Além disse, o autor complementa que as despesas de perdas e danos também devem ser minimizadas. Após essa preocupação em minimizar custos, que aparece como questão fundamental para as empresas, outro fator muito importante é avaliado, o nível de serviço, e hoje muitas organizações dão maior importância a este fato. O nível de serviço como veremos em definição adiante, refere-se a atender às expectativas de clientes em relação ao desempenho de entregas, à disponibilidade de informações relativas às cargas transportadas etc. Conforme proposto por Bertaglia 2003, vamos abordar os fatores que afetam os transportes considerando: - As mudanças nos modelos das organizações. - A demanda e serviço ao cliente. - A globalização. Por estes itens pode-se concluir que a gestão de transporte tornou-se mais complexa exigindo que profissionais de logística estejam a frente das

10 10 atividades desta área e que decisão entre a utilização de frota própria e os serviços de terceiros é estratégica, influindo fortemente nos resultados do negócio Fatores que afetam os transportes a) Mudanças nos modelos das organizações A mudança no contexto industrial, passando de um modelo que enfocava a produtividade para um modelo de competitividade, exige que as organizações adotem formas diferentes de administração empresarial, com o foco voltado para o serviço ao cliente. Essa mudança de paradigma afeta também as empresas de transporte e o relacionamento delas com os seus clientes. A cadeia de abastecimento desempenha um papel fundamental a fim de proporcionar às empresas a vantagem competitiva por meio de velocidade nos processos e redução de custos, por estar diretamente ligada ao transporte. O tão comentado processo de terceirização exige mais das empresas cujo enfoque estava nos transportes. O processo logístico, hoje muito mais evidente, traz oportunidades importantes para aquelas companhias capazes não só de movimentar cargas, mas de armazenar, consolidar e distribuir no momento em que se exige. Os fabricantes preferem concentrar seus esforços nas atividades que sabem fazer bem, como catalisar o mercado, produzir bons produtos e conquistar clientes. Procedimentos de just-in-time e de abastecimento contínuo obrigam as empresas a serem mais profissionais e terem funcionários com perfil diferenciado. O motorista do caminhão não é apenas alguém que movimenta um veículo, mas seu relacionamento se estende ao fornecedor do material e ao recebedor desse material. Ele pode ser também o elemento que conecta o estoque a ser consumido com o produtor do material. A visão de distribuição é mais ampla, mais estratégica, com a diversidade de serviços a serem oferecidos.

11 11 b) Demanda e Serviço ao cliente A variação e a diversificação na demanda têm sofrido grandes modificações, obrigando as organizações a fornecerem uma variedade maior de produtos. Os clientes, um dos principais elementos da cadeia, estão exigindo maior freqüência de entrega, com quantidades reduzidas e maior variedade de produtos. Para satisfazer essa demanda, as organizações precisam ser mais velozes e apresentar um alto grau de qualidade nos seus produtos para evitar devoluções. Nesse contexto, a área de transportes é fortemente afetada e necessidades adicionais lhe são impostas. Os clientes não só exigem qualidade e velocidade de serviço, como também preços competitivos, uma vez que existem compromissos com metas de desempenho estabelecidas na relação cliente e fornecedor. Com o processo de terceirização cada vez mais em evidência, essas empresas esperam que as transportadoras sejam vistas como uma extensão de si próprias. Naturalmente, essa extensão passa a ter características cada vez mais importantes: o motorista deixa de ser um mero condutor de veículo para ser alguém que representa a empresa fornecedora de mercadoria e, para isso, deve agir de acordo com as regras preestabelecidas. A relação transportadora e contratante passa a ter um vínculo mais sólido. Contratar transporte já não é mais um processo de efetuar cotações de fretes, mas uma aliança na qual as partes estabelecem as suas responsabilidades para alcançar um relacionamento duradouro de prestação de serviços.

12 12 c) Globalização A globalização da economia traz grandes oportunidades para vários setores, incluindo o de transportes. No entanto, as práticas gerenciais variam nas diferentes partes do mundo, e o entendimento das necessidades dos clientes e do ambiente é uma condição fundamental para que se possa obter sucesso. A criação dos blocos econômicos e a globalização exigem movimentação em larga escala de mercadorias. O transporte vem tendo um papel relevante no processo uma vez que possibilita o movimento da carga no espaço geográfico e na velocidade desejada. Com a globalização, as exigências tornam-se maiores, pois a competição é acirrada e o atendimento ao cliente é a meta principal. O setor de transporte deve obedecer a certas exigências impostas pelo modelo: Velocidade Com as empresas buscando a redução nos seus níveis de estoque, aumentam as exigências para que as entregas sejam mais freqüentes e com uma velocidade maior, sem perder de vista a manutenção da qualidade do produto a ser entregue. Confiabilidade O serviço precisa ser confiável para atender à demanda e à necessidade de entregar o produto no momento certo, na quantidade certa e no local certo. Flexibilidade O transportador deve adequar-se às exigências do cliente, adaptando o veículo se necessário, mas, mais que isso, adaptando-se ao conceito logístico do modelo atual de negócio em que a atividade de transporte é mais que somente movimentar cargas de um ponto a outro.

13 Fatores que afetam a economia de transporte Transporte utiliza recursos financeiros, porque são necessários gastos internos para manter uma frota própria ou gastos externos para contratação de terceiros. Os custos que afetam a economia de transporte são relacionados a sete fatores conforme relaciona Bowersox, 2001: 1. Distância É um dos principais fatores no custo de transporte, porque afeta diretamente os custos variáveis: - Combustível - Manutenção - Mão-de-obra (algumas vezes) As viagens intermunicipais (mais longas) são menos dispendiosas, pois cobrem distâncias maiores com as mesmas despesas de combustível e de mão-de-obra, como resultado de velocidades mais altas, e não têm paradas intermediárias freqüentes, as quais aumentam os custos de carga e descarga, típicos de serviços urbanos. 2. Volume O custo de transporte por unidade de peso diminui à medida que o volume de carga aumenta. Isso acontece porque os custos fixos de coleta e de entrega, bem como os custos administrativos, são diluídos num volume de carga maior. A relação é limitada ao espaço máximo do veículo, como, por exemplo, uma carreta. Uma vez lotado o veículo, a relação repete-se para um segundo veículo. Um pormenor importante para um bom gerenciamento é o cuidado de consolidar pequenas cargas em cargas maiores, a fim de se obter vantagem da economia de escala.

14 14 3. Densidade (relação entre peso e espaço) É importante porque o custo de transporte é normalmente cotado por unidade porque o custo de peso, por tonelada, ou pó quilograma. No tocante a peso e espaço, geralmente um veículo tem mais limitações de espaço do que de peso. Uma vez lotado o veículo, não é possível aumentar a quantidade a ser transportada, ainda que a carga seja leve. Como as despesas de mão-de-obra e de combustível do veículo não são substancialmente afetadas pelo peso, cargas de maior densidade permitem que custos relativamente fixos de transporte sejam diluídos por pesos maiores. Como resultado, essas cargas incorrem em custos mais baixos de transporte por unidade de peso. 4. Acondicionamento A facilidade de acondicionamento depende das dimensões das unidades da carga e da forma como elas afetam a utilização de espaço no veículo. Embora densidade e facilidade de acondicionamento tenham o mesmo efeito, há cargas da mesma densidade que se acomodam de maneira diferente. A facilidade de acondicionamento também é influenciada pela quantidade de unidades da carga. Às vezes podem ser acondicionadas mais satisfatoriamente grandes quantidades de uma carga do que quantidades menores dela.

15 15 5. Manuseio Para carregar e descarregar caminhões, carretas ou navios, pode ser necessário equipamento especial de manuseio. A maneira pela qual as mercadorias são agrupadas fisicamente (amarradas, encaixotadas, paletizadas) para transporte e armazenagem também afeta o custo de manuseio. 6. Responsabilidade O grau de responsabilidade inclui algumas características, relacionadas com a carga, que afetam principalmente o risco de danos e a incidência de reclamações. Essas características são: - Suscetibilidade de dano - Dano ocasionado pelo veículo - Possibilidade de deterioração - Suscetibilidade de roubo - Suscetibilidade de combustão espontânea ou de explosão - Valor por unidade de peso As transportadoras necessitam contratar seguro para se proteger contra possíveis reclamações, ou assumir a responsabilidade por qualquer dano. Os embarcadores podem reduzir o risco e até o custo de transporte por meio de melhor embalagem, proteção adicional ou pela redução de suscetibilidade de perda ou dano.

16 16 7. Mercado Os fatores de mercado como intensidade e facilidade de tráfego, afetam o custo de transporte. destino. Uma rota de transporte é um itinerário entre os pontos de origem e de Como os veículos e seus motoristas têm de retornar à origem, é necessário conseguir uma carga de retorno, para evitar que o veículo volte vazio. Quando ocorrem viagens de retorno, os custos de mão-de-obra, combustível e manutenção devem ser apropriados à viagem inicial. Portanto, a situação ideal é a de viagens balanceadas, nas quais volumes são iguais em ambas as direções. Isso, porém, raramente acontece, em virtude dos desequilíbrios locais entre produção e a demanda. O direcionamento e a sazonalidade da demanda afetam as taxas de frete. Projetos de sistemas logísticos devem levar em conta fatores como estes e incluir esforços de contratação de viagens de retorno, sempre que possível.

17 17 CAPÍTULO II: 2. UTILIZAÇÃO DE FROTA PRÓPRIA Uma das opções para a empresa distribuir seus produtos é a através da propriedade da frota. Para utilizar esse tipo de serviço a empresa precisa utilizar parâmetros que indiquem que essa escolha irá garantir a eficiência dos serviços de transporte. Atualmente, manter transporte próprio é muito mais do que investir em caminhões. As atividades envolvidas em operar o transporte vão desde a compra do caminhão e sua manutenção, passam pela seleção do motorista, de tecnologias que possam auxiliar no processo, no monitoramento da carga etc. Empresas possuidoras de frotas de veículos destinadas à utilização interna necessitam seguir importantes práticas de negócio para se manterem competitivas no mercado. A gestão de frotas é um componente importante no processo de administração dos transportes, já que a movimentação de carga tem peso significativo na formação dos custos logísticos e na qualidade do serviço, uma vez que é atividade final da cadeia de abastecimento. No decorrer dos anos, muitas organizações que começaram com poucos veículos crescerem e, depois, passaram a ter frotas maiores compostas de cavalos mecânicos e carretas. No entanto, aumentar o tamanho da frota não significa que a operação esteja sendo realizada de maneira mais eficiente, pode ser que a empresa esteja incorrendo em custos excessivos e desnecessários ou apresentando baixa qualidade de serviço.

18 18 Normalmente, o entendimento da situação global da organização envolve uma série de passos importantes na definição dos processos e das estratégias da empresa, como considera Bertaglia, Alguns deles são: analisar a atual situação da organização, com a finalidade de identificar potencial redução de custos e eventuais oportunidades de melhoria na prestação de serviços; identificar custos muitas vezes não visíveis, denominados custos escondidos ; controlar efetivamente os custos de manutenção; ter indicadores que meçam a eficiência da frota; utilizar aplicações em computadores para auxiliar nas diversas tarefas da área de transporte; determinar a frota ótima dentro da conjuntura de trabalho e serviço prestado. Mesmo diante da complexidade de operar uma frota e todo o serviço de transporte, algumas empresas preferem manter essas atividades sob a sua total responsabilidade. Ballou, 1993, justifica dizendo que uma das principais razões para possuir ou alugar (leasing) uma frota de veículos é obter menores custos e melhor desempenho na entrega do que seria possível através do uso de transportadoras convencionais. Pela justificativa acima, para decidir sobre a utilização de frota própria pode-se levar em consideração, principalmente, o custo, o tempo de entrega e a segurança, que também interfere no desempenho da entrega. Esses são os três parâmetros adotados por Ballou 1993, e considerados no estudo como indispensáveis para a decisão em questão, como veremos a seguir.

19 Custo do serviço No caso de transporte próprio, o custo será a soma de todos os custos relevantes ao carregamento em questão. Os custos relevantes incluem itens como combustível, mão-de-obra, manutenção, depreciação do equipamento e custos administrativos. (Ballou, 1993, p.121) De acordo com uma pesquisa realizada em 248 frotas privadas de caminhão, como relata Ballou 2001, a as razões para possuir frota eram: 1. Confiabilidade do serviço 2. Ciclo de tempo de pedido mais curto 3. Capacidade de reação à emergência 4. Contato melhorado com o cliente Obter um custo mais baixo do que transporte contratado não foi um fator motivador, embora isso possa ser obtido se houver uma utilização suficientemente elevada do equipamento de transporte. Mas, as organizações que preferem manter veículos internos para efetuar suas movimentações necessitam reduzir custos logísticos uma vez que eles influenciam diretamente o preço final dos produtos. Estrutura de custos Considere uma frota própria de caminhão. Os custos são agrupados tipicamente em três categorias amplas, conforme indicações de Bowersox, 2001: P Custos fixos: São aqueles que não variam com a distância que o veículo viaja durante um período de tempo. Incluem: Seguro do veículo Despesas de juros sobre capital investido no veículo Despesas de licenças

20 20 Amortização de equipamento Despesas associadas com o abrigo dos veículos P Custos variáveis: - Custo do operador: Resultam da remuneração do condutor. As despesas comuns são: Salários Contribuições aos planos de saúde e de pensão Despesas quando na estrada (refeições, hotel etc) Contribuição à seguridade social Contribuição ao seguro desemprego Despesas variadas (telefone etc) - Custos operacionais: São aqueles incorridos em manter o veículo na estrada. As despesas típicas são: Combustível Pneus Manutenção etc Segundo Ballou 2001, todos esses custos são divididos, então, pela milhagem total da frota e pelo número de veículos na frota para dar o custo médio por milha por veículo. Por causa dos vários custos fixos, o custo por milha é sensível à roteirização e à programação que afetam as milhas totais. Estes custos por milha multiplicados pelas distâncias entre os pontos de origem e destino podem então, ser comparados com as taxas oferecidas pelos transportadores ou contratados. Em geral, os caminhões de propriedade privada precisam alcançar cerca de 80% das milhas com carga completa para serem menos dispendiosos dos que os transportadores contratados.

21 Tempo para a entrega Não existem muitas estatísticas sobre o desempenho de transportadoras. O tempo gasto para as entregas pode ser obtido a partir dos seguintes dados: quilometragem entre os pontos quilometragem/hora do veículo Tempo de parada Tempo gasto para carregar/descarregar Além desses dados facilmente levantados é preciso estabelecer uma margem de segurança para eventuais fatores como variações climáticas e congestionamento de tráfego, que não são possíveis prever antecipadamente, mas que caso ocorram podem comprometer a entrega junto ao cliente. Outro fator que deve ser considerado é as condições das estradas. Apesar de todos essas situações que podem interferir no transporte da carga da origem para o destino, o transporte rodoviário é apontado como o mais confiável Segurança (perdas e danos) Quando a empresa mantém frota própria ela sofre todas as conseqüências de qualquer perda ou dano que ocorra com sua mercadoria. Entretanto, ela tem um controle muito maior sobre os funcionários que movimentam a carga e o veículo utilizado. Além disso, por estar mais envolvida no transporte preocupa-se com meios para prevenir possíveis acidentes com a carga, dando maior atenção as embalagens e ao treinamento de seus funcionários que irão conduzir os veículos e cuidar da carga/descarga do caminhão.

22 22 Nesse caso a empresa não tem outro jeito se não assumir todas as perdas ou danos, não há com quem dividir o prejuízo, nem com quem dividir a culpa perante o cliente, a não ser que se trate de algo que fuja ao controle de qualquer empresa. Hoje, é muito comum também a perda, por roubo de carga. Para minimizar esse problema as empresas têm investido em sistemas de segurança como: caminhões em comboios; carros de escolta com segurança, vigilância via satélite entre outros. Tudo isso, torna os custos com transporte ainda maiores Administração do transporte próprio Alguns aspectos relevantes do gerenciamento da frota, abordados por Ballou 1993 e Bertaglia 2003, são apresentados a seguir. Esses reforçam a complexidade da gestão de transporte e apresentam alguns assuntos importantes na administração da frota própria. a) Rota ou plano de viagem A montagem da rota ou plano de viagem é o problema encontrado para direcionar veículos através de uma rede de vias, no caso do transporte rodoviário. O movimento pode ser feito pela mínima distância, mínimo tempo ou por combinação destes. Embora possam-se testar manualmente várias combinações de trechos vários, caso o problema envolva muitas rotas viáveis ou deva ser resolvido freqüentemente, técnicas matemáticas programáveis em computadores podem ser bastante atrativas. Um método bem conhecido é o caminho mais curto, de acordo com Hiller e Lieberman, que pode ser calculado tanto manualmente com por meio de computadores. Um problema de rota também pode envolver múltiplas origens e destinos. Deve ser resolvido considerando-se as restrições das capacidades de suprimento nos pontos de origem (fontes) e das necessidades de

23 23 produtos nos pontos de destino (demanda), assim como os custos associados aos diversos caminhos possíveis. É um problema comum, que ocorre ao roteirizar bens: - de fornecedores às fábricas, - de fábricas aos depósitos e - de depósitos aos clientes, sendo um subproblema da maioria dos problemas de localização industrial. Ele é freqüentemente resolvido mediante procedimentos matemáticos populares, como programação linear. Esses procedimentos estão facilmente disponíveis em muitos softwares comerciais. b) Roteirização e programação de veículos Quando uma firma possui frota própria, ela freqüentemente encontra o problema de despachar um veículo a partir de uma base central para uma série de paradas intermediárias, devendo o veículo retornar então à base central. O problema de programação pode ser resolvido pela utilização de métodos matemáticos, como é o caso do Método de Clarke e Wright. Atualmente, programas de computadores auxiliam a determinação dos roteiros, principalmente aqueles com múltiplas entregas. Os problemas de roteirização são bastante complexos, uma vez que apresentam uma quantidade grande de variáveis, como: - tempo de entrega, - quantidade a ser entregue, - número de clientes, - diferentes produtos e embalagens, - diferentes pesos, - restrições de entrega, - restrições físicas no roteiro para determinados veículos, - necessidade de equipamentos especiais, - diferentes formas de recebimento, com elevadores ou plataformas.

24 24 A composição do roteiro deve considerar, além dos aspectos já mencionados: - o Tempo de serviço do condutor, - a coleta de produtos em vários pontos, - a combinação de outros produtos diferentes etc A utilização de um sistema de computador traz vantagens ao processo, pois permite simulações de quantidade de entregas e diferentes capacidades de veículos. c) Despacho de veículos Despachar caminhões para apanhar ou entregar mercadorias poderia ser considerado como um problema semelhante ao da roteirização de veículos. A principal diferença com a roteirização é que, nesta última, assume-se que os de carga e as paradas são conhecidas antes de determinar a programação. Na prática, isto não ocorre sempre. A demanda por transporte pode acontecer enquanto os veículos percorrem suas rotas. A chave para este tipo de problema é a capacidade de direcionar os veículos à medida que a demanda ocorre, de forma à utilizá-los eficientemente. Uma maneira da fazê-lo é dirigir os veículos à parada mais próxima adequada às suas capacidades. Caso o responsável pelo despacho conheça antecipadamente os volumes e as paradas, o método para solução do problema de roteirização pode ser utilizado. d) Seqüenciação de roteiros Por vezes o gerente de transporte pode estar menos interessado no projeto dos roteiros e mais na minimização da quantidade de caminhões necessários para atender uma dada programação. Isto exige a seqüenciação dos roteiros de maneira a minimizar o tempo ocioso no programa e, portanto, a quantidade de caminhões necessária.

25 25 e) Balanceamento de viagens com e sem carga Uma preocupação comum no gerenciamento de uma frota é o balanceamento das perdas de ida e de retorno. Um caminhão pode partir do seu depósito totalmente carregado para realizar uma entrega e, após executá-la retornar completamente vazio. Para melhor utilizar seu equipamento, os gerentes de tráfego conscientizaram-se do uso da viagem de retorno para transportar mercadorias para o depósito, geralmente a partir dos fornecedores da própria companhia. Portanto, a programação de veículos tornou-se também um problema de integrar fretes de retorno com a distribuição de produtos. f) Administração dos ativos A fim de medir a produtividade dos ativos é necessário controlar não só os gastos de manutenção, mas também as movimentações da cargas efetuadas, considerando-se peso e valor. Um ativo subtilizado tem seus custos fixos elevados. O melhor uso dos ativos ocorre quando são utilizados na ida e na volta, o aproveitamento é superior, e a frota torna-se eficiente. g) Mão-de-obra A qualidade da mão-de-obra diretamente empregada é fundamental para se obter os principais objetivos operacionais e estratégicos da empresa. O condutor de um veículo deve ser rigorosamente selecionado, devido às seguintes razões: compromisso ambiental e social, uma vez que sua responsabilidade e seu comportamento podem colocar em evidência a imagem da empresa; nível de serviço de seu desempenho nas viagens a realizar; manuseio de um ativo extremamente valoroso visando evitar acidentes e infrações; os mecânicos, por sua vez, têm a responsabilidade de manter os ativos em bom estado, para que o nível e a qualidade dos serviços comprometidos possam ser alcançados;

26 26 na área administrativa, responsáveis por tráfego e programação de veículos devem ser competentes para atender às necessidades básicas, objetivando a relação ótima entre custo e qualidade de serviço. A produtividade dos condutores pode ser superior quando existem políticas que incentivam a eficiência e produtividade. h) Consumo de combustível O combustível, como componente importante na estrutura de custos, deve ser rigorosamente monitorado. Todos os abastecimentos devem ser registrados considerando: data, número de litros e quilometragem do veículo. Acordos com os postos de combustível em caso de transporte rodoviário é uma prática importante de negócio. Dessa forma, é possível medir a produtividade da frota considerando cada veículo. Em caso de existência de posto de abastecimento interno, os recebimentos e saídas devem ser controlados. i) Manutenção As despesas com manutenção representam uma fração importante dos custos operacionais. A contratação de mecânicos ou a utilização de terceiros na manutenção é uma decisão importante no processo de redução dos custos de manutenção da frota. A utilização de aplicativos para computadores existentes no mercado contribui na administração dos gastos operacionais, de mão-de-obra utilizada para reparar os defeitos ou efetuar a manutenção e também nos custos dos materiais. Outras sugestões importantes são: dimensionar o quadro de mecânicos em termos de quantidade e qualidade; determinar quais os conhecimentos necessários para manter a frota e o perfil ideal dos mecânicos; medir o desempenho dos mecânicos;

27 27 investir em treinamento, a fim de reciclar o conhecimento e entendimento; possuir um local adequado para efetuar os reparos de manutenção, com oficinas e equipamentos específicos; manter peças de reposição em estoque que comumente são consumidas e eliminar aquelas que são demasiadamente caras; definir quais reparos deveriam ser efetuados internamente; considerar a terceirização da manutenção ou das peças de reposição, avaliando quando pode fazer sentido essa prática; controlar atividades de suporte à manutenção, como, veículos para buscar peças, ferramentas e administrativos; Manter controle de gastos por veículo com seu histórico de manutenção e não apenas os gastos globais. j) Estoque de peças de reposição Apenas os itens que sejam extremamente necessários e cujo consumo seja muito grande devem ser mantidos em estoque. As peças que apresentam alto valor não devem ser mantidas em estoque. Mesmo os componentes de uso constante podem ser negociados com fornecedores, e a compra pode ser efetuada em consignação, ou seja, somente será paga no momento em que o material for efetivamente consumido. A diferença é que o estoque estaria disponível para uso dentro da organização. A utilização de um sistema para controlar o estoque dos itens existentes na empresa, considerando quantidade e valor, é fundamental. Muitas empresas não dão o devido valor a esse controle e no momento que mais necessitam do componente podem não encontrá-lo ou dar margens para que as ações desonestas ocorram.

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