Reunião com pais. Tema: Tarefa de casa. 1. Objetivos da reunião. 2. Desenvolvimento

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1 Reunião com pais Tema: Tarefa de casa 1. Objetivos da reunião Aprofundar reflexões sobre a função da tarefa de casa; Compartilhar facilidades e dificuldades encontradas na realização da tarefa; Identificar as possibilidades de interferência nesse processo; Aprofundar a parceria família-escola no processo de aprendizagem. 2. Desenvolvimento 2.1. Fazer uma cópia da charge (cópia maior em anexo) e distribuí-la a cada participante da reunião Pedir que todos os participantes leiam a charge Solicitar que alguns participantes façam comentários sobre a situação apresentada na charge Iniciar a formulação das perguntas sugeridas a seguir para a instalação de reflexões sobre a temática. É um momento de exposição de opiniões, portanto não deve haver correções das respostas emitidas. 1

2 Qual é a compreensão do pai e do menino sobre Beethoven? O menino errou? Por quê? Diante da resposta do menino, o que o pai deve fazer? Interferir ou não? Como o pai pode interferir no trabalho feito pelo filho? Como o professor poderia propor a pesquisa para que não houvesse a confusão de conceitos? Qual deveria ser o tempo necessário para a realização das tarefas de casa? Os pais devem orientar seus filhos na realização das tarefas? Qual é a função pedagógica da tarefa de casa? 2.5. Distribuir uma cópia do texto-base (em anexo) para cada participante da reunião Ler o texto em voz alta Pedir que alguns pais destaquem trechos do texto que lhes foram significativos Fechamento: pontuar para o grupo a importância da tarefa de casa, visto que pode caracterizar-se como uma revisão dos saberes estudados na escola. Evidenciar, porém, que é fundamental orientar as famílias sobre como acompanhar a vida escolar e, especificamente, os deveres de casa dos filhos, considerando as tensões e os impasses que tal proposta pedagógica pode causar Apresentar a tarefa de casa como principal meio pedagógico que integra as instituições família e escola, além de ser justificada como estratégia de construção da autonomia e responsabilidade por meio do desenvolvimento de hábitos de estudo. 3. Texto-base A lição de casa pode ser compreendida como uma atividade pedagógica proposta pelos professores que pode ampliar o processo de ensino e aprendizagem em quantidade e qualidade, visto que, para dar conta de suas tarefas, o aluno desenvolve a autodisciplina e conquista a autonomia necessária. Reconhecido como um dispositivo curricular essencial, tal prática configura-se como um trabalho educacional realizado, geralmente, em casa, que se constitui como principal meio pedagógico que integra as instituições família e escola, além de ser justificada como estratégia de construção da autonomia e responsabilidade por meio do desenvolvimento de hábitos de estudo. Para a maioria das famílias, é grande a importância da tarefa de casa, uma vez que pode caracterizar-se como uma revisão dos saberes estudados na escola. Ficam evidentes, porém, as dificuldades de acompanhamento das tarefas por parte das famílias em razão da falta de tempo dos responsáveis, falta de competência didática para auxiliar ou mesmo da falta de compreensão do que é solicitado. Neste contexto, é fundamental que se oriente as famílias sobre como acompanhar a vida escolar e, especificamente, os deveres de casa dos filhos, considerando as tensões e os impasses que tal proposta pedagógica pode causar. As famílias podem ajudar o aluno valorizando suas atividades. Ao acompanhar as tarefas por meio de atitudes coerentes de supervisão dos estudos, os responsáveis demonstram interesse pelos fazeres escolares, o que funciona como um grande incentivo. De acordo com a rotina de cada família, é preciso estipular um horário e organizar um ambiente adequado, silencioso e bem iluminado. É importante, ainda, lembrar que a observação é um ótimo método de aprendizagem, assim é provável que as crianças manuseiem um livro, um jornal e consultem materiais de pesquisa de acordo com o modelo vivido pelos adultos da casa. Assim sendo, o comportamento dos pais diante de situações de estudo também é motivo de aprendizagem. 2

3 Alguns pais acreditam que ajudar os filhos em suas tarefas pode atrapalhar o aprendizado, porém tal pensamento não precisa causar preocupação uma vez que a orientação familiar não deve tentar assumir o papel dos professores e muito menos realizar a tarefa dos filhos. Para finalizar, apresentamos uma última indagação de pais e professores que é sobre quantidade dos deveres a serem cumpridos. Afinal, quanto tempo o aluno deve ocupar para se dedicar às tarefas escolares? Há consenso entre os educadores de que exageros devem ser evitados, compreendendo que a qualidade dos trabalhos e o significado que têm para os alunos é, intensamente, mais importante do que a quantidade. 4. Textos complementares Cobrança excessiva prejudica alunos Estudo de economista da USP mostra que criança que sempre recebe ajuda dos pais nos estudos tem desempenho inferior. Segundo o pesquisador, auxílio na lição de casa e exigência por notas têm efeito negativo e sugerem que pais podem estar exagerando na dose. Fazer sempre o dever de casa está fortemente associado a um melhor desempenho, mas o auxílio dos pais nem sempre é benéfico, pois alunos que sempre recebem essa ajuda têm médias menores que os demais. Essa é uma das constatações do economista Naércio Menezes Filho, da USP e do Ibmec-SP, que, a pedido da Folha, identificou características de famílias, alunos e escolas que estão associadas a um melhor desempenho uma dificuldade que costuma tirar o sono de muitos pais. Menezes trabalhou com os dados do Saeb (exame do Ministério da Educação que avalia a qualidade do ensino). Outra constatação surpreendente foi que a cobrança de pais por boas notas na rede privada está associada a um desempenho pior dos alunos. Para chegar a essas conclusões, o economista fez regressões econométricas a partir do Saeb. Trata-se de um exercício estatístico, que tenta isolar uma única variável e descobrir seu efeito. É como se, em vez de apenas comparar médias de alunos diferentes, ele primeiro se certificasse de que são estudantes com mesmo perfil socioeconômico e de escolas com características semelhantes. O pesquisador já havia feito o mesmo em outro estudo realizado em 2006 em que concluiu que a escolaridade da mãe, o maior tempo estudando diariamente na escola, a existência de pelo menos 20 livros na casa do aluno, o salário do professor na rede privada ou a formação de turmas heterogêneas no caso da pública estavam fortemente associados a melhores notas. Excesso Na avaliação de Menezes, os dados que mostram que a ajuda na lição de casa ou a cobrança por notas têm efeito negativo sugerem que os pais, especialmente na escola particular, podem estar exagerando na dose. "A presença da família é um elemento importantíssimo, mas esses dados podem estar mostrando que os pais, em vez de orientar, estão fazendo a lição de casa pelo filho, quando sabemos que o fato de o aluno fazer o dever aumenta a proficiência. No caso da cobrança por boas notas, isso pode se transformar num desestímulo." Educadores ouvidos pela Folha concordam. 3

4 "No caso das particulares, realmente é muito comum os pais ajudarem demais o filho, que acaba não adquirindo autonomia. E achamos péssima a figura do professor particular. O aluno fica viciado nessa ajuda e não presta atenção na aula, pois sabe que depois terá alguém para explicar a lição para ele", afirma Mauro Aguiar, diretorpresidente do colégio Bandeirantes, de São Paulo. Regina Canedo, diretora do colégio Mopi, do Rio, também sugere evitar professores particulares. Sobre o fato de alunos cujos pais cobram boas notas terem desempenho pior, ela diz que cobrança não pode ser confundida com ameaça."terrorismo não funciona. É claro que os pais têm que colocar um limite, mas o mais importante é fazer com que os filhos estabeleçam uma rotina de estudo", explica. Acompanhamento completo Patrícia Lins e Silva, diretora da escola Parque, do Rio, dá um exemplo para diferenciar os pais que cobram excessivamente dos que se fazem presentes sem ameaçar. "Em vez de perguntar somente se o filho fez a lição ou qual nota tirou na prova, pais que valorizam a educação querem saber também o que a criança aprendeu naquele dia, o que ela achou interessante na escola. Essa criança acabará fazendo o dever de casa sem que ninguém precise cobrar", afirma Lins e Silva. Wagner Sanchez, diretor e coordenador pedagógico do colégio Módulo, de São Paulo, ressalta a importância de os pais se fazerem presentes. "É uma forma de os pais dizerem: Olha, isso é importante para o seu futuro e me preocupa, por isso ficarei atento. Tal acompanhamento deve ser completo, incluindo elogios, broncas, exemplo, disciplina, confiança e decisões em conjunto", diz Sanchez. Gois, Antônio. Folha de S.Paulo, 28 maio de Queridos pais, mães e responsáveis: Todos queremos o melhor para nossas crianças. Sonhamos para elas um futuro com mais oportunidades de serem felizes e de se realizarem na vida profissional e pessoal. Para que esses sonhos possam tornar-se realidade, nossas crianças precisam desenvolver-se cada vez mais e melhor. Pesquisas mostram que o envolvimento da família na vida escolar das crianças é fundamental. A família é capaz de despertar o interesse e a curiosidade delas e incentivar a sua aprendizagem. Por isso, o seu compromisso é indispensável. Não queremos que vocês se transformem em professores de suas crianças, basta que acompanhem a vida escolar delas, valorizem suas tarefas, estimulem-nas a gostarem de aprender e a serem curiosas também na vida fora da escola. Respeitando cada fase da criança. Desde que nascemos, estamos sempre aprendendo. A cada dia, uma novidade. Ao ajudar as crianças, lembre-se de que é preciso respeitar a fase de aprendizado delas para não exigir demais nem de menos. Converse e brinque com elas. Conversar, brincar, fazer coisas do dia-a-dia junto com as crianças são formas de demonstrar atenção e carinho. Isso pode ajudá-las a se sentirem mais seguras e a aprenderem mais e melhor. Responda às suas perguntas, ouça suas histórias, conte casos da 4

5 família. Conversem muito sobre o seu trabalho, sobre coisas que aconteceram durante o dia, que viram na TV ou outros tantos assuntos. Ensine-lhes canções, poemas ou brincadeiras que você aprendeu em sua infância. Escute-as lendo em voz alta. Se as crianças já sabem ler, sugira que leiam em voz alta e escute com atenção. Se elas estiverem tímidas ou gaguejando, tenha paciência. Não fique corrigindo, pois logo irão soltar-se e fazer uma leitura melhor. Em seguida, conversem sobre o que foi lido. Nunca as obrigue a ler. Não faça da leitura uma obrigação nem a utilize como um castigo. Para fazer da criança um leitor de carteirinha, ela precisa ler com prazer. Estimule os interesses pessoais das crianças com livros, jornais ou revistas. Quando as crianças forem maiores, identifique os assuntos de que elas mais gostam e estimule-as a lerem sobre isso. Por exemplo, se a criança gosta de geografia, consigalhe um atlas. Se gosta de esportes, leia com ela a seção de esportes do jornal ou matérias em revistas. Divirtam-se escrevendo. Dependendo da idade, estimule as crianças a escreverem cartas para amigos ou parentes distantes, histórias conhecidas ou inventadas, poemas ou um diário. Se notar que elas gostam de escrever, valorize estas escritas propondo que montem um livro, com capa, ilustrações, recortes etc. Guardem em uma pasta ou caixa preparadas para isto. Peça às crianças que escrevam bilhetes para alguém da família, cartão para um amigo que faz aniversário. Se ainda não souberem escrever, elas podem ditar para você. Existem muitos jogos que utilizam a escrita, tais como palavras cruzadas, caçapalavras etc. No início, todo mundo erra. Elogie em vez de corrigir. Quando as crianças estiverem começando a aprender a escrever, não corrija seus erros de ortografia ou a sua letra feia. O importante é que elas escrevam com liberdade e imaginação. Aos poucos, os erros vão diminuir e a letra melhorar. É muito mais importante que você dê parabéns do que ficar corrigindo. Ajude-as a gostarem de matemática. Mostre às crianças como a matemática é útil e divertida para a vida. Cuidado para não passar as suas inseguranças a elas. Por exemplo, não diga que você ia mal em matemática na escola, que esta é uma matéria difícil ou chata. Crianças se influenciam pelos pais e isso pode fazê-las não gostarem de matemática na escola. Mostre às crianças como a matemática está presente no dia-a-dia. Você pode até achar que não entende muito de matemática, mas, mesmo sem perceber, a utiliza em muitas situações que pode mostrar para as crianças: ao conferir o troco da padaria, calcular quantos dias faltam para um aniversário, ou quando lê as quantidades dos ingredientes da receita de um bolo. Quando for preparar uma receita, chame as crianças. Faça perguntas que as ajudem a pensar: Para esta receita vou precisar de 250 gramas de farinha; se eu quiser fazer o dobro, de quanto de farinha vou precisar? Somem os preços dos produtos que estão comprando, contem quantas pessoas vão comer na sua casa e quantos pratos vocês precisam colocar na mesa. Calculem as horas, os dias ou os meses. Por exemplo: quantos dias faltam para o seu aniversário? E quantas semanas? Quantos dias faltam para o próximo domingo? E para o Natal? 5

6 Brincar ajuda a aprender matemática. Invente jogos que usem números. Se as crianças são pequenas, brinque com números mais fáceis; se elas já são maiores, números mais altos, como 100 ou 1.000, podem ser um desafio emocionante. Diga um número e peça que elas encontrem números maiores, menores ou que estejam entre dois números. Por exemplo: quem disser mais rápido um número que esteja entre 20 e 30 ganha um ponto na brincadeira. Brinquem de formar números. Por exemplo: com o 2 e o 7 pode-se formar o 27 e o 72 e, se forem repetidos, 22, 277, Quem consegue formar mais números diferentes? Brinquem de contar de 2 em 2, de 5 em 5, de 10 em Amarelinha, jogos com dados, jogo-da-velha, trilha, quebra-cabeça são atividades simples que ajudam a desenvolver o raciocínio das crianças. BRASIL, Ministério da Educação, SEF, (2002). Educar é uma tarefa de todos nós. Um guia para a família participar, no dia-a-dia, da educação de nossas crianças. Brasília: Secretaria de Ensino Fundamental. 6

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