IBAPE XXII UPAV / XIII COBREAP FORTALEZA/CE ABRIL/2006

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1 IBAPE XXII UPAV / XIII COBREAP FORTALEZA/CE ABRIL/2006 EXPLICANDO A VARIABILIDADE DOS ALUGUÉIS DE APARTAMENTOS NA CIDADE DE FORTALEZA Uma abordagem utilizando Regressão por Componentes Principais RESUMO. De acordo com a literatura especializada o valor do aluguel de um apartamento é determinado pelas características físicas do imóvel, da sua vizinhança, e pelos serviços e amenidades ofertados pelo condomínio. Para se conhecer a influência que cada uma dessas características exerce na variabilidade do valor do aluguel de apartamentos da cidade de Fortaleza foi elaborado este trabalho. Utilizando a técnica de regressão linear foram analisadas 17 variáveis representativas das principais características relacionadas com 160 apartamentos ofertados em 13 bairros de Fortaleza. A pesquisa de dados de mercados foi realizada no mês de maio de 2003 através de consultas aos classificados de jornais e às administradoras de imóveis da cidade. Devido a colinearidade existente entre as variáveis analisadas aplicou-se a técnica de regressão por componentes principais. Foram analisados cinco modelos, sendo um geral representando o mercado de Fortaleza e os demais correspondendo a segmentos desse mercado. Palavras-chave: Aluguel de apartamentos, Regressão linear, Componentes Principais 1 INTRODUÇÃO Apesar de sua importância sócio-econômica o segmento do mercado imobiliário destinado a locação de apartamentos merece pouca atenção da engenharia de avaliações em nosso pais.

2 A análise para determinar as características relacionadas com apartamentos que mais contribuem para a formação e a variabilidade dos aluguéis desse tipo de habitação proporciona importantes informações para os agentes econômicos que participam desse mercado tais como: administradoras de imóveis, investidores, projetistas de prédios residenciais, e profissionais de avaliações de imóveis. Este trabalho tem por objetivo, especificamente, estudar as principais características que explicam a variabilidade do valor de aluguel de apartamentos residenciais em Fortaleza. Utilizando a técnica da análise de regressão linear e seguindo os preceitos das normas brasileiras em vigor a pesquisa busca obter um modelo econométrico que mostre as relações existentes entre as variáveis representativas das principais características dos apartamentos e os seus respectivos aluguéis. Este estudo também pretende apresentar os procedimentos utilizados pela técnica de Regressão por Componentes Principais como medida corretiva para o tratamento de dados na presença da multicolinearidade. Na seção 2 descrevem-se as pesquisas: bibliográficas, de dados estatísticos sobre apartamentos alugados em Fortaleza, e da amostra de dados analisada. Na seção 3 são descritas as variáveis selecionadas para comporem os modelos analizados. Na seção 4 apresentam-se os conceitos e procedimentos estatísticos usados nas análises dos dados. Na seção 5 analisam-se os modelos geral e por segmentos de mercado. No capítulo 6 estão as conclusões e as sugestões. 2 DETALHAMENTO DA PESQUISA 2.1. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA Procurou-se na bibliografia conhecer os procedimentos adotados em trabalhos semelhantes que pudessem auxiliar na elaboração das várias etapas do presente estudo. Gau e Kohlhepp (1978) publicaram um estudo comparativo entre as técnicas de regressão stepwise e por componentes principais na redução dos efeitos da multicolinearidade num modelo de regressão múltipla composto por 44 variáveis explicativas. Para tanto utilizaram uma amostra com 504 dados de vendas de imóveis unifamiliares localizados em Norman, Oklahoma, no período de janeiro de 1973 e dezembro de Guntermann e Norrbin (1987) analisaram a relação existente entre o aluguel de apartamentos e as suas características físicas, locacionais e amenidades. Utilizaram uma amostra de 291 imóveis localizados em Mesa e Tempre Arizona. Para reduzir a multicolinearidade das variáveis relacionadas com amenidades os autores aplicaram a técnica de componentes principais. Sirmans et all (1989) pesquisaram os efeitos de várias características relacionadas com amenidades, serviços e fatores externos, no aluguel de habitações multifamiliares. Utilizaram uma amostra com 188 dados de apartamentos localizados na cidade de Lafayette, Louisiana. Sirmans e Benjamim (1991) analisaram a literatura existente sobre processos de determinação de alugueis de apartamentos nos Estados Unidos. 2

3 González (1993), utilizando uma amostra de 504 apartamentos residenciais localizados na cidade de Porto Alegre, pesquisou a influência de diversas variáveis na formação dos valores dos aluguéis de apartamentos na capital do Rio Grande do Sul. Bible e Hsieh (1996) elaboraram estudo no qual analisaram a influência de fatores relacionados com a localização no valor de aluguel de apartamento numa área metropolitana. Utilizaram informações geradas por GIS (Geographiac Informations System) para 81 complexos de apartamentos em Shreveport Bossier (Louisiana). Des Rosiers e Thériault (1996) realizaram uma análise comparativa das características determinantes no aluguel de apartamentos em cinco segmentos de mercado da região de Quebec, no Canadá, Dantas (2000) publicou trabalho sobre o uso da técnica de regressão por componentes principais analisando o comportamento de 10 covariáveis em uma amostra de preços de 147 apartamentos na cidade de Recife. Cavalcante (2001) analisou as características que contribuem para a formação do valor de apartamentos residenciais em Fortaleza usando uma amostra com 202 imóveis situados em cinco bairros localizados na área nobre de Fortaleza PESQUISA DOS DADOS DA AMOSTRA Esta etapa do trabalho constou da elaboração de uma amostra de apartamentos ofertados para locação em Fortaleza. Os dados foram obtidos, no mês de maio de 2003, através de consulta aos classificados dos jornais e às administradoras de imóveis da cidade. Os dados foram pesquisados no período de um mês afim de não serem influenciados por fatores conjunturais, como por exemplo: inflação e mudança de legislação. Ao final, obteve-se uma amostra de 160 imóveis, utilizando-se os seguintes critérios: a) Para representar regiões da cidade com características sócio-econômicas semelhantes utilizou-se os bairros de Fortaleza, critério adotado pelo IBGE no Censo Demográfico. O número de dados que cada bairro participa na amostra foi definido de acordo com a proporção existente entre o número de apartamentos alugados em cada bairro e o total de apartamentos alugados na cidade de Fortaleza, (Tabela 2.1). Esta tabela foi obtida a partir dos dados brutos constantes da Tabela e da Tabela do Censo Demográfico de 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses dados foram cruzados gerando a segunda coluna da Tabela 2.1 que fornece a proporção média de apartamentos alugados por bairros de Fortaleza. b) Os bairros selecionados foram os que apresentaram maior número de ofertas no período das consultas. Os bairros Praia de Iracema e José Bonifácio foram incorporados aos seus vizinhos, de características sócio-econômico semelhantes, respectivamente, Meireles e Benfica, por causa do número de dados obtidos terem sido menores do que o previsto pelo critério adotado. Desse modo, obteve-se uma região contínua da cidade a partir da orla marítima. A área pesquisada abrange 13 bairros que correspondem, aproximadamente, a 55% do total de apartamentos destinados a locação em Fortaleza.. Os 45 % restantes correspondem a unidades dispersas nos demais 101 bairros, incluindo aquelas que não utilizam os meios pesquisados (anúncios de jornal e imobiliárias) para serem ofertadas. A Figura 2.1 mostra a localização dos imóveis pesquisados 3

4 De posse dos dados selecionados foram feitas as vistorias externas dos imóveis para a verificação do estado de conservação e do padrão de acabamento dos prédios. Durante as visitas foram obtidas outras informações referentes aos condomínios tais como: equipamentos e serviços disponibilizados pelo condomínio, valor da contribuição condominial, número de unidades total e por prédio. Não foi feita a vistoria interna dos imóveis pela dificuldade de acesso aos mesmos. Para se ter um conhecimento das áreas internas dos apartamentos foram vistas fotos dessas áreas, disponibilizadas pelas imobiliárias. O próximo passo foi a obtenção, junto ao setor de ITBI da Secretaria de Finanças da Prefeitura de Fortaleza, de dados complementares referentes às seguintes características dos elementos da amostra: área total construída do apartamento, idade do apartamento, número de apartamentos existentes em cada condomínio, e área total do terreno onde foram construídos os apartamentos. TABELA Distribuição dos dados da amostra por bairros. ( Fonte: Dados brutos do Censo 2000 do IBGE) BAIRROS Meireles Aldeota Centro Fátima Joaquim Távora Dionísio Torres Cocó Varjota Benfica Mucuripe Papicu José Bonifácio Praia de Iracema Outros TOTAL APARTAMENTOS ALUGADOS EM FORTALEZA % 11,47 10,13 6,79 4,38 3,88 3,64 3,18 3,15 2,56 2,14 1,96 1,34 0,66 44,71 100,00 NÚMERO DE APARTAMENTOS NA AMOSTRA

5 FIGURA 2.1. Localização dos imóveis pesquisados. Fonte: Mapa de Fortaleza - Universal Mapas e Atlas Didáticos,

6 3 ESPECIFICAÇÃO DO MODELO - VARIÁVEIS CONSIDERADAS O aluguel de um apartamento representa uma estimativa de mercado para o valor do fluxo de serviços fornecidos pelo imóvel em decorrência das suas características físicas, das amenidades (equipamentos e serviços) de que dispõe, bem como dos atributos locacionais. Assim sendo, as variáveis independentes de um modelo de regressão, deveriam fornecer uma confiável estimativa de valor de mercado para as várias características e atributos dos apartamentos (Guntermann, 1987; Sirmans et all,1989). As variáveis consideradas foram as seguintes: 3.1. VARIÁVEIS RELACIONADAS COM AS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS a) ÄREA representa a área total construída do apartamento b) QUA representa o número de quartos, exceto o de empregada. c) BAN dá a quantidade de banheiros, exceto o da empregada. d) DE informa se há, ou não, dependências de empregada. e) VAG indica a quantidade de vagas de carros do apartamento pesquisado. f) PAD informa o padrão do imóvel pesquisado. Se é normal ou alto. g) CONS representa o estado de conservação do imóvel de acordo com a vistoria feita. A variável assume os valores 10, 9, e 8. Esses valores classificatórios foram definidos a partir dos dados da tabela de Heidecke para depreciação, e transformados para a escala de 0 a 10. O valor 10 corresponde ao estado entre novo e regular cuja depreciação é 0,32 % (conservação = 99,78 %, arredondado para 100); o valor 9 corresponde ao estado entre regular e reparos simples cuja depreciação é de 8,09 % (conservação = 91,91%, arredondado para 90) ; e o valor 8 corresponde ao estado reparos simples cuja depreciação é de 18,10 % ( conservação = 81,90 %, arredondado para 80). h) ID dá a idade do imóvel, em anos, para i) AND indica o andar. j) ELE indica se há, ou não, elevador. l) Nº UNID indica a quantidade de apartamentos existentes no condomínio. m) UNID/AND indica a quantidade de apartamentos por andar obtida através da divisão do número de unidades pelo número de andares do prédio. n) LOTE representa a área total do terreno onde está construído o imóvel, 6

7 3.2. VARIÁVEL RELACIONADA COM AS AMENIDADES COND. Representada pela contribuição condominial mensal, esta variável foi adotada porque os valores assumidos por ela, apresentam uma relação com a quantidade de serviços prestados e com os equipamentos (zeladoria, portaria, equipamento de segurança, salão de festas, quadra de esportes, play-ground, piscina, sauna, etc) disponibilizados pelo condomínio para os apartamentos. Os valores foram obtidos nas imobiliárias e confirmados in loco VARIÁVEIS RELACIONADAS COM A LOCALIZAÇÃO PÓLO indica a valorização relativa dos imóveis causada pela proximidade de um pólo valorizante. É representada pela distância, em metros, medida em linha reta, do imóvel até o pólo valorizante mais próximo. Foram considerados os seguintes pólos valorizantes: Orla marítima, tomando-se como referência o trecho compreendido entre a Praia de Iracema e a do Mucuripe, por representar um pólo de lazer e turismo, onde se localizam clubes sociais, hotéis, restaurantes e condomínios de luxo. Centro da cidade, tomando-se como referência a Praça do Ferreira. Representa o centro histórico e tradicional do comércio de Fortaleza. Com a descentralização da cidade diversos bairros passaram a ter seus próprios centros comerciais e de lazer. Esses centros, implantados na grande maioria por empreendedores, são precedidos por estudos mercadológicos para definir uma localização estratégica que possa atender a população de uma região. Devido a atração de público que exercem, em consequência da concentração dos serviços que proporcionam, esses centros comerciais provocam a valorização dos imóveis localizados em suas proximidades. Os centros comerciais que foram considerados influenciantes nas regiões pesquisadas foram: ShoppingCenter Benfica; Shopping Center Iguatemi; e Praça Portugal (onde localizam-se no seu entorno vários Shopping Center). ACES representa a localização do imóvel no bairro (micro região) e indica o nível de acessibilidade a grandes vias de circulação (facilidade de deslocamento entre pontos da cidade). Para representá-la considerou-se a distância de cada imóvel à avenida mais próxima. BAI representa o bairro (macro região) e indica a valorização relativa do imóvel em função das características sócio-econômicas (indicativa do poder aquisitivo) da região da cidade. Para quantificá-la foi utilizada a renda mensal média por domicílio para cada bairro detectada pelo IBGE no Censo VARIÁVEL DEPENDENTE Para variável dependente adotou-se o ALUGUEL, através da transformada LOG ALU (Logarítmo decimal do aluguel), por ter obtido um melhor ajustamento aos dados. 7

8 3.5. LIMITAÇÕES DO MODELO As seguintes características, embora consideradas, não foram utilizadas no modelo: a) Apartamentos sem quarto. Não foi considerado porque, na pesquisa, o valor do aluguel obtido para esse tipo de apartamento incluía a contribuição condominial impossibilitando o conhecimento e a utilização desses valores separadamente. b) Apartamentos localizados na avenida Beira-mar, por pertencerem a um segmento especial do mercado imobiliário em virtude do elevado padrão construtivo e da localização privilegiada. c) Apartamentos na cobertura; Mobília (ter ou não); e Favela (proximidade) não foram considerados em razão de uma das alternativas de cada uma dessas variáveis representar mais de 90 % dos dados. Segundo Dantas (2000), deve-se evitar alternativas que concentrem mais de 70 % dos casos pois o desequilíbrio amostral prejudica a análise ESTATÍSTICAS DESCRITIVAS DA AMOSTRA PESQUISADA As estatísticas descritivas da amostra pesquisada constam da Tabela 3.1. TABELA Estatísticas descritivas Modelo geral VARIÁVEI S ALUG LOG ALUG COND AREA QUA BAN DE VAG PAD CONS ID AND ELE Nº UN UN./AND LOTE ACES PÓLO BAI UNID MÉDIA R$ R$ M² UN UN (*) UN (*) PONTOS ANOS UN (*) UN UN M² M M R$ 524,90 2, ,08 159,49 2,79 2,23 1,43 8,63 14,0 5,24 41,12 3, ,51 105, , ,41 DESVIO PADRÃO 237,87 0, ,67 55,25 0,59 0,81 0,62 0,73 9,22 4,52 35,90 1, ,1 91,42 628, ,75 MÍNIMO MÁXIMA 150,00 2, ,00 49, ,0 0, ,0 1,00 243,00 1,00 20, , ,00 3, ,00 381, ,00 42, ,0 14, ,00 400, , ,00 ( * ) Variáveis dicotômicas 8

9 4 ANÁLISE ESTATÍSTICA 4.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS A análise estatística da amostra pesquisada foi feita utilizando-se o método comparativo de dados de mercado através da análise de regressão linear múltipla. A partir dos dados da amostra procurou-se um modelo econométrico que mostrasse as relações entre as variáveis explicativas selecionadas e a variável explicada. Para combater a multicolinearidade foi utilizada a técnica da Análise de Componentes Principais. A utilização desta técnica possibilitou a obtenção de uma equação final composta por todas as variáveis originais, resultado que não se obteria utilizando-se a técnica, mais usual, de eliminação de variáveis colineares ( método stepwise) A seguir apresentam-se alguns conceitos sobre a Análise de Componentes Principais Análise de Componentes Principais O objetivo da Análise de Componentes Principais é condensar as informações contidas num conjunto de variáveis em outro com menos variáveis e com um mínimo de perca de informação (Hair Jr el all, 1998). Essas novas variáveis, denominadas Componentes Principais, são caracterizadas pelos seus autovalores (eigenvalues) e seus respectivos autovetores (eigenvetors) da matriz de variância-covariância ou da matriz de correlação (esta última usada neste trabalho). Os autovetores definem as direções de máxima variabilidade, e os autovalores indicam as suas variâncias. Os componentes principais são classificados em ordem decrescente de importância de acordo com o valor de seus respectivos autovalores. O primeiro componente principal corresponde ao eixo que passa eqüidistante dos pontos na direção cuja variância é máxima. O segundo componente, perpendicular ao primeiro, é o eixo que passa eqüidistante dos pontos na direção da máxima variabilidade que restou após a definição do componente anterior, e assim sucessivamente. Como cada componente é definido para maximizar a variabilidade não capturada pelo componente anterior, eles são independentes um do outro, ou seja, são não correlacionados (ortogonais). Os componentes principais correspondem, geometricamente, a uma transformação de coordenadas e, algebricamente, a combinações lineares das variáveis originais. Por exemplo, no caso de duas variáveis X1 e X2, a combinação linear é do tipo: Z1 = ax1 + bx2 Z2 = cx 1+ dx2 Onde Z1 e Z2 são, respectivamente, o primeiro e o segundo componentes principais; X1 e X2 são as variáveis originais; a, b, c, e d são pesos, ou carregamentos, determinados pelos autovetores e correspondem aos ângulos formados pelos eixos representativos das variáveis e dos seus componentes principais. 9

10 A Figura nº 4.1 mostra um exemplo de gráficos de duas variáveis X1 e X2 e dos seus componentes principais Z1 e Z2. FIGURA 4.1 Componentes Principais Z1 e Z2 das variáveis X1 e X2 Uma etapa necessária para se aplicar na análise dos componentes principais como medida corretiva da multicolinearidade é a eliminação daqueles componentes possuidores de autovalores muito pequenos, que são de pouca importância para explicar a variabilidade dos dados. Para proceder a essa eliminação e se reter só os componentes mais importantes, há vários critérios. Os mais usados são : - Critério de Kaiser: os componentes principais a serem retidos são aqueles com autovalores maiores de 1,0, eliminando-se os de valores menores de 1,0. - Método gráfico (Scree test): os componentes principais a serem retidos devem corresponder aos autovalores localizados acima do ponto de inflexão da curvatura ( ponto de corte ) do gráfico autovalor (eixo dos Y) versus componentes principais (eixos dos X). - Retenção dos componentes cuja soma dos seus autovalores totalizem um determinado percentual ( por exemplo 70 %) que represente uma proporção mínima aceitável da variação total. Segundo Dantas (2000), os Componentes Principais podem ser usados para solucionar o problema de multicolinearidade existente em regressão múltipla sem causar prejuízos para as análises. 10

11 5 ANÁLISE DOS MODELOS 5.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS Primeiramente, foi elaborado um modelo geral representativo de Fortaleza e analisado o comportamento das variáveis. Em seguida, foram elaborados modelos para os segmentos do mercado relacionados à idade e ao bairro. Dividiu-se a amostra ao meio obtendo-se as seguintes sub-amostras de imóveis: com idade de até 13 anos; com idade de mais de 13 anos; localizados em bairros com renda mensal média por domicílio de até R$ 2.796,00; e com renda mensal média por domicílio com mais de R$ 2796,00. Finalmente, foi elaborada uma tabela comparativa dos vários modelos MODELO GERAL Modelo com todas as variáveis pesquisadas O modelo de regressão geral de LOG ALU sobre as 17 variáveis independentes teve um bom ajustamento aos dados ( R² = 83,13%), mas apresentou variáveis com a significância acima do limite adotado de 5%, e inversão de sinal (variável VAG), características de multicolinearidade. As estatísticas relacionados com a equação constam da Tabela 5.1. Tabela 5.1 Equação LOG ALU com as variáveis pesquisadas VARIÁVEIS COEFICIENTES CONSTANTE 2, COND 0, ÁREA 0, QUA 0, BAN 0, DE 0, VAG -0, PAD 0, CONS 0, ID -0, AND 0, ELE 0, Nº UNID 0, UN/AND -0, LOTE -0, ACES 0, PÓLO -0, BAI 0, R² = 83,13% F = 41,16 R² (ajustado) = 81,11% p = 0,0000 ESTATÍSTICA t Valor p 15,6665 0,0000 0,5323 0,5953 5,8880 0,0000 0,7773 0,4382 1,0137 0,3124 1,4456 0,1505-0,2583 0,7966 3,5883 0,0005 0,6460 0,5193-2,2151 0,0283 0,8411 0,4017 2,5935 0,0105 0,4111 0,6816-0,3819 0,7031-0,0872 0,9307 1,0340 0,3029-1,5236 0,1298 1,8664 0,0641 Nº de dados = 160 Nº de variáveis = 17 11

12 Regressão por Componentes Principais Para combater a multicolinearidade constatada no modelo inicial aplicou-se a técnica de análise de componentes principais às 17 variáveis independentes obtendo-se os seguintes autovalores( Tabela 5.2): TABELA Autovalores dos Componentes Principais COMPONENTE % DA VARIÂNCIA NÚMERO AUTOVALORES SIMPLES ACUMULADA 1 5, ,45 33,45 2 2, ,41 48,86 3 1, ,88 59,74 4 1,4451 8,50 68,24 5 0,9263 5,45 73,69 6 0,7542 4,43 78,12 7 0,6653 3,91 82,04 8 0,5525 3,25 85,29 9 0,4588 2,70 87, ,4090 2,41 90, ,3780 2,22 92, ,3077 1,81 94, ,2501 1,47 95, ,2201 1,30 97, ,2045 1,20 98, ,1527 0,90 99, ,1194 0,70 100,00 Para a eliminação dos componentes principais de baixa importância, utilizou-se o critério de Kaiser, resultando na extração de 4 componentes principais (CP1, CP2, CP3 e CP4). A variabilidade dos componentes retidos corresponde a 68,24 % da variabilidade dos dados da amostra. Os pesos (carregamentos) dos seus autovetores estão na Tabela 5.3. Em seguida, foi feita a regressão da variável dependente LOG ALU sobre os componentes principais retidos (CP1, CP2, CP3 e CP4). Os componentes CP2 e CP3 apresentaram significância maior do que o limite de 5% (os valores - p foram de 0,1914 e 0,0991, respectivamente) e, em consequência disso, foram excluídos da equação. A equação final, na forma padronizada (subtraindo de cada variável a sua média e dividindo pelo desvio padrão), está na Tabela

13 TABELA 5.3. Pesos (carregamentos) dos 4 componentes principais retidos Variáveis CP 1 CP 2 CP3 CP 4 COND 0, , , , ÁREA 0, , , , QUA 0, , , , WC 0, , , , DE 0, , , , VAG 0, , , , PAD 0, , , , COM 0, , , , ID -0, , , ,29786 AND 0, , , , ELEV 0, , , , Nº UN -0, , , , UN AND -0, , , , LOTE -0, , , , AC 0, , , , PÓLO -0, , , , BAI 0, , , , TABELA Regressão de LOG ALU sobre os componentes CP1 e CP4 DESVIO PADRÃO VARIÁVEIS COEFICIENTES ESTATÍSTICA t P VALOR CP 1 0, , ,0112 0,0000 CP 4-0, , ,6535 0,0088 R² = 78,80% F = 291,79 Nº de dados = 160 R² (Ajustado) = 78,53% p = 0,0000 Nº de variáveis = 2 A análise dos gráficos de resíduos (dois deles apresentados nas Figuras 5.2 e 5.3) mostra que são atendidos satisfatoriamente os pressupostos básicos das equações de regressão tais como: homocedasticidade, não-autocorrelação, normalidade dos resíduos, linearidade. FIGURA 5.2 Gráfico dos resíduos x valores estimados de LOG ALU do modelo geral 3,3 Resíduos 2,3 1,3 0,3-0,7-1,7-2,7-2,3-1,3-0,3 0,7 1,7 2,7 Valores estimados 13

14 FIGURA 5.3 Gráfico de probabilidade normal dos resíduos de LOG ALU do modelo geral Percentagem Gráfico Normal de Probabilidade 99, ,7-1,7-0,7 0,3 1,3 2,3 3,3 Resíduos padronizados Equação final do modelo geral com as variáveis originais Substituindo-se, na equação da Tabela 5.4, os componentes principais CP1 e CP4 pelas respectivas combinações lineares das variáveis originais obtém-se a equação final composta por estas variáveis.( Tabela 5.5 ) TABELA 5.5. Equação final de LOG ALU para o modelo geral VARIÁVEIS COND ÁREA QUA BAN DE VAG PAD CONS ID AND ELE Nº UNID UN/AND LOTE ACES PÓLO BAI CONSTANTE COEFICIENTES 0, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

15 5.2.4 Análise do comportamento das variáveis As variáveis participantes do modelo geral encontrado apresentam comportamentos coerentes com o que ocorre no mercado imobiliário. Mantida a condição ceteris paribus a influência que cada variável explicativa exerce no valor do aluguel é, em média, a seguinte: COND para cada R$ 20,00 de acréscimo na contribuição condominial, decorrente de aumento de serviços oferecidos pelo condomínio, o aluguel eleva-se em 1,1%. ÁREA para cada acréscimo de 10m² o aluguel cresce em 1,0 %. QUA para uma variação unitária o aluguel eleva-se em 7,2%. BAN para cada acréscimo de banheiro o aluguel aumenta em 7, 0 %. DE a existência de dependência de empregada valoriza o aluguel em 2,8% VAG cada vaga a mais aumenta o valor do aluguel em 7,9%. PAD os apartamentos de padrão alto são mais valorizados em 10,4 % do que os de padrão normal. CONS os aluguéis são maiores para os imóveis mais conservados. O acréscimo é de 3,7% para cada mudança de estado de conservação. ID o aumento da idade dos imóveis afeta o aluguel de modo negativo. A desvalorização é de 1,0 % para cada acréscimo de 4 anos. AND o aluguel cresce em 0,4 % para cada andar mais elevado. ELE a presença de elevador no imóvel aumenta o aluguel em 7,7 %. Nº UNID o aluguel não é influenciado pela quantidade de apartamentos existentes no condomínio. LOTE o tamanho do terreno não influencia o valor do aluguel. ACES para a distância de 100 metros, média da amostra, o aluguel varia em 0,7 %.. PÓLO os apartamentos mais afastados de um pólo de valorização apresentam menores valores de aluguéis. Para cada 200 metros de afastamento do pólo o aluguel diminui em 1,0 %. BAI Indica que os bairros de maior poder aquisitivo apresentam aluguéis maiores. Para cada R$ 200,00 de acréscimo na renda do bairro o aluguel é acrescido em 1%. 15

16 5.3. MODELOS POR SEGMENTOS DE MERCADO Considerações iniciais Objetivando comparar o modelo geral único para Fortaleza com modelos por segmentos de mercado foram calculadas as equações de regressões utilizando-se as seguintes subamostras dos dados pesquisados Modelos por idade Para verificar a influência exercida pelo segmento de mercado caracterizado pela idade dos imóveis ( imóveis antigos x imóveis novos) no comportamento das variáveis pesquisadas dividiu-se a amostra ao meio, resultando em uma sub-amostra com 84 dados de imóveis com até 13 anos e outra com 76 imóveis com mais de 13 anos. Em seguida, foram feitas duas regressões: uma, usando os dados dos imóveis com idade de até 13 anos, e a outra, usando os dados dos imóveis com idade maior do que 13 anos. As equações foram obtidas seguindo o mesmo procedimento utilizado no cálculo da equação geral. A análise dos componentes principais das duas sub-amostras resultou: Imóveis com idade de até 13 anos. Foram retidos 5 componentes principais (CP1, CP2, CP3, CP4, CP5) que correspondem a 74,42 % da variabilidade dos dados. Os componentes CP4 e CP5 foram excluídos da equação de regressão de LOG ALU por apresentarem significância maior do que 5% ( os valores de p foram de 0,0973 e 0,6919 respectivamente); Imóveis com idade maior do que 13 anos. Foram retidos 5 componentes principais que correspondem a 71,84 % da variabilidade dos dados. Os componentes CP2, CP3, e CP4, foram excluídos da equação de regressão de LOG ALU por apresentarem significância maior do que 5% (os valores de p foram 0,5156, 02494, e 0,5532respectivamente). As Tabelas 5.6, e 5.7 apresentam as equações de regressões com os componentes principais correspondentes às duas sub-amostras relacionadas com a idade dos imóveis. TABELA Regressão de LOG ALU sobre os Componentes Principais para imóveis com idade de até 13 anos. VARIÁVEIS COEFICIENTES ERRO PADRÃO CP 1 0, , CP 2 0, , CP 3 0, , R² = 71,10%; F = 65,60 R² (ajustado) = 70,02% p = 0,0000 ESTATÍSTICA t P - VALOR 13,1308 0, ,7985 0,0064 4, ,0001 Nº de dados = 84; Nº de variáveis = 3 16

17 TABELA Regressão de LOG ALU sobre os Componentes Principais para imóveis com idade maior de 13 anos. VARIÁVEIS COEFICIENTES CP 1 0, CP R² = 78,07%; R² (ajustado) = 77,47% ERRO PADRÃO 0, , F = 129,97 p = 0,0000 ESTATÍSTICA t P -VALOR 15,9287 0, ,4915 0,0150 Nº de dados = 76; Nº de variáveis = 2 A seguir são apresentadas as equações de regressão após a substituição dos Componentes Principais pelas combinações lineares das variáveis originais. TABELA Equações de regressões com LOG ALU e as varáveis originais para sub - amostras de idade COEFICIENTES DAS EQUAÇÕES VARIÁVEIS CONSTANTE COND ÁREA QUA BAN DE VAG PAD CONS ID AND ELE Nº UNID UNID/AND LOTE ACES PÓLO BAI IMÓVEIS COM ATÉ 13 ANOS IMÓVEIS COM MAIS 13 ANOS 2, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

18 Modelos por bairros O mesmo procedimento adotado para o segmento de mercado relacionado com a idade foi utilizado para analisar o comportamento do modelo com relação a localização dos imóveis, representada pela variável bairro (BAI). A amostra, dividida ao meio, ficou composta por uma sub amostra de 84 dados de imóveis localizados nos bairros representados pela renda mensal média por domicílio de até R$ 2.796,00 e outra composta por 76 dados de imóveis localizados nos bairros representados pela renda maior de R$ 2.796,00. A análise de componentes principais apresentou os seguintes resultados: Bairros com renda média mensal de até R$ 2.796,00. Foram retidos 4 componentes principais que correspondem a 66,22% da variabilidade dos dados. Os componentes CP2 e CP3 foram eliminados da equação de regressão por apresentarem os valores de p iguais a 0,8527 e 0,7617 respectivamente. Bairros com renda maior do que R$ 2.796,00. Foram retidos 4 componentes principais que correspondem a 69,68% da variabilidade dos dados. O componente CP3 foi eliminado por apresentar um valor p= 0,2799. As Tabelas 5.9, 5.10 e 5.11 mostram as equações obtidas. TABELA Nº Regressão de LOG ALU sobre os Componentes Principais para bairros com renda mensal média por domicílio de até R$ 2.796,00. VARIÁVEIS COEFICIENTES ERRO PADRÃO ESTATÍSTICA t P VALOR CP 1 0, , ,4846 0,0000 CP 4-0, , , ,0447 R² = 74,56%; F = 106,99 Nº de dados = 76; R² (ajustado) = 73,86% p = 0,0000 Nº de vaiáveis = 2 TABELA Nº Regressão de LOG ALU sobre os Componentes Principais para bairros com renda mensal média por domicílio maior de R$ 2.796,00. VARIÁVEIS COEFICIENTES CP 1 0, CP 2 0, CP 4 0, R² = 80,35%; R² (ajustado) = 79,61% ERRO PADRÃO 0, , , F = 109,04 p = 0,0000 ESTATÍSTICA t P -VALOR 16,0196 0,0000 4, ,0001 7, ,0000 Nº de dados = 84; Nº de vaiáveis = 3 18

19 TABELA Nº Equações de regressões com LOG ALU e as variáveis originais para sub - amostras de bairros. VARIÁVEIS CONSTANTE COND ÁREA QUA BAN DE VAG PAD CONS ID AND ELE Nº UNID UNID/AND LOTE ACES PÓLO BAI COEFICIENTES DAS EQUAÇÕES BAIRROS COM RENDA ATÉ BAIRROS COM RENDA R$ 2.796,00 MAIOR DE R$ 2.796,00 2, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , Análise comparativa das equações Para comparar a equação geral com as por segmento de mercado foi elaborada a Tabela TABELA 5.12 Coeficientes e estatísticas das cinco equações obtidas ITENS GERAL Coeficiente de CP-1 Coeficiente de CP-2 Coeficiente de CP-3 Coeficiente de CP-4 Coeficiente de CP-5 N dados R² ( % ) R² Ajust. ( % ) F 0, , ,80 78,53 291,79 IDADE < 13 ANOS 0, , , ,10 70,02 65,60 MODELOS IDADE RENDA > 13 ANOS < , , , , ,07 74,56 77,47 73,86 129,97 106,99 RENDA > , , , ,35 79,61 109,04 19

20 Esta tabela mostra que, das variáveis independentes de cada modelo (CP1, CP2, CP3, CP4 e CP5), somente o primeiro componente, CP1, participa de todas as equações. Comparando-se a equação geral com as por segmento de mercado verifica-se que, para determinar o valor de LOG ALU, as variáveis analisadas combinam-se de modo diferente em função de cada segmento. Este comportamento pode ser explicado pelas diferenças existentes nos segmentos de mercado relacionadas com as características físicas e locacionais dos imóveis, bem como com o perfil mercadológico (sócio-econômico) dos locatários. Conclusões semelhantes a estas foram encontradas por Guntermann e Norrbin (1987) e González (1993). Apesar dessas diferenças a equação geral pode ser usada para calcular os valores dos aluguéis em Fortaleza. Isso pode ser comprovado observando-se a superposição dos intervalos de confiança mostrados nos gráficos das Figuras 5.4, 5.5, 5.6 e 5.7, que comparam o intervalo de confiança de valores de LOG ALU calculados pela equação geral e pela equação de cada segmento. Os gráficos apresentam, no eixo das abcissas, os dados dispostos na ordem crescente dos valores de LOG ALU obtidos pela equação geral. Nas ordenadas, são representados os limites inferior e superior do intervalo de confiança de cada valor de LOG ALU calculado pela equação geral, emparelhados com os valores correspondentes calculados pela equação do segmento analisado. As Figura 5.4 e Figura 5.5 correspondem aos imóveis com idades de até 13 anos e aos com idade maior de 13 anos, respectivamente, e a Figura 5.6 e a Figura 5.7 referem-se aos segmentos constituídos pelos bairros com renda de até R$ 2796,00 e aos com renda maior do que R$ 2796,00, respectivamente. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES 6.1. Considerações finais O objetivo deste trabalho era identificar e analisar as características mais importantes que explicam a variabilidade do valor de aluguel de apartamentos em Fortaleza. Através da técnica de regressão linear elaborou-se um modelo geral para representar o mercado de locação de apartamentos desta cidade e quatro modelos para representarem os segmentos desse mercado relacionados com idade e com bairro. Foram utilizadas 17 variáveis representando as principais características dos 160 imóveis, pesquisados no mês de maio de Para combater a multicolinearidade utilizou-se a técnica de Regressão por Componentes Principais Conclusões As principais conclusões retiradas deste trabalho são as seguintes: a) A equação do modelo geral, obtida através de Regressão por Componentes Principais,explica 78,8 % da variabilidade dos valores dos aluguéis;. 20

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