PROMOVENDO A REEDUCAÇÃO ALIMENTAR EM ESCOLAS NOS MUNICÍPIOS DE UBÁ E TOCANTINS-MG RESUMO

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1 1 PROMOVENDO A REEDUCAÇÃO ALIMENTAR EM ESCOLAS NOS MUNICÍPIOS DE UBÁ E TOCANTINS-MG RESUMO Iara de Souza Assunção 1 Josiane Kênia de Freitas 2 Viviane Modesto Arruda 3 Silvana Rodrigues Pires Moreira 4 Uma boa alimentação é sinônimo de uma vida saudável. Esta é a base para a promoção do bem-estar físico e social. Entretanto a combinação incorreta de alimentos acarreta a redução tanto na qualidade como na quantidade de anos de vida. Neste sentido, o Índice de Massa Corporal (IMC) é adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como padrão para avaliação do grau de obesidade. A obesidade é fator de risco associado ao desenvolvimento de diversas patologias.o presente trabalho teve como objetivo a avaliação dos índices de obesidade e desnutrição alimentar, além do desenvolvimento de uma nova postura, como forma de reeducação alimentar. Dessa maneira, foram selecionadas duas escolas públicas, nos municípios de Ubá e Tocantins, nas quais crianças, de oito á dez anos, foram avaliadas em suas medidas corporais e os valores utilizados para cálculo do IMC. Com o intuito de avaliar a qualidade da alimentação fora do ambiente escolar, foram efetuadas entrevistas semi estruturadas a 100 pais ou responsáveis. Em seguida, foram realizadas palestras com pais e filhos sobre a importância e formas de promoção de uma alimentação saudável. Após o acompanhamento, as crianças foram novamente avaliadas. Os resultados obtidos nos questionários merecem atenção. Cerca de 50% das crianças realizam apenas quatro refeições por dia, sendo que a principal delas é realizada na escola. Já em relação à frequência no consumo de nutrientes, cerca de 10% destas consomem verduras, carnes, leites e frutas apenas uma vez na semana. Na primeira triagem, 47% das crianças 1 Graduanda em Licenciatura em Química na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Ubá, 2 Graduanda em Licenciatura em Química, na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Ubá, 3 Doutora em Fitotenica, Professora na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Ubá, 4 Doutora em Bioquímica Agrícola, Professora na UEMG na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Ubá,

2 2 apresentaram peso acima dos padrões recomendados pela OMS. Na segunda triagem esse valor foi reduzido para 24%. Os resultados após a realização do projeto revelaram efeitos positivos na vida destas famílias. Cerca de 80% das crianças que apresentavam elevados índices de obesidade obtiveram significativa diminuição do IMC, de até 30%, resultado da atuação da família como veículo primordial no processo de conscientização e reeducação alimentar. Assim, destaca-se a urgência para a construção de novas perspectivas para as práticas de educação alimentar e nutricional. Palavras-Chave: escola, reeducação alimentar, família. INTRODUÇÃO A importância da educação alimentar e nutricional para a saúde, alimentação e nutrição, bem como o seu percurso histórico, têm sido discutida por diferentes autores (SANTOS, 2005). Destaca-se a crescente importância da educação alimentar e nutricional no contexto da promoção da saúde e da alimentação saudável, tida como uma estratégia fundamental para enfrentar os novos desafios na área (SANTOS, 2012). A formação dos hábitos alimentares tem início com a herança genética que interfere nas preferências alimentares, a qual sofre diversas influências do ambiente: o tipo de aleitamento oferecido nos primeiros seis meses de vida; a maneira como os alimentos complementares foram incluídos no primeiro ano de vida; experiências positivas e negativas quanto à alimentação ao longo da infância; hábitos familiares e condições socioeconômicas, entre outros (RIGO et al., 2010). A prevalência do sobrepeso e obesidade vem tomando vultos de epidemia em todo mundo, atingindo crianças e adultos de todos os estratos sociais e, segundo Santos (2002) os dados contidos na Pesquisa Nacional de Alimentação e Nutrição realizada em 2003, evidenciaram que cerca de 32% da população adulta brasileira tinha algum grau de sobrepeso. Neste sentido a realização de tal pesquisa torna-se de tamanha relevância. Toda a população local será diretamente beneficiada pelos resultados obtidos, já

3 3 que os mesmos serão transmitidos aos responsáveis dos menores, esperando-se destes uma tomada de posição com intuito de proporcionar uma alimentação de qualidade ás crianças. O principal público alvo a ser beneficiado pelos resultados são os próprios alunos e suas famílias, já que um estudo detalhado poderá levar os responsáveis a uma tomada de atitude no diz respeito a alimentação, repercutindo em medidas educativas em todo o município. MATERIAL E MÉTODOS Foi elaborado questionário, num total de 10 perguntas, para avaliar os hábitos alimentares em crianças de diferentes faixas etárias e de diferentes classes econômicas, visando uma maior amplitude dos resultados que se pretende obter. Foram entrevistados pais de alunos de escolas públicas, sendo destacadas questões de como é realizada a alimentação dos filhos, a frequência com que os mesmos se alimentam, o tipo de alimento ingerido, dentre outros tópicos. Em seguida,foram realizadas medidas do índice de massa corporal de 100 crianças de duas escolas distintas. As crianças foram pesadas e medidas em duas etapas, antes e depois das palestras educacionais sobre alimentação, e em seguida foi realizado cálculo do IMC (Índice de massa corporal). Após serem feitas estas observações, foram realizados diversos trabalhos com o envolvimento de profissionais de diferentes áreas, como professores e nutricionistas, através da realização de palestras sobre reeducação alimentar de forma a sensibilizar e atingir o maior número de pessoas. RESULTADOS Os dados coletados na fase de observação, aplicação de questionários e medidas do IMC foram bastante preocupantes. Nas entrevistas aos responsáveis, cerca de 20% dos entrevistados alegaram que a criança faz apenas 3 refeições por dia sendo uma desta realizada na escola, ou seja, almoço, lanche escolar e jantar. Cerca de 50% das crianças consultadas realizam 4 refeições por dia, acrescentando

4 4 o café da manhã. Outro fator preocupante é que 50% das crianças consomem apenas 3 vezes na semana leite, verdura e frutas. Ainda nas entrevistas, cerca de 34% dos responsáveis consideraram que a alimentação oferecida a seus filhos não era saudável, e mais de 80% destes não fazem absolutamente nada para melhorar a qualidade deste alimento oferecido. Sendo relevante considerar que 80% dos responsáveis nunca escolhem os alimentos consultando os rótulos dos produtos. Quanto à triagem realizada nas escolas, os resultados também merecem atenção. Um total de 15 crianças estavam acima do peso quando no início dos trabalhos. Quando calculado o Índice de Massa Corporal (IMC) constatou-se que estasestavam em estado de obesidade ou sobrepeso, ou seja, acima do peso de acordo com a relação estabelecida entre idade e altura. Visando melhorias na qualidade de vida e alimentação destes alunos e de suas famílias, foi iniciado um processo de reeducação alimentar, onde foram realizadas palestras com os responsáveis e diversas atividades em sala de aula com as crianças. Após este acompanhamento por um período de 12 meses, as crianças foram avaliadas novamente. Os resultados obtidos com o desenvolvimento do projeto foram satisfatórios em mais de 90% dos casos. Dentre as 15 crianças que estavam obesas na primeira pesagem, 11 delas mantiveram o peso de acordo com altura e consequentemente deixaram de ser obesas. Entretanto 4 crianças não obtiveram resultados satisfatório, mantendo o peso ou engordando em relação aos resultados da primeira avaliação de medidas. As demais crianças conseguiram manter o peso de acordo com a altura, durante o período de realização do projeto. DISCUSSÃO De acordo com a análise das respostas dos questionários aplicados aos responsáveis, foi possível verificar a precariedade da alimentação, sendo esta excessiva ou limitada. O número de refeições consumida diariamente é uma questão que muito preocupa, já que alimentos como leite, verdura e frutas assumem grande importância no combate aos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Considerando que essas crianças estão em fase de crescimento também o número de refeições realizadas por dia é reduzido, já que o

5 5 ideal seria que estas crianças se alimentassem a cada 3 horas, evitando problemas de sobrepeso. Quanto ao fato de a grande maioria dos responsáveis nunca consultarem os rótulos dos alimentos antes de consumir, é algo que também preocupa já que neste caso são elevados os riscos de as crianças consumirem alimentos ricos em açúcares e deficientes em ferro e vitaminas e sais minerais. De acordo com De Bourdeaudhuij (1997) na promoção de uma alimentação saudável dois aspectos devem ser considerados: os hábitos alimentares da idade adulta estão relacionados com os aprendidos na infância e a mudança de um comportamento alimentar a longo prazo. Sendo este último responsável pelas taxas de insucesso na tentativa de perda de peso. Segundo levantamento do Ministério da Saúde realizado anualmente sobre hábitos alimentares e estilo de vida, o excesso de peso atinge 50,8% da população, sendo esta constituída por 17,5% de obesos. Comparando os dados coletados da diferença do IMC antes e após a realização dos trabalhos de conscientização é possível verificar que as demais crianças conseguiram manter o peso de acordo com a altura. Assim como nos trabalhos apresentados por Triches e Giugliani (2005) e Costa et al. (2009), onde foi avaliado a associação da obesidade com as práticas alimentares e com o conhecimento de nutrição em crianças de oito a dez anos de idade, a maioria das crianças que estavam obesas, obtiveram uma diminuição ou manutenção do peso, fato este favorecido pelo aumentou dos conhecimentos e melhora de algumas atitudes e práticas alimentares. Estes resultados repercutiram em consequentemente melhorias na qualidade de vida. Assim, destaca-se a urgência para a construção de novas perspectivas para as práticas de educação alimentar e nutricional. CONCLUSÃO Diante desses resultados, é necessário ainda uma maior intensificação das ações para incentivar não só as crianças, como todo família a ingerir alimentos saudáveis, visando garantir a saúde alimentar dos mesmos.

6 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Departamento de Atenção Básica. Atenção Básica: alimentação e nutrição. Brasília; BRASIL. Ministério da Saúde. A vigilância, o controle e a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis: DCNTno contexto do Sistema Único de Saúde Brasileiro. Epidemiologia e serviços de saúde: revista do Sistema Único de Saúde do Brasil, vol. 15, p Brasília, COSTA, A. G. M., et al. Avaliação da influência da educação nutricional no hábito alimentar de crianças. Revista do Instituto de Ciências da Saúde. Vol. 27, n.3, p , DE BOURDEAUDHUIJ, I. Family foods rules and healthy eating in adolescents. Journal Health Psychol. Vol. 2, n. 1, p.45-56, GARCIA, R. W. D. Reflexos da globalização na cultura alimentar: Considerações sobre as mudanças na alimentação urbana.ver Nutr. Vol. 16, p , ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Comunicado de Imprensa Conjunto da OMS/FOA.[comunicado online]. Geneva; Organização Mundial da Saúde. [citado 2005 Ago 10]. Disponível em: < Acesso em dezembro de RIGO, N.N., et al.educação Nutricional com Crianças residentes em uma associação beneficente de Erechim,RS. Revista Eletrônica de Extensão da URI. Vol.6, n.11, p , SANTOS, L. A. S. Educação alimentar e nutricional no contexto da promoção de práticas alimentares saudáveis. Rev Nutr. Vol.18, p , SANTOS, G. V. B. Excesso de peso e seus fatores de risco em adolescentes da rede pública e privada de ensino do município de Ribeirão Preto, SP [Tese de Doutorado]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto,Universidade de São Paulo; SANTOS, L. A. S. O fazer educação alimentar e nutricional: algumas contribuições para reflexão. Ciência & Saúde Coletiva. Vol.17, n. 2, p , TRICHES, R.M.; GIUGLIANI, E.R.J. Obesidade, práticas alimentares e conhecimentos de nutrição em escolares. Revista de Saúde Pública, v.39, n.4, p , 2005.

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