LOGÍSTICA EMPRESARIAL E GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS

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2 LOGÍSTICA EMPRESARIAL E GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Organização: Martius Vicente Rodriguez Y Rodriguez, DSc. UFF Primeira Edição ISBN: Rio de Janeiro 2013 Fetranspor/UCT PerSe 2

3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 16 PREFÁCIO 17 CAPÍTULO 1 A contribuição do BRT para a Mobilidade Urbana 1 - INTRODUÇÃO Características do BRT O processo do planejamento do BRT Componentes do planejamento do BRT Benefícios do BRT Custo x benefício do BRT CONCLUSÃO Projetos FUTUROS Resumo executivo Questões para reflexão REFERências BIBLIOGRÁFICAS 32 3

4 CAPÍTULO 2 A importância da atividade logística de transporte na REDE de frio Da indústria farmacêutica no Brasil 1 - Introdução A atividade logística de transporte da rede de frio na indústria FARMACêutica: o que deveria ser praticado As boas práticas da Rio Lopes Transportes: um exemplo do que está sendo praticado Tendências do monitoramento e da rastreabilidade Conclusão Resumo executivo Questões para reflexão REFERências bibliográficas 53 4

5 CAPÍTULO 3 O desenvolvimento dos processos de gestão de SUPRIMENTOS nas empresas de transporte urbano de PASSAGEIROS: estudo de caso 1 - INTRODUÇÃO REVISÃO bibliográfica Estudo de CASO ConclusõES Trabalhos FUTUROS Resumo executivo Questões para reflexão REFERências BIBLIOGRÁFICAS 78 5

6 CAPÍTULO 4 Responsabilidade civil do transportador URBANO de pessoas 1 - IntroDUÇÃO O contrato de transporte de PESSOAS Presunção de responsabilidade e não simples culpa PRESUMIDA A responsabilidade do transportador face ao Código do CONSUMIDOR A exclusão da responsabilidade do TRANSPORTADOR Começo e fim da responsabilidade do TRANSPORTADOR O transporte aparentemente gratuito e o GRATUITO CONCLUSÃO REFERências BIBLIOGRÁFICAS 93 6

7 CAPÍTULO 5 Contribuições dos Times de Melhorias para o alcance DAS metas de desempenho organizacional: o caso da Viação X 1 - IntrODUÇÃO O Caso da empresa Viação x RESULTADOS OBTIDOS Conclusões e trabalhos futuros Resumo executivo Questões para reflexão REFERências BIBLIOGRÁFICAS 113 7

8 CAPÍTULO 6 FATORES que levam à terceirização de serviços de manutenção de frota nas empresas de transportes de passageiros de ônibus no Estado do Rio de Janeiro 1 - INTRODUÇÃO REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Metodologia da PESQUISA Análise das informações CONCLUSÃO Proposta para trabalhos futuros Questões para reflexão REFERências BIBLIOGRÁFICAS 136 8

9 CAPÍTULO 7 Prevenção de acidentes na movimentação e operação de produtos químicos 1 - INTRODUÇÃO REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Sugestão para solução do PROBLEMA Análise dos procedimentos ADOTADOS Conclusões REFERências BIBLIOGRÁFICAS 149 9

10 CAPÍTULO 8 Biodiesel uma alternativa energética 1 - IntrODUÇÃO OBJETIVO AbrangêNCIA RELEVância Metodologia da PESQUISA REFERENCIAL teórico Conclusão REFERências BIBLIOGRÁFICAS

11 CAPÍTULO 9 Além do painel de controle da manutenção 1 - Introdução Questão-problema AbrangêNCIA RELEVância Metodologia da PESQUISA REVISÃO bibliográfica Considerações FINAIS REFERências BIBLIOGRÁFICAS

12 CAPÍTULO 10 ATRAÇÃO e retenção de talentos: um desafio para AS empresas de transporte coletivo por ônibus na Cidade do Rio de Janeiro 1 - INTRODUÇÃO ATRAÇÃO de TALENTOS Rotatividade: um problema que merece ATENÇÃO Como reter os talentos na EMPRESA Considerações finais REFERências BIBLIOGRÁFICAS

13 CAPÍTULO 11 Os benefícios da gestão integrada da área de manutenção com a área de suprimentos: o caso da Viação XPTO 1 - INTRODUÇÃO Manutenção e SUPRIMENTOS O modelo de gestão integrada aplicado em um grupo de quatro EMPRESAS do segmento de transporte rodoviário de passageiros do Município de São Gonçalo estudo de CASO RESULTADOS obtidos com a nova gestão Conclusões e trabalhos FUTUROS REFERências BIBLIOGRÁFICAS

14 CAPÍTULO 12 O sistema da qualidade no transporte rodoviário de PASSAGEIROS urbano e metropolitano na visão das EMPRESAS 1 - Introdução REVISÃO bibliográfica Estudo de caso Análise de informações AVALIAÇÃO dos resultados Conclusão REFERências bibliográficas

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16 APRESENTAÇÃO A área de transporte urbano passa por profundas mudanças no Estado do Rio de Janeiro, com a implantação, dentre outras facilidades, do metrô sobre rodas. Estas mudanças têm impactado de forma extremamente positiva os serviços de transporte de almas, conforme mencionado por um motorista de ônibus no Rio de Janeiro. Esta mudança de pensamento quanto ao serviço prestado tem, como causa principal, o investimento que tem sido realizado em educação. Idealizada pelo presidente da Fetranspor, Lélis Marcos Teixeira, e tendo à sua frente a experiência da diretora Ana Rosa Bonilauri, pedagoga e entusiasta da educação corporativa, a Universidade Corporativa do Transporte UCT foi oficialmente inaugurada em 15 de dezembro de 2010 e funciona, desde a sua criação, como alavanca para a melhoria dos resultados das empresas. É demonstrado por esta experiência que a educação gera muito mais retorno financeiro do que se possa imaginar. O investimento em capacitação daquelas pessoas que lidam com os clientes, assim como daquelas que atuam na gestão e dão o rumo das empresas, tem sido a receita de sucesso de Fetranspor/Fetranscarga que, acreditando no potencial humano, não têm medido esforços para aprimorar as pessoas, fazendo o que é esperado em todas as áreas de negócio: gerar valor diferenciado por meio das pessoas. Como resultado de um destes esforços, foi desenvolvido, por meio de uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense e a Fetranspor, o MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos, que obteve como resultado 25 profissionais capacitados e, com certeza, apresentando um diferencial de valor para as empresas em que atuam. A presente obra resume o resultado deste MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos e relata os estudos de casos dessas empresas, possibilitando, assim, o registro deste conhecimento, para que outros possam assimilá-lo, pela leitura ou pela socialização com os autores desta obra. Parabenizo a todos os 25 profissionais que participaram do MBA e obtiveram pleno sucesso na sua realização e à Fetranspor, pelo investimento naquele que é e sempre será o diferencial das empresas AS PESSOAS. Prof. Martius Vicente Rodriguez y Rodriguez, pdsc. Coordenador MBA de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos UFF Universidade Federal Fluminense 16

17 PREFÁCIO Nos últimos anos a logística, como disciplina e prática, teve avanços extremamente importantes, com impactos muito significativos na cadeia de valor e nos resultados econômicos das empresas. A abertura da economia e o acirramento da concorrência, em um mercado a cada dia mais consciente, levaram as organizações a aperfeiçoar e racionalizar, cada vez mais, seus processos produtivos, a fim de garantir margens sustentáveis para os negócios, entre custo e preço final. Levando tais fatos em conta, apostamos no curso de pós - graduação em Logística Empresarial, cujo início se deu em março de 2010, com o objetivo de trazer maior compreensão sobre a disciplina e possibilitar sua aplicação prática, que esperamos ver traduzida em melhorias no ambiente das empresas. O curso trouxe outra situação especial. Foi realizado em parceria com a Fetranscarga Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro, cuja atividade econômica já se caracteriza pelo tratamento logístico. E dessa sinergia entre saberes, práticas e pontos de vista, houve a construção de curso sui generis, onde a filosofia do compartilhamento influiu marcadamente na construção enriquecida de conhecimentos. Assim, mais uma vez, a Universidade Corporativa do Transporte, em trabalho liderado pelo coordenador do curso da Universidade Federal Fluminense e organizador desta obra, Martius Vicente Rodriguez & Rodriguez, traz a público o legado da turma do MBA. São aqui apresentados trabalhos de fim de curso que, trazendo visões, conceitos e práticas enriquecedores, celebram um aprendizado de qualidade e ainda contribuem com o avanço das discussões sobre o tema, na medida em que são compartilhados com os leitores. É esta a tarefa que julgamos mais importante da nossa UCT: alavancar novos pensamentos, novas ideias e tornar o saber disponível para o maior número de pessoas possível! Boa leitura! Lélis Marcos Teixeira Presidente Executivo da Fetranspor 17

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19 CAPÍTULO 1 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA

20 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos RESUMO Nas grandes cidades existem, a cada momento, mais congestionamentos, falta de vagas, poluição e atropelamentos. Estes são alguns dos problemas causados pela perda da MO- BILIDADE. O trânsito se apresenta caótico e confuso, o que causa prejuízos imensos, tanto à saúde (estresse) como à economia, devido à perda de tempo nos deslocamentos, assim como aos conflitos sociais causados pela agressividade no trânsito e pelos problemas de segurança (violência e assaltos). O crescimento desordenado nas cidades e o incentivo à compra de novos veículos proporcionam a diminuição da MOBILIDADE, pois as vias ficam cada vez mais superlotadas de veículos, o que aumenta seu desgaste diminui a fluidez do trânsito e aumenta sempre a poluição do meio ambiente. Portanto, a MOBILIDADE UR- BANA está ligada ao direito de ir e vir e, sem ela, não há acesso às necessidades básicas de cada indivíduo. PALAVRAS-CHAVE: Mobilidade urbana, BRT, trânsito. AUTORA: Giselle Rodrigues de Bragança Transportes Santa Maria. Graduada em Administração de Empresas, pela UniverCidade em 2004; Especialização em Marketing de Transportes, pela ESPM em 2009; atuando na área administrativa da empresa Transportes Santa Maria desde

21 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA 1 INTRODUÇÃO É necessário um transporte público eficiente para que haja um desenvolvimento equilibrado e seja garantido o direito de ir e vir do cidadão. Hoje temos um transporte público que não suporta o crescimento e desenvolvimento, pois não houve um planejamento para o crescimento das cidades. E o incentivo para aquisição de veículos particulares (carros e motos) faz com que o trânsito fique totalmente congestionado. Como resposta para este cenário da mobilidade, as autoridades buscam um planejamento para melhorias do transporte público, com o desenvolvimento de novas alternativas. Cidades são uma invenção para maximizar as oportunidades de troca e para minimizar viagens O papel do transporte é ajudar a maximizar as trocas. David Engwicht, escritor e ativista (1999, p. 19) Surge como resposta o BUS RAPID TRANSIT (BRT), sistema de ônibus de qualidade, que realiza uma operação rápida, frequente e de excelência em marketing e serviço aos usuários. De acordo com Vasconcelos (2001), a mobilidade requer uma maior representação social, ou seja, o cidadão ter direito ao acesso à educação, à saúde, ao lazer e ao trabalho. O BRT é também conhecido como: Sistema de ônibus de alta capacidade; Sistema de ônibus de alta qualidade; Metrô-ônibus; Metrô de superfície; Sistema de ônibus expressos; Sistema de corredores de ônibus. Apesar de ter inúmeros nomes, o BRT é um serviço que vem competir com carros particulares e com custos acessíveis. Ou seja, o BRT se parece com o serviço convencional de ônibus. As citações que veremos sugerem que o BRT seja muito parecido com o sistema de ferrovia. 21

22 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos BRT é um modo de transporte público sobre pneus, veloz e flexível, que combina estações, veículos, serviços, vias e elementos de sistema inteligente de transporte (ITS) em um sistema integrado com uma forte identidade positiva que evoca uma única imagem. (Levinson et al., 2003, p. 12) BRT é um transporte público de alta qualidade, orientado ao usuário, que realiza mobilidade urbana rápida, confortável e de custo eficiente. (Wright, 2003, p. 1) BRT é um modo de transporte rápido que consegue combinar a qualidade dos transportes férreos e a flexibilidade dos ônibus. (Thomas, 2001). O BRT é composto por um corredor exclusivo para ônibus e, embora algumas cidades adotem este modelo, nem sempre alcançam o objetivo de eficiência e eficácia do BRT, pois existe diferença entre faixas e vias de ônibus. Faixas de ônibus são reservadas principalmente para veículos de transportes públicos, separados por faixas pintadas, demarcadas e sinalizadas, de modo permanente ou apenas em determinado horário. Normalmente são permitidos veículos particulares próximos aos pontos de conversão. Vias de ônibus são faixas separadas fisicamente, permanentes e exclusivas a veículos de transportes públicos. Esta separação é feita por muros, guias, cones ou outro tipo de estrutura bem definida. E qualquer outro tipo de veículo é terminantemente proibido de acessar essas vias. Elas podem estar no nível superficial, elevadas ou enterradas, porém, ao encontrar o tráfego misto, costumam ficar localizadas no canteiro central. E é neste sistema que consiste a infraestrutura do BRT, ou seja, via de ônibus. Além das vias exclusivas, temos as novas ideias que são citadas por Jaime Lerner Arquitetos Associados (2009, NTU): O uso de terminais de integração fechados, para permitir a operação ordenada de poucas linhas de alta frequência na via exclusiva (operação tronco-alimentadora). A oferta, nesses terminais, de novas opções de viagem, tais como linhas diretas e linhas interbairros, evitam o centro do congestionamento, criando o conceito de rede integrada. O uso de veículos maiores aumentando a capacidade chegando ao ônibus biarticulado de 25m (270 passageiros). 22

23 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA Figura 1 Modelo BRT Transoeste. Figura 2 Interior do Modelo BRT. O uso das estações de linhas tubo, para realizar o embarque dos passageiros em nível, feito por portas múltiplas e com pagamento antecipado, aumentando o conforto e a segurança e reduzindo o tempo médio das paradas. Figura 3 Estação de Passageiros BRT. A adoção de linha direta ( ligeirinhos ) entre terminais de integração e pontos de grande concentração de destinos, aumentando a velocidade comercial do sistema. O uso de portas na lateral esquerda, para facilitar a integração e operações nas estações centrais. A prioridade nos cruzamentos, controlando os semáforos. Para conseguir um sistema de capacidade e de velocidade, é necessário um conjunto de características para o projeto operacional, que incluem ações variadas, assim como serviços e verificação de bons espaços nas estações, para que as plataformas sejam construídas de forma a ajudar o deslocamento de passageiros. 23

24 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos OBJETIVO Diante desse contexto, o objetivo deste artigo é a contribuição do BRT para a mobilidade urbana. ABRANGÊNCIA A cidade do Rio de Janeiro. RELEVÂNCIA Nos dias de hoje, algo que incomoda a todos é a mobilidade urbana, por isso analisar o BRT e suas contribuições para o dia a dia. METODOLOGIA DA PESQUISA Utilizaremos as metodologias bibliográficas e documentais. Não só sobre BUS RAPID TRANSIT (BRT), como sobre MOBILIDADE e crescimento desordenado das cidades. 2 CARACTERÍSTICAS DO BRT BRT é precisamente definido por determinadas características, vistas neste tipo de sistema. Existem elementos básicos para que um sistema seja reconhecido como de BRT, e é isto que veremos a seguir: a) Infraestrutura física Vias de ônibus separadas ou faixas exclusivas, predominantemente no canteiro central da via; Existência de uma rede integrada de corredores e linhas; Estações modernas que apresentam instalações de conforto, segurança e abrigo contra intempéries; Estações que propiciam acesso em nível ao veículo (sem degraus); Estações especiais e terminais que facilitam a integração física entre linhas troncais e serviços alimentadores e outros sistemas de transporte de massa; Melhoramentos no espaço público próximo ao sistema BRT. 24

25 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA b) Operações Serviços rápidos e frequentes entre as principais origens e destinos; Ampla capacidade para demanda de passageiros ao longo do corredor; Embarques e desembarques rápidos; Cobrança e controle de pagamento antes do embarque; Integração tarifária entre linhas, corredores e serviços alimentadores. c) Estrutura institucional e de negócios Entrada no sistema restrita a operadores específicos, sob uma estrutura administrativa e de negócios reformada; Licitação competitiva e processos completamente transparentes na premiação de contratos e concessões; Gerenciamento eficiente, resultando na eliminação ou minimização de subsídios do setor público para a operação do sistema; Sistema de cobrança de tarifas operado e gerenciado por entidade independente; Fiscalização do controle de qualidade por uma entidade/agência independente. d) Tecnologia Tecnologias veiculares de baixas emissões; Tecnologias veiculares de baixos ruídos; Cobrança e verificação de tarifas automatizadas; Sistema de gerenciamento por controle centralizado, utilizando aplicações de Sistemas de Tráfego Inteligentes (ITS), como localização automática de veículos; Prioridade nos sinais de trânsito ou separação física nas interseções. e) Marketing e serviço ao usuário Sistema com identidade de mercado distinta; Excelência em serviços ao usuário e oferecimento de utilidades que lhes são essenciais; Facilidade de acesso entre o sistema e demais opções de mobilidade urbana (caminhadas, bicicletas, táxis, transportes alternativos, motorizado particular, etc.); Providências específicas para facilitar o acesso de portadores de necessidades especiais como crianças, idosos e pessoas com deficiência física. 25

26 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos 3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DO BRT Devemos ter uma visão geral da estrutura e conteúdos para um plano de BRT, por mais que busquemos informações nos sistemas já existentes (Curitiba, Bogotá, México...). Devemos nos preocupar com a particularidade de cada cidade, em função de locais, cultura... Por isso, o BRT deve ser adequado a cada localidade, verificando as necessidades reais. Normalmente, ao fazer um estudo de viabilidade, vêm à tona as análises racionais e um conjunto de soluções e intervenções para melhorar a MOBILIDADE URBANA. Só assim poder-se-á argumentar e convencer o poder público (tomador de decisões). Quanto mais o poder público estiver envolvido, mais rapidamente deverão os planejadores do BRT fornecer informações, dados, para que este tome suas decisões. Algumas vezes, é necessário fazer uma detalhada análise de benefícios-custo, para que o poder público viabilize os gastos, ou seja, verifique se o projeto de BRT está dentro do orçamento. I. Preparação Início Opções tecnológicas Organização de projeto Geração de ideia Comprometimento político Formalização da visão Introdução a alternativas Critério de seleção Tomada de decisões Equipe/gerentes de projeto Escopo e prazos de projeto Orçamento de planejamento Análise de demanda Seleção de corredores Comunicações Levantamento de dados Esboço do sistema Método de modelagem completa Identificação de corredores Análise de corredores Opções por vias estreitas Quadro de comparações Análise de participantes Operadores atuais Agentes públicos Participação pública Projeto Operacional Projeto de rede e linhas Sistemas aberto-fechados Opções de serviços Desenho de linhas Análise de demanda Avaliação de interseções Restrição de conversões Conversões do corredor Prioridade semafórica Capacidade e velocidade Capacidade requerida Tamanho dos veículos Interface veículo-estação Seleção de corredores Informação ao cliente Profissionalismo do sistema Segurança Instalações para conforto 26

27 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA II. Projeto Construtivo Infraestrutura Vias Estações Terminais e garagens Custos de infraestrutura Tecnologia Tecnologia veicular Cobrança ITS III. Integração Integração modal TDM e uso de solo Pedestres Bicicletas Táxis etc. Restrição de automóveis Plano de uso de solo IV. Plano de negócios Estrutura de negócios Modelo de negócios Mudança estrutural Organização institucional Custeio e financiamento Opções de financiamento Público Privado Operacional Itens do custo operacional Distribuição de faturamento Preço da tarifa Publicidade Nome do sistema Logo e slogan Estratégias para campanhas V. Implementação Impacto no tráfego Avaliação Econômica, ambiental, social, urbana Plano de implementação Plano de construção Plano de contratação 27

28 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos 4 COMPONENTES DO PLANEJAMENTO DO BRT As principais atividades do processo de realização do BRT: Estudo de viabilidade - primeiro estudo para documentar as opções de melhoria das condições de transporte público da cidade. O estudo de viabilidade objetiva a demonstração de exequibilidade financeira, institucional e física de uma alternativa específica de transporte público; esta fase frequentemente envolve uma análise de custo-benefício. Modelo de demanda - A atual demanda de transporte nos principais corredores de interesse da cidade é documentada. Análise dos agentes participantes (stakeholders) e plano de comunicação - No início do projeto, um plano de comunicação para os agentes participantes principais, como os operadores existentes, deve ser elaborado. Estudo conceitual - Operações, infraestrutura, integração modal, tecnologia, estrutura institucional e de negócios, custeio e financiamento. O projeto conceitual é uma breve visão geral de cada um dos principais componentes de planejamento. A ideia é cobrir rapidamente cada aspecto do projeto, de forma a prover uma visão geral antes do comprometimento de mais recursos de planejamento. Análise de impacto do Plano de BRT detalhado - operações, infraestrutura, integração modal, tecnologia, custo o núcleo do planejamento do BRT consiste no processo de especificações técnicas e de projeto. Igualmente, o detalhamento das estruturas institucionais e de negócios, junto com análises de custos, é essencial para assegurar a viabilidade financeira do sistema. Plano institucional e de negócios - Este plano estabelece as relações estruturais entre os setores público e privado. O plano de negócios ajuda a assegurar que o sistema seja financeiramente viável do ponto de vista operacional. Projeto de engenharia detalhado - Uma vez que o corpo do projeto de BRT é aprovado, uma análise altamente detalhada de cada componente físico é conduzida, cada metro de infraestrutura viária é projetado em detalhe. Plano financeiro - Uma análise completa de custos é feita, as necessidades financeiras exatas se tornam conhecidas e podem ser completamente viabilizadas. Plano de marketing - É elaborado plano de marketing para o desenvolvimento do nome e da logo do sistema e campanha de divulgação ao público. Análises de impacto - Uma vez que o plano técnico final é aprovado, análises mais precisas dos impactos de tráfego, econômicos, ambientais, sociais e urbanos podem ser feitas. 28

29 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA Plano de implementação - À medida que o projeto se move em direção à implementação, contratos de construção e prazos de execução devem ser desenvolvidos. 5 BENEFÍCIOS DO BRT Destacam-se o custo relativamente baixo, assim como a rapidez quanto à implementação. Temos ainda outros benefícios: Economia de tempo de viagem faixas exclusivas e estações com embarque em nível e pré-pago, gerando um considerável ganho de tempo. Economia de custo operacional maior produtividade por unidade, menos capital na frota a remunerar, menor quantidade de pessoas e ainda um menor custo de combustível. Atração de novos passageiros redução de uso de automóveis e motocicletas, pois o BRT atrai uma demanda reprimida. Meio ambiente uma frota renovada, com tecnologia moderna e redução da emissão de poluentes, pois um transporte eficiente e com uma menor quantidade de ônibus nas ruas emite menos poluentes. Fontes alternativas de energia a concentração de demanda em eixos preferencias permite o uso de fontes alternativas de energia. Para o usuário, passam a existir várias opções, com números de transferências reduzidas. Tendo assim o serviço EXPRESSO e o serviço de PARADAS REDUZIDAS, que geram ganhos relevantes de tempo. 29

30 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos 6 CUSTO x BENEFÍCIO DO BRT O custo do BRT é 20 vezes menor do que o de um sistema de bondes ou de veículos leves sobre trilhos (VLTs), e de 10 a 100 vezes menor do que o do metrô. Veremos agora uma simulação do custo e dos benefícios resultantes da implementação do BRT: Investimentos 20 km de via (concreto) R$ 60 milhões 6 terminais de integração R$ 60 milhões 30 estações intermediárias R$ 16 milhões Controle de sinalização Total de investimento público Total de investimento privado R$ 4 milhões R$ 140 milhões R$ 80 milhões Benefícios Passageiros beneficiados Capacidade inicial por eixo Intervalo Velocidade operacional Velocidade sistema convencional Benefícios Ganho custo operacional ( pessoas) passageiros/h 2 minutos (parador e direto) 20 km/h (parador) e 35 km/h (direto) média 27,5 km/h 17 km/h, tendendo a diminuir pelo crescente congestionamento das vias Ganho de 26 minutos por dia por pessoa = 65 mil h/dia R$ ,00/dia, em relação a um sistema convencional. Fonte: Jaime Lerner Arquitetos Associados (2009, NTU) A partir da análise de custo e beneficio é possível estimar o custo do BRT, o seu alcance em termos de pessoas beneficiadas e como financiar a sua construção e operação. 30

31 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA 7 CONCLUSÕES É necessário que se tenha uma visão mais clara sobre os impactos do BRT, no atual sistema de transportes, para assim preparar o usuário (motoristas, taxistas, passageiros etc.) sobre as alterações que acontecerão no tráfego, e estes perceberão a melhora na qualidade de vida, com a diminuição de congestionamento, poluição, entre outras vantagens. Afinal, o objetivo do BRT é melhorar a velocidade e a capacidade do transporte público, e, simultaneamente, melhorar a condição de automóveis, ciclistas e pedestres. Por fim, a separação dos veículos de transportes públicos do tráfego misto e as melhorias nas travessias de pedestres e na sinalização são medidas empregadas para fazer um novo sistema de transportes públicos funcionar de forma eficiente, o que também proporcionará maior segurança de trânsito, gerando redução no número de acidentes, tanto de veículos como de pedestres. 8 PROJETOS FUTUROS Após conhecermos o BRT, verificamos que ainda temos muito o que aprender, para termos uma melhora constante e contínua para a MOBILIDADE URBANA. Principalmente por causa do crescimento da economia (facilidade de compra de automóveis), do crescimento urbano os trabalhadores ficam cada vez mais longe do centro, e de eventos futuros, como, no caso do Rio de Janeiro, a Olimpíada de 2016 e a Copa de RESUMO EXECUTIVO Com o crescimento desordenado das cidades e o incentivo à aquisição de veículos (transportes individuais), faz-se necessário um estudo para que haja uma melhora na mobilidade urbana, isto é feito principalmente através de análises e planejamento. Por causa da falta de mobilidade urbana, surgem alguns problemas como: os congestionamentos aumentam a poluição no ambiente, com a liberação de CO2; aumenta o estresse das pessoas que se veem paradas em congestionamento ou não encontram vagas para estacionar seus carros. O BRT é um sistema de ônibus de qualidade, que realiza uma operação rápida, frequente e de excelência em marketing e serviços aos usuários. 31

32 MBA em Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos Verifica-se que ainda temos muito a aprender em termos de melhora constante e contínua da mobilidade urbana, principalmente por causa do crescimento urbano. Antes de implantar o BRT, é necessário fazer um estudo de viabilidade, tendo em vista que mudanças são necessárias, não só em vias, como também nos ônibus que irão circular no BRT, pois só após contar com essas informações o poder público deve tomar a decisão de implantar o sistema. O Brasil passa por um momento de grande importância, voltando a investir no setor de transportes urbanos, após um período de ausência. Destacamos ainda o projeto de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana e investimentos por conta dos eventos a serem realizados, como a Olimpíada 2016 e a Copa QUESTÕES PARA REFLEXÃO 1. O que influi na Mobilidade Urbana? 2. Como saber se o Bus Rapid Transit (BRT) é adequado para a cidade? 3. Quais os benefícios do BRT? 5. O que mais pode ser feito para melhorar a Mobilidade Urbana? 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ENGWICHT, David, Street Reclaiming Creating Livable Streets and Vibrant Communities, New Society Publishers, EUA, FETRANSPOR, CADERNOS TÉCNICOS DA Caminhos para Mobilidade, LERNER, JAIME ARQUITETOS ASSOCIADOS Avaliação Comparativa das Modalidades Transporte Público Urbano NTU, LEVINSON, H., ZIMMERMAN, S., CLINGER, J., RUTHERFORD, S., SMITH, R., CRACKNELL, J., AND SOBERMAN, R., Bus Rapid Transit, Volume 1: Case studies in bus rapid transit, TCRP report 90. Washington: US TCRP, MANUAL DO BRT Lloyd Wright 3ª edição Ministério das Cidades, MOBILIDADE & CIDADANIA ANTP São Paulo, PLANMOB, Construindo a Cidade Sustentável Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana - Ministério das Cidades,

33 01 A CONTRIBUIÇÃO DO BRT PARA A MOBILIDADE URBANA RABAÇA, SILVIO 100 Anos de Ônibus no Rio de Janeiro Caligrama Rio de Janeiro, REVISTA DOS TRANSPORTES PÚBLICOS 87 ANTP Ano 22. 2º Trimestre, THOMAS, E., Presentation at Institute of Transportation Engineers Meeting, Chicago (August), VASCONCELLOS E., Urban transport, environment and equity: The case for developing countries. London: Earthscan, WRIGHT, Kathy Baker, Quality of Life, Self-Transcendence, Illness Distress, and Fatigue in Liver Transplant Recipients, Dissertation, The University of Texas at Austin, EUA,

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