Potencial Germinativo De Sementes De Moringa oleifeira Em Diferentes Condições De Armazenamento

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1 Potencial Germinativo De Sementes De Moringa oleifeira Em Diferentes Condições De Armazenamento Kyvia Pontes Teixeira das Chagas (1) ; Ciro de Oliveira Ribeiro (2) ; Hanieri Alves da Silva (3) ; Luan Henrique Barbosa de Araujo (4) ; Fábio de Almeida Vieira (5) (1) Graduanda em Engenharia Florestal; UFRN/ Universidade Federal do Rio Grande do Norte; (2) Graduando em Engenharia Florestal; UFRN/ Universidade Federal do Rio Grande do Norte; (3) Graduando em Engenharia Florestal; UFRN/ Universidade Federal do Rio Grande do Norte; (4) Graduando em Engenharia Florestal; UFRN/ Universidade Federal do Rio Grande do Norte; (5) Professor; UFRN/ Universidade Federal do Rio Grande do Norte; RESUMO A espécie arbórea Moringa oleifera Lam., pertencente a família Moringaceae, é originária da Índia. Apresenta inúmeras utilizações, sendo seu principal produto o óleo extraído das sementes. Esse estudo teve como objetivo verificar se as sementes possuem dormência mecânica, e se diferentes formas de armazenamento interferem no vigor das sementes. O experimento foi realizado em delineamento ao acaso, em esquema fatorial de 2 (condições de armazenamento) x 2 (método de escarificação), totalizando quatro tratamentos de cinco repetições de 10 sementes cada. As condições de armazenamento foram Campo (condições normais do ambiente) e Banco de Sementes (Frascos), e o método de escarificação foi a retirada do tegumento e o Controle (sem escarificação). As sementes foram posteriormente semeadas em substrato areno-orgânico, na proporção 3:1, em casa de vegetação. Ao décimo quinto dia as sementes se estabilizaram e viu-se que elas não possuem dormência, somente um estado de quiescência. As sementes provenientes do banco de sementes apresentaram melhor desempenho de germinação. Constatou-se que a escarificação não exerceu influência significativa e que as sementes de laboratório apresentaram melhor conservação durante o armazenamento, tendo assim maior velocidade e maior porcentagem de germinação. As sementes de campo provavelmente sofreram influência de fatores externos, como ação de micro-organismos e intemperismo que determinaram negativamente a germinação das sementes. Palavras-chave: Moringa, Escarificação, Vigor. INTRODUÇÃO Moringa oleifera, Moringaceae, é uma espécie florestal originária da Índia, que atualmente é encontrada em diversas áreas do mundo, com inúmeras utilizações (PEZZAROSSI, 2004). É conhecida popularmente como lírio branco, quiabo de quina ou acássia branca (BEZERRA et al., 2004). Da sua semente se extrai um óleo em qualidade comparada ao de azeite de oliva. A seiva é - Resumo Expandido - [1001] ISSN:

2 considerada medicinal e tem alto valor comercial. Além disso, há estudos que relatam o potencial da semente para extração de óleo para a fabricação de biodiesel, como foi observado por Serra (2007), em seu trabalho sobre a obtenção de biodiesel metílico a partir do óleo da Moringa. Sua vagem pode ser cozida e se iguala ao aspargo ou a vagens do feijão. As folhas são comestíveis e usadas para fazer chá, além de possuírem um elevado potencial nutricional, apresentando quatro vezes mais cálcio que o leite, três vezes mais potássio que a banana e sete vezes mais vitamina C que a laranja (PEZZAROSSI, 2004). Em geral, esta espécie apresenta um rápido crescimento, podendo frutificar em seu primeiro ano de vida. Sua propagação pode ocorrer por meio de sementes, estacas ou mudas (OKUDA et al., 2001). No estágio adulto, a planta tem, em média, 25 cm de diâmetro e podendo alcançar os 40 cm. Em sua maioria, são árvores de pequeno porte, porém podem atingir os 15 m de altura (MARTIN & RUBERTE, 1975). Diversos fatores podem alterar e interferir na germinação. Locais que apresentam grande sazonalidade, por exemplo, dificultam o crescimento das plantas, que acabam crescendo com diferentes velocidades no decorrer do ano (RAVEN et al.,2007 ). Uma vez dispersado pela planta mãe, a semente é um individuo autônomo que enfrenta uma grande variedade de fatores e condições ambientais: alguns desses podem até interromper definitivamente seu processo de germinação. Existem algumas espécies que apresentam mecanismos de controle da germinação, ocorrendo uma suspensão temporária do processo germinativo em decorrência de uma determinada condição externa, ou algum fator interno que interfira no processo, esse processo é denominado período de latência metabólica (FERREIRA & BORGHETTI, 2004). Com isso, muitos autores chamam de quiescentes as sementes que germinam com a disponibilização dos elementos básicos como água, temperatura e oxigênio. Já as sementes dormentes precisam de um elemento a mais que esses básicos como, por exemplo, embebição, escarificação, entre outros. (FERREIRA & BORGHETTI, 2004). Basicamente existem dois tipos de dormência: a primária e secundária. Dormência primária ocorre quando a semente em condições favoráveis apresenta-se dormente, devido às questões fisiológicas. Nesse caso são aplicadas técnicas de escarificação que consistem em romper o tegumento da semente de forma que a dormência seja superada. A dormência secundária ocorre quando a semente se encontra em um ambiente desfavorável para a germinação. Elementos químicos e físicos como disponibilidade de água, temperatura e concentração de oxigênio causam o estado de dormência da semente (FERREIRA & BORGHETTI, 2004). Todas as sementes possuem um período de vigor, seja em condição de armazenamento ou em estado de dormência. Entretanto os fatores podem influenciar de diferentes formas dependendo da espécie florestal. Assim, o presente estudo visa elucidar aspectos relacionados à propagação da moringa, espécie promissora para a região Nordeste devido a fácil adaptação ao clima e solo locais. Para tanto, o trabalho teve como objetivos avaliar o potencial germinativo das sementes, verificando se possuem dormência mecânica e se as diferentes formas de armazenamento interferem no vigor. MATERIAL E MÉTODOS Tratamentos e amostragens Foram utilizadas 200 sementes de Moringa (Moringa oleifera), sendo que 100 destas foram coletadas no Horto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e as outras 100 amostradas do banco de sementes do Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Centro de Biociências da UFRN. Em seguida, as sementes coletadas no Horto foram divididas em dois tratamentos com cinco repetições de 10 sementes cada. Os tratamentos foram constituídos por sementes escarificadas (primeiro tratamento) e sementes não escarificadas (segundo tratamento), sendo este o tratamento - Resumo Expandido - [1002] ISSN:

3 controle. A mesma definição dos tratamentos foi realizada para as sementes amostradas do banco de sementes do Laboratório de Biotecnologia Vegetal. Portanto, o experimento foi realizado em esquema fatorial de 2 (condições de armazenamento) x 2 (método de escarificação), totalizando os quatro tratamentos em delineamento ao acaso. A escarificação foi realizada com a retirada do tegumento da semente. O experimento foi conduzido em casa de vegetação do Centro de Biociências da UFRN, onde foram escarificadas e semeadas em substrato arenoso-orgânico, na proporção de 3:1. As sementes foram plantadas em sementeiras de polietileno preto, com capacidade para 200 sementes. Após a semeadura as sementes foram irrigadas e avaliadas diariamente. Análise estatística Foram avaliadas a porcentagem de germinação, o índice de velocidade de germinação (IVG) de todos os tratamentos. Constatou-se que no décimo quinto dia do experimento houve a estabilização da germinação das sementes, sendo, portanto estimados os parâmetros de porcentagem de germinação total e IVG. Os dados foram organizados em planilhas de Excel para em seguida serem realizadas as análises estatísticas necessárias para o estudo, utilizando o programa SYSTAT. Foram realizadas, para cada variável resposta (porcentagem de germinação e IVG) a análise de variância (ANOVA) e o teste de médias. A analise de variância foi realizada com o intuito de verificar se existe uma diferença significativa entre os tratamentos do experimento. Após detectar significância na ANOVA, as médias foram comparadas por meio do teste de Tukey a 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO A espécie em estudo mostrou ser quiescente, germinando rapidamente (cinco dias), quando em contato com fatores essenciais. As sementes possuem características fisiológicas e morfológicas que devem ser levadas em consideração quando se estudam os bancos de sementes no solo. A semente deve ser encarada como um mecanismo de proteção ao embrião. Este, quando se encontra em locais e situações desfavoráveis é impedido de germinar. (RAVEN et al., 2007). Constatou-se, com base nos valores obtidos, que as sementes que foram escarificadas não apresentaram diferenças significativas em relação as sementes que não foram escarificadas, tanto para a porcentagem (Figura 1) quanto para o IVG (Figura 2). Entretanto, constatou-se que as sementes do banco de sementes apresentaram porcentagem de germinação e IVG significativamente maior. - Resumo Expandido - [1003] ISSN:

4 Figura 1: Porcentagem de sementes germinadas por tratamentos. Figura 2: IVG das sementes de moringa. Uma explicação para a menor germinação das sementes do campo é que por se encontrarem em condições ambientais naturais, elas estão susceptíveis a mudanças climáticas e a fenômenos biológicos. Dessa forma, é possível que estas sementes tenham sofrido uma perda de viabilidade em decorrência de predação, danos físicos e ação de micro-organismos, que ocasionaram uma inibição da germinação. Outra justificativa seria a hipótese da membrana, a qual sugere que a quiescência envolve efeitos, essencialmente da temperatura e da disponibilidade de água nas propriedades estruturais das membranas, alterando sua fluidez e integridade. Já as sementes do banco de sementes permaneceram armazenadas em frascos de vidro e com sua temperatura, luminosidade e umidade controladas, não possibilitando a ação de fatores que pudessem influenciar negativamente sua germinação. Dessa forma, estas apresentaram valores elevados em comparação com as de campo. CONCLUSÕES Sementes provenientes do banco de sementes de laboratório, armazenadas nas condições controladas de temperatura e umidade, apresentaram melhor taxa de germinação e IVG, quando comparadas às sementes que foram coletadas em campo, nas condições ambientais normais. A escarificação não influenciou significativamente a germinação e o IVG, permitindo inferir que a dormência não é imposta pelo tegumento. As sementes coletadas em campo provavelmente devem ter sofrido intemperismo, predatismo ou ação de micro-organismos influenciando negativamente neste processo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEZERRA, A. M. E.; MOMENTÉ, V. G., MEDEIROS, FILHO, S. Germinação de sementes e desenvolvimento de plântulas de moringa em função do peso da semente e do tipo de substrato. Horticultura Brasileira, p , Resumo Expandido - [1004] ISSN:

5 FERREIRA, A., G., BORGHETTI, F. Germinação do básico ao aplicado. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, MARTIN, F. W., RUBERTE, R. M.; Edible leaves of the Tropics. p. 192, Puerto Rico, OKUDA, T.; BAES, A. U.; NISHIJIMAM, W.; OKADA, M.; Coagulations mechanism of salt solution-extracted ative component in Moringa Oleifera seeds. Water Resesrch, p , 2001 PEZZAROSSI, K. B. S.; Contenido de protteína y aminoácidos, y generración de descriptores sensoriales de lós tallos, hojas y flores de Moringa oleifera Lam. Cultivada em Guatemala; p.45, Guatemala, RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORRN, S. E Biologia Vegetal. 5ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, SERRA, T. M.; SILVA. J. P.; SANTOS I. C.; MENEGHETTI. M. R.; MENEGUETTI. S. M.; WOLF. C. R.; GOSSMANN. M.; Obtenção do biodiesel metílico a partir de óleo de Moringa Oleifera em presença de catalisador básico e ácido. Sociedade Brasileira de Química, Canoas, p. 1-2, Resumo Expandido - [1005] ISSN:

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