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1 boletim trimestral_associação Portuguesa de Seguradores» Julho, Agosto e Setembro 28» ARTIGO DE FUNDO O ERRO FATAL DA SOLVÊNCIA II» NOTÍCIA SIMULADOR DA VALORIZAÇÃO DO DANO CORPORAL» FORMAÇÃO ACADEMIA PORTUGUESA DE SEGUROS A FORMAÇÃO EM NÚMEROS

2 notícias FICHA TÉCNICA Ano 6» nº22 Título APS Notícias A realização em 8, 9 e de Outubro das Jornadas Portugal Seguro é, para nós seguradores, um desafio aliciante. Durante dois dias e meio vamos ouvir como um número significativo de especialistas em variadíssimas áreas do conhecimento nos vê, analisa a nossa actividade e os nossos comportamentos. Em resumo, vamos ouvir a sociedade. Os temas escolhidos não esgotam todos os aspectos que merecem essa audição e auscultação. Mas pareceram-nos, nas actuais circunstâncias, aqueles que mais podem influenciar o futuro dos nosso sistema segurador e os seus principais interventores. Permito-me sublinhar a adesão e o interesse em participar por parte de todos os oradores. Pessoas de grande conhecimento nas matérias que vão apresentar, serão uma fonte imprescindível para que a inovação e o progresso continuem a ser objectivos de todos os intervenientes no sistema segurador português. É assim expectável que este evento seja uma oportunidade para todos os responsáveis das empresas seguradoras projectarem um conjunto de objectivos, políticas e acções que permitam melhor servir os nossos clientes e todos aqueles que com elas interagem seja no tipo de produtos, na gestão dos sinistros, nos processos de comunicação, nos modelos de transparência e de conduta e nos modelos de negócio. Num momento particularmente difícil mas também cheio de oportunidades positivas de mudança, temos a sincera esperança que as Jornadas Portugal Seguro 28 possam ser uma pequena mas significativa ajuda na construção dum futuro positivo para a nossa actividade. Se assim acontecer a APS e os Seguradores terão cumprido os seus objectivos e o seu dever. Pedro Seixas Vale Presidente do Conselho de Direcção da APS Editor Associação Portuguesa de Seguradores Director Maria Manuel Santos Silva Coordenação e Contactos Ana Horta Carneiro Ana Margarida Carvalho Periodicidade Trimestral Projecto Gráfico Ruído Visual, Lda Depósito Legal ISSN Impressão Ondagrafe Nº de exemplares 4 Data de publicação Outubro 28 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ÀS ASSOCIADAS ASSINATURA ANUAL» EURO 72 (IVA INC.) Rua Rodrigo da Fonseca, Lisboa Tel: Fax: MEMBRO da PIA Presse Internationale des Assurances 2» Associação Portuguesa de Seguradores

3 notícias NOTÍCIAS» Jornadas Portugal Seguro... 2» Seguros de vida ligados ao Crédito à Habitação... 4» Simulador do Dano Corporal... 4» Hazard and Risk Science Review » Norma sobre diferenciação em razão do sexo... 6» Directiva do Resseguro - Projecto de Decreto-lei de transposição... 7» APS celebra protocolo com a Brisa... 7» APS e Entrajuda promovem acção de formação... 8 ARTIGOS DE FUNDO» O erro fatal da solvência II...» A fraude nos seguros - lutando pela transparência... 4» ECSI - resultados » A Swiss Re recomenda novas formas de parcerias público-privadas para enfrentar as adaptações climáticas... 7 Pág» 7 Protocolo entre a APS e a Brisa ACTIVIDADE SEGURADORA... 8 SERVIÇOS APS» FNM - Ficheiro Nacional de Matrículas... 2» Estatística mensal de acidentes e vítimas no seguro automóvel... 2» CRS - Convenção de Regularização de Sinistros... 2» GPCV - Gabinete Português de Carta Verde... 22» IDS - Indemnização Directa ao Segurado... 22» Segurnet FORMAÇÃO» Formação em números... 24» Calendário de formação Pág» 4 Lutando pela tranparência NOVAS PUBLICAÇÕES» Relatório de Mercado ESCAPARATE» The European Health Insurance Market in » The Handbook of Country Risk 26-27: A Guide to International Business and Trade... 27» Smart Enough Systems: How to Deliver Competitive Advantage by automating Hidden Decisions ÚLTIMA HORA» Conferências sobre a Segurança Social Pág» 6 Pág» 26 Relatório de Mercado 27 Associação Portuguesa de Seguradores «3

4 notícias SEGUROS DE VIDA LIGADOS AO CRÉDITO À HABITAÇÃO A APS tomou conhecimento de um projecto de Decreto-lei em preparação tendo em vista a criação de medidas de tutela do mutuário no crédito à habitação respeitantes à renegociação das condições dos empréstimos e à respectiva mobilidade. Tendo objectivos mais amplos relacionados com a actividade bancária, o referido projecto de Decreto-lei consagrava também expressamente a garantia de que a transferência do crédito entre instituições de crédito não prejudica a validade do contrato de seguro subjacente, sem prejuízo da substituição do beneficiário da apólice pela nova instituição mutuante. Ainda segundo o respectivo preâmbulo, procurava- -se assim obviar à prática comum de associar a mobilidade do empréstimo à celebração de novo contrato de seguro ( ), que tem vindo a revelar- -se um dos obstáculos remanescentes à efectiva mobilidade dos créditos. Praticamente sem alterações em relação a esta versão, e sem que a APS tenha sido consultada, o correspondente Decreto-lei foi publicado no dia 26 de Agosto (Decreto-lei nº 7/28), entrando em vigor 3 dias após esta data. SIMULADOR DE VALORIZAÇÃO DO DANO CORPORAL O Decreto-lei nº 29/27, de 2 de Agosto, que aprova o regime jurídico do sistema do seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel estabelece que as seguradoras devem apresentar aos lesados com danos corporais uma proposta razoável de indemnização, efectuada de acordo com os critérios e valores orientadores fixados na nº Portaria 377/28, de 26 de Maio. Considerando que o estabelecimento deste conjunto de regras e princípios vem introduzir alterações significativas ao nível da valorização do dano corporal, que importa sejam compreendidas pela sociedade, em especial pelos lesados, seus representantes e tribunais, a APS entendeu criar e disponibilizar publicamente um simulador que, assentando nos critérios e valores orientadores fixados na referida Portaria, permite estimar os valores da proposta razoável de indemnização a apresentar aos lesados em caso de incapacidade e morte. O sistema de informação de Valorização do Dano Corporal é assim um simulador que consubstancia os critérios para os procedimentos de proposta razoável, em particular quanto à valorização do dano corporal. O acesso deste sistema ao público em geral pretende democratizar e tornar tangível o diploma e as actuais regras vigentes em relação à construção da proposta razoável, salvaguardando a defesa dos interesses das vítimas dos acidentes de viação. Em termos tecnológicos, trata-se de um sistema segundo a filosofia WEB 2., com um elevado grau de interactividade com o utilizador final. Adicionalmente, e como forma de salvaguardar a confidencialidade da informação introduzida, o sistema não armazena qualquer tipo de informação. O referido simulador está assente sobre uma base de configuração dinâmica, o que permite adaptações céleres às alterações dos valores de referência aplicáveis. Desta forma, o sistema minimiza as necessidades de esforço adicionais para acomodar a actualização das regras legislativas. Este simulador será brevemente disponibilizado no site da APS. 4» Associação Portuguesa de Seguradores

5 notícias HAZARD & RISK SCIENCE REVIEW 28 A quinta edição da publicação anual Hazard & Risk Science Review foi apresentada no passado dia 9 de Setembro, no decorrer do Encontro de Resseguro de Monte Carlo. Elaborada e editada pelo Professor Bill McGuire e por Stephen Edwards e Harvey Rodda do Benfield UCL Hazard Research Centre (BUHRC), e co-patrocinada pelo Benfield Group e pela PartnerRe, a Hazard & Risk Science Review 28 reúne mais de 8 artigos científicos publicados nos últimos 2 meses, focando quatro grandes áreas dos riscos da natureza de grande relevância para o (res)seguro catastrófico os riscos atmosféricos, geológicos e hidrológicos e as alterações climáticas. Na sequência do impacto devastador do ciclone Nargis na Birmânia, no início deste ano, a Hazard & Risk Science Review 28 apresenta um resumo detalhado do grande número de pesquisas sobre os riscos atmosféricos recentemente efectuadas. A Review revisita, em particular, o continuado debate sobre a relação entre a actual actividade dos ciclones tropicais e as alterações climáticas, devido ao aumento da temperatura da água do mar. São também revistos alguns artigos recentes sobre as regiões expostas aos riscos sísmicos, à luz do recente terramoto de Sichuan, na China. A lista dos tópicos abordados na Review inclui:» as últimas pesquisas sobre a sismicidade no Japão, na Califórnia e na Turquia; O Professor Bill McGuire, Stephen Edwards e Harvey Rodda trabalharam com especialistas em catástrofes naturais e modelos do Benfield e da PartnerRe para rever um extenso leque de trabalhos publicados nas principais revistas científicas, incluindo a Nature, a Science, o Journal of Applied Meteorology and Climatology e a Geophysical Research Letters, tendo identificado e seleccionado um conjunto de artigos considerados da maior relevância para o mercado de (res) seguro global. Desde o seu lançamento em Monte Carlo, em 24, foram distribuídas mais de 2. cópias das quatro primeiras edições da Review. A edição deste ano da The Hazard & Risk Science Review está disponível online em: a relação entre as zonas de falhas geológicas e os sismos;» relatórios sobre as inundações do Verão de 27 no Reino Unido, incluindo recomendações para a futura gestão dos riscos;» a melhoria da avaliação do risco de tsunamis no Mediterrâneo;» a aceleração do degelo do Oceano Glacial Árctico e dos mantos de gelo da Gronelândia e da Antárctida. A propósito desta edição, Stephen Edwards comentou que: A publicação anual Hazard & Risk Science Review proporciona uma síntese dos diversos artigos de pesquisa científica sobre o risco editados ao longo de um ano. Uma vez mais, os autores esperam que as descobertas apresentadas na Review de 28 alarguem a capacidade de conhecimento do mercado relativamente às mais recentes e relevantes pesquisas e que, em consequência, possam ajudar na tomada de decisões negociais globais responsáveis. Associação Portuguesa de Seguradores «5

6 notícias NORMA SOBRE DIFERENCIAÇÃO EM RAZÃO DO SEXO No âmbito de um amplo objectivo de combate à discriminação, foi publicada a Lei nº 4/28, de 2 de Março, que Proíbe e sanciona a discriminação em função do sexo no acesso a bens e serviços e seu fornecimento, transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva nº 24/3/ CE, do Conselho, de 3 de Dezembro. No que respeita aos seguros, e no mesmo sentido das disposições sobre discriminação com base na deficiência e estado agravado de saúde contidas na Lei do Contrato de Seguro, esta Lei nº 4/28 determina que a consideração do sexo não pode, como princípio, resultar em diferenciações nos prémios e prestações de seguros, mas admite estas diferenciações desde que proporcionadas e decorrentes de uma avaliação do risco baseada em dados actuariais e estatísticos relevantes e rigorosos, nos termos a definir por norma regulamentar do ISP. Assim, o ISP preparou um projecto de Norma que vem fundamentalmente definir que, no caso de as empresas de seguros ou sociedades gestoras de fundos de pensões optarem por introduzir ou manter diferenciações nos prémios e prestações individuais de seguros e fundos de pensões privados, voluntários e independentes da relação laboral ou profissional, resultantes da consideração do sexo como factor de cálculo, devem elaborar, actualizar e publicar os rácios do custo do risco entre os sexos e identificar os dados em que basearam a avaliação do risco. Adicionalmente, estabelece várias condições para que os dados actuariais e estatísticos reúnam a qualidade necessária para poderem ser validamente utilizados ( ) na avaliação do risco para efeitos de justificação das diferenciações. A APS teve oportunidade de apreciar e comentar este projecto de Norma que, entretanto, incorporou algumas sugestões da Associação. A posição da APS em resposta a esta consulta pública começa por reconhecer a oportunidade da Norma perante as disposições da referida lei, realça também que não são comuns no nosso mercado (embora existam) produtos de seguros com condições diferenciadas para homens e mulheres e evidencia de seguida algumas preocupações da solução prevista na Norma:» deveria ficar bem expresso que os cálculos actuariais do risco devem servir apenas como limites máximos para a prática diferenciadora dos prémios;» a exigência de publicação do rácio é um requisito que levantará dificuldades objectivas às seguradoras, dado que parte significativa desta informação relevante e rigorosa é fornecida por entidades terceiras ( ) que, naturalmente, não viabilizarão uma divulgação generalizada e pública de informações técnicas que fornecem aos seus clientes ( ). Mais exequível seria uma solução simplificada de informação dos dados aos clientes a quem for aplicada uma diferenciação com base no sexo, sem prejuízo da publicação de dados mais genéricos sobre a diferenciação do risco;» no que se refere à aplicação no tempo da norma prevista no artº 6º, a APS defende que deverá cingir-se aos novos contratos celebrados depois de 2 de Dezembro de 27, como prevê o nº do artigo 5º (Factores actuariais) da Directiva 24/3/CE do Conselho, de 3 de Dezembro de 24, e não abranger toda a carteira de contratos vigentes, como decorre da actual formulação;» ( ) importa que estes requisitos previstos no anexo sejam definidos de forma mais simples e clara para não inviabilizar, de facto, políticas baseadas em diferenciações proporcionadas dos prémios e benefícios individuais, que a legislação comunitária pretendeu salvaguardar e que a legislação nacional ratificou. Ou seja, estes requisitos deveriam antes ser (explicitamente) considerados com um referencial para o mercado, permitindo algum grau de liberdade às seguradoras para, perante as circunstâncias concretas, decidirem pelas soluções mais adequadas e pela melhor comunicação aos diferentes tipos de interlocutores. Basicamente, excluindo a primeira, estas preocupações não foram contempladas na versão definitiva da Norma, entretanto publicada (Norma Regulamentar nº 8/28, de 6 de Agosto). 6» Associação Portuguesa de Seguradores

7 notícias DIRECTIVA DO RESSEGURO: PROJECTO DE DECRETO-LEI DE TRANSPOSIÇÃO Foi aprovado na reunião do Conselho de Ministros do passado dia 28 de Agosto, o Decreto-lei que transpõe a Directiva do Resseguro, aproveitando para integrar também no regime de acesso e exercício da actividade seguradora um conjunto de disposições que visam o reforço da tutela dos direitos dos tomadores de seguros, segurados, beneficiários ou terceiros lesados na relação com as empresas de seguros. Relativamente à transposição da Directiva do resseguro, as consequentes alterações do Decreto-Lei nº 94-B/98 tornam basicamente aplicáveis às empresas de resseguro, com as devidas adaptações, o regime previsto para as empresas de seguro directo. Em paralelo, e conforme o Comunicado do Conselho de Ministros, são reforçados os princípios em matéria de conduta de mercado e introduzidos alguns ajustamentos em matéria de sistema de governo, em linha com as recomendações do FMI no âmbito do Financial Sector Assessment Program realizado em 26. Entre estas alterações, destaca o referido Comunicado as exigências de:» qualificação adequada e idoneidade dos directores de topo;» elaboração e monitorização de um código de ética;» instituição de uma função específica de responsável pela gestão das reclamações dos clientes;» definição de uma política de prevenção, detecção e reporte de situações de fraude nos seguros;» designação do provedor do cliente, a quem competirá apreciar as reclamações dos clientes. Embora a APS não conheça a versão deste diploma aprovada em Conselho de Ministros teve, contudo, oportunidade de apreciar o seu anteprojecto colocado em Consulta Pública pelo ISP e de reunir e endereçar a este institudo um conjunto de comentários em nome do sector, incidindo sobretudo sobre disposições relativas ao sistema de governo e à conduta de mercado, em especial:» directores de topo: entende-se que o ISP poderá formular um juízo ou uma recomendação à administração da seguradora sobre a qualificação ou idoneidade de um director de topo, mas deverá deixar àquela a decisão de manter ou substituir esse director no cargo;» códigos de conduta: não parece razoável pretender impor às associações representativas das empresas de seguros a adopção ou monitorização de códigos de conduta. A intervenção, neste domínio, das associações deve desenvolver-se, quando tal seja julgado conveniente e oportuno, no quadro dos princípios da liberdade associativa;» conduta de mercado, gestão de reclamações, provedores e politicas anti-fraude: não parece razoável a intenção de impor a adopção de conteúdos, ainda que mínimos ou gerais, para essas normas, nem a criação, em todos os casos, de estruturas autónomas. As decisões sobre estas matérias devem competir, com plena autonomia às administrações das empresas;» princípios gerais de conduta de mercado: as empresas de seguros devem definir uma política de relacionamento com terceiros que com ela interagem, clientes ou não, assegurando que a mesma é difundida na empresa e divulgada ao público, adequadamente implementada e o respectivo cumprimento monitorizado;» gestão de reclamações: deve ser clarificado que a gestão de reclamações pode ser feita descentralizadamente, prevendo-se a existência, nesses casos, de um responsável que faça o controlo e monitorização da qualidade do processo;» política anti-fraude: as seguradoras confrontam-se com limitações de natureza legal, relacionadas com a protecção de dados, que as impedem de ser mais eficazes no combate e prevenção desse fenómeno. Por essa razão recomenda-se vivamente que seja prevista a possibilidade de, exclusivamente para esse efeito e dentro de certos limites, poder haver troca e tratamento centralizado de informação;» provedor do cliente: recomenda-se que a criação de provedores seja opcional ou recomendada, mas não imposta às empresas de seguros. APS CELEBRA PROTOCOLO COM A BRISA Considerando que em consequência dos acidentes de viação ocorridos nas auto-estradas são provocados danos nas infra-estruturas (instalações e equipamentos), foi elaborado entre a APS e a Brisa um Protocolo que tem por objectivo simplificar a regularização dos processos de sinistros decorrentes desses acidentes e o rápido ressarcimento dos danos sofridos nas infra-estruturas rodoviárias, por parte das Seguradoras responsáveis. O Protocolo estabelece as regras e os procedimentos a adoptar entre a Brisa e as seguradoras associadas da APS que a ele venham a aderir e é aplicável aos acidentes de viação dos quais resultem danos materiais nas infraestruturas da Brisa, susceptíveis de serem indemnizados ao abrigo de seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel celebrado com seguradoras aderentes. Os danos regularizáveis, bem como a tabela de preços, encontram-se devidamente discriminados no Protocolo e prevê-se a criação de uma Comissão de Acompanhamento a quem caberá resolver eventuais conflitos sobre a interpretação do Protocolo ou definição de valores de danos a indemnizar. A assinatura deste Protocolo teve lugar no dia 3 de Outubro. Entretanto, tendo chegado ao conhecimento de outras concessionárias de auto-estradas a existência deste projecto de Protocolo, outras solicitações estão já a ser avaliadas, em concreto uma da AENOR. Para a APS, será naturalmente importante estabelecer um padrão homogéneo neste tipo de Protocolos, pelo que foi um modelo semelhante ao da BRISA que foi apresentado, como base de trabalho, àquela entidade. Associação Portuguesa de Seguradores «7

8 notícias Nos passados dias 2 de Junho e 5 de Setembro a Associação Portuguesa de Seguradores promoveu em parceria com a Entrajuda duas sessões de formação destinadas a colaboradores de instituições de solidariedade social com o objectivo de esclarecer e clarificar alguns aspectos técnicos ligados aos seguros. Publicamos seguidamente um excerto do Relatório de Avaliação elaborado por aquela instituição sobre a primeira sessão realizada. Desenvolvimento do Programa 4... Interesse do Tema Objectivos da Acção RELATÓRIO DA ACÇÃO DE FORMAÇÃO 28 29% 7% Elevado Alto 4% 4% 72% Elevado Alto Médio APS em parceria com a Entrajuda recebe colaboradores de Instituições de Solidariedade Social Logística Para o apoio logístico a ENTRAJUDA contou com a presença na acção de Elsa Velez, Técnica da Área de Formação ENTRAJUDA Conteúdos da Acção 4% 29% 4% 7% 72% Elevado Alto Médio Duração da Acção 4% 4% 5% 57% Elevado Alto Médio Baixo A Acção de Formação teve na APS ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SEGURADORES, na Rua Rodrigo da Fonseca, nº 4 em Lisboa, que disponibilizou gratuitamente, uma das suas salas de Formação, bem como um dos seus Formadores e um pequeno coffee-break servido a meio da tarde Relevância Exemplos para a Instituição Elevado Material Técnico de Apoio Os Formandos das Instituições presentes receberam uma pasta com a documentação preparada pela APS com a colaboração da ENTRAJUDA, contendo: Programa da Acção, Listagem das Instituições inscritas e respectivos participantes e material didáctico. Avaliação Foram devolvidas fichas de avaliação, com base nas quais se procurou fazer uma análise qualitativa e quantitativa dos indicadores e resultados. 57% 43% Alto 8» Associação Portuguesa de Seguradores

9 notícias Motivação e Expectativas Motivo e Participação % % 78% Elevado Alto Não respondeu Satisfação das Expectativas 33% Elevado Alto 67% e adequados à situação do sector social;» relativamente à motivação e satisfação das expectativas, foram ambas claramente atingidas;» o Formador possui um domínio total do tema, com uma apresentação extremamente clara e acessível, tendo fomentado a participação dos presentes e esclarecido as dúvidas existentes. Comentários & Sugestões» Aumentar a duração da Acção de Formação (todos os Formandos assinalaram a duração da acção de formação como insuficiente). Formador Conclusão Geral Domínio do Tema 4% 86% Elevado Alto Apresentação Clara e Acessível 4% Elevado Alto 86% Esta formação teve como principal finalidade proporcionar a aquisição de conhecimentos gerais sobre riscos e seguros e sensibilizar para os riscos associados às actividades do sector social lucrativo e para as especificidades dos seguros obrigatórios. Os objectivos propostos para esta acção de formação foram atingidos, embora seja notório que o tempo foi insuficiente para o programa em questão. A metodologia utilizada foi Formação participativa em sala, apoiando-se em apresentações de Power Point. Pontos Fortes» clareza da exposição e domínio do tema; Fomentou Participação 4% Esclareceu Dúvidas 4%» a sala de Formação;» número reduzido de participantes;» tema (pouco abordado nas Formações já existentes). Elevado Alto Elevado Alto Pontos Fracos» duração insuficiente. 86% 86% Distribuição Externa O presente relatório pretende ser um instrumento de trabalho e de informação. Destina-se à ENTRAJUDA como ferramenta fundamental na gestão da Formação e às seguintes entidades: Avaliação Global Como Classifica a Acção Análise» Formadora;» Parceiros;» Instituições. 43% 57% Elevado Alto» a Acção de Formação subordinada ao tema SEGUROS foi avaliada globalmente como boa, pertinente e útil, sendo o tema de extrema relevância para as Instituições;» os objectivos gerais foram cumpridos e os conteúdos programáticos adequados;» a duração da formação é insuficiente;» relativamente aos exemplos fornecidos foram relevantes para as Instituições Observações: foi entretanto revista a carga horária, alargando o programa para um dia completo de formação. Elsa Velez Dados referentes à sessão realizada em 2 de Junho. Associação Portuguesa de Seguradores «9

10 artigo de fundo Don Jesus Huerta Soto Presidente e Director Geral da España, SA O ERRO FATAL DE SOLVÊNCIA II O sector dos seguros encontra-se actualmente afundado num processo de reforma legislativa que visa modernizar e ajustar as exigências de solvência das empresas de seguros utilizando os instrumentos mais avançados da teoria financeira e da análise de riscos. Poucos se atreveram sequer até agora a questionar a validade científica dos fundamentos do novo paradigma de Solvência II. Pelo contrário, este foi recebido pela maioria com o alvoroço ingénuo típico dos que sentem um respeito reverencial frente aos modelos com uma aparência complexa e sofisticada, apesar de que o façam apenas pelo temor de mostrar a sua ignorância ao efectuar algum tipo de crítica. E aquela minoria de profissionais os que têm uma formação teórica e prática mais completa que ao menos intuem as graves insuficiências da nova proposta, facilmente caem no derrotismo e aceitam como inevitável a avalanche que se aproxima, conformando-se com a realização de algumas críticas detalhadas ou coerentes, mas sem se atreverem a efectuar pelo menos em público emendas à totalidade do novo sistema (contudo, destaca-se entre nós pela sua coragem José Luis Maestro, 27). Curiosamente, esta situação é paralela à que se tem verificado no sector bancário com as normas de solvência da denominada Basileia II, e também num âmbito muito mais amplo e por isso perigoso para a economia de mercado pois afecta a gestão empresarial de todos os sectores económicos em relação às novas Normas Internacionais de Contabilidade - NIC (Huerta de Soto, 23). E, no entanto, está a surgir uma ampla literatura científica que põe cada vez mais em causa os fundamentos científicos de todo este movimento e se questiona se as novas normas não irão ter uns resultados exactamente contrários aos esperados no que diz respeito à transparência, competitividade, melhoria da gestão e da solvência (assim, entre outros, Zicchino, 26, e Kaplanski e Levy, 27). Defi ciências científi cas do novo modelo Normalmente, desde que um grupo de cientistas, nas suas redomas de vidro universitárias, desenvolve as suas elucubrações e modelos teóricos, até ao momento em que alguns deles acabam por se infiltrar nas actividades económicas do quotidiano (geralmente sob o impulso de poderosos grupos de interesse, como auditores, bancos de investimento, especuladores bolsistas, etc.) costumam passar duas ou três décadas. E, em muitos casos, quando os modelos se transformam em modas cuja prática se quer impor pela força da lei, já se evidenciou a sua falta de fundamentação científica (ainda que a mesma passe desapercebida à desconcertada maioria dos cidadãos). Pois então, foi precisamente isso o que aconteceu aos fundamentos teóricos nos quais se baseiam, em grande medida conjuntamente, Solvência II, Basilea II e as NIC. Em concreto, estes novos desenvolvimentos fundamentam-se na teoria neoclássica das finanças, que surge a partir da segunda metade do século passado e que pelo seu carácter estático, reducionismo formal, irrealidade das suas suposições e concepção errónea do funcionamento do mercado, caiu actualmente em descrédito. A teoria das finanças gira à volta do Capital Asset Pricing Model (CAPM) ou modelo de determinação do preço dos activos financeiros, que se baseia na denominada hipótese de eficiência dos mercados financeiros segundo a qual estes são eficientes em termos estáticos, recolhem de forma perfeita toda a informação disponível em cada momento e se encontram em equilíbrio. Pelo que se introduz o suposto de constância e se acredita que a formação histórica do passado pode extrapolar-se em direcção ao futuro sob a forma de cenários e distribuições de probabilidades previsíveis e constantes, que podem e devem orientar a acção dos agentes económicos.» Associação Portuguesa de Seguradores

11 artigo de fundo E, no entanto, estas suposições são erróneas e falta-lhes o fundamento científico (Huerta de Soto, 25). O mercado em geral, e os mercados financeiros em particular, são processos dinâmicos de criatividade e coordenação empresarial nos quais os empresários descobrem novas oportunidades de lucro todos os dias, isto é, de fazer melhor as coisas para os consumidores, que anteriormente tinham passado desapercebidas a todo o mundo. Um mercado perfeito em termos neoclássicos é, desde logo, uma contradição nos seus próprios termos: o mercado, por definição, nunca está em equilíbrio nem recolhe toda a informação disponível; está, pelo contrário, em constante mudança e desajuste, e faz com que aqueles que nele participam criem e descubram continuamente e de surpresa informação nova sempre subjectiva, e muitas vezes contraditória. Assim, por exemplo, em todas as transacções financeiras há sempre duas partes, uma que compra e outra que vende; a que compra pensa que o preço vai subir e a que vende que vai baixar, pelo que é ridículo falar de um consenso do mercado e de preços objectivos de equilíbrio, pois estes nunca se verificam nos mercados reais, em constante mudança. Confusão entre os conceitos de risco e de incerteza É especialmente perturbadora a grave confusão entre os conceitos de risco e de incerteza implícita em Solvência II. Esta confusão é, além disso, muito paradoxal, pois se há um sector que deve ter muito clara a diferença entre o risco (segurável) e a incerteza (não segurável) é o segurador. A diferença entre ambos os conceitos desaparece totalmente no modelo neoclássico da moderna teoria das finanças, ao supor que a informação é objectiva e ao extrapolar as séries históricas em direcção ao futuro em forma de cenários e distribuições de e que se supõem conhecidos, quantificáveis e constantes. No quadro que se segue, que comentaremos de seguida, resumimos, para relembrar, as diferenças essenciais que existem entre o risco e a incerteza (Huerta de Soto, 26). Quadro Mundo da Ciência Natural» Probabilidade de classe: conhece-se ou pode chegar a conhecer-se o comportamento da classe, mas não o comportamento individual dos seus elementos. 2» Existe uma situação de risco, segurável por toda a classe. 3» A probabilidade é matematizável. 4» Chega-se a ela através da lógica e da investigação empírica. O teorema de Bayes permite aproximar a probabilidade de classe conforme surge informação nova. 5» É objecto de investigação por parte do cientista natural. Mundo da Acção Humana» Probabilidade de caso ou evento único: não existe classe, mas conhecem-se alguns factores que afectam o evento único e não outros. A própria acção provoca ou cria o dito evento. 2» Existe incerteza não erradicável devido ao carácter criativo da acção humana. A incerteza não é, por isso, segurável. 3» Não é matematizável. 4» Descobre-se através da compreensão e estimativa empresarial. Cada informação nova modifica ex novo todo o mapa de crenças e expectativas (conceito de surpresa). 5» Conceito típico utilizado pelo actor-empresário ou pelo historiador. É óbvio que o sector dos seguros cobre riscos tecnicamente seguráveis porque dispõem de informação estatística suficiente no que diz respeito ao comportamento de uma classe de fenómenos homogéneos correspondentes aos da coluna que denominámos mundo da ciência natural (assim, por exemplo, expostos ao risco de falecimento de uma determinada idade numa tabela de mortalidade, número de vivendas de determinadas características que se incendeiam todos os anos, frequência e número médio de acidentes de viação, etc.). Ao contrário, as empresas de seguros, como tais, são entidades que fazem parte do mundo da acção humana (coluna da direita do nosso quadro). E, no campo da acção humana, o futuro é sempre incerto no sentido em que ainda está por fazer e que os actores que vão ser os seus protagonistas apenas têm dele certas ideias, concepções ou Associação Portuguesa de Seguradores «

12 artigo de fundo margem de Solvência II) e as acções concretas que se pretende segurar (gestão mais solvente da empresa de seguros). Isto é, acontece com a empresa de seguros o mesmo que, por exemplo, com as estatísticas de divórcio, que não nos podem dizer nada sobre as possibilidades de êxito de um casamento concreto, facto ou evento único historicamente não repetível cujo sucesso dependerá do maior ou menor esforço dos cônjuges para levar em frente o seu projecto de vida (esforço que seria sem dúvida afectado pela existência de um seguro de casamento que garantisse uma indemnização a cada cônjuge no caso de as coisas correrem mal). Outro exemplo: não faz sentido falar de seguro de falência pois a sua existência tornaria irresponsável o comportamento dos empresários implicados (aumentando, portanto, as possibilidades de falência). Solvência II sem um signifi cado científi co expectativas que esperam tornar realidade através da sua acção pessoal e interacção com outros actores. Além disso, o futuro está aberto a todas as possibilidades criativas do Homem, pelo que cada actor enfrenta o mesmo com uma incerteza não erradicável, que poderá minorar-se graças aos comportamentos pautados próprios e alheios (instituições) e se actua e exerce bem a função empresarial, mas que não será capaz de eliminar totalmente. O carácter aberto e não erradicável da incerteza de que falamos faz com que não sejam aplicáveis ao campo da interacção humana as noções tradicionais da probabilidade objectiva e subjectiva, nem a concepção bayesiana desenvolvida à volta desta última. E o teorema de Bayes exige uma estrutura estocástica subjacente de carácter estável que é incompatível com a capacidade criativa do ser humano. Isto é assim não apenas porque nem sequer se conhecem todas as alternativas ou casos possíveis, mas também porque, além disso, o actor apenas tem determinadas crenças ou convicções subjectivas denominadas por Mises como probabilidades de casos ou eventos únicos (Mises, 27, pp ) que conforme se modificam ou ampliam tendem a variar de surpresa, isto é, de forma radical e não convergente, todo o seu mapa de crenças e conhecimentos. Desta forma, o actor descobre continuamente situações completamente novas que antes nem sequer tinha sido capaz de intuir. A razão técnico-económica pela qual é impossível segurar a incerteza (e não o risco) que surge na gestão de qualquer tipo de empresa e em especial das empresas de seguros, é que é precisamente a própria acção dos empresários que provoca ou cria o evento que se pretende segurar, de forma que não existe a necessária independência estocástica entre a existência do suposto seguro (nova Todo o paradigma de Solvência II ignora de forma flagrante os princípios económicos essenciais anteriores. Para começar, quantifica-se em 99,5 por a probabilidade objectiva de não ir à falência que se deve exigir a uma empresa de seguros e, com base neste objectivo, calculase a margem de solvência correspondente, que supostamente asseguraria o cumprimento da mesma. Mas o que significam os,5 por de probabilidade de falência de uma companhia de seguros? Que vá à falência uma única empresa em 2 por ano? Que uma mesma empresa em 2 anos de existência apenas esteja em perigo num deles? Qual é o tipo de fenómenos homogéneos que permitem dar um sentido a tal valor de probabilidade? De facto não existe. Cada empresa de seguros é um evento único e historicamente não repetível, diferente das outras no que diz respeito ao seu projecto empresarial, visão dos seus gestores, cultura, produtos, capacidade de adaptação, etc., etc. E mais, uma mesma empresa de seguros varia 2» Associação Portuguesa de Seguradores

13 artigo de fundo de ano para ano, pelo que também não é equiparável a si mesma ao longo do tempo nem se deve considerar a série histórica dos seus anos de existência como um conjunto de elementos homogéneos. A conclusão é que o algarismo,5 por de probabilidade de falência é uma simples metáfora da linguagem deficiente em significado objectivo e científico, que apenas implica a ideia de que a possibilidade de falência seja muito pequena, simples manifestação de um desejo subjectivo de significado psíquico muito diferente segundo o observador em causa. E se o objectivo é deficiente em significado científico, também o é o novo cálculo da margem de Solvência II, pois entra totalmente em choque com o carácter não erradicável da incerteza que rodeia todos os projectos empresariais. Em concreto, não são seguráveis as distintas dimensões dos mal chamados riscos (excepto talvez a referente aos riscos estritos de seguro) que se analisam em Solvência II. Os riscos (que não são tais, senão incertezas) de investimento, do mercado do crédito, de juro, operativos, etc., fazem parte do âmbito da acção humana, isto é, dos eventos únicos de criatividade empresarial que, pela sua própria natureza, não são seguráveis. E as distribuições de probabilidade e cenários que se possam obter e imaginar a partir de dados do passado são extrapolados sem nenhuma ajuda a um futuro incerto de eventos únicos empresariais não homogéneos (e se não, recorde-se o fiasco do fundo especulativo Long Term Capital, face ao acontecimento de um cenário que anteriormente ninguém tinha podido sequer imaginar). E no final a falência ou não de uma empresa de seguros depende de acções humanas concretas que podem ou não ser levadas a cabo e que não são seguráveis em termos económicos (através de uma margem de solvência supostamente científica ) pois a existência do suposto seguro tornaria oblíquas as próprias acções empresariais, aumentando as possibilidades de que se produzisse o sinistro (falência da empresa de seguros). Isto é, assim como a existência de um seguro de vida não aumenta a probabilidade de falecimento do segurado, o estabelecimento legal de um suposto seguro de falência (através da margem de Solvência II) afecta consciente ou inconscientemente o comportamento dos empresários de seguros, ainda que apenas porque adquirem a falsa crença de que dispõem, graças a Solvência II, de um mecanismo automático de segurança que os torna imunes aos seus erros empresariais. Por isso, a própria existência do suposto seguro (margem de Solvência II) tenderá a fomentar comportamentos empresariais oblíquos que incrementarão a longo prazo a volatilidade, dificultando a gestão empresarial responsável e aumentando as preocupações do Órgão de Controle, e o desconcerto dos segurados. As empresas de seguros cumpriram a sua obrigação (e não riscos) devido à gestão empresarial do seu negócio. E, no entanto, hoje paradoxalmente pretendem eliminar-se um a um estes princípios tradicionais do sector dos seguros (contabilidade a valor de mercado ou razoável, eliminação da provisão de estabilização, contabilidade de fluxos e resto de normas NIC, investimento activo e em instrumentos alternativos, etc.), substituindo-os por uma gestão ad hoc pós-modernista, supostamente mais científica mas na qual tudo vale sempre e quando se mantenham as margens de Solvência II, as quais se pensa garantir que com 99,5 por de probabilidade as empresas de seguros não vão à falência. No entanto, se no final acabam por impor-se os novos postulados, na prática (mais além do simples cumprimento de uma exigência de controle intervencionista, ainda que em nada afecte o que já se fazia por inveterado costume) é claro que os efeitos serão justamente os opostos aos que se diz seguir: uma menor solvência geral do sector dos seguros, em detrimento da segurança que até agora o caracterizou e que fez tanto bem aos segurados; e um benefício ao menos a curto prazo para uma legião de entendidos, especialistas, analistas, auditores, etc., alguns deles tão arrogantes na defesa da sua falsa ciência como ignorantes de que a longo prazo não são mais do que aprendizes de feiticeiro que estão a brincar com um tipo de fogo que pode pôr em perigo os próprios alicerces da economia de mercado em geral, e da instituição dos seguros em particular. Chama a atenção a forma como, durante os últimos 2 anos as empresas de seguros, sem dispor das ferramentas modernas da teoria neoclássica das finanças, da análise VAF, do estudo de cenários com diferentes distribuições de probabilidades, nem, em suma, do resto do marco teórico que fundamenta e constitui Solvência II, cumpriram de forma admirável as suas obrigações e sobreviveram a guerras, crises económicas e sociais e aos mais variados choques externos, não tendo sido capazes de resistir com a mesma solvência outras instituições financeiras como, por exemplo, a bancária (por definição insolvente na ausência de um prestamista de último recurso). Isso aconteceu porque o sector dos seguros aprendeu e adaptou evolutivamente uma serie de comportamentos pautados (como, por exemplo, a contabilidade a custo histórico, a gestão pouco activa e muito conservadora dos investimentos preferivelmente em renda fixa e imóveis, a utilização no seguro de Vida de tipos de juro técnico sem componente de inflação, a introdução de cláusulas contratuais para eliminar o moral hazard ou risco de mora, etc.) que lhe permitiram fazer frente com sucesso às contínuas incertezas Jesús Huerta de Soto é Professor Catedrático de Economia Política na Universidad Rey Juan Carlos, Madrid. Associação Portuguesa de Seguradores «3

14 artigo de fundo LUTANDO PELA TRANSPARÊNCIA Rui Gil Presidente da Comissão Técnica de Fraude da APS O fenómeno da fraude nos seguros é um problema relevante e extremamente actual e que tem merecido por parte das seguradoras, uma atenção crescente e uma renovada preocupação no combate eficaz a este flagelo, que não sendo de hoje, apresenta contudo uma crescente sofisticação de métodos e técnicas utilizadas pelos defraudadores que isoladamente ou em grupo, pretendem retirar benefícios ilegítimos para si ou para outros. As empresas seguradoras de uma forma geral, olham com cada vez mais cuidado para este fenómeno que tem um impacto cada vez maior na actividade, criando no seu seio, unidades especializadas no tratamento e combate à fraude, formando profissionais cada vez mais preparados e focalizados nesta problemática, estudando métodos e indicadores de fraude cada vez mais sofisticados, enfim respondem de forma mais consciente e profissional a esta realidade. Para além do vulgar oportunista, que tenta exacerbar as consequências de um sinistro para obter uma maior indemnização, encontramos os profissionais da fraude que procuram reiteradamente obter benefícios ilegítimos, e até verdadeiras associações criminosas que desenvolvem a sua actividade criminosa em grupo, utilizando a fraude a seguradoras associada a outras práticas, igualmente ilegais e proibidas. Em resultado e como reflexo desta realidade e da crescente importância do fenómeno, nasceu no seio da APS, a Comissão Técnica de Fraude, onde as diversas associadas, mercê de uma congregação de esforços e de uma reflexão conjunta sobre os principais aspectos deste fenómeno, têm desenvolvido um conjunto de actividades que reputamos de extrema importância e que pretendem trazer evidentes mais valias na prevenção e detecção das fraudes na actividade seguradora em resultado das iniciativas que têm sido desenvolvidas por esta Comissão. Com efeito, no seio da Comissão Técnica da APS, os membros representativos das várias associadas, têm procurado ir ao encontro das necessidades das diversas companhias a operar no mercado, desenvolvendo acções conjuntas, partilha de experiências, troca de informações com as autoridades policiais e judiciárias, desenvolvendo técnicas e meios de actuação que a todos possam ajudar e servir, nos propósitos gerais de prevenção e detecção das fraudes. O problema da fraude, não é um problema de uma seguradora, mas de toda uma actividade e sem dúvida que, só de modo mais articulado poderá ser vencido e ultrapassado, tendo em conta, que nos dias de hoje, atinge uma dimensão bastante significativa, quer em termos de montantes envolvidos, quer do elevado numero de agentes defraudadores que atingem a sociedade, de forma transversal (clientes, mediadores, peritos, oficinas, médicos, advogados, profissionais de seguros, etc.). Não será fácil traçar os perfis dos autores da fraude ou de quem potencialmente poderá ser levado à prática deste ilícito, podendo dizer-se que o contexto sócio económico em que esta se desenvolve, será um factor que pode e deve ser estudado com vista à sua identificação e erradicação. A fraude, em regra aparece associada ao sinistro, contudo esta não será a única forma que esta reveste. Existe cada vez mais na contratação, com vista à redução dos prémios de seguro em resultado, nomeadamente da crescente crise económica. 4» Associação Portuguesa de Seguradores

15 artigo de fundo Numa actividade, em que o principio da boa fé e da confiança entre segurado e segurador estão presentes em todas as vertentes do contrato, desde a contratação, ao cumprimento das obrigações dele resultantes, em que o principio da confiança é aquele que deve pautar as relações entre as partes contratantes, uma vez quebrado, cairá por terra, um dos vectores essenciais do contrato de seguro. Sendo certo porém, que a dinâmica da própria sociedade e as crescentes pressões sobre a actividade, podem distorcer de alguma forma, alguns dos pressupostos base das relações contratuais que se estabelecem, quer na subscrição, quer na verificação dos factos que conduzem ao accionamento do contrato de seguro. A fraude não afecta apenas as seguradoras, mas é um factor de desequilíbrio e de agravamento dos prémios de seguro em geral, pelo que é de extrema importância exercer acções de sensibilização junto dos clientes, alertando-os para os efeitos nefastos desta realidade, bem como da opinião pública em geral, divulgando os potenciais agravamentos dos prémios em resultado dos custos resultantes da fraude. Para além destas iniciativas concretas, que se traduzem em elementos dissuasores e preventivos no domínio da fraude na actividade seguradora, é de particular relevo salientar, a cooperação que existe entre todos os representantes das várias associadas nesta Comissão que, pese embora sejam competidores no mercado, adoptam uma postura de elevada entreajuda no que a estes temas da fraude diz respeito, na procura de uma maior justiça, transparência e, sobretudo, na defesa dos interesses dos seus Clientes e Lesados, procurando transformar esta luta, numa vantagem competitiva no mercado, com reflexos para os consumidores em geral. No decurso deste último ano, os trabalhos concretos desenvolvidos pelos membros da Comissão Técnica de Fraude, foram desenvolvidos nas seguintes áreas: A» Formação / Certificação. Elaboração e aprovação do Código de Conduta do Averiguador, subscrito pela generalidade das Companhias associadas 2. Realização do Curso de Peritos Averiguadores de Automóvel, envolvendo cerca de 4 profissionais do sector B» Cooperação de carácter geral com as autoridades Policiais e Judiciárias C» Elaboração de um documento onde são identificadas situações e comportamentos que podem e devem desencadear uma análise mais atenta por parte das seguradoras D» Cooperação entre as associadas no sentido de melhor identificar potenciais situações de fraude. Associação Portuguesa de Seguradores «5

16 artigo de fundo ECSI: INDICE NACIONAL DE SATISFAÇÃO DO CLIENTE RESULTADOS DE 27 O ECSI é um sistema de medida da qualidade dos bens e serviços disponíveis no mercado nacional construído com base na satisfação do cliente externo. A primeira edição do estudo data de 998 e têm estado envolvidos no seu desenvolvimento 3 países, na sua quase totalidade pertencentes à União Europeia, e cerca de 5 grandes empresas. No que se refere a Portugal, logo desde o seu início e com o principal objectivo de desenvolver o estudo com isenção, credibilidade e rigor foi constituída uma equipa formada pelo IPQ Instituto Português da Qualidade; APQ Associação Portuguesa para a Qualidade e ISEGI-UNL Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do trabalho é relativamente complexa e o primeiro passo consiste na elaboração de um inquérito junto de uma amostra de clientes de cada organização em análise. Posteriormente, com a informação obtida, é estimado um modelo econométrico de satisfação do cliente ao nível de cada empresa. Este modelo inclui diversos factores explicativos, como sejam as expectativas dos clientes, a imagem da organização, a qualidade e o valor percepcionado dos produtos e serviços. É ainda considerada a relação entre satisfação e fidelização. No final, é efectuada a derivação dos índices dos sectores de actividade, a partir das agregações dos indicadores das organizações em estudo. No passado mês de Junho foram apresentados os resultados do ECSI Portugal referentes a 27 e divulgados os valores médios dos índices para os sectores da Banca, Seguros, Comunicações, Combustíveis, Gás em Garrafa e Transportes de Passageiros. Em relação ao conjunto dos sectores, em 27, verificaram-se, genericamente, os melhores desempenhos nos índices de imagem e de qualidade apercebida. Ao contrário, o indicador referente ao valor apercebido (relação qualidade/preço) e o índice de reclamações são aqueles que globalmente apresentam um pior desempenho. O sector dos seguros é estudado desde o ano 2 no âmbito deste projecto e em 27 apresenta, globalmente, uma ligeira depreciação nos índices seguindo a tendência verificada em todos os sectores para este ano em análise. Ainda assim, estes valores encontram-se dentro dos parâmetros considerados como claramente positivos. A análise efectuada para o sector teve por base os contributos prestados por sete seguradoras: Allianz, AXA, Fidelidade/Mundial, Império Bonança, Tranquilidade, OK Teleseguro, Seguro Directo. A OK TeleSeguro manteve-se na liderança do sector segurador no Índice de Satisfação do Cliente. Tendo em consideração o interesse dos resultados obtidos será, porventura, de efectuar uma análise dos resultados específicos da actividade. Sector de Seguros Imagem 72,9 3,4 Expectativa 69,9 3,5 Qualidade Apercebida 74,2,8 2,6,4,3 Valor Apercebido 59,2,9,7, Satisfação (ECSI) 68,7 3, 3,6 Lealdade 63,3,7 Reclamações 65,9 Impactos Totais na satisfação e na lealdade: Imagem Expectativas Qualidade Valor Satisfação Reclamações Satisfação 3, 2,3 2,5, - - Lealdade 2,8,6,8,8 3,5,7 6» Associação Portuguesa de Seguradores

17 artigo de fundo A SWISS RE RECOMENDA NOVAS FORMAS DE PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS PARA ENFRENTAR AS ADAPTAÇÕES CLIMÁTICAS De acordo com a Swiss Re, são necessárias novas formas de parcerias público-privadas para antecipar e responder aos riscos relacionados com as alterações climáticas. O impacto de eventos catastróficos continua a aumentar, sendo estes motivados pela interacção de diversos factores, incluindo o aquecimento global, o crescimento populacional, a concentração dos bens e a crescente vulnerabilidade das infra-estruturas envelhecidas. Esses desenvolvimentos e a exposição às alterações climáticas em geral, recaem desproporcionalmente sobre os países em desenvolvimento, em parte devido à sua capacidade limitada de adaptação financeira. A penetração do seguro é ainda baixa nos países em desenvolvimento, resultando assim numa diferença substancial entre as perdas totais económicas e seguras em caso de ocorrência de um desastre natural. Simultaneamente, os países em desenvolvimento terão de suportar a maior parte dos custos de adaptação em resultado das alterações climáticas. Estima-se que por volta de 23 esses custos atinjam entre 3 a 7 biliões de Euros por ano - dos quais 7 a 42 biliões serão suportados pelos países em desenvolvimento. Segundo declarações de Peter Forstmoser, Presidente do Conselho de Direcção da Swiss Re, para lidar com as consequências financeiras dos riscos catastróficos relacionados com o clima, as novas formas de transferência de risco público-privadas irão permitir aos governos, aos bancos de desenvolvimento ou às organizações não governamentais aumentar os seus fundos através da utilização de seguros e de instrumentos do mercado de capitais. A Swiss Re desempenhou um papel de liderança no Caribbean Catastrophe Risk Insurance Facility (CCRIF). Este organismo é um bom exemplo de como novas formas de transferên- cia de risco público-privadas podem tornar as sociedades mais capazes de resistir e readaptarem- -se, ao assegurarem os seus recursos financeiros antes da ocorrência dos eventos. Estabelecido em 27, o CCRIF segura riscos estatais. Foi projectado para limitar o impacto financeiro de furacões e sismos catastróficos sobre 6 governos de países das Caraíbas, providenciando uma rápida liquidez quando uma apólice for accionada por um evento. Peter Forstmoser acrescentou que a preocupação com as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos graves têm vindo a alertar os governos para a necessidade de avaliarem os riscos mais eficazmente, de forma a minimizarem os efeitos sociais e económicos. As soluções apresentadas pelos seguros fazem parte da equação, preenchendo lacunas, por exemplo, na resposta às catástrofes. No entanto, apesar de complementarem a mitigação e prevenção dos riscos, estas soluções não substituem as boas políticas e as boas práticas. A Swiss Re defende firmemente o conceito dos Country Risk Officers para ajudar os governos a gerirem os riscos activa e conjuntamente, quer a nível nacional ou transfronteiriço. A Swiss Re acredita que o Country Risk Officer, em comparação com o papel do Chief Risk Officer, hoje em dia comum nas organizações globais, é um modelo útil para o desenvolvimento de uma perspectiva integrada sobre os riscos sociais, económicos e ambientais de um país. Caberá ao Country Risk Officer conduzir o processo de criação de uma percepção nacional do risco, promovendo a compreensão e o diálogo, essenciais para a prevenção dos riscos e para implementação das respectivas medidas de adaptação. Associação Portuguesa de Seguradores «7

18 actividade seguradora EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE SEGURO DIRECTO Janeiro a Agosto de 28 PRÉMIOS DE SEGURO DIRECTO (Valores acumulados) AGOSTO 27 Produtos Financeiros Produtos Tradicionais PPR S Oper. Cap. Vida AGOSTO 28 AGOSTO 27 Automóvel Acidentes Riscos Doença Restantes de Trabalho Múltiplos Não Vida AGOSTO 28,,5,,5 2, 2,5 3, 3,5 4, 4,5 5, 5,5 6, 6,5 7, U» mil milhões de Euros De Janeiro a Agosto de 28, o montante global de prémios de seguro directo processado ascendia 9,4 mil milhões de euros, para uma amostra de 98,8%. Este valor corresponde a uma taxa de crescimento de 9,9%, relativamente ao período homólogo do ano anterior. Como tem sido norma, o segmento Vida, totalizando 6,5 mil milhões de euros em prémios de seguro directo, é o grande impulsionador desta evolução, registando um crescimento de quase 6% e detendo já uma quota de mercado de 69,2% (mais 3,5 p.p. face ao período homólogo). Numa análise segmentada por tipo de produto, as contribuições para os Planos de Poupança Reforma foram as que mais cresceram neste período (3,8%), logo seguidas das contribuições para operações de capitalização (3,2%). Em contrapartida, o segmento Não Vida registou um crescimento negativo de,5%, face ao período homólogo do ano anterior, cifrando-se o total dos prémios de seguro directo em 2,9 mil milhões de euros. A evolução dos ramos mais importantes que compõem este segmento é determinante. Com efeito, no ramo Automóvel verificou-se uma significativa queda da produção (-6,5%), situando o seu volume total de prémios em,2 mil milhões de euros. De igual modo, os prémios de Acidentes de Trabalho decresceram,7%, tendência que se mantém desde o passado mês de Abril. PRÉMIOS DE SEGURO DIRECTO - VIDA (Valores acumulados de Janeiro a Agosto) 4,5 4, 3,5 3, 2,5 2,,5,,5, U» mil milhões de Euros,5,25,,75,5,25 7,6% Produtos de Risco e Rendas -6,5% 2,3% Produtos de Capitalização PRÉMIOS DE SEGURO DIRECTO - NÃO VIDA (Valores acumulados de Janeiro a Agosto) -,7% 3,8% PPR,6% 9,% 3,2% Operações de Capitalização 4,6%» 27» 28, Automóvel Acidentes de Trabalho Riscos Múltiplos Doença Restantes Ramos U» mil milhões de Euros» 27» 28 8» Associação Portuguesa de Seguradores

19 actividade seguradora TAXAS DE CRESCIMENTO MENSAIS (Acumuladas) 4% 38,3% 35% 3% 25% 23,4% 23,9% 24,9% 2% 5% % 9,2%,% 5,2% 5,9% 2,2% 3,% 3,6% 8,8% 6,% 5,8%,% 9,9% 5% 2,8% 2,9% 3,2% 2,4% 2,8% 3,4% 3,% 3,% % -5%,4%,7% -,3% -,3% -,% -,7% -,% -,5% Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto» Vida» Total» Não Vida» Taxa da inflação De dimensão também relevante, os seguros de Riscos Múltiplos apresentaram neste período uma estagnação no seu volume de prémios, cenário a que não serão alheias algumas características da actual conjuntura macroeconómica. Contrastando com esta evolução, o ramo Doença continua a ter um comportamento bastante dinâmico, com uma taxa de crescimento superior a 9% e uma quota de mercado no segmento Não Vida que ascende já a 2%. Os seguros de Crédito também apresentam níveis de crescimento acima dos registados neste segmento (8,4%), muito provavelmente também reflexo da actual situação macroeconómica. Globalmente, a taxa de crescimento homóloga, após uma tendência decrescente verificada ao longo do primeiro semestre (desde Fevereiro), está agora estabilizada em torno dos %, com a do Vida próxima dos 5% e a do Não Vida num nível ligeiramente negativo.. Associação Portuguesa de Seguradores «9

20 serviços aps FNM» FICHEIRO NACIONAL DE MATRÍCULAS DADOS ATÉ AGOSTO DE 28 Nº de Matrículas em Vigor por Ano de Abertura das Apólices Ano Nº Matrículas Freq. Relat. Freq. Absol [99;999] [98;989] [97;979] [96;969] [95;959] [94;949] <94 por defeito ,% 3,5% 3,5% 3,9% 4,% 4,% 4,7% 5,5% 6,% 4,5% 7,7%,4%,3%,%,%,% 2,7% 2,% 5,6% 9,% 2,9% 7% 2% 25,8% 3,2% 37,4% 77,9% 85,6% 86,9% 87,2% 87,3% 87,3% 87,3% % Total Total Ano Médio % * * sem contar com (que indicam 9 por defeito) Nº de Matrículas em Vigor Categoria ISP Nº Matrículas Estrutura CICLOMOTOR MOTOCICLO LIGEIRO (particular) MISTO ,% 2,9% 72,5% 6,4% PESADO (caminheta, camião, autocarro e articulados) Restantes Total ,% 7,%,% Nº de Matrículas de Apólices Novas por Ano Ano 28* Total Nº Matrículas Nº de Sinistros em 28 por Categoria ISP Categoria ISP Nº Matrículas Estrutura CICLOMOTOR MOTOCICLO LIGEIRO (particular) MISTO ,8%,8% 74,2% 9,% PESADO (caminheta, camião, autocarro e articulados) Restantes Total ,% 5,9% % (6%) RESTANTES (9%) PESADO (9%) MISTO (%) MOTOCICLO (%) CICLOMOTOR (74%) LIGEIRO Matrículas em vigor por cilindrada 2,6% 5,2%,7% 7,7% 4,9% 5,9% De a 5 Mais de 5 até. Mais de. até.5 Mais de.5 até 2. Mais de 2. até 3. Mais de 3. até 3.5 Mais de 3.5 Sem indicação 25,6% 37,4% 2» Associação Portuguesa de Seguradores

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