UNIÃO ESTÁVEL E CONCUBINATO: a doutrina e jurisprudência

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1 UNIÃO ESTÁVEL E CONCUBINATO: a doutrina e jurisprudência

2 Alguns Princípios do Direito de Família Dignidade da pessoa humana; Solidariedade familiar; Pluralidade de entidades familiares; Igualdade entre cônjuges e filhos e respeito à diferença; Doutrina da proteção integral à criança e ao adolescente e o princípio do melhor interesse; Afetividade.

3 A Família Constitucionalizada A CF/88 e o artigo 226 e seus parágrafos. A constitucionalização das diversas entidades familiares. A família plural: a família na pós-modernidade.

4 Casamento e União Estável Conceituação: distinção necessária. Direitos e deveres (artigos 1566 e 1724 do CC). União estável (art do CC) e concubinato (art do CC):diferenciação atual. A figura do namoro na atualidade.

5 Famílias Simultâneas: possibilidade de seu reconhecimento? A fidelidade figura entre os deveres inerentes ao casamento e à união estável. Embora haja apenas distinção terminológica para o propósito monogâmico das relações afetivas no mundo do ocidente, a expressão fidelidade é utilizada para identificar os deveres do casamento. Lealdade tem sido a palavra utilizada para as relações de união estável, embora seja incontroverso o seu sentido único de ressaltar um comportamento moral e fático dos amantes casados ou conviventes, que têm o dever de preservar a exclusividade das suas relações como casal.

6 Correntes Doutrinária e Jurisprudencial sobre o tema Sociedade de Fato. União Estável Putativa (boa-fé crença). Reconhecimento de União Estável em todas as situações.

7 Sociedade de Fato União estável. Relacionamento paralelo a outro judicialmente reconhecido. Sociedade de Fato. A união estável é entidade familiar e o nosso ordenamento jurídico se sujeita ao princípio da monogamia, não sendo possível juridicamente reconhecer uniões estáveis paralelas, até por que a própria recorrente reconheceu em outra ação que o varão mantinha com outra mulher uma união estável, que foi judicialmente declarada. Diante disso, o seu relacionamento com o de cujus teve um cunho meramente concubinário, capaz de agasalhar uma sociedade de fato, protegida pela Súmula nº 380 do STF. Essa questão patrimonial esvaziou-se em razão do acordo entabulado entre a autora e a sucessão. Recurso desprovido, por maioria. RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Apelação Cível nº ª Câmara Cível. Relator: Des. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. Acórdão de 20 de dez

8 Nega a possibilidade do reconhecimento de famílias simultâneas, em virtude do princípio da monogamia que sustenta o casamento. Em situação considerada excepcional, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu tãosomente direitos previdenciários em 50% a então concubina, em face de o de cujus ter convivido simultaneamente com a esposa e a companheira durante trinta anos. STJ

9 RECURSO ESPECIAL. PENSÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTILHA DA PENSÃO ENTRE A VIÚVA E A CONCUBINA. COEXISTÊNCIA DE VÍNCULO CONJUGAL E A NÃO SEPARAÇÃO DE FATO DA ESPOSA. CONCUBINATO IMPURO DE LONGA DURAÇÃO. "Circunstâncias especiais reconhecidas em juízo". Possibilidade de geração de direitos e obrigações, máxime, no plano da assistência social. Acórdão recorrido não deliberou à luz dos preceitos legais invocados. Recurso especial não conhecido. (grifo nosso). BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n , do Rio de Janeiro. Relator: Min. José Arnaldo da Fonseca. Acórdão de 04 ago.2005.

10 União estável. Reconhecimento de duas uniões concomitantes.equiparação ao casamento putativo. Lei nº 9.728/96. 1.Mantendo o autor da herança união estável com uma mulher, o posterior relacionamento com outra, sem que se haja desvinculado da primeira, com quem continuou a viver como se fossem marido e mulher, não há como configurar união estável concomitante, incabível a equiparação ao casamento putativo. 2. Recurso especial conhecido e provido. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. 3ª T. Recurso Especial n , do Rio de Janeiro. Relator: Min. Carlos Alberto Menezes Direito. Acórdão de 16 fev

11 PROCESSO CIVIL. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. NÃO CABIMENTO. TEMA NOVO EM AGRAVO REGIMENTAL. PRECLUSÃO. DECISÃO MONOCRÁTICA EM RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE. ARTIGO 557 DO CPC.(...) PREVIDENCIÁRIO. CONCUBINATO ADULTERINO. RELAÇÃO CONCORRENTE COM O CASAMENTO. EMBARAÇO À CONSTITUIÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL APLICAÇÃO. IMPEDIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte prestigia o entendimento de que a existência de impedimento para o matrimônio, por parte de um dos componentes do casal, embaraça a constituição da união estável. 2. Agravo regimental improvido. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Ag. Reg. No Recurso Especial n , de Santa Catarina. Relator: Min. Jorge Mussi. Acórdão de 03 de mar.de 2009.

12 Direito civil. Família. Paralelismo de uniões afetivas. Recurso especial. Ações de reconhecimento de uniões estáveis concomitantes. Casamento válido dissolvido. Peculiaridades.(...) Ao analisar as lides que apresentam paralelismo afetivo, deve o juiz, atento às peculiaridades multifacetadas apresentadas em cada caso, decidir com base na dignidade da pessoa humana, na solidariedade, na afetividade, na busca da felicidade, na liberdade, na igualdade, bem assim, com redobrada atenção ao primado da monogamia, com os pés fincados no princípio da eticidade.

13 Emprestar aos novos arranjos familiares, de uma forma linear, os efeitos jurídicos inerentes à união estável, implicaria julgar contra o que dispõe a lei; isso porque o art do CC/02 regulou, em sua esfera de abrangência, as relações afetivas não eventuais em que se fazem presentes impedimentos para casar, de forma que só podem constituir concubinato os relacionamentos paralelos a casamento ou união estável pré e coexistente. Recurso especial provido (REsp / RN, j. em 18/05/2010).

14 Concubinato Sociedade de Fato Direito das Obrigações. Segundo entendimento pretoriano, a sociedade de fato entre concubinos, para as consequencias jurídicas que lhe decorrem das relações obrigacionais, é irrelevante o casamento de qualquer deles, sobretudo porque a censurabilidade do adultério não pode justificar que se locuplete com esforço alheio exatamente aquele que o pratica (STJ, Recurso Especial n /SP).

15 ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PÚBLICO. CONCUBINA. PENSÃO. RATEIO COM A VIÚVA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A proteção do Estado à união estável alcança apenas as situações legítimas e nestas não está incluído o concubinato", sendo certo que a "titularidade da pensão decorrente do falecimento de servidor público pressupõe vínculo agasalhado pelo ordenamento jurídico, mostrando-se impróprio o implemento de divisão a beneficiar, em detrimento da família, a concubina (RE , Rel. Min. MARCO AURÉLIO, STF, Primeira Turma, DJe 26/3/09).

16 2. Hipótese em que o Tribunal de origem reconheceu, com base no conjunto probatório dos autos, que o falecido servidor não era separado de fato, tendo estabelecido dois núcleos familiares concomitantemente, com sua esposa e com a ora agravante. 3. Agravo regimental não provido (STJ, AgRg no Ag / RO, de ).

17 (CONSIDERAÇÕES DO MINISTRO) (MIN. MASSAMI UYEDA): Não é possível o reconhecimento de sociedade de fato na hipótese em que, embora comprovada a existência de relação concubinária, a convivente não demonstrou ter contribuído para o crescimento do patrimônio do concubino, porque a falta de prova da existência de patrimônio fruto da mútua colaboração entre ambos é suficiente para afastar o reconhecimento da sociedade de fato, conforme precedentes do STJ.

18 ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE CONCUBINATO. EXTENSÃO DA RES JUDICATA À ADMISSÃO DE UNIÃO ESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. PEDIDO E CAUSA DE PEDIR. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL FALECIDO. PENSÃO POR MORTE. RATEIO ENTRE VIÚVA E CONCUBINA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES (RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2009/ , j. em ).

19 União Estável Putativa? Origem termo putativo e sua utilização no direito brasileiro. O artigo 1561 do Código Civil prevê os efeitos do casamento putativo. Como é sabido, casamento putativo é aquele que, em atenção à boa-fé subjetiva de um ou de ambos os cônjuges no momento da celebração do casamento, o matrimônio será anulado ou declarado nulo, mas produzirá efeitos de casamento válido em relação ao(s) cônjuge(s) de boa-fé e aos filhos.

20 A união estável é putativa quando um dos conviventes, de boa-fé, está legitimamente autorizado a crer que não existem impedimentos para que o outro a ela se vincule, quando isso não corresponde à verdade. Em tese, para o companheiro induzido em erro, a situação de fato produzirá todos os efeitos da união estável, inclusive quanto ao direito a alimentos e participação no patrimônio do convivente.

21 Em 1999 tem-se notícia de julgado pioneiro sobre o assunto, que reconheceu, em face da ignorância boa-fé crença da segunda companheira de que o de cujus não havia deixado de conviver também com a ex-companheira.

22 União Estável. Situação Putativa. Comprovação. O fato de o de cujus não ter rompido definitivamente o relacionamento com a companheira com quem viveu longo tempo, mas com quem, já não convivia diariamente, mantendo as ocultas essa sua vida aferiva dupla, não afasta a possibilidade de se reconhecer em favor da segunda companheira uma união estável putativa desde que esta ignore o fato e fique comprovada a affectio maritalis e o ânimo do varão de constituir família com ela, sendo o relacionamento público e notório e havendo prova consistente nesse sentido. Embargos infringentes desacolhidos. RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Embargos infringentes nº Quarto Grupo de Câmaras Cíveis. Relator: Des. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. Acórdão de 12 nov

23 União Estável Matrimônio hígido Concubinato - Relacionamento simultâneo. Embora a relação amorosa, é vasta a prova de que o varão não se desvinculou do lar matrimonial, permanecendo na companhia da esposa e familiares. Sendo o sistema monogâmico e não caracterizada a união putativa, o relacionamento lateral não gera qualquer tipo de direito. TJRS, Apc. Cível , de 2005.

24 Reconhecimento de entidades familiares em todas as situações Maria Berenice Dias defende que, em qualquer das hipóteses, independentemente da boa ou má-fé dos envolvidos, deve-se aplicar regras atinentes ao Direito de Família. Opinião Pessoal.

25 Conclusão Alinhamo-nos àqueles que admitem a possibilidade do reconhecimento de uniões simultâneas quando presente a boa-fé subjetiva, bem como quando a duplicidade de famílias for ostensiva perante os envolvidos. Nestes casos, a divisão patrimonial deverá atentar (em se tratando do regime de comunhão parcial de bens) para o pressuposto de que os bens adquiridos onerosamente na constância das duas uniões em nome do integrante comum das famílias deverão ser divididos em três partes, representando uma verdadeira meação de três partes. Em conseqüência, possível a concessão de alimentos, direito sucessório e previdenciário.

26 Bibliografia Recomendada DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. São Paulo:RT, Fontanella, Patrícia. Famílias simultâneas e união estável putativa. In: Grandes temas da atualidade. União estável. Aspectos polêmicos e controvertidos. V.8. São Paulo: Gen Editora, 2010.p GAGLIANO, Pablo Stolze. GURGEL, Fernanda P.do Amaral. Direito de Família e o princípio da boa-fé objetiva. Ctba:Juruá, MADALENO, Rolf. A união (ins)estável. Disponível em PIANOVSKI, Carlos Eduardo. Famílias simultâneas e monogamia. In: Família e Dignidade. Anais do V Congresso de Direito de Família. BH: Del Rey, 2006, p

27 OBRIGADA!

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