Estudo comparativo de processo produtivo com esteira alimentadora em uma indústria de embalagens

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1 Esudo comparaivo de processo produivo com eseira alimenadora em uma indúsria de embalagens Ana Paula Aparecida Barboza (IMIH) Leicia Neves de Almeida Gomes (IMIH) Luiz Bandeira de Mello Braga (IMIH) Resumo: O objeivo dese rabalho é comparar a produividade, eficácia e eficiência do processo produivo de embalagens descaráveis de alumínio, com e sem implanação de mesas com eseira auomaizada. Para ano, foi realizada uma pesquisa quaniaiva, por meio de esudo de caso. Levanou-se, aravés de enrevisa com os responsáveis pela produção e conrole de cusos da fábrica e análise documenal dos relaórios gerenciais inernos, dados a respeio da produção mensal como horas paradas, horas realizadas e quanidade produzida, além dos dados referenes aos cusos e receia gerada pela produção em al máquina. A seguir, os dados coleados foram raados e comparados aravés de sofwares como Microsof Excel e Miniab. Tano os eses de hipóeses formulados para a comparação do desempenho quano a avaliação de VPL, TIR e payback aponaram que al invesimeno conseguiu razer resulados posiivos para a empresa melhorando a produividade da máquina e os lucros obidos. Palavras-chave: Eseiras auomaizada; Desempenho do processo; Viabilidade econômica. 1. Inrodução De acordo com o esudo do Insiuo Brasileiro de Economia (2014) a indúsria de embalagens de aluminio eve grande desaque em 2013, com crescimeno de 7,57%, favorecendo a enrada de novos empreendedores no ramo de produção de embalagens descaráveis de alumínio. Para ober vanagem compeiiva, o empreendedor do ramo de embalagens descaráveis de alumínio, que possui produos com caracerísicas écnicas muio semelhanes, precisa focar suas esraégias nos cusos da produção. Para ano, a auomação indusrial orna-se um grande aliado já que essa possui o objeivo de aumenar a qualidade e segurança, diminuindo as perdas de recursos e reduzindo os cusos da produção (MORAES; CASTRUCCI, 2007). Nesse conexo, uma indúsria de embalagens descaráveis de alumínio da região meropoliana de Belo Horizone invesiu na auomação do processo, insalando mesas com eseiras auomaizadas em algumas máquinas da plana fabril, visando um considerável aumeno de compeiividade diane dos seus concorrenes. Assim, essa pesquisa em como objeivo comparar a produividade, eficácia e eficiência do processo produivo de embalagens descaraveis de alumínio, com e sem implanação de mesas com eseira auomaizada. A jusificaiva para al pesquisa é apoiar a omada de decisão a respeio do invesimeno na auomação das mesas das prensas produoras de embalagens descaráveis de alumínio. 1

2 Ese arigo dispõe de cinco seções, além desa inrodução. A seção dois é desinada ao referencial eórico com exposição da revisão lierária de medição de desempenho e análise de viabilidade econômica. Na seção rês, descrever-se-a a meodologia, na qual se caraceriza a pesquisa e aponam-se as esraégias adoadas na colea e raameno de dados. A discussão dos resulados é feia na seção quaro. Por fim, as considerações finais são apresenadas na seção cinco. 2. Referencial eórico 2.1 Medição de desempenho dos processos produivos Neely e al (1995) resumem a análise de desempenho como: a écnica usada para quanificar a eficiência e a eficácia das aividades de negócio. Oliveira (2013) raa desse assuno da seguine maneira: em-se eficácia quando a empresa ainge seus objeivos aravés da conribuição dos resulados obidos; e eficiência quando se uilizam de forma econômica os recursos para alcançar os resulados esperados. H. Corrêa e C. Corrêa (2012) relaam que para medir o desempenho de uma operação devem-se alinhar as méricas que serão adoadas com a esraégia da operação. Assim, as prioridades compeiivas esraégicas de uma operação podem ser classificadas em alguns grupos relacionados à: qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e cusos, sendo esses raduzidos nos objeivos do processo. Segundo Slack, Chambers e Johnson (2009), cada uma das medidas de desempenho podem ser dealhadas (QUADRO 1) de forma a permiir o moniorameno mais próximo do processo e fornecendo um quadro descriivo compleo do que esá aconecendo denro da operação. Esse dealhameno ambém facilia a visualização do que realmene deve ser melhorado no processo. Qualidade Rapidez Confiabilidade Flexibilidade Nível de refugo; Percenual de peças conformes; Tempo médio enre falhas; Tempo do consumidor na fila; Tempo de ciclo; Frequência de enregas; Araso médio de pedidos; Aderência à programação; Desvio médio da promessa de enrega; Tamanho médio do loe; Capacidade média; Tempo para aumenar a axa de produção; Cusos Variação de cusos conra orçameno; Produividade do equipameno; Cuso por hora de operação; QUADRO 1 Exemplos de méricas para avaliação do desempenho do processo. Fone: Adapado de Slack, Chambers e Johnson, Após definir as méricas uilizadas para mensurar o desempenho, deve-se avaliar a performance relaiva do processo em quesão. A seguir deve-se compor o perfil de desempenho para cada processo avaliado, aravés de represenações gráficas, a fim de faciliar a análise (CORDEIRO, 2008). 2

3 2.2 Análise de viabilidade econômica do invesimeno A viabilidade econômica é definida por Toledo Jr. (2007) como um conjuno de écnicas que permiem a comparação enre os resulados obidos nas alernaivas possíveis de solução de um problema, possibiliando a omada de decisão de maneira cienífica. Veras (2012) complea essa definição dizendo que essas écnicas podem ser uilizadas ambém para análise de um único invesimeno com a finalidade de avaliar o ineresse na implanação do mesmo. Para Slack, Chambers e Johnson (2009), numa análise de viabilidade para uma nova ecnologia de processo deve-se considerar a avaliação financeira que envolve as écnicas radicionais de Valor Presene Líquido (VPL), Taxa Inerna de Reorno (TIR) e payback. Segundo Giman (2008) e Assaf Neo (2012), o VPL expressa o resulado econômico aualizado de um invesimeno, aravés do descono de odos os fluxos de enrada e saída de caixa desses (FC ), por uma axa de descono mínima aceiável pela empresa (r). Assim, o VPL é dado pela diferença enre aqueles valores presenes e o invesimeno inicial (I), sendo aceio sempre que seu valor for maior que zero. n VPL 1 1 Na visão de Sanos, Assaf Neo e Kassai (2005), a TIR represena a axa de descono que iguala num único insane os fluxos de enrada e de saída de caixa. Porano, pode-se afirmar que a TIR represena a renabilidade do projeo expressa em ermos de axa de juros composa equivalene periódica (ASSAF NETO, 2012). n 1 FC 1 TIR FC r I I 0 Nesse méodo de avaliação de invesimeno, a aceiação ou rejeição do projeo é decidida a parir da comparação da TIR obida com a renabilidade mínima requerida pela empresa, para seus invesimenos, segundo dizeres de Assaf Neo (2012). O período de payback consise na deerminação do empo necessário para que o valor do invesimeno seja recuperado por meio dos benefícios de fluxo de caixa promovidos por al aquisição (ASSAF NETO, 2012). Segundo Ross, Weserfield e Jaffe (2002), o méodo payback geralmene é usado pelas empresas como filro na omada de decisões de invesimeno devido a sua simplicidade de cálculo. Giman (2008), complea dizendo que al écnica deve ser usada como complemeno a ouras écnicas de decisão como, TIR e VPL, sendo que o payback desconado considera o valor do dinheiro no empo e o payback simples não admie al consideração. 3. Meodologia Quano à naureza, essa pesquisa é considerada aplicada, pois em como moivação a produção de conhecimeno para aplicação práica, visando à solução do problema enconrado (BARROS; LEHFELD, 2000). Com relação à forma de abordagem essa é uma pesquisa quaniaiva, pois uiliza de écnicas esaísicas a fim de raduzir em números as informações para serem classificadas e analisadas para uma poserior omada de decisão (RODRIGUES, 2007). De acordo com os objeivos, a pesquisa é ida como descriiva, já que visam à idenificação, análise e regisro dos faores de um processo real (GIL, 2008). Em relação ao 3

4 méodo, a pesquisa é considerada como um esudo de caso que busca conhecer com profundidade apenas um objeo de modo que os resulados do esudo não poderão ser generalizados (YIN, 2001). O objeo de análise dessa pesquisa foi uma prensa dedicada, produora de marmias, que sofreu aleração em sua mesa por meio da implanação de eseira auomaizada. A escolha de al máquina se deu por meio de soreio. Foi considerada amosra 10 meses anecedenes a implanação da auomação e 10 meses poseriores à mesma, período esse compreendido enre novembro/2012 e agoso/2014. Aravés de enrevisa com os responsáveis pela produção e conrole de cusos da fábrica e análise documenal dos relaórios gerenciais inernos, foram coleados dados a respeio da produção mensal como horas paradas, horas realizadas e quanidade produzida, além dos dados referenes aos cusos e receia gerada pela produção em al máquina. Na medição do desempenho do processo produivo foi usado Teses de Hipóeses realizados no sofware Miniab, enquano a análise de viabilidade econômica do invesimeno foi obida por meio da uilização das funções financeiras do Microsof Excel. 4. Discussão dos resulados 4.1 Parâmeros do modelo A meodologia apresenada na seção anerior foi empregada na avaliação da viabilidade de implanação de eseira auomaizada em uma prensa de uma indúsria de embalagens descaráveis de alumínio. Para al, foram considerados os parâmeros lisados a seguir: Fone: elaborado pelos auores, Tabela 1 Parameros do modelo Horas de produção por urno 06:30 Índice de refugo 0% Invesimeno na auomação da eseira R$ ,00 Valor da máquina sem eseira R$ ,00 Salário do auxiliar de produção com encargos sociais R$ 1.789,95 Taxa de depreciação 0,797% ao mês Taxa de descono 0,072% ao mês Turnos de produção Avaliação do desempenho dos processos produivos com e sem eseira auomaizada Na avaliação do desempenho do processo produivo as médias das méricas avaliadas apresenaram valores mais favoráveis para o processo produivo com eseira auomaizada, conforme apresenado na Tabela 2. 4

5 Variável analisada Quanidade produzida (cx/mês) Tabela 2 - Comparação enre as variáveis com e sem auomação Tamanho da amosra Média sem eseira auomaizada (λ C ) Desvio padrão Média com eseira auomaizada (λ S ) Desvio padrão , , , ,17 Horas paradas 10 70,66 25,61 38,94 8,66 Horas ,3 87,05 362,2 63,51 rabalhadas Fone: elaborado pelos auores, Tais médias foram comparadas aravés de Teses de Hipóeses (Tabela 3), que forneceram evidências de que a implanação da eseira auomaizada conseguiu reduzir a quanidade de horas paradas, aumenar as horas efeivamene rabalhadas e elevar a axa de produividade. Tabela 3 - Tese de hipóeses para as médias obidas Variável aleaória Siuação hipoéica Significância P-valor Conclusão Quanidade produzida H : C Há evidências suficienes para 0 S 5% 0 rejeiar H (cx/mês) 0. Porano a axa de H1 : C S produividade é maior para λ C. Horas paradas Há evidências suficienes para H0 : C S rejeiar H 5% 0, Porano a quaniade H1 : C média de horas paradas é menor S para λ C. Horas rabalhadas Há evidências suficienes para H0 : C S rejeiar H 5% 0, Porano a H1 : C quanidade média de horas S rabalhadas é maior para λ C. Fone: elaborado pelos auores, Também foi observada, após a implanação da eseira auomaizada uma redução de cerca de 66,67% nos cusos com mão de obra direa viso que passou a ser necessário apenas um auxiliar de produção, por urno, para acompanhar a máquina, enquano que a anes da auomação usava-se rês auxiliares de produção, por uno, para acompanhar a máquina. 4.3 Avaliação econômica do invesimeno Para avaliação econômica do invesimeno foi uilizado o fluxo de caixa apresenado na Tabela 4, considerando como período sem auomação (11/2012 a 08/2013), período com auomação (09/2013 a 11/2014) e período incremenal (período com auomação período sem auomação). Pela análise dos fluxos de caixa pode-se dizer que o invesimeno de R$ ,00, para implanação das eseiras auomaizadas, conseguiu gerar um fluxo de caixa incremenal posiivo. 5

6 Tabela 4 Demonsraivo do fluxo de caixa mensal (em R$) enre 11/2012 e 08/2014 Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Sem auomação Com auomação , ,53 529, , , , , , , , , , , , , , , , , ,51 Incremenal , , , , , , , , , ,96 Fone: eleborado pelos auores, Conforme mosrado na Tabela 5, o VPL do projeo é maior que zero o que implica na decisão de aceiá-lo. Tem-se ambém uma TIR do projeo maior que o cuso de capial, confirmando que a decisão de invesir na implanação de eseiras auomaizadas foi uma excelene opção. Ainda foi observado que o capial invesido na auomação das mesas das prensas é recuperado em menos de um mês, cerca de 24 dias, de operação da máquina, mesmo quando se considera o valor do dinheiro no empo. Fone: elaborado pelos auores, Considerações finais Tabela 5 Resulados econômicos do invesimeno VPL R$ ,11 TIR 116,33% ao mês Payback simples 0,82 meses Payback desconado 0,83 meses Esse esudo eve por objeivo analisar, comparaivamene, a produividade, eficácia e eficiência do processo produivo de embalagens descaráveis de alumínio, com e sem implanação de mesas com eseira auomaizada. Nesse conexo, ano a avaliação do desempenho dos processos produivos quano à avaliação econômica do projeo de implanação da eseira auomaizada, mosram que al invesimeno rouxe resulados posiivos para empresa, melhorando a produividade da máquina e os lucros obidos. O invesimeno em auomação pode razer diversos benefícios a uma empresa, nese senido seria ineressane dar coninuidade a essa pesquisa aravés de um esudo ergonômico, baseado na Norma Regulamenadora 17 (NR17), a fim de verificar-se a melhoria nas condições de rabalho após a implanação da mesa com eseira auomaizada para a prensa de marmias. Referências ASSAF NETO, A. Finanças corporaivas e valor. 6. ed. São Paulo: Alas, BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamenos de meodologia: um guia para a iniciação cienífica. 2. ed. São Paulo: Makron Books, CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Adminisração de produção e operações: manufaura e serviços: uma abordagem esraégica. 3. ed. São Paulo: Alas, GIL, A. C. Méodos e écnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Alas, GITMAN, L. J. Princípios de Adminisração Financeira. 10. ed. São Paulo: Pearson,

7 INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA. Esudo macroeconômico de embalagem ABRE/FGV. São Paulo, Disponível em: <hp://www.abre.org.br/seor/dados-de-mercado/>. Acesso em: 07 jun CORDEIRO, J. V. B. M. de. Avaliando o desempenho de sisemas produivos: formalização de um méodo para consrução de scorecards para a área de operações. Revisa da FAE. Curiiba, v. 11, n.1, p , jan./jun., Disponível em:<hp://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revisa_da_fae/fae_v11_n1/08_vicene.pdf>. Acesso em: 13 jun NEELY, A. e al. Performance measuremen sysem design: a lieraure review and research agenda. Inernaional Journal of Producion Economics. n. 4, p , MORAES, C. C. de; CASTRUCCI, P. de L. Engenharia de auomação indusrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, OLIVEIRA, D. de P. R. de. Adminisração esraégica na práica: a compeiividade para adminisrar o fuuro das empresas. 8. ed. São Paulo: Alas, PORTER, M. E. Vanagem compeiiva: criando e susenando um desempenho superior. 35. ed. Rio de Janeiro: Campus, RODRIGUES, W. C. Meodologia cienifica. Paracambi: Fundação de Apoio à Escola Técnica, ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. F. Adminisração financeira. São Paulo: Alas, SANTOS, A. dos; ASSAF NETO, A.; KASSAI, J. R. Reorno de invesimeno. 3. ed. São Paulo: Alas, SILVA, E. L. da; MENEZES, E. M. Meodologia da pesquisa e elaboração da disseração. Florianópolis: Universidade Federal de Sana Caarina, SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Adminisração da Produção. 3. ed. São Paulo: Alas, TOLEDO JR, I. F. B. de. Esudos de Viabilidade Econômica. 8 ed. São Paulo: Assessoria Escola, VERAS, L. L. Maemáica financeira: uso de calculadoras financeiras, aplicações ao mercado financeiro, inrodução à engenharia econômica, 300 exercícios resolvidos e proposos com resposas. 6. ed. São Paulo: Alas, YIN, R. Esudo de caso: planejameno e méodos. 2 ed. Poro Alegre: Brookman,

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