PIBID Música e Educação Musical Especial

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1 PIBID Música e Educação Musical Especial Gleiciane Paula da Silva Antônio Vanderlan da Silva Júnior Camila Roberta de Arruda Silva Anderson Diêgo Monteiro da Silva Maria das Graças Gomes Ferraz Secretaria de Educação Escola Professor Leal de Barros Resumo: Mesmo existindo variados meios que possibilitam ao licenciando adquirir experiência durante a graduação, existem casos como a educação especial onde não há um aprofundamento significativo e por essa razão um grande número de docentes consideram-se inaptos para lecionar neste ambiente. Nesse contexto, o PIBID proporciona aos futuros docentes reconhecer os diversos ambientes escolares, dentre eles os alunos que fazem parte da Educação Especial, que exige dos bolsistas, um maior aprofundamento em pesquisas, promovendo assim a aprendizagem e uma melhor relação e interação dos mesmos com os estudantes. Dessa forma, o PIBID capacita os futuros docentes para as mais diversas paisagens no cenário escolar, como também contribui para futuras pesquisas relacionadas à educação musical especial. Palavras chave: Educação Especial, PIBID, Formação Docente. O PIBID mostra-se como um excelente caminho de aperfeiçoamento e ganho de experiência para alunos nos cursos de licenciatura em geral. Embora existam vários meios que possibilitem aos licenciandos adquirir experiência durante a graduação, muitos não se sentem aptos ou seguros para lecionar após a conclusão do curso. Nesse contexto, se faz necessário que o licenciando se utilize dos vários meios possíveis de inserção em diferentes ambientes escolares. Sendo assim, através do PIBID, uma possibilidade que se apresenta é trabalhar com a Educação Especial, tema que trataremos neste trabalho. A experiência obtida através da Educação Especial é de fundamental importância para os licenciandos tendo em vista que estes serão os futuros profissionais da educação e estarão encarregados pela inclusão de alunos com deficiência ou, apropriando-se de uma expressão que julgamos ser mais prudente utilizada por Cardoso (2008, p. 97 apud KEBACH, 2008), alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEEs). Trabalhar com a Educação Especial pode representar um grande desafio o que

2 gera um certo receio por parte dos licenciandos. Assim, questão que se apresenta é: como realizar um trabalho bem sucedido em uma área onde ainda não se encontram tantas referências práticas e que apresenta tantas incertezas e inseguranças em seu ambiente? O que ocorre nessa situação é que ainda temos um número ainda reduzido de trabalhos e literaturas publicadas em relação à educação musical para a educação especial (MALAGUTTI, 2007). Até alguns anos atrás, publicações a respeito da Educação Especial eram bastante escassas. Em sua pesquisa realizada em 2000, Fernandes lista dissertações e teses dos cursos de pós-graduação no Brasil. Segundo o autor, nos mestrados em música, na especialidade (7) 1, Educação Musical Especial, não existe qualquer trabalho feito, sendo, portanto, a especialidade mais carente (FERNANDES 2000). Por sua vez, nos mestrados em educação, um ponto relevante é o aparecimento - já que nos cursos de música não existe qualquer trabalho - de trabalhos na especialidade (7) Educação Musical Especial (3,5%) (FERNANDES, 2000). O quadro já se alterou desde que a pesquisa foi realizada, entretanto, levando em consideração a relevância do tema, os números ainda são bastante reduzidos e grande parte desses trabalhos são apenas relatos de experiência. A Educação Especial demanda cuidados não apenas dos docentes, mas também da comunidade escolar em geral. Para isso, faz-se necessário que haja uma mudança na proposta político pedagógico das escolas, na postura diante dos alunos NEEs [Necessidades Educativas Especiais] e na formação dos professores (KEBACH, 2008). Ainda segundo Kebach, [...] o ensino da música e a inclusão da educação de alunos com necessidades educativas especiais no Sistema Regular de Ensino, apesar de ser assegurada por lei 2, ainda causa muito impacto entre os professores que atuam na rede de ensino regular. Os professores não sabem como devem proceder para atender a essa clientela (KEBACH, 2008). 1 O Trabalho de Fernandes está organizado em especialidades da subárea Educação Musical. Essas subáreas são: (1) Filosofia e Fundamentos da Educação Musical, (2) Processos Formais e Não formais da Educação Musical (I, II e III Graus), (3) Processos Cognitivos na Educação Musical, (4) Administração, Currículos e Programas em Educação Musical, (5) Educação Musical Instrumental (Banda, Orquestra), (6) Educação Musical Coral, (7) Educação Musical Especial. 2 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº9394/96) que define a Educação Especial como modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.

3 Isso mostra as incertezas e inseguranças de alguns professores que atuam na Educação Especial. A experiência ofertada pelo PIBID pode sanar pelo menos minimamente essas dificuldades tendo em vista que o bolsista é assessorado por um professor que já possui um certa experiência com Educação Especial (embora não musical). O PIBID vem então contribuir um pouco com a aproximação dos licenciando em música dessa realidade, pois [...] como a inclusão social hoje é bastante discutida, [...] o profissional deve estar preparado para a realidade que se apresenta (MALAGUTTI, 2007). Nesse contexto, descreveremos as atividades e registros observados em nossas participações nas aulas da turma de Educação Especial através do programa PIBID, esperando contribuir de alguma forma com futuros pesquisadores e docentes da área. Após reuniões entre os bolsistas PIBID e nossa coordenadora, foi formado um trio para trabalhar com alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEEs) na Escola Estadual Professor Leal de Barros localizada no Bairro do Engenho do Meio, próximo ao Campus da Universidade Federal de Pernambuco. A princípio, os encontros aconteceriam quinzenalmente, mas após um diálogo, foi acordado que aconteceriam uma vez por semana. Na turma dos NEEs estão matriculados quinze alunos, mas por motivo de tratamento três estudantes estão ausentes. A faixa etária é bastante variada com alunos entre treze e quarenta e um anos. Os estudantes também possuem distintas necessidades como deficiência motora, deficiência cognitiva, autismo e Síndrome de Down, o que exige do grupo um aprofundamento maior em pesquisas para uma melhor relação e interação dos mesmos com os estudantes. No planejamento para a primeira aula, surgiram alguns questionamentos: Que tipo de metodologia abordar e como interagir de maneira significativa para o aprendizado da turma? Apesar de ser a primeira aula com a turma de especiais, o primeiro contato já havia sido realizado, quando fomos conhecer o espaço físico da escola e observar as aulas lá realizadas. No entanto, o grupo ainda não possuía experiência com Educação Musical Especial. Rememorando o primeiro contato realizado anteriormente, foi observado que [...] os alunos ficaram introvertidos, mas ao tomarem conhecimento da participação do grupo no PIBID de música, receberam a equipe calorosamente, com entusiasmo e ansiosos pelas aulas, pois tinham recordações positivas dos antigos bolsistas, que também trabalharam com eles (BARBOSA, 2014).

4 Isto nos fez perceber que, embora os estudantes tenham dificuldades de atenção, memória e interação, o ensino da música pôde auxiliar no desenvolvimento, relacionamento e aprendizado dos mesmos. [...] A educação musical contribui para o desenvolvimento harmonioso, com isso, facilita na educação psicomotora, trabalhando o aluno, fazendo-o tomar consciência seu corpo na lateralidade, situando-se no espaço, ter domínio sobre o tempo, coordenar gestos e movimentos, sendo praticada desde as mais tenras idades, sempre adaptada ao nível do grupo, porque é por meio dessas experimentações e relações com o outro que o ser humano se descobre e vai se formando pouco a pouco (RELVAS, 2007, p. 136 e 137 apud LOURO, 2012, p. 107). É necessário que o professor na Educação Especial conheça os limites de seus alunos. Segundo Soares (2002), não se faz necessária a criação de um método exclusivo para a Educação Especial. É importante conhecer e respeitar as diferenças, fazendo as adaptações necessárias, o que facilitará, inclusive, o processo de inclusão (SOARES, 2002). A partir daí buscamos adaptar propostas que já conhecíamos (Dalcroze, Kodály, Schafer, Orff e Ciavatta) à realidade e necessidade da turma, além também dos trabalhos realizados por Louro que tem um conhecimento significativo e relevante na área de Educação Musical Especial. Na primeira aula, formamos um círculo com as carteiras na sala de aula e realizamos uma apresentação contando um breve relato de nossas experiências com a música. Posteriormente, foi solicitado aos alunos que se apresentassem e externassem a curiosidade e a experiência dos mesmos com a música. O que nos chamou a atenção é que mesmo com as específicas dificuldades de comunicação, todos os alunos se expressaram seja com palavras e/ou gestos. Os mesmos externaram que já tocaram instrumentos de percussão (que estão disponíveis na escola) e que gostavam de cantar. A princípio não falamos sobre teoria (pois ainda não tínhamos conhecimento das deficiências de cada aluno), apenas propomos uma atividade sugerida por Louro (2012, p ), com algumas alterações. A atividade consistia em passar uma bola no círculo, de um aluno para o outro, enquanto uma música foi sendo executada. Quando a música parava, os alunos deveriam também parar de passar a bola e aquele que tivesse a posse da bola deveria responder aos questionamentos da turma: TURMA: Onde está a bola? ALUNO: Aqui está a bola! (Erguendo-a) TURMA: Quem está com a bola?

5 ALUNO: Eu - (exemplo: Diogo) Nessa atividade, além de trabalhar com a associação entre o som e o silêncio, trabalhamos também a relação entre os próprios alunos, pois ao proporcionar à criança a exploração do prazer de brincar, cantar, conhecer e pesquisar o mundo em suas múltiplas possibilidades, ampliamos as possibilidades desses indivíduos de participarem cooperativamente, do meio social em que se encontram, inseridos pela vivência de situações que facilitem trocas nos diferentes níveis - afetivo, linguístico, motor e intelectual (KEBACH, 2008). Não foi trabalhado nenhuma atividade de pulsação. Posteriormente buscamos trabalhar com timbres. Levamos gravações de animais produzindo sons e os alunos teriam que identificar que animais eles escutavam. Em seguida realizamos a identificação com instrumentos musicais. O resultado das atividades foi satisfatório. Vale salientar que estavam presentes apenas oito alunos no primeiro encontro. No segundo encontro foi feita uma reunião com a Professora responsável pela turma para conhecermos mais sobre a deficiência e histórico de cada aluno. No terceiro encontro foram levados para sala de aula alguns instrumentos de percussão, visto que os alunos externaram gostar. Os instrumentos foram: carrilhão, ovinho, pandeiro, tamborim, clavas, chocalho e pandeirola. Após apresentar os instrumentos mostramos um quebra cabeça contendo alguns dos instrumentos com no máximo 9 peças e pedimos para que eles montassem. É de nosso conhecimento que o desenvolvimento e a atenção dos alunos são comprometidos e que a atividade de montar os deixaria concentrados e curiosos para descobrir qual seria a figura. Nossos questionamentos eram: Eles iriam relembrar os instrumentos? Iriam persistir em montar mesmo com suas limitações? A figura dos instrumentos foi pensada para chamar a atenção dos alunos, pois na educação especial a imagem é sempre utilizada. Todos conseguiram montar o quebra-cabeça, embora tenham apresentado dificuldades e foram auxiliados, mas o intuito era prender a atenção, trabalhar a persistência dos alunos ao se deparar com situações desconhecidas além também de desenvolver a memória, de forma que respondessem positivamente aos questionamentos. Aproveitando a resposta positiva da atividade anterior, foi pensado em trabalhar com a frequência de sons, onde eles poderiam "compor" a partir da seleção de figuras de instrumentos musicais. Os alunos teriam que escolher quatro dessas figuras e formar uma sequência. Os outros alunos iriam executá-la sob a regência do aluno que as

6 escolheu. Para nossa surpresa os alunos não só executaram a atividade de forma satisfatória como também tinham noção de intensidade e pulso, mesmo que de forma inconsciente. Vale salientar que neste encontro estavam presente apenas três alunos. Mesmo com as dificuldades físicas e estruturais da escola, e sendo realizados poucos encontros, podemos observar até o momento um grande potencial e interesse da turma, que é muito participativa. Com o que foi exposto, vemos que a experiência do PIBID música na Educação Especial, tem realmente nos auxiliado no sentido de conhecer bem mais de perto a realidade escolar e observar os constantes desafios de uma área que ainda é carente de profissionais. REFERÊNCIAS SOUSA FILHO, J. B.; SILVA Jr., A. V.; SILVA, G. P,; SILVA, C. R. A. A Experiência do PIBID/Música Desafios e superações na formação docente. In: XII ENCONTRO REGIONAL NORDESTE DA ABEM, 12., 2014, São Luís. Anais... São Luís: (No prelo). BRASIL. Congresso Nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394). Brasília, FERNANDES, J. N. Pesquisa em educação musical: situação no campo das dissertações e teses dos cursos de pós-graduação stricto sensu em Educação. Revista da ABEM, Porto Alegre, n. 5, p , KEBACH, P; DUARTE, R. Educação Musical e Educação Especial: Processos de inclusão no sistema regular de ensino. Revista Textos e Debates. v. 1, n. 15, LOURO, V. Fundamentos da Aprendizagem Musical da pessoa com deficiência. São Paulo: Editora Som, MALAGUTTI, V; FIALHO, V. Educação Musical Especial: Uma investigação na APAE de Serandi-PR. In: ENCONTRO ANUAL DA ABEM E CONGRESSO REGIONAL DA ISME NA AMÉRICA LATINA, 16., 2007, Campo Grande, Anais... Campo Grande: SOARES, L. Atividades musicais na Escola Especial. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MUSICAL, 11., 2002, Natal,. Anais... Natal: 2002, p. 405.

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