RECOMENDAÇÕES PARA REGULAMENTAÇÃO DE INFRA-ESTRUTURA DE TELECOMUNICAÇÕES EM VIAS PÚBLICAS NO BRASIL CABEAMENTO ÓPTICO

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1 RECOMENDAÇÕES PARA REGULAMENTAÇÃO DE INFRA-ESTRUTURA DE TELECOMUNICAÇÕES EM VIAS PÚBLICAS NO BRASIL CABEAMENTO ÓPTICO TELCOMP e COMITÊ DE TELECOMUNICAÇÕES AMCHAM Task Force de Infra-Estrutura Autoria Silvia Regina Barbuy Melchior Rafael Micheletti de Souza Abril de 2001

2 Empresas Associadas a TelComp ALTA América Latina Telecomunicações AQUÁTICA Comunicações AT&T do Brasil Ltda. BUSINESSNET do Brasil Ltda. CIP do Brasil Ltda. COMPUGRAF Serviços Ltda. COMSAT Brasil Ltda. COPEL Cia. Paranaense de Energia DIVEO do Brasil Telecomunicações Ltda. ELETRONET S.A. ENGEREDES Redes Multimídia S.A. GLOBAL ONE Comunicações Ltda. IMPSAT Comunicações Ltda. LIGHT Telecomunicações Ltda. METRORED Telecomunicações Ltda. NOVADATA Sistemas e Computação S.A. NTT do Brasil Telecomunicações PEGASUS Telecomunicações S.A. RTM Rede de Telecom. p/ o Mercado Ltda. VICOM S.A. 360 Americas do Brasil Ltda. Participantes do Trabalho Força Tarefa Luis John Cuza Aimé Luiz Ramos Filho Ana Paula Bialer Ingham Arnaldo Tibiriçá Cláudio Xavier Gisele Cortiñas Albuquerque João Antonio Meirelles José Barbosa de Mello José Carlos Meira Mattos Maria Cibele Crepaldi Affonso dos Santos Maria Salete Soares Pazetti Marta Mítico Valente Sergio Paiva Silvia Regina Barbuy Melchior Advogados Amendoeira Kaltenbach Melchior Tartarini Advogados Associados Sidnei Amendoeira Junior Daniel Ribeiro Kaltenbach Silvia Regina Barbuy Melchior Cláudio Márcio Tartarini Rafael Micheletti de Souza Antonio C. J. Pentagna Jr. 2

3 ÍNDICE I II Introdução Avanço Tecnológico e Utilidades da Fibra Óptica Visão Técnica/Conceito/Definição Vantagens Oferecidas pela Fibra Óptica Construção e Instalação de Cabos Ópticos Rede Estruturada Topologia de Rede Utilização da Fibra Óptica e Serviços III Telecomunicações no Brasil Aspectos Históricos Específicos para o Setor de Infra- Estrutura de Fibras Ópticas IV Classificação da Infra-Estrutura de Cabeamento Óptico Usado para Fins de Telecomunicações V VI VII VIII IX O Compartilhamento de Infra-Estrutura Limites à Competência Legislativa Princípios de Direito Urbanístico Aplicáveis Cobrança pelo Uso das Vias Públicas e Subsolo Inexigibilidade de Licitação Pública para a Cessão do Uso das Vias Públicas (Subsolo) para a Instalação de Redes de Telecomunicações X Experiência Internacional de Regulamentação no Setor de Infra-Estrutura X.I X.I.1 X.I.2 X.I.3 X.I.4 X.I.5 X.II X.III Estados Unidos da América Califórnia Berverly Hills Municipal Code Yonkers Dallas City Code Havaí Argentina Buenos Aires Colômbia Bogotá 3

4 X.IV X.V. Itália Finlândia XI XII Análise Crítica Legislação Estrangeira Experiência de Alguns Municípios Brasileiros na Regulamentação Do Uso de Vias Públicas XIII XIV XV XVI Análise Crítica da Legislação Brasileira Tratamento do Passado e do Período de Transição para a Regulamentação Específica Diretrizes e Recomendações Anexos XVI.I Resumos de Legislações Nacionais XVI.I.1 XVI.I.2 XVI.I.3 XVI.I.4 XVI.I.5 XVI.I.6 XVI.I.7 XVI.I.8 XVI.I.9 Município de São Paulo Município do Rio de Janeiro Município de Florianópolis Município de Curitiba Município de Porto Alegre Município de Campinas Município de Osasco Município de São José dos Campos Município de Santo André XVI.II Resumos de Legislações Internacionais X.VI.II.1 X.VI.II.2 X.VI.II.3 Argentina Colômbia Hawaii XVI.III Glossário 4

5 I - INTRODUÇÃO 1. A TELCOMP Associação Brasileira das Empresas Prestadoras de Serviços Especializados de Telecomunicações, na qualidade de sociedade civil sem fins lucrativos que reúne as empresas que prestam serviços de rede corporativa, desenvolveu um estudo sobre infraestrutura de telecomunicações, enfocando os aspectos tecnológicos, jurídicos e urbanísticos envolvidos na utilização de vias públicas. O presente estudo visa trazer uma contribuição a todos os agentes públicos e privados (Prefeituras, ANATEL, Poder Legislativo, sociedade civil, empresas do setor, entre outros) envolvidos com a implantação e operação da infraestrutura de telecomunicações de fibra óptica e respectivos suportes, e, espera-se, servirá como contribuição para o estabelecimento de normas adequadas e uniformes regulamentando o assunto, bem como para a adoção de práticas administrativas e empresariais compatíveis com o interesse público dos serviços de telecomunicações e com a necessidade de se resguardar a arquitetura das cidades. 2. Preliminarmente, objetivando apresentar um panorama da entidade, esclarece-se que a TELCOMP congrega 21 empresas prestadoras de serviços limitados especializados de telecomunicações, em todo o Brasil. A missão 1 da TELCOMP é servir aos associados representando-os junto ao Congresso Nacional, Prefeituras, Ministérios, ANATEL, outros órgãos reguladores e demais entidades, analisando e acompanhando a evolução da legislação e regulamentação de telecomunicações, interagindo com organismos públicos e privados no desenvolvimento de aspectos legislativos e regulatórios, entre outras atribuições. 3. No intuito de contribuir para o desenvolvimento e benefício de seus associados e comprometida com o processo legislativo em diversos setores da economia, a TELCOMP, em conjunto com a Força Tarefa organizada pela Câmara Americana de Comércio de São Paulo (AMCHAM), assessoradas pelo escritório de advocacia Amendoeira, Kaltenbach, Melchior e Tartarini Advogados Associados, por meio de sua sócia Silvia Regina Barbuy Melchior e seu advogado Rafael Micheletti de Souza, realizaram o presente estudo com o objetivo principal 1 Missão da TelComp: Promover o desenvolvimento dos serviços de telecomunicações no Brasil, apoiando iniciativas voltadas para o aumento de mercado em todos os segmentos da sociedade com maior oferta de serviços através a competição, para o desenvolvimento de novos serviços e tecnologias, para a melhoria da qualidade dos serviços e para a prática de preços competitivos por seus associados. 5

6 de desenvolver e implementar propostas para as prefeituras e outros agentes envolvidos, sobre a instalação de fibras ópticas por meio de postes, dutos e condutos. 4. Considerando a necessidade de conciliar os aspectos de segurança de edificações, saúde pública, paisagismo e urbanismo das cidades com as exigências da vida moderna e reconhecendo as implicações hoje existentes no que tange à implantação de infra-estrutura de telecomunicações tanto ocorrida no passado como a que está por vir e visando participar ativamente de forma a garantir a transparência e o amplo debate sobre o tema, a TELCOMP e a AMCHAM, através de seu Comitê de Telecomunicações, se colocam à disposição dos interessados para auxiliá-los na elaboração de uma solução rápida e eficaz. 5. Para tanto, elaborou-se um estudo amplo que aborda os aspectos mais relevantes relacionados à infra-estrutura de telecomunicações atinente ao uso de vias públicas para fins de instalação de dutos, condutos e postes para implantação de fibra óptica, visando a prestação de serviços de telecomunicações, levando-se em consideração, entre outros, os seguintes temas: (i) explicitação técnica e das vantagens do uso de fibra óptica; (ii) análise das soluções legislativas adotadas no País e no exterior (Argentina, Colômbia, Estados Unidos, Finlândia e Itália); e (iii) as competências para regulamentar o assunto, tendo em vista a diversidade de questões envolvidas. II AVANÇO TECNOLÓGICO E UTILIDADES DA FIBRA ÓPTICA A. Visão Técnica 6. Fibras ópticas são filamentos transparentes, finos e flexíveis, de dimensões reduzidas, que permitem a transmissão de luz. A composição da fibra óptica tem com base um material dielétrico, compreendido como meio não metálico e não condutor de eletricidade, geralmente a sílica pura ou dopada, o vidro composto ou o plástico 2. 2 A ANATEL traz em seu glossário definição de fibras ópticas como: Fibra Óptica. (sistemas ópticos) filamento de material dielétrico transparente, comumente de vidro ou de plástico, circular em sua secção transversal, que guia a luz. Notas: 1. Uma fibra óptica tem usualmente um núcleo cilíndrico rodeado e em contato profundo com uma casca de geometria similar. 2. O índice de refração do núcleo deve ser ligeiramente maior que aquele da casca para que a luz possa ser guiada pela fibra. É sinônimo de guia-de-luz. 6

7 Fibras Ópticas Composição Núcleo Casca: 125 µm Revestimento: 250 µm Núcleo Fibras Ópticas Propagação Casca 7

8 7. A fibra óptica é um instrumento simples de transmissão óptica, caracterizado por uma estrutura cilíndrica básica formada por uma região central, chamada núcleo, envolta por uma camada, também de material dielétrico, chamada casca. O material que compõe a casca da fibra óptica tem índice de refração ligeiramente inferior ao do núcleo, oferecendo condições à propagação de energia luminosa através do núcleo da fibra, num processo de reflexão interna total. Em outras palavras, a luz transmitida fica retida no interior da fibra em virtude de seu núcleo ser revestido com um material de índice de refração mais baixo: a interface núcleorevestimento funciona como um espelho, refletindo a luz continuamente de volta para o núcleo. 8. Esse fenômeno da transmissão da luz pelo núcleo da fibra é denominado reflexão interna total. 9. Estão disponíveis no mercado diversos tipos de fibra óptica, cujos materiais, processos de fabricação e aplicações são bastante diferentes entre si. 10. As fibras ópticas fabricadas de sílica pura ou dopada apresentam as melhores características de transmissão e são as mais usadas em sistemas de telecomunicações. Os processos de fabricação das fibras de sílica pura ou dopada são complexos e caros. As fibras ópticas fabricadas de vidro composto e plástico, por outro lado, não tem boas características de transmissão (possuem alta atenuação 3 e baixa largura de banda passante) e são empregadas em sistemas de telecomunicações de baixa capacidade e pequenas distâncias e sistemas de iluminação. Os processos de fabricação dessas fibras são simples e baratos se comparados com as fibras de sílica pura ou dopada. 11. As fibras são geralmente apresentadas em duas formas distintas: as fibras multimodo (MM, multimode fiber) e fibras monomodo (SM, single-mode fiber). Fibras multimodo propagam diversos modos (ou raios) e dividem-se ainda em dois tipos de fibra com índice de refração do 3 Atenuação é a diferença da potência de entrada no cabo e a potência de saída, isto é, significa a perda do sinal no interior do cabo. A atenuação é medida em decibéis (db) e quanto menor for o valor da atenuação, melhor será a performance do cabo. 8

9 tipo degrau e com índice de refração gradual, influenciando as características de dispersão no seu interior. A fibra monomodo apresenta um índice de refração do tipo degrau. 12. É possível, também, atribuirmos à fibra óptica a função de transmissão em alta velocidade com baixas perdas, geralmente utilizada nas telecomunicações de longa distância, bem como de transmissões que sofrem maior perda de informações (alta atenuação), como as usadas nas redes locais de computadores (LAN), tendo em vista a curta distância percorrida pelo sinal. B. Vantagens Oferecidas pela Fibra Óptica 13. Não apenas pelas características acima apresentadas, o mercado de prestadores de serviços de telecomunicações vem optando pela utilização de cabos de fibras ópticas em detrimento dos cabos de condutores metálicos, mas principalmente pelas diversas vantagens que os mesmos oferecem sobre estes e que são as seguintes: ALTA VELOCIDADE DE TRANSMISSÃO: Primeiramente, ressalta-se a altíssima capacidade da fibra de transmitir dados, chamada de taxa de transmissão, mensurada em bilhões de bits por segundo (Gbps), a qual supera, em muito, a capacidade dos sistemas em cabos metálicos. BAIXO VOLUME E PESO: O conjunto de fibras ópticas se apresenta em pequeno volume e baixo peso, muito inferior ao dos cabos convencionais, para transportar a mesma quantidade de informações, facilitando tanto o manuseio e quanto a instalação dos cabos de fibras. IMUNIDADE À INTERFERÊNCIA ELETROMAGNÉTICA: A fibra óptica é constituída por material isolante (material dielétrico) que a torna, portanto, imune à interferência eletromagnética. Esta característica proporciona a eliminação dos problemas de condução de descargas elétricas atmosféricas no cabo, bem como de condução elétrica entre áreas com potenciais diferentes. Por tal motivo, a fibra óptica é considerada o meio 9

10 mais adequado para interligar prédios, sistemas com diferentes aterramentos e instalações de alta tensão. IMUNIDADE A INTERFERÊNCIAS EXTERNAS: Além da vantagem exposta no parágrafo anterior, a imunidade a interferências eletromagnéticas externas permite que a fibra seja instalada em locais com alta taxa de ruído, sem que a transmissão seja prejudicada. Não só isso: a referida imunidade possibilita, ainda, que a fibra tenha sua distância máxima de instalação estendida, superando em muito a distância máxima dos cabos metálicos. Devido à baixa atenuação, podem transmitir sinais a distâncias muito grandes sem estações intermediárias, aumentando a confiabilidade do sistema, e diminuindo o investimento inicial e as despesas de manutenção. Um problema enfrentado pelos serviços de telecomunicações que utilizam os cabos metálicos é a DIAFONIA, conhecida popularmente como linha cruzada. As fibras ópticas, diferentemente, não sofrem interferência entre si, o que propicia a ausência da diafonia, bastante comum nas transmissões em alta freqüência por cabeamento convencional, fator que dispensa a necessidade de blindar os cabos. COMPATIBILIDADE DE SISTEMAS: No tangente à compatibilidade com os sistemas tecnológicos disponíveis para a transmissão de dados, a fibra óptica é um meio amplamente receptivo e compatível com a tecnologia digital. ELEVADO GRAU DE SEGURANÇA SOBRE A TRANSMISSÃO E SEU CONTEÚDO: Não obstante todo o acima exposto, a fibra óptica oferece, ainda, alto grau de segurança sobre a informação que transmite, uma vez que a captação de mensagens ao longo de uma fibra exige o desvio de uma porção considerável de potência luminosa transmitida, e tal desvio é 10

11 facilmente detectado pelos prestadores de serviço. Para se ter uma idéia da confiabilidade há menos do que um erro a cada bilhão de bits transmitidos. 14. Todavia, a despeito de todas vantagens apresentadas, a utilização da fibra óptica envolve alto e especializado conhecimento técnico, pelo fato de a qualidade e a capacidade de transmissão da fibra óptica estarem intimamente ligadas com o estado físico e integridade da própria fibra. Assim, a principal preocupação na construção dos cabos ópticos é evitar que suas características técnicas não sejam afetadas por trações e torções durante a instalação. 15. Ou seja, para que a fibra óptica fosse empregada largamente nos meios de telecomunicações, foi necessária uma revolução e uma série de modificações nos conceitos de projeto e fabricação de cabos. Foi preciso que alguns aspectos fossem reavaliados no processo de construção e instalação de cabos ópticos, conforme será explicado a seguir. C. Construção e Instalação de Cabos Ópticos 16. Considerando as definições e os aspectos acima levantados, é possível partir para o conceito de cabo óptico, este entendido como a reunião de várias fibras ópticas protegidas e revestidas por materiais que proporcionam resistência mecânica contra fenômenos externos que possam vir a causar danos à integridade da fibra. Ademais, em decorrência da proteção que proporcionam e de sua forma, os cabos ópticos oferecem uma facilidade maior de manuseio na instalação e aplicação das fibras. 17. Deste modo, a fibra óptica, que geralmente não é aplicada e utilizada sem uma proteção adequada, tendo em vista sua notória fragilidade, passa a ser empregada em quase todas as suas aplicações através da instalação dos cabos ópticos. 18. No que toca à instalação de cabos ópticos, vale dizer que tal procedimento requer cuidados especiais, pois as fibras são materiais frágeis e quebradiços. Dessa forma, os responsáveis por este processo devem observar os seguintes aspectos críticos: 11

12 O cabo não deve sofrer curvaturas acentuadas pois tal postura pode causar a quebra das fibras em seu interior. O cabo não deve ser tracionado pelas fibras ou elementos de enchimento adjacentes a elas, mas sim pelos elementos de tração ou aço existentes no cabo. A velocidade de puxamento deve baixa para permitir uma paralisação imediata, se necessário. Não exceder a tensão máxima de puxamento especificada para o cabo. Daí a necessidade de a instalação ser monitorada através de uma célula de carga, durante o processo de puxamento. O cabo deve ser previamente limpo e lubrificado a fim de diminuir o atrito de tracionamento. Cabos Ópticos: Aéreos Cabo Dielétrico Auto-Sustentado (AS) Cabo Dielétrico Espinado em Mensageiro (DAE) Cabo Pára-Raio (OPGW) 12

13 Cabos Ópticos: Enterrados Cabo Dielétrico Enterrado (DE) Cabo Armado Enterrado (ARE) Cabo Diel. Ent. Anti-roedor (DER) 13

14 Compactação mecanizada das camadas de reaterro para garantir nível de compactação semelhante ou superior ao do terreno original; Recomposição dos pavimentos conforme as características do pavimento original ou melhor. 14

15 20. No que concerne a essa implantação é preciso que sejam adotados diversos cuidados com a rede pré-existente, a sinalização e execução dos trabalhos. Método Executivo para Furos Direcionais Operação para instalação subterrânea de dutos Método não destrutivo ETAPA 1 : A perfuratriz produz o microtúnel ETAPA 2 : Operação de Alargamento e Instalação de Duto 15

16 D. Topologias de Rede 21. A forma pela qual os componentes da estrutura de rede estão dispostos e interligados entre si constitui a chamada de topologia de rede e seu planejamento como se pode perceber é de elevada complexidade técnica. As diferentes topologias apresentam vantagens e desvantagens próprias. No mercado, destacam-se as seguintes topologias: ANEL - a rede em anel conecta as estações através de cabos unidos em forma de um laço, fazendo com que o sinal seja transmitido de estação a estação até atingir seu destino. O tráfego das informações pela rede caminha em um único ou em ambos os sentidos do anel. Para que esta topologia esteja em funcionamento, é necessário que haja a junção física do cabo do início da rede com o do seu fim. BARRAMENTO nesta topologia, todas as estações de trabalho estão conectadas a um cabo central, chamado de barramento. No processo de transmissão, o sinal é transmitido e permanece disponível no barramento até que a estação de destino esteja apta a captá-lo. ESTRELA na topologia de estrela, as estações conectam-se entre si através de cabos e equipamentos centralizadores ou concentradores da rede, os quais realizam o controle do sistema. Neste caso, o sinal obrigatoriamente passa pelo concentrador e segue para a estação destinatária. É aplicada geralmente em cabos submarinos de transmissão a longas distâncias, controle de aviões, instrumentação, conexão entre computadores e periféricos, comunicação por cabo para redes ferroviárias e elétricas e comunicação em televisão a cabo. HÍBRIDA na topologia híbrida conjugam-se as topologias de estrela e anel, acima citadas. 16

17 22. O entendimento da topologia é fundamental para se entender a relevância de um projeto de cabeamento óptico e a necessidade de se instalar o cabeamento de forma específica, segundo as necessidades que se pretende atender. A instalação fora dos parâmetros da topologia desenhada implica sérios danos à finalidade e otimização do sistema. E. Utilização da Fibra Óptica e Serviços 23. A fibra óptica está associada à prestação de inúmeros serviços tanto no setor de energia elétrica como no de telecomunicações. Especificamente neste último, a fibra vem sendo associada aos seguintes serviços, sendo o elemento básico de prestação de serviços direta ou indiretamente 4 : Diretamente: - Serviços de Rede e Circuito que envolvem a transmissão de dados à alta velocidade, acesso à Internet, comunicação corporativa (entre empresas) de sons e imagens entre muitos outros; - Serviço Telefônico Fixo Comutado Local, Intra-Regional e Internacional (transmissão de voz); - Serviço de TV a Cabo; Indiretamente: - Serviço Móvel Celular (interligando estações rádio base entre si e à central de comutação e controle); - Serviço Móvel Especializado (interligando estações rádio base entre si e à central de comutação e controle); - Serviço especial de Radiochamada (interligando estações rádio base entre si e à central de comutação e controle). - Serviço Móvel Pessoal; e - Serviço de Satélite. 4 Para a exemplificação foi utilizada a classificação de serviços da ANATEL.. 17

18 24. No Brasil, o avanço do cabeamento óptico também toma rumo internacional. Novas redes de cabos submarinos estão interligando as principais cidades do Brasil e dos países da América Central e os Estados Unidos, passando a integrar redes mundiais que, individualmente, superam quilômetros de extensão. 25. Quando se tornaram comerciais, as primeiras aplicações da comunicação óptica se destinaram a desafogar o tráfego de voz e de dados das operadoras. Suportadas por cabos de cobre e sistemas de transmissão que eram basicamente analógicos, as redes estavam chegando ao ponto de esgotamento. Assim, embora essas redes não tenham sido substancialmente alteradas no que se refere à ligação com o assinante, a rede metálica de comunicação entre centrais foi substituída por enlaces ópticos de transmissão, repetição, regeneração e amplificação do sinal. Com isso, a capacidade de comunicação das redes foi ampliada e deu novo fôlego ao sempre crescente tráfego de voz e de dados. 26. A fibra óptica revolucionou este mercado com a sua alta taxa de transmissão, que hoje chega à casa dos Gigabits por segundo (Gbps), e já se trabalha com a perspectiva de comercializar sistemas com capacidade de transmissão de até 3 Terabits por segundo (Tbps), o que equivale a 46,8 milhões de conversações simultâneas em cada par de fibras ópticas. 27. Concluindo, a utilidade e relevância dessa tecnologia nos serviços em geral e especialmente nos serviços de telecomunicações são incomensuráveis, razão pela qual sua instalação merece tratamento adequado dos pontos de vista técnico, legal e urbanístico. III - TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL ASPECTOS HISTÓRICOS ESPECÍFICOS PARA O SETOR DE INFRA-ESTRUTURA DE FIBRAS ÓPTICAS 26. Os aspectos históricos 5 merecem uma breve menção para o fim de explicitar não só o contexto mas ainda as condições específicas associadas aos serviços de telecomunicações prestados por 5 Os aspectos históricos também constam do Estudo de Implantação de Infra-Estrutura Sem Fio, preparado pela AMCHAM e mencionado na Introdução. 18

19 meio de fibras ópticas. 27. É inegável a revolução tecnológica dos meios de comunicação vivida nos últimos anos. Tal revolução tem reflexos imediatos em todas as esferas sociais e interage com todo um contexto de quebra de monopólios governamentais e privatização das empresas estatais de telecomunicações. 28. Existem provas irrefutáveis de que a produtividade do processo e a competitividade dos países têm aumentado como conseqüência do processo de liberalização das telecomunicações (ver Figura nº 1). Dentre as principais alterações e benefícios decorrentes destacam-se os seguintes: FIGURA Nº 1 Milhares kms Construção de Estradas Asfaltadas Milhares Mw Geração de Energia CAGR Telco 21% CAGR Telco 21% 151 Real Real E E Fonte: CNT - Companhia Nacional de Transportes Fonte: Plano Decenal Eletrobrás Crescimento da indústria de telecomunicações foi bastante superior ao de outros setores também privatizados sob outros modelos de regulamentação. (a) Introdução da competição em todos os serviços de telecomunicações, anteriormente monopolizados, quase sempre pelo Estado (ver Figura nº 2); 19

20 FIGURA Nº 2 PENETRAÇÃO DO STFC Acessos Instalados (milhões) CAGR = 21% Dez/97 Jul/98 Dez/98 Dez/99 Dez/99 Dez/00 Dez/00 Dez/01 Dez/01E Dez/02 Dez/97 Dez/98 Dez/99 Dez/00 Dez/01 2 Abr 98 Publicação do plano geral de outorga (PGO) 2 Jun 98 Assinatura dos contratos de de concessão 3 Jul 99 Implantação do código de seleção de prestadora - CSP 29 Set 98 Concorrência 001/98 Licitacão das espelhos 24 Jan 00 Entrada em operação das espelhos Megatel Vésper Intelig 29 Mai 00 Início da licitação das espelhinhos 31 Dez 00 Entrada em operação da da GVT 31 Dez 00 Data limite para início de de operação das espelhinhos Fonte: Anatel (b) Alteração do papel do Estado: de provedor de serviços para agente regulador e indutor do regime concorrencial; (c) Melhoria na produtividade e qualidade dos serviços prestados para toda a Sociedade: (c.1.) maior volume de investimentos; (c.2.) mais rapidez na implantação dos serviços; (c.3.) mais qualidade de serviços (ver Figura nº 3); 20

21 INDICADORES DE QUALIDADE - JUL98 FIGURA Nº 3 INDICADORES DE QUALIDADE DEZ00 Anatel. (c.4.) maior quantidade e diversidade de serviços ofertados (ver Figura nº 4); FIGURA Nº 4 Empresas Com. Dados (anterior à LGT) Rede e Transporte - SRT Esp. Repet. Sinais de TV e Vídeo Esp. Repet. Sinais de Audio Linha dedicada Rede comutada por pacote Rede comutada por circuito Rede especializado Circuito especializado Especializado (Outros) Fonte: Anatel Nos últimos dois anos, o número de empresas de SLEs quase que quadruplicou. 21

22 (c.5.) atualização tecnológica; (c.6.) direito de escolha (ver Figura nº 5); FIGURA Nº 5 POPULAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE ESCOLHA DA OPERADORA LOCAL Não Sim 39% 33% 61% 67% Fonte: Anatel. A liberdade de escolha tem alcançado progressivamente mais consumidores. (c.7.) menores preços. 29. No Brasil, tal tendência iniciou-se, no plano jurídico, com a edição da Emenda Constitucional n.º 8, de 15 de agosto de 1995, que alterou a redação primitiva do artigo 21, XI da Constituição Federal, para o fim de permitir a quebra do monopólio estatal de forma a promover a implantação de um modelo de mercado concorrencial no setor, e para que a prestação de serviços fosse explorada pela União de forma indireta (mediante autorização, concessão ou permissão a empresas). 30. Com isso, abriu-se caminho para a edição de nova regulamentação para todo o setor de 22

23 telecomunicações. Para tanto, o Congresso Nacional aprovou a Lei n.º 9.472/97, mais conhecida como Lei Geral de Telecomunicações ( LGT ), que além de consolidar as disposições dispersas que tratavam da matéria, criou uma agência reguladora para disciplinar o mercado, a Agência Nacional de Telecomunicações ANATEL, à qual foi delegada amplo poder regulamentar Entre os objetivos da ANATEL, está a atuação na defesa dos interesses dos usuários, estimulando a competição, a universalização dos serviços, a melhoria de qualidade e quantidade desses serviços e a atualização tecnológica, garantindo o regime de livre iniciativa e justa competição (LGT, artigo 2º). 32. Como explicitado, a integração de novas tecnologias possibilitou a prestação de novos serviços (serviço móvel celular) e ainda a melhoria de outros já existentes (comunicação de dados, trunking, paging etc.). 33. Esse processo de melhoria é imprescindível para o posicionamento internacional do país. 34. A ANATEL, valendo-se de seu poder regulamentar, editou normas não só para instituir novos serviços, como também para atualizar a regulamentação daqueles já existentes, mas que desde 1996 haviam sofrido profundas mudanças na forma de sua prestação. Entre os serviços que receberam nova regulamentação, encontram-se o Serviço de Rede e o Serviço de Circuito, que utilizam como meio fundamental de transmissão as redes de fibras ópticas. 6 O Estado passou da função de provedor para a de regulador dos serviços e indutor das forças de mercado, deslocando, ao mesmo tempo, o foco da regulamentação da estrutura de oferta de serviços, como era tradicional, para os consumidores desses serviços. Adicionalmente, pretende-se criar um ambiente de estabilidade regulatória que estimule investimentos no setor. (Panorama Setorial Gazeta Mercantil, Volume I, Fevereiro de 1999, p. 8). 23

24 FIGURA Nº 5 POPULAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE ESCOLHA DA OPERADORA LOCAL Não Sim 39% 33% 61% 67% Fonte: Anatel. A liberdade de escolha tem alcançado progressivamente mais consumidores. 35. São diversos os serviços de telecomunicações que podem ser prestados por meio de fibra óptica, como visto no capítulo anterior. Entre eles estão a telefonia fixa digital (que transforma a voz em dados bits para serem transmitidos através da fibra) e os serviços corporativos, sem contar outros serviços, como é o caso da televisão via cabo. Além de ser o meio para a prestação do serviço em si, a fibra óptica serve de sustentação e suporte a muitos outros serviços de telecomunicações como o Serviço Móvel Celular, o Serviço Móvel Especializado, conhecido como Trunking e o Serviço Especial de Radiochamada, conhecido como Paging (interligando Estações Rádio Bases, conhecidas como sites, entre si ou com a Central de Comutação e Controle, essenciais a prestação desses serviços), além de também interligar estações terrenas associadas à prestação do serviço de satélite. 36. Como se percebe, o avanço da tecnologia está direcionado a uma convergência de serviços e isso significa que hoje o que se transmite em qualquer serviço de telecomunicação é dado e para tanto a fibra óptica é um elemento, assim como as Estações Rádio Base, essencial. 24

25 37. As empresas que oferecem serviços corporativos são também essenciais para a interligação dos diversos meios de transmissão utilizados pelas prestadoras de outros serviços de telecomunicações. 38. Em linguagem comum, os serviços de rede e de circuito são denominados serviços corporativos e abrangem a formação de redes corporativas ( SRE e SCE ) 7. Através dessas redes corporativas podem ser prestados, entre outros, os seguintes serviços: - Transmissão de mensagens e dados, inclusive imagens, em alta velocidade; - Formação de Redes de Computadores; - Comércio Eletrônico; - Serviços de Acesso à Internet; - Integração das informações em bancos de dados e conseqüente democratização dessas informações, permitindo o acesso de qualquer cidadão às bases de dados da União, Estados e Municípios, sem contar aquelas disponibilizadas pelas empresas e pessoas; - Voz corporativa; - Telemedicina (realização de operações, exames e diagnósticos à distância); - Educação à distância (disponibilização de livros e realização de cursos); - Serviços de segurança por backup, armazenagem e recuperação de dados e 7 De modo específico, o SRE e SCE são espécies de Serviços Limitados regulados pelo Decreto n.º 2.197, de 8 de abril de , e Portaria n.º 455, de 18 de setembro de 1997, que aprovou a Norma n.º 013/97 Serviço Limitado, que dispõe sobre as condições aplicáveis à outorga de autorização e permissão de Serviço Limitado. De acordo com a Portaria n.º 455, de 18 de setembro de 1997, que aprovou a Norma n.º 013/97, a definição de Serviço Limitado consiste: (...) 4.1. Para os fins desta norma, são adotadas as seguintes definições: Serviço Limitado Especializado: Serviço Limitado, telefônico, telegráfico, de transmissão de dados ou qualquer outra forma de telecomunicações, destinado à prestação a terceiros, desde que sejam estes uma mesma pessoa ou grupo de pessoas naturais ou jurídicas, caracterizado pela realização de atividade específica; Constituem submodalidades de Serviço Limitado Especializado, dentre outras: b) Serviço de Circuito Especializado: serviço fixo, não aberto à correspondência pública, destinado a prover telecomunicação ponto-a-ponto ou ponto-multiponto mediante a utilização de circuitos colocados à disposição dos usuários; c) Serviço de Rede Especializado: serviço não aberto à correspondência pública, destinado a prover telecomunicação entre pontos distribuídos, de forma a estabelecer redes de telecomunicações distintas a grupos de pessoas jurídicas que realizam uma atividade específica. 25

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