Memorias Convención Internacional de Salud Pública. Cuba Salud La Habana 3-7 de diciembre de 2012 ISBN

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1 A Promoção da Saúde no Brasil e o Programa Academia da Saúde: um relato de experiência (Apresentação oral: Power point datashow) Monique Alves Padilha Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca ENSP/Fiocruz (27) Brasil INTRODUÇÃO Atualmente, a maiorias dos países estão passando por transições nos níveis de mortalidade e natalidade em ritmo acelerado, tal mudança, com diminuição do padrão de nascimentos e mortes de um país, é denominada de transição demográfica (LEBRÃO, 2009). Com estas mudanças no perfil epidemiológico, observa-se também alteração no padrão de adoecimento populacional, a partir do qual surgem as doenças infecciosas ainda não superadas e um aumento das causas externas e um das condições crônicas. Logo, se faz necessário atender a novas necessidades da população, sendo importante considerar a adoção de novas políticas públicas (MENDES, 2012a). A epidemia de doenças crônica exige uma reestruturação do modelo de atenção à saúde. Neste contexto, enfrentamento desta questão deve ser o foco da reforma da atenção primária à saúde, a qual é baseada na consolidação da Estratégia de Saúde da Família (ESF), e, consequentemente, assume o papel de ser um espaço privilegiado para as ações de promoção da saúde (MENDES, 2012b). A Organização Mundial de Saúde revelou, em relatório publicado em 2009, os 10 principais fatores de riscos responsáveis por 33% das mortes no mundo. Em primeiro lugar, encontrava-

2 se a hipertensão arterial, segundo o tabagismo, terceiro diabetes, e o quarto, a inatividade física, seguido de excesso de peso e obesidade. Estes três últimos representam o sedentarismo, logo, o combate a estes fatores de risco trata-se de uma estratégia para melhoria das condições de saúde mundiais (WHO, 2009). O sedentarismo, ou inatividade física, contribui com o surgimento e agravo das doenças crônicas não transmissíveis, o que resulta em elevado custo econômico e social. Devido ao alcance global do sedentarismo, a questão deveria ser tratada como pandemia, tendo repercussões não só no setor a saúde, mas também gera consequências econômicas, ambientais, culturais e sociais (KOHL, 2012). Guiados pelo principal marco de referência da Promoção da Saúde, a Carta de Ottawa e suas cinco estratégias em 1986 (BRASIL, 2012a) e pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde discutidos no mesmo ano na VIII Conferência Nacional de Saúde; o Brasil vem construindo um caminho que busca convergir na redução das doenças crônicas não transmissíveis e melhoria da qualidade de vida. No Brasil, a agenda da atividade física tem sido prioridade na Política Nacional de Promoção da Saúde, com indução e sustentabilidade de estratégias que contemplem o momento recente de institucionalização da Promoção da Saúde (PS) no país (MALTA, 2009). O Programa Saúde da Família, uma estratégia de expansão e qualificação da atenção básica no país, surge em 1992 como uma proposta de reorientação do modelo assistencial pautada na promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos. E, nos anos de 1998 e 1999, a PS é formalizada com o Projeto Promoção da Saúde, sendo o Programa de Controle do Tabagismo o primeiro programa nacional de PS reconhecido internacionalmente. (BUSS, 2009).

3 Em 2005, o Ministério da Saúde institui um Comitê Gestor interministerial para discutir a PS, mas apenas no ano seguinte ocorre a institucionalização da mesma com a Portaria Interministerial n 687, de 30 de março de 2006 que aprova a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) (GOMES, 2009). A prática de atividade física é contemplada na PNPS como parte das ações estratégicas de promoção da saúde de forma a contemplar o mapeamento das ações, apoio e oferta de novas práticas, capacitar os profissionais, pactuar com os vários níveis de gestão a importância das mudanças necessárias para efetivar o aumento da atividade física na população, sustentabilidade e incentivo. Ainda, ela tem como objetivo promover a qualidade de vida e reduzir riscos e vulnerabilidade em saúde considerando os Determinantes Sociais de Saúde (DSS) (BRASIL, 2006). Os DSS são formados por fatores que influenciam a saúde de maneira transversal, como as condições econômicas, sociais, culturais e outros (BRASIL, 2012b). No ano de 2011, o governo lançou a Agenda estratégica ano da Vigilância em Saúde na qual um das prioridades é o fortalecimento da PNPS por meio da estratégia de estímulo à prática de atividade física com meta de apoio e implantação de 4000 Academias da Saúde até 2015 (BRASIL, 2011c), e o Plano de Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, com objetivo de promover o desenvolvimento e implementação de políticas efetivas na prevenção e controle das DCNT (BRASIL, 2011d). Neste contexto foi instituído o Programa Academia da Saúde (PAS) pela Portaria n 719, de 07 de abril de O programa tem como objetivo contribuir com a PS com implantação de

4 polos com infraestrutura, equipamentos e profissionais capacitados em práticas corporais e atividade física, assim como lazer e modos de vida saudáveis (BRASIL, 2011a). O PAS é resultado de experiências exitosas de programas populacionais brasileiros de atividade física, e neste cenário, surgem também as iniciativas de monitoramento e avaliação destas ações (BRASIL, 2011b). Um programa pode ser entendido como uma intervenção planejada que busca chegar a um objetivo por meio de resultados específicos para responder a um problema, ou uma demanda. Já a avaliação de programas para ser compreendida, deve levar em conta os contextos préexistentes assim como a realidade ao redor, principalmente para além do orçamento do programa (WORTHEN, 2004). Esse orçamento ainda é muitas vezes limitado ao custeio de estruturas física e pessoal sem considerar a diversidade das ações, como de promoção da saúde. OBJETIVO Tem relato de experiência tem como objetivo descrever a trajetória da autora pelo caminho do conhecimento a cerca do Programa Academia da Saúde do Governo Federal Brasil, a fim de ilustrar como a prática da atividade física pode contribuir com a Política de Promoção da Saúde e com a vida dos usuários do serviço. METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo, tipo relato de experiência, cujo cenário foi município do Rio de Janeiro no Brasil, com a temática Promoção da Saúde e Atividade Física no período entre os anos de 2010 a 2012.

5 RESULTADOS A prática de atividade física tem sido apontada como mais um instrumento para reduzir o risco a doenças, assim como melhorar a qualidade de vida da população. Enquanto residente do curso de Saúde da Família na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, durante os anos de 2010 e 2011, estive vinculada a uma Clínica da Família no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro - Brasil, na qual existe uma Academia Carioca da Saúde, um programa municipal de Promoção da Saúde que conta com professores de educação física e uma estrutura básica de academia ligada à unidade de saúde da família e atende principalmente portadores de doenças como diabetes e hipertensão com objetivo de melhorar a condição de vida dessas pessoas por meio da prática de atividade física, estímulo a hábitos saudáveis e a construção de redes sociais. A cidade do Rio de Janeiro conta hoje com várias unidades de Academias Carioca da Saúde, e já recebeu um prêmio internacional de reconhecimento pelas boas práticas em saúde. A partir do trabalho desenvolvido junto com estes profissionais comecei a me interessar pela maneira como as ações ocorriam de forma intersetorial, multiprofissional e participativa. A Academia Carioca da Saúde me estimulou a conhecer o Programa Academia da Saúde, do Governo Federal, assim que este foi instituído em O Programa Academia da Saúde (PAS) foi instituído pela Portaria n 719/2011 e tem como objetivo uma contribuição com a promoção da saúde através de práticas corporais, atividade física e de lazer e modos de vida saudáveis. Este programa é hoje para o país uma importante ferramenta disparadora da Política Nacional de Promoção da Saúde, e vem recebendo financiamento do Ministério da Saúde para implantação e custeio da proposta. O PAS compõe

6 um novo modelo de financiamento difundido pelo país, aplicado em infraestrutura, desenvolvimento de novos programas e a valorização da Atenção Primária a Saúde com aumento dos recursos para tal área. Este programa, assim como o municipal, fica ligado diretamente à Unidades de Estratégias de Saúde da Família, buscando garantir um acompanhamento, vínculo e longitudinal idade do cuidado. Porém, ao contrário do Programa Academia Carioca da Saúde, o PAS visa promoção e atendimento de todo e qualquer interessado ou encaminhado por profissionais da saúde. Hoje, como residente do curso de Gestão da Atenção Básica pretendo desenvolver minhas pesquisas nesta temática. Ainda, estou inserida no Grupo de Trabalho da Academia de Saúde (GTAS) da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro que discutem sobre o programa nacional e dão suporte e apoio aos municípios do estado e com previsão de visitas e entrevistas aos gestores que conhecem e acreditam neste projeto de governo, o Programa Academia da Saúde do Governo Federal, Brasil. Esta experiência gerou um grande interesse pela temática, evidenciando a necessidade de uma continuidade desta trajetória de forma mais qualificada. CONCLUSÃO Como sugestão para próximas pesquisas incentiva-se avaliações que permitam revelar essas peculiaridades e identificar os nós críticos. Face ao exposto, avaliar o Programa Academia da Saúde conhecendo seus componentes, assim como as relações entre estes, permitirá colaborar com o planejamento das ações e na tomada de decisão do gestor ao optar por esta estratégia como ferramenta para institucionalizar a Promoção da Saúde, reduzir os riscos às doenças crônicas e contribuir com a melhoria na qualidade de vida. Ademais, o Programa Academia

7 da Saúde ainda promove a integração multiprofissional, colabora com as ações de Vigilância em Saúde, considera os objetivos da Promoção da Saúde, trabalha de forma intersetorial e participativa. Como contribuição para minha formação, pude perceber que cada vez mais iniciativas intersetoriais devem ser estimuladas contribuindo com o olhar amplo da saúde e consequente melhoria na qualidade de vida da população. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. A vigilância, o controle e a prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis : DCNT no contexto do Sistema Único de Saúde brasileiro. Brasília : Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília: MS; Ministério da Saúde. Portaria Nº 719, de 07 de Abril de Institui o Programa Academia da Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde. Brasília. MS, 2011a

8 4. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde. As Cartas da Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politicanacionalpromocaosaude.pdf>. Acesso em: 14 de Jul. de 2012a. 5. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Avaliação de Efetividade de Programas de Atividade Física no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2011b. 6. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Agenda Estratégica Brasília: Ministério da Saúde, 2011c. 7. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil Brasília : Ministério da Saúde, 148 p. : il. Série B. Textos Básicos de Saúde. 2011d. 8. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Vigilância em Saúde. Glossário temático : promoção da saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 48 pag 2012b. 9. BUSS, P. M; Carvalho, A. I. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 5, n.1, p , GOMES, M.L. Política Nacional de Promoção da Saúde: Potência de transformação ou política secundária? 88f. Tese (Mestrado Programa de pós- Graduação em Políticas Públicas e formação Humana) Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2009.

9 11. KOHL, Harold W. Et all. The pandemic of physical inactivity: global action for public health. The Lancet. Vol Pag julho KOHL, Harold W. The pandemic of physical inactivity: global action for public health. The Lancet. Vol. 380, pág , Julho Disponível em: <http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/piis (12) /fulltext>. Acesso em: 04 de Agosto de LEBRA, Maria Lúcia. Epidemiologia do envelhecimento. BIS, Bol. Inst. Saúde. 2009, n.47, pp Acesso em: 13 de agos. Disponível em: < 14. MALTA, D.C. et al. A Política Nacional de Promoção da Saúde e a agenda da atividade física no contexto do SUS. Epidemiol. Serv. Saude, v.18, n.1, p.79-86, MENDES, Antonio da Cruz Gouveia. et all. Assistência pública de saúde no contexto da transição demográfica brasileira: exigências atuais e futuras. Cad. Saúde Pública. 2012, vol.28, n.5, pp Acesso em: 18 de agos. de 2012a, Disponível em: <http://dx.doi.org/ /s x >. 16. MENDES, Eugênio Vilaça. O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação da estratégia da saúde da família. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 512 p. 2012b. 17. World Health Organization. Global health risks: mortality and burden of disease attributable to selected major risks. Genebra, WORTHEN, B.; SANDERS, J.; FITZPATRICK, J. Avaliação de programas: concepções e práticas. São Paulo: Editora Gente, 2004.

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