Questões comentadas da prova para Técnico de Controle Externo do TCMRJ TERCEIRA PARTE

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1 Questões comentadas da prova para Técnico de Controle Externo do TCMRJ TERCEIRA PARTE 08 - Constitui um exemplo de despesa extra-orçamentária: A) caução feita no decorrer do exercício financeiro B) transferência de recursos do Município para um fundo estadual C) pagamento da contribuição patronal ao regime de previdência próprio do Município D) pagamento de empréstimo decorrente de operação de crédito por antecipação de receita Resposta correta: D A resposta correta é a letra D, visto que quando é contraído o empréstimo decorrente de operações de crédito por antecipação de receita, ele é registrado como receita extra-orçamentária em virtude de ser apenas uma antecipação de uma receita já prevista no orçamento e ainda não arrecadada. Logo, quando quitamos esse empréstimo, também conhecido como ARO ou débito de tesouraria, devemos registrá-lo como despesa extra-orçamentária. A opção A consiste em uma receita extra-orçamentária, se a caução foi recebida em dinheiro. A opção B consiste em uma transferência corrente ou de capital, dependendo do objeto do fundo, isto é, em que serão gastos os recursos que neste foram alocados. Assim sendo, a referida transferência seria classificada como despesa orçamentária, corrente ou de capital. A opção C consiste em despesa orçamentária, pois não se refere a retenção de valores das remunerações dos servidores para posterior recolhimento à Previdência do Município e sim a obrigações patronais, que vêm a ser um percentual sobre o total da folha de pagamento dos servidores que o órgão deve recolher à Previdência do Município, representando, assim, a contribuição do órgão para o regime de previdência dos servidores.

2 09 - Determinado Município amortiza $ de uma dívida junto à instituição financeira oficial, pagando juros e encargos correspondentes a 11% do valor que está sendo amortizado. Este fato provocará, no Resultado Patrimonial da entidade, a seguinte variação: A) diminuição de $ B) diminuição de $ C) aumento de $ D) aumento de $ Resposta correta: B Cálculo: R$ (valor referente à Dívida Passiva) X 11% (percentual de juros e encargos cobrados) R$ (valor referente aos juros e encargos cobrados) Contabilizações: Sistema Financeiro: D- Despesa de Capital Realizada/Amortização de Empréstimos D- Despesa Corrente/Juros e Encargos da Dívida C- Bancos Sistema Patrimonial: D- Operações de Crédito C- Variação Ativa Resultante da Execução Orçamentária Mutação Patrimonial da Despesa Ressaltando que as contabilizações apresentadas são referentes ao estágio do pagamento. Nos estágios da liquidação e do empenho, que são anteriores a este estágio, devem ocorrer lançamentos também no sistema orçamentário. Conforme podemos observar nas contabilizações apresentadas, a despesa de capital é um fato permutativo, isto é, ocorre a baixa da obrigação constante no passivo (pelo lançamento à débito de operações de crédito, no sistema patrimonial), mas ocorre também a saída de numerário (pelo lançamento à crédito de bancos, no sistema financeiro). Assim sendo, o efeito no saldo patrimonial da entidade é nulo. As contrapartidas destes lançamentos (Despesa de Capital Realizada/Amortização de Empréstimos e Variação Ativa - Resultante da

3 Execução Orçamentária - Mutação Patrimonial da Despesa) se anulam quando da elaboração da Demonstração das Variações Patrimoniais, não afetando, assim, o resultado patrimonial. Todavia, na contabilização referente ao pagamento de juros e encargos da dívida, que vêm a ser classificados como Despesas Correntes/Juros e Encargos da Dívida (conforme lançamento constante no sistema financeiro), podemos observar que a contrapartida do lançamento é a conta Bancos em virtude da saída do numerário utilizado para o referido pagamento. Assim sendo, constitui-se num fato modificativo diminutivo, pois ocorre uma diminuição no saldo da conta Bancos, em contrapartida da despesa realizada. Para melhor compreensão, segue: DEPESA CORRENTE = DESPESA EFETIVA (aquela que contribui para o decréscimo do patrimônio líquido do Estado, conforme o Prof. Lino Martins da Silva em sua obra Contabilidade Governamental Um Enfoque Administrativo, da editora Atlas). A exceção a esta regra é o caso de material de consumo para estoque que é classificada como despesa corrente, porém não é efetiva e sim por mutação patrimonial (fato permutativo), pois deve se contabilizar a entrada no almoxarifado em contrapartida de Bancos, pela saída do dinheiro para pagar a aquisição, ou de Fornecedores, se a aquisição foi a prazo. DESPESA DE CAPITAL = DESPESA POR MUTAÇÃO PATRIMONIAL (aquela oriunda de mutações que em nada diminuem o patrimônio líquido, constituindo simples saídas ou alterações compensatórias nos elementos que o compõem, de acordo com o prof. Lino Martins). A exceção é o caso das transferências de capital que, apesar de serem despesas de capital, são consideradas despesas efetivas, pois a entidade concedente não recebe nada em troca, isto é, transfere o dinheiro para outra, creditando a conta Bancos, pela saída do dinheiro em contrapartida de Despesas de Capital/Transferências de Capital. Logo, utilizando-se o macete acima apresentado, a questão é rapidamente resolvida. Primeiramente, classificamos as despesas em correntes ou de capital, atentando para as exceções, depois, verificamos se são efetivas ou por mutação patrimonial. Feito isto, torna-se fácil descobrirmos em quanto o resultado patrimonial da entidade foi afetado.

4 10 - Analisando as demonstrações contábeis de determinado Município, verificouse a ocorrência das seguintes despesas no exercício financeiro: Aquisição de mobiliário para um posto ambulatorial no valor de $ Obras para a construção de um parque de lazer no valor de $ Obras para a construção de anexo no prédio da Prefeitura no valor de $ Conclui-se, pelas informações obtidas, que o valor total dos bens de uso especial do Município aumentou, naquele exercício, em: A) $ B) $ C) $ D) $ Resposta correta: C Para resolvermos essa questão, devemos atentar para os conceitos inerentes aos bens públicos, como segue: BENS DE USO COMUM DO POVO (também denominados de domínio público) são de uso comum todos os bens destinados ao uso da comunidade, quer individual ou coletivamente. São divididos, segundo sua formação: naturais como mares, baías, enseadas, rios, praias etc. artificiais aqueles cuja existência supõe a intervenção do homem, como ruas, praças, avenidas, canais, fontes etc. BENS DE USO ESPECIAL são os destinados à execução dos serviços públicos, como os edifícios ou terrenos utilizados pelas repartições ou estabelecimentos públicos, bem como os móveis e materiais indispensáveis a seu funcionamento. BENS DOMINIAIS OU DOMINICAIS são os que integram o domínio público com características diferentes, pois podem ser utilizados em qualquer fim, ou mesmo alienados se a administração julgar conveniente. * Esses conceitos foram apresentados com base na obra Contabilidade Governamental Um Enfoque Administrativo do Prof. Lino Martins da Silva.

5 Diante do exposto, concluímos que a resposta correta é a letra C, pois a soma dos bens classificados como de uso especial é de $ , como segue: $ Aquisição de mobiliário para um posto ambulatorial Obras para a construção de anexo no prédio da Prefeitura Total dos bens de uso especial Lembrando que o parque de lazer é classificado como um bem de uso comum do povo e não de uso especial. Bom, por hoje é só. Um forte abraço, Fabio Furtado

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