Evolução histórica da Moral/Ética

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1 (3) Evolução histórica da Moral/Ética Zeila Susan Keli Silva 1º Semestre

2 O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: Importância da Ética Como devo agir perante os outros? Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Esta é uma questão central da Moral e da Ética. 2

3 Evolução histórica Ética e Comportamento Profissional A moral é um fato histórico e, por conseguinte, a ética, como ciência da moral, não pode concebê-la como dada de uma vez para sempre, mas tem de considerá-la como um aspecto da realidade mutável com o tempo. A moral é histórica porque é um modo de comportar-se do ser humano que por natureza é histórico, isto é, um ser cuja característica é a de estar se fazendo ou se autoproduzindo constantemente tanto no plano de sua existência material, prática, como no de sua vida espiritual, incluída nesta a moral. 3

4 Evolução histórica Tempos primitivos Homens primitivos: a própria fragilidade de suas forças diante do mundo que os cercava determinou que, para enfrentá-lo e tentar dominá-lo, deveriam reunir todos os seus esforços visando multiplicar o seu poder. Seu trabalho adquire necessariamente um caráter coletivo e o fortalecimento da coletividade se transforma em uma necessidade vital. Assim nasce a moral com a finalidade de assegurar a concordância do comportamento de Nicho policrômico - Toca do Boqueirão da Pedra Furada. Parque Nacional Serra da Capivara - Piauí cada um com os interesses coletivos. 4

5 Evolução histórica Tempos primitivos A moral coletivista, característica das sociedades primitivas, que não conheciam a propriedade privada nem a divisão em classes, é uma moral válida para todos os membros da comunidade. As outras tribos eram consideradas como inimigas e por isso, não lhes eram aplicadas as normas e os princípios que eram válidos no interior da própria comunidade. Toca do Morcego. Parque Nacional Serra da Capivara - Piauí 5

6 Evolução histórica - Antiguidade O aumento geral da produtividade do trabalho (em consequência do desenvolvimento da criação de gado, da agricultura e dos trabalhos manuais), bem como o aparecimento de novas forças de trabalho (pela transformação dos prisioneiros de guerra em escravos), elevou a produção material até o ponto de se dispor de uma quantidade de produtos excedentes. Criaram-se, assim, as condições para que surgisse a desigualdade de bens entre os chefes de família que cultivavam as terras das comunidades e cujos frutos eram repartidos, até então, com igualdade, de acordo com as necessidades de cada família. 6

7 Evolução histórica - Antiguidade Com a desigualdade de bens tornou-se possível a apropriação privada dos bens ou produtos do trabalho alheio, bem como o antagonismo entre pobres e ricos. Com a decomposição do regime comunal e o aparecimento da propriedade privada, foi-se acentuando a divisão em homens livres e escravos. A divisão da sociedade antiga em duas classes antagônicas fundamentais traduziu-se também numa divisão da moral. Esta deixou de ser um conjunto de normas aceitas conscientemente por toda a sociedade. 7

8 Evolução histórica - Antiguidade De fato, existiam duas morais: uma, dominante, dos homens livres a única considerada como verdadeira -; e outra, dos escravos, que no íntimo rejeitavam os princípios e as normas morais vigentes e consideravam válidos os seus próprios, na medida em que adquiriam a consciência de sua liberdade. Reprimidos e embrutecidos, os escravos não podiam deixar de ser influenciados por aquele moral servil que os fazia considerar a si próprios como coisas. Mas, em plena escravidão, cobraram aos poucos uma obscura consciência de sua liberdade e chegaram, em alguns casos, a deflagrar uma luta contra os seus opressores. Exemplo: a insurreição de Espártaco. 8

9 Evolução histórica Ética e Comportamento Profissional A reflexão ética se inicia na Grécia antiga, quando os filósofos buscam compreender o fundamento da conduta humana. Enquanto para a maioria dos filósofos os princípios morais resultavam de convenções sociais, Sócrates defendeu a moral constituída na própria natureza humana. 9

10 Sócrates ( a.c.): a virtude humana consiste na busca do Conhecimento para alcançar a felicidade. O verdadeiro objeto do conhecimento é a alma humana. As afirmações: conhece-te a ti mesmo e sei que nada sei, expressam com intensidade que a conduta humana deve ser ajustada em primeiro lugar, com o próprio ser. O filósofo relaciona de forma estreita as noções de saber, virtude e felicidade. Segundo ele, o conhecimento do bem implica a prática da virtude e o exercício desta faz felizes os homens. A sabedoria é o valor supremo para alcançar a plena felicidade. 10

11 Platão ( a.c.): estabelece uma hierarquia das ideias e confere um lugar supremo ao bem. As virtudes humanas devem ser coordenadas, cuja harmonia constitui a justiça. A justiça é para Platão, a harmonização das atividades da alma e de todas as virtudes. Segundo ele, a questão moral não é um problema somente do indivíduo, mas das relações coletivas. A formação espiritual do homem cabe ao Estado, entidade que não é meramente organização de poder, mas instituto de educação, e a finalidade última é realizar a ideia do homem e conduzir os indivíduos ao conhecimento e prática das virtudes que deverão torná-los felizes. 11

12 A ética de Aristóteles ( a.c) exerceu forte influência no pensamento ocidental. Segundo sua teoria, conhecida como eudemonismo (do grego eudaimonéu significa ter êxito, ser feliz), todas as atividades humanas aspiram a algum bem, dentre os quais, o maior é a felicidade. Para Aristóteles, a felicidade não se encontra nos prazeres nem na riqueza, mas na atividade racional, no exercício e na evolução do pensamento. 12

13 Epicuro (século III a.c.): principal representante do hedonismo grego, os prazeres do corpo são causa de ansiedade e sofrimento. Por isso, para que a alma não sofra perturbações, é preciso limitar os prazeres materiais. É virtuoso quem é capaz de usufruir do prazer com moderação. Essa atitude o leva ao cultivo dos prazeres espirituais Hedonismo: Doutrina moral que considera ser o prazer a finalidade da vida. 13

14 Evolução histórica Sociedade Feudal Com o desaparecimento do mundo antigo, que assentava sobre a instituição da escravidão, nasce uma nova sociedade cujos traços essenciais se delineiam desde os séculos V-VI de nossa era, e cuja existência se prolongará durante uns dez séculos. Senhores feudais Donos absolutos da terra e detinham uma propriedade relativa sobre os servos. Camponeses servos Eram obrigados a trabalhar para o seu senhor e, em troca, podiam dispor de uma parte dos frutos do seu trabalho. 14

15 Evolução histórica Sociedade Feudal Rei ou imperador Senhor feudal Igreja: era o instrumento do senhor supremo, ou Deus, ao qual todos os senhores de terra deviam vassalagem e exercia, por isso, um poder espiritual indiscutível em toda a vida cultural e se estendia aos assuntos temporais. Homens livres da cidade (artesãos, pequenos industriais, comerciantes, etc.) Camponeses 15

16 Evolução histórica Sociedade Feudal A moral da sociedade medieval correspondia às suas características econômico-sociais e espirituais. De acordo com o papel preponderante da Igreja na vida espiritual da sociedade, a moral estava impregnada de conteúdo religioso. Mas, ao mesmo tempo, e de acordo com as rígidas divisões sociais em estacamentos e corporações, verificava-se uma estratificação moral, isto é uma pluralidade de códigos morais. Ex.: código dos nobres ou cavaleiros, códigos das ordens religiosas, códigos das corporações, da aristocracia feudal, etc. Somente os servos não tinham uma formulação codificada de seus princípios e regras. 16

17 Evolução histórica Sociedade Feudal De acordo com a ética, o natural a nobreza de sangue por si só já possuía uma dimensão moral, ao passo que os servos, por sua própria origem, não podiam levar uma vida realmente moral. Apesar de tudo, os servos iam apreciando outros bens e qualidades que não podiam encontrar aceitação no código moral feudal: a sua liberdade pessoal, o amor ao trabalho na medida em que dispunham de uma parte de seus frutos, a ajuda mútua e a solidariedade com os companheiros da mesma sorte. A religião lhes oferecia sua liberdade e igualdade no plano espiritual, e com isso, a possibilidade de uma vida moral, que neste mundo real, por serem servos, lhe era negada. 17

18 Evolução histórica Sociedade Feudal A Idade Média retoma o pensamento em busca da perfeição da vida espiritual por meio de práticas de purificação do corpo, instituindo o jejum, a abstinência e a flagelação. Essa tendência predominou na Alta Idade Média, influenciada pela Igreja. Agir eticamente agir conforme a vontade de Deus (?) 18

19 O filósofo e teólogo Santo Tomás de Aquino (século XIII) adapta o aristotelismo aos ideais cristãos e recupera a ética eudemonista. Mas, fiel ao ideal religioso, admite que a única contemplação que garante a felicidade é a contemplação de Deus, de quem teremos conhecimento só na vida futura, após a morte. 19

20 Evolução histórica Burguesia Ética e Comportamento Profissional No interior da velha sociedade feudal deu-se a gestão de novas relações sociais às quais devia corresponder uma nova moral; isto é um novo modo de regular as relações entre os indivíduos e entres estes e a comunidade. Nasceu e se fortaleceu a burguesia uma nova classe social. Os interesses da burguesia, dependentes do desenvolvimento da produção e expansão do comércio exigiam mão de obra livre e desaparecimento dos entraves feudais. 20

21 Evolução histórica Burguesia Ética e Comportamento Profissional Neste novo sistema econômico social que alcança sua expressão clássica nos meados do século XIX, na Inglaterra, vigora, como fundamental a lei da produção da mais valia. De acordo com essa lei o sistema funciona eficazmente só no caso de garantir lucros, o que exige, por sua vez, que o operário seja considerado como um homem econômico. 21

22 Evolução histórica Burguesia 22 Ética e Comportamento Profissional Neste novo sistema econômico social, a boa ou má vontade individual, as considerações morais não podem alterar a necessidade objetiva, imposta pelo sistema, de que o capitalista alugue por um salário a força de trabalho do operário e o explore com o fim de obter uma mais valia. A economia é regida, antes de mais nada, pela lei do máximo lucro, e essa lei gera uma moral própria. Com efeito, o culto ao dinheiro e a tendência a acumular maiores lucros constituem o terreno propicio para que nas relações entre os indivíduos floresçam o espírito de posse, o egoísmo, a hipocrisia, o cinismo e o individualismo exacerbado.

23 Kant (1724 à 1804): maior expoente do iluminismo, a ação moral é autônoma, pois o ser humano é o único capaz de determinar segundo leis que a própria razão estabelece. Devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que minha máxima se torne uma lei universal 23

24 Max Weber ( ) - Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo; - A libertação dos valores e a construção de uma ciência empírica da realidade concreta; - O crescimento econômico e o desenvolvimento ético estão dissociados. Max Weber explica a moral como uma das expressões da consciência humana, que por sua vez, são o reflexo das relações sociais estabelecidas no mundo do trabalho. Nesse caso, conforme variam os modos de produção, mudam não só as normas morais, mas também os valores sociais, políticos e econômicos. 24

25 Evolução histórica Escravista - Antiguidade Capitalista do período clássico Conquistadores e colonizadores Hoje Não julgava necessário justificar moralmente a sua relação com o escravo. Não via a necessidade de justificar moralmente o tratamento bárbaro e desapiedado que impunha ao operário. Acreditavam que podiam subjugar, saquear ou exterminar povos. Construção de uma moral e ética universal. O escravo não era pessoa, mas coisa ou instrumento. O homem eram somente um homem econômico e a exploração um fato econômico perfeitamente natural e racional. São condições naturais e por isso não se precisa de justificação moral. Cresce a consciência de defesa de interesses e emancipação. 25

26 Atualmente... Numa mesma sociedade, baseada na exploração de uns homens pelos outros ou de uns países por outros, a moral se diversifica de acordo com os interesses antagônicos fundamentais. A superação deste desvio social, e portanto, a abolição da exploração do homem pelo homem e da submissão econômica e política de alguns países a outros, constitui a condição necessária para construir uma nova sociedade na qual vigore uma moral verdadeiramente humana. 26

27 Atualmente... No mundo contemporâneo, muito são os desafios para tentar construir a vida ética e moral. A questão que se coloca hoje é a da superação dos empecilhos que dificultam a existência de princípios e parâmetros para a boa conduta. Algumas dessas dificuldades derivam da sociedade individualista, incapaz de praticar a solidariedade e a tolerância. O esforço de recuperação da ética passa pela necessidade de não se esquecer da dimensão planetária da sociedade contemporânea, quando todos os pontos da Terra, essa aldeia global, se acham ligados pelos mais diversos e velozes meios de informação. 27

28 Fonte consultada VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 26 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

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