Segurança e saúde no trabalho

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1 Segurança e saúde no trabalho A empresa tem a responsabilidade legal de assegurar que os trabalhadores prestam trabalho em condições que respeitem a sua segurança e a sua saúde. A empresa está obrigada a assegurar ao trabalhador condições de segurança e de saúde em todos os aspectos do seu trabalho. A sua actuação deve sempre pautar-se pela prevenção, de forma a evitar os acidentes de trabalho e as doenças profissionais, bem como incidentes que envolvam os trabalhadores e demais utilizadores do espaço laboral. Para aplicar as medidas de prevenção a que está obrigada, a empresa tem de ter um serviço de segurança e saúde no trabalho. Obrigações da empresa em matéria de segurança e saúde Actuação da empresa neste campo terá sempre de ser de acordo com os seguintes princípios gerais de prevenção: - identificação dos riscos previsíveis em todas as actividades da empresa, estabelecimento ou serviço, na concepção ou construção de instalações, de locais e processos de trabalho, assim como na selecção de equipamentos, substâncias e produtos, com vista à eliminação dos mesmos ou, quando esta seja inviável, à redução dos seus efeitos; - integração da avaliação dos riscos para a segurança e a saúde do trabalhador no conjunto das actividades da empresa, estabelecimento ou serviço, devendo adoptar as medidas adequadas de protecção; - combate aos riscos na origem, por forma a eliminar ou reduzir a exposição e aumentar os níveis de protecção; - assegurar, nos locais de trabalho, que as exposições aos agentes químicos, físicos e biológicos e aos factores de risco psicossociais não constituem risco para a segurança e saúde do trabalhador; - adaptação do trabalho ao homem, especialmente no que se refere à concepção dos postos de trabalho, à escolha de equipamentos de trabalho e aos métodos de trabalho e produção, com vista a, nomeadamente, atenuar o trabalho monótono e o trabalho repetitivo e reduzir os riscos psicossociais; - adaptação ao estado de evolução da técnica, bem como a novas formas de organização do trabalho; - substituição do que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso; - priorização das medidas de protecção colectiva em relação às medidas de protecção individual; 1

2 - elaboração e divulgação de instruções compreensíveis e adequadas à actividade desenvolvida pelo trabalhador. Assim, a empresa está obrigada a efectuar avaliações dos riscos associados às várias fases do processo produtivo, incluindo as actividades preparatórias, de manutenção e reparação, de modo a obter como resultado níveis eficazes de protecção da segurança e saúde do trabalhador. Em função dos resultados destas avaliações, terá então de tomar as respectivas medidas de prevenção. Na aplicação das medidas de prevenção, o empregador deve organizar os serviços de segurança e saúde adequados à empresa, estabelecimento ou serviço, mobilizando os meios necessários, nomeadamente nos domínios das actividades técnicas de prevenção, da formação e da informação, bem como o equipamento de protecção que se torne necessário utilizar. Se a avaliação de riscos detectar a existência de agentes ou factores que possam ter efeitos prejudiciais para o património genético dos trabalhadores, terá ainda de identificar os trabalhadores expostos e aqueles que, sendo particularmente sensíveis, podem necessitar de medidas de protecção especial. Existindo riscos susceptíveis de produzirem efeitos prejudiciais nos trabalhadores, passa a ser obrigatória a realização trimestral da avaliação de riscos. O incumprimento destas regras implica a prática de uma contra-ordenação laboral muito grave. Todos os encargos com a organização e o funcionamento do serviço de segurança e de saúde no trabalho e demais medidas de prevenção, incluindo exames, avaliações de exposições, testes e outras acções dos riscos profissionais e vigilância da saúde, são da responsabilidade da empresa, não podendo esta impor aos trabalhadores quaisquer encargos financeiros. Além destas obrigações de cariz genérico, a legislação aplicável define ainda obrigações específicas nesta matéria que a empresa tem de cumprir. Assim, a empresa está sempre obrigada a disponibilizar informação actualizada aos trabalhadores e aos seus representantes para a segurança e saúde no trabalho sobre: - as substâncias e preparações químicas perigosas, os equipamentos de trabalho e os materiais ou matérias-primas presentes nos locais de trabalho que possam representar perigo de agressão ao património genético; - os resultados da avaliação dos riscos; - a identificação dos trabalhadores expostos. Esta informação tem de ser colocada à disposição do médico do trabalho e também tem de ser partilhada com os trabalhadores independentes e com as empresas que, nas mesmas instalações, desenvolvam actividades em simultâneo. Se incumprir estas regras, a empresa pratica uma contra-ordenação laboral grave. Se várias empresas, estabelecimentos ou serviços desenvolverem, simultaneamente, actividades com os seus trabalhadores no mesmo local de 2

3 trabalho, aquelas devem cooperar no sentido de fomentar a segurança e a saúde dos trabalhadores. Neste caso, não obstante a responsabilidade de cada empresa, devem assegurar a segurança e a saúde quanto a todos os trabalhadores, as seguintes entidades: - a empresa utilizadora, no caso de trabalhadores em regime de trabalho temporário; - a empresa cessionária, no caso de trabalhadores em regime de cedência ocasional; - a empresa em cujas instalações outros trabalhadores prestam serviço ao abrigo de contratos de prestação de serviços; - a empresa adjudicatária da obra ou do serviço, para o que terá de assegurar a coordenação dos demais empregadores através da organização das actividades de segurança e saúde no trabalho. A empresa utilizadora ou adjudicatária da obra ou do serviço terá de assegurar que o exercício sucessivo de actividades por terceiros nas suas instalações ou que os equipamentos utilizados não constituem um risco para a segurança e saúde dos seus trabalhadores ou dos trabalhadores temporários, cedidos ocasionalmente ou de trabalhadores ao serviço de empresas prestadoras de serviços. As empresas que não respeitarem estas regras praticam uma contra-ordenação laboral muito grave. Os montantes das coimas das contra-ordenações laborais muito graves resultantes da violação de normas sobre segurança e saúde no trabalho são elevados para o dobro. Consultas obrigatórias aos trabalhadores A empresa está obrigada a consultar por escrito, pelo menos, duas vezes por ano, os representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde ou, na sua falta, os próprios trabalhadores, sobre determinadas matérias relativas à segurança, com vista à obtenção do seu parecer. Caso não o faça, a empresa pratica uma contra-ordenação laboral muito grave. As matérias que devem ser objecto de parecer são: - a avaliação dos riscos para a segurança e a saúde no trabalho, incluindo os respeitantes aos grupos de trabalhadores sujeitos a riscos especiais; - as medidas de segurança e saúde antes de serem postas em prática ou, logo que possível, em caso de aplicação urgente das mesmas; - as medidas que, pelo seu impacte nas tecnologias e nas funções, tenham repercussão sobre a segurança e saúde no trabalho; - o programa e a organização da formação no domínio da segurança e saúde no trabalho; 3

4 - a designação do representante do empregador que acompanha a actividade da modalidade de serviço adoptada; - a designação e a exoneração dos trabalhadores que desempenham funções específicas nos domínios da segurança e saúde no local de trabalho; - a designação dos trabalhadores responsáveis pela aplicação das medidas em matéria de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação; - a modalidade de serviços a adoptar, bem como o recurso a serviços exteriores à empresa ou a técnicos qualificados para assegurar a realização de todas ou parte das actividades de segurança e de saúde no trabalho; - os equipamentos de protecção que sejam necessários; - os riscos para a segurança e saúde, bem como as medidas de protecção e de prevenção e a forma como se aplicam, quer em relação à actividade desenvolvida quer em relação à empresa, estabelecimento ou serviço; - a lista anual e respectivos relatórios dos acidentes de trabalho mortais e dos que ocasionem incapacidade para o trabalho superior a três dias úteis, elaborada até ao final de Março do ano subsequente; Estas consultas, respectivas respostas e eventuais propostas terão de estar registadas em livro próprio organizado pela empresa. Caso não o faça, a empresa pratica uma contra-ordenação laboral leve. Informações obrigatórias aos trabalhadores A empresa é responsável por fornecer informação actualizada aos trabalhadores e aos seus representantes sobre: - os riscos para a segurança e saúde, bem como as medidas de protecção e de prevenção e a forma como se aplicam; - as medidas e as instruções a adoptar em caso de perigo grave e iminente; - as medidas de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação dos trabalhadores em caso de sinistro, bem como os trabalhadores ou serviços encarregues de as pôr em prática. Estas informações devem ser sempre disponibilizadas pela empresa ao trabalhador quando este é admitido, mude de posto de trabalho ou de funções, sejam introduzidos novos equipamentos de trabalho ou alterados os existentes, quando é adoptada uma nova tecnologia, ou existam actividades que envolvam trabalhadores de diversas empresas. Se a empresa não fornecer estas informações, está a praticar uma contraordenação muito grave. 4

5 Formação dos trabalhadores A empresa está ainda obrigada a fornecer aos trabalhadores formação adequada no domínio da segurança e saúde no trabalho, tendo em atenção o posto de trabalho e o exercício de actividades de risco elevado. Por outro lado, terá ainda de assegurar a formação permanente aos trabalhadores designados para se ocuparem de todas ou algumas das actividades de segurança e de saúde no trabalho. Esta formação deve ser assegurada de modo a que não possa resultar prejuízo para os mesmos. A violação desta obrigação constitui contra-ordenação laboral grave. Obrigação da empresa para com os representantes dos trabalhadores Os representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho, que são eleitos pelos próprios trabalhadores, dispõem, para o exercício das suas funções, de um crédito de cinco horas por mês. O número de representantes que a empresa tem de aceitar é o que estiver previsto em instrumento de regulamentação colectiva aplicável à empresa. No caso de não ser aplicável nenhum, o seu número varia consoante o número de trabalhadores na empresa: - empresas com menos de 61 trabalhadores - um representante; - empresas de 61 a 150 trabalhadores - dois representantes; - empresas de 151 a 300 trabalhadores - três representantes; - empresas de 301 a 500 trabalhadores - quatro representantes; - empresas de 501 a 1000 trabalhadores - cinco representantes; - empresas de 1001 a 1500 trabalhadores - seis representantes; - empresas com mais de 1500 trabalhadores - sete representantes. Sob pena de praticar uma contra-ordenação grave, a empresa terá de garantir formação permanente e condições aos representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho. A empresa terá também de disponibilizar aos representantes dos trabalhadores instalações adequadas, bem como os meios materiais e técnicos necessários ao desempenho das suas funções. 5

6 Estes representantes têm igualmente direito a distribuir informação relativa à segurança e à saúde no trabalho, bem como à sua afixação em local adequado destinado para esse efeito. O órgão de gestão da empresa está obrigado a reunir, pelo menos uma vez por mês, com representantes dos trabalhadores para discussão e análise dos assuntos relacionados com a segurança e a saúde no trabalho. Desta reunião terá de ser lavrada acta que terá de ser assinada por todos os presentes. A violação destas regras implica para a empresa a prática de uma contraordenação laboral grave. Obrigação da empresa ter um serviço de segurança e saúde no trabalho Para aplicar as medidas de prevenção a que está obrigada, a empresa tem de ter um serviço de segurança e saúde no trabalho. Como o seu nome indica, este serviço tem duas componentes distintas: - a segurança dos trabalhadores no local de trabalho, nomeadamente através do planeamento da prevenção, da realização da avaliação de riscos, na elaboração do plano de emergência ou da supervisão do aprovisionamento e da validade dos equipamentos de protecção individual (EPI) dos trabalhadores, tais como luvas, máscaras, botas, etc., que é da responsabilidade de técnicos superiores ou de técnicos de segurança e higiene no trabalho; - a saúde dos trabalhadores, nomeadamente através da realização de exames de vigilância da saúde, na participação obrigatória em caso de acidente de trabalho ou doença profissional e elaboração dos respectivos relatórios, que é da responsabilidade de médicos com a especialidade de medicina do trabalho, que podem ser coadjuvados por enfermeiros. O incumprimento desta obrigação constitui uma contra-ordenação laboral muito grave, e se a conduta da empresa tiver contribuído para originar uma situação de perigo, esta incorre ainda em responsabilidade civil. O serviço de segurança e saúde no trabalho pode ter três modalidades distintas: serviço interno, serviço comum e serviço externo. As empresas com mais do que um estabelecimento, podem optar por diferentes modalidades de organização deste serviço, e as actividades de segurança podem ser organizadas separadamente das da saúde. Após escolher uma das três modalidades referidas, nos 30 dias seguintes, a empresa está obrigada a notificar a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) da sua escolha. Esta notificação também é obrigatória quando a empresa alterar a modalidade eleita. 6

7 Caso não efectue esta notificação, a empresa comete uma contra-ordenação laboral leve. Modalidades de serviço de segurança e saúde no trabalho O serviço de segurança e saúde no trabalho pode seguir a modalidade de serviço interno, de serviço comum e de serviço externo. Serviço interno A modalidade de serviço interno de segurança e saúde no trabalho implica que a empresa tem um serviço próprio, integrado na estrutura da empresa, na sua dependência, exclusivamente dedicado aos seus trabalhadores. É ainda considerado como serviço interno o serviço prestado por uma empresa a outras empresas do grupo desde que aquela e estas pertençam a sociedades que se encontrem em relação de domínio ou de grupo. As características do serviço interno variam consoante o número de trabalhadores da empresa e a actividade exercida. A lei exige a adopção da modalidade de serviço interno de segurança e saúde no trabalho nos seguintes casos: - no estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos que desenvolvam actividades de risco elevado, a que estejam expostos pelo menos 30 trabalhadores - para este efeito, são consideradas como sendo actividades de risco elevado: trabalhos em obras de construção, escavação, movimentação de terras, de túneis, com riscos de quedas de altura ou de soterramento, demolições e intervenção em ferrovias e rodovias sem interrupção de tráfego; actividades de indústrias extractivas; trabalho hiperbárico; actividades que envolvam a utilização ou armazenagem de produtos químicos perigosos susceptíveis de provocar acidentes graves; fabrico, transporte e utilização de explosivos e pirotecnia; actividades de indústria siderúrgica e construção naval; actividades que envolvam contacto com correntes eléctricas de média e alta tensões; produção e transporte de gases comprimidos, liquefeitos ou dissolvidos ou a utilização significativa dos mesmos; actividades que impliquem a exposição a radiações ionizantes; actividades que impliquem a exposição a agentes cancerígenos, mutagénicos ou tóxicos para a reprodução; actividades que impliquem a exposição a agentes biológicos (grupo 3 ou 4); trabalhos que envolvam exposição a sílica. 7

8 - no seu estabelecimento a empresa tenha pelo 400 trabalhadores ou mais trabalhadores; - no conjunto de estabelecimentos da empresa distanciados até 50 km daquele que ocupa maior número de trabalhadores e que, com este, tenham 400 trabalhadores ou mais trabalhadores. Neste dois últimos casos, a empresa pode pedir a dispensa da modalidade de serviço interno à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) ou à Direcção- Geral de Saúde (DGS), consoante a dispensa se refira ao domínio da segurança ou da saúde, desde que no seu estabelecimento: - não sejam exercidas actividades de risco elevado; - apresente taxas de incidência e de gravidade de acidentes de trabalho, nos dois últimos anos, não superiores à média do respectivo sector; - não existam registos de doenças profissionais contraídas ao serviço da empresa ou para as quais tenham contribuído directa e decisivamente as condições de trabalho da empresa; - a empresa não tenha sido punida por infracções muito graves respeitantes à violação da legislação de segurança e saúde no trabalho praticadas no mesmo estabelecimento nos últimos dois anos; - sejam respeitados os valores limite de exposição a substâncias ou factores de risco (requisito verificado pela análise dos relatórios de avaliação de risco a apresentar pela empresa ou através de vistoria). A violação destas regras implica para a empresa a prática de uma contraordenação laboral muito grave. A segurança no trabalho também pode ser realizada pelo empregador ou por trabalhador designado. Esta situação pode ocorrer se a empresa tiver estabelecimentos com poucos trabalhadores, ou mais concretamente estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos distanciados até 50 km do de maior dimensão que empregue no máximo nove trabalhadores e cuja actividade não seja de risco elevado as actividades de segurança no trabalho. Neste caso, o empregador pode pedir uma autorização à ACT para exercer directamente ele próprio as actividades de segurança no trabalho, desde que possua formação adequada e permaneça habitualmente nos estabelecimentos. Nesta situação, o empregador pode designar um ou mais trabalhadores para se ocuparem de todas ou algumas das actividades de segurança no trabalho, desde que possuam formação adequada e disponham do tempo e dos meios necessários. Estes trabalhadores não podem ser prejudicados por se encontrarem no exercício daquelas actividades. O exercício de actividades de segurança no trabalho sem autorização da ACT constitui uma contra-ordenação laboral muito grave. 8

9 Serviço comum A modalidade de serviço comum de segurança e saúde no trabalho implica que várias empresas ou estabelecimentos pertencentes a sociedades que não se encontrem em relação de grupo realizem um acordo escrito através do qual utilizam um serviço de segurança e/ou de saúde no trabalho dedicado exclusivamente aos seus trabalhadores. Esta modalidade tem de ser autorizada pela ACT. Desta forma, o serviço comum não pode prestar serviços a outras empresas que não façam parte do acordo escrito. A utilização de serviço comum não isenta a empresa da responsabilidade específica em matéria de segurança e de saúde que a lei lhe atribui. Se não respeitarem estas regras, cada empresa abrangida pelos serviços comuns pratica uma contra-ordenação muito grave. Adoptando o serviço comum, a empresa terá de designar em cada estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos distanciados até 50 km daquele que ocupa maior número de trabalhadores e com limite total de 400 trabalhadores um trabalhador com formação adequada (que permita a aquisição de competências básicas em matéria de segurança, saúde, ergonomia, ambiente e organização do trabalho, que seja validada pelo serviço com competência para a promoção da segurança e saúde no trabalho do ministério responsável pela área laboral ou inserida em sistema educativo, no Sistema Nacional de Qualificações ou ainda promovida por entidades da Administração Pública com responsabilidade no desenvolvimento de formação profissional), que a represente para acompanhar e coadjuvar a execução das actividades de prevenção. A não designação do trabalhador responsável constitui contra-ordenação laboral grave. Serviço externo Serviço externo é aquele que é desenvolvido por entidades que, mediante a celebração de um contrato escrito de prestação de serviços com a empresa, desenvolvem actividades de segurança ou de saúde no trabalho, desde que não seja serviço comum. A empresa, antes de contratar uma entidade para serviço externo, deve assegurar-se que esta se encontra autorizada pela ACT para prestar este tipo de serviços, uma vez que, se aquela actuar de forma ilícita, a própria empresa é responsável solidária pelo pagamento da coima. Os serviços externos podem ser de quatro tipos: - associativos - prestados por associações com personalidade jurídica sem fins lucrativos, cujo fim estatutário compreenda, expressamente, a prestação de serviço de segurança e de saúde no trabalho; - cooperativos - prestados por cooperativas cujo objecto estatutário compreenda, expressamente, a actividade de segurança de saúde no trabalho; 9

10 - privados - prestados por sociedades de cujo pacto social conste, expressamente, o exercício de actividades de segurança e de saúde no trabalho, ou por pessoa individual detentora de qualificações legais adequadas; - convencionados - prestados por qualquer entidade da administração pública central, regional ou local, instituto público ou instituição integrada no Serviço Nacional de Saúde. Adoptando o serviço externo, a empresa terá de designar em cada estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos distanciados até 50 km daquele que ocupa maior número de trabalhadores e com limite total de 400 trabalhadores um trabalhador com formação adequada (que permita a aquisição de competências básicas em matéria de segurança, saúde, ergonomia, ambiente e organização do trabalho, que seja validada pelo serviço com competência para a promoção da segurança e saúde no trabalho do ministério responsável pela área laboral ou inserida em sistema educativo, no Sistema Nacional de Qualificações ou ainda promovida por entidades da Administração Pública com responsabilidade no desenvolvimento de formação profissional), que a represente para acompanhar e coadjuvar a execução das actividades de prevenção. A não designação do trabalhador responsável constitui contra-ordenação laboral grave. A utilização de serviço externo não isenta a empresa da responsabilidade específica em matéria de segurança e de saúde que a lei lhe atribui Documentos da responsabilidade do serviço de serviço de segurança e saúde no trabalho O serviço de segurança e de saúde no trabalho está legalmente obrigado a manter actualizados, para efeitos de consulta, os seguintes documentos: - resultados das avaliações de riscos profissionais; - lista de acidentes de trabalho que tenham ocasionado ausência por incapacidade para o trabalho, bem como acidentes ou incidentes que assumam particular gravidade na perspectiva da segurança no trabalho; - relatórios sobre acidentes de trabalho que originem ausência por incapacidade para o trabalho ou que revelem indícios de particular gravidade na perspectiva da segurança no trabalho; - lista das situações de baixa por doença e do número de dias de ausência ao trabalho, a ser remetida pelo serviço de pessoal e, no caso de doenças profissionais, a relação das doenças participadas; - lista das medidas, propostas ou recomendações formuladas pelo serviço de segurança e de saúde no trabalho. 10

11 Estes documentos devem ser mantidos pela empresa durante de cinco anos, período durante a ACT poderá exigir a sua consulta. Se a empresa não cumprir estas regras, está a praticar uma contra-ordenação laboral grave. Serviços de segurança no trabalho As actividades técnicas de segurança no trabalho são exercidas por técnicos superiores ou técnicos de segurança e higiene no trabalho, certificados pela ACT. Estes profissionais exercem as respectivas actividades com autonomia técnica. A lei impõe que seja afectado um determinado número mínimo de técnicos superiores ou técnicos às actividades de segurança no trabalho por estabelecimento. Este número varia consoante a natureza do estabelecimento: - em estabelecimento industrial - até 50 trabalhadores, um técnico, e, acima de 50, dois técnicos, por cada trabalhadores abrangidos ou fracção, sendo pelo menos um deles técnico superior; - nos restantes estabelecimentos - até 50 trabalhadores, um técnico, e, acima de 50 trabalhadores, dois técnicos, por cada trabalhadores abrangidos ou fracção, sendo pelo menos um deles técnico superior. O ACT pode, independentemente do número de trabalhadores, sempre que a natureza ou a gravidade dos riscos profissionais, bem como os indicadores de sinistralidade assim o justificarem, determinar uma duração mais alargada da actividade dos serviços de segurança no estabelecimento. Se a empresa violar estas regras pratica uma contra-ordenação laboral grave. Criação de um plano de emergência Independentemente da modalidade de serviço de serviço de segurança e saúde no trabalho que a empresa opte, esta está legalmente obrigada a estabelecer um plano de emergência, prevendo as medidas que devem ser adoptadas em matéria de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação, identificando ainda os seus trabalhadores que são responsáveis pela aplicação desse mesmo plano. Desta forma, terá de existir uma estrutura interna na empresa que em caso de necessidade assegure aquelas actividades de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação de instalações. 11

12 Neste âmbito, a empresa tem ainda de assegurar os contactos necessários com as entidades externas competentes para realizar aquelas operações e as de emergência médica. O incumprimento desta obrigação constitui uma contra-ordenação laboral muito grave, e se a conduta da empresa tiver contribuído para originar uma situação de perigo, esta incorre ainda em responsabilidade civil. Serviço de saúde Os serviços de saúde no trabalho apenas podem ser prestados por médicos com especialidade de medicina do trabalho reconhecida pela Ordem dos Médicos ou, em situações excepcionais, médicos reconhecidos pela Direcção-Geral de Saúde para actuarem como tal. A lei impõe uma garantia mínima de funcionamento do serviço de saúde no trabalho, ou seja um número mínimo de horas que o médico deve dedicar aos trabalhadores do estabelecimento. Este número varia consoante a natureza do estabelecimento: - em estabelecimento industrial ou estabelecimento de outra natureza com risco elevado, pelo menos uma hora por mês por cada grupo de 10 trabalhadores ou fracção; - nos restantes estabelecimentos, pelo menos uma hora por mês por cada grupo de 20 trabalhadores ou fracção. O médico do trabalho não pode assegurar a vigilância da saúde de um número de trabalhadores a que correspondam mais de 150 horas de actividade por mês. Nas empresas com mais de 250 trabalhadores, tem ainda de haver um enfermeiro com experiência adequada para coadjuvar o médico do trabalho. A violação destas regras constitui contra-ordenação grave. Serviço de saúde nas micro-empresas As actividades de saúde podem ser organizadas separadamente das da segurança. Assim, no caso das microempresas - empresas que empreguem menos de 10 trabalhadores -, a promoção e vigilância da saúde podem ser asseguradas através das unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), desde que os seus trabalhadores não exerçam actividade de risco elevado, tais como, trabalhos em obras de construção, escavação, movimentação de terras, com riscos de quedas de 12

13 altura ou de soterramento, demolições e intervenção em ferrovias e rodovias sem interrupção de tráfego ou fabrico, transporte e utilização de explosivos e pirotecnia. A empresa terá de provar estes factos e de pagar os respectivos encargos ao SNS. Vigilância da saúde dos trabalhadores A empresa está obrigada a promover exames de saúde aos seus trabalhadores, a realizar por médico com a especialidade de medicina do trabalho: - quando admite um trabalhador - antes do início da prestação de trabalho ou, se a urgência da admissão o justificar, nos 15 dias seguintes; - anualmente, em relação aos trabalhadores com idade superior a 50 anos; - de dois em dois anos para os trabalhadores com 50 ou menos anos; - ocasionalmente, sempre que ocorram alterações substanciais nos componentes materiais de trabalho que possam ter repercussão nociva na saúde do trabalhador, bem como no caso de regresso ao trabalho depois de uma ausência superior a 30 dias por motivo de doença ou acidente. A periodização destes exames pode ser aumentada ou reduzida pelo médico do trabalho, face ao estado de saúde do trabalhador e aos resultados da prevenção dos riscos profissionais na empresa. O incumprimento destas regras por parte da empresa implica a prática de uma contra-ordenação laboral grave. Sempre que a repercussão do trabalho e das condições em que o mesmo é prestado se revelar nociva para a saúde do trabalhador, o médico do trabalho deve comunicar tal facto ao responsável pelo serviço de segurança e saúde no trabalho. Em relação aos trabalhadores cuja avaliação de riscos revele a existência de riscos para o património genético, a empresa terá de assegurar a realização de exames de saúde, antes da primeira exposição àqueles riscos, sob pena de cometer uma contra-ordenação laboral grave. O médico do trabalho comunicará à empresa o resultado da vigilância da saúde com interesse para a prevenção de riscos. Tendo em conta esta informação, a empresa terá de repetir a avaliação dos riscos, adoptar eventuais medidas individuais de protecção ou de prevenção, promover a vigilância prolongada da saúde do trabalhador. Terá também de assegurar que os trabalhadores que tenham estado exposto a agentes ou factores de risco para o património genético, exames de saúde incluindo, se necessário, a realização de exames complementares. A empresa está obrigada a organizar e conservar arquivos actualizados, sobre: - os critérios, procedimentos e resultados da avaliação de riscos; - a identificação dos trabalhadores expostos com a indicação da natureza e, se possível, do agente e do grau de exposição a que cada trabalhador esteve sujeito; 13

14 - os resultados da vigilância da saúde de cada trabalhador com referência ao respectivo posto de trabalho ou função; - os registos de acidentes ou incidentes; - a identificação do médico responsável pela vigilância da saúde. Estes registos e arquivos têm de ser conservados durante, pelo menos, 40 anos após ter terminado a exposição dos trabalhadores a que digam respeito. Se a empresa cessar a actividade, os registos e arquivos devem ser transferidos para o organismo competente do ministério responsável pela área laboral que assegura a sua confidencialidade. O incumprimento destas regras constitui contra-ordenação laboral grave. Acidentes de trabalho Sempre que ocorra um acidente de trabalho com um trabalhador, do qual resulte a sua morte ou o seu estado grave, a empresa está obrigada a comunicar este facto à ACT, nas 24 horas seguintes à ocorrência. A comunicação deve conter a identificação do trabalhador acidentado e a descrição dos factos, devendo ser acompanhado de informação e respectivos registos sobre os tempos de trabalho prestado pelo trabalhador nos 30 dias que antecederam o acidente. O incumprimento desta obrigação constitui contra-ordenação laboral grave. Referências Lei n.º 102/2009, de 10 de Setembro, art.ºs 5, 9.º, 10.º, 12.º, 15.º, 16.º, 18.º, 19.º, 20.º, 21.º, 22.º, 24.º, 25.º, 44.º, 45.º, 46.º, 73.º, 74.º, 75.º, 76.º, 77.º, 78.º a 83.º, 97.º, 98.º, 100.º, 101.º,103.º, 104.º, 105, 107.º,108.º, 111.º Código do Trabalho, art.ºs 281.º e 556.º 14

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