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1 USJ CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ JULIANO CARDOSO DE LIMA LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO: ÁNALISE DA ESTRUTURA LOGÍSTICA DE MANUSEIO NA DIVISÃO DE RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE FLORIANÓPOLIS. SÃO JOSÉ 2010

2 JULIANO CARDOSO DE LIMA LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO: ÁNALISE DA ESTRUTURA LOGÍSTICA DE MANUSEIO NA DIVISÃO DE RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE FLORIANÓPOLIS. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Administração do Centro Universitário Municipal de São José - USJ, como requisito para obtenção do Título de Bacharel em Administração. Professor (a) Orientador (a): Lissandro Wilhelm SÃO JOSÉ 2010

3 2 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO: ÁNALISE DA ESTRUTURA LOGÍSTICA DE MANUSEIO NA DIVISÃO DE RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE FLORIANÓPOLIS. Por JULIANO CARDOSO DE LIMA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Administração do Centro Universitário Municipal de São José - USJ, como requisito para obtenção do Título de Bacharel em Administração, aprovado pela banca examinadora formada por: Presidente: Prof., MS: Lissandro Wilhelm - Orientador, USJ Membro: Prof., MS: Luciana Costa, USJ Membro: Prof., MS: Fabiana Witt, USJ São José, 17 de junho de 2010.

4 3 Dedico este trabalho a minha esposa Andreza, minha amada filha Rafaela, meus pais, professores e amigos.

5 4 AGRADECIMENTOS A Deus porque sem ele nada nem ninguém somos; Aos meus familiares pelo amor e apoio incondicional de sempre; Aos colegas pelo companheirismo a mim dispensado; Aos professores e mestres pela excelência no ensino.

6 5 RESUMO Este trabalho teve como principal objetivo analisar a adequação da estocagem e movimentação de materiais na Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, identificar possíveis falhas no processo de movimentação e armazenagem dos materiais, descrever o sistema de estocagem e movimentação, e propor possíveis melhorias nos processos. Os dados foram coletados na própria organização, por meio de entrevista realizada com o chefe do setor. O delineamento deste trabalho foi feito por meio de pesquisa bibliográfica e estudo de caso. Foram identificados problemas e algumas divergências em comparação com a literatura do assunto em relação ao layout de armazenagem, espaço físico, e movimentação de materiais. Foram feitas propostas de melhoria para os itens que apresentaram maiores problemas. Palavras-Chave: Adequação de armazenagem de materiais; movimentação de materiais, logística no setor público;

7 6 ABSTRACT This study aimed to examine the adequacy of storage and materials handling within the Municipal Health Florianópolis, identify potential gaps in the process of moving and storing materials, describe the system of storage and handling, and propose possible improvements in processes. Data were collected on the organization itself, through an interview with the head of the sector. The outline of this work was done by means of literature and case study. Problems were identified and some differences in comparison with the literature of the subject in relation to the layout of the storage space, and material handling. Proposals were made for improvement for the items that had greater problems. Keywords: Adequacy of storage materials, materials handling, logistics public sector;

8 7 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO TEMA E PROBLEMA OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICO Objetivo Geral Objetivos específicos JUSTIFICATIVA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA LOGÍSTICA A LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO O ALMOXARIFADO E SUA IMPORTÂNCIA NA LOGÍSTICA ARMAZENAGEM DE MATERIAIS PRINCÍPIOS DE ESTOCAGEM DE MATERIAIS NORMAS DE ESTOCAGEM TÉCNICAS DE ESTOCAGEM (ARMAZENAGEM) ANÁLISE DE ALMOXARIFADO LOCALIZAÇÃO DE MATERIAIS O LAYOUT DE ARMAZENAGEM CLASSIFICAÇÃO E CODIFICAÇÃO DE MATERIAIS INVENTÁRIO FÍSICO MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS RECEBIMENTO DE MERCADORIAS SAÍDA DE MERCADORIAS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO DESCRIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DO DEPARTAMENTO DE RECURSOS MATERIAIS DA SMS DESCRIÇÃO DO RECEBIMENTO DE MATERIAIS DESCRIÇÃO DA SAÍDA DE MATERIAIS DESCRIÇÃO DO SISTEMA DE ARMAZENAGEM ATUAL DA SMS DESCRIÇÃO DO ATUAL SISTEMA DE MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS...41

9 8 8. COMPARAÇÃO ENTRE A ATUAL FORMA DE TRABALHO NO ALMOXARIFADO DA SMS COM O PROPOSTO PELA LITERATURA E IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS FALHAS NO PROCESSO ANÁLISE DA COMPARAÇÃO ENTRE O FUNCIONAMENTO DO ALMOXARIFADO DA SMS COM O QUE ORIENTA A LITERATURA PROPOSTAS PARA POSSÍVEIS MELHORIAS CONSIDERAÇÕES FINAIS...51 REFERÊNCIAS...52 APÊNDICE...53 ANEXOS...57

10 9 1. INTRODUÇÃO Atualmente, a administração de materiais é uma das atividades de gestão mais importante para as empresas. A manutenção da competitividade depende diretamente da forma que os materiais são geridos, os quais devem possuir níveis compatíveis com suas demandas como também as compras necessitam ser cada vez mais ágeis, para que possam atender as necessidades de renovação dos estoques (COSTA, 2002). No setor público, assim como na iniciativa privada, trabalha-se com o objetivo de maximizar a agilidade dos processos com o menor custo possível, afim de que, não extrapole o orçamento do atual exercício, não admitindo assim perdas ou desperdícios. Podemos comparar a atividade logística a um grande quebra cabeça, onde todas as peças se encaixam conforme forem colocadas, porém o resultado obtido dependerá da forma que as mesmas estejam dispostas, pois se algumas poucas peças forem colocadas em local indevido, todo o resultado ficará comprometido, por outro lado, se forem colocadas corretamente, os benefícios serão excelentes. O fluxo de movimentação de materiais dentro das empresas é uma questão que pode ser considerada como um fator de diferencial competitivo, quando bem administrado, podendo reduzir custos de processo e gerar ganhos de produtividade dentro de um processo de manufatura enxuta, os manuseios desnecessários de produtos geram perda de tempo, qualidade e produtividade (MENDONÇA, 2002). 1.1 TEMA E PROBLEMA Como tema deste trabalho será realizado um estudo sobre as operações logísticas com ênfase na análise da sistemática de estocagem e movimentação de produtos acabados do departamento de recursos materiais e patrimoniais da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, considerando as inovações tecnológicas disponíveis, de forma a obtermos redução de custos, aumento na agilidade e qualidade dos serviços realizados pelo departamento. A presente pesquisa busca responder ao seguinte problema: A atual forma de armazenagem e movimentação de materiais implantada pela divisão de recursos materiais está sendo o modo mais eficaz e menos oneroso para os cofres públicos?

11 OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICO Objetivo Geral O objetivo deste trabalho é analisar a adequação da estocagem e movimentação de materiais na Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis Objetivos específicos Descrever o sistema de estocagem e movimentação de materiais do Departamento de Recursos Materiais e patrimoniais da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. Identificar possíveis falhas no processo de movimentação e armazenagem dos materiais. Verificar a existência de atrasos ao atendimento de requisições de materiais, e localizar o agente gerador deste atraso. Propor possíveis melhorias nos processos de estocagem e movimentação de materiais. 1.2 JUSTIFICATIVA Uma das mais importantes funções da administração de materiais é o controle dos níveis de estoque, portanto, uma gestão adequada é de suma importância, visto que afeta de maneira bem definida o resultado financeiro da empresa. Os materiais que compõem o estoque da divisão de recursos materiais e patrimoniais da secretaria de saúde são: materiais de enfermagem, odontológicos, farmacêuticos, informática, impressos, de expediente, instrumentais-odontológicos, rouparia e higiene e coparia. A agilidade nos processos de movimentação de materiais é fator decisivo para um bom funcionamento de todo sistema de atendimento nas unidades de saúde de Florianópolis, uma vez que, sem uma estrutura logística bem implantada, possivelmente acarretaria a falta de alguns materiais de extrema importância para o atendimento a pacientes de toda a rede de saúde e conseqüentemente, prejuízos a toda população.

12 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Com o objetivo de tornar disponíveis produtos e serviços certos no local onde são necessários, no momento em que são desejados e na quantidade desejada, é difícil imaginar qualquer atividade de produção ou de marketing sem o apoio logístico. A implementação das melhores práticas logísticas tornou-se uma das áreas operacionais mais desafiadoras e interessantes da administração nos setores privado e público (BOWERSOX e CLOSS, 2001) A Administração de Materiais tecnicamente bem aparelhada é, sem dúvida, uma das condições fundamentais para o equilíbrio econômico e financeiro de uma empresa. (FRANCISSH & GURGEL, 2002). Pode-se conceituar a Administração de Materiais como a atividade que planeja, executa e controla, nas condições mais eficientes e econômicas, o fluxo de material, partindo das especificações dos artigos e compras até a entrega do produto terminado para o cliente (FRANCISCHINI & GURGEL, 2002). E ainda, de acordo com Gonçalves (2004, p.2) a administração de materiais tomou grande impulso a partir do momento em que a logística se estendeu muito além das fronteiras das empresas, tendo como principal objetivo atender às necessidades e expectativas dos clientes, No formato tradicional, a administração de materiais tem o objetivo de conciliar os interesses entre as necessidades de suprimentos e a otimização dos recursos financeiros e operacionais das empresas. Essa evolução da Administração de Materiais ao longo dessas fases produtivas baseou-se principalmente, pela necessidade de produzir mais, com custos mais baixos. Atualmente a Administração de Materiais tem como função principal o controle de produtos e estoque, como também a distribuição dos mesmos. 2.1 LOGÍSTICA A logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável (POZO, 2008).

13 12 Para implantar melhoramentos na estrutura industrial é necessário dinamizar o sistema logístico, que engloba o suprimento de materiais e componentes, a movimentação e o controle de produtos finais, até a colocação do produto acabado no consumidor (DIAS 1990 p.15). Os administradores estão reconhecendo, a necessidade de se estabelecer um conceito bem definido de logística, pois começam a entender melhor o fluxo contínuo de materiais, as relações tempo-estoque na produção e distribuição e os aspectos relativos ao fluxo de caixa no controle de materiais. Além disso, os administradores também estão reconhecendo que devem coordenar suprimentos, produção, embalagem, armazenar, transporte, comercialização e finanças em uma atividade de controle global, capaz de apoiar firmemente cada fase do sistema com um máximo de eficiência e um mínimo de capital empatado (DIAS, 1990). Ainda de acordo com o mesmo autor, a logística compõe-se de dois subsistemas de atividades: administração de materiais e a distribuição física, cada qual envolvendo o controle da movimentação e a coordenação demanda-suprimento. De forma resumida, segundo Dias (1990) podem ser incluídas entre atividades logísticas as seguintes: Compras Programação de entregas Transportes Controle de estoque de matérias-primas Controle de estoque de componentes Armazenagem de matérias primas Armazenagem de componentes Planejamento, programação e controle da produção Previsão da necessidade de materiais Controle de estoque nos centros de distribuição Planejamento dos centros de distribuição Planejamento de atendimento aos clientes Existe um crescente interesse pela administração logística no Brasil, e como afirma Dias, (1996, pag. 17), esse interesse pode ser explicado por seis razões principais:

14 13 1 Rápido crescimento dos custos, particularmente dos relativos aos serviços de transporte e armazenagem; 2 Desenvolvimento de técnicas matemáticas e de equipamento de computação capazes de tratar eficientemente a massa de dados normalmente necessária para a analise de um problema logístico; 3 Complexidade crescente da administração de materiais e da distribuição física, tornando necessários sistemas mais complexos; 4 Disponibilidade de maior gama de serviços logísticos; 5 Mudanças de mercado e de canais de distribuição, especialmente para bens de consumo; 6 Tendência de os varejistas e atacadistas transferirem as responsabilidades de administração dos estoques para os fabricantes. De acordo com o mesmo autor os custos representam parte importante no processo de decisão na administração logística. A importância relativa desses custos dependerá das características físicas do produto e de como as políticas administrativas da empresa consideram a logística com relação a outras categorias de custo e objetivos, dependerá da localização, dos recursos da empresa em relação a fontes de suprimento e mercados e do papel que a empresa pode desempenhar em um sistema logístico. O aspecto que constitui a base para qualquer sistema de gerenciamento de materiais é a precisão dos dados ou qualidade das informações processadas (DIAS 1990). Há uma série de técnicas disponíveis para gerenciar os estoques, cada uma delas aplicável ao estágio em que a empresa se encontre; mas uma preocupação que deve estar sempre presente em qualquer situação é, sem duvida, precisão das informações, as quais podem afetar a operação da companhia em níveis de eficiência adequados. Dias, (1990, pag.26) enumera os maiores problemas relativos à impressão que podem ser: 1. Má localização dos estoques 2. Armazenamento inadequado 3. Erros de calculo nos relatórios de entrada e saída de materiais 4. Erros gerados no recebimento 5. Esquecimento e atraso na emissão de documentos de documentos relativos à entrada e saída de material. 6. Procedimentos de contagem física inadequados. Para cada um desses fatores e outros, para cada empresa em particular, os critérios para o gerenciamento e controle que serão desenvolvidos, devem ser levados na devida conta. As empresas dentro de um moderno enfoque logístico de gerenciamento de materiais podem estar estruturadas conforme Dias (1990) de acordo com a figura abaixo.

15 14 Gerente geral Materiais Financeiro Produção Comercial Compras Distribuição P.C.P. Controle de estoques Figura 1 sistema logístico de gerenciamento de materiais. Fonte: Dias (1990, p.25). Poderíamos considerar que a estrutura do organograma acima é um gerenciamento integrado. Existem também organizações em que encontraremos uma gerência de materiais orientada para o suprimento, para distribuição ou para a produção. É bem comum encontrarmos no setor de controle de estoques, como responsabilidade e atuação, dentro do P.C.P. (Planejamento e Controle da Produção). De acordo com Dias (1990) o manuseio ou a movimentação interna de produtos e materiais significa transportar pequenas quantidades de bens por distâncias relativamente pequenas, quando comparadas com as distâncias na movimentação de longo curso executadas pelas companhias transportadoras. É atividade executada em depósitos, fábricas, e lojas, assim como no transbordo entre tipos de transporte. Seu interesse concentra-se na movimentação rápida e de baixo custo das mercadorias (o transporte não agrega valor e é um item importante na redução de custos). Métodos e equipamentos de movimentação interna ineficientes podem acarretar altos custos para a empresa, devido ao fato de que a atividade de manuseio deve ser repetida muitas vezes e envolve a segurança e integridade dos produtos. Conforme menciona Ballou (2001) a administração de materiais tem uma preocupação constante em procurar medidas para minimizar os custos da empresa. Sua importância para a sobrevivência no mercado é notória. Com a crescente globalização, é preciso que as empresas se preocupem em se modernizar, diminuir custo, e produzir com o máximo de eficiência e eficácia. A movimentação de materiais adiciona valor de local e tempo aos produtos, por tornálos disponíveis quando e onde se fizerem necessários e estão associadas as seguintes atividades

16 15 (BALLOU, 2001): recebimento (descarga), identificação e classificação, conferência (qualitativa e quantitativa), endereçamento para o estoque, estocagem, remoção do estoque (separação de pedidos), acumulação de itens, embalagem, expedição e registro das operações. Conseqüentemente, torna-se necessário buscar sempre sistemas de armazenagem que produzam eficiência no abastecimento da produção ao menor custo. A função logística compreende um conjunto grande de atividades que são executadas por diversos agentes ao longo da cadeia completa de conversão da matéria-prima em produtos finais para os clientes. Essas atividades são executadas em locais diferentes, em tempos diversos, o que aumenta muito a complexidade de sua gestão. No tópico seguinte faremos uma abordagem da logística no setor público, seu funcionamento, os problemas enfrentados pela administração pública do setor e o que está sendo feito para a melhoria dos processos logísticos. 2.2 A LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO A administração pública vivencia momentos de profundas transformações através das políticas estaduais e federais de modernização da Gestão Pública. Contudo, os problemas decorrentes do longo período de atraso não são tão simples de serem sanados. Para Bresser (1998) essa evolução ainda é instável e ineficaz, devido à falta de cultura gerencial dentro dos órgãos públicos. A Logística, portanto, está inserida nessa realidade. Segundo Ortolani (2003), os problemas mais tradicionais encontrados na Logística do Setor Público são: falta de nível de serviço (não conseguem enxergar o funcionário como um cliente), falta de agilidade de picking (separação e preparação de pedidos), visão segregada entre etapas de compra estocagem, problemas operacionais de armazenagem, ausência de cultura gerencial para resultados, dentre outros. Para os órgãos públicos é comum verificar que muitas operações logísticas possuem natureza predominantemente empírica, cujas ações rotineiras e estratégicas são realizadas sem um estudo prévio de trade-off (se refere, geralmente, a perder uma qualidade ou aspecto de algo, mas ganhando em troca outra qualidade ou aspecto). Isso implica que uma decisão seja feita com completa compreensão tanto do lado bom, quanto do lado ruim de uma escolha em particular e conhecimento técnico. Daí o motivo da existência de inúmeros gargalos na Logística dessas instituições. (World Bank: 1994), pode-se entender a logística pública, Segundo o Banco Mundial, de forma geral,

17 16 como a composição de setores com características de economias de escala e externalidades positivas. O mesmo autor afirma ainda que, na tentativa desta caracterização mais clara, divide-se a infra-estrutura em três partes: a) energia elétrica, telecomunicações, serviços de água e esgoto e coleta de lixo; b) rodovias e sistemas de irrigação e drenagem; e c) sistemas de transporte: portos, serviços de transporte ferroviário urbano e interurbano, transporte rodoviário urbano, hidrovias e aeroportos. Pego Filho et al. (1999) destacam que a logística púbica enquadra-se bem nas situações que justificam a intervenção do Estado. Os setores econômicos que a compõem podem ser mais racionais em situações de alta escala de produção, às vezes monopólios, como energia, ou com dificuldade de não-exclusão do consumo, como no caso dos sistemas de transporte. As atividades econômicas são impactadas pela logística pública aos níveis dos custos e da qualidade dos serviços. Para Sousa (2002), os gastos públicos em infra-estrutura são um dos principais fatores explicativos da localização da indústria brasileira nos anos 1970 e 1980, à frente de outros indicadores convencionais, tais como potencial de mercado, subsídios e níveis educacionais. Este poder de atração gera, em nível das regiões, desequilíbrios que podem ser interpretados também numa perspectiva histórica a partir de uma relação complexa entre as primeiras atividades econômicas e as interações com as demanda de logística pública nacional. No próximo tópico, falaremos sobre o almoxarifado e sua importância na logística, e explicaremos como se procede este processo. 2.3 O ALMOXARIFADO E SUA IMPORTÂNCIA NA LOGÍSTICA O almoxarifado é, sem dúvida, um motor para qualquer organização, pois é nele que estão armazenados os materiais que sustentam o funcionamento destas. Segundo Viana (2002), depositar materiais no almoxarifado é o mesmo que depositar dinheiro em banco. Sendo assim, o almoxarifado deve possuir condições para assegurar que o material adequado, na quantidade devida, estará no local certo, quando necessário, por meio de armazenagem de materiais, de acordo com as normas adequadas, objetivando resguardar, além de preservar a qualidade e as exatas quantidades. Mas, para que o almoxarifado seja eficaz dentro do Canal de Distribuição, ele necessita primeiro atingir sua eficiência interna. De acordo com Viana (2002, p.135), isso depende fundamentalmente de:

18 17 Realização de cargas e descargas de veículos mais rápidas; Agilidade dos fluxos internos, tanto de materiais quanto de informação; Melhor utilização de sua capacidade volumétrica; Acesso fácil a todos os itens (grau de seletividade); Máxima proteção aos itens estocados; Maior otimização do layout para reduzir distâncias e perdas de espaço; O mesmo autor afirma ainda que na busca dessa eficiência interna, é importante que se analise se o atual arranjo físico do armazém não está operando como um gargalo, bem como verificar se os recursos disponíveis (mão-de-obra e equipamentos de movimentação) são suficientes para um atendimento rápido e eficiente das operações logísticas. No capítulo seguinte, veremos um pouco mais sobre armazenagem de materiais, layout de armazenagem e sua importância para a eficiência do processo produtivo. 2.4 ARMAZENAGEM DE MATERIAIS O almoxarifado está diretamente ligado à movimentação ou transporte interno de cargas, e não se pode separá-lo (DIAS, 1990). Ainda, Dias (1990) afirma que a influência dos equipamentos e sistemas para a armazenagem na produtividade industrial pode ser observada em todas suas frentes. Um método adequado para estocar matéria-prima, peças em processamento e produtos acabados permite diminuir os custos de operação, melhoram a qualidade dos produtos e aceleram os ritmos dos trabalhos. Além disso, provoca diminuição nos acidentes de trabalho, redução no desgaste dos demais equipamentos de movimentação e menor número de problemas de administração. A eficiência de um sistema para estocagem de cargas e o capital necessário dependem da escolha adequada do sistema. Não há para isso uma fórmula pré-fabricada: o sistema de almoxarifado deve ser adaptado às condições específicas de armazenagem e da organização. De acordo com Dias (1990) um layout de armazenagem leva em conta as exigências de estocagem de curto e longo prazo. Parte-se de um conhecimento bastante aproximado de tendências do material estocado e das eventuais flutuações de demanda, informações sem as quais um layout de armazenagem se torna simples previsão sem base. Segundo o mesmo autor, para que gerentes de materiais tenham uma base que permita localizar, dimensionar e equipar adequadamente os diversos locais de estocagem, deve-se obter dentro de um depósito da empresa uma série de informações: lotes de compras, lotes econômicos, períodos de pedido, razões de utilização dos diversos materiais empregados nas

19 18 atividades fabris, de manutenção, e em alguns casos, até administrativas que são as diretrizes básicas para um layout de armazenagem perfeito. Há algum tempo, o conceito de ocupação física se concentrava mais na área do que na altura. Em geral, o espaço destinado à armazenagem era sempre relegado ao local menos adequado. Com o passar do tempo, o mau aproveitamento do espaço tornou-se um comportamento antieconômico. Não era mais suficiente apenas guardar a mercadoria com o maior cuidado possível (DIAS, 1990). Racionalizar a altura ocupada foi a solução encontrada para reduzir o espaço e guardar maior quantidade de material. A armazenagem dos materiais assumiu, então, uma grande importância na obtenção de maiores lucros. Independente de como foi embalado o material, ou de como foi movimentado, a etapa posterior é a armazenagem. O mesmo autor salienta que, os termos "armazenagem" e "estocagem" são freqüentemente usados para identificar coisas semelhantes. Mas, alguns preferem distinguir os dois, referindo-se à guarda de produtos acabados como "armazenagem" e à guarda de matériasprimas como "estocagem". A armazenagem aparece como uma das funções que se agrega ao sistema logístico, pois na área de suprimento é necessário adotar um sistema de armazenagem racional de matérias-primas e insumos. No processo de produção, são gerados estoques de produtos em processo, e, na distribuição, a necessidade de armazenagem de produto acabado é, talvez, a mais complexa em termos logísticos, por exigir grande velocidade na operação e flexibilidade para atender às exigências e flutuações do mercado. 2.5 PRINCÍPIOS DE ESTOCAGEM DE MATERIAIS Um conceito formal de carga unitária utilizada poderia ser conforme Dias, (1990, p. 143) uma carga constituída de embalagens de transporte, arranjadas ou acondicionadas de modo que possibilite o seu manuseio, transporte e armazenagem por meios mecânicos e como uma unidade. A introdução do conceito de carga utilizada no sistema de manuseio de materiais permitiu uma maximização dos vários equipamentos de transporte, principalmente da empilhadeira de garfos, que pode tornar-se o mais importante meio de transporte e armazenagem de cargas nos diversos tipos de empresas. Segundo Dias (1990) um dos mais conhecidos dispositivos que permitem a formação de carga unitária é o pallet, que consiste num estrado de madeira ou plástico resistente, com o

20 19 aumento das trocas de mercadorias entre países de vários continentes, foi tornando-se necessário estabelecer normas de medidas para os recipientes de manuseio formadores de cargas unitárias. No Brasil existem normas elaboradas pela ABNT para regular o tamanho e medida dos pallets. Costa (2002, p.80) corrobora afirmando que Pallet é um estrado de madeira, com uma ou duas faces, duas ou quatro entradas. Possibilita o uso de empilhadeiras ou paleteiras de garfo, facilitando o descarregamento, a movimentação e o armazenamento dos materiais durante sua estocagem. A arrumação das caixas sobrepostas ao palete, durante as operações de transporte, compõe cargas unitárias, que diminuem em mais de 50% o tempo de carregamento e descarregamento dos caminhões nas plataformas, como também facilita o manuseio de grandes volumes. A paletização vem sendo utilizada conforme Dias (1990) com freqüência cada vez maior, em indústrias que exigem manipulação rápida e estocagem racional de grandes quantidades de cargas. O emprego em empilhadeiras e pallets já proporcionaram a muitas empresas, economia de até 30% do capital despendido com sistema de transporte interno. Um planejamento rigoroso deve ser realizado para determinar viabilidade ou não do emprego do sistema. Dias (1990) destaca ainda que A manipulação em lotes de caixas, sacos, engradados etc. permite que as cargas sejam transportadas e estocadas como uma só unidade. As principais vantagens são: economia de tempo, mão de obra e espaço de armazenagem. Um sistema de paletização bem organizado permite a formação de pilhas altas e seguras; oferece maior proteção às embalagens, que são manipuladas em conjunto, além de economizar tempo nas operações de cargas e descarga de caminhões (DIAS, 1990) A paletização consiste na combinação de peças pequenas e isoladas, com o objetivo de realizar, de uma só vez, a movimentação de um número maior de unidades. A característica comum aos sistemas de armazenagem é a utilização de paletes para movimentação e estocagem de quase todos os materiais, motivo pelo qual ao palete é creditado o aumento da capacidade de estocagem, a redução da largura dos corredores, economia de mãode-obra e redução de custos. Os paletes podem economizar grandes áreas e, combinados com sistemas eficientes de armazenagem, proporcionam facilidades e maior segurança à entrada e saída de materiais no estoque (COSTA, 2002). No próximo tópico continuamos a falar sobre estocagem de materiais, mas agora, o foco será as normas de estocagem de materiais.

21 NORMAS DE ESTOCAGEM Segundo Costa (2002) cada material tem suas características próprias e, consequentemente, normas apropriadas; alguns necessitam ambientes especiais para sua conservação (carnes, explosivos, produtos químicos, gazes etc.), outros podem ser acondicionados sem a necessidade de cuidados especiais, no entanto, é de fundamental importância que sejam respeitadas as características individuais de cada um dos materiais. Algumas recomendações de acordo com Costa, (2002, pág.84) são: a) Os materiais perecíveis devem ser estocados em locais apropriados e que propiciem condições ideais para sua conservação; b) Todos os materiais devem ser fiscalizados para garantir conservação adequada; c) Produtos químicos precisam ser estocados em locais especiais e em conformidade com suas normas específicas de guarda e segurança; d) Produtos alimentícios necessitam fiscalização diária, preventiva e corretiva. Devem ser estocados sem contato com o solo e em locais arejados. É recomendado o uso de estrados de madeira, afastados das paredes e estantes apropriadas. A higiene da área é indispensável, pois evita a proliferação de pragas; e) Todos os materiais devem ser estocados de modo que atenda às normas de segurança do produto e do trabalho; f) No manuseio de materiais perigosos é obrigatório o uso de EPI s (Equipamento de Proteção Individual) adequados e em bom estado de conservação; g) Óleos, combustíveis, lubrificantes e produtos químicos devem ser estocados de forma que previna incêndios ou explosões; h) Os prazos de validade dos produtos devem ser observados e nunca estar vencidos; i) Materiais de pequeno ou grande porte devem ser estocados de forma apropriada; j) Explosivos devem ser estocados em local apropriado, em conformidade com as normas de segurança e longe de qualquer agente que possa causar sua detonação; A princípio devemos armazenar obedecendo a classificação dos grupos de materiais, depois devemos observar as normas de armazenamento inerentes a cada produto. No próximo tópico continuaremos a falar sobre armazenagem de materiais, e mais especificamente, sobre técnicas de estocagem. 2.7 TÉCNICAS DE ESTOCAGEM (ARMAZENAGEM) A dimensão e as características de materiais e produtos podem exigir desde a instalação de uma simples prateleira até complexos sistemas de armações, caixas e gavetas. As maneiras mais comuns de estocagem de materiais conforme Dias (1990, p. 192) podem ser assim

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