Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Redação, Interpretação, Literatura e Língua Estrangeira

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1 Universidade Aberta do Nordeste e Ensino à Distância são marcas registradas da Fundação Demócrito Rocha. É proibida a duplicação ou reprodução desse fascículo. Cópia não autorizada é crime. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Redação, Interpretação, Literatura e Língua Estrangeira Anquisis, Diego Pereira, Fonteles e Idália Parente GRATUITO Esta publicação não pode ser comercializada. Disponível no site: enem

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3 Prezado(a) Leitor(a), Neste fascículo, daremos continuidade ao estudo dos objetos do conhecimento referentes à área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Leia-o atentamente, pois ele contribuirá para aprimorar suas competências e suas habilidades. Bom êxito! Redação Texto e textualidade 1. Texto Pode ser definido como todo uso da língua, na fala ou na escrita, de qualquer tamanho, dotado de unidade sociocomunicativa, semântica e formal. Esse uso deve sempre ter como objetivo maior a comunicação. Unidade sociocomunicativa significa que o texto deve cumprir sua função, dentro da sociedade, de comunicar algo, e esse algo deve apresentar-se como uma unidade. Um texto, para ser eficiente, deve tratar de um mesmo assunto dentro do seu conteúdo. É a unidade que diferencia um texto de um amontoado de frases sem sentido. A unidade sociocomunicativa é garantida pela observação dos fatores pragmáticos, que têm a ver com o funcionamento do texto dentro do contexto sociocultural. São eles: intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade. A unidade semântica é garantida pela coerência, fator responsável pelo sentido do texto. A unidade formal é garantida pela coesão, responsável pelo uso integrado dos recursos de uma língua. É importante ter em mente que um texto não tem um tamanho ideal. Ele não precisa ter um mínimo de palavras para ser um texto. Na verdade, uma palavra apenas pode ser um texto. Por exemplo, uma pessoa que está afogando-se no mar e grita: Socorro! está produzindo um texto, pois este está dentro de uma realidade social e tem unidade semântica e formal. Portanto, esqueçamos essa ideia de que texto tem um tamanho determinado. Quem determina o tamanho do texto são as condições, específicas para cada caso, em que ele é produzido. 2. Textualidade É o conjunto de características que fazem que um texto seja realmente um texto, e não apenas um uma sequência de frases. Tais características são os fatores referidos anteriormente: de sociocomunicação ou pragmáticos, de coerência e de coesão. Vejamos agora os fatores sociocomunicativos. 2.1 Intencionalidade Diz respeito ao empenho do criador do texto em construir um discurso coerente, coeso e capaz de satisfazer aos objetivos que tem em mente numa determinada situação comunicativa. A meta pode ser informar, impressionar, alarmar, convencer, pedir, ofender... Dependendo da meta, a língua utilizada pelo criador do texto pode se modificar. Por exemplo, quando queremos pedir algo a alguém, utilizamos recursos linguísticos que indiquem polidez. Quando queremos ordenar algo a alguém, os recursos utilizados podem ser os indicativos de dominação. 2.2 Aceitabilidade É a expectativa do receptor de que o texto com que se encontra seja coerente, coeso, relevante, capaz de levá- -lo a adquirir conhecimentos. Ao produzirmos um texto, sempre temos de levar em consideração o nosso receptor. No texto escrito, muitas vezes, não temos como definir um receptor específico. Mesmo assim, temos de criar um texto que seja o mais acessível possível ao leitor virtual. Universidade Aberta do Nordeste 99

4 2.3 Situacionalidade É a adequação do texto à situação comunicativa. É a observação do contexto social. Na busca pela eficiência, acabam-se criando vários tipos de textos para as diferentes situações sociais. Produzir um texto é como escolher uma roupa: para cada ocasião, há a vestimenta adequada. Por exemplo, discutir política na mesa de jantar com a família é bem diferente de discutir política num congresso científico. Para cada situação, utilizaremos recursos diferentes para criarmos textos diferentes. 2.4 Informatividade Diz respeito às ocorrências de um texto que não são conhecidas pelo receptor, a novidade que faz que um texto se torne mais interessante para quem o acessa. Quanto menos previsível, mais informativo o texto será. Entretanto, um texto inteiramente novo tenderá a ser rejeitado pelo receptor, que não conseguirá processá-lo. Por exemplo, se uma pessoa formada em Letras for ler um livro que fale da teoria da relatividade, provavelmente ficará boiando, pois haverá, nesse material, muitas informações novas que talvez essa pessoa não consiga processar. Assim, o ideal é o texto se manter num nível mediano de informatividade, em que se alternem o previsível e a novidade. 2.5 Intertextualidade Para a melhor produção ou compreensão de um texto, muitas vezes, é necessário utilizar do conhecimento sobre outros textos. A intertextualidade é exatamente essa ponte entre o processamento de um novo texto e outros que o antecederam. Inúmeros textos só fazem sentido quando entendidos em relação a outros textos, que funcionam como seu contexto. 3. Projeto de texto Você sabe o que é um projeto de texto? É uma espécie de mapa no qual estabelecemos os principais pontos pelos quais deve passar a análise do tema a ser feita, a melhor ordem para apresentar os argumentos de modo a garantir que o texto final tenha textualidade. Em nosso dia a dia, estamos sempre fazendo projetos, por exemplo, se você pensa em ir a algum lugar, aonde nunca foi antes, é natural que imagine um roteiro, para que ganhe tempo e corra menos riscos de se perder, certo? Faça o mesmo quando pensar em fazer um texto dissertativo-argumentativo. Não comece a fazê-lo sem saber aonde irá chegar. Para fazer um bom projeto de texto e ganhar tempo na hora da avaliação, trace um plano: determine seu caminho. Como? Vamos ver: 1º Faça a leitura completa da proposta: textos motivadores e tema. Reflita sobre o tema: qual é o assunto? Qual seu posicionamento sobre ele? 2º Determine quais as possibilidades de análise da questão tematizada e identifique quais informações são necessárias para desenvolver a análise. 3º Leia e interprete, com muita atenção, todas as informações que acompanham o tema proposto. 4º Opte por uma via de análise, com base nas informações analisadas e nas possibilidades de desenvolvimento identificadas. 5º Retome as informações disponíveis, já devidamente interpretadas, para determinar quais delas podem ser úteis no desenvolvimento da via de análise escolhida. 6º Integre à análise a ser feita outras informações pertinentes que não tenham sido fornecidas com o tema proposto. É importante salientar que o projeto de texto não é um rascunho, é um plano geral, é a identificação de aspectos essenciais a serem abordados, é o tipo de relação a ser estabelecida entre as informações que serão apresentadas no texto. Um bom planejamento, portanto, reflete em bons textos. ATENÇÃO! Para treinar seus conhecimentos e suas habilidades no processo de produção escrita do Enem, participe do Christus - Redação 1000 online! Para isso, acesse o site e informe-se mais. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias JORGE AMADO E O REGIONALISMO DE

5 A prosa da Geração de 1922 já havia deixado marcas de uma revolução. Porém, o novo contexto pedia uma Literatura mais ligada aos fatos, e o que ocorreu foi uma retomada parcial do Realismo/Naturalismo. Pode-se chamar a prosa de 30 de Neorrealista, mas salientando- -se que o termo, tal como foi aplicado no século XIX, eivado de cientificismo e de racionalismo inflexível, não se prestava mais à nova conjuntura. Os romancistas pós- -modernos optaram por um aprofundamento das relações entre homem/meio, homem/sociedade, numa visão crítica dessas relações. Outro elemento importantíssimo que integra a ficção desse período é o fator emocional das personagens, antes suprimido por rígido determinismo; além disso, há um aprofundamento da análise psicológica das personagens. Há basicamente três tipos de ficção desenvolvidos pelo Neorrealismo pós-moderno: prosa urbana, prosa do regionalismo nordestino e prosa intimista. Neste trabalho, o nosso objeto de estudo é a prosa do regionalismo nordestino e a importância de Jorge Amado neste período da Literatura brasileira. Na década de 1930, o quadro socioeconômico, político brasileiro e internacional, composto por reflexos da crise de 1929 na Bolsa de Nova Iorque, pela crise cafeeira, Revolução de 30, Intentona Comunista, de 1935, Estado Novo ( ), ascensão do nazismo e do fascismo e combate ao socialismo, Segunda Guerra Mundial ( ), exigia dos artistas intelectuais uma tomada de posição ideológica. Dessa exigência resultou uma arte engajada, de clara militância política, como se verifica nas obras de Jorge Amado. Dentre os diferentes caminhos trilhados pela prosa de 30, o regionalismo nordestino é o mais importante. A tradição da ficção regionalista nordestina já contava com nomes como Franklin Távora, Rodolpho Teófilo e Domingos Olímpio, mas, com a publicação de A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida, e, em seguida, O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz, o romance nordestino entra numa nova fase, de denúncia das agruras da seca e da migração, dos problemas do trabalhador rural, da miséria e da ignorância. Vale lembrar que a prosa regionalista na Literatura brasileira tem raízes no Romantismo em obras de autores como Bernardo Guimarães, José de Alencar, Visconde de Taunay e Franklin Távora. Voltando a falar objetivamente sobre o regionalismo nordestino de 30, é importante que o aluno conheça as características dessa literatura, vejamos: Inspiração neorrealista e neonaturalista. Noção precisa de tempo e espaço. Linearidade cronológica. Romances cíclicos da seca, do cangaço, do misticismo, da cana-de-açúcar e do cacau. Análise da condição humana e dos costumes do trabalhador rural nordestino. Denúncia da miséria e da exploração do homem pelo homem. O romance assume uma visão política (os escritores encaram suas obras como agentes de transformação social, numa radicalização ideológica.) Predomínio do projeto ideológico sobre o projeto estético. Fim da oposição radical ao passado. Correspondência entre a linguagem e a realidade. Busca da verossimilhança. Tipificação social. Denúncia da realidade social. Além da natural importância de Jorge Amado (foto) para o Regionalismo de 30 e para a própria Literatura brasileira, neste ano de 2012, torna-se fundamental, para quem vai submeter-se ao vestibular, conhecer um pouco sobre este grande baiano que soube, como ninguém, ler a alma do povo brasileiro, pois, em 2012, comemora-se o centenário de nascimento de Jorge Amado. Jorge Amado nasceu na Fazenda de cacau Auricídia, município de Itabuna, Bahia, em Quando estava com 2 anos de idade, uma enchente destruiu a fazenda, e a família transferiu-se para Ilhéus, onde o autor passou parte da infância. Mais tarde, a família mudou-se para Salvador, onde Jorge Amado estudou no colégio interno Antônio Vieira. Um dos jesuítas, professor de Português, percebeu que Jorge tinha vocação para a Literatura e o incentivou a ler os clássicos. Aos 14 anos, Jorge Amado fugiu do colégio e, durante meses, viajou de carona, comendo e hospedando-se em casas de pessoas que ia conhecendo pelo caminho, até chegar à casa do avô, em Sergipe. No ano seguinte, voltou aos estudos e fundou um jornalzinho Universidade Aberta do Nordeste 101

6 na escola, no qual publicou seu primeiro conto, e começou sua colaboração mais efetiva em revistas e jornais. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou Direito e publicou seu primeiro romance, O País do Carnaval (1931). Militou politicamente, primeiro ao lado de Getúlio Vargas, depois como comunista, o que lhe valeu censura e apreensão de várias obras. Visitou vários estados brasileiros, países da América Latina e Estados Unidos. Entre 1937 e 1938, esteve preso por sua militância política. Com a perseguição ideológica, exilou-se por dois anos na Argentina e no Uruguai, vivendo de suas atividades jornalísticas e literárias. Voltou ao Brasil movido pelo interesse em campanhas pró-aliados durante a Segunda Guerra; logo foi preso, e, ao ser liberado, os federais lhe impuseram Salvador como cidade para viver. Em 1944, desafiou a determinação e foi a São Paulo, onde exerceu atividades jornalísticas em paralelo à sua carreira de romancista. No ano seguinte, casou-se em segundas núpcias com Zélia Gattai; elegeu-se deputado federal por São Paulo pelo Partido Comunista Brasileiro e participou da Assembleia Nacional Constituinte. Nessa época, suas obras foram sendo traduzidas e publicadas em vários países. Como todos os comunistas da época, teve seu mandato cassado em 1948 e foi forçado a novo exílio na Europa, fixando-se em Paris. Sua vida profissional cada vez mais se voltou para o jornalismo e para a Literatura, até que esta última passou a ser sua atividade exclusiva. Jorge Amado é o escritor brasileiro mais lido e conhecido no mundo. Sua carreira literária rendeu-lhe prêmios e honras no país e no exterior. Após sucessivas internações, Jorge Amado morre em 6 de agosto de Apesar da popularidade de Jorge Amado, a maior parte da crítica credita seu talento e valor literário às primeiras produções, especialmente Jubiabá, Mar Morto e Terras do Sem-Fim, afirmando que, no final da década de 1950 e no início da de 1960, sua obra peca pela previsibilidade, pois apresenta o que o grande público espera de um romance: um realismo precário, apegado a uma galeria de tipos (o marinheiro, o pescador, o marginal, o velho lascivo, o jagunço, o político de ocasião, a cafetina, a perdida, a mulher eternamente disponível, leões-de-chácara etc.) e a espaços fixos ( a fazenda de cacau, o botequim, o prostíbulo etc.), matizado por um romantismo cujo idealismo passa invariavelmente pela sensualidade gratuita. Nos últimos dois terços de sua obra, a Bahia, cenário constante, ficou redimida de suas carências sociais e políticas por meio da índole festiva e sensual de seu povo. Alfredo Bosi, crítico literário, distingue na obra de Jorge Amado cinco fases: 1ª Um primeiro momento de águas-fortes da vida baiana, rural e citadina que lhe deram a fórmula do romance proletário. Isso se observa em algumas obras como Cacau e Suor. 2ª Um segundo momento marcado por depoimentos líricos, isto é, sentimentais, espraiados em torno de rixas e amores marinheiros. Isso se observa em obras como Jubiabá, Mar Morto e Capitães da Areia. 3ª Um terceiro momento marcado por um grupo de escritos de pregação partidária. Percebe-se isso em obras como: O Cavaleiro da Esperança e O Mundo da Paz. 4ª Um quarto momento marcado por alguns grandes afrescos da região do cacau, certamente suas invenções mais felizes, que animam de tom épico as lutas entre coronéis e exportadores. Isso se observa em obras como Terras do Sem-Fim e São Jorge de Ilhéus. 5ª Um quinto e último momento marcado por crônicas amaneiradas de costumes provincianos. Nessa linha, formam uma obra à parte, menos pelo espírito que pela inflexão acadêmica do estilo. Nesta última fase, abandonam-se os esquemas de literatura ideológica que nortearam os romances de 1930 e de 1940; e tudo se dissolve no pitoresco e no apimentado do regional. Tal fato é percebido em obras como: Gabriela, Cravo e canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos. Ninguém melhor que Jorge Amado para falar sobre sua obra. Em entrevista publicada pelo jornal Folha de São Paulo, em 9 de agosto de 1992, o autor afirmou: Acho a Bahia fundamental não só na cultura brasileira, mas no país inteiro. Primeiro porque o Brasil começou na Bahia. Vem de lá um fato fundamental para a cultura brasileira: a mistura de sangue, de raças e de culturas, a miscigenação e o sincretismo. A literatura brasileira começa com Gregório de Matos. O resto era imitação da cultura portuguesa. E vem até Caetano, mas não para nele, porque Caetano já tem 50 anos...já tem coisa mais nova. (...) A crítica diz que eu me repito muito. É verdade. Tenho dois temas. Um é o rural, o estabelecimento de produção de cacau. A outra matriz do meu trabalho é a cidade da Bahia e sua vida popular. Mas os ambientes e os personagens se repetem. São os coronéis, os jagunços, as prostitutas, a gente do povo. Sou incapaz de escrever sobre aquilo que não vivi. (...) Tenho mais consciência dos meus defeitos do que os meus pretensos críticos. Aliás, a crítica em si não significa grande coisa porque acho o leitor mais interessante do que o crítico. Ele é um cúmplice, 102

7 participa de sua obra, te dá a medida de que o que você está fazendo está tocando as pessoas. Tem coisas que não me dizem nada: homenagens, prêmios etc. Não podemos esquecer que o Regionalismo de 30, além de Jorge Amado, teve outros grandes nomes da literatura, como Graciliano Ramos (considerado pela crítica o mais importante romancista do Regionalismo de 30), Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida e José Lins do Rego. personagens vivem para destacar a condição de excluídos sociais. Isso é comum na obra de Jorge Amado e de outros autores como Dalton Trevisan. Resposta: D Para aprender mais! Questão comentada Texto I Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circulava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações. AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, fragmento Texto II À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro, ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado. TREVISAN, Dalton. 35 Noites de Paixão: Contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009, fragmento (Enem) Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos, A. a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados. B. a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens. C. o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social. D. o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão. E. a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta. Solução comentada Observando os fragmentos apresentados, o leitor percebe que os autores utilizam o recurso de evidenciar o espaço onde os 1. Jorge Amado de Faria nasceu em Itabuna (BA), em Depois de trabalhar na imprensa, estudou Direito. Em 1931, mudou-se para o Rio de Janeiro e lá publicou seu primeiro romance: O País do Carnaval. Morou alguns anos em Buenos Aires e, em 1945, foi eleito deputado por São Paulo. Em 1948, viajou pela União Soviética, Tchecoslováquia, China, Mongólia, além de outros países. Entrou para a Academia Brasileira de Letras em Jorge Amado denunciou a avidez dos coronéis nos latifúndios de exploração do cacau, principalmente nos romances épicos Terras do Sem-Fim e São Jorge de Ilhéus. Ainda que repetitivo em seus enredos, Jorge Amado nos legou um estilo inconfundível, fluente, rico e rítmico. Muitas de suas obras foram e continuam sendo adaptadas para filmes e novelas. Faleceu em Jorge Amado abordou, em vários romances, a questão da exploração do homem pelo homem e a luta pela terra com o sonho de uma reforma agrária. Observa-se tal temática no seguinte trecho A B Seu irmão José partira porque a visão dos cangaceiros, de sua bárbara e ruidosa alegria, da sua liberdade defendida a tiros todos os dias, fora irresistível. Como poderia ficar na fazenda depois de tê-los visto? Já antes partira João, o irmão mais velho. Não via futuro na roça, naquele pedaço de terra que o pai lavrava. Seara Vermelha, Jorge Amado Aquelas crianças pequenas e empapuçadas tinham três coisas desconformes: os pés, a barriga e o sexo. Conheciam o ato sexual desde que nasciam. Os pais se amavam nas suas vistas e vários deles viram a mãe ter muitos maridos. Fumavam cigarrões de Universidade Aberta do Nordeste 103

8 C D E fumo picado e bebiam grandes tragos de cachaça desde a mais tenra idade. Cacau, Jorge Amado Só Gabriela parecia não sentir a caminhada, seus pés como deslizando pela picada muitas vezes aberta na hora a golpes de facão, na mata virgem. Como se não existissem as pedras, os tocos, os cipós emaranhados. A poeira dos caminhos da caatinga a cobria tão por completo que era impossível distinguir seus traços. Gabriela, Jorge Amado Todo mundo comprava o Estado da Bahia para ver quem levava pancada naquele dia. Não era um jornal de escândalo. Mas falava e tinha coragem. E um jornal que fala a verdade, na Bahia, diz coisas piores do que o jornal mais infame do universo. O País do Carnaval, Jorge Amado Avô, mesmo que a gente morra, é melhor morrer de repetição na mão, brigando com o coronel, que morrer em cima da terra, debaixo de relho, sem reagir. Mesmo que seja pra morrer nós deve dividir essas terras, tomar elas pra gente. Mesmo que seja um dia só que tenhas elas, paga a pena de morrer. Os Subterrâneos da Liberdade, Jorge Amado 2. Decerto o romance mais conhecido de Jorge Amado, nacional e internacionalmente, Gabriela Cravo e Canela, passa-se em Ilhéus, cenário baiano de outras histórias do autor, no ano de Além de retratar a cidade do cacau naqueles anos decisivos, gira em torno dos amores e das desventuras de Nacib, um brasileiro das Arábias, e Gabriela, retirante maltrapilha encontrada no mercado dos escravos. Começa ele por contratá-la como cozinheira, mas até casar- -se com ela, depois de torná-la sua amásia, foi um passo. Gabriela, com todo o seu charme de cravo e canela, cai nas graças de Tonico Bastos, um dos frequentadores do bar Vesúvio, pertencente a Nacib. E o casamento é anulado. Com o tempo, sentindo a falta de Gabriela, não só nos serviços de cozinha, mas também como companheira, Nacib recebe-a de volta. E assim a paz retorna ao Vesúvio. Literatura Brasileira Através dos Textos, Massaud Moisés Parte da crítica literária vê pouco valor na obra de Jorge Amado, principalmente nos romances a partir do final da década de Certos críticos rejeitam o caráter militante de algumas de suas obras, acusando-as de panfletárias; outros rejeitam sua linguagem despretensiosa e popular, acusando-o de escrever mal; outros rejeitam o apimentado de suas histórias mais populares, recheadas de erotismo; outros o consideram repetitivo em relação a personagens e enredos. Independentemente da opinião da crítica, Jorge Amado tornou-se um dos mais prestigiados escritores brasileiros no Brasil e no exterior. Alfredo Bosi, importante crítico literário, distingue cinco momentos na produção literária de Jorge Amado. Após uma leitura do comentário feito sobre o romance Gabriela Cravo e Canela, apresentado, infere- -se que essa obra se enquadra A. num momento de águas-fortes da vida baiana, que lhe deram a fórmula do romance proletário. B. num grupo de escritos de pregação partidária. C. num momento que aborda a região do cacau que anima de tom épico as lutas entre coronéis e exportadores. D. nas crônicas amaneiradas de costumes provincianos. Momento no qual se abandonam os esquemas de literatura ideológica que nortearam os romances das décadas de 1930 e de E. nas obras que retomam a literatura clássica mostrando um apuro da linguagem e um cuidado especial com a construção dos personagens. 3. Para Graciliano Ramos, o roceiro pobre é outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas Secas faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes. Luís Bueno, Guimarães, Clarice e outros. In: Teresa. São Paulo: USP, nº 2, 2001, p No texto, verifica-se que o autor utiliza A. linguagem predominantemente formal, para problematizar, na composição de Vidas Secas, a relação entre o escritor e o personagem popular. B. linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor. 104

9 C. linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma história que apresenta o roceiro pobre de forma pitoresca. D. linguagem formal com recursos retóricos próprios do texto literário em prosa, para analisar determinado momento da literatura brasileira. E. linguagem regionalista, para transmitir informações sobre literatura, valendo-se de coloquialismo, para facilitar o entendimento do texto. 4. A imagem posta acima é a tela Segunda Classe (1933), de Tarsila do Amaral. Trata-se de um óleo sobre tela nas dimensões 110cm x 151cm. A temática da obra mostra o engajamento social da artista que, a partir da década de 1930, soube, por meio de sua arte, fazer críticas e denúncias sociais que guardam relação com a literatura regionalista nordestina da década de A observação da imagem permite inferir que a obra se refere A. a revelações diferentes daquelas presentes em obras que fazem crítica social abordando questões das classes menos favorecidas. B. às preocupações da artista em usar as pessoas de segunda classe no seu trabalho, para se aliar a Cândido Portinari, tido como um dos primeiros pintores brasileiros a olhar a pobreza e as condições indignas do povo como temas sociais. C. às preocupações da artista com as diferenças sociais, reveladas pela imagem em que tematiza a pobreza, por meio da representação de pessoas descalças e franzinas, diante de um vagão de trem da segunda classe. D. a uma provocação de Di Cavalcanti, feita a Tarsila, desafiando-a a representar a pobreza na arte, por meio dos cidadãos de segunda classe, como um modo de induzir à reflexão sobre as diferenças sociais e difundir o comunismo no Brasil, pois tal tarefa, até então, vinha sendo feita somente pela literatura regionalista de 30. E. a um tema comum aos artistas expressionistas modernos, que gostavam de mostrar em seus trabalhos pessoas maltrapilhas e pobres, a fim de sensibilizar os apreciadores e de vender mais trabalhos, porém sem nenhum viés de crítica social. A pintura O objetivo deste capítulo é apresentar um breve olhar sobre os mais importantes movimentos artísticos do final do século XIX e do início do século XX. Iniciaremos falando do Impressionismo, pois esse movimento artístico revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. O impressionismo O Impressionismo teve início no ano de 1874, na França, quando o pintor francês Claude Monet apresentou a tela Impressão, nascer do sol. Os impressionistas buscavam observar os diversos efeitos da luz solar sobre os objetos ao longo do dia para registrar na tela as variações provocadas nas cores da natureza. Eles não chegaram a formar uma escola ou um sistema, apenas compartilharam algumas técnicas e procedimentos gerais. Vejamos quais eram os procedimentos gerais dos impressionistas: 1. A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente dependendo da incidência da luz do sol. 2. As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é só uma forma encontrada pelo ser humano para representar, por meio de imagens, a natureza, os objetos, os seres em geral etc. 3. As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os pintores as representavam até então. 4. As cores e as tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta. Devem ser puras e utilizadas na tela em pequenas pinceladas. É o observador que, ao apreciar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura das cores passa a ser, portanto, resultado do olhar humano, e não da técnica do pintor, pois ele não as mistura na paleta. 5. Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos. Universidade Aberta do Nordeste 105

10 Os mais destacados pintores impressionistas foram: Claude Monet, Pierre Auguste Renoir e Edgar Degas. Vejamos algumas telas impressionistas. naturais em formas geométricas (cilindros, cones e esferas) acentuou-se. Olhando a pintura de Cézanne, é fácil compreender a enorme influência por ele exercida sobre os artistas do início do século XX, que criariam a chamada arte moderna. Impressão, nascer do sol (1873), de Claude Monet. 48cm x 63cm. Museu Marmottan, Paris O castelo de Médan ( ), de Cézanne. 51cm x 76cm. Coleção Burrell, Glasgow Baile no Moulin de la galette (1876), óleo sobre tela de Renoir. 1,31m x 1,75m. Museu D Orsay, Paris Alguns pintores marcaram a transição do Impressionismo para outros momentos da arte. Foram eles Gauguin, Cézanne e Van Gogh. Vejamos o que caracterizou o trabalho desses artistas. I Gauguin ( ) - Participou da quinta exposição coletiva do movimento Impressionista, em Por volta de 1884, porém, sua obra já superava essa tendência em alguns aspectos, como o uso da tinta pura em áreas de cor bem definidas e também a cor dos objetos que deixa de imitar a realidade. III Van Gogh ( ) - O holandês Vincent Willem van Gogh empenhou-se em representar a beleza do ser humano e da natureza por meio da cor, elemento fundamental de sua pintura. A produção artística de Van Gogh passou por vários períodos. O primeiro período está ligado à época em que conviveu com os mineiros belgas. Nas obras desse momento, percebe-se o uso do claro-escuro e o interesse por temas sociais. As cores são sombrias; as personagens, melancólicas. Em seguida, Van Gogh participa do Impressionismo, mas logo abandonou essa tendência. Num terceiro momento, interessa-se pela arte de Gauguin, pois agradava a Van Gogh o fato de Gauguin simplificar as formas, reduzir os efeitos da luz e usar zonas de cores bem definidas. Finalmente, em 1888, deixou Paris e foi para Arles, no sul da França, onde passou a pintar ao ar livre. O sol forte da região mediterrânea influenciou sua pintura, e ele apaixonou-se pelas cores intensas. II Arearea, O cão vermelho,(1892), de Gauguin. 75cm x 94cm. Museu D Orsay, Paris Cézanne ( ) - Também iniciou sua carreira ligado ao Impressionismo, mas não demorou a tomar outro rumo. Ele não se interessou em registrar as variações causadas pela luz solar. Buscou, isto sim, representar o que muda nos seres, o que permanece: procurou as linhas com que os objetos e elementos da natureza podem ser representados. Com o tempo, a tendência de Cézanne em converter os elementos Jarra com catorze girassóis (1888), de Van Gogh. 93cm x 73cm. Galeria Nacional, Londres 106

11 O Expressionismo O Expressionismo teve origem em Dresden, Alemanha, entre 1904 e 1905, com um grupo chamado Die Brücke (A Ponte). Desse grupo faziam parte Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff. É inegável que o Expressionismo foi uma reação ao Impressionismo, já que o Impressionismo se preocupou apenas com as sensações de luz e cor, não se importando com os sentimentos humanos e com a problemática da sociedade moderna. Ao contrário, o Expressionismo procurou expressar as emoções humanas e interpretar as angústias que caracterizaram psicologicamente o homem do início do século XX. O pintor norueguês Edvard Munch também inspirou o movimento expressionista. Sua obra O Grito é um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência. crítico Louis Vauxcelles de fauves, que significa feras, por causa da intensidade com que usavam as cores puras, sem misturá-las ou matizá-las. Dois princípios regem esse movimento artístico: a simplificação das formas das figuras e o emprego das cores puras. Por isso as figuras fauvistas são apenas sugeridas e não representadas realisticamente pelo pintor. Dessa forma, as cores não são as da realidade. Elas resultam de uma escolha arbitrária do artista e são usadas puras, tal como estão no tubo de tinta. O pintor não as torna mais suaves nem cria gradação de tons. Pertenceram a essa tendência artística: André Derain, Maurice de Vlaminck, Othon Friesz e Henri Matisse. A Dança ( ), óleo sobre tela de Henri Matisse. 2,60m x 3,91m. Museu Hermitage, São Petersburgo O Grito (1893), de Edvard Munch. 91cm x 73 cm. Galeria Nacional, Oslo Cinco mulheres na rua (1913), óleo sobre tela de Ernst Kirchner. 1,20m x 90cm. Wallraf-Richartz Museum, Colônia. O Fauvismo Em 1905, em Paris, durante a realização do Salão de Outono, alguns jovens pintores foram chamados pelo O Cubismo O Cubismo surge, em 1907, com Pablo Picasso. Os cubistas representavam os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. Significava, em suma, o abandono da busca da ilusão da perspectiva ou das três dimensões dos seres, tão perseguidos pelos pintores renascentistas. Com o tempo, o Cubismo evoluiu em duas grandes tendências chamadas Cubismo Analítico e Cubismo Sintético. O Cubismo Analítico trabalha com poucas cores (preto, cinza e alguns tons de marrom e ocre), o que mais importava para essa tendência era definir um tema e apresentá-lo de todos os lados simultaneamente. Levada às últimas consequências, essa tendência chegou a uma fragmentação tão grande dos seres, que tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. O Cubismo Sintético procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Entretanto, apesar de ter havido certa recuperação da imagem real dos objetos, isso não significou o retorno ao tratamento realista do tema. Os nomes mais destacados ligados ao Cubismo foram Pablo Picasso e Georges Braque. Universidade Aberta do Nordeste 107

12 Les Demoiselles d Avignon ( ), óleo sobre tela de Pablo Picasso. 2,43m x 2,33m. Museu de Arte Moderna, Nova York O Futurismo Guernica (1937), painel de Pablo Picasso. 3,49m x 7,76m. Museu Nacional de Arte Rainha Sofia, Madri. O Futurismo surge, em 1909, na Itália, com o poeta e escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti. Esse movimento teve uma forte relação com a literatura do início do século, influenciada em 1909 pelo manifesto futurista. Na pintura, assim como na literatura, os futuristas, como a própria palavra sugere, exaltavam o futuro e, sobretudo, a velocidade, que passou a ser conhecida e admirada com o advento da mecanização nas indústrias e com a crescente complexidade social que ganharam os grandes centros urbanos. Para os pintores futuristas, os outros artistas tinham ainda uma visão estática da realidade, ignorando o aspecto mais evidente dos novos tempos: o movimento veloz das máquinas, que provoca a superação do movimento natural. Os nomes mais destacados, no campo das artes, no Futurismo foram Umberto Boccione e Giacomo Balla. Velocidade Abstrata, o carro passou, (1913), óleo sobre tela de Giacomo Balla. 50cm x 65cm. Tate Gallery, Londres. O Dadaísmo Durante a Primeira Guerra Mundial ( ), artistas e intelectuais de diversas nacionalidades, contrários ao envolvimento de seus países no conflito, exilaram-se em Zurique, na Suíça. Aí acabaram fundando um movimento que deveria expressar suas decepções com o fracasso das ciências, da religião e da filosofia existentes até então, pois todos esses conhecimentos se revelaram incapazes de evitar a grande destruição que assolava a Europa. Esse movimento foi denominado Dadá, nome escolhido pelo poeta húngaro Tristan Tzara. Os dadaístas propunham que a criação artística se libertasse das amarras do pensamento racionalista e sugeriam que ela fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionando e combinando elementos ao acaso. Na pintura, essa atitude foi traduzida por obras que usaram o recurso da colagem. Entretanto, agora a intenção não é plástica, e sim de sátira e crítica aos valores tradicionais tão aparentemente prezados, mas responsáveis pelo caos em que se encontrava a Europa. Dentre os artistas dadaístas, destacaram-se Marcel Duchamp, Hugo Ball e Raoul Hausmann. A Mona Lisa de bigodes (1918), de Marcel Duchamp O Surrealismo O Dadaísmo, principalmente o seu princípio do automatismo psicológico, propiciou o aparecimento do Surrealismo, na França, em O poeta e escritor André Breton liderou a criação desse movimento e escreveu o seu primeiro manifesto, em que associa a criação artística ao automatismo psíquico puro. Dessa associação resulta que as obras criadas nada devem à razão, à moral ou à própria preocupação estética. Portanto, para os surrealistas, a obra de arte não é o resultado de manifestações racionais e lógicas do consciente. Ao contrário, são as 108

13 manifestações absurdas e ilógicas, como as imagens dos sonhos e das alucinações, que produzem as criações artísticas mais interessantes. Às vezes, as obras surrealistas representam alguns aspectos da realidade com excesso de realismo. Entretanto, estes aparecem, em geral, associados a elementos que, na realidade, são dissociados, o que resulta em conjuntos irreais. O nome mais destacado do Surrealismo, sem dúvida, foi Salvador Dali. O Sono (1937), de Salvador Dali. Museu Boymans-Van Beuningen, Roterdã O Abstracionismo Considera-se que a moderna arte abstrata tenha sido iniciada pelo pintor russo Wassilly Kandinsky, com a tela Batalha. A pintura abstrata caracteriza-se pela ausência de relação imediata entre as formas e as cores representadas e as formas e cores reais. Assim, uma tela abstrata não representa a realidade que nos cerca, nem narra com imagens uma cena histórica, literária, religiosa ou mitológica. Batalha ( ), de Wassily Kandinsky. 94,6cm x 1,30m. Tate Gallery, Londres Questão comentada Monet, C. Mulher com sombrinha. 1875, 100cm x 81cm. In: BECKETT, W. História da pintura. São Paulo: Ática, 1997 (Enem) Em busca de maior naturalismo em suas obras e fundamentando-se em novo conceito estético, Monet, Degais, Renoir e outros artistas passaram a explorar novas formas de composição artística, que resultava no estilo denominado de Impressionismo. Observadores atentos da natureza, esses artistas passaram a A. retratar, em suas obras, as cores que idealizavam de acordo com o reflexo da luz solar nos objetos. B. usar mais a cor preta, fazendo contornos nítidos, que melhor definiam as imagens e as cores do objeto representado. C. retratar paisagens em diferentes horas do dia, recriando, em suas telas, as imagens por eles idealizadas. D. usar pinceladas rápidas de cores puras e dissociadas diretamente na tela, sem misturá-las antes na paleta. E. usar as sombras em tons de cinza e preto e com efeitos esfumaçados, tal como eram realizadas no Renascimento. Solução comentada A opção A está errada porque afirma que os pintores impressionistas idealizavam as cores, quando, na realidade, eles usavam cores puras sem misturá-las antes na paleta. A opção B também está errada, pois afirma que os impressionistas usavam mais a cor preta e faziam contornos nítidos e ambas as afirmações são falsas, pois os impressionistas não gostavam do preto e não estabeleciam contornos nítidos. A opção C está errada porque afirma que os impressionistas idealizavam as imagens. A opção D está correta, pois os pintores impressionistas realmente usavam pinceladas rápidas de cores puras e dissociadas diretamente na tela, sem misturá-las antes na paleta. A opção E está errada porque afirma que os impressionistas usavam as sombras em tons cinza e preto com efeitos esfumaçados como ocorria no período do Renascimento, quando, na realidade, os impressionistas faziam sombras luminosas e não em tons de cinza e preto, como também não usavam o sfumato técnica desenvolvida por Leonardo da Vinci durante o Renascimento. Resposta: D Para aprender mais! 5. (UEL) Em 1924, os surrealistas lançaram um manifesto no qual anunciaram a força do inconsciente na criação de novas percepções. Valorizavam a ausência de lógica das experiências psíquicas e oníricas, propondo novas experiências estéticas. Sobre o Surrealismo, pode-se afirmar que os artistas ligados a essa estética A. acreditavam que a liberação do psiquismo humano se dá por meio da sacralização da natureza. B. baseavam-se na razão, negando as oscilações do temperamento humano. C. destacavam que o fundamental, na arte, é o objeto visível em detrimento do emocionalismo subjetivo do artista. Universidade Aberta do Nordeste 109

14 D. concediam mais valor ao livre jogo da imaginação individual do que à codificação dos ideais da sociedade ou da história. E. buscavam limitar o psiquismo humano e suas manifestações, transfigurando-os em geometria a favor de uma nova ordem. 6. Todas as manhãs quando acordo, experimento um prazer supremo: o de ser Salvador Dali. NERET, G. Salvador Dali. Taschen, Assim escreveu o pintor dos relógios moles e das girafas em chamas em Esse artista excêntrico deu apoio ao general Franco durante a Guerra Civil Espanhola e, por esse motivo, foi afastado do movimento surrealista por seu líder, André Breton. Dessa forma, Dali criou o próprio estilo baseado na interpretação dos sonhos e nos estudos de Sigmund Freud, denominado método de interpretação paranoico. Esse método era constituído por textos visuais que demonstravam imagens A. do fantástico, impregnado de civismo pelo governo espanhol, em que a busca pela emoção e pela dramaticidade desenvolveram um estilo incomparável. B. do onírico, que misturava sonho com realidade e interagia refletindo a unidade entre o consciente e o inconsciente como um universo único ou pessoal. C. da linha inflexível da razão, dando vazão a uma forma de produção despojada no traço, na temática e nas formas vinculadas ao real. D. do reflexo que, apesar do termo paranoico, possui sobriedade e elegância advindas de uma técnica de cores discretas e desenhos precisos. E. da expressão e da intensidade entre o consciente e a liberdade, declarando o amor pela forma de conduzir o enredo histórico dos personagens retratados. 7. utilizou apenas o preto, o branco e alguns tons de cinza, criando detalhes que impressionam o observador. Além das pessoas mortas no chão, uma mulher segura uma criança e olha para cima como que procurando identificar de onde vêm as bombas; uma pessoa parece gritar em desespero; um cavalo, com o corpo contorcido, apenas um clarão ao fundo. Mas reconhecemos a violência da cena: um bombardeio sobre uma cidade desprotegida. Essa obra de arte é um dos símbolos máximos do Cubismo. Sobre essa manifestação artística, é lícito afirma que A. o Cubismo na pintura retomou os postulados da tradição clássica, trabalhando com montagens e colagens em que as formas geométricas sobressaem. B. o Cubismo, assim como outras tendências de vanguarda, revelou em suas práticas uma nostalgia da perspectiva realista. C. o Cubismo cria, nas pinturas, uma única perspectiva, com a recomposição de elementos de uma mesma imagem. D. utilizando a superposição e a simultaneidade, o Cubismo dá a impressão de que um objeto pode ser visto ao mesmo tempo sob todos os ângulos. E. utilizando o técnica do sfumato, recria a realidade de forma direta e idealizada mostrando os objetos abertos em um mesmo plano negando a própria perspectiva clássica. 8. O movimento expressionista surgiu entre 1904 e 1905, na Alemanha. Por suas características, o Expressionismo desenvolveu-se mais na pintura, dando continuidade a um trabalho iniciado por Van Gogh. Esse artista chegou a afirmar que essa pintura, ao distorcer uma imagem para expressar a visão do artista, assemelhava-se à caricatura. É o que se observa, por exemplo, na imagem A. B. Guernica (1937),de Pablo Picasso. 3,49m x 7,76m. Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri A imagem posta acima é a famosa pintura Guernica, de Pablo Picasso. Nesse enorme quadro, o artista 110

15 C. D. governo, tinha de assumir seu papel na sociedade tornando-se responsável pelo próprio destino. E. numa clara defesa das oligarquias condenando as ideias socialistas que começavam a surgir no País trazidas pela literatura europeia. E. 2. Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes dos nervos dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca enorme, dedos enormes (ESPM-adaptado) - O texto acima é o desabafo final do personagem Paulo Honório de São Bernardo, de Graciliano Ramos, esse fragmento apresenta várias características de seu autor e do momento literário em que foi produzido (prosa da Segunda Geração do Modernismo no Brasil). Uma delas é Ampliando conhecimentos para o Enem! 1. Na década de 1930, enquanto o rádio, o mais moderno meio de comunicação de massa da época, encurtava as distâncias, aproximando o País de ponta a ponta, nossa prosa de ficção, com renovada força criadora, nos punha em contato com um Brasil pouco conhecido. Por meio da obra de autores como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Jorge Amado, desponta um Brasil multifacetado, apresentado em sua diversidade regional e cultural, mas com problemas semelhantes em quase todas as regiões: a miséria, a ignorância, a opressão nas relações de trabalho, as forças da natureza sobre o homem desprotegido. Herdeiros diretos dos modernistas de 1922, os modernistas da Segunda Geração ( ) também se voltaram para a realidade brasileira, A. mas agora com uma intenção clara de denúncia social e engajamento político, unindo ideologia e análise sociológica e psicológica a novas técnicas narrativas. B. com a finalidade de reafirmar a oposição ao passado e à forte influência europeia na literatura nacional produzindo obras marcadas, principalmente, pela xenofobia. C. mas agora com o propósito de criar um romance marcado pelo sentimento amoroso retomando os postulados românticos do século XIX, abandonando totalmente a crítica social. D. fazendo a defesa das classes dominantes e mostrando que o nordestino, que sempre foi protegido pelo A. a denúncia social. B. o monólogo interior. C. o engajamento político. D. a crítica à classe dominante. E. a noção precisa de tempo e lugar. 3. Os romancistas da Segunda Geração Modernista, em sua maioria distantes geograficamente do núcleo paulista, que se caracterizava pelo experimentalismo estético, aderiram à concepção moderna e modernista de literatura, porém sem o espírito iconoclasta da Geração de Interessavam-lhes principalmente certos aspectos explorados pelo Modernismo, como os temas nacionais e cotidianos e a busca de uma linguagem brasileira. Outro traço que caracteriza o romance de 30 é o fato de A. negar todos os traços que marcaram a literatura realista-naturalista do século XIX. B. reproduzir os aspectos estilísticos da literatura barroca marcada pela forte religiosidade. C. empregar novas técnicas narrativas, principalmente aquelas que sustentam a introspecção e a análise psicológica de personagens. D. buscar uma linguagem rebuscada tornando, muitas vezes, o texto hermético e distante da língua do povo, seguindo, assim, um dos principais postulados do Modernismo brasileiro. E. idealizar os protagonistas relembrando uma postura frequentemente adotada pelos romancistas do período romântico brasileiro e copiada pelos modernistas. Universidade Aberta do Nordeste 111

16 4. Jornalista, cronista e escritor de peças de teatro, Nelson Rodrigues revolucionou o teatro brasileiro, em 1943, com o texto Vestido de Noiva, encenada por Ziembinski, no mesmo ano. Alguns de seus textos de teatro também foram adaptados para o cinema. Dentre as peças de destaque de Nelson Rodrigues encontramos A. O Abajur Lilás; Senhora dos Afogados; O Rei da Vela; A Falecida. B. Álbum de Família; A Falecida; Toda Nudez Será Castigada; Bonitinha, mas Ordinária. C. O Rei da Vela; Dois Perdidos numa Noite Suja; Álbum de Família; Toda Nudez Será Castigada. D. A Morta; O Rei da Vela; O Homem e o Cavalo; Navalha na Carne. E. Dois Perdidos numa Noite Suja; Navalha na Carne; A Morta; O Homem e o Cavalo. Lingua Inglesa As questões de Língua Inglesa na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), presentes a partir da versão de 2010 do exame, requer do candidato um conhecimento regular de vocabulário em inglês, como também um bom domínio das estratégias de leitura, uma vez que o interesse apresentado até o momento nas duas edições do exame demonstrou exclusivamente a preocupação com interpretação de textos. Um leitor atento e competente, apresentando um nível razoável de vocabulário, terá, portanto, todas as ferramentas necessárias para resolver corretamente as cinco questões, razão pela qual faremos um breve resumo das principais técnicas de leitura que podem ajudar o candidato a ter um desempenho favorável na avaliação de língua inglesa. Principais estratégias de leitura em Língua Inglesa Você não precisa ser um excelente leitor para compreender os pontos principais de um determinado texto. Algumas pessoas leem rapidamente e conseguem lembrar, com bastante precisão, tudo o que foi lido. Outras, no entanto, leem lentamente e levam certo tempo para absorverem as informações necessárias para uma melhor compreensão do que foi lido. Não importa, na verdade, quanto tempo você leva para fazer sua leitura, desde que consiga retirar do que foi lido as informações essenciais para alcançar seus objetivos naquela leitura, o que, na prova do Enem, consiste em responder corretamente as cinco questões propostas. A seguir, faremos um resumo das principais estratégias que podem ser utilizadas para melhor compreender um texto em língua inglesa. A. Skimming: Essa estratégia consiste em passar os olhos rapidamente pelo texto a fim de absorver a ideia geral do que está escrito, se isso for realmente o objetivo da leitura. A compreensão do significado de todas as palavras do texto e dos aspectos específicos que permeiam a ideia principal não é necessária nesse primeiro contato com o texto. B. Scanning: Consiste em uma leitura não linear em busca de informações mais específicas daquele texto. Essa estratégia permite uma leitura mais rápida e dinâmica, fazendo que se possa responder a questão de maneira mais eficiente, o que, no estilo de prova do Enem, constitui um elemento fundamental para um bom desempenho. C. Cognatos: São palavras que têm procedência grega ou latina e consequentemente apresentam uma semelhança muito grande com o português. É bom notar que esses cognatos podem ser idênticos (rádio, hospital, piano), muito parecidos (gasoline, population, visit) ou vagamente parecidos (infalible, activity, exercise). Temos também de ressaltar que existem cognatos cuja grafia se assemelha bastante com a da nossa língua, mas o significado é bem diferente, chamados assim de falsos cognatos ou falsos amigos (parents, push, actually). D. Palavras Repetidas: Sempre que palavras se repetem algumas vezes no texto, mesmo que com diferentes formas, implica dizer que são importantes para a compreensão das ideias do texto. Essas palavras recorrentes normalmente são verbos, substantivos e adjetivos e não são necessariamente cognatas. Vale ressaltar que essas palavras constituem a base das ideias do texto. E. Marcas Tipográficas: São elementos que podem aparecer em um texto transmitindo determinadas informações, mas nem sempre aparecem em forma de palavras, podendo ser números ou símbolos, e reconhecê-las pode auxiliar bastante na leitura e na compreensão das ideias do texto. F. Palavras-chave: Formam o grupo de palavras mais especificamente relacionadas ao assunto do texto, podendo aparecer de forma repetida algumas vezes ou em forma de sinônimos. A identificação dessas 112

17 palavras através do skimming nos permite ter uma noção exata da visão geral do texto. G. Predição: Essa estratégia propicia ao leitor antever ou inferir o conteúdo do texto por meio de elementos como títulos, ilustrações, tabelas, mapas ou outras formas tipográficas. Por se tratar de uma atividade do tipo pré-leitura, essa estratégia serve para estimular o interesse e a curiosidade do leitor pelo conteúdo de um texto que o tópico sugere. Uma boa predição se dar principalmente quando o leitor tem um bom conhecimento geral do tópico abordado pelo texto, o que facilita a compreensão quando o texto em que precisamos trabalhar trata de um tema conhecido ou de fácil identificação. H. Referência Contextual: Textos de uma forma geral devem trazer elementos de referência que são usados fundamentalmente para evitar a repetição de palavras e interligar as sentenças, tornando a leitura mais compreensível e principalmente fluente. Esses elementos de referência aparecem na forma de pronomes pessoais (I, you, he, him, us, them), pronomes demonstrativos (this, that, these, those), pronomes relativos (who, which, that, whose), adjetivos possessivos (my, your, his, their) e pronomes possessivos (mine, yours, hers, theirs). I. Estrangeirismos: Esse grupo de palavras se tem tornado cada vez mais constante nos textos presentes em avaliações que priorizam a interpretação. O aumento do número de usuários da internet e consequentemente de redes sociais faz que a familiaridade com esse grupo de palavras sirva como uma boa ferramenta de compreensão de textos que tratam principalmente de temas ligados à tecnologia. Alguns exemplos de estrangeirismos são , download, smart phone, tablete, online. A. o aborrecimento do cidadão britânico ao falar sobre banalidades. B. a falta de ter o que falar em situações de avaliação de línguas. C. a importância de se entender sobre meteorologia para falar inglês. D. as diferenças e as particularidades culturais no uso de uma língua. E. o conflito entre diferentes ideias e opiniões ao se comunicar em inglês. Solução comentada Após a leitura da passagem, o candidato perceberia que a opção A estaria incorreta uma vez que a intenção o texto, ao discutir sobre a previsão do tempo, não é a de mostrar o aborrecimento do cidadão britânico ao falar sobre banalidades. A opção B está errada porque a passagem não mostra que, ao conversar-se sobre a previsão do tempo, a intenção é a de ressaltar a falta de ter o que falar em situações de avaliação de línguas. A alternativa C, que cita a importância de se entender sobre meteorologia para falar inglês, não está de acordo com o que é apresentado no texto. A alternativa D, por sua vez, explicita as diferenças e as particularidades culturais no uso de uma língua, o que vem a ser o tema central da passagem quando essa mostra que os britânicos adoram falar sobre o clima, o que para outros povos parece ser um tema de conversa banal e sem interesse. A opção E está incorreta por não se ver no texto a informação sobre o conflito entre diferentes ideias e opiniões ao se comunicar em inglês. Resposta: D Para aprender mais! 9. Questão comentada THE WEATHER MAN They say that the British love talking about the weather. For other nationalities this can be a banal and boring subject of conversation, something that people talk about when they have nothing else to say to each other. And yet the weather is a very important part of our lives. That at least is the opinion of Barry Gromett, press officer for The Met Office. This is located in Exeter, a pretty cathedral city in the Southwest of England. Here employees and computers supply weather forecasts for much of the world. Speak up. Ano XXIII, nº 275 (ENEM 2010) Ao conversar sobre a previsão do tempo, o texto mostra A propaganda acima, veiculada por uma Organização Não Governamental de Proteção Ambiental, demonstra que, no mundo de hoje, há uma escassez de, e uma quantidade excessiva de. Universidade Aberta do Nordeste 113

18 A. pobreza / automóveis. B. engajamento / favelas. C. politicas públicas / arranha-céus. D. cidades planejadas / lixo. E. poluição / pobreza. 10. Apple s iphone is the most popular smartphone today, but Google s Nexus One and the Blackberry are valid alternatives. In fact Google has the most exciting apps: Google Goggles. This uses images recognition and GPS technology. Take a photograph of a city, a statue, or even a wine bottle label. Goggles automatically finds reviews, alternatives and prices. It is not infallible, but it is incredible. Speak Up Ano XXIII nº 283 Pg 9 O texto acima revela uma tendência no mercado dos equipamentos eletrônicos. Pela leitura, podemos inferir que essa tendência se expressa A. no fato de o smartphone da Apple ser o mais popular no planeta. B. no fato de concorrentes da Apple, como o Google e o Blackberry, possuírem aplicativos melhores que o da empresa do iphone. C. no uso de aplicativos que possam ser usados em equipamentos que são fabricados pela empresa americana Apple. D. na criação de aplicativos que ameacem a supremacia da Google no setor de sites de busca pela internet. E. na busca de empresas concorrentes por aplicativos que possam ser competitivos com os usados pela empresa americana Apple. 11. D. a pessoas interessadas em aprender espanhol no trabalho. E. a pessoas com dificuldades em se comunicar com estrangeiros de língua espanhola. 12. A charge acima satiriza um problema inerente às relações humanas. Pela análise visual e verbal acima, que problema seria esse? A. Homofobia. B. Intolerância racial. C. Bullying. D. Degradação ambiental. E. Racismo. O anúncio acima se aplica especialmente A. a jovens bilíngues que se interessam em aprender um terceiro idioma. B. a pessoas que falem espanhol e estejam interessadas em aprender inglês. C. a pessoas interessadas em praticar espanhol com um nativo e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a aperfeiçoar seus conhecimentos de inglês. 13. Career Aptitude Tests Career aptitude tests can help students evaluate their skills and interests while also determining which career fields best fit these skills and interests. Your school counseling office will be your best source for career-related testing. The ASVAB Career Exploration Program is one option. Originally designed for military use, the ASVAB tests students in science, math, reading, electronics, mechanical comprehension, and auto and shop knowledge. It also includes career exploration segments focused on interests and work values. 114

19 O texto é principalmente dirigido A. a psicólogos que trabalham em escolas técnicas. B. aos pais que preferem interferir na escolha da carreira profissional dos filhos. C. a escolas que queiram implantar um serviço de orientação vocacional para seus quadros de professores. D. a estudantes que se interessam em fazer um teste vocacional para uma melhor escolha profissional. E. a profissionais que trabalham na área de desenvolvimento de testes vocacionais. Ampliando conhecimentos para o Enem! 5. Rehab Amy Winehouse They tried to make me go to rehab, but I said, No, no, no Yes, I ve been black but when I come back you ll know, know, know I ain t got the time and if my daddy thinks I m fine He s tried to make me go to rehab, but I won t go, go, go I d rather be at home with Ray I ain t got seventy days Cause there s nothing, There s nothing you can teach me That I can t learn from Mr. Hathaway I didn t get a lot in class But I know we don t come in a shot glass They tried to make me go to rehab, but I said, No, no, no Yes, I ve been black but when I come back you ll know, know, know I ain t got the time and if my daddy thinks I m fine He s tried to make me go to rehab, but I won t go, go, go The man said, Why do you think you re here? I said, I got no idea I m gonna, I m gonna lose my baby So I always keep a bottle near He said, I just think you re depressed Kiss me, yeah baby and go rest They tried to make me go to rehab, but I said, No, no, no Yes, I ve been black but when I come back you ll know, know, know I don t ever wanna drink again I just, ooh, I just need a friend I m not gonna spend ten weeks Have everyone think I m on the mend And it s not just my pride It s just til these tears have dried They tried to make me go to rehab, but I said, No, no, no Yes, I ve been black and when I come back you ll know, know, know I ain t got the time and if my daddy thinks I m fine He s tried to make me go to rehab, but I won t go, go, go O texto acima reproduz a letra da música Rehab, da cantora britânica Amy Winehouse, morta em julho de Numa leitura atenta dos versos, vemos que fica evidenciado um dos maiores problemas enfrentados pelas famílias de dependentes químicos. O problema é apresentado em qual das alternativas abaixo? A. O dependente químico se recusa a admitir a sua dependência e a procurar por tratamento adequado em clínicas de reabilitação. B. O dependente químico está sempre em conflito com a família, principalmente com o pai, que, para ele, representa a figura do opressor dentro do seio familiar. C. O dependente químico se recusa a procurar a ajuda da família, fazendo a opção de se internar em uma clínica de recuperação para viciados em drogas. D. O dependente químico acaba por desenvolver déficit de aprendizagem na escola, o que leva a constantes conflitos com os pais. E. O dependente químico normalmente foge de casa para procurar ajuda em clínicas especializadas na recuperação de viciados em entorpecentes. 6. SWEET DREMS Sleep has its own world, said the poet Lord Byron. We all sleep. We all dream. We spend around a third of our lives doing it, but still we know little about this strange other world. Sleep is a natural process, following the circadian rhythm and the cycles of darkness and light. It is something that humans have in common with most living things: plants, birds and animals. However, what has gone almost unnoticed until recently is that human sleep patterns have undergone significant change. Our socie- Universidade Aberta do Nordeste 115

20 ty has seen a steady decline in the number of hours that people sleep, says Professor Francesco Cappuccio, head of sleep research at the University of Warwick in England. Our ancestors used to sleep probably nine hours a night and now we hardly sleep six or seven hours a night. D. brinquedos artesanais e roupas da estação. E. artigos para crianças e vales-compra. 8. Speak Up Ano XXIII nº 283 Pg 37 A frase atribuída ao poeta Lord Byron serve como explicação: A. para o fato de o ser humano dormir menos nos dias de hoje do que no tempo dos nossos ancestrais. B. para o pouco conhecimento que ainda dispomos do mundo do sono e dos sonhos. C. para as mudanças ocorridas na forma de dormirmos, verificada nas últimas décadas. D. para o fato de os nossos ancestrais dormirem muito mais do que nós. E. para o fato de seres humanos, plantas, animais e pássaros dormirem, em média, o mesmo tempo todas as noites. 7. com/2009/06/ Unicef.jpg O Unicef é um órgão da ONU criado em 11 de dezembro de 1946 com o objetivo de prover comida e saúde de emergência para crianças carentes de todo o planeta. Por meio de campanhas e doações, o fundo arrecada dinheiro para a compra de alimentos e remédios. O anúncio acima destaca uma dessas campanhas, em que o interessado pode adquirir os seguintes produtos A. cartões-postais e brinquedos educativos. B. calendários e artigos de papelaria. C. cartões de Natal e brinquedos eletrônicos. O cartaz acima pode ser compreendido como um certificado A. de apoio a uma campanha malaia de preservação de tartarugas marinhas. B. autorizando o portador a participar de uma campanha mundial de preservação de tartarugas marinhas. C. de participação em uma campanha mundial de apoio à preservação das tartarugas marinhas. D. de autorização para a criação e o abate de tartarugas marinhas para fins medicinais. E. de posse de uma área localizada na Malásia usada para a preservação das tartarugas marinhas. 9. E. coli E. coli is a common type of bacteria that can get into food, like beef and vegetables. E. coli is short for the medical term Escherichia coli. The strange thing about these bacteria and lots of other bacteria is that they re not always harmful to you. E. coli normally lives inside your intestines, where it helps your body break down and digest the food you eat. Unfortunately, certain types (called strains) of E. coli can get from the intestines into 116

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