O PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS: O MERCADO DE CARBONO PROMOVE A INCLUSÃO SOCIAL?

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2 O PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS: O MERCADO DE CARBONO PROMOVE A INCLUSÃO SOCIAL?

3 Grão-Chanceler Dom Washington Cruz, CP Reitor Prof. Wolmir Therezio Amado Editora da UCG Pró-Reitora da Prope Presidente do Conselho Editorial Profa. Dra. Sandra de Faria Coordenador Geral da Editora da UCG Prof. Gil Barreto Ribeiro Conselho Editorial Membros Prof a. Dra. Regina Lúcia de Araújo Prof a. Dra. Heloisa Selma Fernandes Capel Prof a. Dra. Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante Prof a. Dra. Elane Ribeiro Peixoto Prof. Dr. Aparecido Divino da Cruz Prof. Dr. Cristóvão Giovani Burgarelli Escritora Maria Luisa Ribeiro Ms. Heloísa Helena Campos Borges Escritor Ubirajara Galli Jornalista Iúri Rincon Godinho

4 MARKUS BROSE ORGANIZADOR O PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS O MERCADO DE CARBONO PROMOVE A INCLUSÃO SOCIAL?

5 2009, Markus Brose (Organizador) Editora da UCG Rua Colônia, Qd. 240-C, Lt Chácara C2, Jardim Novo Mundo CEP Goiânia Goiás Brasil Secretaria e Fax (62) Revistas (62) Coordenação (62) Livraria (62) Comissão Técnica Iêda Gonçalves de Aguiar Revisão e Diagramação Biblioteca Central da UCG Normatização Luiz Fernando Garibaldi Arte-final da Capa P128 O pagamento por serviços ambientais: o mercado de carbono promove a inclusão social / Organizador Markus Brose. Goiânia: Ed. da UCG, p. ISBN Meio ambiente riscos. 2. Proteção a natureza. 3. Meio ambiente aspectos sociais e socioeconômicos. 4. Impacto ambiental. I. Brose, Markus (org.). II. Título. CDU: Impresso no Brasil Printed in Brazil 2009

6 AUTORES Ana Maria Ribeiro Assistente Social com especialização em Saúde Pública. Atuou como assistente técnica e coordenadora em diversas políticas públicas municipais em Francisco Morato, Franco da Rocha, Campo Limpo Paulista, São Paulo e entorno. Foi membro de Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, Saúde e Assistência Social. Integrou o Conselho Gestor do Parque Anhangüera. Atual Coordenadora Regional da CARE Brasil no Programa de Desenvolvimento Local dos Distritos Perus e Anhangüera, na região metropolitana de São Paulo. Ayri Saraiva Rando Engenheiro Ambiental pela EEP Escola de Engenharia de Piracicaba. Atuou na ONG NAPRA Núcleo de Apoio à População Ribeirinha da Amazônia assessorando a produção e comercialização de produtos florestais não-madeireiros, saneamento ambiental e educação junto à comunidades ribeirinhas em Rondônia. Integrou a OSCIP Piracicaba 2010, dedicada ao planejamento estratégico do município. Atua na CARE Brasil no projeto de apoio à Política Estadual de Mudanças Climáticas e Combate à Pobreza do Governo do Piauí. Bruna Cristina Engel Estudante de Engenharia Ambiental. Atuou em órgãos de fiscalização ambiental no Rio Grande do Sul: DEFAP Departamento de Florestas e Áreas Portegidas e FEPAM Fundação Estadual de Proteção Ambiental. Atuou na ONG IMCA Instituto Morro da Cutia de Agroecologia no programa de formação, e na gestão de projetos. Atua como voluntária na ONG Amigos da Terra Brasil. Carsten Rothballer Cientista Social com especialização em Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Viena/Áustria, tendo realizado parte dos seus estudos nas áreas de economia, ciência política e sociologia tanto na Universidade de Pavia/Itália, como na UFBA Universidade Federal da Bahia. Atua como analista de programas em mudança climática na secretaria européia da ONG ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade.

7 Cecília Mariano Michellis Gestora Ambiental pela USP Universidade de São Paulo. Atuou na AATT - Associação de Apoio ao Trabalhador Tocantinense. Foi coordenadora da área de sustentabilidade da empresa CantorCO2e Brasil, no escritório São Paulo, empresa global do mercado de carbono. Atua na empresa Carbono Social Serviços Ambientais, no desenvolvimento de projetos de carbono. Devanir Garcia dos Santos Agrônomo pela UFLA Universidade Federal de Lavras, com especialização em Irrigação pelo Instituto de Pesquisa de Vercelli/Itália. Mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente pela UNB Universidade de Brasília. Foi coordenador regional da RURALMINAS Fundação Rural Mineira e membro do grupo responsável pela elaboração de normas técnicas de irrigação e drenagem da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Foi consultor do IICA Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e do PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em irrigação e elaboração de planos de recursos hídricos. Atual Gerente de Conservação de Água e Solo, da Superitentência de Uso Múltiplos, da ANA Agência Nacional de Águas. Divaldo Rezende Agrônomo pela UFLA Universidade Federal de Lavras. Mestre em Políticas Ambientais e Recursos Naturais pela Universidade de Londres. Doutor pela Universidade de Aveiro/ Portugal. Desenvolveu em parceria com Stefano Merlin o conceito de Carbono Social, tendo sido co-fundador da empresa Ecológica Assessoria e da ONG Instituto Ecológica. Atual Diretor Executivo da empresa CantorCO2e Brasil, empresa global do mercado de carbono. Evandro Holanda Júnior Médico Veterinário pela UECE Universidade Estadual do Ceará, com especialização em Administração Rural pela UFLA Universidade Federal de Lavras. Mestre em Medicina Veterinária e Doutor em Ciência Animal pela UFMG Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador da EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e atual Chefe Geral da Embrapa Caprinos e Ovinos localizada em Sobral/CE. Fabiano Toni Agrônomo pela USP Universidade de São Paulo. Mestre em Política Científica e Tecnológica pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas. Doutor em Ciência Política pela Universidade da Flórida/EUA. Foi professor da UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisador associado do CIFOR Centro Internacional de Pesquisa Florestal. Atualmente é professor adjunto do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB). Guilherme Monteiro do Prado Valladares Engenheiro Florestal pela Polytechnic State University da California/USA. MBA Executivo pela FGV - Fundação Getúlio Vargas. Atuou na empresa florestal Duratex. Em 2001 fundou a empresa de consultoria Ambiental PV Ltda, que conta como clientes organizações

8 como Conservação Internacional, The Nature Conservancy, CARE Brasil e empresas como JP Morgan Climate, Arcelor do Brasil, Odebrecht e PriceWaterhouseCoopers. Em 2006 foi co-fundador da ONG Instituto Perene. Em 2008 foi o primeiro candidato brasileiro selecionado para uma bolsa pela Fundação Kinship Conservation. Isabel Bergling Estudante de Administração da Universidade de Uppsala/Suécia, em intercâmbio, cursando Gestão e Negócios Internacionais da UNISINOS Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Atua como voluntária na ONG Amigos da Terra Brasil. Isadora de Afrodite Richwin Ferreira Jornalista e mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB). Foi analista de projetos da Fundação Avina e atua hoje como assessora de comunicação do WWF-Brasil. Jörgdieter Anhalt Engenheiro pela Universidade de Wilhelmshaven/Alemanha. Longa experiência com projetos e políticas públicas de energia renovável e eficiência energética pela GTZ - Agência Alemã de Cooperação, tendo também atuado no Centro de Pesquisa Nuclear Jülich e no Ministério de Ciência e Tecnologia, na Alemanha. Veio ao Brasil em 1983 como pesquisador da USP - Universidade de São Paulo. Em 1995 foi fundador da ONG IDER - Instituto de Desenvolvimento Sustentável & Energias Renováveis no Ceará, onde coordena o desenvolvimento e implantação de tecnologias sociais inovadoras no uso de energia renovável. Lars Friberg Cientista político pela Universidade de Uppsala/Suécia. Mestre em Economia e Relações Internacionais pela Universidade John Hopkins/USA. Foi analista de mudanças climáticas e energia para a rede global de ONGs CAN Climate Action Network em Bruxelas. Atual Doutorando em Polítia Internacional da Universidade de Potsdam/Alemanha, com foco de pesquisa na relação de projetos MDL e gestão pública, no âmbito do Consórcio Europeu de Pesquisa em Governança (SFB 700). Entre 2007/08 foi pesquisador visitante no Centro Clima, da COPPE/UFRJ, no tema certificação de biocombustíveis. Leonardo Sakamoto Jornalista, mestre e doutor em Ciência Política pela USP Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil em Angola. Foi professor do Curso de Jornalismo da ECA-USP e trabalhou em diversos veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e no Comitê Gestor do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

9 Luzia Maria Honorato Educadora social, formada no Magistério. Foi administradora do Parque Rodrigo de Gaspari. Atuou como Conselheira Tutelar na Subprefeitura de Perus, e foi presidente da SADIP Sociedade Amigos do Distrito de Perus. Co-fundadora e integrante da diretoria da COOPERCOSE Cooperativa de Trabalhadores da Coleta, Triagem e Comercialização de Materiais Recicláveis e Prestadores de Serviços. Membro da coordenação executiva do Fórum de Desenvolvimento Local de Perus e Anhangüera. Marcelo Calazans Sociólogo pela UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Educação pela UFES Universidade Federal do Espírito Santo. Coordenador da FASE Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional no Espírito Santo. Membro da Rede Deserto Verde, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, da Rede Latino Americana contra Monocultivo de Árvores e da Articulação Capixaba de Agroecologia. Membro-fundador do Grupo Durban para Justiça Climática. Marco Aurélio Rodrigues Geógrafo pela UFPR Universidade Federal do Paraná. Mestre em Geografia pela UNICAMP Universidade Estadual de Campinas, área de concentração análise ambiental e dinâmica territorial. Atuou em projetos e programas socioambientais na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Atual coordenador regional da CARE Brasil no Programa de Desenvolvimento da Costa do Cacau, no litoral sul da Bahia. Mário Sérgio Bortoto Microempresário do setor gráfico. Liderança comunitária e ex-administrador regional dos Distritos Perus e Anhangüera no município de São Paulo. Co-fundador da Associação Pró-Centro Cultural do Trabalhador Os Queixadas, que visa a proteção da memória das lutas operárias na Fábrica de Cimento Portland Perus. Membro da coordenação executiva do Fórum de Desenvolvimento Local de Perus e Anhangüera. Markus Brose Agrônomo com especialização em agroecologia. Atuou como assistente técnico da GTZ Agência Alemã de Cooperação em Brasília. Mestre em Gestão Pública pela Universidade de Londres. Foi coordenador do Projeto Gestão Participativa junto às Secretarias Estaduais de Planejamento nos estados do Nordeste, em convênio SUDENE/Banco Mundial. Foi consultor em metodologias participativas junto à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, e posteriormente na Secretaria Estadual de Planejamento, no governo Olívio. Doutor em Sociologia Política pela Universidade de Osnabrück/Alemanha. Atual Diretor da CARE Brasil. Mauricio Reimberg Jornalista pela PUC Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Trabalhou como repórter do portal UOL, do jornal O Estado de São Paulo, da Agência Carta Maior, e das revistas Caros Amigos e Cult. Atualmente é jornalista da ONG Repórter Brasil.

10 Messias Pereira Moraes Foi comerciante, empreendedor e gerente de banco. Liderança comunitária, atua como integrante de movimentos sociais e é membro do Conselho de Saúde de Perus. Atualmente atua na CARE Brasil como assistente no Programa de Desenvolvimento Local dos Distritos Perus e Anhangüera, na região metropolitana de São Paulo. Miriam Prochnow Pedagoga. Líder Avina. Especialista em meio ambiente com prioridade para políticas públicas, educação ambiental e desenvolvimento institucional. Atuou em diversas organizações da sociedade civil, redes e órgãos do Governo Federal na execução de projetos de conservação e uso sustentável de recursos naturais, campanhas e produção de materiais. Foi Coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica. Durante vários anos acompanhou o Programa Piloto para a Proteção de Florestas Tropicais, tendo assento em suas comissões como reprentante da sociedade civil. Atualmente é Coordenadora de Políticas Públicas da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), além de Secretária Executiva do Diálogo Florestal para a Mata Atlântica e Pampa. Nelson Aparecido Bueno de Camargo Técnico gráfico e microempreendedor do setor gráfico. Liderança comunitária, foi integrante do conselho gestor do Parque Anhangüera e do conselho do Centro Educacional Unificado de Perus. Foi membro do CIESP distrital Lapa, da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, do Centro Cultural Ajuá-Perus e da Associação dos Comerciantes, Industriais e Prestadores de Serviços de Perus (Acisper). Atualmente Vice-Presidente do Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural e membro da coordenação executiva do Fórum de Desenvolvimento Local de Perus e Anhangüera, em São Paulo. Nilto Tatto Administrador. Foi Administrador e Secretário Executivo da ONG ISA Instituto Sócioambiental. Atualmente coordena o Programa Vale do Ribeira/São Paulo do ISA. Nilton de Moraes Bertacchini Comerciante e empreendedor. Integrou diversas diretorias da Sociedade Amigos do Distrito de Perus. Foi presidente das associações de pais e mestres das escolas Cândido Portinari e Brigadeiro Gavião Peixoto. Foi o primeiro administrador regional dos Distritos Perus e Anhangüera no município de São Paulo, e foi presidente do Clube Desportivo Municipal de Perus e do Clube Esportivo Portland. Atual presidente da Associação dos Comerciantes, Industriais e Prestadores de Serviços de Perus (Acisper). Paula Castro Pareja Engenheira ambiental pela Universidade Nacional Agrária La Molina/Peru. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade de Reading/Reino Unido. Foi pesquisadora em projeto conjunto Universidade La Molina e ONG ITDG - Intermediate Technology Development Group sobre biocombustíveis no Peru. Atualmente Doutoranda em Ciências Políticas da Universidade de Zurique/Suiça. Suas áreas de pesquisa e consultoria são: negociações internacionais sobre mudanças climáticas, educação ambiental, gestão de resíduos sólidos, energia renovável e biocombustíveis.

11 Paulo Rodrigues Liderança comunitária, comerciante e empreendedor. Ambientalista, foi co-fundador do Movimento Lixão+1 não! e atua como consultor ambiental do escritório de advocacia Pinheiro Pedro em São Paulo. Foi presidente do Centro Cultural Ajuá-Perus e integrante da diretoria da Sociedade de Amigos do Distrito de Perus. Atual presidente da ONG IFPPC-Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural, que visa a preservação do patrimônio histórico e memória da ferrovia Perus-Cajamar. Raquel Pasinato Bióloga. Mestre em Ecologia de Agroecosistemas pela USP Universidade de São Paulo. Foi voluntária e prestadora de serviços na Estação Ecológica Juréia-Itatins da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo em pesquisas junto às comunidades quilombolas. Atualmente integra a equipe do Programa Vale do Ribeira/SP no trabalho com comunidades quilombolas da ONG ISA Instituto Sócioambiental. Renata Everett do Prado Valladares Engenheira mecânica pela University of California Berkeley/USA. Atuou com sistemas de aquecimento solar na empresa Transsen. Posteriormente desenvolveu a área de aproveitamento de biomassa no escritóiro brasileiro da organização Winrock International. Foi responsável por projetos finalistas no Prêmio Tecnologia Social do Banco do Brasil e Prêmio Bahia Ambiental. Atua como sócia-gerente nas áreas de energia renovável e mudança climática na empresa Ambiental PV Ltda. Roberta Pardo Mendes Técnica em educação e militante social. Atua nos movimentos sociais e organizações comunitárias nos distritos de Anhangüera e Perus, em São Paulo. Rodrigo Valente Serra Economista pela UFF Universidade Federal Fluminense. Mestre em Planejamento Urbano e Regional pela UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Economia pela UNICAMP Universidade Estadual de Campinas. Professor/pesquisador do Mestrado em Engenharia Ambiental do IFF Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. Sebastião Alves Gonçalves Aposentado. Liderança comunitária que atua nas comunidades de base do Distrito de Anhangüera em São Paulo. Integrante das diretorias da União dos Moradores do Parque Anhangüera (Umpa) e do Centro Anhangüera de Promoção e Educação Social (Capes). Membro da coordenação executiva do Fórum de Desenvolvimento Local de Perus e Anhangüera. Sérgio Wulff Gobetti Economista e jornalista. Mestre e Doutor em Economia pela Universidade de Brasília (UnB). Exerce o cargo de Técnico de Planejamento e Pesquisa no IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Entre 2001 e maio de 2009, atuou na sucursal de Brasília do jornal O Estado de São Paulo. Nos anos de 2006, 2007 e 2008 foi premiado pela STN Secretaria do Tesouro Nacional em concursos de monografias na área das finanças públicas.

12 Tamra Gilbertson Graduação em Biologia Marinha e Zoologia pela Humboldt State University/USA. Atuou em diversas organizações nos temas de comércio internacional, ecologia, feminismo e globalização. Foi editora do jornal feminista The Matrix. Atua como coordenadora do projeto de Justiça Ambiental da ONG Transnational Institute (TNI) na Holanda. Membrofundador do Grupo Durban para Justiça Climática. Vanessa Silva Jornalista pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Participou de diversos projetos envolvendo questões sociais, como o jornal comunitário Bauru nos Trilhos, jornal mural desenvolvido na comunidade sorocabana no Jardim Europa em Bauru. Foi criadora e editora do rádio-documentário Diferente, Pero no Mucho e co-autora da revista eletrônica Realidade Sul Americana. Atualmente atua na Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor).

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14 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 19 PARTE I ANÁLISE DE EXPERIÊNCIAS COM ROYALTIES 1.1 POBRE MUNICÍPIO RICO Leonardo Sakamoto; Maurício Reimberg UMA ABORDAGEM CRÍTICA DA DISTRIBUIÇÃO E APLICAÇÃO DOS ROYALTIES NO BRASIL Sérgio Wulff Gobetti; Rodrigo Valente Serra 73 PARTE II ANÁLISE DE EXPERIÊNCIAS COM PROJETOS MDL 2.1 ORGANIZAÇÕES QUE SE BENEFICIAM DE PROJETOS MDL NO BRASIL Cecília Mariano Michellis ANÁLISE EMPÍRICA DO DESEMPENHO DE PROJETOS MDL Lars Friberg; Paula Castro A VALORIZAÇÃO DA ATMOSFERA E A CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL POR PROJETOS MDL NO BRASIL Carsten Rothballer 149

15 PARTE III O CONFLITO SOCIAL EM PROJETOS MDL 3.1 QUEIMANDO EUCALIPTO: O CASO DA PLANTAR Marcelo Calazans; Tamra Gilbertson BARRA GRANDE A HIDRELÉTRICA E A FLORESTA COM ARAUCÁRIA Miriam Prochnow; Bruna Cristina Engel; Isabel Bergling PERUS: O CAMINHO MAIS CURTO PARA QUIOTO Ana Maria Ribeiro; Luzia Maria Honorato; Mário Sérgio Bortoto; Markus Brose; Messias Pereira Moares; Nelson Camargo; Nilton de Moraes Bertacchini; Paulo Rodrigues; Roberta Pardo Mendes; Sebastião Alves Gonçalves; Vanessa Silva 223 PARTE IV TESTE E INOVAÇÃO EM PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS E ADAPTAÇÃO/ MITIGAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 4.1 O RESGATE DA DÍVIDA SOCIAL COM QUILOMBOLAS NO VALE DO RIBEIRA (SP) Nilto Tatto; Raquel Pasinato PROGRAMA PRODUTOR DE ÁGUA Devanir Garcia dos Santos OS BENEFÍCIOS PARA AS COMUNIDADES LOCAIS EM PROJETOS DE CARBONO FLORESTAL NO BRASIL Guilherme Monteiro do Prado Valadares; Renata Everett do Prado Valladares RESTAURAÇÃO FLORESTAL EM ASSENTAMENTOS DE REFORMA AGRÁRIA NO SUL DA BAHIA Marco Aurélio Rodrigues 305

16 4.5 CARBONO SOCIAL: DA TEORIA A PRÁTICA Divaldo Rezende SECA E VULNERABILIDADE: O FUNDO DE PASTO COMO ESTRATÉGIA PARA LIDAR COM O CLIMA SEMIÁRIDO Fabiano Toni; Evandro Holanda Júnior; Isadora de Afrodite Richwin Ferreira DISSEMINAÇÃO DE FOGÕES ECOEFICIENTES NO CEARÁ Jörgdieter Anhalt A POLÍTICA ESTADUAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E COMBATE À POBREZA NO PIAUÍ Markus Brose; Ayri Saraiva Rando 367

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18 O objetivo do mecanismo de desenvolvimento limpo deve ser assistir às Partes não incluídas no Anexo I para que atinjam o desenvolvimento sustentável, [...]. (Protocolo de Quioto, Artigo 12, Inciso 2)

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20 INTRODUÇÃO A CARE Brasil participa de três programas de desenvolvimento rural no Norte e Nordeste do país, cada um deles implementado em conjunto com um grande número de atores locais. Além de contribuírem para os processos de desenvolvimento local nesses territórios, esses programas se revestem de um valor simbólico, pois evidenciam as raízes estruturais da pobreza no país. O Programa de Desenvolvimento na Costa do Cacau, na Bahia, atua no entorno do porto de Ilhéus que foi, no final do século XIX e início do século XX, um dos portos mais ricos do hemisfério sul. Por Ilhéus, chegou a ser escoada mais da metade da produção mundial de cacau, concentrando grande riqueza, eternizada nos romances de Jorge Amado. Bem antes disso, no século XVI, a região já havia sido rica, abrigando o primeiro investimento em moldes empresariais na colônia para a produção de açúcar e aguardente, e mais tarde produziu a farinha de mandioca que possibilitou aos portugueses a expansão rumo ao sertão. Porém, a riqueza gerada em diferentes ciclos econômicos ficou concentrada na mão de poucas famílias e deu origem a oligarquias que uniram a propriedade da terra e o poder político, mantendo larga parte da população na pobreza. Este fenômeno ficou conhecido como coronelismo, e manteve a população de trabalhadores rurais sem acesso aos ativos produtivos ou à educação. Em especial a população afrodescendente e os povos indígenas do litoral sul da Bahia estão entre os grupos mais vulneráveis da sociedade baiana. E que agora assistem a novas mudanças da região mediante a implantação, pelo Programa de Aceleração do Cresci-

21 20 MARKUS BROSE mento (PAC), da ferrovia Leste-Oeste, que ligará Ilhéus a Figueiróplis (TO), e de um porto para escoar soja e algodão do oeste baiano. O Programa de Desenvolvimento Microrregional do Norte do Piauí atua no entorno do porto de Parnaíba que, nos séculos XVIII e XIX, exportou produtos vegetais e farmacêuticos oriundos do sertão. O porto de Parnaíba figurou entre os principais portos do Atlântico, contando com navios que faziam conexão direta com portos europeus. Durante a Segunda Guerra Mundial, o porto teve importância estratégica para a aliança do Governo Vargas com os Estados Unidos, pois por ali exportava-se óleo de mamona, produto essencial para o funcionamento de aviões e tanques. A economia de Parnaíba continua relevante, pois abriga a maior bacia leiteira da região, além disso abastecendo a indústria calçadista de São Paulo e do Rio Grande do Sul com couros finos. Porém, do fausto do passado a primeira cidade com iluminação elétrica e o primeiro porto com guindaste hidráulico, os casarões cobertos de azulejos e os extensos galpões na zona portuária restam apenas os prédios e as memórias. A concentração da riqueza na mão de poucas famílias gerou uma microrregião que concentra hoje parte dos municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. O Programa de Geração de Renda com Ribeirinhos na Calha do rio Amazonas atua a partir do porto de Itacoatiara, um dos principais atracadouros para os navios europeus e asiáticos que vêm buscar a soja da Amazônia. Por Itacoatiara, são embarcados mais de dois milhões de toneladas de soja ao ano de Rondônia e do Mato Grosso transportadas pela hidrovia do rio Madeira, concentrando ali um movimento de cargas e navios que praticamente não tem beneficiado as comunidades do entorno. Essas comunidades vivem no modelo histórico herdado dos povos indígenas de ocupação das várzeas em pequenas habitações de palafita com limitado acesso às políticas públicas universais. Na maioria delas, a escola pública vai somente até a quarta série, não existe acesso universal nem a energia elétrica ou a sistema básico de saneamento. E o intenso tráfego dos navios de carga gera ondas que colocam em risco os pequenos barcos dos moradores e têm contribuído para a aceleração da erosão e do assoreamento das margens do rio. Assim, a experiência da CARE Brasil em alguns dos territórios e zonas rurais mais vulneráveis do país evidencia que, mesmo havendo crescimento econômico e geração de riquezas, se não houver mecanis-

22 mos de redistribuição e se a sociedade local não estiver preparada e habilitada para utilizar esta riqueza como um investimento produtivo para um futuro melhor, poucas famílias se beneficiam e o território tende a permanecer pobre. A exclusão da maior parte da população dos benefícios gerados pelo crescimento econômico não é um fenômeno recente, ele acompanha a história do país e constitui uma das principais causas estruturais de nossa pobreza. Corremos o risco de essa experiência histórica se repetir com a nova riqueza que está sendo gerada pelo pagamento por serviços ambientais, em especial os projetos do novíssimo mercado de carbono. Essa não é uma preocupação abstrata ou teórica, pois se baseia na ausência de benefícios sociais tanto em experiências mais antigas como o pagamento dos royalties de gás e petróleo ou a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), quanto nas mais recentes, como a promessa de que a política nacional de biocombustíveis seria uma iniciativa de mitigação da mudança do clima com forte componente social. Os biocombustíveis teriam um Selo Social que garantiria que essa política incluiria em larga escala agricultores familiares neste novo mercado por meio da comercialização da mamona. Passada a fase piloto, o desempenho da produção brasileira de biodiesel efetivamente explodiu, saiu de 736m 3, em 2005, para 1,1 milhões m 3, em Porém, como 78% desse volume são provenientes de soja, 16% de sebo e 3% de óleo de algodão, a mamona dos agricultores familiares não se destaca na estatística. De maneira geral, a matriz energética brasileira é considerada uma das mais limpas do mundo, o que contribui para fortalecer a posição do país nas negociações internacionais sobre o futuro do clima. Uma análise mais detalhada, porém, demonstra que existem controvérsias quanto a esta questão, pois determinadas usinas hidrelétricas, como Balbina, no Amazonas, e Samuel, em Rondônia, tem uma alta taxa de emissão de gases de efeito estufa. Ademais, se a nossa matriz energética é considerada limpa no quesito ambiental e também é economicamente rentável, ela não tem sido socialmente justa. O setor elétrico tem uma longa história de realocação forçada de comunidades rurais e populações tradicionais, ausência de indenizações ou pagamento de indenizações ínfimas, relacionamento autoritário e tecnocrata com a população local, além da baixa qualidade de alguns dos estudos de impacto ambiental. 21 INTRODUÇÃO

23 Usinas do Madeira levam caos e riqueza a Rondônia As usinas hidrelétricas do rio Madeira, vitrines do Programa de Aceleração do Crescimento, custarão R$ 21 bilhões e injetarão R$ 8 bilhões por ano na economia de Rondônia até Promessa de bonança ao empobrecido estado, elas já são um dos empreendimentos mais caros da história e também um dos mais controversos. Procuradores federais pedem a cassação das licenças das usinas e já levantam suspeitas sobre o seu financiamento. Instituições civis acusam os construtores de ignorarem impactos socioambientais. Autoridades locais temem que a capital Porto Velho chegue ao colapso, caso os investimentos em infraestrutura não saiam do papel. E o setor produtivo está preocupado com a possibilidade de que o desenvolvimento da região não seja sustentável. Atraídos pelas oportunidades, empresas já se instalam na região, e famílias desembarcam semanalmente na capital Porto Velho. Em apenas seis meses de obras, já ocorreram efeitos previtos no Projeto Básico Ambiental para três anos. Para antecipar a inauguração das usinas, Saesa e Enersus, os consórcios empresariais que constroem Santo Antônio e Jirau, respectivamente, atropelam o plano de mitigação, nome das práticas que minimizariam os impactos negativos. O cumprimento dos planos de mitigação foi determinado pelo IBAMA, que segundo o Ministério Público Federal de Rondônia, transformou as inconsistências dos projetos, detectadas pela equipe técnica do órgão, em cerca de cem condicionantes (FOLHA DE SÃO PAULO, 2009d). Malária e aspectos hematológicos em moradores da área de influência dos futuros reservatórios das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, Rondônia. O objetivo deste trabalho foi analisar a prevalência da malária antes do início da implantação das obras civis e fazer considerações sobre os impactos da doença com o ingresso de milhares de trabalhadores e agregados atraídos pelas oportunidades de emprego e comércio. Os resultados obtidos mostram que a malária se faz presente em toda a região, em variados graus de prevalência. [...] A construção de usinas hidrelétricas geralmente causa aumentos na malária [...] sugerindo que se as condições atuais de saneamento e serviços públicos de saúde oferecidos à população não sofrerem uma profunda reestruturação tanto física como humana, os riscos de uma nova epidemia de malária aumentarão consideravelmente (KATSURAGAWA, 2009). 22 MARKUS BROSE Geradoras brasileiras de energia, donas de grandes usinas hidrelétricas, se preparam para tentar emplacar seus projetos no MDL das Nações Unidas e assim emitir certificados de crédito de carbono para melhorar a taxa de retorno dos empreendimentos. Até mesmo as duas hidrelétricas do Rio Madeira já encomendaram seus estudos e estimativas mostram que a receita anual, para cada uma, poderia gerar em torno de Euros 50 milhões. (VALOR ECONÔMICO, 2009)

24 Um exemplo de que a matriz energética dificilmente pode ser considerada limpa vem sendo divulgado pela mídia sobre o PAC em Rondônia, onde as duas usinas do rio Madeira nos primeiros seis meses das obras, em 2008, já geraram os impactos negativos previstos pelo projeto básico ambiental para três anos, pois esses impactos foram subestimados. Por causa das obras, o leito do rio está sendo revirado, trazendo à superfície o mercúrio que foi utilizado no passado pelos garimpeiros, o que coloca em risco a água que abastece as cidades da região. Apenas 10% dos vestígios arqueológicos foram catalogados e o Ministério Público investiga o Banco da Amazônia por ter emprestado às empreiteiras recursos acima dos limites legais. Esses alguns dos impactos mais visíveis. Segundo relatos da imprensa, os impactos menos visíveis estão ligados à atração de migrantes à Rondônia, na busca por terra e emprego. Os conflitos por terras em Rondônia já são graves, nos enfrentamentos de grupos sem-terra e fazendeiros ocorridos entre junho de 2006 e abril de 2008 foram assassinados ao menos 12 pessoas. E, com aumento da migração, os conflitos podem se agravar. Além disso, tanto o desmatamento ocasionado pelas obras das usinas, como a futura geração de metano pela decomposição da madeira quando estiver submersa, irão emitir gases de efeito estufa. Esses exemplos acerca da distância que frequentemente separa as promessas da realidade em projetos denominados de desenvolvimento sustentável, realidade esta que freqüentemente se concretiza na exclusão social de parte da população, sem falar nos prejuízos ambientais não computados nos custos dos empreendimentos, constituem o contexto para a pergunta central desta publicação: Os projetos do mercado de carbono estão promovendo o desenvolvimento sustentável nos territórios onde eles estão sendo implantados? Desenvolvimento sustentável implica inclusão social e promoção do desenvolvimento humano, temas centrais para o presente e o futuro do país. Como contribuição a esse debate, esta publicação, dirigida a lideranças comunitárias, técnicos de ONGs e militantes de movimentos sociais, foi dividida em quatro partes. A primeira apresenta uma breve análise sobre a experiência com o pagamento dos royalties de gás e petróleo. Estes textos, com base em análise da experiência de municípios como Coari, no Amazonas, e Campos, no Rio de Janeiro, fortalecem o argumento de que o repasse de recursos financeiros, por si só, não promove o desenvolvimento local. Na segunda parte do livro, apresentamos análises realizadas em 23 INTRODUÇÃO

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