MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO AUDITORIA INTERNA SECRETARIA DE ORIENTAÇÃO E AVALIAÇÃO PARECER SEORI/AUDIN MPU Nº 655/2014

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1 MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO AUDITORIA INTERNA SECRETARIA DE ORIENTAÇÃO E AVALIAÇÃO PARECER SEORI/AUDIN MPU Nº 655/2014 Referência : de 29/11/2013. Protocolo AUDIN-MPU nº 1868/2013. Assunto Interessado : Administrativo. Retenção de pagamento. Restos a pagar não processados. Inadimplência da contratada. Verbas trabalhistas. Contrato encerrado. : Procuradoria da República no Estado de Minas Gerais. Trata-se de consulta encaminhada pelo Senhor Secretário Estadual da Procuradoria da República no Estado de Minas Gerais PR/MG acerca de retenção de pagamentos devidos à contratada que não comprova a quitação das obrigações trabalhistas e previdenciárias, bem como o procedimento a ser adotado quanto aos restos a pagar não processados inscritos no exercício financeiro de Informa que a Unidade tomou conhecimento da impossibilidade de retenção de tais pagamentos, por meio do PARECER CORAG/SEORI/AUDIN MPU/Nº 03/2012. Desse modo, considerando que esse não era o procedimento até então adotado naquela Procuradoria, noticia que foram arquivadas na Coordenadoria de Administração 6 (seis) notas fiscais, que totalizaram R$ 8.692,92 (oito mil, seiscentos e noventa e dois reais e noventa e dois centavos), emitidas pela empresa ADMINAS Administração e Terceirização de Mão de Obra Ltda., relativas ao serviço de limpeza e conservação, copeiragem e jardinagem prestados no mês de agosto de 2010, por meio do Contrato nº 16/2009, vigente até 31/8/ Registra que as notas fiscais retidas são relativas aos empregados que entraram na justiça e, por esse motivo, não tiveram os seus termos de rescisão homolgados pelo sindicato, condição para liberação do pagamento. Além disso, como havia diversas ações em tramitação na justiça, a retenção também ocorreria até que a empresa sanasse todas as pendências judiciais, o que não aconteceu. 4. Relata ainda que a empresa em tela encerrou suas atividades em 12/8/2013 e que a Assessoria Jurídica da Unidade considerou legítima a medida adotada pela Administração, eis que dirigida a afastar eventual responsabilização subsidiária e a preservar o interesse público, sugerindo, ao final, que fosse realizada consulta a este Órgão de Controle Interno. 5. Diante disso, questiona sobre a legalidade do ato da PR/MG de retenção dos pagamentos, bem como sobre as providências a serem tomadas com os valores retidos inscritos em restos a pagar não processados. 6. Em exame, importa notar, a princípio, que este Controle Interno, seguindo orientação do Tribunal de Contas da União (TCU), em manifestações anteriores, a exemplo do Acórdão abaixo transcrito, entendia ser possível a retenção de pagamento por serviços efetivamente prestados se a empresa não cumprisse a obrigação de manutenção, durante toda a execução do contrato, das condições de habilitação e qualificação exigidas na contratação. 1/9

2 ACÓRDÃO/TCU Nº 740/2004-PLENÁRIO incluir nos contratos celebrados com terceiros cláusula facultando à Administração a possibilidade de retenção de pagamentos devidos, caso as contratadas não estejam regulares com a seguridade social, em observância ao 3º, do art. 195, da Constituição Federal. PARECER CORAG/SEORI/AUDIN - MPU/Nº 0211/ Em exame, cumpre enfatizar que a situação em tela envolve a apreciação, em conjunto, das orientações já exaradas por esta Auditoria Interna, em especial, a contida no Parecer CORAG/SEORI/AUDIN MPU/Nº 269/2008, disponível na página eletrônica das determinações expendidas pela Corte de Contas, a exemplo dos Acórdãos 837/2008 e 2197/2009, ambos do Plenário, bem como, dos seguintes dispositivos legais Lei nº 8.666/93, arts. 29, incs. III e IV, 55, inc. XIII e 71; Lei nº 8.212/91, art. 31; Lei nº 8.036/90, art. 15, 1º, arts. 43 e 45 do Decreto nº /1990; MPOG IN-02/2008, arts. 19, 19A e 36, 2º; TST Súmula 331, IV. 3. Nesse sentido, esta Auditoria Interna tem orientado pela retenção dos pagamentos nos casos de não-comprovação da regularidade fiscal nos contratos de serviços continuados, conforme disposto no PARECER CORAG/SEORI//AUDIN MPU Nº 0211/2008: (...) c) Nos contratos de execução continuada ou parcelada: caso não haja situação de regularidade, reter o pagamento, solicitar a regularização e, se for o caso, instruir processo para rescisão do instrumento contratual, em face do art. 55, inciso XIII c/c art. 78, inciso I da Lei nº 8.666/ Cumpre trazer à colação o entendimento da Corte da Contas sobre o fato exarado no Acórdão 837/08 Plenário: [...] 9.3. firmar o entendimento, aplicável a todos os órgãos/entidades da Administração Pública Federal, no sentido da inclusão, em editais e contratos de execução continuada ou parcelada, de cláusula que estabeleça a possibilidade de subordinação do pagamento à comprovação, por parte da contratada, da manutenção de todas as condições de habilitação, aí incluídas a regularidade fiscal para com o FGTS e a Fazenda Federal, com o objetivo de assegurar o cumprimento do art. 2º da Lei nº 9.012/95 e arts. 29, incisos III e IV, e 55, inciso XIII, da Lei nº 8.666/93. (Grifamos). 7. Essa possibilidade visava, em especial, a resguardar a Administração Pública de prejuízos, em razão, principalmente, do disposto na Súmula nº 331 do TST no sentido de que a tomadora de serviço responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas não adimplidas pela contratada. 8. Todavia, o Tribunal de Contas da União, no transcrito Acórdão nº 2.197/2009-Plenário, publicado em setembro daquele ano, indicou possível alteração do entendimento, qual seja, a impossibilidade da retenção de pagamento por serviços efetivamente prestados, uma vez que tal penalidade não consta do rol do art. 87 da Lei nº 8.666/93 e para evitar o enriquecimento sem causa da Administração. Frise-se que essa tendência constou tão-somente no voto do Ministro-Relator. 2/9

3 ACÓRDÃO TCU Nº 2.197/2009-PLENÁRIO VOTO Em primeiro lugar, observo que não há respaldo legal para que o pagamento dos serviços contratuais fique condicionado à comprovação da regularidade fiscal ou à quitação dos encargos trabalhistas, previdenciários e comerciais relacionados à execução da avença. Isso porque o contratado deve ser remunerado pelos serviços que efetivamente executou sob pena de caracterizar enriquecimento sem causa da Administração, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Cumpre assinalar que é dever do contratado manter durante a execução do contrato todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação, bem como responder pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais (arts. 55, inc. XIII e 71 da Lei nº 8.666/93). Por conseguinte, caracterizam a inadimplência contratual eventuais descumprimentos da legislação laboral, ensejando motivo para rescisão contratual e execução da garantia para ressarcimento dos valores e indenizações devidos à Administração (arts. 78, I, e 80, III, da Lei 8.666/93), bem como para aplicação das penalidades previstas no art. 87 do mesmo diploma legal. A respeito, importa anotar que é pacífico o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça quanto à impossibilidade de retenção de pagamento nessa situação (v.g. RMS nº , REsp nº , e AgRg no AI nº , dentre outros). Por oportuno, permito-me reproduzir a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRATO. RESCISÃO. IRREGULARIDADE FISCAL. RETENÇÃO DE PAGAMENTO. 1. É necessária a comprovação de regularidade fiscal do licitante como requisito para sua habilitação, conforme preconizam os arts. 27 e 29 da Lei nº 8.666/93, exigência que encontra respaldo no art.195, 3º, da CF. 2. A exigência de regularidade fiscal deve permanecer durante toda a execução do contrato, a teor do art. 55, XIII, da Lei nº 8.666/93, que dispõe ser "obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação". 3. Desde que haja justa causa e oportunidade de defesa, pode a Administração rescindir contrato firmado, ante o descumprimento de cláusula contratual. 4. Não se verifica nenhuma ilegalidade no ato impugnado, por ser legítima a exigência de que a contratada apresente certidões comprobatórias de regularidade fiscal. 5. Pode a Administração rescindir o contrato em razão de descumprimento de uma de suas cláusulas e ainda imputar penalidade ao contratado descumpridor. Todavia a retenção do pagamento devido, por não constar do rol do art. 87 da Lei nº 8.666/93, ofende o princípio da legalidade, insculpido na Carta Magna. 6. Recurso ordinário em mandado de segurança provido em parte. (RMS / CE, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, publicação: DJe 17/03/2008). Grifamos. 9. Assim, na oportunidade em que fora questionada, esta Auditoria também passou a se filiar ao entendimento expresso no Voto do Ministro Relator do referido Acórdão, consoante se verifica no PARECER CORAG/SEORI/AUDIN-MPU/Nº 170/2011, a seguir parcialmente transcrito. 3/9

4 PARECER CORAG/SEORI/AUDIN - MPU/Nº 170/ Em exame, no que concerne à possibilidade de retenção de créditos por inadimplemento da contratada, cumpre trazer a lume a doutrina de Marçal Justen Filho1, segundo a qual, ainda que nulo o contrato, se não fosse prestado ao particular o montante correspondente ao que lhe fora originalmente assegurado, ter-seia de reconhecer um enriquecimento sem causa em prol do Estado, pois, ainda segundo o autor, ao se vedar o confisco de bens por parte do Estado, torna-se juridicamente descabida a possibilidade de apropriação de bens e direitos sem uma contrapartida, sobretudo porque a mera culpabilidade do sujeito não pode justificar que o Estado se aproprie de seus bens. 3. Sob o mesmo fundamento, tendo apontado ainda a falta de suporte legal, o Ministro Relator do Acórdão nº 2197/2009, do Plenário do Tribunal de Contas da União, em seu voto, refutou a possibilidade de reter pagamentos referentes a parcelas já executadas pela contratada, aludindo ao sedimentado entendimento do Superior Tribunal de Justiça, com destaque para a seguinte decisão: 5. Pode a Administração rescindir o contrato em razão de descumprimento de uma de suas cláusulas e ainda imputar penalidade ao contratado descumpridor. Todavia a retenção do pagamento devido, por não constar do rol do art. 87 da Lei nº 8.666/93, ofende o princípio da legalidade, insculpido na Carta Magna. (RMS / CE, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, publicação: Dje17/03/2008). 4. No entanto, a impossibilidade de reter, em sua integralidade, os pagamentos por serviços prestados ou fornecimentos efetuados, conforme preconizado pela doutrina e jurisprudência citadas, não impede que, em decorrência da expressa previsão do art. 87, 1º, da Lei nº 8.666/93, a parcela não adimplida de multas aplicadas, não coberta ou insuficientemente suportada por garantia de execução contratual, seja deles descontada. 5. Ademais, tem a Administração a faculdade de reter os créditos decorrentes do instrumento contratual até o limite dos prejuízos a ela causados, em caso de rescisão contratual por inadimplemento da contratada, conforme o art. 80, IV, da Lei de Licitações e Contratos. 6. Ante a exposição, no caso sob análise, somos de parecer pela impossibilidade de inserção de regra segundo a qual os pagamentos à contratada estejam condicionados à plena liquidação de todas as obrigações financeiras a ela impostas, em virtude de penalidade ou inadimplência, excetuados, para este fim, os descontos autorizados pelo 1º do art. 87 e inciso IV do art. 80, ambos da Lei nº 8.666/ Porém, o entendimento somente foi consolidado no âmbito do TCU, por meio do Acórdão nº 964/2012 Plenário, quando, em sede de consulta, efetivada em razão de dúvida na aplicação dos termos de mensagem do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, de 5/10/2010, no sentido de que os bens e serviços efetivamente entregues ou realizados devem ser pagos, ainda que constem irreguladades no Sicaf, vejamos: ACÓRDÃO TCU Nº 964/2012-PLENÁRIO CONSULTA. EXECUÇÃO CONTRATUAL. PAGAMENTO A FORNECEDORES EM DÉBITO COM O SISTEMA DE SEGURIDADE SOCIAL QUE CONSTEM DO SISTEMA DE CADASTRAMENTO UNIFICADO DE FORNECEDORES. CONHECIMENTO. RESPOSTA À CONSULTA. 4/9

5 1. Nos contratos de execução continuada ou parcelada, a Administração deve exigir a comprovação, por parte da contratada, da regularidade fiscal, incluindo a seguridade social, sob pena de violação do disposto no 3º do art. 195 da Constituição Federal, segundo o qual "a pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o poder público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios". 2. Nos editais e contratos de execução continuada ou parcelada, deve constar cláusula que estabeleça a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação, prevendo, como sanções para o inadimplemento dessa cláusula, a rescisão do contrato e a execução da garantia para ressarcimento dos valores e indenizações devidos à Administração, além das penalidades já previstas em lei (arts. 55, inciso XIII, 78, inciso I, 80, inciso III, e 87, da Lei nº 8.666/93). 3. Verificada a irregular situação fiscal da contratada, incluindo a seguridade social, é vedada a retenção de pagamento por serviço já executado, ou fornecimento já entregue, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração ACÓRDÃO (...) 9.2. no mérito, responder à consulente que: os órgãos e entidades da Administração Pública Federal devem exigir, nos contratos de execução continuada ou parcelada, a comprovação, por parte da contratada, da regularidade fiscal, incluindo a seguridade social, sob pena de violação do disposto no 3º do art. 195 da Constituição Federal; os órgãos e entidades da Administração Pública Federal devem incluir, nos editais e contratos de execução continuada ou parcelada, cláusula que estabeleça a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação, prevendo, como sanções para o inadimplemento a essa cláusula, a rescisão do contrato e a execução da garantia para ressarcimento dos valores e indenizações devidos à Administração, além das penalidades já previstas em lei (arts. 55, inciso XIII, 78, inciso I, 80, inciso III, e 87, da Lei nº 8.666/93); Verificada a irregular situação fiscal da contratada, incluindo a seguridade social, é vedada a retenção de pagamento por serviço já executado, ou fornecimento já entregue, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração; 9.3. dar ciência desta deliberação à consulente e ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; (Grifamos) 11. Observa-se da evolução da jurisprudência acima citada que a questão restou pacificada em 2012 e, como regra geral, a retenção de pagamento de serviços efetivamente prestados não pode mais ser efetuada, por ofender o princípio da legalidade e caracterizar enriquecimento ilícito da Administração, ainda que a documentação ou a situação fiscal da contratada encontre-se irregular. Nos casos em que a contratada não mantiver as condições de habilitação e qualificação exigidas por ocasião da contratação, o Poder Público deverá notificar a empresa para que regularize a situação e, a depender das providências do fornecedor, poderá decidir pela rescisão do contrato e aplicar as penalidades cabíveis. 12. No caso concreto, no entanto, verifica-se que a retenção, em 2010, foi efetuada tendo como fundamento as orientações dos Órgãos de Controle Interno e Externo, bem assim porque havia o risco iminente de prejuízos para a Administração Pública, em razão do disposto na Súmula nº 331 do TST, em sua redação original, uma vez que a empresa estava com dificuldades financeiras e vários empregados alocados ao contrato tinham ingressado com ação na justiça do trabalho, pleiteando o pagamento de verbas 5/9

6 trabalhistas não adimplidas. Dessa forma, considerando que o gestor deve sempre estar voltado na direção de resguardar a defesa do interesse público e zelar pela efetivação dos princípios Constitucionais elencados no caput do art. 37 da Carga Magna, abaixo copiado, reputamos como legítimas as providências adotadas em face das circunstâncias do caso concreto. CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: 13. Não se pode perder de vista, além disso, que o proceder do gestor deu-se com base em interpretações anteriores dos órgãos de controle consultivos/orientativos. A propósito dos efeitos de novas interpretações, o art. 2º da Lei nº 9.874/1999, que regula o processo administrativo na Administratação Pública Federal, positivou regra no sentido de que não se deve emprestar efeitos retroativos à nova interpretação, vejamos: LEI Nº 9.784/1999 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (destacamos) 14. Ademais, importa consignar que o assunto retenção tem sido objeto de evolução normativa. Tanto é que a recente Instrução Normativa SLTI nº 6, de 23 de dezembro de 2013, que altera a IN SLTI/MPOG nº 2/2008, estabelece claramente que, na rescisão contratual, a Administração poderá reter pagamento para fazer face ao pagamento de obrigações trabalhistas, in litteris: IN STLI/MPOG Nº 2/2008 (ALTERADA PELA IN Nº 6/2013) Art. 35. Quando da rescisão contratual, o fiscal deve verificar o pagamento pela contratada das verbas rescisórias ou a comprovação de que os empregados serão realocados em outra atividade de prestação de serviços, sem que ocorra a interrupção do contrato de trabalho. (Redação dada pela Instrução Normativa nº 3, de 16 de outubro de 2009) Parágrafo único. Até que a contratada comprove o disposto no caput, o órgão ou entidade contratante deverá reter a garantia prestada e os valores das faturas correspondentes a 1 (um) mês de serviços, podendo utilizá-los para o pagamento direto aos trabalhadores no caso de a empresa não efetuar os pagamentos em até 2 (dois) meses do encerramento da vigência contratual, conforme previsto no instrumento convocatório e nos incisos IV e V do art. 19-A desta Instrução Normativa. (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) (Grifo nosso). 6/9

7 15. Quanto aos valores retidos em Restos a Pagar não processados, cabe notar, primeiramente, que devem ser inscritos nessa rubrica as despesas legalmente empenhadas, não pagas e não canceladas até 31 de dezembro, que não foram liquidadas, na forma do art. 63 da Lei nº 4.320/64, abaixo transcrito, ou seja, que dependam ainda da entrega, pelo fornecedor, dos bens ou serviços ou que, embora a entrega tenha sido efetivada, o direito do credor ainda não sido apurado e reconhecido. LEI Nº 4.320/1964 Art. 63. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. 1 Essa verificação tem por fim apurar: I - a origem e o objeto do que se deve pagar II - a importância exata a pagar; III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação. 2º A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá por base: I - o contrato, ajuste ou acordo respectivo; II - a nota de empenho; III - os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço. (negritamos) 16. No caso em tela, o serviço havia sido prestado, tendo, inclusive, as notas fiscais sido emitidas, não restando claro a esta Auditoria Interna as razões que motivaram a não liquidação da despesa e, por consequência, a inscrição em Restos a Pagar não processados. Sobre esse assunto cabe colacionar excertos, com os destaques relevantes, da Orientação Contábil nº 29/2010 e do Parecer SEORI/AUDIN- MPU Nº 692/2014, ipsis litteris: ORIENTAÇÃO CONTÁBIL Nº 29/ Preliminarmente, cabe lembrar que restos a pagar é uma definição contida na Lei nº 4.320/64, que em seu artigo 36 considera como tal as despesas legalmente empenhadas e ainda não pagas até o dia 31 de dezembro do ano em que foi emitida a nota de empenho. O dispositivo legal os distingue ainda em processados (aqueles cuja liquidação da despesa já foi realizada) e não processados (aqueles em que ocorreu apenas o empenho da despesa). 3. Ademais, a inscrição de despesas em restos a pagar não processados é automática e tem validade até 31 de dezembro do ano subsequente, quando serão cancelados, salvo se prorrogado por decreto dentro do prazo de vigência dos mesmos, em observância ao disposto nos arts. 35 e 68 do Decreto nº / Convém informar, ainda, que o cancelamento do valor inscrito em restos a pagar não processados, relativo à nota de empenho 2009NE000052, implicará na inutilização do crédito para outra destinação, em observância ao princípio orçamentário da anualidade, previsto tanto nos artigos 165, inciso III, e 167 da CF/88, bem como nos artigos 2º, 34 e 35 da Lei nº 4.320/ Ante o exposto e considerando que os serviços foram prestados, somos de parecer pela manutenção do valor inscrito em restos a pagar (2009NE000052), visto que poderá ser utilizado tanto no pagamento das faturas da empresa Engepliw como no custeio da despesa decorrente da Reclamação Trabalhista comunicada pela Advocacia 7/9

8 Geral da União. No entanto, caso a Administração decida pelo cancelamento do valor inscrito em restos a pagar, o pagamento que vier a ser reclamado ou determinado pela Justiça Trabalhista deverá ser atendido à conta de dotação do exercício corrente, especificada na natureza de despesa Despesas de Exercícios Anteriores, conforme disposto nos art. 22 e 69 do Decreto nº /86. PARECER SEORI/AUDIN-MPU Nº 692/ Em exame, é oportuno destacar que as notas de empenho de 2012 inscritas em restos a pagar não processados no exercício de 2012 e não liquidados posteriormente terão validade até 30 de junho de 2014, conforme disposto no 2º do art. 68 do Decreto nº / Assim, no dia seguinte ao término da validade do Restos a Pagar, a Secretaria do Tesouro Nacional STN, com base no 5º do art. 68 do referido Decreto, bloqueará os saldos dos restos a pagar não processados e não liquidados. 5º Para fins de cumprimento do disposto no 2 o, a Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda efetuará, na data prevista no referido parágrafo, o bloqueio dos saldos dos restos a pagar não processados e não liquidados, em conta contábil específica no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI. 5. Poderá ocorrer, no entanto, o desbloqueio dos saldos desses empenhos, por meio de Nota de Lançamento, com base no disposto no inciso I do 3º c/c o 4º do art. 68 do Decreto em referência, sendo de total responsabilidade do Ordenador de Despesa. Esses saldos desbloqueados poderão ser utilizados além do prazo de validade, tendo em vista que o 3º do referido artigo confere a eles validade indeterminada. 3º Permanecem válidos, após a data estabelecida no 2º, os restos a pagar não processados que: I - refiram-se às despesas executadas diretamente pelos órgãos e entidades da União ou mediante transferência ou descentralização aos Estados, Distrito Federal e Municípios, com execução iniciada até a data prevista no 2º; ou ( ) 4º Considera-se como execução iniciada para efeito do inciso I do 3º: I - nos casos de aquisição de bens, a despesa verificada pela quantidade parcial entregue, atestada e aferida; e II - nos casos de realização de serviços e obras, a despesa verificada pela realização parcial com a medição correspondente atestada e aferida. (destacamos) 17. Nada obstante, a Administração poderá manter os restos a pagar inscritos ou efetuar o cancelamento, sendo que nesta última hipótese, caso haja reclamação do crédito pela empresa ou condenação judicial da União, a despesa poderá ser atendida à conta de dotação do exercício corrente, especificada na natureza de despesa Despesas de Exercícios Anteriores, conforme disposto nos art. 22 e 69 do Decreto nº /86, in verbis. DECRETO Nº /86 Art. 22. As despesas de exercícios encerrados, para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio com saldo suficiente para atendê-las, que não se tenham 8/9

9 processado na época própria, bem como os Restos a Pagar com prescrição interrompida, e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente, poderão ser pagos à conta de dotação destinada a atender despesas de exercícios anteriores, respeitada a categoria econômica própria. 1º O reconhecimento da obrigação de pagamento, de que trata este artigo, cabe à autoridade competente para empenhar a despesa. 2º Para os efeitos deste artigo, considera-se: a) despesas que não se tenham processado na época própria, aquelas cujo empenho tenha sido considerado insubsistente e anulado no encerramento do exercício correspondente, mas que, dentro do prazo estabelecido, o credor tenha cumprido sua obrigação; b) restos a pagar com prescrição interrompida, a despesa cuja inscrição como restos a pagar tenha sido cancelada, mas ainda vigente o direito do credor; c) compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício, a obrigação de pagamento criada em virtude de lei, mas somente reconhecido o direito do reclamante após o encerramento do exercício correspondente. (...) Art. 69. Após o cancelamento da inscrição da despesa como Restos a Pagar, o pagamento que vier a ser reclamado poderá ser atendido à conta de dotação destinada a despesas de exercícios anteriores. 18. Em face de todo o exposto, somos de parecer que a Administração deverá avaliar as peculiaridades e circunstâncias do caso in concreto em confronto com as informações acima e adotar a medida que melhor atenda ao interesse público. À consideração superior. Brasília, de fevereiro de MÁRCIA BARROS DE OLIVEIRA CORAG/AUDIN De acordo. À consideração do Senhor Auditor-Chefe. JOSÉ GERALDO DO E. SANTO SILVA Coordenador de Orientação de Atos de Gestão Aprovo. Encaminhe-se à PR/MG e à SEAUD. Em / 2 / 2014 MARA SANDRA DE OLIVEIRA Secretária de Orientação e Avaliação EDSON ALVES VIEIRA Auditor-Chefe, em exercício 9/9

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