PAGAMENTO POR SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS: possível alternativa para o Município de Paulo Lopes

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO SÓCIO-ECONÔMICO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS Natália Limas Sabino PAGAMENTO POR SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS: possível alternativa para o Município de Paulo Lopes Florianópolis, SC 2010

2 Natália Limas Sabino PAGAMENTO POR SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS: possível alternativa para o Município de Paulo Lopes Monografia submetida ao curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito obrigatório para a obtenção do grau de Bacharelado. Orientador: Prof. Lauro Francisco Mattei Florianópolis, SC 2010

3 Natália Limas Sabino A Banca Examinadora resolveu atribuir a nota 7,5 à aluna Natália Limas Sabino na disciplina CNM 5420 Monografia, pela apresentação deste trabalho. Florianópolis, 22 de novembro de Banca Examinadora: Prof. Dr. Lauro Francisco Mattei Mestre André Luiz Campos de Andrade Prof. Dr. José Antônio Martins

4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pelas oportunidades que me foram dadas na vida e também por ter vivido fases difíceis, que foram matérias-primas de aprendizado. Agradeço a toda minha família que me criou e me deu apoio. Em especial a minha querida mãe de coração, tia Natalina, que tanto me cuidou e me ensinou e graças ao seu apoio eu pude chegar onde estou hoje. Aos meus primos, quase irmãos, Diego e Rafael. Aos meus avôs, que tanta sabedoria repassaram Avó Rosa e Avô Patrício. E em especial, aos meus irmãos Renata, Daniel e Gabriel, dos quais sem eles eu não nada seria. As minhas amigas e companheiras de faculdade, Nádia, Fernanda, Karla e Thalita que foram mais que colegas e unidas venceram todas as dificuldades destes 05 anos. Aos funcionários da SETIC, que sempre me ajudaram no que foi preciso, em especial ao Marcio Clemes, que se tornou durante todo esse tempo, grande companheiro de trabalho e amigo para todas as horas. Aos professores que tanto nos ensinaram em especial ao meu orientador, Professor Dr. Lauro Francisco Mattei que acreditou em mim me orientou ao longo do trabalho desenvolvido. Ao professor Dr. Joshua Farley por idealizar este projeto no município de Paulo Lopes, ao professor Dr. Abdon Schmitt que prestou ajuda para que pudesse desenvolver um bom trabalho e ao Professor Dr. Peter May pelo apoio prestado uma vez solicitado.

5 À minha mãe, Maria, que foi um exemplo de vida; (in memorian)

6 RESUMO A partir da segunda metade do século XX passou a ser discutida em nível planetário a degradação ambiental e suas consequências, dando origem a estudos e as primeiras mobilizações no sentido de se formular métodos de mitigação dos danos ao meio ambiente. Neste sentido o debate sobre mudanças climáticas destaca a questão das atividades antrópicas em relação ao uso dos recursos naturais. Presencia-se a atual crise ambiental, que tem gerado uma série de mobilizações em busca da reorientação das atividades produtivas, do uso dos recursos ambientais e da relação da sociedade com os ecossistemas. A devastação da Mata Atlântica é notável, restando somente 7% de sua área original. Os Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) surgem como uma alternativa para tal problema, em busca de sobrepor os custos de implantação de sistemas agrícolas mais rentáveis e ecológicos e a restauração de áreas degradadas que garantam a perpetuação dos recursos naturais. Os Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) podem servir como fonte de recursos necessários para mudar os sistemas produtivos, implantando Sistemas Agroflorestais (SAFs) rentáveis e ecológicos comparativamente aos sistemas produtivos vigentes. Com base na análise de alguns projetos em execução no Brasil, o trabalho verificou e identificou possíveis aproveitamentos desses projetos, no Município de Paulo Lopes SC, visando à sustentabilidade, sob o ponto de vista das mudanças climáticas e o mercado de carbono. Palavras-chave: Mudanças Climáticas, Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) e Paulo Lopes.

7 ABSTRACT From the second half of the twenty century began to be discussed at the planetary level of environmental degradation and its consequences, giving rise to studies and initial demonstrations in order to formulate methods to mitigate environmental damage. In this sense the climate change debate highlights the issue of human activities in relation to the use of natural resources. Presence is the current environmental crisis, which has generated a series of demonstrations in search of the reorientation of productive activities, the use of environmental resources and the relationship between society and ecosystems. The devastation of the Atlantic is remarkable, leaving only 7% of its original area. Payments for Ecosystem Services (PES) emerged as an alternative to this problem, seeking to override the costs of deployment of more profitable agricultural and ecological restoration of degraded areas and to ensure the perpetuation of natural resources. Payments for Ecosystem Services (PES) can serve as a source of resources needed to change the systems, deploying Agroforestry Systems (AFS) profitable and environmentally friendly compared to existing production systems. Based on the analysis of some projects underway in Brazil, the study examined and identified possibly exploit these projects, the City of Paulo Lopes - SC, aiming at sustainability from the point of view of climate change and the carbon market. Keywords: Climate Change, Payments for Ecosystem Services (PES) and Paulo Lopes.

8 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Funções ecossistêmicas segundo categorias...47 Figura 2: Serviços ecossistêmicos segundo categorias...50 Figura 3: Composição e localização geográfica de Paulo Lopes...63

9 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01: Evolução do mercado de Carbono florestal até meados de

10 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Volume e valor do mercado global de Carbono Florestal Tabela 2: Quadro Resumo das Experiências em Execução no Brasil Tabela 3: Estado de SC e Ranking Populacional Catarinense Tabela 4: População por Situação de Domicílio do município de Paulo Lopes Tabela 5: Participação relativa da população em Paulo Lopes, 1980/ Tabela 6: Indicadores de Renda per Capita Tabela 7: Indicadores de atendimento educacional em Paulo Lopes Tabela 8: Mortalidade Infantil, Brasil, SC e Paulo Lopes Tabela 9: Esperança de vida ao nascer, Brasil, SC e Paulo Lopes Tabela 10: Indicadores abastecimento de água em Paulo Lopes...70 Tabela 11: Indicadores de saneamento básico em Paulo Lopes Tabela 12: Índice de Desenvolvimento Humano em Paulo Lopes...72 Tabela 13: Quantidade produzida, área planta, valor da produção de Paulo Lopes...73 Tabela 14: Quantidade produzida, área plantada em Paulo Lopes...73 Tabela 15: Efetivo do rebanho em Paulo Lopes / Tabela 16: Produção de origem animal em Paulo Lopes 2003/

11 15 LISTA DE SIGLAS AFCOF Fundo para a Conservação da Mata Atlântiva APP Área de Preservação Permanente CASAN Companhia Catarinense de Águas e Saneamento CCBA Clima, Comunidade e Biodiversidade CCX Chicago Climate Exchange CERPALO Cooperativa de Eletricidade de Paulo Lopes CFC Clorofluorcarboneto CH4 Gás Metano CMMAD Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento CNUMAD - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento CO2 Dióxido de Carbono COP Conferência das Partes CQNUMC - Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima FUNBIO Fundo Brasileiro para a Biodiversidade GEE - gases efeito estufa HFC Hidrofluorcarbonetos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH - Índice de Desenvolvimento Humano IDH Índice de Desenvolvimento Humano INEA Instituto Estadual do Ambiente IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas IPEA - Pesquisa Econômica aplicada MCT Ministério da Ciência e Tecnológia MDL Mecanismo de Desenvolvimento Limpo MMA Ministério do Meio Ambiente MtCO2 Milhões de Tonelada de CO2

12 16 N2O Óxido Nitroso NIPCC - Nongovernmental International Panel on Climate Change O3 - Ozônio ONGs - organizações não-governamentais ONU Organização das Nações Unidas OTC Sobre o Balção (Over-the-Counter) PDA Projeto Demostrativo PEST Parque Estadual Serra do Tabuleiro PFC Perfluorocarbonetos PNUD - programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PSE Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos RCE Redução Certificada de Emissões REED Redução das Emissões por Desmatamento RL Reserva Legal RN Recursos Naturais SAF Sistema Agroflorestal SANEPAR Companhia de Saneamento do Paraná SINASC Sistema de Informação de Nascidos Vivos UC Unidade de Conservação UFSC Universidade Federal de Santa Catarina UNFCCC Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas URRS União das Repúblicas Socialistas Soviéticas WWF - Fundo para a Vida Selvagem (World Wildlife Found)

13 17 SUMÁRIO AGRADECIMENTOS... 4 DEDICATÓRIA... 4 RESUMO... 6 ABSTRACT... 7 LISTA DE FIGURAS... 8 LISTA DE GRÁFICOS... 9 LISTA DE TABELAS INTRODUÇÃO Objetivos Objetivo Geral Objetivos Específicos Metodologia Estrutura do Trabalho CAPÍTULO 2. ECONOMIA E MEIO AMBIENTE A Questão ambiental no debate econômico A ECONOMIA AMBIENTAL A ECONOMIA ECOLÓGICA O ENFOQUE AMBIENTAL O debate sobre o desenvolvimento sustentável Debate sobre o aquecimento global Protocolo de Kyoto O debate sobre mercado de carbono Mercado voluntário de carbono CAPÍTULO 3. SERVIÇOS ECOSISTÊMICOS Funções Ecossistêmicas Serviços Ecossistêmicos Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) Experiências Brasileiras com Pagamentos por serviços Ecossistêmicos... 54

14 18 CAPÍTULO 4. CARACTERIZAÇÃO DO TERRITÓRIO DE PAULO LOPES Composição e localização do território Contextualização histórica do território Indicadores demográficos do território Dados populacionais Distribuição populacional segundo o gênero e localização Indicadores sociais do território Nível de renda Renda per capita Nível de escolaridade Pessoas frequentando a escola Nível de saúde Taxa de mortalidade infantil Esperança de vida ao nascer Nível de habitação Água e saneamento Abastecimento de água Saneamento básico Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) Indicadores econômicos do território Estrutura da produção agropecuária do território Produção vegetal Lavoura temporária Lavoura permanente Produção animal Efetivo do rebanho produtos de origem animal Informações complementares de Paulo Lopes CAPÍTULO 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS... 84

15 19 CAPÍTULO I: TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA 1.1 Introdução Estudar Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) consiste em entender o processo dinâmico - a partir da era industrial - no qual o homem vem progressivamente interferindo no sistema climático do planeta, que passa por um processo de aquecimento global, trazendo consequências irreversíveis e possivelmente catastróficas para as sociedades humanas e para os ecossistemas e sua biodiversidade. O sistema capitalista vigente, defensor da busca do crescimento e consumismo infindável esbarra na realidade da física e da ecologia. A física e a ecologia demonstram a insustentabilidade de tal sistema frente a recursos ambientais finitos (FARLEY, 2006). Segundo SWAMINATHAN (2002), o conceito de sustentabilidade do desenvolvimento, independente da interpretação e da perspectiva adotada, tem a questão ambiental como uma variável chave. A partir dessa variável nascem divergências, principalmente quanto à forma de uso, limites e possibilidades de substituição dos bens e serviços ambientais (recursos naturais). De acordo com FARLEY (2004), os serviços ecossistêmicos alçam benefícios há várias pessoas e entidades por todo o mundo, porém, muitas vezes a conservação dos recursos ecossistêmicos depende da população local, em especial dos agricultores. Desta forma, uma abordagem que tem recebido atenção crescente nos últimos anos é fornecer pagamentos diretos para prestação de serviços de biodiversidade através de projetos agroecológicos (PAGIOLA, 2007). Como foi exposto em um relatório recente, o Brasil e outros países tropicais têm todas as condições de se tornarem exportadores de sustentabilidade (IPEA1997), transformando o desafio ambiental em uma oportunidade. Segundo MAY et al, (2010), o mercado de carbono nasceu como instrumento para apoiar o processo de mitigação das mudanças climáticas globais, hoje uma necessidade quase inconstante. Para MAY et al, (2010), projetos florestais começaram a fazer parte do mercado global de crédito de Carbono no início da década de 1990, quando organizações nãogovernamentais, indústrias e outras empresas formaram parcerias para conservar e plantar árvores com o principal objetivo de neutralizar as suas emissões de gases de

16 20 efeito estufa por intermédio da captura de carbono pelas árvores plantadas. Embora os projetos de carbono florestal tenham sido os primeiros a fazer parte do mercado de compensação de carbono, eles logo foram colocados de lado por políticas regulatórias sobre gases de efeito estufa. Apenas 14 projetos florestais foram registrados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) até a data deste estudo, totalizando 0,453 milhões de toneladas de CO2 (MtCO2) por ano em redução a emissões previstas pelos executores (cálculos pelo autor, baseado em UNFCCC, 2010). O Brasil é um país com grande capacidade de geração de serviços ecossistêmicos, desde a preservação da biodiversidade e seqüestro de carbono até a melhoria e preservação dos recursos hídricos. Desta forma, nota-se a grande capacidade do país na captura de recursos do setor financeiro privado internacional, assim como na utilização de recursos nacionais, para sistemas de PSE (MAY, 1997). Segundo VIEIRA et al, (2007), o município de Paulo Lopes SC possui uma série de especificidades referentes ao PSE. O município é cortado pelo Parque Estadual Serra do Tabuleiro (PEST), que abrange 60% de sua área. Locais no entorno de parques de preservação são muito importantes como pára-choques para o amortecimento do contato do parque com os empreendimentos econômicos, como moradia, agricultura e indústria, sendo preferenciais para projetos de PSE (PAGIOLA ET al, 2004). Além disso, o município possui agricultura predominantemente familiar, com experiência em agroecologia e algumas ONGs e universidades trabalhando nesta área VIEIRA et al, (2007) OBJETIVOS Objetivo Geral Analisar como o Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE) poderia atuar de forma eficaz na proteção dos recursos naturais no município de Paulo Lopes Objetivos Específicos a) Revisar a literatura sobre a economia ecológica e sustentabilidade enfatizando o Pagamento por Serviços Ecossistêmico (PSE).

17 21 b) Descrever e contextualizar o município de Paulo Lopes, ressaltando os aspectos favoráveis a aplicação de sistemas de produção agroecológica tomando como base o Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE). c) Descrever como as experiências com o Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE) no Brasil poderiam ser aplicadas em Paulo Lopes. 1.3 Metodologia Para atender aos objetivos propostos da pesquisa, o método adotado foi o analítico-descritivo, o qual contemplou o levantamento bibliográfico e a coleta de dados baseada em fontes secundárias. Segundo GIL (2010), a pesquisa descritiva tem como objetivo a descrição das características de determinada população. Podem ser elaboradas também com a finalidade de identificar possíveis relações entre variáveis. Entre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental, etc. De acordo com PEREIRA (2001), a pesquisa analítica por sua vez busca enfatizar que ao pesquisador, após ter realizado e descrito suas medidas, interessa explorar hipóteses das relações entre as medidas realizadas Neste sentido, quanto ao método de análise de dados, adotou-se a análise de conteúdo, ou seja, realizou-se um levantamento de informações necessárias à pesquisa junto a dados secundários. Estes dados secundários foram obtidos através da leitura e análise de documentos, tais como consultas à revistas e periódicos especializados na área de meio ambiente, bem como artigos científicos, dissertações e teses Estrutura do Trabalho O trabalho está estruturado em cinco capítulos, sendo o primeiro esta introdução, que define o problema de pesquisa, os objetivos do trabalho, além da metodologia a ser utilizada para atingi-los. O segundo capítulo apresenta a trajetória histórica da inserção da questão da sustentabilidade no debate sobre desenvolvimento econômico, bem como uma exposição das principais correntes teóricas da economia do meio ambiente, uma vez que

18 22 é ao redor desse debate que se introduziu, de forma definitiva, a problemática ambiental na literatura econômica. O terceiro capítulo faz uma revisão de literatura sobre o ecossistema e sua importância para a vida humana na terra, bem como as funções e serviços ecossistêmicos e como nasceu o conceito de Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos. O quarto capítulo tem como objetivo contextualizar o município de Paulo Lopes, no que diz respeito a sua parte histórica, social, demográfica e econômica. Ressalta a importância do município estar localizado numa área de preservação permanente (APP) e estar inserido na região que possui remanescentes da Mata Atlântica. O quinto capítulo apresenta a sistematização dos projetos em execução no Brasil e oferece sugestões de alternativas através de Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) no bioma Mata Atlântica no município de Paulo Lopes. No sexto capítulo são apresentadas as considerações finais do estudo, resumindo as principais conclusões obtidas pelo trabalho no que se refere à importância dos Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos e a adoção de sistemas de produção agroecológicos no município de Paulo Lopes.

19 23 CAPÍTULO 2. ECONOMIA E MEIO AMBIENTE 2.1 A questão ambiental no debate econômico No passado, quando os recursos eram abundantes, não havia grandes preocupações com a exaustão dos mesmos ou com um desequilíbrio ecossistêmico. Porém, com o crescimento da população mundial, a demanda por bens e serviços também aumentou e verificou-se uma diminuição da quantidade e qualidade dos mesmos, ocasionando uma desregulação do sistema ambiental. A partir da segunda metade do século XX começou-se a perceber em nível global a degradação ambiental e suas conseqüências catastróficas, dando origem a estudos e as primeiras reações no sentido de se construir métodos de diminuição dos danos causados ao meio ambiente. Como conseqüências destes fatos em 1968 iniciaram os primeiros estudos do Clube de Roma, liderado por Dennis L. Meadows, resultando na publicação do livro Limites de Crescimento, que trazia uma análise dos recursos terrestres e que concluía que a degradação ambiental era resultado, sobretudo do impulsivo crescimento populacional e suas conseqüentes exigências sobre os recursos do planeta, e que caso não houvesse uma estabilidade populacional, econômica e ecológica, os recursos naturais que são finitos serão abolidos e com eles a população humana. Neste sentido, a ciência econômica passa a ter um maior destaque no debate, frente aos crescentes questionamentos dos reais impactos da atividade econômica sobre o sistema ambiental. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que a corrente principal da economia inicia a inclusão em seu esquema de análise de aspectos ao meio ambiente e à relação do sistema econômico com seu meio externo, outras correntes de pensamento formam-se a partir do reconhecimento da insuficiência e inadequação do instrumental econômico convencional para tratar da questão ambiental (ANDRADE, 2009, apud ANDRADE, 2010, p.30). Do debate iniciado naquele período, surgiram duas principais correntes dentro da ciência econômica: a economia ambiental, representada pelo mainstream econômico e a economia ecológica, que recebeu a contribuição de pesquisadores de vários ramos da ciência e enxergava limitações, de natureza ambiental, para a manutenção do modelo de

20 24 crescimento econômico então vigente (ANDRADE, 2009, apud ANDRADE, 2010, p.30) A ECONOMIA AMBIENTAL De acordo com o que foi exposto, até meados da década de 1960, a teoria econômica convencional não incluía em seu referencial teórico as limitações de origem ambiental. Os recursos naturais, por exemplo, não figuravam na especificação da função de produção, que continha apenas capital e trabalho (ROMEIRO, 2003, apud ANDRADE, 2010, p. 30). Pelo fato de que a escala da economia global até aquele período era reduzida, não existia até então um tratamento econômico das questões ambientais. Esse fato remetia ao entendimento de que a capacidade do ambiente em prover recursos e assimilar rejeitos fosse considerada ilimitada, sem implicações mais decisivas para a economia (PERRINGS, 1987, apud ANDRADE, 2010, p.30). De acordo com Daly e Farley (2004), este processo de substituição é impulsionado pela escassez relativa de bens e serviços ambientais, não havendo perigos de perdas irreversíveis. O foco da Economia Neoclássica se dá sobre a alocação dos recursos, não havendo a preocupação com uma escala sustentável e uma distribuição mais justa da riqueza. No entanto, os economistas neoclássicos foram obrigados a incluírem a questão ambiental em sua base analítica como forma de contrapor as pesadas críticas recebidas pelas suas teorias. Segundo DALY e FARLEY (2004), a visão analítica da economia ambiental concebe a disponibilidade dos recursos naturais apenas como uma restrição relativa à expansão do sistema econômico. Para seus expoentes, os limites da disponibilidade dos recursos naturais podem ser superados indefinidamente pelo progresso científico e tecnológico, numa lógica em que se assume a substitutibilidade perfeita entre recursos naturais, capital e trabalho. Deste modo, passou-se a admitir que os recursos ambientais integrassem a estrutura produtiva e que poderiam apresentar restrições em ambas as pontas, isto é, na fonte de insumos e no sorvedouro de resíduos (MUELLER, 2007, apud ANDRADE, 2010, p.30). ANDRADE (2009) destaca que o reconhecimento de que a economia retira recursos do meio ambiente e os devolve sob a forma de rejeitos conduziu à incorporação

21 25 do princípio dos balanços materiais nos modelos econômicos. Em complemento, admitiu-se que a finitude dos recursos providos pelo meio ambiente poderia levar a uma crescente escassez de materiais e que a poluição gerada pelo sistema econômico poderia ultrapassar os limites de assimilação dos ecossistemas (ANDRADE, 2009, apud ANDRADE, 2010, p.30). Essas restrições, no entanto, seriam apenas relativas uma vez que os recursos ambientais, na visão desta corrente, teriam uma perfeita substitubilidade com capital e trabalho, isto é, através do progresso científico e tecnológico as limitações ambientais poderiam ser suplantadas (ROMEIRO, 2003, apud ANDRADE, 2010, p.31). Tudo se passa como se o sistema econômico fosse capaz de se mover suavemente de uma base de recursos para outra à medida que cada uma é esgotada, sendo o progresso científico e tecnológico a variável chave para garantir que esse processo de substituição não limite o crescimento econômico no longo prazo (ROMEIRO, 2001, apud ANDRADE, 2010, p.31). A Economia Ambiental recebe várias críticas das demais correntes, sendo que duas delas merecem destaque. A primeira questão que consiste na aceitação da hipótese de que as restrições de ordem ambiental seriam plenamente absorvidas por avanços tecnológicos. Outra crítica refere-se ao tratamento segmentado que a teoria propõe às funções do meio ambiente. Ao dividir o problema ambiental em duas linhas, economia da poluição e economia dos recursos naturais, a análise torna-se parcial, sem a necessária visão sistêmica que o problema requer (ANDRADE, 2010). 2.3 A ECONOMIA ECOLÓGICA Diferentemente da Economia Ambiental Neoclássica, a vertente Ecológica considera o sistema econômico como um subsistema do sistema ambiental, o que ocasiona uma restrição física à expansão ilimitada da economia. Com suas bases tendo sido concebidas entre as décadas de 1960 e 1970 por acadêmicos como Nicolas Georgescu-Roegen e Kenneth Boulding, essa corrente entende que o capital, no sentido econômico da palavra, e o capital natural seriam complementares, isto é, os progressos científicos e tecnológicos teriam um alcance limitado para suplantar determinadas restrições impostas pelo meio ambiente. Essa visão menos otimista da capacidade humana de ultrapassar as limitações ambientais fez

22 26 com que a literatura se referisse a essa abordagem como a da sustentabilidade forte (ROMEIRO, 2003, apud ANDRADE, 2010, p.33). A Economia Ecológica funda-se no princípio de que o funcionamento do sistema econômico, considerado nas escalas temporal e espacial mais ampla, deve ser compreendido tendo em vista as condições do mundo biofísico sobre o qual este se realiza, uma vez que é deste que derivam a energia e matérias-prima para o próprio funcionamento da economia. Uma vez que o processo econômico é um processo também físico, as relações físicas não podem deixar de fazer parte da análise do sistema econômico, o que a tornaria incompleta. Com isso, a natureza do problema envolve elementos tanto econômicos quanto biofísicos. Por sinal, o descaso ou pouca relevância atribuída aos atributos biofísicos da economia nos modelos da economia convencional veio sendo um principal ponto de crítica e motivação da Economia Ecológica. (AMAZONAS, 2009, apud ANDRADE, 2010, p.33). A Economia Ecológica conforma-se assim a partir do reconhecimento da importância da conexão entre o sistema econômico e o ambiente natural, carregando o propósito de integrar analiticamente os componentes do sistema econômico com aqueles do sistema ambiental, procurando-se assim compreender seu funcionamento comum. Deste modo, distinguindo-se tanto da "economia convencional" quanto da "ecologia convencional", a Economia Ecológica define-se como um campo transdisciplinar o qual busca a integração entre as disciplinas da economia e ecologia, e demais disciplinas correlacionadas, para uma análise integrada dos dois sistemas. Neste sentido, a Economia Ecológica não rejeita os conceitos e instrumentos da "economia convencional" e da "ecologia convencional", e irá utilizá-los sempre que estes se fizerem necessários, mas reconhece a insuficiência destes para o propósito de uma análise integrada, apontando para a necessidade do desenvolvimento de novos conceitos e instrumentos. (AMAZONAS, 2009, apud ANDRADE, 2010, p. 34). No entanto, essa necessária diversidade metodológica para lidar com a questão não impede que a Economia ocupe papel de destaque no âmago da disciplina, uma vez que, como ressalta AMAZONAS (2009), o objeto de estudo da economia ecológica é o sistema econômico e sua interação ecológica com o mundo (apud ANDRADE, 2010, p.34). De acordo com MAY (2010), surgiram três visões básicas sobre o futuro do processo econômico: a economia do astronauta, o decrescimento e a condição

23 27 estacionária, ligadas respectivamente aos três importantes genitores da economia ecológica: Kenneth Boulding ( ), Nicholas Georgescu-Roegen ( ) e Herman Daly (1938). Em sua principal obra, BOULDING (1966), fazia uma crítica à sociedade humana contemporânea por sua resistência em migrar de uma economia do cowboy, que não acreditava nas limitações impostas pelos recursos naturais, para uma economia do astronauta, que admitia a necessidade de uma melhor gestão dos recursos naturais para garantir um futuro promissor para o planeta. Boulding argumentava que o sucesso da economia não está relacionado ao aumento da produção e do consumo, mas sim às mudanças tecnológicas que resultem na manutenção do estoque de capital com a menor utilização possível de recursos naturais (MAY, 2010). É com a obra de GEORGESCU ROEGEN (1971) que a abordagem convencional da produção, base das teorias do crescimento econômico, viola as leis da termodinâmica em especial a lei da entropia. A aplicação dos princípios das leis da termodinâmica é o cerne do diferencial analítico da economia ecológica em relação à economia ambiental neoclássica (Andrade, 2010). A primeira lei da termodinâmica estabelece que as quantidades existentes de matéria e energia são constantes no universo e não podem ser criadas ou destruídas. Com isso a base sobre a qual o sistema econômico se desenvolve é limitada, implicando na impossibilidade de um crescimento contínuo (ANDRADE, 2009, apud ANDRADE, 2010, p.35). Essa estrutura analítica reveste-se de maior poder de compreensão quando se adiciona a segunda lei da termodinâmica, pois esta afirma que a energia, mesmo sendo constante, passa por um processo irreversível de um estado disponível 1 para outro indisponível, o que eleva a entropia. A única forma de conter esta elevação seria direcionar a economia para uma situação de retração permanente, que contivesse o aumento da entropia (GEORGESCU, 1971, apud ANDRADE, 2010, p. 38). 1 As duas primeiras leis da termodinâmica, quais sejam, a lei da conservação da matéria e energia e a lei da entropia, devido às suas implicações para a escassez na economia, foram os principais referencias teóricos desta nova abordagem.

24 28 Como destaca Veiga (2008) essa abordagem de Georgescu sofreu forte restrição em sua época de divulgação, pois o que aquele autor destacava era a necessidade de encontrar um caminho de desenvolvimento para a humanidade compatível com a retração, isto é, com o decrescimento do produto, sob o risco de comprometer as gerações futuras caso nada fosse feito. HERMAN E. DALY, o mais importante economista ecológico da atualidade, foi aluno de Georgescu Roegen e por ele muito influenciado. Considera que quando os argumentos de Kenneth Boulding e Georgescu Roeden são levados a sério, é impossível ignorar os custos e benefícios finais do processo econômico. Tais argumentos teriam como conseqüência principal a rejeição ao dogma do crescimento (ANDRADE, 2010). A economia ecológica leva em conta todos os custos (não apenas os monetários) do crescimento da produção material. É inteiramente cética sobre a possibilidade de crescimento por tempo indeterminado, e mais ainda quanto à ilusão de que o crescimento possa ser a solução para os problemas ecológicos. 2.4 O ENFOQUE AMBIENTAL Os anos de 1970 marcam a instituição do debate ao nível de preocupação sobre o meio ambiente. Foi nessa conjuntura que a Conferência de Estocolmo das Nações Unidas, realizada em 1972, introduziu a discussão no âmbito das relações internacionais e levou à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em dezembro daquele ano. A década também ficaria marcada pela expansão dos partidos verdes nas estruturas partidárias locais e pela criação de diversas agências estatais relacionadas ao meio ambiente (LEIS; D AMATO, 1995, apud ANDRADE, 2010, p.36). O resultado da evolução técnica e moral pode tornar tanto possível quanto desejável crescer ou declinar para um nível diferente. Mas então, crescimento ou declínio seriam vistos como transições temporárias de um estado estacionário para outro e não como a norma para uma economia saudável (DALY, 1974 p.16). Em 1983 a ONU criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), que ficou conhecida como Comissão Brundtland e tinha como objetivos: reexaminar as questões críticas relativas ao meio ambiente, reformular propostas realísticas para abordá-las; propor novas formas de cooperação internacional nesse campo de modo a orientar as políticas e ações no sentido das mudanças

25 29 necessárias, e dar a indivíduos, organizações voluntárias, empresas, institutos e governos uma compreensão maior desses problemas, incentivando-os a uma atuação mais firme (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO,1991). Os estudos foram encerrados em 1987, com a apresentação de uma análise dos problemas globais ambientais. A equipe sugeriu que o desenvolvimento econômico fosse conectado à temática ambiental, surgindo assim uma nova maneira chamada de desenvolvimento sustentável. Segundo VEIGA (2008), não faltou motivos para que emergisse, nas últimas décadas, um efetivo processo de negociações internacionais com objetivos preventivos: buscar as maneiras mais viáveis de reduzir o aquecimento global e as formas de se adaptar a ele. Os principais momentos desse processo foram: a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas IPCC em , a Convenção do Clima de 1992 e o Protocolo de Kyoto, negociado em 1997, mas que só entrou em vigor em 2005, após ratificação da Rússia. No ano de 1992, aconteceu na cidade do Rio de Janeiro a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, onde esta nova maneira de desenvolvimento foi vastamente recebida e expandida, tornando-se o objetivo da Agenda 21. Vale ressaltar ainda, as Conferências das Partes (COPs), realizadas anualmente a partir de O período também é conhecido como o da emergência da discussão sobre as mudanças climáticas e que passa a ser o foco da discussão ambiental a partir de então. 2.5 O Debate sobre o Desenvolvimento Sustentável Desde os anos 70, a atenção dada à problemática ambiental levou a uma ampla reconceitualização do desenvolvimento, em termos de ecodesenvolvimento, recentemente nomeado desenvolvimento sustentável (SACHS, 2004 p.36). 2 O IPCC foi criado por proposta da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Trata-se de grupo de especialistas cuja missão consiste em analisar, de forma exaustiva, objetiva, aberta e transparente as informações científicas, técnica e socioeconômica relevantes para entender os elementos científicos do risco impostos pelas mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas, suas possíveis repercussões e as possibilidades de adaptação e atenuação das mesmas. (IPCC, 2010).

26 30 De acordo com MAY (2010), Desenvolvimento Sustentável é um conceito normativo que surgiu com o nome de eco desenvolvimento no início da década de Tudo indica que esta expressão foi publicamente empregada pela primeira vez em agosto de 1979, no Simpósio das Nações Unidas sobre as Inter-relações entre Recursos, Ambiente e Desenvolvimento, realizado em Estocolmo, e que só começou realmente a se afirmar em 1987, quando, perante a Assembléia Geral da ONU, o presidente da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, caracterizou o Desenvolvimento Sustentável, como um conceito público (VEIGA, 2008). Esta Comissão foi presidida por Gro Harlem Brundtland, que foi a primeiraministra da Noruega e pretendia dar um tom mais progressista aos trabalhos do grupo que coordenava. O documento mais importante produzido sob seu comando foi o relatório Nosso Futuro Comum 4. Nesse relatório está a definição mais empregada de desenvolvimento sustentável. (...) aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades (CMMAD, 1988, p.46). O documento enfatizava a necessidade de se visualizar o problema ambiental de uma maneira agregada aos problemas econômicos. O mesmo reconhecia as limitações do planeta em suportar o ritmo da atividade econômica, mas o centro principal do relatório se encontra na urgência de se modificar a forma de pensar o desenvolvimento econômico. Em um período marcado pelo antagonismo das duas correntes sobre a relação economia/meio ambiente, o conceito de ecodesenvolvimento propôs algo novo, uma via intermediária entre o otimismo exacerbado dos defensores do crescimento econômico a qualquer custo e o pessimismo dos catastrofistas que previam o iminente colapso ecológico (SACHS, 2008, apud ANDRADE, 2010, p. 37). 3 A autoria do termo não é bem estabelecida, mas existe concordância geral em atribuir a Ignacy Sachs, da Escola de Altos Estudos em Paris, uma preeminência nas suas qualificações conceituais (MAY, 2010). 4 O Nosso Futuro Comum, que também ficou conhecido como Relatório Brundtland (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1988) é produto do trabalho de uma comissão de 21 membros de diversos países que, entre 1983 e 1987, estudaram a degradação ambiental e econômica do planeta, propondo soluções para os problemas detectados sobre a ótica do desenvolvimento sustentável.

27 31 Segundo VEIGA (2008) o modelo de pensamento dominante na ciência econômica sempre foi mecânico e fasciando pela idéia de equilíbrio. A prevalecente suposição de que o sistema ecônomico poderia atingir um ótimo sempre ignorou a união entre os sistemas econômicos e bióticos, além de desenhar a existência de limites naturais. Nos modelos econômicos convencionais, os fatores que devem ser maximizados são utilidades individuais e não as necessidades de um sistema biótico. Consequentemente, as políticas econômicas ficaram cegas para quaisquer condicionantes de ordem ecológica. Para VEIGA (2008), um dos autores que mais se dedicaram ao assunto ao longo das últimas seis décadas, desde o ínicio da controvérsia internacional sobre a destinção entre desenvolvimento e crescimento, um dos que melhor conseguiram evitar simultaneamente as tentações enganosas do otimismo ingênuo e do pessimismo estéril é IGNACY SACHS (2004). O desenvolvimento é um conceito multidimensional: os seus objetivos são sempre sociais e éticos (solidariedade sincrônica). Ele contém uma condicionalidade ambiental explícita (solidariedade diacrônica com as gerações futuras), o crescimento econômico embora necessário tenha um valor apenas instrumental; o desenvolvimento não pode ocorrer sem crescimento, no entanto, o crescimento não garante por si só o desenvolvimento, processo no qual o crescimento do PIB é acompanhado de desigualdades sociais, desemprego e pobreza crescente. (SACHS, 2004, p.71). Segundo SACHS (2002), o conceito de desenvolvimento sustentável acrescenta uma outra dimensão a sustentabilidade ambiental à dimensão da sustentabilidade social. Ela é baseada no duplo imperativo ético de solidariedade sincrônica com a geração atual e da solidariedade diacrônica com as gerações futuras. Ela nos compele a trabalhar com escalas múltiplas de tempo e espaço, o que desarruma a caixa de ferramentas do economista convencional. Ela nos impele ainda a buscar soluções triplamente vencedoras, eliminando o crescimento selvagem obtido ao custo de elevadas externalidades negativas, tanto sociais quanto ambientais. Outras estratégias, de curto prazo, levam ao crescimento ambientalmente destrutivo, mas socialmente benéfico, ou ao crescimento ambientalmente benéfico, mas socialmente destrutivo. Os cinco pilares do desenvolvimento sustentável são: social, ambiental, territorial, econômico e político. a) Social, fundamental por motivos tanto intrínsecos quanto instrumentais, por causa da perspectiva de disrupção social que paira de forma ameaçadora sobre muitos lugares problemáticos do nosso planeta;

28 32 b) Ambiental, com suas duas dimensões (do sistema de sustentação da vida como provedores de recursos e como recipientes para a disposição de resíduos); c) Territorial, relacionado à distribuição espacial dos recursos, das populações e das atividades; d) Econômico, sendo a viablidade econômica a conditio sine qua non para que as coisas aconteçam; e) Político, a governança democrática é um valor fundador e um instrumento necessário para fazer as coisas acontecerem; a liberdade faz toda a diferença. Uma outra forma de dizer de maneira sucinta o que é desenvolvimento vem sendo abordada nos últimos quinze relatórios desenvolvidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O desenvolvimento tem a ver primeiro e acima de tudo, com a possibilidade de as pessoas viverem o tipo de vida que escolheram, e com a provisão dos instrumentos e das oportunidades para fazerem suas escolhas (VEIGA, 2008). Segundo VEIGA (2008), é de Celso Furtado a melhor fórmula sintética para dizer o que é desenvolvimento: (...) o crescimento econômico, tal qual o conhecemos vem se fundando na preservação dos privilégios das eleites que satisfazem seu afã de modernização; já o desenvolvimento se caracteriza pelo seu projeto social subjacente. Dispor de recursos para investir está longe de ser condição suficiente para preparar um melhor futuro para a massa da população, mas quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento (FURTADO, 2004, p.484). Uma linha de estudo do debate científico internacional passou recentemente a ser pautado pela hipótese ultra otimista de que o crescimento econômico só prejudicaria o meio ambiente até um determinado patamar de riqueza oferecida pela renda per capta. A partir dele, a tendência seria inversa, fazendo com que o crescimento passasse a melhorar a qualidade ambiental (SACHS, 2004). Segundo SACHS (2004), para a corrente da economia ecológica, da qual o principal representante é Herman E. Daly, só existirá escolha à derrocada ecológica na chamada condição estacionária que não corresponde, como muitos pensam a

29 33 crescimento zero. Ou seja, na condição estacionária, a economia continuaria em termos qualitativos, substituindo, por exemplo, energia fóssil por energia limpa. A hipotética conciliação entre crescimento econômico moderno e a conservação da natureza não é algo que possa ocorrer no curto prazo, e muito menos de forma isolada em certas atividades, ou locais especifícos. Por isso, nada pode ser mais bisonho do que chamar de sustentável esta ou aquela proeza (VEIGA, 2008 p.113). Segundo VEIGA (2008), é nisso, e nas limitações inerentes ao enfoque convencional da economia, que reside um dos problemas centrais para a compreensão do desenvolvimento sustentável. Pior, depois que entrou na moda, o adjetivo sustentável substituiu na liguangem do dia-a-dia algumas noções muito próximas, como firme ou durável. Segundo a agenda 21 Brasileira, o desenvolvimento sustentável é um conceito que está em construção. Indica, entre outras coisas, a extensão da tomada de consciência de boa parte das elites sobre a problemática dos limites naturais. Começa a penetrar a idéia de que não se deve perseguir o desenvolvimento, tout court, mas ele deve ser qualificado: precisa ser ecologicamente sustentável. A velha utopia industrialista não é mais sustentável. Se esperarmos pela escasssez que transformará bens livres e gratuítos em bens econômicos, é muito provável que seja tarde demais. De modo geral, o objetivo deveria ser o do estabelecimento de um aproveitamento racional e ecologicamente sustentável da natureza, em benefício das populações locais, levando-as a incorporar a preocupação com a conservação da biodiversidade aos seus próprios interesses, como um componente de estratégia de desenvolvimento. Quer seja denominado ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável, a abordagem fundamentada na harmonização de objetivos sociais, ambientais e econômicos não se alterou desde o encontro de Estolcomo até as conferências do Rio de Janeiro, e acredito que ainda é válida, na recomendação da utilização dos oito critérios distintos de sustentabilidade parcial (social, cultural, ecologica, ambiental, territorial, economico, politica (nacional, internacional) (SACHS, 2000 p.54). Segundo SACHS (2002) O desenvolvimento sustentável é um desafio planetário. Ele requer estratégias complementares entre o Norte e o Sul. Evidentemente os padrões de consumo do Norte abastado são insustentáveis. O enverdecimento do

30 34 Norte implica uma mudança no estilo de vida, lado a lado com a revitalização dos sistemas tecnológicos. De acordo com SACHS (2007) é necessária uma combinação viável entre economia e ecologia, pois as ciências naturais podem descrever o que é preciso para um mundo sustentável, mas compete as ciências sociais a articulação das estratégias de transição rumo a este caminho.a conservação da biodiversidade entra em cena a partir de uma longa e ampla reflexão sobre o futuro da humanidade. A biodiversidade necessita ser protegida para garantir os direitos das futuras gerações (SACHS, 2007). 2.6 Debate sobre aquecimento global Nos dias atuais, quando se fala em mudanças climáticas, se remete ao conceito de aquecimento global, que representa o aumento da temperatura média do ar próxima à superfície da terra. A suposta causa desta recente mudança global no clima é conferida às atividades humanas emitentes de gases do efeito estufa (GEE) 5, de maneira especial o dióxido de carbono (CO2), da qual a concentração na composição da atmosfera tem sofrido progressivo acréscimo decorrente principalmente da crescente queima de combustíveis fósseis, da prática do desmatamento e das queimadas. Em 1979, em decorrência da crescente preocupação da comunidade científica com as questões climáticas, ocorreu a Primeira Conferência Mundial do Clima, onde se alertou que o aumento contínuo das atividades humanas no planeta Terra poderia causar mudanças regionais e até mesmo globais no clima. Em 1988 em vista da importância e da complexidade das questões relacionadas ao tema das mudanças climáticas, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, reconhecido pela sua sigla em inglês IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) foi estabelecido pelas Nações Unidas, por meio de duas de suas organizações: o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), juntamente com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Sua missão foi explicitamente definida: produzir, de forma abrangente, objetiva, aberta e transparente, a informação científica, técnica e socioeconômica relevante para o entendimento das bases científicas do risco da mudança do clima induzida pelo homem, seus impactos potenciais e opções para adaptação e mitigação (OLIVEIRA, 2008 p.19), 5 Os principais gases do efeito estufa são: Dióxido de carbono (CO2, Metano (CH4), Óxido Nitroso(N2O), Clorofluorcarnonos(CFCs), Hidrofluorcarbonos(HFCs) e Perfluorcarbonos(PFCs).

31 35 Em 1990, foi realizada a Segunda Conferência Mundial do Clima, apresentando uma abordagem mais política do que na primeira edição. No mesmo ano, ainda, pouco antes da Conferência, o Primeiro Relatório 6 de Avaliação do IPCC (IPCC First Assessment Report) foi concluído, servindo de base para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), tratado internacional resultante da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) - evento realizado em 1992 no Rio de Janeiro e conhecido popularmente como ECO-92, Rio-92 ou ainda Cúpula da Terra. Segundo OLIVEIRA (2008), o segundo, relatório 7, contribuiu para as negociações que levaram à adoção do Protocolo de Kyoto em Em 2001, foi publicado o terceiro relatório 8, que se consagrou como referência para o fornecimento de informações para as deliberações nas conferências das Partes (COP). Finalmente, o quarto relatório 9, de 2007, consolidou o progresso científico desde 2001 e aprofundou o conhecimento das influências antrópicas sobre o clima. De acordo com OLIVEIRA (2008), o uso comum da expressão aquecimento global refere-se à elevação da temperatura média da superfície da terra de pouco menos de 1 grau Celsius nos últimos cem anos. Há inúmeras indicações de que esse aumento seja devido às atividades humanas, principalmente aquelas que envolvem a queima do petróleo e do carvão, emitindo gases conhecidos como de efeito estufa. As emissões de gás carbônico devido à queima de combustíveis fósseis e à manufatura do cimento foram responsáveis por 75% do aumento dos teores de CO2 na atmosfera, a aprtir de O restante é resultado de mudanças no uso da terra, principalmente a queima de florestas (OLIVEIRA, 2008 p.32). 6 Intergovernmental Panel on Climate Change, First Assessment Report 1990 Scientific Assessment of Climate Change, disponível em 7 Intergovernmental Panel on Climate Change, Second Assessment - Climate Change 1995: the Science of Climate Change, disponível em 8 Intergovernmental Panel on Climate Change, Third Assessment Report Climate Change 2001: the Scientific Basis, disponível em 9 Intergovernmental Panel on Climate Change, Fourth Assssment Report - Climate Change 2007 : the Physical Science Basis, disponível em

32 36 O sistema climático é muito complexo, podendo existir outras causas para as variações de temperatura observadas, de modo que a relação direta de causa e efeito entre o aumento do teor dos gases de efeito estufa na atmosfera no século XX e o aumento da temperatura nesse mesmo período continua sendo objeto de estudo e debate entre os cientistas (OLIVEIRA 2008). Existe uma série de controvérsias sobre o aquecimento global, opondo duas teses. Uma continuará majoritária na comunidade cientifíca, sendo inclusive legitimada pelas Nações Unidas. A outra, advoga que o planeta estará mais frio dentro de algumas décadas, pois o clima está sendo muito mais determinado por radiações cósmicas do que por ações humanas, é defendida por uma minoria de pesquisadores conhecidos como céticos (VEIGA, 2008). Segundo MOLION (2008), a variabilidade natural do clima não permite afirmar que o aquecimento de 0,7 ºC seja decorrente da intensificação do efeito estufa causada pelas atividades humanas, ou mesmo que essa tendência de aquecimento persistirá nas próximas décadas, como sugerem as projeções produzidas pelo Relatório da Quarta Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Ainda de acordo com o autor, as argumentações para explicar o que vem ocorrendo com o clima do planeta são as que seguem: - Existem evidências que o clima, entre cerca de 800 a 1200 d.c., era mais quente do que o de hoje. - Entre 1350 e 1850, o clima se resfriou, chegando a temperaturas de até cerca de 2ºC inferiores às de hoje, particularmente na Europa Ocidental. Esse período foi descrito como Pequena Era Glacial. - Após 1850, o clima começou a se aquecer lentamente e as temperaturas se elevaram. Portanto não há dúvidas que ocorreu um aquecimento global nos últimos 150 anos. A questão que se coloca é se o aquecimento observado é natural ou antropogênico. Ainda segundo MOLION (2008), antes do término da Segunda Guerra Mundial, as emissões decorrentes das ações antrópicas eram cerca de 6% das atuais, portanto, torna-se difícil argumentar que os aumentos de temperatura, naquela época, tenham sido causados pela intensificação do efeito estufa pelas emissões antropicas de carbono. Portanto, o início das séries instrumentais de 150 anos utilizadas no Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change IPCC), ocorreu num período relativamente mais frio que o atual e

33 37 leva, aparentemente, à conclusão errônea de que as temperaturas atuais sejam muito altas ou anormais para o planeta. Segundo VEIGA (2008), todavia, grande parte dos torcedores do IPCC se guiam pelo princípio da precaução, segundo a qual, diante da possibilidade de dano grave e irreversível, não devem ser adiadas medidas que visem a evitá-lo, por mais que haja incerteza sobre as reais causas do perigo, ou sobre sua magnitude. Neste sentido, aplicado à questão climática, manda agir conforme a pior hipótese: Cortar as emissões estufa e preparar adaptação a acelerado aquecimento, mesmo que haja a possibilidade de tal perigo nem sequer existir, como pretendem os céticos. Se assumida a tese do IPCC, não pode haver meio termo com o Protocolo de Kyoto. A concentração de gasesestufa na atmosfera precisa ser estabilizada abaixo das 450 partes por milhão, o que exige que a emissão de carbono fique cara para todo os agentes econômicos. Satisfazerse com metas nacionais de emissão previstas em tratado internacional equivale a duvidar que o IPCC esteja de fato com razão, mesmo que não se admita explicitamente uma adesão à tese dos céticos. De acordo com VEIGA (2008), nada pode ser mais incoerente do que levar a sério as conclusões do IPCC e, simultaneamente, supor que o problema possa ser enfrentado mediante acordos internacionais do tipo do Protocolo de Kyoto. Se o IPCC estiver mesmo com a verdade, todos os países do mundo, a começar pelos mais ricos e poderosos, deveriam enfrentar o problema como se estivessem diante de uma grande guerra, em vez de barganharem ridículas metas de contenção de emissões. Mais isso só poderia acontecer se as negociações internacionais conseguissem produzir algum tipo de enforcement que reduzisse o benefício de se tomar uma carona (aproveitar as vantagens de uma redução de emissões por parte dos demais países sem pagar o preço dessa redução). Segundo MOLION (2008), considerando que o aumento populacional é inevitável num futuro proxímo, o bom senso sugere a adoção de políticas de conservação ambiental bem elaboradas, destituídas de dogmatismo, e mudança nos hábitos de consumo para que a humanidade possa sobreviver, isto é, para que as gerações futuras possam usufruir dos recursos naturais disponíveis atualmente. Portanto, a conservação ambiental é necessária e independente de mudanças climáticas, ou seja, do aquecimento ou resfriamento global.

34 Protocolo de Kyoto Em 1992, com representantes de aproximadamente 150 nações, foi elaborada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CQNUMC), (UNFCCC, na sigla em inglês). Seu objetivo é a estabilização das concentrações de GEE na atmosfera em um nível em que a ação antrópica não seja ameaçadora ao clima. Sendo este o primeiro passo em direção à estabilização do clima, não se firmou nenhum tipo de acordo obrigatório. No entanto, foi recomendado aos países considerados industrializados que sustentassem, até o ano 2000, os mesmos índices de emissão do ano de Entretanto, durante as discussões, os países concordaram que todos, independentemente de seu tamanho, devem assumir a responsabilidade de conservar e preservar as condições climáticas. Fundamentada na tese de que a maior parte das emissões de gases de efeito estufa (GEE) históricas e atuais de gases provém dos países mais desenvolvidos, cria-se o princípio das responsabilidades comuns distintas. As emissões oriundas dos países em desenvolvimento ainda são consideradas insignificantes, porém, esse fato deve mudar à medida que precisem suprir suas demandas econômicas. Baseados nesses princípios foram construídos dois grupos de países. O primeiro foi as Partes Anexo I, que compreendem os países desenvolvidos signatários da Convenção e os países industrializados da antiga União Soviética e do Leste europeu, e as Partes não Anexo I, que compreendem as Partes não listadas no Anexo I, entre as quais o Brasil. Prevaleceu em Kyoto uma responsabilidade comum, mas diferenciada, que obriga apenas os quarenta países do Anexo I da Convenção a reduzir emissões, devido a sua responsabilidade histórica. (VEIGA et al, 2008, p.86) A partir de 1995 os países membros signatários da Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (CQNUMC) passaram a reunir-se na Conferência das Partes (COP) anualmente, a fim de se consolidar o objetivo maior que é a mitigação do efeito estufa. A terceira edição destas reuniões (COP-3) é a mais reconhecida, realizada em 1997 na cidade japonesa de Kyoto, a qual deu nome ao bastante conhecido Protocolo de Kyoto, constituindo-se a primeira iniciativa global

35 39 com metas quantitativas de redução das emissões ou captura ( seqüestro de carbono ) dos gases do efeito estufa. Segundo VEIGA et al, (2008), o padrão do protocolo de Kyoto, estabeleceu para os países mais industrializados (Partes do Anexo I) tetos de emissões de GEE no primeiro período de compromisso compreendido entre Na prática, pretendeu induzir reduções de, no máximo, 8% para o período Se cumpridas, esses países teriam uma redução média de 5,2 % em duas décadas. O Protocolo de Quioto, além de estabelecer o primeiro teto de emissões no âmbito internacional, diferenciado entre os países signatários, também estabeleceu mecanismos de flexibilização no cumprimento das suas restrições que deram origem aos principais mercados regulados de carbono. Neste sentido, nas Conferências das Partes tem sido debatidos os meios pelos quais serão atingidas as metas, discutindo-se os Mecanismos de Flexibilização como: 1. CIE Comércio Internacional de Emissões, que permite aos países que possuem metas (chamados Anexo 01 ) a transferência do excesso de suas reduções para países Anexo 01 que não atingiram; 2. IC Implementação Conjunta, mecanismo análogo ao MDL, mas com a distinção de incentivar projetos de redução ou captura de GEE em países Anexo MDL Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, e o respectivo Créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE), que incentiva países que não possuem metas ( Não Anexo 01 ) a desenvolver projetos de redução e/ou captura dos GEE em troca do recebimento de créditos dos países do Anexo 01, para que estes cumpram suas metas. Os créditos podem ser negociados e vendidos no mercado financeiro, constituindo assim o Mercado de Carbono. 3. IC Implementação Conjunta, mecanismo análogo ao MDL, mas com a distinção de incentivar projetos de redução ou captura de GEE em países Anexo 01. (http://www.fakeclimate.com/arquivos/artigosfake/mc pdf) De acordo com VEIGA et al, (2008), o primeiro deles permitiu o comércio de certificados de redução de emissões entre os chamados países do anexo I (países desenvolvidos e as economias em transição, a antiga URSS), mecanismo que deu origem ao sistema Europeu de comércio de emissões (EU ETS), o maior mercado de carbono atual. O segundo, a Implementação Conjunta (joint Implementation ou JI),

36 40 permitiu o investimento entre agentes econômicos nestes mesmos países visando implantar projetos de mitigação de menos custo, cujos certificados de redução de emissões podiam ser utilizados ou comercializados pelo investidor. O terceiro e mais importante para os países emergentes, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL o Clean Development Mechanism), permitiu que projetos implantados em países em desenvolvimento pudessem gerar créditos (chamados offsets) que podem ser utilizados na contabilização da redução nas emissões dos países sujeitos à restrições com metas regulamentadas pelo Protocolo de Quioto. Em todos os casos, os instrumentos procuram meios para reduzir o custo para a sociedade de cumprir as metas de redução de emissões, por meio de investimentos em medidas mitigadoras de menos custo por unidade de emissão reduzida. No entanto cabe ressaltar que os projetos que se habilitam à condição de projeto de MDL devem cumprir uma série de procedimentos até receber o aval da Organização das Nações Unidas (ONU), por intermédio do Conselho Executivo do MDL, instância máxima de avaliação de projetos do MDL. Para que um projeto resulte em reduções certificadas de emissões RCEs, as atividades de projeto do MDL devem, necessariamente, passar pelas etapas do ciclo do projeto, que são sete: elaboração de documento de concepção de projeto (DCP), usando metodologia de linha de base e plano de monitoramento aprovados; validação (verifica se o projeto está em conformidade com a regulamentação do Protocolo de Kyoto); aprovação pela Autoridade Nacional Designada AND, que no caso do Brasil é a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima - CIMGC (verifica a contribuição do projeto para o desenvolvimento sustentável); submissão ao Conselho Executivo para registro; monitoramento; verificação/certificação; e emissão de unidades segundo o acordo de projeto (MCT, 2010). O Brasil apresenta-se como um dos países que se beneficiará por ser vendedor de créditos de carbono e alvo de investimentos em projetos engajados na redução da emissão de gases poluentes. 2.8 O debate sobre mercado de carbono De acordo com as citações anteriores, no âmbito do Protocolo de Kyoto, os países desenvolvidos assumiram o compromisso de reduzir suas emissões de gases de

37 41 efeito estufa (GEE) em pelo menos 5% abaixo dos níveis de 1990 até o primeiro período de compromisso, entre 2008 e No entanto, o Protocolo estabeleceu que, caso os países comprometidos em reduzir suas emissões não conseguissem atingir as suas metas estabelecidas, eles teriam a opção de adquirir créditos de carbono de países em desenvolvimento, por meio do financiamento de projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Como o Protocolo de Kyoto baseia-se em metas, essa regra também é válida para países que conseguirem reduzir suas emissões abaixo dos níveis estipulados, pois o excedente dessa redução de emissão poderá ser vendido em Bolsas de Valores e de Mercadorias a outros países ou indústrias que necessitem desses créditos. Esse sistema denominou-se Mercado de Créditos de Carbono, que é baseado em projetos de seqüestro ou mitigação de GEE. A partir da implantação desse Mercado, criou-se um certificado de crédito de carbono denominado Redução Certificada de Emissões (RCE), emitido pelas agências autorizadas pela ONU, que tem como meta atestar a redução de emissão de GEE. A quantidade de créditos de carbono recebida varia de acordo com a quantidade de emissão de carbono reduzida. Também ficou definido que uma tonelada de CO2 seria equivalente a um crédito de carbono. Segundo VEIGA et al, (2008), o mercado de carbono nasceu como instrumento para apoiar o processo de mitigação das mudanças climáticas globais, hoje uma necessidade quase inconstante. Com um volume de transações oficiais e voluntárias avaliado em aproximadamente US$ 64 bilhões no ano de 2007, dobrando ano a ano (a New Carbon Finance estimou em US$ 150 bilhões o volume de transação em 2008), com uma perspectiva de incremento crescente e de caráter global, hoje, tornou-se a principal referência dos mercados ambientais. O mercado de carbono é um mercado complexo que requer um entendimento amplo do ponto de vista econômico, jurídico e ambiental. Tratá-lo sem as devidas considerações pode gerar conclusões precipitadas. Para VEIGA et al, (2008), a criação e o desenvolvimento de mercados de carbono ganham uma forte proeminência. Esses mercados são baseados em regulamentos do tipo cap and trade, fundamentado no instrumento de licenças de 10 Cada país tem sua meta e seu limite de poluição (ver Protocolo de Kyoto)

38 42 emissão comercializáveis. Nesses sistemas, busca-se um determinado patamar de redução de emissões de GEE aceitáveis às partes da negociação. Aqueles que detém mais licenças do que precisam para manter ou expandir suas atividades econômicas emissoras, oferecem-na para comercializar àquelas que estejam deficitários devido aos custos marginais relativos de mitigação. A partir da escassez relativa das licenças comercialízáveis, surge um mercado entre esses atores, asim como chega-se ao preço em cada momento para o certificado ou licença de emissão. VEIGA et al, (2008), cita que, para além dos mercados regulados, os mercados voluntários de carbono assumiram um papel importante movidos pela crescente percepção de organizações, empresas e indivíduos de todo o mundo de que é preciso participar de alguma forma no esforço de mitigação das mudanças climáticas, seja por convicção, por pressões do mercado ou pela busca da imagem socioambientalmente correta junto ao seu público consumidor. Segundo MAY (et al, 2010), por qualquer uma destas e outras razões apontadas, o mercado voluntário cresce a uma velocidade superior ao mercado de carbono como um todo, tendo registrado no ano de 2007 um volume de negócios de US$ 31 milhões e triplicado o valor desde o ano anterior. Esses mercados, de maior flexibilidade e de maior proximidade do público geral, também apresentam menores custos de transação e são mais receptivos aos projetos de caráter florestal (36% do volume de CO2 comercializado neste mercado foi destiando para projetos florestais em 2006, enquanto nos mercados formais esse volume foi irrisório). Todavia, exatamente graças ao seu crescimento e sua grande variedade, seus compradores cada vez mais demandam certificados que garantam padrões e critérios de qualidade, que possam assegurar não somente os reais efeitos em termos de reduções de emissões de qualidade, que possam assegurar não somente os reais efeitos em termos de redução de emissões ou geração offsets, mas também com benefícios sociais e/ou ambientais propalados pelo projetos. Ocorre que tanto o MDL quanto a forma de comercialização de Redução Certificada de Emissões (RCE) receberam diversas críticas porque eles concederiam aos países desenvolvidos o direito de poluir. Porém, é necessário questionar se é o conteúdo do MDL que o faz ser um instrumento que legitima a poluição ou se é o modo como está sendo usado que abre precedência para tanto. 2.9 Mercado Voluntário de Carbono A implantação do Protocolo de Kyoto constituiu um marco na definição de instrumentos de incentivo econômico para a gestão ambiental, pois os mecanismos de

39 43 flexibilização incorporados permitiram um estímulo sem precedentes à criação de mercados para serviços ambientais. (MAY, et al, 2010). Segundo VEIGA et al, (2008), apesar da ênfase maior nas medidas de mitigação às fonte energéticas e transportes, não se pode perder de vista o papel crucial que o uso do solo joga neste quadro, particulamente no Brasil e outros países de vocação florestal. Emissões provocadas pelo desmatamento, principalmente nos trópicos, representam em torno de 18% das emissões totais, uma fatia maior do que o setor de transporte global. Dessa fatia, quase metade ocorreu unicamente na Amazônia brasileira entre 2000 e Ações para preservar as áreas remanescentes de florestas tropicais são particularmente importantes para uma política de atenuação das mudanças climáticas. Análises ecônomicas sobre a reversão do desmatamento, baseada na compensação (total ou parcialmente) dos custos de oportunidade dos usos alternativos das áreas ocupadas por florestas, sugerem que a redução de desmatamento poderia ser alcançado por meio dos mercados de carbono, por um custo relativamente baixo. Segundo MAY (et al, 2010), neste contexto, o acordo de Marrakech que limitou investimentos florestais no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) a apenas projetos de aflorestação ou reflorestamento (A/R) gerou algumas frustrações. Estas foram reforçadas pelas barreiras à entrada criadas no Painel de Metodologias de Linha de Base, e no próprio Conselho Executivo do MDL, que apenas registrou 14 projetos florestais ao longo do primeiro período de compromisso, nenhum dos quais localizados no Brasil. Ainda de acordo com o autor, os custos de transação necessários para vencer os obstáculos à aprovação de um projeto de qualquer natureza pelos procedimentos do MDL são estimados em torno de US$ 150 mil por projeto, fazendo com que unicamente projetos comerciais ou de grande porte tenham sido considerados. Segundo VEIGA et al, (2008), mesmo assim, deve ser lembrado que o Protocolo de Kyoto somente permitiu atividades associadas com florestas e mudança no uso do solo que implicassem reflorestamento ou aflorestamento onde não havia florestas antes. Neste sentido, o mercado voluntário de carbono, permaneceu, até o momento, como a principal porta de entrada para projetos de carbono florestal. Segundo MAY et al, (2010), projetos florestais começaram a fazer parte do mercado global de crédito de Carbono no início da década de 1990, quando organizações não-governamentais, indústrias e outras empresas formaram parcerias para conservar e plantar árvores com o principal objetivo de neutralizar as suas emissões de

40 44 gases de efeito estufa por intermédio da captura de Carbono pelas árvores plantadas. Embora os projetos de Carbono florestal tenham sido os primeiros a fazer parte do mercado de compensação de Carbono, eles logo foram colocados de lado por políticas regulatórias sobre gases de efeito estufa. Como foi citado anteriormente, apenas 14 projetos florestais foram registrados pelo MDL até a presente data, totalizando 0,453 milhões de toneladas de CO2 (MtCO2) por ano em redução de emissões (cálculos de acordo com UNFCCC, 2010). Desta forma, a grande maioria dos projetos florestais, não conseguindo financiamento no mercado regulamentado ( compliance market ), foi capturada pelos mercados voluntários. Alguns compradores foram atraídos por essa categoria de compensação tangível, baseada na terra e outros co-benefícios socioambientais, e outros abriram mão da complexidade e riscos inerentes a projetos de compensação de Carbono baseado em florestas. Atualmente, o mercado de Carbono florestal é bem diverso, tanto pelo lado da demanda quanto pelo da oferta. Muitos créditos foram produzidos e comercializados meramente com fins de filantropia e muitos outros foram criados como commodities para serem vendidos nos mercados regulamentados e voluntários. Para tanto, a evolução dos padrões de certificação e validação dos projetos no mercado voluntário tem permitido que estes ganhem credibilidade e sejam vistos como complementos ao mercado regulamentado (SIMONIS, 2009). A Ecosystem Marketplace (HAMILTON, 2009), projeto da entidade Forest Trends, monitorou projetos que geraram créditos durante os últimos 20 anos, tanto nos mercados voluntários quanto nos mercados regulamentados. Mesmo se referindo a projetos com diferentes características e com os ativos comercializados tendendo a representar valores e conceitos distintos, esses ativos são geralmente considerados em toneladas de dióxido de Carbono (tco2). Segundo MAY et al, (2010), os mercados voluntários estão representados pelo mercado Over-the-Counter (OTC) e pelo mercado Chicago Climate Exchange (CCX). A categoria de mercados regulamentados relevantes ao Brasil inclui o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Unidade de Quantidade Atribuída (Quioto Assigned Amount Units - AUU's), os quais são restritos para comercialização entre as partes do Anexo I. Conforme mencionado acima, até a realização deste estudo,

41 45 somente dois projetos florestais brasileiros chegaram ao estágio de consideração para registro pelo Conselho do MDL 11 (UNFCCC, 2010). Tabela 1 - Volume e valor do mercado global de Carbono Florestal Fonte: HAMILTON et al, (2009) De acordo com a tabela, ao longo dos anos até 2008, a maioria dos acordos baseados no Carbono florestal (73% ou 15MtCO2) ocorreu no mercado voluntário OTC. O mercado CCX tem sido responsável por 12,5% (2,6 MtCO2) do total de transações. Combinados, os mercados regulamentados pelo Protocolo de Kyoto comercializaram 1,3 MtCO2 (6,25%). Mais da metade dessas transações foram originadas pelo MDL (MDL A/R), que representam 0,5 MtCO2, ou apenas 4% do mercado global de créditos de Carbono florestal (MAY et al, 2010). No geral, o volume de transações permaneceu baixo até Com a proximidade do primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto, em 2007 o volume de comercialização cresceu a olhos vistos, em 226%, para alcançar 5,1 MtCO2. O ano de 2008 viu um crescimento tímido em relação aos níveis do ano anterior, até 5,3 MtCO2. Essa tendência de crescimento provavelmente continuou em 2009, com os proponentes de projetos reportando um total de 3,7 MtCO2 comercializadas nos dois primeiros quadrimestres do ano. A crise financeira global abalou tanto o preço quanto o volume de transações neste mercado, junto com todos os demais mercados de risco (POINT CARBON, 2010). 11 Trata-se de um projeto de redução de emissões por cerâmicas, promovido pelo programa Carbono Social da Entidade Ecológica. Um projeto anterior, financiado pelo governo de São Paulo, vendeu certificados de redução de emissões na mesma instância anteriormente.

42 46 Gráfico 1 - Evolução do mercado de Carbono florestal até meados de 2009 Fonte: HAMILTON et al, (2009) Segundo MAY et al, (2010) os preços pelos créditos de Carbono florestal variaram de US$ 0,65/tCO2 a mais de US$ 50/tCO2. Ao longo do tempo, o preço médio ponderado foi de US$ 7,88/tCO2. Os mercados regulamentados, em geral, obtiveram os preços mais elevados, com um preço médio de US$ 10,24/tCO2, seguido pelo mercado voluntário OTC com US$ 8,44/tCO2. Os preços médios para os tcer's (certificados temporários), que devem ser substituídos ou reeditados no fim do seu período de crédito, foram significativamente mais baixos, alcançando US$ 4,76/tCO2. Os créditos mais baratos foram comercializados pelo mercado CCX, com um preço médio de US$ 3,03/tCO2. Estes preços tendem a flutuar, tendo como índice como o restante do mercado de Carbono o mercado global de combustíveis fósseis: quando o preço dos combustíveis aumenta, sinaliza a escassez, e a reação dos agentes é de procurar um mercado hedge (SIMONI, 2009). Mesmo com um futuro mais escasso quanto à disponibilidade de petróleo, as incertezas na regulação do clima têm afetado a estabilidade do preço do Carbono, que sofreu uma queda significativa no mercado voluntário pós-copenhague. Se houver inclusão de off-sets florestais na legislação norte americana em discussão, pode-se prever uma valorização de ativos em projetos florestais certificados por padrões internacionais. HAMILTON et al, (2009) relatam que o valor total de mercado de Carbono florestal registrado até a primeira metade de 2009 foi de US$ 149,2 milhões, dos quais cerca de US$ 137,6 milhões vieram do mercado voluntário e US$ 11,6 milhões dos

43 47 mercados regulamentados. Cabe mencionar que este valor está apenas em torno de 0,1% do valor do mercado de carbono como um todo (US$ 143,7 bilhões em Grande parte deste valor (66%) foi gerada recentemente, de 2007 até a primeira metade de 2009, devido à comercialização de grandes volumes a preços mais elevados. Um interesse geral no mercado voluntário, juntamente com padrões e infraestrutura bem estabelecidos, contribuíram para aumentar esse valor total. Mesmo assim, o valor do CER de carbono florestal, está em geral menos da metade do valor médio de carbono no mercado europeu, que foi de US$ 18,70 em 2009, mesmo após o colapso dos preços que acompanhou a crise financeira mundial. Ainda há uma percepção de maior risco associado a estes ativos no mercado financeiro. A América do Norte (7,2 MtCO2) e a América Latina (3,9 MtCO2) estão no topo da lista de lugares que mais comercializaram créditos de Carbono florestal, respondendo por 39% e 22% do total de transações, respectivamente. A Oceania, que consiste principalmente de projetos na Austrália, segue com 16% do volume de transações, enquanto a África é responsável por 11% das transações, e a Ásia e a Europa respondem por 6% e 4%, respectivamente. Quando o valor total para cada região é considerado, o ranking entre mercados é: US$ 37 milhões para Oceania, US$ 35,5 milhões para América Latina, US$32 milhões para América do Norte, US$ 20,9 milhões para África, US$ 9,9 para Ásia e US$ 6 milhões para Europa. É evidente que a América Latina, devido à sua vocação florestal, vai continuar no topo deste ranking de investimentos neste setor. No entanto, proponentes de projetos de Carbono florestal na Mata Atlântica devem ficar atentos aos riscos percebidos nestes investimentos, que reduzem o valor dos ativos e dificultam o acesso ao mercado. MAY, et al, (2010). Ainda de acordo com o autor, a maioria dos créditos comercializados provém de projetos de A/R com 63%, seguidos por projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) com 17% e projetos de Manejo Florestal Sustentável (MFS) com 13%. Em 2008, projetos de A/R permaneceram no topo da lista de geradores de créditos (53%). Projetos que combinam REDD, A/R e MFS surgiram na segunda posição com 24% do volume total, seguidos por projetos de MFS com 20%. De acordo com MAY et al, (2010) padrões estão sendo cada vez mais utilizados para o estabelecimento de benchmarks de qualidade e consistência. O mercado OTC de créditos de Carbono exibe uma intensificação no uso de padrões, particularmente

44 48 aqueles que enfatizam os co-benefícios entre projetos de Carbono florestal e outros serviços ambientais, emprego e uso sustentável. Ao longo do tempo, 86% de todos os créditos de Carbono foram originados de projetos que utilizam padrões, sejam aqueles desenvolvidos internamente ou aplicados por outras organizações. A certificação por padrões de outras organizações aumentou significativamente, de meros 15% em 2002 para a marca de 96% na primeira metade de 2009, indicando a maior credibilidade de certificação independente e voluntária. Os padrões se diferenciam, basicamente, em duas categorias: aqueles que focam na qualidade da medição e no monitoramento da quantidade de Carbono, e aqueles que focam em qualidade além do Carbono (cobenefícios, como, por exemplo, questões sócio-ambientais). Ainda de acordo com o autor, entre os mercados, 23% de todos os créditos vindos de projetos validados por padrões de outras organizações adotaram a conformidade com os padrões Climate, Comunity and Biodiversity (CCB). Isso corresponde a 3,7 MtCO2 de redução de gases de efeito estufa. O predomínio de créditos certificados pelos padrões CCB aponta para uma demanda histórica para créditos de Carbono florestal com co-benefícios ambientais e sociais, mas não necessariamente estão correlacionados com reduções de emissões de gases de efeito estufa comprovadas. Projetos certificados pelos padrões CCB tem a opção de não se sujeitar a padrões de verificação. Outros 16% dos créditos estão em conformidade com os padrões CCX (emitidos pelo Chicago Climate Exchange). Outros esquemas de certificação populares incluem o NSW GGAS (11%, ou 1,8MtCO2), padrão adotado no programa de redução de emissões de New South Wales, na Austrália, padrões CGSCOV (10%, ou 1,6 MtCO2) e Greenhouse Friendly (6%, ou 1 MtCO2). Créditos comercializados por projetos registrados sob o MDL correspondem a 3% dos créditos certificados. Outros 12% dos créditos foram certificados por padrões internos, enquanto 10% do total de créditos entre todos os tipos de mercados não foram certificados. (MAY et al, 2010). Em meio a um cenário de oportunidades e riscos que enfrenta o mercado para serviços ambientais, investidores ainda estão de olho em créditos de Carbono florestal, entretanto, muitos estão à espera de sinais de regulamentação melhor definidos antes de dar um salto financeiro. Mesmo sem as certezas do mercado, infraestrutura e ferramentas de medição e monitoramento continuam a amadurecer rapidamente,

45 49 servindo como fundações para o financiamento de projetos de Carbono florestal nos anos vindouros (HAMILTON et al, 2009).

46 50 CAPÍTULO 3. SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS 3.1.Funções ecossistêmicas Ainda que seu conceito seja remoto, o interesse pelos ecossistemas enquanto elemento de pesquisa é relativamente recente, tendo assumido considerável importância por conta da crescente preocupação sobre as conexões entre a situação dos ecossistemas, o bem-estar das populações humanas e os impactos negativos que mudanças drásticas nos fluxos de serviços essenciais prestados pelos ecossistemas podem ter sobre o bem-estar das sociedades. Os ecossistemas são sistemas que englobam as complexas, dinâmicas e contínuas interações entre seres vivos e não vivos em seus ambientes físicos e biológicos, nos quais o homem é parte integral (MAY, 2003). Segundo a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (MEA, 2003), os ecossistemas são sistemas que englobam as interações complexas e dinâmicas entre os seres vivos e não vivos em seus ambientes físicos e biológicos, nos quais o homem faz parte. A compreensão da dinâmica dos ecossistemas requer um esforço da identificação das funções ecossistêmicas, as quais podem ser definidas como as interações existentes entre os elementos estruturais de um ecossistema, incluindo transferência de energia, ciclagem de nutrientes, regulação de gás, regulação climática e do ciclo da água (DALY; FARLEY, 2004). Segundo MAY (2010), esse gigantesco esforço realizado por uma rede de milhares de cientistas entre 2002 e 2005, concluiu que mais de 60% dos ecossistemas do mundo têm sido utilizado de forma não sustentável. De maneira geral, uma função ecossistêmica passa a ser considerada um serviço ecossistêmico quando ela apresenta a possibilidade de ser utilizada para fins humanos. Neste sentido, para que haja um serviço ecossistêmico, se faz necessária uma análise que considere as inter-relações dos ecossistemas, de tal maneira que seja mantida a capacidade dinâmica dos ecossistemas em gerar seus serviços, bem como seus impactos adversos sobre bem-estar humano (LIMBURG; FOLKE; 1999; MEA, 2005). De GROOT (et al, 2002) propõem quatro categorias de funções ecossistêmicas: funções de regulação; funções de habitat; funções de produção e funções de informação. As duas primeiras classes proporcionam suporte e manutenção dos processos e componentes naturais, contribuindo para a provisão das demais funções (Figura 1).

47 51 A Avaliação Ecossistêmica do Milênio (MEA, 2005) propõe uma classificação dos serviços ecossistêmicos como: serviços de fornecimento; serviços de regulação; serviços culturais e serviços de suporte. Figura 1 Funções ecossistêmicas segundo categorias Fonte: adaptado de De Groot (et al, 2002, p ). De maneira geral, as funções ecossistêmicas podem gerar os respectivos serviços ecossistêmicos da seguinte maneira: (a) as funções de regulação, por meio da regulação dos processos ecológicos, geram os serviços de regulação, relacionadas com a manutenção da qualidade do ar e regulação climática, controle de erosão, purificação de água, tratamento de resíduos, regulação de doenças humanas, regulação biológica, polinização e proteção de desastres (mitigação de danos naturais). Sua avaliação se dá pela análise da capacidade dos ecossistemas regularem determinados serviços; (b) as funções de habitat, podem gerar os serviços de suporte, que são aqueles necessários

48 52 para a produção dos outros serviços ecossistêmicos, tais como a produção primária, produção de oxigênio atmosférico, formação e retenção de solo, ciclagem de nutrientes, ciclagem da água e provisão de habitat. Eles se diferenciam das demais categorias na medida em que seus impactos sobre o homem são indiretos e/ou ocorrem no longo prazo; (c) as funções de produção se relacionam com os serviços de fornecimento, que incluem os produtos obtidos dos ecossistemas, tais como alimentos e fibras, madeira para combustível e outros materiais que servem como fonte de energia, recursos genéticos, produtos bioquímicos, medicinais e farmacêuticos, recursos ornamentais e água. Sua sustentabilidade deve ser medida por meio de uma análise que considere a qualidade e o estado do estoque do capital natural que serve como base para sua geração, atentando para restrições quanto à sustentabilidade ecológica; (d) as funções de informação, relacionadas com os serviços culturais, que incluem a diversidade cultural, na medida em que a própria diversidade dos ecossistemas influencia a multiplicidade das culturas, valores religiosos e espirituais, geração de conhecimento (formal e tradicional), valores educacionais e estéticos. Estes serviços, por estarem intimamente ligados a valores e comportamentos humanos, bem como às instituições e padrões sociais, dificultam de certa forma a avaliação de sua provisão (ANDRADE; ROMEIRO, 2009). Entretanto, a relação entre as funções e os serviços ecossistêmicos geralmente apresenta um caráter multidimensional, onde um serviço ecossistêmico pode ser o produto de duas ou mais funções, ou uma única função pode gerar mais que um serviço ecossistêmico (DE GROOT, et al., 2002). 3.2 Serviços Ecossistêmicos O entendimento da dinâmica dos ecossistemas requer um esforço de mapeamento das chamadas funções ecosistêmicas, as quais podem ser definidas como as constantes interações existentes entre os elementos estruturais de um ecossistema, incluindo transferência de energia, ciclagem de nutrientes, regulação de gás, regulação climática e do clico da água (DALY; FARLEY, 2004). O conceito de funções ecossistêmicas é relevante no sentido de que por meio delas se dá a geração dos chamados serviços ecossistêmicos, que são os benefícios diretos e indiretos obtidos pelo homem a partir dos ecossistemas. Dentre eles pode-se citar a provisão de alimentos, a regulação climática, a formação do solo etc. (DAILY, 1997).

49 53 De acordo com ROMEIRO e ANDRADE (2009), tal como no caso dos ecossistemas, o conceito de serviços ecossistêmicos é relativamente recente, sendo utilizados pela primeira vez no final da década de As funções ecossistêmicas são reconceitualizadas enquanto os serviços de ecossistema na medida em que determinada função traz implícita a idéia de valor humano. De modo geral, uma função ecossistêmica gera um determinado serviço ecossistêmico quando os processos naturais subjacentes desencadeiam uma série de benefícios direta ou indiretamente apropriáveis pelo ser humano, incorporando a noção de utilidade antropocêntrica. Em outras palavras, uma função passa a ser considerada um serviço ecossistêmico quando apresenta possibilidade/potencial de ser utilizada para fins humanos (HUETING, et al., 1997). Quanto aos serviços ecossistêmicos, estes podem ser classificados de maneira semelhante às funções ecossistêmicas. Para aqueles a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (MEA, 2003) propõe uma classificação similar àquela, na qual se tem quatro categorias, quais sejam: i. serviços de provisão (ou serviços de abastecimento); ii. Serviços de regulação; iii. Serviços culturais; e iv. Serviços de suporte.

50 54 Figura 2 - Serviços ecossistêmicos segundo categorias Fonte: adaptado de MA (2003, p. 57). Os serviços de provisão incluem os produtos obtidos dos ecossistemas, tais como alimentos e fibras, madeira para combustíveis e outros materiais que servem como fonte de energia, recursos genéticos, produtos bioquímicos, medicinais e farmacêuticos, recursos ornamentais e água. Segundo ANDRADE e ROMEIRO (2009), quanto aos serviços de regulação, estes relacionam com as características regulatórias dos processos ecossistêmicos, como manutenção da qualidade do ar, regulação climática, controle de erosão, purificação de água, tratamento de resíduos, regulação de doenças humanas, regulação biológica, polinização e proteção de desastres (mitigação de danos naturais), sendo derivados quase que exclusivamente das funções ecossistêmicas classificadas na categoria de regulação, discutidas anteriormente. Diferentemente dos serviços, sua avaliação não se

51 55 dá pelo seu nível de produção, mas sim pela análise da capacidade dos ecossistemas regularem determinados serviços. Ainda de acordo com os autores, os serviços culturais (também conhecidos como serviços de informação ) incluem a diversidade cultural, na medida em que a própria diversidade dos ecossistemas influencia a multiplicidade das culturas, valores religiosos e espirituais, geração de conhecimento (formal e tradicional), valores educacionais e estéticos, etc. Estes serviços são intimamente ligados a valores e comportamentos humanos, bem como às instituições e padrões sociais, características que fazem com que a percepção dos mesmos seja contingente a diferentes grupos de indivíduos, dificultando sobremaneira e avaliação de sua provisão. Os serviços de suporte são aqueles necessários para a produção dos outros serviços ecossistêmicos. Eles se diferenciam das demais categorias na medida em que seus impactos sobre o homem são indiretos e/ou ocorrem no longo prazo. Como exemplos, se pode citar a produção primária (quantidade total de matéria orgânica fixada pelos seres autótrofos, incluindo, inclusive, a parte por eles utilizada nos processos respiratórios), produção de oxigênio atmosférico, formação e retenção do solo, ciclagem de nutrientes, ciclagem da água e provisão de habitat. Em um cenário de contínua degradação dos ecossistemas, o alcance do desenvolvimento sustentável requer um melhor entendimento da medida da dependência humana com relação aos serviços ecossistêmicos e, por conseguinte, da vulnerabilidade do bem-estar humano em relação às mudanças nos ecossistemas (EFTEC, 2005) Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PSE) De acordo com MAY (2010), há certa confusão na literatura entre os conceitos de serviços ambientais e serviços ecossistêmicos. Serviços ecossistêmicos foram definidos por DALY (1997) como os serviços prestados pelos ecossistemas naturais e as espécies que os compõe, na sustentação e preenchimento das condições para a permanência da vida humana na terra. Serviços ambientais são mais relacionados com os resultados desses processos, ou ainda, quando se deseja atrelar as ações antrópicas associadas à restauração e manutenção dos serviços ecossistêmicos, enquanto as funções dos ecossistemas são mais associadas com a sua origem.

52 56 Ainda de acordo com o autor, como estes conceitos tendem a ser usados de maneira intercambiável, a me tomo como base a definição de serviços ecossistêmicos, baseado no que propõe a economia ecológica que ao contrário da economia ambiental, enxerga o sistema econômico como um subsistema do sistema ambiental, o que ocasiona uma restrição física à expansão ilimitada da economia. Trata-se de um campo de estudos transdisciplinar, estabelecido em data recente, que visualiza a economia como um subsistema de um ecossistema físico global e finito (MARTÍNEZ; ALIER, 2007). Segundo GELUDA e YOUNG (2005), os sistemas de PSE têm como premissa básica o reconhecimento de que o meio ambiente fornece gratuitamente uma gama de bens e serviços que são de interesse direto ou indireto do ser humano, permitindo sua sobrevivência e seu bem-estar. No entanto, o potencial da natureza em oferecer os serviços ecossistêmicos vem se enfraquecendo em decorrência do modelo socioeconômico vigente que é predominantemente degradante ao meio ambiente. A deficiente gestão do patrimônio natural e a carência de incentivos econômicos relacionados com a conservação ambiental são as causas determinantes para essa realidade (PAGIOLA; PLATIS, 2003). O atual desafio está na busca por soluções diferenciadas para este problema, e entre elas temos como uma das principais opções os sistemas de pagamento por serviços ecossistêmicos. A idéia central dos sistemas de Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos é permitir que os beneficiários de um serviço ambiental possam fazer pagamentos diretos, contratuais e condicionados aos produtores de serviços ambientais, em retorno à adoção de práticas que asseguram a conservação e a restauração dos ecossistemas (WUNDER, 2005). Ou seja, o beneficiário faz uma contrapartida visando o fluxo contínuo e a melhoria do serviço demandado. Os pagamentos podem ser vistos como uma fonte adicional de renda, sendo uma forma de ressarcir os custos encarados pelas práticas conservacionistas do solo que permitem o fornecimento dos serviços ecossistêmicos. Esse modelo complementa o consagrado princípio do poluidor-pagador, dando foco ao fornecimento do serviço: é o princípio do provedor-recebedor, onde o usuário paga e o conservacionista recebe.

53 57 Entre os principais instrumentos que os defensores da justiça ambiental têm proclamado para avançar com os seus ideais estão o princípio do poluidor pagador e o princípio de precaução. O princípio do poluidor pagador procura assegurar que o poluidor assuma o custo total da prevenção e do controle da poluição enquanto que o princípio de precaução tem por objetivo antecipar a adoção de medidas relativas a uma fonte potencialmente causadora de danos sem que seja necessária a disponibilidade de certezas científicas quanto às relações de causa e efeito (DALY; FARLEY, 2004). O passo inicial para a existência de um Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE) é a comprovação de que pelo menos um dos serviços está beneficiando algum agente interessado. Este agente deve ter uma disposição voluntária a pagar pela manutenção do fornecimento do serviço ou precisa existir algum instrumento legal impondo a contrapartida. Porém, a implantação de sistemas de PSE não é simples, existindo diversos pré-requisitos e etapas a serem superados (KING; LETSAOLO; RAPHOLO, 2005). É necessário evidenciar a relação de causa e efeito entre o fornecimento ou melhoria de um serviço e um determinado tipo de uso de solo para se confirmar quem está fornecendo o serviço muitas vezes essa relação é imprecisa (LANDELL; MILLS; PORRAS, 2002). É imprescindível estruturar um sistema de monitoramento para verificar as eficiências social, econômica e ambiental do PSE. Deve-se acompanhar o fluxo e qualidade dos serviços prestados e dos pagamentos, para assegurar a credibilidade do sistema. Outro ponto importante é a precificação dos serviços, pois a maioria deles não possui preço de mercado. O valor de todo estoque de capital é dado pelo valor presente dos fluxos de renda futura por ele gerados. Considerando que os ecossistemas são estoques de capital natural, tem-se que seu valor também é definido pelo valor presente dos fluxos de renda (natural) futura providos, sendo que, no caso dos ecossistemas, tais fluxos equivalem aos serviços ecossistêmicos (DAILY, et al., 2000). O exercício de valorar os ecossistemas significa, portanto, captar o valor dos serviços por ele gerados.

54 58 Neste sentido, o valor deve refletir o real benefício obtido pelo favorecido e deve satisfazer os interesses dos fornecedores (cobrir, ou ao menos contribuir para cobrir, os custos líquidos encarados por estes). A precificação deve ser obtida usando-se técnicas de valoração dos recursos ambientais, em um processo intenso de negociações entre as partes envolvidas. (GELUDA; YOUNG, 2005). Ainda de acordo com os autores, o funcionamento eficiente desse sistema poderá representar uma importante ferramenta visando à conservação ambiental. Simultaneamente, poderá beneficiar financeiramente os fornecedores dos serviços. Assim, pode-se dizer que o objetivo de sistemas de PSE é garantir o fluxo contínuo dos serviços ambientais através da articulação e motivação dos atores envolvidos (provedores e beneficiários). Mas nem sempre os esquemas de PSE poderão ser implantados. Eles devem ser adotados com devida cautela, apenas em conjunturas onde poderão surtir melhor eficácia na gestão do meio ambiente. 3.4 Experiências Brasileiras com Pagamentos e Serviços Ecossistêmicos A base de dados para análise dos projetos foi colhida do relatório intitulado: Iniciativas de Carbono Florestal na Mata Atlântica: Oportunidades para Pagamento por Serviços Ambientais, elaborado por Peter May (coordenador) e com o apoio de Jorge L. Vivan, Eduardo Correa e Vinicius Azeredo, com data de publicação em junho de Segundo MAY (et al, 2010), o relatório é produto de consultoria e levantamentos realizados por solicitação da GTZ e MMA/SBF para subsidiar uma chamada de apoio a projetos no âmbito do Fundo de Conservação da Mata Atlântica AFCOF II/Funbio voltado ao financiamento de iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) no bojo do Projeto Mata Atlântica, financiado pela KfW. Sendo assim, trata-se de resumir a sistematização de projetos em execução, que envolvem a valorização do ativo florestal através do mercado de Carbono na Mata Atlântica. Nessa sistematização, foram privilegiados principalmente os projetos que visam à restauração e manutenção das funções dos ecossistemas do bioma, embora, em alguns casos, projetos envolvam plantios de espécies exóticas e de agroflorestais, enriquecidas com espécies nativas. Também foram enfatizados os projetos que tenham benefícios sócio-ambientais e não somente capturam ou protegem estoques de carbono. Ao todo, foram analisados 34 projetos ou programas, no entanto cabe aqui destacar e analisar apenas 05, afim de que se possa extrair no final desta análise, alternativas ao município de Paulo Lopes no tocante à produção agroecológica. Os

55 59 projetos analisados estão distribuídos entre os estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Foram identificados 05 projetos ou programas que já estão em execução, alguns dos quais já de longa data, que fornecem importantes lições apreendidas, fundamentados em plantios, monitoramento, certificação, financiamentos e pagamentos para serviços ambientais. Seguem breve resumo das experiências em curso no Brasil, conforme citado anteriormente. Instituto BioAtlântica - Parque de Carbono: Restauração Florestal no Parque Estadual da Pedra Branca Trata-se de um Projeto que é executado pelo Instituto BioAtlântica visando fortalecer a proteção de remanescentes de Mata Atlântica no Parque Estadual da Pedra Branca, localizado no município do Rio de Janeiro. Conta com a parceria do Instituto Estadual do Ambiente, Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro e a Coordenadoria de Recuperação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro. O projeto pretende recuperar áreas degradadas no interior de Unidades de Conservação, através de regeneração assistida e enriquecimento com espécies nativas, preferencialmente favorecendo a criação de corredores ecológicos. Neste caso, o projeto pretende investir na regularização ambiental e aplicar a metodologia do CCBA (Clima, Comunidade e Biodiversidade) para a realização do inventário do estoque de carbono existente nas áreas protegidas, e estimar a capacidade de neutralização de emissão de Gases de Efeito Estufa com a preservação das reservas, recomposição de áreas de reserva legal, preservação permanente e reflorestamentos. O CCBA foi escolhido devido aos critérios sócio-ambientais utilizados, e o processo de certificação será iniciado concomitante com as atividades de restauração, ficando a cargo da contratante. A contrapartida esperada ocorrerá por parte do Estado na figura do INEA (órgão ambiental), através da proteção efetiva da unidade de conservação e o apoio na captação de investidores. O projeto celebrará contratos de prestação de serviços entre as partes e buscará recursos junto a empresas. Os pagamentos serão realizados da seguinte forma: adiantamento de 70% no início e o restante ao longo do contrato, de acordo com as

56 60 entregas dos créditos. A base legal de remuneração será a celebração de contrato de prestação de serviços de restauração florestal entre organização sem fins lucrativos e empresas investidoras, com base em Termo de Cooperação Técnica (sem transferência de recursos) entre esta mesma organização e o órgão público responsável pela unidade de conservação. Segundo ANDRADE e ROMEIRO (2009), o serviço ecossistêmico relacionado é o serviço de regulação, especificamente a regulação climática, através da neutralização da emissão de gases de efeito estufa. RURECO - Agricultura Ecológica e Serviços Sócio Ambientais. A Fundação RURECO é a organização executora deste projeto, tendo como parceiros o Centro Ecológico Ipê, o Centro de Treinamento Pecuarista, o Comité de Iglesias Para Ayudas de Emergência, ICCO e KERKINACTIE, agências de cooperação da Holanda, além de outros apoiadores que mantém relações com cada uma das entidades que integram as ações do projeto, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério do Meio Ambiente, através do PDA. O projeto tem ligações com outros projetos desenvolvidos por organizações ligadas a Rede Ecovida de Agroecologia, como o projeto desenvolvido pela Ecovida junto ao PDA. Este segundo projeto se desenvolve na Região Centro Oeste do Paraná, conhecida como Campos Gerais do Paraná, envolvendo os municípios Guarapuava, Pinhão, Turvo, Novo Laranjeiras, Cantagalo, Santa Maria do Oeste, Boa Ventura de São Roque e Reserva do Iguaçu, e no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, nos municípios de Dom Pedro de Alcântara e Torres, e Castro na Província Alto Paraná, no Paraguai. Está sendo implementado em 400 propriedades com extensão variando de 1 a 10 hectares e com área total de 1500 ha, contendo remanescentes de Mata Atlântica de altitude e de interior. As estratégias do projeto para a redução de emissões são evitar o desmatamento e a degradação das áreas protegidas, principalmente em RL e APP, através de regeneração assistida e enriquecimento com espécies nativas, ao mesmo tempo em que promove a restauração/regeneração das áreas degradadas através da implantação de Sistemas Agroflorestais. O retorno obtido com os créditos de carbono será revertido em pagamento aos proprietários e como recuperação do investimento feito no projeto. Além disso, o

57 61 projeto busca recursos junto a empresas e fundos ambientais, onde os pagamentos ocorrerão ao longo da prestação dos serviços através do repasse de recursos para associações ou cooperativas. A base para a remuneração serão as associações e cooperativas, com partilha proporcional aos serviços prestados. Instituto Arvorar - Carbono, Biodiversidade e Renda no Pontal do Paranapanema O Projeto é executado pelo Instituto Arvorar visando fortalecer a proteção de remanescentes de Mata Atlântica através de práticas sustentáveis e SAF s na região do Pontal do Paranapanema, no interior de São Paulo. Tem como parceiros a Vicar Agropecuária/Fazenda Rosanela. O projeto encontra-se em operação em um conjunto de propriedades cuja extensão total é de aproximadamente 430 hectares, abrangendo 10 propriedades com extensão de 0 a 10 ha, 01 propriedade com extensão de 51 a 100 e 01 assentamentos de reforma agrária com extensão de 100 a 500 ha. O Projeto tem o objetivo de estimular a geração de renda com a implantação de SAFs em lotes de agricultores assentados de reforma agrária, através da restauração florestal, onde os proprietários participantes receberão assistência técnica no processo da produção, plantio e monitoramento da área a ser reflorestada com mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. Além disso, o projeto capta recursos através da comercialização de créditos de carbono, celebrando contratos de compra e venda de créditos entre as partes. As operações de venda de créditos de carbono foram realizadas tomando por base o valor por tonelada de carbono certificado. Os executores do projeto se encontram em negociação com stakeholders. Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS) Programas de Conservação da Mata Atlântica. A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) é uma ONG que trabalha pela conservação da natureza, através da proteção de áreas nativas, da recuperação de áreas degradadas, de ações de educação ambiental e do desenvolvimento de modelos para o uso racional dos recursos naturais. Sua atuação é focada em dois biomas: Florestas com Araucária e Campos Naturais e remanescentes da Floresta Atlântica brasileira. Entre as iniciativas desenvolvidas pela SPVS, estão os projetos listados abaixo: - Ação Contra o Aquecimento Global: projeto executado em parceria com The Nature

58 62 Conservancy e American Electric Power, no município de Guaraqueçaba, Estado do Paraná. Está sendo implementado em um conjunto de propriedades com uma área média total de 6700 ha, que possuem áreas de Mata Atlântica costeira. O projeto tem duração prevista de 40 anos. - Restauração da Floresta Atlântica: executado em parceria com a General Motors e a The Nature Conservancy, no município de Antonina, Estado do Paraná. Está sendo implementado em um conjunto de propriedades com uma área média total de 8600 ha, que possuem remanescentes de Mata Atlântica costeira. O projeto tem duração prevista de 40 anos. - Projeto Piloto de Reflorestamento: executado em parceria com a Chevron e a The Nature Conservancy, no município de Antonina, Estado do Paraná. Está sendo implementado em um conjunto de propriedades com uma área média total de 3300 ha, que possuem remanescentes de Mata Atlântica costeira. O projeto tem duração prevista de 40 anos. As estratégias utilizadas nos projetos para redução de emissões de carbono são semelhantes e consistem em envolver os proprietários de terras que possuem áreas bem conservadas, ajudando-os a continuar protegendo-as com apoio financeiro de empresas interessadas em compensar suas emissões de gases de efeito estufa, e proprietários que possuem áreas degradadas, investindo na restauração e regeneração dessas áreas. As estratégias utilizadas pelos projetos encontram-se abaixo: - Ação contra o aquecimento global: apoio financeiro de empresas interessadas em compensar suas emissões de gases de efeito estufa aos proprietários de áreas bem conservadas para que continuem protegendo-as com apoio financeiro. Além disso, o projeto investe na restauração e regeneração de áreas degradadas através de ações de reflorestamento. - Restauração da Mata Atlântica: o projeto prevê acesso ao mercado de carbono com o objetivo de subsidiar recursos financeiros para a manutenção do projeto. Todas as áreas participantes são consideradas como unidades de conservação de uso indireto. Para se alcançar esses objetivos, o projeto já tem sua localização definida, as negociações com stakeholders encontram-se em andamento e a linha de base foi calculada. O processo de certificação da metodologia do Programa será iniciado, e o mesmo deverá sofrer adaptações para atender aos requisitos do certificado a ser escolhido. - Projeto Piloto de Reflorestamento: O projeto prevê o acesso ao mercado de carbono

59 63 com o objetivo de subsidiar recursos financeiros para a manutenção do projeto. Todas as áreas participantes são consideradas como unidades de conservação de uso indireto e são captados recursos junto a empresas que queiram investir no projeto. Para se alcançar esses objetivos, o projeto já tem sua localização definida, as negociações com stakeholders encontram-se em andamento e a linha de base foi calculada. O processo de certificação da metodologia do Programa será iniciado, e o mesmo deverá sofrer adaptações para atender aos requisitos do certificado a ser escolhido. O acordo entre as partes é realizado através da assinatura de contratos, que definem como será utilizado o investimento realizado através dos convênios com as empresas públicas e/ou privadas, mas em geral os pagamentos serão realizados no início da prestação de serviços. Fundação O Boticário de Proteção à Natureza Projeto Oásis. O Projeto Oásis foi criado em 2006 pela Fundação O Boticário visando fortalecer a proteção de remanescentes de Mata Atlântica e ecossistemas associados na Área de Proteção aos Mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, especificamente na bacia hidrográfica da represa de Guarapiranga, e nas Áreas de Proteção Ambiental municipais do Capivari-Monos e Bororé-Colônia, em Apucarana, Paraná, abrangendo uma região de aproximadamente 82 mil hectares. Tem como parceiros a Mitsubishi Corporation Foundation for the Américas e SANEPAR - Empresa de Saneamento e abastecimento do Paraná, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo e a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Losso, Tomasetti & Leonardo Sociedade de Advogados Associados, Fundação Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê - FABHAT e a Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Apucarana. As ações deste projeto contribuem com a manutenção em longo prazo de um manancial estratégico para esta metrópole. O principal diferencial do projeto é o apoio técnico e financeiro à conservação de áreas naturais em propriedades particulares, destinado a proprietários que se comprometam a conservar estes remanescentes, por intermédio de contratos de premiação por serviços ecossistêmicos. O projeto abrange áreas nos Estados de São Paulo e Paraná. Em são Paulo, encontra-se em implementação na Região Metropolitana, mais especificamente na bacia hidrográfica da represa de Guarapiranga, e nas Áreas de Proteção Ambiental municipais do Capivari-Monos e Bororé-Colônia.

60 64 Nesta região fazem parte do projeto um conjunto de 13 propriedades com extensão variando de 4,6 a 269,9 hectares, totalizando 657 hectares de floresta contratados, contendo remanescentes de Mata Atlântica e ecossistemas associados. No Paraná, localiza-se na Bacia do Rio Pirapó, no município de Apucarana, envolvendo proprietários rurais, sendo que essas propriedades apresentam um tamanho médio de 40 hectares, totalizando, aproximadamente, 2560 hectares. Estão aptas a participar do projeto propriedades rurais que possuem Áreas de Preservação Permanente (APP) com florestas ou com projeto de recuperação em andamento, reserva legal averbada e plantio direto (quando cabível). O projeto visa a conter o desmatamento através da manutenção de áreas com remanescentes de floresta, principalmente em APPs, impedindo que as áreas degradadas se alastrem. Os proprietários são incentivados em realizar o plantio de espécies nativas da região e manter intactas as nascentes com suas matas ciliares protegidas. O projeto tem como objetivo secundário a proteção dos mananciais de bacias hidrográficas, além da biodiversidade, através da manutenção das florestas e matas ciliares. O projeto investe em PSA através de pagamento mensal aos proprietários que é proporcional a um sistema de pontuação desenvolvido pela Fundação, que leva em conta o envolvimento do proprietário com a proteção da mata e dos mananciais. O projeto não trabalha com estoque de carbono, por isso ainda não existe certificação definida. Entretanto, já foram realizados convênios com o setor público, negociações com stakeholders, e definição da localização das propriedades. A Fundação realiza o monitoramento ambiental e a comprovação dos serviços ambientais prestados através de uma vistoria inicial nas propriedades e monitoramentos semestrais, onde a pontuação de serviços ambientais é refeita, podendo aumentar ou diminuir o valor pago ao proprietário. Em São Paulo o projeto tem duração de 05 anos e conta com um orçamento de aproximadamente R$ ,00, sendo R$ ,00 originados da Mitsubishi, e R$ ,00 da Fundação O Boticário. Desta maneira, cada hectare tem custo de aproximadamente R$277,01 por ano. O custo de manutenção do projeto é de aproximadamente R$ ,00 por ano. Os recursos originados da Mitsubishi são destinados a remuneração dos proprietários, enquanto que os valores da Fundação são destinados a execução e manutenção do projeto. Como contrapartida, os proprietários têm o compromisso de manter a área

61 65 florestada sem corte. Em Apucarana o orçamento anual é de R$ ,00 e contempla 64 pequenos e médios produtores rurais. O pagamento é feito por propriedade, (não por hectare) e cada proprietário recebe de R$ 800,00 a R$ 7.000,00 por ano, através dos recursos disponibilizados pela Empresa de Saneamento e abastecimento do Paraná SANEPAR. A contrapartida esperada dos proprietários é a conservação dos fragmentos naturais e a restauração de suas áreas de APP e Reserva Legal degradada. O pagamento pelos serviços ecossistêmicos prestados se dá pelo estabelecimento de contrato de premiação através de contratos celebrados entre a Fundação O Boticário e os proprietários, em São Paulo, e entre a Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Apucarana e os proprietários. Em São Paulo, após a seleção de áreas a serem protegidas, executa-se o diagnóstico e valoração ambiental dos remanescentes naturais das propriedades, realizado através da definição dos Serviços ecossistêmicos existentes em cada propriedade, definidos como os benefícios gerados pelo funcionamento dos ecossistemas naturais, como a produção de água doce, produção de oxigênio, proteção do solo, regulação do clima, captação de carbono atmosférico e polinização. Em uma segunda etapa ocorre a Valoração ambiental objetivando medir o quanto a área contribui para a produção dos serviços ecossistêmicos citados e o Índice de Valoração de Mananciais (IVM), composto por um modelo matemático que integra as características avaliadas e confere uma pontuação relativa à qualidade ambiental da área natural. Por meio dessa pontuação é determinado o valor da premiação da propriedade. Em Apucarana o serviço é valorado com base em uma tabela de cálculo que envolve diversas variáveis ambientais e de uso do solo, valorando a propriedade como um todo. A base para a remuneração em São Paulo são os pagamentos semestrais com transferência de recursos diretamente ao proprietário, de acordo com o IVM calculado e a realização do monitoramento que comprova a manutenção dos serviços prestados. Em Apucarana os proprietários recebem uma remuneração mensal, baseada na pontuação obtida pela verificação dos serviços sistêmicos de sua propriedade.

62 66 Tabela 2 - QUADRO RESUMO DAS EXPERIÊNCIAS EM EXECUÇÃO NO BRASIL Projeto SE Custos (*) Gargalos Perspectivas Parque de Carbono: Restauração Florestal no Parque Estadual da Pedra Branca. Serviço de Regulação: sequestro de carbono. R$ ,00 hectare/ano. Lentidão das decisões no âmbito dos órgãos públicos envolvidos. Recrutamento da mão-de-obra as operações de restauração florestal. As perspectivas são muito boas, uma vez que há sinalização de investimentos para mais da metade da área (área total de hectares). Agricultura Ecológica e Serviços Sócio Ambientais Serviço de Regulação: sequestro de carbono. R$ 1.150,00 por hectare/ano. Indefinição sobre os acordos internacionais sobre a convenção do clima. Custos na implantação e a falta de um referencial metodológico para o monitoramento e a obtenção da linha de base. As informações e metodologia desenvolvidas nesse projeto estão sendo replicadas em outras áreas de SAF, e em projetos de carbono. Carbono, Biodiversidade e Renda no Pontal do Paranapanema Serviço de Regulação: sequestro de carbono. R$ R$ 6.800,00 hectare/ano. Incerteza quanto a propriedade dos créditos de nos casos em que os projetos são implantados em terras públicas, além da incerteza sobre o futuro do código florestal e da sua obrigação de reserva legal para os projetos de carbono. Não há incidências de perspectiva. Programas de Conservação da Mata Atlântica Serviço de Regulação: sequestro de carbono. Ação contra o aquecimento global: US$ 275 por hectare/ano. Restauração da floresta: US$ 315,00 por hectar/ano e Reflorestamento US$ 360,00. Captação de recursos adicionais para a manutenção do projeto e a ausência de informações padronizadas para o Bioma Mata Atlântica, o que demanda a construção de todas as bases de dados. É a de realização de um processo de adequação com vistas a certificação que demandará algumas adaptações metológicas, porém permitirá ampliar as fontes de financiamento. Projeto Oásis Serviço de Regulação: Conservar remanescentes, bacias hidrográficas, conter o desmatamento Em São Paulo o custo por hectar/ano está em torno de R$ 277,01. Envolver os recebedores dos serviços (população de São Paulo) para que os mesmos paguem pelos serviços prestados Em Apucarana já existe uma Lei Municipal que criou o Projeto Oásis e o desafio atualmente é ampliar o fundo de pagamento para que o projeto seja ampliado e novos proprietários comecem a receber pelos serviços prestados. Fonte: Elaborada pela autora (De acordo com MAY, 2010). (*) Incluído custos de implantação, transação e manutenção.

63 67 CAPÍTULO 4. CARACTERIZAÇÃO DO TERRITÓRIO DE PAULO LOPES 4.1 Composição e localização do território A presente seção apresenta um perfil da região de Paulo Lopes, pertencente à mesorregião da Grande Florianópolis, no Estado de Santa Catarina. O município de Paulo Lopes está localizado no litoral sul de Santa Catarina, com uma área total de 450 KM², tendo como limites territoriais os municípios de Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz ao Norte; Imarui e Imbituba ao Sul; Garobapa e Oceano Atlântico ao Leste e São Bonifácio e São Martinho ao Oeste, sendo cortado pela rodovia BR-101. O município teve seu desenvolvimento econômico baseado na agricultura, na pecuária e na extração de madeira. Sua economia passou por dois momentos: primeiro, quando a rodovia estadual¹ cortava o centro da cidade, e o segundo quando foi criado o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PEST). FIGURA 3: Composição e localização geográfica de Paulo Lopes Fonte: 4.2 Contextualização histórica do território Com a divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, o território, então denominado Santa Catarina, passou a ser considerado pelo donatário da Capitania de Santana, a quem pertencia toda a terra catarinense.

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