A INCLUSÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL DE SAÚDE

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1 A INCLUSÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL DE SAÚDE Resumo OLIVEIRA, Tyara Carvalho de SME/DC/RJ Eixo Temático: Pedagogia Hospitalar Agencia Financiadora: não contou com financiamento As transformações na sociedade contemporânea contribuíram para consolidar o entendimento da educação como um fenômeno multifacetado. A educação hoje não é mais vivenciada apenas na escola. Há a necessidade cada vez mais premente de capacitar e trabalhar com profissionais da educação (professores, diretores, coordenadores, pedagogos) que respondam e atendam a diversidade das demandas da sociedade atual. As novas possibilidades de atuação desses profissionais rompem as barreiras e ultrapassam os muros da escola. Daí a necessidade do Pedagogo em diferentes ambientes educacionais localizados fora da escola. Nas empresas, nas organizações não governamentais (ONGs), nos meios de comunicações, nos órgãos sistêmicos (Secretarias, Ministérios) e nos hospitais esse profissional e requisitado para atender as novas demandas sociais. Esse artigo tem como objetivo: 1) mapear a função do pedagogo identificando a função e abrangência de atuação, 2) refletir sobre a formação do Pedagogo e sua profissionalização, 3) analisar os limites de atuação desse profissional procurando elencar fatores que dificultam a sua ação pedagógica nos ambientes educacionais não escolares neste caso o ambiente hospitalar. Ainda chama atenção para desconhecimento por parte dos profissionais da área da saúde, independente do seu grau de formação, das determinações legais que determinam a necessidade do oferecimento de atendimento pedagógico no ambiente hospitalar. Outro dado relevante indica que as pesquisas sobre formação de professores para atuar em hospitais mostram que formação docente centra-se no cotidiano da escola regular e os cursos de formação de profissionais da saúde não consideram o professor como participante da equipe multidisciplinar que trabalha no ambiente hospitalar. Mas afinal qual será a função/atuação do Pedagogo Hospitalar na equipe Multiprofissional de Saúde? Palavras-chave:. Educação Hospitalar. Pedagogia Hospitalar. Equipe Multiprofissional Introdução No contexto atual o Pedagogo começa a assumir um novo perfil. Esse profissional não pode ser visto apenas como um educador escolar, mas como um facilitador dos processos educativos. De acordo com o MEC, o Pedagogo pode atuar como pesquisador na área

2 6038 educacional e gestor de processos educativos e de organização e no funcionamento de sistemas e de instituições de ensino. Pode atuar em creches e escolas, em sistemas de ensino e em projetos desenvolvidos em instituições não-escolares, como organizações nãogovernamentais, empresas, hospitais, movimentos sociais, associações, clubes e em outros espaços educativos. Observa-se que a função do Pedagogo torna-se abrangente para atender as demandas da sociedade. Educação formal e não formal passam a caminhar paralelamente. A Pedagogia Hospitalar surge como uma nova vertente para a educação. Sua ação educativa é regida por dois documentos do MEC intitulados de: Diretrizes Especiais para Educação Especial na Educação Básica (Resolução CNE/CEB n 2 de 11/09/2001) e Classe Hospitalar e Atendimento pedagógico domiciliar: orientações e estratégias (MEC, 2002). Porém, apesar da existência desses documentos, percebemos ainda certo desconhecimento da atuação e função desse profissional dentro do ambiente hospitalar. Conceito de Equipe de Saúde Segundo Peduzzi (2001) o conceito de equipe foi pensado como um recurso para aumento da produtividade e da racionalização dos serviços. Segundo Saar e Trevizan (2007) a partir do século XVIII havia três modelos de equipes de saúde. Cada um com características distintas, porém com um objetivo comum: a preocupação com o estado de saúde da população. São elas: - Medicina de Estado, desenvolvida na Alemanha no começo do século XVIII, sobre a qual se pode delinear uma equipe de saúde constituída por médicos, organização administrativa central que supervisionava e dirigia o trabalho médico e funcionários médicos nomeados pelo governo. - Medicina Urbana, desenvolvida na França, nos fins do século XVI I I, na qual se pode vislumbrar uma equipe de saúde constituída por médicos, químicos e físicos. - Medicina da Força de Trabalho, desenvolvida na Inglaterra, no segundo terço do século XIX, sobre a qual se delineia uma equipe de saúde constituída por médicos que se ocupavam dos pobres, médicos que se ocupavam de problemas gerais como as epidemias e médicos privados que se ocupavam de quem os podia pagar. Observa-se nessa mesma época o surgimento do Hospital como um local de cura e não mais de morte e com a medicalização e disciplinarização do espaço hospitalar também surge a

3 6039 equipe de saúde. Essas modalidades de equipes descritas anteriormente guardam poucas semelhanças com as equipes com as quais se convive hoje em dia. Nas equipes atuais são formadas por: médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais e farmacêuticos. De acordo com Saar e Trevizan (2007) ocorre um equivoco entre o termo multiprofissional e interdisciplinar. O primeiro retrata uma justaposição de diversas disciplinas e cada profissional atuará de acordo com o seu saber especializado; o processo terapêutico fica fragmentado. O segundo implica na interação entre duas ou mais disciplinas. Para as autoras é mais coerente denominar a equipe de saúde de multiprofissional. Educação hospitalar e suas dificuldades Segundo Nunes (2010), observa-se que historicamente que o espaço hospitalar é âmbito privilegiado dos profissionais da saúde. Só a partir do inicio século XX que outros profissionais como fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos responsáveis pelo aspecto social e terapêutico do paciente- começaram a ser aos poucos inseridos, com certa desconfiança, no ambiente hospitalar. Nesse contexto, a inclusão dos educadores o ambiente hospitalar começou a ter um espaço garantido pelas determinações dispostas na Resolução numero 41, de 13 de outubro de 1995 (BRASIL, 1995) do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, que dispõe sobre os direitos do educando o hospital, dentre eles o acompanhamento curricular. Esse documento nos oferece um novo paradigma de que o individuo hospitalizado deixaria de ser visto como uma parte doente na qual deveria ser tratada somente pelo conhecimento/saber médico, para ser considerado como um todo, em diversos aspectos, sociais, culturais, cognitivos e afetivos, que estão em permanente interação. A Resolução do Conselho Nacional de Educação, CNE/CEB numero 2/01, que institui as Diretrizes Nacionais para Educação Especial a Educação Básica, trata as especificidades do atendimento pedagógico hospitalar: BRASIL (2001, p.4) Art.13.Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de freqüentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique interação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em domicilio

4 6040 Essa mesma Resolução ressalta-se o objetivo das classes hospitalares: 1. As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar, e desenvolver currículo flexibilizado com crianças,jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à escola regular. Em 2002 o Ministério de Educação e Cultura (MEC), publica o documento Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações (BRASIL, 2002) que trata dos aspectos da normatização e implementação das classes hospitalares no Brasil e da integração entre os sistemas de saúde e educação. Apesar desses documentos que garantem ao aluno hospitalizado o seu direito a escolarização, fica claro que a legislação ainda é desconhecida por grande parte das Unidades Escolares do Brasil e dos próprios Hospitais. Seria o Pedagogo Hospitalar somente um professor? A educação é um processo social que ocorre em toda sociedade, através de diferentes meios e em distintos espaços sociais. A Pedagogia Hospitalar é um ramo da Pedagogia que vem sendo adotada por instituições que se preocupam em atender uma demanda que estar afastada em virtude de sua enfermidade. Segundo Matos e Mugiatti (2006 p.37) Pedagogia Hospitalar é:...um processo alternativo de educação continuada que ultrapassa o contexto formal da escola, pois levanta parâmetros para o atendimento de necessidades especiais transitórias do educando em ambiente hospitalar e/ou domiciliar. Esse campo de trabalho ganhou força a partir de alguns movimentos. O primeiro, embasado no fato de a Constituição Federal estabelecer o direito de todos à educação e saúde, e esses não são direitos que se opõem, mas se completam. Então, não é porque uma criança se encontra doente que ela tenha perdido a capacidade de aprender. É preciso evitar que a

5 6041 criança sofra duplamente, pelo seu estado de saúde e pelo seu distanciamento do seu mundo, sua rotina, suas atividades, seus amigos. Assim, atualmente observamos o trabalho do Pedagogo no hospital nas seguintes frentes: nas unidades de internação; na ala de recreação do hospital para as crianças que necessitarem de estimulação essencial; com a classe hospitalar; com o setor de recursos humanos do hospital; com a equipe de gestão em saúde ministrando e organizando cursos para profissionais que atuam no hospital; com os acompanhantes e/ou familiares dos pacientes por meio de estratégias educativas e pedagógicas, como: palestras, dinâmicas de grupo, orientações e informações didático-pedagogicas. As atividades lúdicas, no processo de recuperação, têm sido valorizadas como tentativa de superação da angustia e ansiedade freqüentes no processo de internação e que podem comprometer o desenvolvimento da criança e o próprio restabelecimento da saúde. Por esta razão, em nosso país, desde 2005, a Lei Federal /05 tornou obrigatório nos hospitais com internação de crianças, a criação de brinquedotecas. Esse espaço deverá contar com Pedagogos e brinquedistas para a elaboração e desenvolvimento de atividades apropriadas a cada faixa etária. No desenvolvimento dessas atividades no contexto hospitalar é fundamental que o Pedagogo atue articulado com uma equipe multidisciplinar e que se dedique a conhecimentos de áreas como Psicologia, Serviço Social, Enfermagem para desenvolver uma ação docente que segundo Matos e Mugiatti (2006), provoque o encontro entre educação e saúde. Porém alguns entraves surgem nesse ponto. Um deles é que o professor ainda é visto pela equipe de saúde como mais um elemento no hospital para garantir a política de humanização. Outra limitação para o desenvolvimento do trabalho e a própria formação do professor. Os Cursos de Pedagogia e de Formação de Professores não incluem nos seus currículos discussões sobre o tema de maneira sistemática e formal. Mediante esse quadro, a ação do professor segundo Nunes (2010) corre o risco de assumir um caráter espontaneísta, humanitário ou tão somente recreativo. Com essa fragilidade da especificidade do papel do professor no ambiente hospitalar poderá consolidar na idéia mais uma vez que o hospital é lugar de médicos e profissionais da saúde e não de professores. Discutir sobre a pratica de pedagogos nos hospitais é um tanto quanto desafiante e divergente, visto a possibilidade de ampla atuação e a indefinição do campo de trabalho deste profissional.

6 6042 Mapear os limites e as possibilidades deste novo campo de trabalho do pedagogo é de suma importância para a legitimação profissional e o reconhecimento pelas políticas públicas. De acordo com Matos (2009) o trabalho pedagógico, neste contexto, é uma perspectiva nova, porém altamente pertinente e necessária não menos complexa tanto para o pedagogo como para a equipe hospitalar, hospitalizados e acompanhantes. Segundo Pimenta (1997) o Pedagogo como cientista da educação está habilitado a atuar no ensino, na organização, gestão, unidades, projetos, produção e difusão de conhecimento nos diversos setores sociais. Também é preparado para atuar nas esferas de dimensões políticas, ética, estética, artística, técnico, afetiva, entre outras, o que vem de encontro com pensamento de Libâneo (2010, p.29) Verifica-se hoje, uma ação pedagógica múltipla na sociedade. O pedagógico perpassa toda a sociedade, extrapolando o âmbito escolar formal, abrangendo esferas mais amplas da educação informal e não-formal. Então podemos dizer que a função do Pedagogo está relacionada a todas as atividades de aprendizagem e de desenvolvimento humano seja com crianças, jovens, adultos ou idosos, operários ou funcionários, obedecendo ao perfil da instituição em que se encontram, pois o papel do pedagogo também existe longe da escola. Dadas as habilidades e competências deste profissional é, de acordo com Matos (2009), inaceitável que sua atuação no espaço hospitalar se caracterize somente como processo de escolarização da criança enferma como é o caso da Classe hospitalar. O pedagogo hospitalar pode promover ações educativas junto às diversas possibilidades no hospital, com vistas ao bem-estar completo, isto é, físico, mental, social, educacional. Ele pode desenvolver ações que atendam por meio de equipes de multiprofissionais a estas necessidades, integrando educação e saúde, visando assim, ao melhor atendimento para as pessoas que ali se encontram nesse momento. Para Matos & Mugiatti (2001, p.37) A Pedagogia Hospitalar, por suas peculiaridades e características, situa-se numa inter-relação entre os profissionais da equipe medica e a educação. Tanto pelos conteúdos da educação formal, como para a saúde e para a vida, como pelo modo de trazer continuidade do processo a que estava inserida de forma diferenciada e transitória a cada enfermo

7 6043 Percebe-se que a cada dia se torna mais evidente a importância da presença de multiprofissionais e dentre eles o pedagogo no espaço hospitalar. Para Nascimento & Haeffner (2003, p.13) [...] no contexto do hospital, cabe ao pedagogo perceber as intenções subjetivas das respostas, as necessidades do paciente e tomar a iniciativa de quebrar barreiras, transpor os muros da indiferença e deixar aflorar todo o seu afeto já que esse é um sentimento que pressupõe interação. O processo cognitivo também envolve o afetivo, através de relações e interações, e para concretizá-lo é preciso ter equilíbrio emocional para agir com atenção e tranqüilidade junto aos pacientes Sobre as Classes Hospitalares Legitimidade do atendimento pedagógico hospitalar O estar hospitalizado por si só já caracteriza a criança e/ou adolescente como portador de necessidades especiais independentemente que essa necessidade seja temporária ou permanente. Então a classe hospitalar não inviabiliza os conceitos de integração e normalização. Estar hospitalizado não é exclusão. A criança e/ou adolescente é um cidadão que tem o direito ao atendimento de suas necessidades e interesses mesmo quando esta doente. Vale frisar, aqui, que historicamente falando, a Classe Hospitalar surgiu de políticas públicas e estudos originados da observação, consideração e respeito às necessidades das crianças que, devido à problemática de saúde, requeiram hospitalização, independente do tempo de duração da mesma. Segundo Caiado (2003) ainda no Brasil Colônia, em 1600, foi criado o primeiro atendimento escolar à pessoa deficiente, na Santa Casa de Misericórdia na cidade de São Paulo. Esse atendimento era oferecido somente aos deficientes físicos. Ainda sobre a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi encontrado nos arquivos desse hospital relatórios anuais do movimento escolar de alunos deficientes físicos que datam de As classes hospitalares atendem, hoje, crianças e adolescentes com diversas enfermidades, como por exemplo, o câncer, a AIDS, a pneumonia, doenças congênitas e os transplantes. E contingente de crianças e adolescentes hospitalizados tem aumento consideravelmente e isso tem feito com que se busquem novas formas de organização do

8 6044 espaço hospitalar de modo a tornar a permanência dessa clientela o menos traumática possível. A idéia que, normalmente, se tem da criança hospitalizada é a de que a sua condição requer repouso, pois sua doença a impede de realizar atividades cotidianas de sua realidade social. Porém, apesar da problemática de saúde, a criança hospitalizada tem interesses, desejos e necessidades como qualquer criança saudável. Ainda, sobre a legitimidade da Classe Hospitalar, parece oportuno acrescentar com Fonseca (2003, p 13):... um lócus especifico da Educação que objetiva atender pedagógico educacionalmente às necessidades do desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças e jovens que dadas suas condições especiais de saúde, estejam hospitalizados e impedidos de partilhar das experiências sóciointuitivas de sua família, sua escola e de seu grupo social. A partir do exposto, enfatiza-se que o atendimento pedagógico educacional hospitalar contribui para o reingresso da criança hospitalizada para sua escola de origem ou para o seu encaminhamento a matrícula após a alta, uma vez que muitas delas, mesmo em idade escolar, não freqüentam a escola. Segundo Caiado (2003, p.74) classe hospitalar pode ser entendida como: ensino hospitalar desenvolvido por professor especializado e prestado a crianças e jovens que, devido a condições incapacitantes temporárias ou permanentes, estão impossibilitadas de se locomover até uma escola. Ortiz (2005) lista procedimentos para viabilizar, através das classes hospitalares, a qualidade social que se almeja para a educação. São eles: diagnóstico da situação educacional no interior do hospital (caracterização da demanda em termos da heterogeneidade dos grupos, nível de escolaridade dos alunos, seriação,...aprendizagem); estruturação administrativopedagógica indispensável à condição do processo educativo; sistematização de uma proposta curricular específica com habilidades e conteúdos que garantam o preparo do paciente/aluno para o ingresso/retorno à vida escolar; organização de procedimentos didáticos dinâmicos que

9 6045 tornem o ato de aprender um ato de prazer; e a promoção da necessidade do ingresso/reingresso à escola. O autor mencionado acima reconhece o espaço hospitalar escolar como espaço interdisciplinar que se organiza a partir da avaliação das possibilidades do seu próprio espaço enquanto espaço de vinculação entre saúde e educação. Para isso organiza e atualiza um arquivo com dados sobre legislação educacional, situação do aluno, relatórios sobre o acompanhamento da aprendizagem do aluno, registro de óbitos... e outros relevantes para as atividades da classe hospitalar. Estabelece, ainda, critérios para acompanhamento e avaliação do trabalho a ser realizado assim como critérios de promoção de atividades de estágio em parceria com agências oficiais de ensino. Em termos da estruturação do currículo, cabe destacar que este pode ser organizado em oficinas pedagógicas, estabelecendo prioridades a partir da ampliação do espaço educativo e do oferecimento de situações lúdicas dentro e fora da enfermaria. No que diz respeito às especificidades das classes hospitalares, Barros (1999) chama a atenção para a rotatividade permanente que lhe é peculiar. Esta é acrescida de outras como: O ambiente em si não parece ser suficientemente motivador para a aprendizagem; A turma é sempre um grupo aberto onde entram e saem pacientes. O número de alunos é sempre flutuante; A turma é marcada pela heterogeneidade em todos os aspectos: idade, seriação escolar, aproveitamento... O trabalho caracteriza-se pela diversificação das atividades dado o seu caráter individualizado e individualizante; A classe hospitalar não pode ser vista como sala de aula. A prioridade será sempre a saúde; O estresse da hospitalização aliado à ansiedade e afastamento do lar são fatores intervenientes da aprendizagem; O currículo precisa ser flexibilizado para poder atender às especificidades do atendimento;

10 6046 O perfil do professor para a classe hospitalar As pesquisas atuais sobre a formação do professor colocam em pauta a necessidade de esse profissional estar preparado para atuar com a diversidade do cotidiano pedagógico. Os Cursos de Formação de Professores e os de Pedagogia tem muito a contribuir na formação do professor da classe hospitalar. No ensino de graduação, a classe hospitalar, deveria compor conteúdos das disciplinas e ser espaço considerado nas praticas de ensino nos cursos de Pedagogia. Os estudos concernentes à formação do professor para atuar na classe hospitalar têm por princípio o seu papel mediador entre a criança e o hospital. Ortiz (2005) destaca que é indispensável ao professor ter conhecimento das patologias mais freqüentes na unidade hospitalar em que atua para saber dos limites clínicos do paciente-aluno. Esse fato é fundamentado no documento do MEC Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações (BRASIL, 2002) quando diz que o professor deverá ter uma formação pedagógica preferencialmente em Educação Especial ou em Cursos de Pedagogia ou licenciaturas, ter noções sobre doenças e condições psicossociais vivenciadas pelos educandos. Para a criança ou adolescente hospitalizado, o contato com o professor e com a classe hospitalar, que serve como uma oportunidade de ligação com os padrões da vida cotidiana e com a vida em casa e na escola. Por conseqüência, um dos desafios da formação de professores para as classes hospitalares refere-se à necessidade de um preparo pedagógico mais consistente ligado a uma orientação pedagógica especifica ao campo de atuação da classe hospitalar. O perfil pedagógico educacional do professor de classe hospitalar de acordo com Fonseca (2003) deve ser adequado à realidade hospitalar na qual atua, destacando sempre as potencialidades do aluno, motivando e facilitando a inclusão da criança no contexto escolar hospitalar. Fonseca (2003:25) acrescenta o professor esta lá para estimulá-las através do uso de seu conhecimento das necessidades curriculares de cada criança. Assim, sem abandonar os conteúdos acumulados pela humanidade e flexibilizando os conteúdos escolares, a classe hospitalar vai delineando a sua trajetória. Considerações Finais

11 6047 A educação possui estratégias que permite gerar mudanças significativas em qualquer contexto. Logo, todas as instituições que a ofereçam podem e devem explorar analisar, estimular e conscientizar melhoras e inovações, rompendo certas regras e normas, muita das vezes inatingíveis a algumas ocasiões e situações do cotidiano. A Universidade como produtora de conhecimento tem todo respaldo para abrir caminhos e é por isso, que uma das opções que ela poderia tomar seria a implementação nos cursos de Formação de Professores (licenciaturas) e nos Cursos de Pedagogia de disciplinas que discutisse, informasse e formasse sobre a Pedagogia Hospitalar e não somente sobre a Pedagogia Escolar (o que normalmente ocorre), não preparando os alunos quanto às possibilidades de atuação e formação que emergem das demandas mais amplas da sociedade. As demandas da sociedade transformamse, necessariamente, em demandas de formação. O cerne desse trabalho se refere à importância do Pedagogo Hospitalar, o que permite ressaltar o quanto é vasto o campo de atuação desse profissional e, principalmente, o quanto o pedagogo é fundamental em uma equipe multiprofissional em saúde. REFERÊNCIAS BARROS, Alessandra Santana Soares e. A prática pedagógica em uma enfermaria pediátrica: contribuições para a inclusão desse alunado. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, p , set./nov BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações. Brasília, BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. SEESP. Diretrizes Nacionais para a educação especial na educação básica. Brasília, MEC/SEESP, CAIADO, Kátia R.M. O trabalho pedagógico no ambiente hospitalar: um espaço em construção. In: RIBEIRO, Maria Luisa Sprovieri; BAUMEL, Roseli Cecília Rocha de Carvalho (Orgs) Educação Especial: do querer ao fazer. 1. Ed.São Paulo. Avercamp, p FONSECA, Eneida Simões da. Atendimento Escolar no Ambiente Hospitalar. Memnon. São Paulo, LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos: para quê? São Paulo: Cortez, MATOS, Elizete Lúcia Moreira; Muggiati, Margarida Maria Teixeira de Freitas. Pedagogia Hospitalar. Champagnat. Curitiba, 2001.

12 6048 MATOS, Elizete Lúcia Moreira (Org). Escolarização Hospitalar. Petrópolis, RJ: Vozes, NUNES, Lauane Barocelli. A Educação Hospitalar: impasses ideológicos e possibilidades de construção. In:MATTOS,Elizete Lúcia Moreira;TORRES, Patrícia Lupion.(Orgs). Teoria e Prática na Pedagogia Hospitalar: novos cenários, novos desafios. 1.ed..Curitiba.Champagnat, p ORTIZ, Leodi Conceição Meireles; FREITAS, Soraia Napoleão. Classe Hospitalar: caminhos Pedagógicos entre saúde e educação. Editora UFSM. Santa Maria, 2005 PEDUZZI, Marina. Equipe Multiprofissional de saúde: conceito e tipologia. Revista Saúde Pública, Disponível em: <http//: Acesso em :21 de agosto de 2011 PIMENTA, Selma Garrido. Didática e formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Portugal. São Paulo. Cortez SAAR, Sandra Regina da Costa; TREVIZAN, Maria Auxiliadora. Papeis Profissionais de uma equipe de saúde: visão de seus integrantes. Revista Latino Americana de Enfermagem, jan/fev Disponível em <http//: Acesso em 21 de agosto de 2011.

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