Seminário Valores da Convivência na vida pública e privada

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1 Seminário Valores da Convivência na vida pública e privada Diversidade e Identidade Reinaldo Bulgarelli 23 e 24 de junho

2 Reinaldo Bulgarelli Reinaldo Bulgarelli é sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação, empresa que atua na área de sustentabilidade e responsabilidade social. É educador com presença na área social desde 1978, sobretudo com direitos humanos e desenvolvimento. É coordenador da área de Sustentabilidade, Meio Ambiente e Terceiro Setor do Programa de Educação Continuada na FGV/SP e professor da UNICAMP no Instituto de Economia Curso de Especialização em Gestão da Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa. Também é professor da Fundação Dom Cabral, Sustentare Escola de Negócios, Instituto Palas Athena, entre outras organizações. Autor do livro Diversos Somos Todos que trata de valorização, promoção e gestão da diversidade nas organizações Editora de Cultura/2008 e nova edição Foi membro do UNICEF, diretor da Fundação Projeto Travessia, diretor da Fundação BankBoston, diretor da Secretaria do Menor do Estado de São Paulo e um dos fundadores do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, em Fui indicado ao Prêmio Nacional de Direitos Humanos em 2002 por sua atuação na área da infância e adolescência. Recebeu o Prêmio África-Brasil em 2007 pela realização de ações afirmativas no campo das relações raciais e diversidade. É fundador do Fórum Empresarial Brasileiro de Valorização da Diversidade, organização que congrega mais de quarenta empresas.

3 Nosso tema: diversidade 4 Que assunto é esse? Minorias e maiorias Inclusão de quem? Dos pobres? Também, mas não apenas. Estamos falando da vida.

4 Diversidade é vida 5 A diversidade é uma característica da vida. A diversidade é o segredo da vida! Sem diversidade não há vida, novas possibilidades e nem criação. A homogeneidade é morte, é impossibilidade, é o fim da vida.

5 Diversidade é um convite Diversidade é um convite para pensar na vida, olhar para a natureza e aprender com ela. Tema convida para pensarmos na nossa condição de gente no mundo... Cada um de nós é um entre 7 bilhões de pessoas... Quem são os diversos?

6 Diversos somos todos! Iguais e Diferentes Complexidade Somos todos responsáveis por valorizar a diversidade em nossas vidas... Cabe lembrar que somos muito pequenos no Universo e entre 7 bilhões de pessoas, mas cabe lembrar também que cada um de nós é um ser único e especial. Cada um de nós é uma das soluções que a vida encontrou dentro das composições possíveis. E há muitas composições possíveis. Somos plurais e originais, sem igual em todos os tempos e lugares.

7 Cada um e todos Estamos falando de todos nós e não de alguns de nós. Sentimento de pertencimento à família humana. Você e outras pessoas são únicas e especiais! Você se vê assim e vê a todos os outros desta forma?

8 Por que é tão difícil? Diversidade é o segredo da vida, essencial para a sociedade, fonte de sucesso para qualquer organização, mas temos muitas dificuldades para colocar essa ideia em prática. Algumas ideias...

9 Narciso acha feio o que não é espelho... Caetano Veloso Temos dificuldade de ver qualidade em quem é diferente porque não se parece com a gente, não pensa como a gente, não age como a gente, não acredita nas mesmas coisas que a gente... Quem age assim se acha o centro do mundo!

10 Há um padrão com base no qual julgamos quem é bonito, bom, normal, sério, competente, racional, confiável, honesto, correto...?

11 O padrão dominante 12 Séculos de colonização das nossas mentes sobre o padrão de normalidade... Homem Vitruviano Leonardo da Vinci. Nota feita ao redor do ano 1490.

12 Padrão dominante 13 É a cara do Brad Pitt! O padrão dominante nos faz acreditar que, se for branco, masculino, heterossexual, adulto, sem deficiências, saudável, católico, magro... é também bonito, bom, inteligente, forte, firme, confiável, racional, competente... enfim, alguém com quem mais facilmente nos identificamos e alguém que reconhecemos como pronto para nos governar... Todos que não são como o padrão dominante, ou seja, não-brancos, nãohomens, não-heterossexuais, muito jovens, adultos com mais de 40 anos, nãocatólicos, não-magros, não sulistas, não-brad Pitt parecem ter menos valor na sociedade, merecem menos crédito ou confiança, menores as chances de nos identificarmos com essas pessoas, reconhecê-las como iguais em dignidade.

13 Nada é tão simples... Quem tem um Brad Pitt dentro de si faz de tudo para se tornar como ele. Rejeita o que é, sua origem, o que tem, o que pode, o que sabe... Nem precisa ser boicotado porque se autoboicota. O inimigo não mora ao lado, mas também dentro... Complexidade: não basta ser minoria para ter consciência do padrão dominante. É padrão que pode ser introjetado por todos!

14 Muitas consequências... Temos dificuldade em reconhecer qualidades em quem é diferente. Temos dificuldades em reconhecer a diferença como uma qualidade. Diversidade é também uma qualidade organizacional.

15 Respeitamos a todos! Somos radicalmente contra qualquer forma de discriminação! Quem não chegou aqui é porque não tem competência ou porque não quer! Só olhamos o mérito e nada mais! Quem cabe no seu TODOS? (Claudia Werneck) Não vemos, muitas vezes, quando degraus, barreiras, problemas colocamos para as pessoas quando o padrão dominante está em nossas cabeças. Há problemas na sociedade, nos nossos processos/sistemas e na nossa consciência. Onde mora o problema, mora também a solução. Trabalhar nestas três dimensões é uma forma de promover a diversidade como valor.

16 Algo mais do que um não... Não basta dizer não à discriminação. É preciso dizer sim à diversidade!

17 IDÉIAS SOTAQUE DESCENDÊNCIA INTERESSES TEMPERAMENTO ESTADO CIVIL / STATUS FAMILIAR CONDIÇÃO FÍSICA ESTADO CIVIL RELIGIÃO/FÉ HABILIDADES GÊNERO LÍNGUA SAÚDE IDADE MORADIA RENDA BAIRRO NATURALIDADE ESTILO DE TRABALHO INDIVIDUALIDADE ESTILO DE VIDA CLASSE SOCIAL CIDADE ONDE MORA HOBBIES ORIENTAÇÃO SEXUAL RAÇA/COR ETNIA EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL DEFICIÊNCIA NACIONALIDADE HÁBITOS PESSOAIS APARÊNCIA EDUCAÇÃO / BACKGROUND PADRÃO MENTAL FAMILIA OPÇÃO POLÍTICA EXPERIÊNCIAS DE VIDA ATITUDES COMPORTAMENTO CRENÇAS E VALORES CONDIÇÃO PSICOLÓGICA

18 Marcadores identitários Características Todos estamos incluídos neste quadro, mesmo que nem tudo sobre nós esteja nele. Ninguém pode ser reduzido por si mesmo ou por outros a apenas um marcador, por mais significativo que ele seja para nós ou para esses outros. Marcadores são dinâmicos. Tudo muda ou pode ser mudado na dinâmica da vida, dos fatos ou das escolhas que realizamos. Muitos marcadores se relacionam com outros compondo uma visão mais ampla, complexa e dinâmica de nós e dos outros. Nessa dinâmica, ninguém pode se fixar estaticamente e unicamente como vítima ou algoz da falta de respeito à diversidade. Em algum momento somos uma coisa ou outra, dependendo dos interlocutores, da situação, de nossa consciência. - Se não prestamos atenção nisso, praticamos problemas!

19 Uma sina? Nossas características não são uma sina, um destino traçado, mas muitas possibilidades com as quais também escrevemos nossa história.

20 Autoconhecimento... É muito importante o autoconhecimento, saber de onde viemos, como a biologia nos moldou, o que a vida fez de nós e quem somos hoje. Mais importante ainda é saber o que faremos com tudo isso, decidir o que fazer com quem somos, olhando para o passado, o presente e o futuro.

21 Entre cativeiros e plataformas... Marcadores identitários podem ser cativeiros ou fronteiras instransponíveis para nos isolarmos ou nos isolarem. Marcadores podem ser plataformas a partir das quais nos relacionamos com o mundo, com maior ou menor acolhimento e interação.

22 Você é a pessoa que escolhe ser diante do acaso, das oportunidades e das condições que lhe foram dadas, construídas ou impostas.

23 Respeito é sumir com as diferenças? Diversidade não é inodora, insípida, incolor, invisível, amorfa, sem carne, sem vida... Respeitar não é sumir com as diferenças, mas considerá-las para promover equidade - igualdades justas.

24 Princípio da Equidade Sentimento de Justiça... O princípio da equidade consiste em tratar de maneira distinta os que não se encontram em condições de igualdade [aqueles cujas diferenças se transformaram em motivo para desigualdades injustas, intoleráveis], exatamente para que sejam construídas relações justas, sem iniquidades.

25 O que importa? O que importa são as ideias, a alma, o espírito...? Ideias não flutuam fora de um corpo, seu tempo e lugar!

26 O que importa? Frases típicas de quem quer sumir com a gente: Não importa se você é homem ou mulher. O que importa é a sua competência. Apesar de ser mulher, ela é muito competente. E assim vai... Alguém quer esse tipo de respeito?

27 A almificação dos viventes some com nossas características, com nossa individualidade, como se isso fosse respeito. Quando isso acontece, alguém é privilegiado e alguém é desconsiderado. Todos são prejudicados! Quando não se considera ou quando se desaparece com nossas características, não há inclusão, mas extermínio...

28 Da constatação à gestão Valorizar a diversidade sugere ação, intervenção na realidade e gestão para transformar essa característica de todos em riqueza, em adição efetiva de valor para todos. Fonte: Reinaldo Bulgarelli Txai Consultoria e Educação

29 Um bom momento de eclipse... Diversidade interessa para todas as pessoas: quem não quer ser considerado? Diversidade adiciona valor às organizações, sua missão, estratégias e práticas Diversidade contribui para uma sociedade mais justa e sustentável

30 Estamos falando de gente em relações complexas, dinâmicas. Falar de diversidade é falar de relações de qualidade!

31 Inclusão: modelo mosaico Cuidar da demografia interna de nossas organizações já é um grande passo, mas é pouco... Incluir não pode significar apenas a composição de um mosaico. Mosaicos são bonitos, mas a inclusão é incompleta por três motivos: 1. O que fez com que alguns ficassem do lado de fora? Sem postura crítica, não há como rever atitudes e práticas. Processos de exclusão podem continuar e gerar inclusões injustas ou gerarem frustrações maiores. 2. Mosaicos são estáticos. Adição de valor é potencial. Sem gestão, não há solução! 3. Inclusão precisa de gestão Sem gestão, pode acontecer o efeito picles : todos ficam parecidos.

32 Modelo caleidoscópio São identidades, singularidades, experiências, histórias de vida, perspectivas, possibilidades, diferenças e semelhanças que se arranjam e se rearranjam, se inventam e se reinventam em múltiplas composições para gerar, com interações dinâmicas, criatividade, inovação, excelência a serviço da sustentabilidade... A vantagem: nós, humanos, diferente das peças do caleidoscópio, podemos levar os outros dentro da gente quando interagimos.

33 Gestão da diversidade Gestão da diversidade deve tornar nossas organizações mais dinâmicas, favorecer interações criativas, trocas, aprendizados conjuntos com a incorporação de novos horizontes plurais, mais ricos, ampliando nossa visão e nossa capacidade de dar respostas aos desafios do nosso tempo e lugar.

34 O mix não some com as diferenças, acrescenta competências, aprendizados e nos transforma.

35 Diversidade e inovação tratam de relações Confiança Interdependência Troca Flexibilidade Colaboração Cooperação Solidariedade Equidade Complementaridade...

36 É muito bom sermos únicos e é melhor ainda estarmos unidos para nos ajudarmos uns aos outros a nos desenvolver, vencer as dificuldades, superar as barreiras, enfrentarmos juntos os desafios da vida e de nossa sobrevivência no planeta.

37 Um momento especial 38 Lidar com a diversidade nunca foi tão necessário, urgente, seja pelos desafios que há no mundo, seja pelas possibilidades que nosso tempo oferece a todos. Mais que nunca precisamos de pessoas inclusivas... Espaços, organizações, projetos, propostas, posturas inclusivas

38 Diversidade convida... Convite para trilhar um caminho na condição de protagonistas de uma história em construção.

39 Um crença: Sustentabilidade é conceito em construção e depende de muitos olhares, ouvirmos muitas vozes, considerarmos muita gente para encontrarmos soluções que tornem a vida viável e melhor. A sustentabilidade mora na qualidade das relações! Aprendemos a discriminar negativamente e podemos aprender a valorizar a diversidade.

40 Obrigado! Reinaldo Bulgarelli Txai Consultoria e Educação

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