Comentário às questões do concurso do TCE_RS/Oficial_de_Controle_Externo/CESPE/2013

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1 Comentário às questões do concurso do TCE_RS/Oficial_de_Controle_Externo/CESPE/2013 Julgue os itens a seguir, relativos ao orçamento público. 96.O orçamento público tem caráter e força de lei, em sentido formal. Apesar de todas as divergências existentes na doutrina, hoje é posição dominante, conforme já decidiu reiteradas vezes o próprio STF, considerar o orçamento como uma lei formal, porque é emanada de um órgão com competência legislativa; entretanto não é material, pois apenas prevê as receitas públicas e autoriza os gastos, não tendo a necessária abstração e generalidade que caracteriza as leis materiais. O orçamento não modifica as leis financeiras e tributárias, tampouco cria direitos subjetivos. 97. Em atendimento ao princípio da universalidade orçamentária, deve ser adotada uma forma específica quando da elaboração do orçamento, fazendo-se constar todos os elementos pertinentes em um único documento. Na questão o examinador misturou os conceitos do princípio da UNIDADE e da UNIVERSALIDADE. Unidade ou Totalidade Estabelece que todas as receitas e despesas devem estar contidas numa só lei orçamentária. No âmbito de cada ente (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), em cada exercício financeiro, deve existir somente uma lei orçamentária anual. Universalidade ou Globalização Estabelece que todas as receitas e despesas, de qualquer natureza, procedência ou destino, inclusive a dos fundos, dos empréstimos e dos subsídios, devem estar contidas na lei orçamentária anual, ou seja, nenhuma receita ou despesa pode fugir ao controle do Legislativo. 98. Dado o princípio da exclusividade orçamentária, exige-se que o orçamento contenha apenas matéria financeira, não podendo conter assuntos estranhos à previsão de receita e à fixação de despesa, ressalvadas as hipóteses previstas na CF. Exclusividade Estabelece que a lei orçamentária anual não poderá conter dispositivos estranhos à fixação das despesas e previsão das receitas (por exemplo: criação de tributos, casamento, fixação de remuneração, etc.), ressalvada a autorização para a abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação da receita. Fernando Aprato Página 1

2 Esse princípio está consagrado no 8º do artigo 165 da Constituição Federal, da seguinte forma: Constituição Federal de 1988 Art Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: 8º - A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. 99. O projeto da lei orçamentária anual pode ser de iniciativa do Poder Legislativo, desde que computadas a receita e a despesa de todos os órgãos públicos. De acordo com o texto constitucional a competência para envio dos projeto da LOA é de competência privativa do Presidente da República. Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição; Julgue os próximos itens, que se referem às vedações constitucionais em matéria orçamentária A lei não permite a transferência voluntária de recursos pelos governos federal e estadual para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Lei no sentido amplo - Abrange qualquer norma jurídica. Lei (do verbo latino ligare, que significa "aquilo que liga", ou legere, que significa "aquilo que se lê") é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do ato normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito. A palavra lei pode ser empregada em três sentidos diferentes, conforme a abrangência que se pretenda dar a ela. Numa acepção amplíssima, lei é toda a regra jurídica, escrita ou não; aqui ela abrange os costumes e todas as normas formalmente produzidas pelo Estado, representadas, por exemplo, pela Constituição federal, medida provisória, decreto, lei ordinária, lei complementar, etc. Fernando Aprato Página 2

3 Já num sentido amplo, lei é somente a regra jurídica escrita, excluindo-se dessa aceção, portanto, o costume jurídico. Por fim, numa aceção técnica e específica, a palavra lei designa uma modalidade de regra escrita, que apresenta determinadas características; no direito brasileiro, são técnicas apenas a lei complementar e a lei ordinária. Art São vedados: X - a transferência voluntária de recursos e a concessão de empréstimos, inclusive por antecipação de receita, pelos Governos Federal e Estaduais e suas instituições financeiras, para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios A CF proíbe a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra sem autorização prévia em lei. Art São vedados: VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa; 102. É vedada a vinculação de receita de imposto para realização de atividades típicas da administração tributária. Não Afetação ou Não Vinculação das Receitas de "IMPOSTOS" A receita orçamentária de impostos não pode ser vinculada a órgãos, fundos ou despesas, ressalvados os casos permitidos pela própria Constituição Federal. Art São vedados: Constituição Federal de 1988 IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, 8º, bem como o disposto no 4º Fernando Aprato Página 3

4 deste artigo; As ressalvas ao princípio da não-vinculação de receita previstas na C.F são: Fundo de participação dos municípios FPM; Fundo de participação dos estados FPE; Fundo de compensação pela exportação de produtos industrializados; Recursos destinados para as ações e serviços públicos de saúde; Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB); Recursos destinados às atividades da administração tributária (arts. 198, 2º, 212, 37, XXII, da C.F EC 42/03); Recursos destinados à prestação de garantia às operações de crédito por antecipação de receita ARO (art. 165, 8º, C.F); Recursos destinados a prestação de contra garantia à União e para pagamento de débitos para com esta (art. 167, 4º, C.F); Recursos destinados a programa de apoio à inclusão e promoção social, extensivos somente a estados e ao Distrito federal até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida (art. 204, parágrafo único EC 42/03); Recursos destinados ao fundo estadual de fomento à cultura, para o financiamento de programas e projetos culturais, extensivos somente a Estados e Distrito federal - até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida (art. 216, 6, C.F EC 42/03); No que se refere à Lei n.º 4.320/1964 e ao planejamento orçamentário, julgue os itens subsequentes A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece metas e diretrizes a serem adotadas pela administração pública no período de quatro anos subsequentes ao de sua elaboração, estabelecendo um elo entre os instrumentos orçamentários previstos no plano plurianual e no orçamento anual. A LDO surgiu por meio da CF/88, almejando ser o elo entre o planejamento estratégico (PPA) e o planejamento operacional (LOA). Fernando Aprato Página 4

5 De acordo com o MTO de a LDO, instituída pela CF, é o instrumento norteador da elaboração da LOA na medida em que dispõe, para cada exercício financeiro sobre: - as prioridades e metas da Administração Pública Federal; - a estrutura e organização dos orçamentos; - as diretrizes para elaboração e execução dos orçamentos da União e suas alterações; - a dívida pública federal; - as despesas da União com pessoal e encargos sociais; - a política de aplicação dos recursos das agências financeiras oficiais de fomento; - as alterações na legislação tributária da União; e - a fiscalização pelo Poder Legislativo sobre as obras e os serviços com indícios de irregularidades graves O orçamento anual engloba o orçamento de investimentos, que consiste na previsão das receitas e na fixação das despesas das empresas cuja maioria do capital social com direito a voto pertença, direta ou indiretamente, à União. De acordo com o art. 165, 5º da CF/88, a lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. O orçamento de investimento das estatais independentes, incluindo as despesas com investimentos e suas respectivas fontes de financiamento devem fazer parte da LOA. Já as receitas e despesas operacionais das estatais indenpendetes fazem parte do PDG (Programa de Dispêndios Globais) Recursos arrecadados pelo ente público exclusivamente para fazer face às exigências contratuais pactuadas, a serem devolvidos no mesmo exercício financeiro, são considerados meros ingressos, e não receita orçamentária. Questão que trata dos ingresos extraorçamentários ou receita extraorçamentária (a banca não diferencia ingresso extraorçamentário de receita extraorçamentária, apesar de haver diferença entre os dois termos). Para a STN (Secretaria do Tesouro Nacional), os ingressos extraorçamentários são aqueles pertencentes a terceiros, arrecadados pelo ente público Fernando Aprato Página 5

6 exclusivamente para fazer face às exigências contratuais pactuadas para posterior devolução. Esses ingressos não se encontram previstos no orçamento e a STN os denomina de recursos de terceiros A diferença entre receita corrente e receitas de capital consiste no fato de a primeira advir da atividade típica do Estado e a segunda, da aquisição de bens. Nesta questão o examinador colocou uma despesa de capital (aquisição de bens) como sendo uma receita de capital. Receitas Correntes São os ingressos de recursos financeiros oriundos das atividades operacionais, para aplicação em despesas correntes, visando ao custeio/manutenção das atividades em geral e à implementação dos programas e ações do Governo. Despesas de Capital Classificam-se nessa categoria aquelas despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. De acordo com a Lei n 4.320/64, art. 12 classifica m-se em: INVESTIMENTOS, INVERSÕES FINANCEIRAS e TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL. 4º Classificam-se como investimentos as dotações para o planejamento e a execução de obras, inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas, bem como para os programas especiais de trabalho, aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de emprêsas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. 5º Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações destinadas a: I - aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização; II - aquisição de títulos representativos do capital de emprêsas ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento do capital; III - constituição ou aumento do capital de entidades ou emprêsas que visem a objetivos comerciais ou financeiros, inclusive operações bancárias ou de seguros. 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública A CF, tendo previsto a elaboração do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos anuais, estabeleceu uma sistemática de planejamento orçamentário. Fernando Aprato Página 6

7 De acordo com vários doutrinadores a Constituição Federal de 1988 recuperou a figura do planejamento da Administração Pública com a integração entre plano e orçamento por meio da criação do PPA e da LDO. Fernando Aprato Página 7

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