Ciências Contábeis Interdisciplinar

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1 Ciências Contábeis Interdisciplinar Autores: Prof. Me. Alexandre Saramelli Prof. Ma. Divane Alves da Silva Colaboradora: Profa. Elisabeth Alexandre Garcia

2 Professores conteudistas: Me. Alexandre Saramelli / Ma. Divane Alves da Silva Professor Mestre Alexandre Saramelli Nascido na cidade de São Paulo, é contador formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo e mestre profissional em Controladoria pela mesma Universidade. Atuou em empresas nacionais e internacionais de médio a grande porte como contador em áreas de custos e orçamentos e foi consultor em sistemas de controladoria da desenvolvedora alemã SAP. Atualmente é professor adjunto na Universidade Paulista e consultor empresarial. Como entusiasta de tecnologia da informação e ambientes altamente informatizados, é um incentivador da pesquisa, difusão e uso eficiente e intensivo das modernas ferramentas de gestão, transferência de conhecimento, ensino a distância e audiovisual. Professora Mestra Divane Alves da Silva Nascida na cidade de São Paulo, é mestre em Contabilidade pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1998), especialista em Controladoria e Contabilidade Gerencial pela Faculdade Santana São Paulo (1992), especialista em Didática do Ensino Superior pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1996), especialista em Ensino a Distância EaD (2011), graduada em Ciências contábeis pela Faculdade de Administração e Ciências contábeis Tibiriçá (1990) e em Filosofia Bacharel e Licenciatura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2009). Possui dois livros editados sobre a área contábil, além de participações em congressos, tanto na área contábil quanto na educacional, inclusive em EaD. Funções empresariais na área técnica: controller, contadora, auditora e consultora; na área acadêmica: atualmente, é coordenadora do curso de Ciências contábeis nas modalidades presencial e a distância na Universidade Paulista UNIP, professora de pós graduação nível lato sensu em Instituições de Ensino Superior IES: Universidade Presbiteriana Mackenzie, Universidade Paulista UNIP, Faculdades Metropolitanas Unidas FMU e em diversos cursos e disciplinas correlatas à formação. Também atua ministrando curso in company. Conteudista de materiais para ensino a distância, incluindo gravações de aulas. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S243c Saramelli, Alexandre Ciências contábeis interdisciplinar / Alexandre Saramelli; Divane Alves da Silva. São Paulo: Editora Sol, p., il. 1. Ciências contábeis. 2. Ciências contábeis interdisciplinar. 3. Interdisciplinaridade. I. Título. CDU Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista.

3 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Material Didático EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dr. Cid Santos Gesteira (UFBA) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Unip Interativa EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Profa. Melissa Larrabure Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista EaD Profa. Betisa Malaman Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Virgínia Bilatto Andréia Gomes Vitor Andrade

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5 Sumário Ciências contábeis Interdisciplinar APRESENTAÇÃO...7 INTRODUÇÃO...9 Unidade I 1 O DESAFIO DA CONTABILIDADE NO PADRÃO INTERNACIONAL Esquentando os motores O contador frente aos grandes desafios da sociedade atual Outros fatores da sociedade atual que trazem desafios aos contadores Princípios de contabilidade O conceito de fair value valor justo Processo de convergência O DESAFIO DA INTERDISCIPLINARIDADE Conceitos importantes para a aplicação do IFRS e as características qualitativas das demonstrações financeiras Definição da vida econômica e da vida útil de determinado ativo Características qualitativas das demonstrações contábeis Características qualitativas fundamentais Outras características desejáveis Neutralidade Confiabilidade Limitações existentes na divulgação de informações financeiras A interdisciplinaridade do profissional da contabilidade Como atender à necessidade de interdisciplinaridade?...47 Unidade II 5 uma revisão sobre as DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS conceito e legislação como surgiram as EMPRESAs? Tipos de sociedades e enquadramento fiscal das empresas Tributos relacionados à atividade de compra e venda de materiais para o estoque para empresas industriais Tributos relacionados ao resultado apurado pelas empresas, inclusive com a atividade industrial...70

6 6.4 Tributos sobre a contratação de empregados UMA EMPRESA EM OPERAÇÃO UM ESTUDO sobre a elaboração e utilização das demonstrações financeiras...75

7 APRESENTAÇÃO O ensino da contabilidade no Brasil, desde o técnico em contabilidade até o bacharel em Ciências contábeis, até poucos anos carregava uma preocupação essencialmente técnica. O profissional de contabilidade, via de regra, envolvia se em atividades como classificar contas, escriturar os livros da empresa, em sua maioria ainda de forma manuscrita ou mecanografada, gerenciar os fechamentos contábeis, preenchimento de documentos para o Fisco, entre outras. Todas essas atividades são da mais alta importância, porém, como diziam Johnson e Kaplan (1987) em seu famoso e polêmico livro The rise and fall of management accounting (O apogeu e declínio da contabilidade gerencial) os contadores eram vistos trabalhando em salas isoladas, sem interação com os demais profissionais da entidade. De fato, um contador, para prestar bons serviços, não precisaria necessariamente se envolver com os gestores de uma empresa ou mesmo saber em detalhes como seria o processo produtivo. Tanto faz se o contador trabalhasse em uma metalúrgica, em um supermercado, em um clube de futebol, em uma emissora de rádio e TV, o trabalho contábil seria exatamente o mesmo. A tecnologia evoluiu de forma rápida e influenciou todas as áreas do saber. A contabilidade teve um enorme benefício com o desenvolvimento da tecnologia, e hoje o perfil do profissional passou de um técnico que realizava atividades mecânicas a um consultor, que precisa orientar os profissionais de outras áreas. É necessário, como dizem Miranda e Miranda (2007), que o Ensino Superior também acompanhe essa evolução e prepare o profissional da contabilidade para atuar em um ambiente em que a contabilidade é um sistema de informações para a tomada de decisões. Atento a essa mudança de perfil, o Conselho Nacional de Educação (CNE), ainda em 2004, considerou que o novo profissional de contabilidade deve contar com conhecimentos não somente da área em que atua, mas também de áreas afins. Esses novos conhecimentos podem ser entendidos como uma atividade de interdisciplinaridade. O Parecer CNE/CES 776/97, nas orientações gerais para as diretrizes curriculares dos cursos de graduação, no ponto número 4, diz que devemos observar o seguinte: Incentivar uma sólida formação geral, necessária para que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional e de produção do conhecimento, permitindo variados tipos de formação e habilitações diferenciadas em um mesmo programa. Ainda no Parecer CNE/CES 776/97, no artigo 4, inciso II, entre as competências e habilidades que devem ser embutidas na formação de bacharéis, está a de demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil. Essa orientação é atendida no planejamento do curso de Ciências contábeis da Universidade Paulista. Na grade curricular, há várias disciplinas que fazem intersecção com outras áreas do saber indispensáveis ao novo contador, como direito, língua e interpretação de textos, matemática etc. No entanto, como comentam Miranda e Miranda (2007) baseados na opinião de Bellinaso (1998) o aluno do ensino superior tem a impressão de estar estudando assuntos distintos sem ligação entre si, ou seja, uma colcha de retalhos, uma justaposição de informações, de especializações. E como diz Santomé 7

8 (1998), cada professor preocupa se apenas com sua disciplina, considerando a mais importante e forçando os alunos a se interessarem somente por ela. A interdisciplinaridade, tal como proposta pelo Conselho Nacional de Educação, é um conceito complexo que vem sendo discutido nos meios acadêmicos e está em processo de construção. O Termo foi descrito pela primeira vez em 1937 pelo sociólogo Louis Wirtz, que deu a ele um significado filosófico prático, de integração de teorias, métodos, instrumentos. Miranda e Miranda (2006), baseados em autores como Luck (2002), Eagan (et al. 2002) e Caviglia Harris, Hatley J. (2004), dizem que a interdisciplinaridade é a integração e engajamento de educadores no conjunto, na interação das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade. Ainda segundo Miranda e Miranda (2006), Fazenda (1998) menciona que a interdisciplinaridade possui duas finalidades que não devem ser confundidas, porém, [...] precisam ser trabalhadas conjuntamente em relação ao método didático adotado, que são: a científica e a escolar. A principal diferença entre elas está em seu objetivo. A científica está ligada à produção de novos conhecimentos em resposta a algumas necessidades sociais, e a escolar, por outro lado, está ligada à difusão do conhecimento e à formação de atores sociais. Como forma de apresentar meios para os alunos diminuírem a suposta sensação de colcha de retalhos do curso de Ciências contábeis, tal qual exposta por Bellinaso (1998) e da natural tendência de os professores preocuparem se apenas com suas disciplinas, como disse Santomé (1998), e ainda de promover a interdisciplinaridade de forma científica e escolar como disse Fazenda (1998), decidiu se incluir no currículo do curso de Ciências contábeis da Universidade Paulista a disciplina Contabilidade Interdisciplinar. Esta disciplina, de acordo com o Plano Pedagógico do Curso (PPC), traz a seguinte descrição: Esta disciplina visa levar o aluno a estabelecer um diálogo entre os conhecimentos adquiridos em sua área e aqueles advindos de outros campos do saber. Pretende possibilitar o estabelecimento de um diálogo interdisciplinar, verificando áreas de intersecção, de complementação e de transferência de conhecimento. Como forma de obter os resultados almejados, os professores conteudistas optaram, para este livro texto, por realizar uma introdução com os principais requisitos necessários ao novo contador, por conta do uso no país das normas internacionais de contabilidade. Essa introdução é imprescindível porque traz uma reflexão sobre o que se espera do novo contador, acima de questões técnicas que as normas internacionais trazem. E, posteriormente, trabalha se o caso fictício das irmãs Josefa da Silva e Jussara da Silva, duas brasileiras que sonham em ter seu próprio negócio. 8 A introdução desse caso, além de seguir uma opção pedagógica, que é uma tendência no moderno ensino de contabilidade, a exemplo de Hastings (2011) e sua novela contábil, possibilita a intersecção de conhecimentos e trabalha de forma transversal as pequenas e médias empresas, tão importantes para a economia atual.

9 INTRODUÇÃO Olá, aluno(a) Imagino que você esteja franzindo a testa em reação a uma situação muito esquisita e se perguntando: o que é Contabilidade Interdisciplinar? E, mais do que isso, enfim, como estudar contabilidade interdisciplinar? Além disso, o que de tão importante esta disciplina traz e o quais os benefícios para a sua atuação profissional? Vale a pena estudar Contabilidade Interdisciplinar? Para quê? A ementa (Plano de Ensino) da disciplina Contabilidade Interdisciplinar traz o seguinte objetivo: Percorrer o conceito de aprendizado multidisciplinar e chamar a atenção para as diferenças das práticas e das teorias em Ciências contábeis; objetiva um diálogo interdisciplinar, verificando áreas de intersecção, complementação e de transferência de conhecimento nas Ciências contábeis. Esta disciplina, então, tem uma missão muito importante! A de promover uma reflexão sobre a intercomunicação entre as diversas disciplinas do curso de Ciências contábeis, e, para isso, serão propostas atividades práticas nas quais você possa vivenciar os conteúdos abordados. Mas, para entender perfeitamente a proposta desta disciplina, é interessante voltarmos um pouco no tempo e entender por quais modificações a profissão contábil passou nos últimos anos. A realidade da profissão contábil, até meados da década de 1980, era a de ser uma profissão de cunho técnico, prática. O ensino, então, era voltado a essa realidade, e continua a ser, em muitos aspectos. Embora alguns contadores sempre se envolvessem em atividades mais sofisticadas de uma entidade, a maioria gastava o seu dia em atividades essencialmente manuais, mecânicas, tinham de fato uma rotina de trabalho mais isolada. E como trabalhavam! Havia tanta carga de trabalho nas empresas que em muitos momentos não era possível sequer conversar com os contadores, completamente atarefados! Apesar de tanto trabalho, muitos questionavam se a contabilidade teria mesmo um lugar na nova sociedade. Essas críticas vieram até mesmo de acadêmicos muito importantes, como Johnson e Kaplan (1987), que levavam a entender que os contadores estariam perdendo a sua relevância, uma vez que não apresentavam nada de novo em termos científicos. Não seriam mais profissionais que pudessem trazer benefícios para a sociedade. Essa discussão, que, diga se de passagem, foi muito boa para a contabilidade, mostrou que Johnson e Kaplan (1987) estavam errados. Ao contrário, provou se que a contabilidade é cada vez mais relevante para a sociedade. As tecnologias evoluíram de maneira formidável nos últimos trinta anos, muito rapidamente e intensamente, e trouxeram mudanças fantásticas para todas as áreas do saber e da vida cotidiana, revolucionando a maneira como as pessoas vivem e trabalham. 9

10 Para os contadores não foi diferente. Nem todos reconhecem, mas é fato que sempre utilizaram a mais avançada tecnologia disponível no momento ao seu favor. Foram os primeiros a utilizar calculadoras eletrônicas, as míticas HP12C, os computadores, a tecnologia da informação. Mais do que isso, com as possibilidades que a tecnologia da informação oferece, os contadores distribuíram parte de sua grande carga de trabalho a outras áreas da empresa. Por exemplo, se antes um contador precisava classificar uma nota fiscal da compra de uma nova máquina e depois escriturar nos livros contábeis, atualmente a classificação é realizada pelos engenheiros, quando da emissão do pedido de compra. Assim que a máquina chegar ao prédio da fábrica, é realizado um registro automático nos livros contábeis, sem nenhum envolvimento direto do contador. O envolvimento do contador com os profissionais da área de tecnologia da informação é tão grande que muitos chegam até a confundi lo com o analista de sistemas. Da mesma forma, muitos contadores não se envolvem mais no trabalho de escrituração, que é completamente automático. O contador passou muito rapidamente de uma atividade técnica, isolada, para ser um consultor. Com isso, pode se dizer que o contador simplesmente abandonou seu perfil técnico, mecanicista, e passou a ser um profissional que ajuda os profissionais de outras áreas em matéria contábil. Ou seja, o contador já não está mais isolado em sua sala, passou a ser um profissional atuante, que interage com pessoas de dentro e fora da organização. Mas essa não e uma tarefa nada fácil, exige um preparo cuidadoso. Você está tendo esse preparo desde o momento em que iniciou seu curso; mas, por conta da atual dinâmica do sistema universitário, é bem capaz que esteja nesse momento com uma sensação de que as disciplinas são uma grande colcha de retalhos sem relação entre si. A disciplina Contabilidade Interdisciplinar surge, então, como uma oportunidade fantástica para você aplicar todos os conhecimentos que adquiriu até agora. E de forma muito próxima ao que irá encontrar ou já encontra no mercado de trabalho. Primeiramente, você será convidado(a) a entender, além das orientações mais imediatas, a forma como órgãos nacionais e internacionais, como o IASC (International Accounting Standard Committee Comitê Internacional de Contabilidade), a IASB (International Accounting Standar Board Comissão Internacional de Normas Contábeis) e o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), esperam que você atue. E, depois, irá conhecer o simpático caso das irmãs Josefa e Jussara, que querem abrir um negócio próprio. Imagine que você é o(a) contador(a) dessas irmãs. E imagine também como iria lidar com essa situação que envolve os diversos conhecimentos que tivemos ao longo do curso. Se tiver dificuldades com esses conhecimentos, sempre que achar necessário, retorne aos livros das disciplinas anteriores. A proposta é que você atue de forma profissional, em uma privilegiada preparação, para agir em situações reais. Bom e entusiasmado estudo! Um forte abraço dos 10 Professores Mestres: Alexandre Saramelli e Divane Alves da Silva.

11 Ciências Contábeis Interdisciplinar Unidade I 1 O DESAFIO DA CONTABILIDADE NO PADRÃO INTERNACIONAL 1.1 Esquentando os motores Da mesma forma que um atleta se aquece antes de iniciar um dia de exercícios físicos, vamos nos aquecer para iniciar o estudo de Ciências contábeis Interdisciplinar. O nosso aquecimento será baseado em um dos filmes mais aclamados da história do cinema internacional: Titanic. A pergunta é: Quanto custou o filme Titanic? Figura 1 Cartaz do filme Titanic 11

12 Unidade I A imprensa especializada diz que um dos filmes mais caros para serem produzidos na história do cinema foi Titanic. Grande parte da conta é devido ao fato de o diretor de cinema James Cameron, conhecido como um perfeccionista, ter exigido que fosse construído um gigantesco tanque de água onde uma réplica do navio, praticamente do tamanho real, foi afundada de verdade! A ideia era produzir uma cena autêntica, sem recorrer a efeitos especiais, que, por mais perfeitos que fossem, sempre deixariam escapar um artificialismo nas imagens. Os números exatos da contabilidade não estão disponíveis, mas a especulação em torno dos custos de produção gerou enorme polêmica. Diz se que uma boa parte dos custos foram relacionados com a construção da réplica do navio, com a decoração e a mobília luxuosa que foram usadas nos cenários e com a construção do tanque. No entanto, após as filmagens, o tanque onde Titanic foi filmado não foi desativado. Faz parte de um complexo dos Estúdios de Cinema Baja, no qual muitos outros filmes foram gravados desde então. Esse exemplo do cinema nos faz pensar sobre vários aspectos da contabilidade, atiçando nossa curiosidade e dando um prenúncio dos grandes desafios enfrentados atualmente pelos contadores. Por exemplo, como um contador deve responder a estas perguntas: 1) Se o tanque de água onde o Titanic foi filmado continua a ser usado para outras produções cinematográficas, não seria então um ativo? Ou seria uma despesa de produção do filme? 2) Um filme pode ser ativado nos balanços de um estúdio de cinema ou... é uma despesa? 3) Caso seja possível manter um filme no ativo de uma empresa, por quanto tempo ele poderá permanecer? 4) E as receitas, por quanto tempo poderão ser lançadas? 12 Observação No final deste livro texto, há um texto sobre como os norte americanos lidam com a contabilidade do audiovisual. 1.2 O contador frente aos grandes desafios da sociedade atual O mundo precisa da contabilidade? Essa inquietante pergunta traz um enorme desconforto, um amargor digno das maiores ameaças! Será que a contabilidade teria perdido o seu valor e sua razão de existir, caducando à margem das modernas e dinâmicas tecnologias? Será que a contabilidade já não mais atenderia aos anseios da sociedade e deveria ser encaminhada a um museu para que as pessoas do presente e do futuro conheçam como as coisas eram feitas? Todo nosso esforço como contadores (e, é claro, também o seu como estudante da ciência contábil) já não faria mais sentido?

13 Ciências Contábeis Interdisciplinar Ou... as modernas tecnologias e as mudanças sociais estariam dando para a contabilidade oportunidades valorosas? Estaríamos em um momento em que todas as condições seriam favoráveis para a contabilidade dar um salto qualitativo e ser reconhecida como um importante instrumento não apenas para administrar patrimônios e negócios, mas de democracia? Felizmente, nos últimos trinta anos muitos contadores ao redor do planeta não esmoreceram frente às ameaças e trabalharam em prol de uma contabilidade de oportunidades. No entanto, esse não é um caminho fácil e que está consolidado. Tornar a contabilidade relevante é uma tarefa de todos nós. Nesse sentido, abre se outra pergunta, que é o centro dos estudos da disciplina Ciências contábeis Interdisciplinar. O que devemos fazer? Para responder a essa pergunta, precisamos, antes, estudar o que ocorreu nos últimos trinta anos na contabilidade e o significado do processo de convergência da contabilidade às normas internacionais. Segundo Chua (2001), a partir da década de 1970, os acadêmicos sentiram um grande desconforto em relação ao desenvolvimento da pesquisa contábil e, em 1977, a Associação Americana de Contabilidade concluiu que não haveria uma teoria contábil geralmente aceita, mas uma proliferação de paradigmas que possibilitam somente uma orientação limitada para os tomadores de decisão. Ainda segundo Chua (2001), em 1976, Wells escreveu o livro Revolution of Accounting Thought Revolução no pensamento contábil, em que afirmava que a contabilidade careceria de um paradigma definitivo ou de uma matriz disciplinar. Em 1987, aumentando ainda mais um sentimento de insegurança que rondava a contabilidade, Johnson e Kaplan (1987) assustaram a comunidade acadêmica e a profissão contábil em geral quando afirmaram no livro The relevance lost (A perda da relevância) que a contabilidade havia perdido a relevância, sobretudo a contabilidade gerencial. Para essa afirmação, os autores apontaram como o motivo dessa perda de relevância o fato de que os gerentes continuavam a adotar técnicas que haviam sido desenvolvidas ainda no início do século passado. Esses autores argumentavam que se passaram várias décadas sem a adoção de novos e mais avançados artefatos contábeis. As teorias, então, teriam sido exageradamente simplificadas. Mesmo os mais modernos desenvolvimentos da tecnologia da informação usavam as mesmas teorias que já haviam sido criadas no período pós Revolução Industrial. Então, como não se produzia nada de novo, a contabilidade teria caducado ou se tornado irrelevante. Essas (fortes) críticas de Johnson e Kaplan (1987) receberam a atenção de vários pesquisadores desde então, que contestaram essa situação de irrelevância. Houve desenvolvimentos de novos artefatos contábeis, mas também a criação de uma certeza de que é necessário conferir para a contabilidade uma contínua relevância. Segundo Borinelli et al. (2005), houve respostas positivas da contabilidade gerencial. A seguir, um quadro com as principais críticas de Johnson e Kaplan (1987): 13

14 Unidade I Quadro 1 Quadro resumo dos argumentos e das críticas do Relevance Lost Argumento Justificativa Crítica Administração profissional desconhece o processo produtivo. Crescimento das organizações e descentralização da gestão Influência das informações contábeis para usuários externos Redução do foco de gestão de custos e ênfase na contabilidade de custos Automatização dos sistemas de informação Pouca participação dos acadêmicos Os profissionais não estavam divulgando novas técnicas Tomada de decisão com base em indicadores financeiros de curto prazo. Crescimento de custos não identificáveis diretamente com os produtos. Todos os custos e despesas deveriam ser imputados aos produtos. Inexistência de informações periódicas. Subserviência da contabilidade gerencial à contabilidade financeira. Informações financeiras inadequadas para informações gerenciais. Ênfase na contabilidade e não na gestão de custos. Alto custo de geração de informações por produtos. Formação universitária pautada em informes financeiros. Automatização dos sistemas já existentes. Ausência de inovações. Desaparecimento da avaliação gerencial de custos de produtos pós 1ª Guerra Mundial. Educação pautada na administração com base em indicadores financeiros. Pesquisadores acadêmicos influenciados por um modelo simplificado do comportamento das empresas. Questionamento das contribuições dos profissionais nos últimos sessenta anos. Como imputar todos os custos e despesas aos produtos? A relevância é perdida em função das relações sociais e do trabalho. Os argumentos são baseados em evidências não empíricas. Necessidade de J&K se posicionares sobre os propósitos da contabilidade gerencial e da contabilidade financeira são os mesmo. A educação contábil de custos não ficou estagnada, uma vez que houve diversas publicações que contemplavam informações para a gestão. Novos sistemas estão limitados ao custo x benefício. Estudiosos acadêmicos enfatizam: Relação custo x benefício das diferentes alternativas de decisão. Limitações da contabilidade financeira. A importância de outros dados para o planejamento e controle das operações. Tem havido sim relacionamento entre profissionais e acadêmicos. O poder dos profissionais e acadêmicos vem do seu conhecimento técnico. não aprimorá lo seria contraproducente ao interesse da classe. Fonte: Borinelli et al. (2005) Johnson e Kaplan (1987) dão a entender que os contadores estariam trabalhando de forma isolada, automática, restritos a seu escritório e a suas próprias preocupações, sem envolvimento com a equipe de profissionais da empresa, conforme podemos visualizar na figura a seguir: 14

15 Ciências Contábeis Interdisciplinar Figura 2 Isolamento funcional dos contadores dentro das organizações Além de a contabilidade gerencial (ou seja, a contabilidade para usuários internos) ter sofrido esse diagnóstico negativo, também a contabilidade financeira (ou seja, a contabilidade para usuários externos) estava enfrentando problemas muito graves. Cada país mantinha seu próprio conjunto de normas contábeis, sendo que as normas norte americanas, devido ao gigantismo e à importância da economia dos Estados Unidos da América, passaram a ser utilizadas como um padrão internacional, principalmente pelas empresas com ações nas bolsas americanas. Em alguns casos vergonhosos, empresas passaram a interpretar as normas contábeis da forma que melhor lhes conviesse. Não demorou para que surgissem escândalos, que foram agravados ainda mais pelas recentes crises internacionais, como a crise da Ásia. O diagnóstico de vários especialistas era de que a contabilidade não estaria atendendo às necessidades de informação dos investidores e gerando dúvidas ao invés de incertezas. É possível entender esse momento negativo da contabilidade pelas palavras de Sir David Tweedie, numa declaração ao jornal britânico The Guardian: Figura 3 Declaração de Sir David Tweedie Saiba mais É extremamente recomendável pesquisar na internet e conhecer um pouco sobre a impressionante biografia do Prof. Sir David Tweedie. 15

16 Unidade I Mais do que isso, os próprios fundamentos da contabilidade passaram a ser questionados. As entidades contábeis internacionais passaram, então, a tentar estabelecer um conjunto de regras com validade internacional, mas esse processo não decolava por várias razões. Essa situação chegou a seu ápice com a crise de , em que finalmente os governos nacionais, em particular o G20 1 (Grupo dos vinte), entenderam que adotar um conjunto comum de normas contábeis, com validade planetária, seria indispensável para evitar novas crises econômicas internacionais. A seguir, uma carta encaminhada ao Presidente Barack Obama pelos presidentes da IASB e da FASB (International Accounting Standards Board Comissão Internacional de Normas Contábeis e Financial Accounting Standards Board Comissão de Normas Contábeis dos Estados Unidos da America, respectivamente). Figura 4 Miniatura de uma carta do IASB/IFRS ao Presidente dos Estados Unidos Barack Obama 16 1 O G20 é um grupo que reúne os ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo (incluindo o Brasil) mais a União Europeia. Foi criado em 1999 como uma ação intergovernamental para enfrentar os problemas de sucessivas crises financeiras mundiais e após a crise financeira mundial de 2008 passou a assumir a centralidade como fórum de discussão sobre governança internacional antes ocupada pelo G7(atual G8). Para mais informações, consulte o site da entidade <http://www.g20.org/> disponível em inglês e em espanhol) e a matéria jornalística do Bol <http://noticias. bol.uol.com.br/internacional/2010/11/09/paises do g20 concentram 80 do comercio mundial.jhtm>.

17 Ciências Contábeis Interdisciplinar A IASB/IFRS respondeu a recomendações da declaração do grupo do G 20 publicada em abril de 2009 e, desde então, a cada reunião desse grupo é emitida uma carta ao anfitrião (o líder político máximo do país) do país que sedia uma reunião do G 20, atualizando os líderes com as ações que estão em curso para a convergência contábil internacional. As cartas são escritas em língua inglesa e sua leitura literal é muito recomendável para refletir e entender o enorme esforço que está sendo empreendido. Uma das cartas foi traduzida para o português: 24 de junho de 2010 Ao honorável Stephen Harper Primeiro Ministro Gabinete do Primeiro Ministro 80 Wellington Street Ottawa Canadá K1A 0A2 Prezado Sr. Primeiro Ministro: Em nome do Comitê Internacional de Normas Contábeis International Accounting Standards Board (IASB) e do Comitê de Normas Contábil Financeiras Financial Accounting Standards Board (FASB), que representam os órgãos normativos encarregados de desenvolver padrões contábeis de alta qualidade, escrevemos ao senhor na qualidade de anfitrião da próxima reunião da Cúpula de Líderes do G20. Solicitamos respeitosamente que a Secretaria da reunião faça circular esta carta para todos os outros participantes da reunião. Entendemos a importância que os líderes do G20 atribuem à questão da normatização de contabilidade. No encontro de Pittsburgh, em setembro de 2009, os líderes do G20 afirmaram: Apelamos aos nossos organismos internacionais de contabilidade para redobrar seus esforços para alcançar um conjunto único, global e de alta qualidade para normas de contabilidade, que dentro do âmbito do seu padrão independente e de seus processos de decisão, completem o seu projeto de convergência até junho de O Comitê Internacional de Normas Contábeis International Accounting Standards Board (IASB) deverá aumentar ainda mais o envolvimento dos vários intervenientes. Relatamos o progresso do nosso trabalho para os Ministros das Finanças do G20 antes de sua reunião na Coreia no início deste mês. Atribuímos essa carta para o seu conhecimento. 17

18 Unidade I Essa carta ressaltava nosso compromisso comum para a melhoria internacional das normas internacionais Financial Reporting Standards (IFRS), e a convergência dos princípios geralmente aceitos norte americanos (USGAAP). Destaque se também a nossa compreensão da relevância do objetivo de junho de 2011 como meta para os que os membros do G20 adotem as IFRS, e 2011 ou 2012 para os outros países, incluindo o Japão e os Estados Unidos que consideram a continuidade da melhoria e convergência como um aspecto importante para os seus mercados de capitais. Observamos também que muitas partes interessadas (stackholders) manifestaram a sua preocupação sobre a capacidade de fornecer informações de alta qualidade para os relatórios que foram planejados para publicação no segundo trimestre deste ano. Por essa razão, no momento da nossa redação ao grupo de ministros de finanças do G20, as duas entidades estavam no processo de desenvolvimento da revisão de uma estratégia que dê condições de cumprir o prazo de junho de 2011 ou antes disso. Para tal, o mais urgente é melhorar as IFRSs e as normas contábeis geralmente aceitas norte americanas. Nós também estamos identificando projetos que são adequados e podem ser analisados em um segundo momento, aqueles que acreditamos tenham assuntos que acreditamos ter uma prioridade menor ou que vão demandar análise e pesquisa. Já completamos nossa atenção nas estratégias a serem modificadas e enviamos em anexo o programa de trabalho atualizado. O pronunciamento dos líderes em Pittsburgh enfatizou a importância do engajamento das partes interessadas (stakeholders). Acreditamos que o programa modificado de trabalho, onde há fases para a publicação de pronunciamentos e interpretações, possibilitam a participação das partes interessadas (stakeholders) de forma ampla e eficaz nesse processo que é crítico para atingir uma boa qualidade nos nossos padrões. A natureza dos comentários recebidos em nossos documentos de discussão vai determinar a extensão das redeliberações necessárias e outros passos e esforços que vão ser necessários para atingir esse objetivo. Nós gostaríamos do suporte do G20 para o desenvolvimento de um conjunto comum de padrões contábeis globais de alta qualidade. As duas instituições continuam compromissadas em alcançar o objetivo. Iremos continuar a providenciar atualizações periódicas relatando os progressos. Atenciosamente, David Tweedie Presidente da IASB Robert Herz Presidente da FASB Tradução: Prof. Me. Alexandre Saramelli 18

19 Ciências Contábeis Interdisciplinar Saiba mais No site da IASB, é possível encontrar uma página exclusiva dedicada aos documentos emitidos ao G20, relatando as ações da IASB/IFAC (em inglês). <http://www.ifrs.org/financial + crisis/update+g20+response.htm> Durante as discussões das normas internacionais pela IASB e outros órgãos, a questão da relevância foi muito lembrada. Para conferir às demonstrações financeiras maior relevância, entendeu se que seria imprescindível conferir para a contabilidade características qualitativas e uma preferência por demonstrações contábeis que vão ao encontro dos interesses dos investidores, como é o caso da Demonstração do Fluxo de Caixa. Segundo Chua (2001), a tendência atual da contabilidade alicerça se em um conjunto de pressupostos filosóficos sobre o conhecimento, o mundo empírico e a relação entre teoria e prática. Os contadores teriam a tendência de lidar apenas com o que seria mais eficiente e efetivo para estabelecer quais são as necessidades de um tomador de decisões. Um contador não se envolveria com julgamentos morais sobre as necessidades ou objetivos de um tomador de decisões, limitando se a orientar o que deve fazer para que esse tomador de decisões tenha mais sucesso, seja mais rentável. Chua (2001) (apud CHAMBERS, 1966, p ) dá ao contador uma característica de neutralidade. Observação Estudaremos as características qualitativas das demonstrações contábeis nas próximas unidades. 1.3 Outros fatores da sociedade atual que trazem desafios aos contadores Neste tópico, analisa se o cenário mundial e os principais fatores que afetam o trabalho dos contadores e o ambiente da contabilidade internacional. A globalização e a União Europeia O fenômeno da globalização, visto simplificadamente como o comércio internacional entre nações, não é recente. Há séculos, ocorre comércio entre pessoas de diversas nacionalidades. Os diversos Estados Nacionais (países) influenciam e regulamentam esse processo, e nem sempre há permissão para a livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. Não raramente, impede se a um cidadão de certa nacionalidade o direito de viver em um país que proporcione melhores condições de vida, embora, na maioria dos casos, seja permitido a esse mesmo cidadão acesso a mercadorias e serviços produzidos em outros países, além de liberdade para remeter capitais. 19

20 Unidade I 20 Com a livre circulação de capitais, é possível formar negócios em diversos países, o que naturalmente abre o desejo de que esses negócios estejam sob as mesmas normas contábeis. Porém, por si só, a globalização não traz necessariamente uma necessidade de adoção de uma contabilidade internacional. O que vimos, poucos anos atrás, é que as nações mais desenvolvidas, principalmente a pujante economia norte americana, faziam de suas normas internacionais um padrão a ser seguido também em outros países, atuando na prática como com normas internacionais. Apesar de já haver normas internacionais, as IAS (International Accounting Standards Normas Contábeis Internacionais), emitidas pela Federação Internacional de Contadores, não havia motivação para a aplicação prática. A situação, de certa forma, estava confortável dessa maneira. Essa situação começou a mudar por ocasião de uma iniciativa notável: a formação da Comunidade Europeia, fato relevante que vem inspirando a adoção de atitudes semelhantes por outros países. Conforme comenta Thorstensen (1992), após conflitos sangrentos nos quais se tentou, por meio da força, impor uma unificação entre os países europeus, chegou se a um acordo no qual os países, por livre e espontânea vontade, criaram uma união comercial com livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. O ponto básico de toda a experiência da Comunidade Europeia é a consciência de que ganhos econômicos só seriam possíveis através de uma integração política, o que implicaria a transferência de grande parte das soberanias nacionais para o âmbito da estrutura de poder da Comunidade (THORSTENSEN, 1992). Essa experiência trouxe, naturalmente, a necessidade de tentativas de padronização da contabilidade, porque se fez necessário uma integração entre os negócios da comunidade. Dessa forma, os países, em matéria de adoção de princípios e normas contábeis, ao invés de olharem apenas para seus problemas nacionais, passaram a olhar também para a comunidade e a agir em conjunto. Foram justamente as reuniões da União Europeia e as publicações de diretivas comuns que fizeram o sonho das normas realmente internacionais de contabilidade começarem a virar uma realidade. O surgimento de grupos políticos, como o G7 (Grupo dos Sete) e atualmente o G20 (Grupo dos Vinte), também é acompanhado por iniciativas de padronização contábil por meio de órgãos internacionais, conforme estudaremos em capítulo específico. O ordenamento jurídico nas nações O Brasil adota como base jurídica o chamado direito romano. Não são todos os países que adotam essa mesma base jurídica. Alguns, como a Inglaterra, preferem outros ordenamentos jurídicos, como a Commom Law, outros preferem a Sharia, a lei islâmica.

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