O Estar Só e a Cidade: As Mudanças na Subjetividade Tarcyanie Cajueiro Santos, pós-doutoranda, USP RESUMO

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1 O Estar Só e a Cidade: As Mudanças na Subjetividade Tarcyanie Cajueiro Santos, pós-doutoranda, USP RESUMO A nossa intenção é a de apontar as vias pelas quais podemos pensar as relações entre a reestruturação urbana das grandes cidades e a sua relação com a constituição de novas subjetividades. A solidão aparece como uma questão onde gravita a problematização desta relação. Os transportes e os meios de comunicação reestruturaram as cidades e propiciaram o aparecimento de subjetividades, que pautadas pela velocidade, contribuíram para o aparecimento de uma solidão não localizável. A nova reurbanização do mundo e o impacto dos fluxos eletrônicos de informações, do final do século XX, ampliaram este processo. O redimensionamento do espaço, daí derivado, ajuda a desenhar o novo mapa da solidão, tecendo uma face das subjetividades contemporâneas, que neste artigo é pensada sob a perspectiva do zapeador e dos sites de namoro que hoje abundam na internet. PALAVRAS-CHAVES: Reestruturação urbana; subjetividades; solidão; comunicação Trabalho apresentado no NP 08 - Tecnologias da Informação e da Comunicação, do IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom. Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Membro do Filocom, ECA/USP e pesquisadora, em nível de pós-doutorado, da ECA/USP, com financiamento da Fapesp. Entre algumas publicações constam: SANTOS, T. C. Sociabilidade Tecnológica. In: GALENO, Alex (org.). Complexidade à Flor da Pele. Ensaios sobre Ciência, Cultura e Comunicação. São Paulo, Cortez,

2 O Estar Só e a Cidade: As Mudanças na Subjetividade Passei a minha infância no final dos anos 50 e começo dos anos 60 em um novo bairro de classe média, Sumaré, que desde o final dos anos 60 está completamente urbanizado e incorporado ao centro expandido. Quando nos mudamos para cá, as ruas ainda não eram asfaltadas, não havia sistema de esgoto nem telefone (...). Algumas vezes, quando chovia, o belo Chevrolet 54 azul do meu pai, diretamente importado dos Estados Unidos e projetado para outras ruas, ficava atolado na lama (...). Não havia muitas casas na nossa rua, e algumas pareciam pequenas chácaras, com suas hortas no jardim e galinhas. Apesar de ser um bairro de classe média, no final dos anos 50, ele ainda estava em processo de urbanização, como o Jardim das Camélias, na periferia, quando fui lá pela primeira vez no final dos anos 70. A cidade cresceu tão rápido que há não muito tempo ele era tão pouco desenvolvido. Por muitos anos, a casa de minha família teve um muro baixo. O portão permanecia aberto o tempo todo e era só fechado à noite. Quando o bairro se desenvolveu as calçadas se encheram de gente e o tráfego aumentou consideravelmente nos anos 70, meus pais subiram o muro e começaram a fechar o portão durante o dia (...). No começo dos anos 80, a casa de meu pai foi assaltada e o portão passou a ser trancado. Hoje meu pai tem um guarda particular dentro dos muros durante a noite e o portão fica trancado 24 horas por dia (...). Todas as casas e prédios ao redor foram reformados e acrescentaram portões e muros. Há vários outros guardas particulares no quarteirão. A rua, que hoje combina residências, escritórios e comércio, é intensamente usada durante o dia (na verdade, estacionar tornou-se um problema), mas me sentiria pouco à vontade em andar lá depois do anoitecer. Teresa Caldeira, Cidade de Muros Ao discorrer sobre as transformações do bairro em que morou durante muitos anos, Teresa Caldeira aponta para uma experiência que não é específica de um local, mas compartilhada por inúmeras habitantes do planeta: as metamorfoses no espaço, no tempo e nas relações sociais em virtude das freqüentes urbanizações e reurbanizações das cidades. Os transportes e os meios de comunicação deram início a este processo. Junto com a disseminação dos eletrodomésticos e da reforma habitacional, essas duas grandes formas de comunicação do século 20 propiciaram o aparecimento do indivíduo, no grupo familiar; desdobrando, desta forma, a própria vida privada no seio da família. As construções de vias expressas e de becos residenciais nas grandes cidades aumentaram a autonomia do indivíduo no lar. O automóvel a consagrou, pois permitiu que o indivíduo escapasse com mais rapidez e freqüência à esfera doméstica, ampliando a sua sensação de liberdade e de conquista. O advento das novas tecnologias informáticas e comunicacionais deu, por sua vez, um toque a mais neste processo de transformação do espaço e da geografia das cidades. Hoje já se fala em dois tipos predominantes de espaço no cenário urbano: a cidade material (misto de 2

3 médium e cimento 1 ) e a cidade virtual. Interligadas, podendo ser vistas como centros de cruzamento e de interconexão de redes institucionais, tecnológicas e sociais [Pereira, 1997], ambas são marcadas pelo deslocamento. Sendo mais zonas de passagem do que propriamente de fixação. A lógica do funcionamento de uma é a mesma da outra, pois tanto a cidade virtual quanto à cidade urbana são projetadas para abrir caminho para o movimento e a circularidade generalizada [Coletivo NTC, 1996, p.155]. O processo de urbanização do mundo e o impacto dos fluxos eletrônicos de informações, as denominadas redes mediáticas, também contribuíram para o aparecimento de uma solidão não localizável. O redimensionamento do espaço, daí derivado, e a crise do sistema patriarcal tecem uma face das subjetividades contemporâneas, desenhando o novo mapa da solidão. O espaço público, outrora pensado como local de contato e de livre circulação, é hoje reescalonado para os espaços privatizados, fechados e monitorados, cujo eixo principal é a casa, que aparece como o centro irradiador de uma nova forma de relacionamento social. A ênfase da arquitetura moderna nas máquinas e nos transportes, especificamente no automóvel, possibilitou o projeto de destruição das ruas e das esquinas. Sem ambas, não há vida social no espaço público, não há multidão urbana ou pontos de contato, o que força as pessoas a permanecerem em seus apartamentos, aumentado a sua sensação de isolamento 2. O planejamento e a arquitetura modernistas criaram um mundo espacial e socialmente segmentado, substituindo a espontaneidade dos encontros na rua pela formalidade das visitas no espaço privado da moradia. A nova configuração urbana, auxiliada pela internet, definitivamente, consolidou a casa como o ponto mensagens, que chegam e partem. Pois ela possibilita a nossa comunicação com o mundo sem que precisemos nos deslocar fisicamente ou nos sentir ameaçados, como ocorre quando estamos na cidade material. A nova configuração urbana, que se desenha nos últimos anos, faz emergir cidades muradas e encarceradas, concorrendo para a segregação espacial e a implosão do espaço público moderno. Seu aparecimento, na segunda metade do século XX, não deriva apenas do 1 Os corredores que compõem as cidades estão se configurando como uma imensa cobertura de treliças, feita de ligações de telecomunicação avançada, conectando os sistemas urbanos a uma grade eletrônica. São essas grades que circundam o planeta e constituem-se na base tecnológica para a aceleração dos fluxos no tráfego mundial de telecomunicações: fluxos de voz, fax, fluxos de imagens, sinais de TV, e vídeo. Os fluxos instantâneos explodem, hoje, no espaço físico das cidades e dos edifícios, e parecem sustentar e inter-relacionar todos os elementos da vida urbana (Graham, Rumo à cidade em tempo real. In: Da cidade de pedra à cidade virtual. MORENO, Júlio (org.).são Paulo, Paz e Terra, 1999, p.16). 2 Ao estudar a arquitetura moderna de Brasília e os seus efeitos sobre a população, James Holston aponta para o problema que é a morte na rua. Segundo o autor, uma vida sem praças, ruas, calçadas e esquinas, como é a de Brasília produz um efeito de interiorização e de isolamento. Segundo ele, como as pessoas em geral relutam mais em receber os amigos em suas casas do que em encotrá-los em um lugar público, essa interiorização da vida social teve o efeito de restringir e, por fim, de circunscrever o universo social. Holston. A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo, Companhia da Letras, 1993, p

4 medo do crime, fazendo com que as pessoas fiquem mais em casa, e da intensificação dos movimentos sociais, que trouxeram à vista os indesejáveis. As cidades muradas e a sua ênfase nos dispositivos informáticos e comunicacionais assentam-se na tecnologia, estruturante social, tendo por base um profundo individualismo e os sistemas de comunicação, que estão se impondo como formas primordiais de contato social em função do desinvestimento operado no coletivo. Caldeira considera que esta nova reestruturação urbana, baseada em fronteiras fixas e espaços de acesso restrito e controlado, sofreu a influência da cidade-jardim e do modernismo. As diferentes concepções presentes em tais modelos, que transformaram radicalmente a vida pública das cidades, têm em comum a ausência da calçada, o enclausuramento, a internalização de áreas de comércio, a construção de grandes ruas projetadas apenas para o tráfego, assim como o isolamento entre prédios esculturais e áreas residenciais, que criam e mantém a separação social. No entanto, enquanto estes modelos objetivam destruir os espaços privados, produzindo um espaço público total e unificado, o modelo arquitetônico contemporâneo busca estender alguns domínios privados de forma que eles possam cumprir funções públicas, mas de maneira segregada. Usa-se, deste modo, as convenções modernistas para criar espaços em que a qualidade privada é enfatizada acima de qualquer dúvida e em que o público, um vazio disforme tratado como resto, é considerado irrelevante 3. Neste novo padrão arquitetônico, a velocidade do deslocamento como uma forma de experimentação no espaço concorre para uma vida nas grandes cidades mais fragmentada, mais volátil, cheia de deslocalizações e re-localizações. O espaço físico perde importância para um espaço cortado pela velocidade, grande flecha, propiciadora dos mais variados estímulos e desejos. Os computadores e os sistemas telemáticos digitais colocam em xeque as premissas das cidades materiais, inspiradas no ideal moderno de espaço público. Mesmo marcadas por desigualdades e injustiças sociais assim como por segregações espaciais, tais cidades, inspiradas por esse modelo, sempre mantiveram sinais de abertura relacionados em especial à circulação e ao consumo, sinais que sustentaram o valor positivo ligado e acessível a todos [Caldeira, 2000, p.303]. Misturadas às imensas coberturas de treliças, as cidades materiais estão cada vez mais confinadas a enclaves homogêneos e murados, contradizendo os ideais modernos e suas 3 A nossa intenção é de apontar as vias pelas quais podemos pensar a reestruturação urbana e das relações sociais, para podermos pensar a questão da solidão nos centros urbanos. Não objetivamos aqui uma análise comparativa entre o projeto modernista e este novo padrão de organização das cidades, que Caldeira denomina enclaves fortificados. Sobre esta questão ver Caldeira. Cidade murada, op. cit., pp.312;313. 4

5 liberdades democráticas [Idem, ibidem]. Barreiras físicas se erguem, cercando e separando os espaços públicos e privados. Investimentos e desejos, outrora depositados na cidade material, são agora transferidos, de um lado, para os territórios entrincheirados, com fronteiras rígidas e policiadas; de outro, para a imaterialidade eletrônica das redes. Enclaves privados e espaço virtual: com a atomização e a dispersão do cenário urbano ambos buscam criar uma suposta unidade anterior, ou seja, o mito do social 4. Enquanto vivenciamos o espaço urbano como um local perigoso, violento e sujo, espaços privados como condomínios privados, shopping centers, parques temáticos e, mais ainda, as tecnologias informacionais e comunicacionais surgem como uma nova ficção do social. Isto é, como uma garantia (ainda que precária, em vários aspectos) de neutralização da ameaça de desagregação total da sociedade e de revalidação do mito de totalidade, vale acrescentar, de interdito aos processos endógenos que produzem linhas de fuga incontroláveis e comprometem a própria sobrevivência da sociedade [Coletivo NTC, 1996, p.88]. No entanto, com esta estética transfigurada entre o dentro e o fora, o permitido e o proibido, a chegada e a saída, as nossas cidades, como diz Virilio, parecem construídas mais para comunicar, do que propriamente permitir a comunicação. Não é sem motivo que, ao vivenciá-las, nos deparamos com os fantasmas da desagregação, do isolamento, da exclusão e, sobretudo, da solidão. Muito embora as pessoas, que se deslocam no espaço urbano, o façam de maneira criativa, utilizando este espaço de forma individual, o fato é que em grandes cidades do mundo, como São Paulo, que utilizam o mesmo repertório arquitetônico, está havendo uma mudança de sensibilidade corporal. Suas ruas podem estar cheias de gente, como em alguns bairros centrais de comércios e serviços ou em centros regionais, mas a experiência da multidão e a qualidade das interações anônimas mudaram [Idem, ibidem, p.320]. Perto dos espaços de circulação controlada, o uso das ruas, das calçadas e das praças é mais raro, pois quando as ruas são feitas para os automóveis, a circulação de pedestres torna-se uma experiência desagradável. Nos bairros centrais, onde as ruas ainda são usadas por pessoas de diversos níveis sociais, a experiência de andar na rua se modificou: com medo de serem assaltadas elas andam depressa e atentas, sendo também vigiadas por seguranças privados e 4 Segundo o Coletivo NTC. Pensar-pulsar: cultura comunicacional, tecnologias e velocidade, op. cit., p. 86, o conceito de social é um a ficção. Trata-se de um conceito analítico, como função aglutinadora, capaz de engendrar imaginariamente uma totalidade, uma complexidade que na prática não é de fato registrável. Embora seja uma construção discursiva ligada ao processo de industrialização iniciado na Europa no século XVIII, o social, enquanto mito que reflete o desejo humano de união, parece estar presente em diversas culturas, embora com nomes ou sentidos diferentes. 5

6 câmeras de vídeo a postos na frente de prédios comerciais e residenciais 5. As favelas, por sua vez, não escapam a esta lógica do banimento. A grande diferença é que lá impera outro poder e moram os pobres. Até mesmo as numerosas e luxuosas instalações para o uso comum dos edifícios e dos condomínios fechados refletem essa experimentação do espaço, menos afetiva e amigável. Caldeira, em sua pesquisa de campo, analisa o pouco uso das áreas comuns nestes ambientes. Segundo a autora, a baixa sociabilidade talvez se relacione com o mal-estar sentido pelos moradores com a idéia de partilhar um espaço residencial. Neste aspecto, as grandes instalações comuns parecem ter a ver mais com ostentação do que com um novo padrão de sociabilidade entre vizinhos ou com novos conceitos de vida privada, anunciados no marketing pelos meios de comunicação [Caldeira, 2000, p.268]. Na nova arquitetura da cidade material, os princípios organizadores da vida social não são mais possíveis, nem mesmo como ficção [Writheim, 2001, p.340]. Ao permitir a movimentação compulsória, o espaço urbano organiza o banimento e demarca zonas de fixação. Segundo Virilio, a velocidade ininterrupta do deslocamento produz um poderoso efeito de encarceramento, setorizando, codificando e fragmentando a fixação. Sob o império da velocidade e da cidade superexposta, como diz este autor, elegemos um modo de vida: sedentarismo nômade. O espaço vigiado, controlado e devassado tornou-se critério não apenas de segurança, mas principalmente de status e diferenciação social 6. Enquanto as elites de muitos países do mundo se fecham em suas residências enclausuradas, isoladas e fortificadas, desinvestindo no espaço público moderno, muitos pensadores e idealizadores, ou ainda os já conformados com esta nova reorganização urbana, buscam o espaço público nas redes imateriais da internet. Neste mundo cada dia mais asséptico e separado, o ciberespaço passou a ser visto como uma reinvenção da ágora grega, ou até mesmo, uma tentativa de construir um substituto tecnológico para o espaço cristão do Céu [Writheim, 2001, p.14]. Afinal, para que borrar as fronteiras materiais se podemos fazer isso no mundo imaterial, sem grandes custos físicos 7? 5 Segundo Caldeira, mesmo com a existência de uma vida social relativamente intensa nas ruas dos bairros de classe trabalhadora, como o Jardim das Camélias, houve uma modificação nos padrões de relacionamento social. Agora, o que impera é o medo do crime. Idem, ibidem. 6 Segundo Caldeira, os condomínios fechados são o tipo mais privilegiado de moradia em São Paulo hoje em dia. As referências aos seus elementos aparecem em todos os tipos de empreendimentos imobiliários. Segurança, cercamento, isolamento, equipamentos coletivos e serviços integram um código de distinção que pessoas de todas as classes sociais da cidade entendem e usam para elaborar, transformar e dar significado a seus espaços. In: Caldeira. Cidade de muros, op. cit., p Teresa Caldeira, ao analisar o ideal moderno de espaço público, chama atenção de teóricos da democracia como Claude Lefort, Chantal Mouffe, Ernesto Laclau e Etienne Balibar. Conforme a autora estão presentes nos escritos destes autores a ênfase na não-assimilação das diferenças, a insistência em uma política e em um espaço público (da cidade material ou de 6

7 A cidade, devido à velocidade dos fluxos comunicacionais, torna-se menos visível e modifica a percepção do espaço como lugar, redimensionando-o para um outro, o não-lugar imaterial, construto das tecnologias informacionais [Pereira, 1997]. Afinal, seus novos locais de referência se dão nos metrôs subterrâneos, nos satélites, nos fax, nos shopping centers e nas telas de tevê, só para citar alguns exemplos, desdobrando-se no espaço das redes virtuais. O mundo passa a ser conhecido, sobretudo por meio desses locais que podem ser considerados como espaços revestidos de significados pelas pessoas. Mas, que no entanto, comportam um sentido diferente daquele das ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos das cidades modernas. Por isso, existe uma forte relação entre as tecnologias e os redimensionamentos dos lugares, na medida em que os lugares anteriormente revestidos de marcas, fronteiras e recordações são deslocados em virtude de autopistas, de um percurso que se distancia cada vez mais e suprime a paisagem. A praça central, a catedral e o monumento, como locais de encontro entre as pessoas 8 são substituídos por espaços cujas tecnologias têm mais a ver com o modo de vida da sociedade informacional. Esta nova remodelação do social permite, por um lado, a continuação do relacionamento com o outro, por meio da presença e do contato físicos, como o homem tem feito a anos. Mas agora em universos autocontidos, longe da desordem da vida pública da cidade. Por outro, ela fomenta um novo espaço de relacionamento, interação e comunicação, por meio de sistemas on-line, a partir da interação entre os media e as tecnologias informacionais. Marc Augé [1994], ao falar sobre o panorama da sociedade atual, defende a tese de que hoje se produzem não-lugares, em detrimentos dos lugares antropológicos. Enquanto estes se definiriam como um espaço identitário, relacional e histórico, os não-lugares, fruto das novas tecnologias, seriam espaços constituídos em relação a certos fins (transportes, trânsito, comércio, lazer) e à relação que os indivíduos mantêm com esses espaços [Idem, ibidem, p.87]. Relação esta, segundo o autor, exclusivamente ligada à finalidade e à utilidade do espaço, de modo que se os lugares antropológicos criariam um social orgânico, os nãolugares fomentariam apenas a tensão solitária. Enquanto a mediação presente no lugar ocorre por meio de uma experiência simbólica, interior; no não-lugar, a mediação passa por palavras, por textos sinalizadores. São espaços de pedra) fundados na incerteza, na abertura, na fluidez, na negociação de encontros anônimos, enfim, na flexibilidade das fronteiras. In: Caldeira. Cidade de muros, op. cit. 8 Estou pensando nos incluídos, naqueles que podem participar desses lugares. 7

8 citação, em que a história, ao ser minuciosamente remontada, torna-se espetacularizada. Augé nos fala das rodovias francesas onde há inúmeros painéis que informam aos viajantes a história de cada cidade, de modo que a paisagem torna-se leitura e não mais olhar. Também poderíamos invocar, para caracterizar os não-lugares, os bancos, os supermercados, as autoestradas, espaços que se exprimem de maneira prescritiva - pegar a fila à direita, proibitiva proibido fumar, ou informativa bem-vindo a São Paulo. Contudo, estes espaços fugidios e impessoais, construtos das tecnologias comunicacionais, podem ser considerados uma dimensão do lugar, que não o substitui, dandolhe sentido. Embora o não-lugar seja um conceito esvaziado de afetividade, ele pode criar um lugar antropologicamente eletrônico espaço não apenas investido de memória e de lembrança, como também a um só tempo real, virtual e imaterial, propício ao aparecimento de uma nova sociabilidade. Pois é no anonimato do não-lugar que se experimenta solitariamente a nova sociabilidade, como no anonimato da Internet se cria um novo lugar 9. Nesse aspecto, o não-lugar espaço de transitoriedade e de rápida circulação pode ser entendido como o lugar, porque esses conceitos não são formas puras, mas polaridades fugidias: o primeiro nunca é completamente apagado e o segundo nunca se realiza totalmente palimpsestos em que se reinscreve, sem cessar, o jogo embaralhado da identidade e da relação [Auge, 1994, p.74]. Pois o homem é um ser em constante reconstrução, ressignificando o seu cotidiano e suas relações, mesmo em uma sociedade que investe cada vez mais no tempo real e no espaço imaterial e virtual, em detrimento do espaço material. Nas cidades de hoje, apesar de a interação comunicativa ceder lugar à movimentação compulsória [Virilio, 1993], por meio da interferência desagregadora da velocidade, há a emergência de novas formas microscópicas de sociabilidade, mesmo tendendo a espaços privados [Coletivo NTC, 1996]. Aqui, aquela perambulação que é experimentada no vagar, sem pressa do flâneur é substituída pela montagem do zapeador 10. Diferentemente daquele que faz da rua a sua casa, procurando lembranças; este passa pela cidade com a mesma lógica de quem muda seus canais de televisão com o controle remoto. Figura que não precisa carregar a pressão familiar para encontrar na rua o seu espaço de liberdade, o zapeador seleciona as partes da cidade que lhe interessam. A lógica que guia este tipo urbano em passeio pela cidade material é a mesma de quem faz uma incursão na cidade virtual. Fragmentação, descentralização, efemeridade vão de par com uma mutação dos comportamentos. O zapeador atesta não apenas o redimensionamento do espaço público para 9 Pereira São Paulo cidade misturada/cidade inconclusa, zapeando a metrópole metalizada. 10 Pereira São Paulo cidade misturada/cidade inconclusa, zapeando a metrópole metalizada., op. cit. 8

9 a tela do computador, como também uma nova maneira de se relacionar com o outro. Visando o futuro e sedento de velocidade, o zapeador procura na internet o seu par. Se o flâneur desejava se perder na multidão para encontrar sua individualidade, sua solidão; o zapeador almeja o contato com o outro de forma rápida e eficiente. A lógica do fast food se desloca para outros campos. Buscar um romance, encontrar um amor, um verdadeiro companheiro é o sonho de muitos. No entanto, como típicos zapeadores, a maioria não quer perder tempo. Por isso e não apenas devido à implosão do espaço público das ruas e o medo da violência que vivenciamos um fenômeno inédito: o crescimento dos sites de namoro na internet. Junto com os chats de bate-papo, os sites de namoro já são usados por milhões de internautas brasileiros que querem desde alguém para sair, ou fazer amizade até um envolvimento maior, como o casamento. A revista Veja, em uma reportagem sobre este tema, estima que cerca de 3,5 milhões de pessoas estejam escritas nestes sites de relacionamento, no Brasil. O número que corresponde 10% dos solteiros está se expandido. A existência de mais de vinte sites deste tipo no país é um exemplo disto. Ademais, estudos recentes apontam que, em três anos, pelo menos 50% dos solteiros dos países do chamado Primeiro Mundo vão conhecer um parceiro on-line. Fato que atesta uma mudança comportamental, ao menos no que diz respeito ao namoro. Muito embora não haja nenhuma certeza se o contato on-line se estenderá à interação face a face, há um aumento na procura pelos sites especializados. O por enquanto é o maior deles,, seguido pelo com inscritos e pelo com inscritos, além de outros 11. Segundo a reportagem da revista Veja, só com a mensalidade dos inscritos, o site parperfeito fatura mais de 1 milhão de reais por mês 12. Os mais de associados, conforme a estimativa do próprio site, e as fotos dos pretendentes on-line, já demonstra que o perfil das pessoas que buscam este tipo de serviço ultrapassa os fora-de-forma, os nerds ou os carentes profissionais 13. Pessoas consideradas bonitas, com altos níveis educacionais, sociáveis e economicamente bem sucedidas, estão cadastradas nestes sites. Podemos compreender melhor este fenômeno por meio do depoimento de uma executiva, de 30 anos. Em seu depoimento ela diz: Tecla comigo, vai.. Veja, 21 de novembro de Idem, ibidem. 9

10 muita gente estranha quando eu digo que estou inscrita em um site de namoro. Sei que a maioria pensa: 'Ah, coitada, teve de ir para a internet porque está encalhada'. Pois eu digo: isso é ridículo. Nunca fiquei encalhada ou sem namorado na minha vida. O que ocorre é que eu simplesmente cansei de dar tiro n'água. Cheguei a um ponto em que não tenho mais idade nem paciência para ficar contando a história da minha vida ou tentando mostrar quanto sou legal para um zé-ninguém que eu tenha conhecido em um bar. Pela internet, consigo peneirar exatamente as pessoas que procuro, que pensam como eu, que querem o mesmo que eu 14. Não querer mais perder tempo, em uma época cujo valor é a velocidade, retrata bem o espírito dos adeptos desta nova forma de contato, e por que não da sociedade de modo geral? A maioria das pessoas, que vive nos grandes centros urbanos do país, não tem tempo a perder. Ruas congestionadas, trabalhos fatigantes e flexíveis, além de um solteirismo mais prolongado são fatores que concorrem para o imediatismo como critério de relacionamento. Os adeptos são unânimes em afirmar que a internet é uma das melhores formas de encontrar pessoas. Alexandre Boz, 32 anos, um participante de paqueras pelo ICQ, o mais popular programa de mensagens instantâneas da rede, acha fantástica possibilidade infinita de encontros. Dá para marcar sete jantares com sete mulheres diferentes em uma semana. É uma loucura diz o empresário contacto pela Revista Veja 15. Outro fator importante nestes sites é o cadastro. Não importa se é o Almagemea, o Comovai ou o Namoroonline. Todos que desejam participar precisam se cadastrar. Isto significa que dados pessoais são imprescindíveis: o sexo do cadastrante (homem ou mulher), o tipo de sexo procurado (se homem, mulher ou ambos), a idade, o local desejado para fazer contato, se deseja relação séria, relação casual ou uma amizade, ou tudo isto junto, além da foto (facultativo). Quanto mais informação sobre si própria, mais as chances da pessoa contatar alguém aumentam. O banco de dados é tamanho e seu acesso tão fácil, que até mesmo os não cadastrados podem usá-lo e conhecer o grande supermercado de pessoas. Para esta pesquisa, realizamos uma busca do meu tipo ideal, parperfeito ou o perfil detalhado para uma conquista perfeita. As metáforas abundam. De qualquer forma, idade preferida foi entre 35 e 40 anos. O tipo de relacionamento relação séria foi o escolhido. Em seguida vários ícones apareceram, tais como: ver perfil completo, marcar mensagem, propor encontro. No perfil completo apareceram dados pessoais como, interesses, objetivos, signo, escolaridade, religião, filhos (sim ou não e quantos), tipo físico, altura, cor da pele e do cabelo, comprimento do cabelo, hábitos (como bebida, cigarro, esporte, internet), personalidade, 14 Idem, ibidem. 15 Idem, ibidem. 10

11 atitude em relação ao sexo (importante na época da AIDS), que tipo de pessoa dá valor, como se descreve, o que faz no tempo livre, a melhor coisa que aconteceu na vida, o melhor livro, filme, peça, show; o último livro lido, filme, teatro e shows. Como se vê, a lista de informações é grande, basta acessar. O resultado desta busca obteve vários parceiros ideais, mas apenas dois depoimentos foram selecionados a título ilustrativo. Como todos os outros, eles já advertem o que esperam das futuras companhias: EU SEI EXATAMENTE O QUE EU QUERO!!! Talvez você não queira o mesmo que eu...talvez eu não seja sua "ALMA GÊMEA" ou pelo menos não em sua plenitude...poderia colocar um monte de "TALVEZ... "O principal é que talvez dê muito certo, talvez sejamos o que procuramos sempre um do outro...corremos o risco de sermos muito felizes... não vamos deixar essa chance passar... mande logo sua mensagem...seremos no mínimo ótimos amigos E ainda: SÓ PARA MULHERES BEM RESOLVIDAS E INDEPENDENTES SE VOCÊ NÃO É DAQUELAS CHATAS QUE VIVEM BUSCANDO UM PRÍNCIPE ENCANTADO. SE VOCÊ NÃO É PEGAJOSA. SE VOCÊ É INDEPENDENTE E NÃO QUER UM HOMEM SÓ PARA SER SEU PATROCINADOR. SE VOCÊ É RAZOAVELMENTE CULTA, BONITA E BEM CUIDADA. SE VOCÊ NÃO TEM MEDO DE VIVER SUAS FANTASIAS, SEJAM DE QUAL TIPO FOR. SE VOCÊ PROCURA UM HOMEM QUE SEJA EXCELENTE COMPANHIA PARA TUDO, QUE SEJA INTELIGENTE, SIMPÁTICO, QUE TENHA APARÊNCIA FÍSICA ACIMA DA MÉDIA, COM O CORPO EM DIA, QUE BUSQUE SEMPRE APRIMORAMENTO PROFISSIONAL E PESSOAL, BEM HUMORADO, E PRICIPALMENTE, QUE NÃO ENCHE O SEU SACO COM COBRANÇAS E CIUMEIRAS BESTAS, ENTÃO ME PROCURE CASO CONTRÁRIO, NÃO PERCA SEU TEMPO 17. Se na primeira carta de apresentação impera o lugar comum, que não esclarece o que a pessoa parece ser ou o que quer realmente; a segunda, por sua vez, é precisa em pormenores. Difícil mesmo é preencher o ideal procurado. Como ser ao mesmo tempo razoavelmente culta, independente, bem cuidada, boa profissional, bem resolvida, cuca fresca e uma boa companhia? O mesmo ocorre no lado feminino, embora, a maioria das mulheres procure mais por homens cuja característica seja o companheirismo, a gentileza, entre outras atribuições ditas como especiais, relacionadas ao código da intimidade e do seu paradigma, a comunicação. É exatamente esse caráter de supermercado que seduz algumas pessoas. Rogério, entrevistado pela Revista Veja, compara a escolha de uma eventual paquera a uma ida ao shopping center: 16 Usuário do site de namoro almasgemeas, 30 anos de idade. 17 Usuário do site de namoro Almasgemeas, 36 anos de idade. Idem, ibidem. 11

12 Você vai vendo aquelas fotos, lendo aqueles perfis e escolhendo. Parece que está indo às compras. Descarta essa, guarda aquela. Eu não tenho problemas de relacionamento. Ao contrário. Estou saindo com várias mulheres, nenhuma que conheci na internet, mas acho a engrenagem fascinante. É quase entretenimento. Outro entrevistado,um publicitário de 30 anos, enfatiza a possibilidade de se encomendar seu parceiro. Em suas palavras: Na minha opinião, o mais interessante da internet é a possibilidade de você praticamente encomendar alguém. Há tantos filtros para chegar a um perfil que seja compatível com o que você espera que no mínimo amizade você vai fazer com a outra pessoa. É evidente que há exceções. Conheci cerca de quinze mulheres pessoalmente. Posso dizer que pelo menos dez foi um erro, mentiram. A maioria disse que estava em forma. Na verdade, estavam bem acima do peso. Mas cinco foram sensacionais. Acho que isso já é excelente. Imagine: se você for a uma boate ou um barzinho dificilmente vai conhecer uma pessoa interessante. Que dirá cinco! Ter encontrado alguém como a Renata me parecia quase impossível. E agora veja só: tudo por causa de um anúncio num site de namoro 18. Estamos, desta forma, diante de um novo espaço psicossocial. O sonho presente em muitos de achar alguém na praia, em uma viagem pela Europa, em um bar, ou em outros lugares tradicionalmente romantizados parece estar sendo ampliado por um lugar a mais: a internet. Embora, este espaço ainda não seja um lugar comum, como enfatiza uma entrevistadora que diz perceber olhares estranhos quando ela conta a sua história de amor 19, ele está se tornando a cada dia que passa o local onde as pessoas depositam seus desejos e esperanças de encontrar alguém realmente interessante. Por ser um espaço imaterial, diferente do físico, o ciberespaço parece estar associado ao domínio da espiritualidade. Por isso, para muitos, ele nos oferece não apenas a possibilidade de multiplicar o eu, como também de estabelecer e aprimorar o contato com o outro. Contudo, não-lugar revestido pelo sentido e investimento próprios aos lugares, que são afetivos, estes sites especificamente, na sua ânsia de promoverem contatos, ajudam a disseminar ainda mais uma solidão não localizável. Em parte isto se deriva dos belos slogans vendidos por eles, fazendo com que as pessoas acreditem ainda mais na possibilidade de encontrar um grande amor. Em parte porque elas próprias já trazem consigo o seu tipo ideal de relacionamento e de companhia. Não é fácil preencher todos os requisitos, de ambos os lados, o que não quer dizer que não haja casos bem sucedidos, como por exemplo o de uma americana que saiu do seu país para ficar com um brasileiro. Apesar das diferenças culturais, da distância do seu país de origem (no caso da americana), ambos já estão juntos a 3 anos. Eles se conheceram no ICQ e, desde então, compartilham os sonhos e desejos de todos os casais, como ficar juntos, ter filhos etc. 18 Idem, ibidem.. 19 Idem, ibidem. 12

13 Por conseguinte, muito embora a internet, metamorfoseada no ciberespaço, seja apontada por muitos como uma versão tecnológica da fraternidade humana da Nova Jerusalém [Writheim, 2002, p.18-9], ela ainda nos reenvia para ao mundo em que vivemos. O sexólogo Charles Rostnberg, realizou uma pesquisa sobre sites de namoro em todo o país, durante oito anos e entrevistou usuários. Segundo ele, apenas 2% das pessoas se casam com alguém que conheceu on-line. Em apenas um caso, o casamento durou mais de um ano. Ademais, existe uma divergência de preferência entre os sexos: enquanto os homens querem sexo (sendo a maior parte deles casada ou com uma relação estável), a grande parte das mulheres quer mesmo namorar, o que de fato acontece no mundo material. Talvez devido a tantas exigências, a maioria mente sobre os seus dados pessoais 20 e, obviamente, decepciona os candidatos quando ambos se encontram face-a-face. Estes sites de namoro que aparecem como um serviço comercial, estão apoiados nos sonhos tecnoespirituais, que pressupõem a idealização de uma sociedade harmônica e perfeita. A esperança de cunho religioso de encontrar um parceiro ideal por meio de bases de informação é a exemplificação deste fato. Acreditamos na possibilidade de construirmos relacionamentos melhores usando redes de relações derivadas da informação 21. Nossa equação - quanto maior a informação, melhor a comunicação e a troca entre as pessoas - esbarra quando estamos no contato face-a-face. O cheiro, a troca de olhares, o interesse (queremos realmente apenas um contato sexual ou algo mais?), o não dito, além de outros detalhes que não podem ser descritos sob a forma de informação on line, são tão ou mais imprescindíveis que qualquer banco de dados. Na ânsia de encontramos o nosso duplo (eu), rejeitamos a priori o outro (diferente), achando com isso que poderemos criar uma melhor comunicação, um melhor entendimento. Muitas vezes, não são gostos comuns (gosto musical, cinematográfico etc) que alavanca uma relação, mas algo mais, difícil de ser conceitualizado e compreendido. 20 Idem, ibidem. 21 Esta crença de que o homem e tudo o mais reside na informação é o grande mito atual, tornando-se uma visão totalitária, subsumindo outras. Ela não apenas aparece no cotidiano. Há também toda uma filosofia pautada nesta idéia emergindo no campo da ciência, como a física, a robótica, a biologia, a ciência cognitiva, a teoria da informação, as ciências sociais, entre outras. A este respeito vide: Sfez. As tecnologias do espírito. In: Para navegar no século XX: tecnologias do imaginário e cibercultura. MARTINS, Francisco M. & MACHADO DA SILVA, Juremir (orgs.). Porto Alegre, Suluna/Edipucrs, 2000, pp Idem. Crítica da comunicação. São Paulo, Loyola,

14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO. Solidão: o desespero de nossa época. In: Atrator Estranho, Revista do NTC Centro de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura; vários números. CALDEIRA, Tereza [2000]. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo, Ed. 34. COLETIVO NTC [1996]. Pensar-pulsar: cultura comunicacional, tecnologias, velocidade. Coletivo NTC, São Paulo Ed. NTC. DELEUZE, Gilles [1992]. Conversações, Rio de Janeiro, ed. 34 Ltda, EHRENBERG, Alain [1998]. La fatigue d être soi: dépression et société. Paris, Editions Odile Jacob. FISHER, Jeffrey [1997]. The postmodern paradise: Dante, cyberpunk, and the thecnosophy of cyberespace. In: Internet Culture. PORTER, David (org.). New York, Routledge, pp GIDDENS, Anthony 1992]. A transformação da intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas. São Paulo: Ed Unesp, GRAHAM, Stephen [1996]. Rumo à cidade em tempo real. In: Da cidade de pedra à cidade virtual: contribuição para o debate sobre o futuro do nosso habitat. MORENO, Julio (org.). São Paulo, Agência Estado, pp GUATTARI [1996]. Da produção da subjetividade. In: Imagem-máquina: a era das tecnologias do virtual. PARENTE, André (org.). Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, p.173. HARVEY, David [1989]. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo, Loyola, HEALY, Dave [1996]. Cyberspace and place: the internet as middle landscape on the electronic frontier. In: Internet Culture. PORTER, David (org.). New York, Routledge, pp HOLSTON, James [1993]. A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo, Companhia da Letras. JAMESON, Frederic [1991]. Pós-modernismo. A lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo, Ática KRISTEVA, Julia [1993]. As novas doenças da alma. Rio de Janeiro, Rocco, [1987]. Sol Negro: depressão e melancolia. Rio de Janeiro, Rocco, KROKER, Arthur & COOK, David [1988]. The postmodern scene: excremental culture and hyperaesthesis. Houndmills, MacMillan Education,

15 LIPOVETSKY, Gilles [1983]. A era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Lisboa, Relógio D Água, MARCONDES FILHO, Ciro. [1991]. Sociedade Frankstein. São Paulo, mimeo. [1994]. Sociedade tecnológica. São Paulo, Scipione, AUGÉ, Marc [1992]. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas, São Paulo, Papirus, MORENO, Júlio [1996]. Netrópolis, a cidade invisível. In: Da cidade de pedra à cidade virtual: contribuição para o debate sobre o futuro do nosso habitat. MORENO, Julio (org.). São Paulo, Agência Estado, pp MENDLOWICZ. Psicanálise e contemporaneidade: a dor da solidão. In: PEREIRA, Beltrina [1997]. São Paulo cidade misturada/cidade inconclusa, zapeando a metrópole metalizada. Tese de Doutoramento da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. RABINOVICI [1996]. Invasão de bits transforma a vida nas cidades. In: Da cidade de pedra à cidade virtual: contribuição para o debate sobre o futuro do nosso habitat. MORENO, Julio (org.). São Paulo, Agência Estado, pp VIRILIO, Paul [1999]. A bomba informática. São Paulo, Estação Liberdade. [1984]. O espaço crítico. Rio de Janeiro, Ed. 34, [1988]. A máquina de visão. Rio de Janeiro, José Olympio, [1990]. A inércia polar. Lisboa, Dom Quixote, WERTHEIM, Margaret [1999]. Uma história do ciberespaço de Dante à Internet. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,

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