A PUNIÇÃO E OS SEUS SUBPRODUTOS: uma análise comportamental da tortura RESUMO

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1 1 A PUNIÇÃO E OS SEUS SUBPRODUTOS: uma análise comportamental da tortura RESUMO A punição é intensamente empregada para abolir comportamentos considerados indesejáveis. Entretanto, será que esse método é eficaz? Para o behaviorismo radical não. E, além da sua ineficiência, a punição gera subprodutos danosos aos seres humanos. Durante séculos a punição - na modalidade da tortura - foi empregada para expurgar as atividades que se contrapunham aos interesses dos dominantes. Durante a ditadura militar isto não foi diferente: um Estado de terror foi instaurado e os direitos humanos e civis suprimidos. Apesar da democratização, a tortura ainda é utilizada rotineiramente nas instituições penais, contra os excluídos do sistema neoliberal. Devido a sua intensa utilização, a presente pesquisa teve como objetivo principal analisar a eficácia da punição e suas conseqüências na modalidade da tortura - em ex-presos políticos submetidos à tortura durante a ditadura militar. A análise foi orientada pelo Behaviorismo Radical. A pesquisa constou de seis participantes que militaram em organizações políticas, e por isso foram submetidos à punição. Mediante a entrevista semi-estruturada, foi possível coletar dados e verificá-los a partir da proposta da análise de contingências. Com base nos resultados, todos os sujeitos - após serem submetidos à tortura e à prisãoretornaram a militância política. Verificou-se a importância dos valores para a manutenção dos comportamentos de contracontrole a agência governamental e a resistência à tortura. Também se constatou que a punição gera conseqüências desastrosas para o sujeito e sociedade, como a contra-agressão, o que reforça a teoria skinneriana. PALAVRAS-CHAVE: tortura; punição; Psicologia.

2 2 A PUNIÇÃO E OS SEUS SUBPRODUTOS: uma análise comportamental da tortura AUTORA: Dora Teixeira Diamantino PROFESSOR ORIENTADOR: Anamélia Lins e Silva Franco BANCA DE EXAMINADORES: Mercedes Cunha Chaves de Carvalho e Stella Sarmento 2

3 3 1 INTRODUÇÃO O terreiro lá de casa Não se varre com vassoura, Varre com ponta de sabre E bala de metralhadora. (Geraldo Vandré) 1.1 A punição sob a ótica de B. F. Skinner A agressão física, a censura, o castigo e a ameaça são comumente empregados a fim de suprimir comportamentos considerados perigosos ou indesejáveis. Desta forma, durante a ditadura militar, a tortura foi largamente empregada para abolir comportamentos que se opunham aos interesses do Estado autoritário, se constituindo, à luz da teoria skinneriana, como uma prática punitiva. Mas, por que a punição é utilizada intensamente como método de controle? (SIDMAN, 1995). A punição é aplicada com a finalidade de evitar determinados comportamentos e acredita-se na funcionalidade deste método. Usualmente os indivíduos não gostam de ser punidos, e os que a aplicam muitas vezes sentem desprazer. Mesmo assim este método de controle é largamente utilizado nas sociedades modernas e para muitos é eficaz. Mas, será que a punição funciona? (SIDMAN, 2001). Para responder esta questão é imprescindível conhecer o conceito da punição. Entretanto, é necessário primeiramente elucidar sobre a noção de reforço positivo e negativo, diferenciandoos. Segundo Skinner (1998), um reforçador é positivo quando aumenta a freqüência de um determinado comportamento ser emitido futuramente. Ao contrário, um estímulo é considerado aversivo quando a sua remoção é reforçadora. Ou seja, a probabilidade de reforçar uma resposta a partir da sua retirada é intensificada. Outro tipo de controle é a punição. Esta pode ser empregada com a remoção de reforçadores positivos. Assim, patrões descontam uma determinada quantia do salário dos trabalhadores, quando os mesmos faltam o serviço; ou pais proíbem os filhos de brincarem durante um período de tempo. Ao contrário, a punição também pode ser aplicada com a apresentação de reforçadores negativos, como o castigo e a tortura (SIDMAN, 2001). 3

4 4 Para Skinner (1971) é importante ressaltar que a punição não deve ser confundida com o reforço negativo, pois este é utilizado para induzir o indivíduo a comportar-se de um dado modo, ao passo que o emprego da punição tem como objetivo embargar a ação de outrem. Também, o reforço - positivo e negativo - quando contingente, aumenta a probabilidade futura de ocorrência do comportamento. Em oposição, a punição ocorre com a remoção de reforçadores positivos ou com a apresentação de reforçadores negativos (SIDMAN, 2001). A punição pode gerar três efeitos distintos, dependendo da sua forma e intensidade. Assim, os estímulos aversivos empregados na punição podem se limitar a uma situação imediata e não necessariamente modificará o comportamento futuramente. É possível impedir que alguém continue comendo, ao contar-lhe algo que lhe traga desprazer; ou mesmo pode-se impedir que uma criança brinque em algum ambiente inapropriado agredindo-a. Mas, geralmente, o efeito da punição é duradouro (SKINNER, 1998). Outro efeito da punição pode ser analisado a partir do caso da criança descrito acima. É possível que em outros ambientes se possam prover estímulos condicionados, provocando a emissão de comportamentos emocionais. Skinner (1998) assegura que estes - gerados por estímulos condicionados - podem interferir na freqüência da resposta e até produzir comportamentos incompatíveis. Comportamentos severamente punidos desencadeiam respostas emocionais, predispondo-as. Muitos destes envolvem a ação de glândulas e músculos lisos. A culpa, a vergonha e o sentimento de pecado são emoções centrais. Mas vale lembrar que a punição não é a única via para gerar a culpa ou a vergonha. Os efeitos da punição, até então relatados, enfraquecem temporariamente o comportamento indesejável, a partir da reação emocional. O último efeito da punição é extremamente relevante. Ocorre quando se estabelece condições aversivas, evitadas pelo indivíduo, e esta é, por si só, reforçadora. Não é suficiente dizer que o que é reforçado é simplesmente o oposto. Algumas vezes é meramente não fazer nada sob a forma de permanecer ativamente imóvel. Outras vezes é um comportamento apropriado a 4

5 5 outras variáveis concomitantes que não são, entretanto, suficientes para explicar o nível de probabilidade de comportamento sem supor que o indivíduo também está agindo para estar seguro de evitar complicações (SKINNER, 1998, p. 206). Este efeito pode ser descrito como uma coibição do comportamento, sendo esta a própria resposta incompatível. O estímulo aversivo condicionado é extinto se a evitação for acentuada. A intensidade do reforço do comportamento incompatível sofrerá uma diminuição e o comportamento punido surgirá. Com a nova ocorrência da punição, o reforçador negativo é recondicionado e o comportamento de evitação é reforçado. Com o cessar da punição, o comportamento emerge com maior intensidade (SKINNER, 1998). Portanto, a punição não tem efeito simples sobre o comportamento. Seus efeitos dependem de muitos parâmetros do estímulo aversivo sua força e duração, por exemplo (MILLENSON, 1967, p. 400). Se a contingência punitiva permanecer durante um longo período de tempo ou for extremamente intensa, é provável que a supressão do comportamento seja mais duradoura. Diversas agências utilizam a punição como forma de controle, tais quais: a família, a escola, o governo e a religião. Através destas, membros de um grupo exercem o controle por meio do reforço e punição (SKINNER, 1998). O governo é uma das agências de controle que utiliza a punição para domar o comportamento humano. Segundo Skinner (1998), geridos pelo poder governamental, a punição na modernidade é uma tarefa atribuída a alguns grupos - como a Polícia e o Exército - e a repressão, normalmente, é exercida através da força física. Através da manipulação de variáveis o governo modifica e controla o comportamento dos membros do grupo, e estes, ao se comportarem adequadamente, reforçam o poder governamental. Assim justifica-se a sua função e necessidade (SKINNER, 1998, p. 378). Em contraponto, os controlados podem escapar do poder que os dominam ou agir sobre ele, objetivando reduzi-lo ou aniquilá-lo. A oposição ao controle resulta no contracontrole (SKINNER, 2003). 5

6 6 O contracontrole é um dos efeitos colaterais da punição e pode ser exercido através da ameaça de remover o reforço. É possível também contracontrolar por meio do reforço positivo. Assim, a ameaça de remoção do reforço é substituída pela sua promessa e o comportamento do controlador é alterado, mesmo que o reforço demore (BAUM, 1999). Outras conseqüências geradas pela punição são: a fuga, a esquiva, a revolta e a resistência passiva. Na primeira o indivíduo se comporta visando eliminar o controle aversivo (SKINNER, 1998). Neste caso, algo ruim tem que acontecer realmente antes que possamos fugir; ao fugir, colocamos um fim a uma situação ruim (SIDMAN, 2001, p. 136). Ao contrário da fuga, quando o indivíduo age para impedir o aparecimento de um estímulo aversivo, diz-se que o mesmo emitiu um comportamento de esquiva. De tal forma, crianças usualmente não esperam pelo tapa ou pela bronca dos pais, para fugir depois que a punição tenha começado. Em vez disso, elas se escondem, correm, dão desculpas ou imploram por perdão (SIDMAN, 2001, p ). A revolta caracteriza-se pelo contra-ataque ao agente de controle. Segundo Skinner (1998) é possível destruir, por exemplo, através da contra-agressão, o grupo e os seus bens, ou apenas acusá-lo de ser autoritário. A punição gera a agressão e a coerção induz mais do que apenas o ato agressivo em si mesmo. Depois de ser punido, um sujeito fará qualquer coisa que possa para ter acesso a outro sujeito que ele possa então atacar (SIDMAN, 2001, p. 221). A resistência passiva consiste em não se comportar de forma compatível aos procedimentos de controle. Geralmente isso ocorre quando o indivíduo já tentou fugir ou se revoltar. Skinner (1998) elucida este subproduto com o exemplo de um trabalhador que não pode se demitir nem mesmo se revoltar, e por isso boicota a produtividade, fazendo corpo mole. Comumente a agência governamental lida com estes subprodutos intensificando os procedimentos coercitivos. Por isso, o fugitivo é capturado e mais seguramente confinado. A revolta é abafada e o revolucionário fuzilado (SKINNER, 1998, p. 392). O controle também gera subprodutos como o medo, a ansiedade, a ira, a raiva e a depressão. O primeiro origina-se a partir do controle que suscita a fuga. As respostas fisiológicas são eliciadas 6

7 7 pelos estímulos aversivos, podendo acompanhar comportamentos de fuga. Diversas são as suas implicações, como o pouco interesse em atividades sexuais, em comer, e até a não emissão de respostas, devido ao medo excessivo (SKINNER, 1998). A ansiedade, de acordo com Skinner (1998), é outro subproduto emocional do controle aversivo que acompanha a fuga ou a esquiva, podendo variar de intensidade. Envolve respostas fisiológicas e modificações no nível operante. A ira e a raiva acompanham a revolta, surtindo efeitos sobre os comportamentos reflexos e operantes. Agregam a intensa probabilidade de agir de forma agressiva sobre o agente controlador, enfraquecendo outros comportamentos (SKINNER, 1998). A depressão acompanha a resistência passiva. A criança que desobedece às ordens do pai pode ficar de mau-humor ou deprimida. O trabalhador que boicota a produtividade também se abate. O tédio se origina não apenas porque não há nada para fazer, mas porque nada pode ser feito seja porque uma situação é desfavorável à ação, seja porque o grupo ou a agência controladora impôs restrições físicas ou autorestrições (SKINNER, 1998, p.395). Durante a ditadura militar brasileira, o poder punitivo fez parte da política do Estado contra os opositores do regime. A organização e atuação em grupos, participação em movimentos guerrilheiros, debates, manifestações, panfletagens, etc - comportamentos estes de militância política ou de contracontrole a agência governamental tornaram-se atividades ilegais. Tendo em vista o cenário histórico da ditadura militar no Brasil e a ótica skinneriana, de que forma a agência de controle governamental punia seus opositores? Quais as técnicas de repressão empregadas durante o regime? Será que tais métodos foram eficazes para eliminar comportamentos de militância política? Quais as repercussões do emprego deste método? 7

8 8 1.2 A prática da tortura Seu corpo será desmembrado por quatro cavalos (...), consumido ao fogo, reduzido a cinza, e suas cinzas lançadas ao vento (Trité de droit penal, 1829). A tortura foi empregada em diversos períodos históricos e contextos sociais para expurgar os corpos daqueles que se opunham ao poder vigente. A aplicação sistemática da tortura teve início no século XI, atingindo o ápice no período compreendido entre XIII a XVII (COIMBRA, 2001). Doravante, apoiado no discurso humanístico, os suplícios desapareceram e foram substituídos por uma arte de punir mais discreta, tímida, que não atingia apenas o corpo do supliciado, mas a sua alma. De acordo com Foucault (1987), entre o final do século XVIII e início do XIX, as grandes fogueiras, os pelourinhos e os espetáculos punitivos foram extintos, acompanhados pela crítica contra a violência e o horror. É tempo das grandes internações! Penitenciárias e manicômios foram erguidos, forma esta mais sutil de punir, alheia aos olhos da sociedade. No Brasil - ao longo do século XX - a tortura esteve presente, sendo veementemente empregada contra os considerados delinqüentes, criminosos e perigosos. Segundo Coimbra (2001), nos anos 20, com a organização dos movimentos anarquistas no Brasil a sua prática se intensificou e diversos ativistas políticos foram torturados. Durante a ditadura getulista ( ) vários militantes também foram presos e supliciados pela Polícia Política em todo o país. Com o levante da ditadura pelos militares, em primeiro de Abril de 1964, a tortura foi sistematizada e intensificada (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985). Para Fausto (2002), o Estado autoritário alterou a estrutura política vigente, instituiu aparelhos de controle, informação e repressão como o Destacamento de Operações e Informações (DOI) e o Centro de Operações de Defesa Interna (CODI) - e intensificou o poder Executivo. Assim, a ditadura criou para o nosso povo uma situação de pesados sacrifícios, que vão desde a entrega e a submissão do país aos Estados Unidos até a supressão brutal das liberdades com a subseqüente implantação do terror político e ideológico e o desencadeamento de perseguição em massa (MARIGHELLA, 1994, p. 82). Entretanto é com o Ato Institucional nº5 (AI-5), sancionado em 13 de Dezembro de 1968, que a repressão foi recrudescida e os direitos civis e humanos suspensos. Doravante, os métodos 8

9 9 coercitivos e os sistemas de investigação foram intensificados, aumentando assustadoramente o índice de prisão, assassinato, exílio e desaparecimento dos opositores do governo militar. Segundo Brasil (2007), os meios de comunicação foram silenciados, afastando dos olhos da sociedade as atrocidades cometidas pelo Estado. Quanto aos crimes políticos, os subversivos eram julgados pelos tribunais militares e sumariamente condenados, sem direito de defesa. Além de constituir como técnica para obtenção de informação, a tortura também era utilizada para punir os subversivos e intimidar os demais integrantes do grupo político. Através do seu emprego, além de atingir o indivíduo, o Estado estimava amedrontar os opositores e, consequentemente, reduzir as ações e organizações contrárias aos seus interesses. Neste contexto a tortura tornou-se instrumento científico aplicada rotineiramente na masmorra (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985). Os militares tornaram-se agentes repressivos implacáveis, empregando métodos sofisticados e importados de países imperialistas, sobretudo dos Estados Unidos (BETTO, 1983). No entanto, de acordo com Gaspari (2002), apesar de sancionada em 1968 pelos oficiais-generais, o Estado sempre negou o emprego da tortura. A ambigüidade entre o discurso das autoridades e as práticas utilizadas na masmorra é notável: ao passo que a primeira nega a existência da tortura nas prisões, esta é empregada com o consentimento das autoridades responsáveis pela segurança nacional e é baseada em leis que ora afirmam ser a tortura uma prática ineficiente, ora atestam a necessidade da utilização de métodos violentos nos interrogatórios (GASPARI, 2002). O governo tinha as suas razões ancoradas na necessidade de proteção nacional, de combate ao terrorismo e da infalibilidade do emprego da tortura como método de extermínio da subversão. Entretanto, é falsa a suposição segundo a qual a tortura é praticada em defesa da sociedade. Ela é instrumento do Estado, não da lei. Pertence ao episódio fugaz do poder dos governantes e da noção que eles tem do mundo, e sobretudo de seus povos (GASPARI, 2002, p. 25). A tortura envolvia técnicas de confissão, agressões, injúrias, ameaças, e tais conhecimentos estavam inclusos na formação militar. A infra-estrutura repressiva incluía instrumentos e locais 9

10 10 adequados, treinamento dos agentes, até a participação de um aparato médico que assessorava a tortura (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985). Deste modo, Gaspari (2002) assegura que médicos e enfermeiros tiveram participação direta e ativa na prática da tortura, monitorando a resistência do corpo para que o indivíduo não fosse a óbito. Muitos laudos foram fraudados, escamoteando as marcas das agressões ou as causas reais das mortes. Diversos eram os métodos de tortura e instrumentos utilizados. O pau-de-arara, por exemplo, refere-se a uma barra apoiada entre duas mesas, que perpassa os punhos amarrados e os joelhos dobrados do torturado. O indivíduo fica pendurado há vinte ou trinta centímetros de distância do chão. Geralmente este método é acompanhado de choque-elétrico, palmatórias e afogamentos (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985). Para complementar o método do pau-de-arara, o afogamento era utilizado. Constituía de um pequeno tubo que, ao ser introduzido na boca ou nariz, lançava água. O choque elétrico era aplicado em partes variadas do corpo do supliciado, principalmente nos órgãos genitais, ânus, ouvidos, língua, dentes, dedos. Consiste em fios longos, ligados ao corpo, incidindo descargas elétricas. Esta prática pode ser examinada no depoimento a seguir: Ligaram os fios na minha mão e começaram a dar choques e perguntar por pessoas. (...) Enquanto pensava, ia tomando novos choques e quando passaram os fios para a ponta da orelha realmente deixei de pensar em outra coisa, exceto na necessidade de não deixar que minha cabeça se partisse. Cada vez que davam o choque, tinha uma profunda sensação de dilaceramento, da cabeça se partindo em duas (...) (GABEIRA, 1979, p ). De acordo com José (2000), a geladeira - outro instrumento utilizado pelos algozes - era um ambiente com ar-condicionado, onde se introduzia o indivíduo nu, deixando-o permanecer por alguns dias. Em alguns casos os indivíduos ouviam barulhos ensurdecedores ou gritos de pessoas sob tortura. Produtos químicos também eram utilizados na tortura, tais quais: o soro Pentatotal, substâncias ácidas e injeções de éter. Do mesmo modo, a palmatória era empregada demasiadamente, sendo constituída por uma borracha grossa, amparada por um cabo. A asfixia era realizada por uma 10

11 11 corda, que ao ser amarrada ao pescoço do torturado, o sufocava (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985). Marighella (1994) descreve outro método denominado telefone que consiste na aplicação, com as mãos em forma de concha, de tapas concomitantes nos ouvidos, até estourar os tímpanos. De acordo com a Arquidiocese de São Paulo (1985), o Cristo Redentor era demasiadamente utilizado, somado ao espancamento. Neste, os braços do indivíduo eram esticados e amarrados para cima, desarticulando a musculatura e os rins. Outra técnica consistia em ter a cabeça mergulhada - com a boca aberta - num tambor de gasolina com água, denominada de banho chinês. Além destes métodos de tortura tinha-se a cadeira do dragão. Esta era constituída por uma cadeira elétrica de zinco, com uma travessa de madeira que, ao empurrar os pés para trás, produzia ferimentos graves. Fios elétricos eram ligados ao corpo - comumente a língua, olhos, ouvidos, pulsos, órgãos genitais, seios, ânus - provocando choques-elétricos intensos (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985). A condição carcerária e a privação de liberdade compunham os mecanismos de punição. No relato a seguir, é possível constatar a realidade nefasta da prisão: Foram 19 dias nos quais as 19 pessoas não saíam da cela, não tomavam banho. Para satisfazer as necessidades fisiológicas, uma lata de 20 litros. Sem escovar os dentes, sem cama. Dormindo no chão, num período chuvoso (JOSÉ, 2000, p. 98). Em alguns casos se extraía os testículos ou introduzia objetos no ânus, como se pode perceber a partir da descrição seguinte: (...) Em determinada oportunidade foi-lhe introduzido no ânus pelas autoridades policiais um objeto parecido com um limpador de garrafas; que em outra oportunidade essas mesmas autoridades determinaram que o interrogado permanecesse em pé sobre latas, posição em que vez por outra recebia além de murros, queimaduras de cigarros; que isto as autoridades davam o nome de Viet Nan; que o interrogado mostrou a este Conselho uma marca a altura do abdômen como tento sido lesão que fora produzida pelas autoridades policiais (gilete); (...) (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985, p. 40). 11

12 12 Segundo José (2000) insetos e animais foram empregados, também, como instrumentos de punição. Muitas vezes eram colocados nas celas dos presos ou acompanhavam outros métodos de tortura, sendo introduzidos, por exemplo, no ânus. Esposas e filhos foram torturados diante dos maridos e pais, assim como indivíduos presenciaram os seus companheiros submetidos a sevícias (BETTO, 1983). A tortura foi empregada indiscriminadamente, independente do sexo. No entanto os métodos utilizados se diferenciavam. Comumente as mulheres eram submetidas a violências sexuais, além das agressões físicas, morais e psicológicas, como pode ser constatado a seguir: Um policial (...) ficou à sua frente, traduzindo atos de relação sexual que manteria com a declarante, ao mesmo tempo em que tocava o seu corpo (...); o polícia profanava os seus seios e, usando uma tesoura, fazia como iniciar seccioná-los; (...) que, na Polícia do Exército, os três presos foram colocados numa sala, sem roupas; que, inicialmente, chamaram Chael 1 e fizeram-no beijar a declarante toda e, em seguida, chamaram Antonio Roberto 2 para repetir esta prática, (...) o cabo Nilson Pereira insistia para que a declarante o fitasse sem o que não lhe entregaria a refeição (...) (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985, p. 48). Também, casos de aborto são verificados: molharam o seu corpo, aplicando conseqüentemente choques elétricos (...), inclusive na vagina; que a declarante se achava operada de fissura anal, que provocou hemorragia; que se achava grávida, semelhantes sevícias lhe provocaram aborto. (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985, p. 50). Segundo Gaspari (2002), apesar da dor produzida pela tortura, muitos militantes resistiam ao máximo à punição. As ideologias difundidas pelos grupos políticos fomentavam a resistência à prisão e à tortura, sendo fundamentais para a sobrevivência das organizações e dos seus integrantes. Isto pode ser verificado no relato seguinte: Eu não podia revelar nada. (...) A obrigação do revolucionário era preservar os companheiros, e ponto final. Eu nem tinha certeza de que seria capaz de manter esse princípio. Tinha a convicção, no entanto, de que tentaria, no limite máximo de minhas forças (JOSÉ, 2000, p. 16). 1 Companheiro da declarante. 2 Idem. 12

13 13 A tortura gera efeitos devastadores para o ser humano. Verifica-se que muitos torturados, após serem submetidos à sevícia, passaram a apresentar perda da coordenação motora, insônia, alucinações, delírios, perda da noção do tempo, depressão, perda dos sentidos, problemas respiratórios, dores de cabeça, pânico, medo, fobia, comprometimento da memória, problemas cardiovasculares, idéias suicidas. Também, a tortura deixou seqüelas irreparáveis. De acordo com a Arquidiocese de São Paulo (1985), alguns torturados ficaram paraplégicos ou tetraplégicos; outros apresentaram lesões na coluna vertebral, debilidades físicas, queimaduras, fraturas, marcas e cortes por todo o corpo, dentes quebrados, hematomas, problemas respiratórios e cardíacos. Mesmo com a derrocada da ditadura militar, a tortura ainda é intensamente empregada para punir os pobres e excluídos do sistema neoliberal (COIMBRA, 2001). Tendo em vista a sua larga utilização, é imprescindível o estudo dessa prática punitiva no que concerne a sua eficácia e repercussão para o indivíduo e sociedade. Percebendo a dificuldade da Psicologia para se engajar em temas que fomentem a transformação social, somada ao obscurantismo das gerações subseqüentes que escandalosamente desconhecem essa história recente, fez-se necessário abordar a temática da tortura sob a régia da ditadura militar. Tendo em vista o papel do profissional psicólogo, é indispensável o uso do saber da ciência como forma de desvelar as ideologias materializadas que intensificam a opressão e a exclusão social, mantendo viva uma história que deixou marcas profundas. O presente trabalho, então, foi realizado para contribuir na supressão das necessidades de um estudo desta natureza dentro da ciência psicológica. Também, na difusão desta história - junto às gerações ulteriores- que escandalosamente a desconhece. E, principalmente, refletir sobre a funcionalidade e repercussões do emprego da tortura, tendo em vista a sua larga utilização durante a história e tempos atuais. 13

14 14 2 PROBLEMAS E OBJETIVOS Podem me prender Podem me bater Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião. (Zé Kéti) Tendo em vista o emprego da punição, durante a ditadura militar, será que este método foi eficaz para abolir comportamentos de contracontrole à agência governamental? Ou mesmo após serem submetidos à punição, os militantes retornaram as suas atividades políticas? Quais são as repercussões do uso da tortura para o ser humano e sociedade? Trazendo a discussão da tortura para o campo da Psicologia, o objetivo principal da presente pesquisa foi analisar a eficácia do emprego da punição - na modalidade da tortura - e seus subprodutos, em ex-presos políticos sob a vigência da ditadura militar brasileira ( ). De tal modo, primeiramente foi identificado aspectos da história de vida dos sujeitos que poderiam ter suscitado comportamentos de contracontrole à agência governamental (história política familiar; militância escolar e em grupos políticos; outros modelos políticos influentes; contingências sociais). Também, se fez necessário caracterizar as experiências de punição às quais foram submetidos os sujeitos. Além disso, foi identificando subprodutos relacionados à experiência da tortura. E ainda, foi verificado se houve mudança no comportamento político dos sujeitos após serem submetidos á tortura, e as implicações da punição discriminadas por eles. De acordo com o referencial teórico estima-se averiguar que a punição não é eficaz e, por isso, a tortura não é uma via para extinguir comportamentos indesejáveis ou nocivos. Também, tal método de controle gera subprodutos, tais quais: a fuga, esquiva, medo, ansiedade, ira, raiva, agressão, depressão, alucinação, delírio, pesadelos, insônia, perda da noção do tempo e dos sentidos, dores de cabeça, comprometimento da memória, idéias suicidas, além das conseqüências orgânicas. 14

15 15 3 PROCEDIMENTOS Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado (Chico Buarque) 3.1 Sujeitos A presente pesquisa constou de seis participantes - cinco do sexo masculino e uma do sexo feminino- submetidos à punição durante a ditadura militar brasileira ( ). Todos os sujeitos incluídos na amostras militaram em organizações políticas de oposição ao governo e tiveram sua liberdade cerceada durante, no mínimo, uma semana. Os sujeitos foram recrutados a partir da rede social da pesquisadora e foram acessados em suas residências ou locais de trabalho. Todos tiveram a sua participação voluntária, mediante termo de consentimento livre e esclarecido. Dos sujeitos entrevistados, três foram integrantes da Ação Popular (AP) 3, um do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) 4, um da Política Operária (POLOP) 5 e um sujeito inicialmente militou na AP, mas posteriormente filiou-se ao PCBR. Todos atuaram no movimento estudantil. Entretanto, três militaram também no movimento operário e um destes participou do movimento camponês. Três sujeitos são naturais da Bahia, um do Rio de Janeiro, um de Pernambuco e outro de Alagoas. As idades variaram de 53 a 62 anos. Vale ressaltar que em virtudes éticas foram utilizadas as iniciais dos nomes dos sujeitos, preservando assim as suas identidades. 3 A AP surgiu em 1962, ligada a setores da Igreja Católica - principalmente a Juventude Universitária Católica (JUC) - e tinha grande influência sobre o movimento estudantil (BRASIL, 2007). 4 O PCBR nasceu em 1964, tendo como referência os nomes de Mário Alves, Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Jover Telles. Sua principal meta era reformular a linha tradicional do PCB e a construção de um Governo Popular Revolucionário, tendo como estratégia fundamental a luta armada guerrilheira (BRASIL, 2007). 5 A POLOP foi fundada em 1961, congregando estudantes da Liga Socialista de São Paulo e da Mocidade Trabalhista de Minas Gerais, bem como dissidentes do PCB e trotskistas. Segundo Brasil (2007), teve seu campo de ação no movimento operário e estratégia voltada para a luta armada. 15

16 Instrumentos e procedimentos para coleta de dados Devido à necessidade de elucidar informações pertinentes aos sujeitos, foi utilizada para esta pesquisa a entrevista semi-estruturada. Nesta, o entrevistador seguiu um roteiro com 13 perguntas formuladas previamente, e pôde adicionar - no momento da entrevista - outras questões, para esclarecer alguns pontos que não ficaram claros para o entrevistador. A entrevista foi formulada a partir do quadro de referência. Aos sujeitos foram apresentados, previamente a sua participação, o termo de consentimento livre e esclarecido, que elucidava os objetivos da pesquisa e garantia o sigilo das informações obtidas e das suas identidades. 3.3 Procedimentos para análise dos dados Visando preservar a singularidade das histórias de vida dos sujeitos e verificar os efeitos da punição, foi necessário analisar os dados a partir da orientação proposta pela análise de contingências. Após a coleta de dados foi criado uma matriz de análise e trechos da entrevista foram agrupados em contingências anteriores à prisão, contingências da prisão e contingências após a prisão, possibilitando verificar possíveis mudanças nos comportamentos dos sujeitos após a punição. A partir dessa matriz foi elaborada a análise da história de vida de cada sujeito, com base na teoria de B. F. Skinner. 16

17 17 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Narrar é resistir. (Guimarães Rosa) 4.1 BF BF tem 59 anos e é natural de uma cidade localizada no interior do Estado da Bahia. Seus pais eram praticantes do catolicismo, e sua mãe exercitava a solidariedade cristã. BF relata que, durante a infância, foi estimulado pelo pai à leitura de livros com temáticas políticas, o que o influenciou a militância. No ano de 1964, seu pai foi eleito vereador na sua cidade natal, pelo PCB, mas o exoneraram do cargo após o golpe militar. Em 1962, BF residiu em Feira de Santana-BA e, como estudante, participou de uma manifestação. Após três anos passou a morar em Salvador-BA e estudou nos Maristas. Na escola, BF atuou no Grêmio Estudantil e participou de dois movimentos contra o aumento da mensalidade. Após concluir o segundo grau, BF cursou eletromecânica na Escola Técnica e participou do Diretório Acadêmico (DA) como tesoureiro. Com o afastamento do presidente do DA, foi escolhido pelos membros a assumir o cargo de dirigente. Na comunidade em que residia, participou de um grupo de jovens. A partir daí foi convidado a ingressar em organizações políticas, tais quais: o PC do B, AP, PCB e POLOP. Inicialmente, BF aproximou-se dessa última, mas os antecedentes da sua história de vida estimularam a sua filiação a AP, pois esta era vinculada a Igreja Católica. BF passou a trabalhar em fábricas e em 1966 abandonou o curso de eletromecânica. Militou no movimento operário e após dois meses realizou uma greve. A partir daí participou de várias paralisações, da criação da Oposição Sindical e do Comitê de Fábricas. E eu que era um cara desconhecido na repressão passei a ser um cara observado. Comecei a ser, de certa forma, herói. A partir de 1968, com a intensificação da repressão, algumas atividades políticas do Comitê de Fábricas tornaram-se clandestinas. 17

18 18 A sua prisão ocorreu em 1969, quando BF regressava do trabalho na companhia de dois amigos. Gente com metralhadora, o diabo a quatro. Armado que só. (...) Soldados como o diabo. Parecia que eles estavam prendendo o cão. BF foi encaminhado ao quartel dos aflitos, onde permaneceu por três dias. Durante este período seus familiares não receberam notícias do seu paradeiro. Posteriormente foi encaminhado ao quartel de Amaralina e submetido à punição. É possível constatar, com base em seu relato, que a tortura não era empregada apenas para obtenção da confissão: Começou com telefones, depois eles foram aumentando. E... (pausa) foram os piores dias da minha vida! Eu fui torturado durante um mês, mais ou menos. (...) Eu saí de lá com uns quarenta e poucos quilos. Aí acabaram comigo. Tinha vezes que os caras me torturavam por torturar. Não é que eles quisessem saber coisa alguma. Chegava um oficial (...) e resolvia me levar para a sala de tortura simplesmente por sadismo. Ao ser ameaçado pelos militares, BF apresentou comportamento de fuga: Teve um momento que eles disseram que iam buscar o meu pai. Que iam prender o meu pai. (...) Aí quando entrou a questão do meu pai eu resolvi liberar nomes e codinomes de algumas figuras que não tava mais na organização. (...) Quando eu liberei qualquer informação eles abrandaram. Após aproximadamente dois meses, dirigiram-no a Policia Federal e o submeteram à ameaça, como pode ser observado em seu depoimento ulterior: Eu fui torturado psicologicamente. Aquele negócio de deixar você sem dormir. (...) Ameaças todas. Pegavam o revólver, assim, por exemplo, no quartel, e diziam que iam me matar e atiravam. Mas não tinha bala! Em relação aos subprodutos da punição, BF afirma ter vivenciado momentos de desorientação, medo, pensamentos suicidas, delírios, alucinações e pesadelos: 18

19 19 Quando eu saí da prisão, em alguns momentos eu tava na rua e me dava aquele branco. Eu não sabia onde eu tava (...). Então só dava pra eu sair acompanhado. Começava a ver policial em todo lugar. (...) Pesadelos eu tenho até hoje, (...) e, por exemplo, eu não posso abusar da bebida. Eu não posso beber. (...) Parece que me vem tudo. (...) Se eu tivesse com que, eu teria me matado! (...) A militância política gerou algumas conseqüências relatadas pelo sujeito: Todo jovem, todo menino, ele tem um tempo. Aquele período de namoro, de paixões, que nós não tivemos. (...) Nós nos relacionávamos forçados pelas circunstâncias. Enquanto a maioria dos jovens passa pela experiência do namoro, do noivado, do casamento, nós não passamos. Então, nossa vivência amorosa carece ainda de um estágio que nós não passamos. Por isso a gente tem determinadas dificuldades até hoje. Dois meses após, BF foi libertado. Em seguida emitiu comportamento de esquiva devido ao controle do grupo e contingências sociais - vivendo na clandestinidade por três anos. No referido período retornou a militância política operária como pode ser constatado a partir da sua exposição: Durante a clandestinidade (...) eu trabalhava, mas continuava fazendo o trabalho político. Em 1974 BF foi capturado e encaminhado à Penitenciária Lemos Brito, sendo submetido à punição (privação de liberdade e condições carcerárias) por dois anos. De acordo com o seu relato, a experiência no presídio foi uma das maiores alegrias. (...) E lá dentro da prisão, já cumprindo pena, foi um dos anos mais livres da minha vida. Porque a gente discutia. Assim, a convivência com outros companheiros era reforçadora, contrabalançando os efeitos aversivos da privação de liberdade e da situação carcerária. Ao sair da prisão, filiou-se ao PCBR, emitindo comportamentos de contra-agressão à agência de controle governamental. BF participou de diversas atividades políticas, tais quais manifestações, assalto a banco, reuniões, panfletagens. Fundou o PT e até hoje é militante político deste partido. Portanto, na história de vida familiar de BF, antecedentes estimularam os comportamentos de militância, como a participação do seu pai no Partido Comunista e o incentivo do mesmo à leitura de livros com temáticas políticas. Já o contexto escolar propiciou o aparecimento do 19

20 20 comportamento de militância, com o exemplo do Grêmio Estudantil e do DA. Da mesma forma, a comunidade na qual o sujeito esteve inserido também foi um ambiente que estimulou tais comportamentos. Os valores familiares, escolares e dos grupos - comunitário e AP - corroboraram para a manutenção do comportamento de contracontrole à agência governamental anteriormente e após a prisão. Também, reforçaram o comportamento de resistência às contingências aversivas da prisão e tortura. É imprescindível frisar que mesmo sendo submetidos à punição, os comportamentos de contracontrole e contra-agressão à agência governamental não foram extintos. Ao contrário, ressurgiram após as agressões físicas, ameaças, privação de liberdade e contingências aversivas do cárcere, perdurando até a atualidade. Desta forma, fica claro que mesmo após a punição, os comportamentos de militância política não foram abolidos. 4.2 JCA JCA tem 62 anos, é proveniente de família burguesa e natural da cidade do Rio de Janeiro - RJ. No seu contexto familiar não há referências políticas, porém, de acordo com o sujeito, contingências familiares e sociais reforçaram os comportamentos de contracontrole ao governo: Não há modelos na época, a não ser a vontade de liberdade, que coincide com a repressão global. (...) Depois se transforma numa luta política, ideológica. Mas ela não nasce com características ideológicas. (...) Ninguém era filho de ninguém. Era filho daquela burguesia. As atividades políticas de JCA se iniciaram no contexto da escola, ao participar do Grêmio Estudantil e da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundários. Em 1964, ingressou no curso de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e participou do DA. 20

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