Vulnerabilidade externa e crise econômica no Brasil Reinaldo Gonçalves 1

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1 Vulnerabilidade externa e crise econômica no Brasil Reinaldo Gonçalves 1 Introdução Na fase ascendente do ciclo econômico internacional (2003 até meados de 2008) a economia brasileira teve um desempenho medíocre visto que a proporção entre a renda per capita do país e a renda per capita mundial caiu. De fato, o Brasil andou para trás. Neste período as taxas médias de crescimento da renda dos países em desenvolvimento e do conjunto da economia mundial foram de 7,2% e 4,4%, respectivamente, enquanto a taxa correspondente para o Brasil foi de 4,1%. As previsões para refletem a crise econômica internacional. Para este período as previsões do FMI de taxas médias de crescimento da renda mostram o seguinte: mundo = 1,7% e países em desenvolvimento = 4,1%. As médias das taxas previstas para o crescimento da renda do Brasil são: 2009 = 1,1% e 2010 = 3,2%, conforme mostra o Quadro 1. A previsão otimista da taxa média para é, então, de 2,1%. A situação de perda relativa do Brasil só não é pior em decorrência da grave crise econômica que atinge os países desenvolvidos. No entanto, na fase de descenso do ciclo econômico internacional a economia brasileira ficará, mais uma vez, atrás do conjunto dos países em desenvolvimento. Vale destacar que as previsões otimistas para feitas no início de 2009 têm sido recorrentemente revisadas para baixo. 2 Portanto, comparativamente ao conjunto dos países em desenvolvimento, a situação do Brasil é a seguinte: na fase de subida de ladeira o Brasil foi pior do que a média destes países, enquanto na fase de descida de ladeira o Brasil irá pior do que a média destes países. Ou seja, o Brasil anda para trás tanto na fase boa quanto na fase ruim da economia mundial. A explicação para este fenômeno decorre da interação de três 1 Professor titular de Economia Internacional, UFRJ. Texto preparado para a revista Inscrita do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), 20 de março de Por exemplo, em documento publicado em 14 de março de 2009 (Global Economic Policies and Prospects, Tabela 1, p. 8), o FMI prevê que a renda mundial deve ter queda entre 0,5% e 1,0% em Para 2010 a previsão é de crescimento entre 1,5% e 2,5%. Disponível: 1

2 processos: a extraordinária vulnerabilidade externa da economia brasileira; as características do modelo liberal periférico que tem sido implementado no país desde o final dos anos 80; e, os erros e equívocos das políticas e estratégias do governo Lula. QUADRO 1 BRASIL: INDICADORES MACROECONÔMICOS, PREVISÕES PIB (var. %) 1,1 3,2 Consumo das famílias (var. %) 2,0 3,7 Investimento (var. %) -1,3 4,6 Produção industrial (var. %) -0,7 3,7 Exportação de bens (US$ bilhões) 163,4 177,5 Balança comercial (US$ bilhões) 14,2 13,4 Saldo conta corrente (US$ bilhões) -24,6-28,6 Memorando Países em desenvolvimento, Var. % PIB 3,3 5,0 Fontes: Consensus Economics Inc, fevereiro FMI, World Economic Outlook Update, janeiro Nota: Os dados para o Brasil expressam a média das previsões de mais de uma dezena de fontes. 1. Otimismo irresponsável Até meados de 2007, quando eclodiu a crise financeira nos Estados Unidos, a quase totalidade dos analistas no Brasil argumentava que o país havia reduzido significativamente sua vulnerabilidade externa em relação à economia mundial e, portanto, haveria blindagem em relação aos choques externos. Alguns analistas mais afoitos, antes da eclosão da crise, trombeteavam: a restrição externa está equacionada. 3 O argumento era que o Brasil tinha concluído seu acordo com o FMI em Outros analistas, com base na evidência a respeito da acumulação de reservas internacionais, mesmo depois da eclosão da crise, persistiam em afirmar que o Brasil estava 3 Segundo Maria da Conceição Tavares (entrevista revista Carta Capital, 25 de dezembro de 2005): ao pagarmos o Fundo Monetário chegaremos a uma relação de dívida externa e PIB que, finalmente, apagou o que o governo do Fernando Henrique fez. Isso é espantoso: Conseguimos sair do atoleiro, da fragilidade da crise cambial. E mais: Isso [pagamento da dívida com o FMI] significa que a restrição externa que vem lá de trás, desde o começo dos anos 1980, está equacionada. 2

3 blindado. 4 O destemor era tanto que chegavam a afirmar, no início de 2008, que a economia brasileira tinha blindagem de aço visto que nossa moeda - já com seis meses de crise - é hoje uma das mais fortes e estáveis no mundo emergente. Nesse período, o real praticamente não se moveu. 5 Restrição externa equacionada, blindagem de aço: Retórica muita, responsabilidade nem tanto! A realidade mostrou que os otimistas intrépidos estavam completamente equivocados. O fato é que a blindagem brasileira mostrou ser de papel crepom. Entre o início de julho e o início de dezembro de 2008 a taxa de câmbio (R$/US$) saltou de 1,60 para 2,50. Ou seja, depreciação cambial de quase 60% - uma megadesvalorização cambial, como mostra o Gráfico 1. E, vale notar, esta foi a maior desvalorização cambial na América Latina no período e, muito provavelmente, no mundo. GRÁFICO 1 MEGADESVALORIZAÇÃO CAMBIAL: JULHO 2008 DEZEMBRO 2008 (TAXA DE CÂMBIO R$/US$) 4 Segundo Luis Carlos Mendonça de Barros (Folha de São Paulo, 8 de fevereiro de 2008): a economia brasileira tem hoje condições estruturais novas e que fazem com que a tempestade nos países mais avançados aqui chegue com ventos bem mais suaves. 5 Ibid. 3

4 2,6 2,4 2,2 2 1,8 1,6 1,4 01/07/ /07/ /07/ /07/ /08/ /08/ /08/ /09/ /09/ /09/ /10/ /10/ /10/ /11/ /11/ /11/ /12/ /12/ /12/2008 Fonte: Ipeadata. Naturalmente, havia exceções no minúsculo conjunto de analistas independentes. Fazendo a distinção entre vulnerabilidade externa conjuntural, comparada e estrutural, Filgueiras e Gonçalves (2007, p ) afirmam que os indicadores de vulnerabilidade externa conjuntural, que estavam com tendência de melhora desde a crise cambial de 1999, continuam progredindo durante o Governo Lula. Entretanto, não houve melhora na vulnerabilidade externa da economia brasileira comparativamente ao resto do mundo durante o Governo Lula. Trata-se, aqui, da vulnerabilidade externa comparada, ou seja, de se analisar a evolução dos indicadores brasileiros em relação aos indicadores do resto do mundo. Ademais, as políticas do Governo Lula tendem a reforçar o avanço de estruturas de produção e padrões de inserção internacional retrógrados, que tendem a aumentar a vulnerabilidade externa estrutural do país. 6 Filgueiras e Gonçalves (2007, p ) vão adiante e afirmam que as circunstâncias internacionais favoráveis não são aproveitadas, pelo Governo Lula, para reduzir estruturalmente a vulnerabilidade externa do país. Muito pelo contrário, embalado por elevados superávits comerciais, o modelo liberal periférico (MLP) tem se mantido intacto, abrindo ainda mais a conta financeira 6 Luiz Filgueiras e Reinaldo Gonçalves, A Economia Política do Governo Lula. Rio de Janeiro: Editora Contraponto,

5 do balanço de pagamentos. Assim, a eventual reversão da atual conjuntura caracterizada por grande liquidez internacional e por uma fase ascendente do comércio, que favorece enormemente as exportações de todos os países da periferia, inclusive o Brasil, terá impactos decisivos sobre a dinâmica da economia brasileira. Essa mudança, que poderá ocorrer a partir da desaceleração das economias americana e chinesa, cada vez mais articuladas comercial e financeiramente, terá um efeito desestabilizador tanto maior quanto mais frágil for a inserção internacional de cada país. No que se refere à questão da restrição externa, a crítica também é que o argumento acerca da blindagem da economia brasileira equivoca-se a respeito da natureza da atual crise internacional. As crises dos anos 1990 tinham foco no subsistema que abarcava os fluxos financeiros para alguns mercados emergentes. Atualmente, a crise também deriva de problemas na esfera real (que tem repercussões nas esferas comercial e tecnológica), além, naturalmente, dos problemas nas esferas monetária e financeira internacional. 2. Brasil: blindagem de papel crepom O falso argumento da blindagem brasileira assenta-se em três aspectos: (i) menor dependência das exportações brasileiras em relação ao mercado dos Estados Unidos; (ii) elevado nível das reservas internacionais; e, (iii) dinamismo da absorção interna. O primeiro argumento refere-se à distribuição geográfica das exportações. É verdade que a participação dos Estados Unidos como mercado para as exportações brasileiras de bens reduziu-se de 24,7% em 2001 para 18,0% em 2006, como mostra o Quadro 2. A crise econômica nos Estados Unidos reduziu ainda mais esta participação em Entretanto, neste período houve aumento das participações da China e do México como destino das exportações brasileiras. O problema é que estes países dependem significativamente do mercado dos Estados Unidos. Outrossim, houve aumento do peso relativo das exportações como fonte de expansão da demanda agregada. O coeficiente de abertura (exportação de bens e serviços/pib) era de 12,2% em 2001 e 14,6% em QUADRO 2 5

6 IMPACTO DAS EXPORTAÇÕES SEGUNDO O PARCEIRO COMERCIAL (em %) Participação nas exportações de bens Impacto direto das exportações sobre o PIB Estados Unidos 24,7 18,0 0,30 0,26 Argentina 8,6 8,5 0,10 0,12 China 3,3 6,1 0,04 0,09 Holanda 4,9 4,2 0,06 0,06 Alemanha 4,3 4,1 0,05 0,06 México 3,2 3,2 0,04 0,05 Chile 2,3 2,8 0,03 0,04 Japão 3,4 2,8 0,04 0,04 Subtotal 54,7 49,8 0,67 0,73 Estados Unidos + China + México 31,2 27,3 0,38 0,40 Fonte: Nações Unidas, Comtrade. Nota: o impacto direto sobre as exportações é calculado como: participação relativa de cada país no valor das exportações de bens multiplicada pelo grau da abertura no ano e por 10. Ou seja, é o impacto do crescimento de 10% das exportações para cada mercado sobre o crescimento do PIB. Visto que o grau de abertura refere-se a bens e serviços, supõe-se, portanto, que a participação de cada país na exportação total de serviços é idêntica à participação na exportação total de bens. O resultado destes processos é que, no conjunto, os três mercados (Estados Unidos, China e México) tornaram-se importantes para a economia brasileira. Por um lado, houve queda na participação total destes três mercados nas exportações de bens do Brasil de 31,2% em 2001 para 27,3% em Por outro, com a elevação do grau de abertura da economia brasileira e a maior importância relativa da China e do México nas exportações do país, estes três países passaram a ter maior impacto direto sobre o PIB brasileiro. Assim, as exportações do Brasil para Estados Unidos, China e México tiveram impacto direto sobre o PIB do país de 0,38% em 2001 e 0,40% em Ou seja, o crescimento de 10% das exportações para estes três mercados tem como efeito direto o aumento do PIB brasileiro de 0,38% em 2001 e 0,40% em Assim, ao longo dos anos a queda do peso específico dos Estados Unidos foi mais do que compensada pelo aumento do grau de abertura da economia brasileira e do peso específico da China e do México, que dependem do dinamismo do mercado dos Estados Unidos. 6

7 O segundo argumento diz respeito ao nível das reservas internacionais. Houve crescimento extraordinário, principalmente, a partir de meados de Entretanto, a situação externa do Brasil está marcada por dois problemas sérios: o desequilíbrio de estoque derivado do crescimento do passivo externo a partir de 2003 e a forte deterioração dos fluxos do balanço de pagamentos a partir de O passivo externo do país triplicou visto que passou de US$ 343 bilhões em 2002 (final do ano) para US$ 1060 bilhões em junho de 2008 como mostra o Gráfico 2. Neste mesmo período, o passivo externo líquido (passivo menos ativo) cresceu de US$ 230 bilhões para US$ 657 bilhões. GRÁFICO 2 PASSIVO EXTERNO DO BRASIL: (US$ bilhões, final do ano) (final junho) Passivo externo Passivo externo líquido Fonte: Bacen, Posição Internacional de Investimento. Disponível: Como proporção do PIB o passivo externo líquido encontrava-se no final de 2007 em nível (aproximadamente 44%) não muito diferente daquele de 2002, quando houve crise cambial, como mostra o Gráfico 3. GRÁFICO 3 PASSIVO EXTERNO LÍQUIDO DO BRASIL:

8 (% do PIB) ,9 45,7 49,3 44,7 43, ,6 35, Fonte: Bacen, Posição Internacional de Investimento. Disponível: Às vésperas da eclosão da crise econômica global o passivo externo do Brasil era de US$ 1060 bilhões, como mostra o Quadro 3. O principal item era o de investimento externo indireto ou em carteira, cujos principais itens são as ações de empresas brasileiras e os títulos da dívida externa. QUADRO 3 PASSIVO E ATIVO EXTERNO, BRASIL: 2008 (US$ bilhões, final de junho) Posição Internacional de Investimento ( A - B ) Ativo ( A ) Investimento direto brasileiro no exterior Investimentos em carteira 2/ Derivativos 40 Outros investimentos Ativos de reservas Passivo ( B ) Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Derivativos Outros investimentos Fonte: Bacen, Posição Internacional de Investimento. Disponível: 8

9 Ainda em relação ao passivo externo, vale notar que parte expressiva deste passivo é de curto prazo. Trata-se fundamentalmente dos empréstimos intercompanhias, investimento em ações no país, os investimentos em títulos de renda fixa no país, empréstimos e depósitos, e outros investimentos e derivativos. Em junho de 2008 o passivo externo de curto prazo era de US$ 358 bilhões, como mostra o Quadro 4. Estima-se, então, que o passivo externo de curto prazo é quase duas vezes o nível das reservas internacionais que eram de aproximadamente US$ 200 bilhões em meados de Isto significa, na prática, que caso o governo decida garantir certa estabilidade da taxa de câmbio há o risco de queda abrupta das reservas internacionais em pouco tempo. E isto caracterizaria uma crise cambial. 9

10 QUADRO 4 PASSIVO E ATIVO EXTERNO, BRASIL: 2008 (US$ bilhões, final de junho) Passivo externo de curto prazo - total 358 IED, Empréstimo intercompanhia 57 Investimentos em carteira: ações no país 194 Investimentos em carteira: Títulos de renda fixa no país 64 Outros investimentos e derivativos 40 Empréstimos e depósitos 3 Fonte: Bacen, Posição Internacional de Investimento. Disponível: Além do desequilíbrio de estoque, o Brasil defronta-se com o problema de desequilíbrio de fluxos derivado da acelerada deterioração das contas externas, como mostra o Gráfico 4. Previsões apontam no sentido da forte queda do superávit comercial de bens e, principalmente, do surgimento de déficit da conta corrente em Ou seja, os fundamentos da economia estão comprometidos. Os desequilíbrios de fluxos afetam o mercado de divisas e as expectativas. A situação pode se tornar mais crítica na hipótese de saída abrupta e significativa de fluxos de capitais internacionais. 10

11 GRÁFICO 4 DETERIORAÇÃO DAS CONTAS EXTERNAS DO BRASIL: (US$ bilhões) 50,0 40,0 46,1 40,0 30,0 23,6 20,0 14,2 13,4 13,6 10,0 0,0-10,0 Balança comercial, saldo 3,6 Conta corrente, saldo -20,0-30,0-25,4-24,6-21, Fontes: Bacen, Boletim Focus e Consensus Economics Inc, fevereiro Disponível: Nota: : previsões da Consensus Economics. O terceiro e último argumento destaca o dinamismo da demanda interna como amortecedor da retração da demanda externa derivada da crise internacional. Entretanto, a economia brasileira é marcada por um padrão retrógrado de inserção no sistema mundial de comércio e pela sua posição de fragilidade no sistema financeiro internacional. A dependência do país em relação às commodities é um problema sério na medida em que a crise econômica internacional provoca movimento de queda dos preços no mercado internacional. A reversão e forte queda dos preços das commodities afetaram o desempenho do agronegócio exportador a partir de meados de Mesmo na indústria, houve elevação do grau de abertura e há setores com elevada dependência em relação ao mercado internacional. 7 7 O coeficiente médio de exportação (exportação/valor da produção) da indústria brasileira era de 15,8% em 2002 e 21,5% em O coeficiente de exportação é muito elevado (maior do que 40%) nos seguintes setores: extração de minerais metálicos; outros equipamentos de transporte; extração de petróleo; produtos de madeira; e, preparação de couros, seus artefatos e calçados. Ver, F. J. Ribeiro et al. Coeficientes de comércio exterior da indústria brasileira: Revista Brasileira de Comércio Exterior, Nº 95, 2008, p Para ilustrar, o coeficiente de abertura da indústria de veículos automotores é de 19,7%. Neste caso, a queda das exportações de 20% provoca redução da produção interna de 4%. 11

12 Ademais, as dificuldades de obtenção de financiamento externo afetam o agronegócio, o sistema financeiro brasileiro e os planos de captação de recursos pelas empresas de todos os setores. Estes fatos implicam, na realidade, problemas de acesso ao capital externo e maior custo de captação tanto no mercado externo como no mercado interno. Estes fatos inibem a oferta de crédito para consumo, a disponibilidade de capital de giro e o investimento. As dificuldades crescentes no sistema financeiro internacional são ilustradas pela forte elevação do spread dos títulos brasileiros como mostra o Gráfico 5. Em 2008, este spread aumentou de 179 em maio, para 305 em setembro, 509 em dezembro e fecha o ano em 425 pontos-base. GRÁFICO 5 RISCO-BRASIL, SPREAD (%): MAIO 2008 DEZEMBRO 2008 (FINAL DO MÊS) mai/08 jun/08 jul/08 ago/08 set/08 out/08 nov/08 dez/08 Fonte: JP Morgan. 3. Síntese Conforme argumentam Filgueiras e Gonçalves (2007, cap. 1), com a crise econômica internacional, as fragilidades do país reaparecerão com toda a força, evidenciando mais uma vez os limites estruturais do Modelo Liberal Periférico e da sua política macroeconômica. Os efeitos sobre a economia 12

13 brasileira e a resposta das autoridades econômicas são conhecidos. A desaceleração do comércio mundial terá um impacto imediato sobre o valor das exportações, com a redução das quantidades exportadas e a queda dos preços das commodities agrícolas e industriais. A redução dos saldos da balança comercial e, em conseqüência, da conta de transações correntes do balanço de pagamentos, implicará aumento da dependência em relação aos fluxos de capitais internacionais necessários para o equilíbrio do balanço de pagamentos. Como essa situação será a regra dos países periféricos, as taxas de juros exigidas pelos capitais de curto prazo e com tendência de buscar proteção nos títulos do governo americano tenderão a se elevar, provocando, em cadeia, a elevação das taxas de juros domésticas. Em resumo: reaparecerá a vulnerabilidade externa estrutural da economia brasileira mascarada até aqui pelos grandes saldos obtidos atualmente no comércio exterior, agora também explicitada pelo seu lado comercial e reforçada pelo lado financeiro. O crescimento da vulnerabilidade externa, num quadro de redução dos saldos da balança comercial e elevadas taxas de juros, será acompanhado de uma aceleração do crescimento da dívida externa e interna, que tornará ainda mais débil os efeitos da política de elevados superávits primários evidenciando-se, mais uma vez, que o problema fundamental da fragilidade financeira do Estado se localiza na vulnerabilidade externa e na política monetária. A crise brasileira já era prevista bem antes da eclosão da crise internacional. Lamentavelmente, o trabalhador brasileiro será a principal vítima (principalmente, via desemprego e perda de renda) da crise em decorrência das políticas equivocadas do Governo Lula e da vulnerabilidade externa estrutural do país. A adesão da grande maioria dos analistas ao otimismo irresponsável também tem influência nesta morte anunciada da economia brasileira frente à crise global. Lamentável é saber que perdemos as oportunidades criadas pela fase ascendente do ciclo internacional ( ). É bem provável que a crise brasileira só esteja começando. O Brasil anda para trás tanto na fase boa quanto na fase ruim da economia mundial. A explicação para este fenômeno decorre da interação de três processos: a extraordinária vulnerabilidade externa da economia brasileira; as características do modelo liberal periférico que tem sido implementado no 13

14 país desde o final dos anos 80 e aprofundado nos governos FHC e Lula; e, os erros e equívocos das políticas e estratégias do governo Lula nos dois mandatos. Em síntese, vale repetir o fato: tanto na fase de ascenso quanto na fase de descenso do ciclo econômico internacional, a economia brasileira fica atrás do conjunto dos países em desenvolvimento. É o Brasil que anda para trás. 14

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