A Comunicação de Massa e sua incidência no Serviço Social: uma contribuição acerca do debate 1. Universidade Federal do Pampa campus São Borja- RS

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1 A Comunicação de Massa e sua incidência no Serviço Social: uma contribuição acerca do debate 1 Charles Machado Hoepner 2 Cássio Eduardo da Silveira Tôndolo 3 César Andre Luiz Beras 4 Universidade Federal do Pampa campus São Borja- RS RESUMO A presente produção ora apresentada tem como objetivo central discutir acerca dos benefícios e ameaças da Comunicação de Massa nas configurações atuais de nossa sociedade e suas influências ao profissional assistente social, que lida diariamente em seu cotidiano de trabalho com demandas por vezes provenientes da mesma. O debate é de suma importância e vem sendo foco de discussão por grandes pesquisadores, que se preocupam com a forte influência dessa comunicação de massa na vida da população que a acessa, bem como de seus resultados negativos a partir da má canalização de diversas ideias e informações por parte dessa população. Para que tal estudo se concretize, será necessário contextualizar todo o processo pela qual a Comunicação de Massa perpassou, bem como conceituá-la a partir dos pressupostos de Robert Merton. PALAVRAS-CHAVE: Comunicação de Massa; Manipulação; Serviço Social. Considerações introdutórias A atual configuração em que se encontra a chamada comunicação de massa nos trás diversas reflexões, referidas através de sua forte influência a população, sendo assim os reflexos das más interpretações de seus conteúdos, que pode ser gerado a partir do processo de recepção da mensagem, mas também a partir do processo de emissão 1 Trabalho apresentado no ALCAR RS 2 Acadêmico do 5º semestre do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pampa. 3 Acadêmico do 3º semestre do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pampa. 4 Orientador do trabalho. Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor Adjunto da Universidade Federal do Pampa. 1

2 desta. O referente artigo visa então, discutir a comunicação de massa como elemento não só positivo no campo da universalização das informações, mas, também no que diz respeito, a sua configuração de fonte influenciadora e canalizadora de opiniões da população a qual abrange e atinge. Contando com bases de pesquisadores da área, dentre eles o sociólogo Robert Merton, tentaremos procurará trazer a tona um pouco da Comunicação de Massa e seus efeitos junto a novas problemáticas a serem solucionadas pelos profissionais do Serviço Social. Robert Merton e Paul Lazarsfeld (2000), contemplam em seus estudos discussões sobre a contextualização atual da mass media e seus efeitos para com a sociedade que a acessa, discutindo por fim, suas contribuições para nosso estudo que busca questionar em que espaço e de que forma o assistente social vai trabalhar com os diversos problemas enraizados a partir da forte influência da comunicação de massa ou mass media. O sociólogo Robert Merton ( ), como todo o sociólogo buscava entender a sociedade e sua funcionalidade. Merton considerado um dos grandes e importantíssimos sociólogos embasou suas pesquisas que posteriormente viraram contribuições teóricas, a respeito da questão da comunicação massa e tinha em seus grandes questionamentos teóricos, a preocupação do efeito que a mídia causava na vida das pessoas, a expansão que a mesma estava tendo no contexto global e o perigo que ela representaria caso não houvesse um controle adequado. O presente artigo vai explorar a problemática exposta em quatro momentos: Apresentação da conceituação de comunicação de massa e sua expansão(i), no segundo momento tratará a respeito da dicotomia estabelecida pela comunicação de massa(ii), ou seja, seus benefícios e perigos caso essa seja mal interpretada, no terceiro momento trará a tona o papel da assistente social junto a essa mal interpretação da comunicação de massa(iii), ou seja, como essas interpretações errôneas implicam no cotidiano de trabalho do assistente social e por último abarcaremos as considerações finais(iv) a cerca do estudo proposto e problematizado neste artigo. I. Comunicação de massa: conceituação e expansão Podemos trazer que a disseminação de informações através da comunicação de massa se deu a partir da década de 70, período conhecido como milagre econômico. No campo da comunicação podemos destacar a principal influência para o crescimento 2

3 acentuado desse fenômeno, o aparelho de televisão. É nesse período de grandes transformações no mercado econômico que a televisão que era um bem de acessado por classes mais altas, passa a se difundir entre diversos setores da sociedade, inclusive famílias da grande população. Nesse momento, a comunicação de massa passa a se expandir, criar novos segmentos e torna-se mais acessível. Pode-se destacar um fator importante nessa nova fase, às relações sociais que se configuravam de uma maneira, passam a partir desta, a se dar em uma nova conjuntura, pois, havia antes da difusão da televisão, um cenário em que toda a família reunia-se para contemplar os programas jornalísticos, os programas favoritos ou fim de novelas etc., muitas vezes destacavam-se os aglomerados de vizinhos junto à família, pois, não tinham acesso ao tal aparelho e a partir dessa nova realidade o cenário rompe-se. É com essa nova forma que a comunicação de massa, por intermédio da mídia televisiva, que se configura a partir de meados de 70, traz consequências às antigas relações sociais através da extinção de várias formas de relação. Podemos trazer o exemplo citado acima, antes da nova configuração, vizinhos reuniam-se para assistir televisão, estabeleciam uma aproximação maior, apresentavam relações entre eles, a partir da difusão esse momento foi entrando em um processo de extinção. Neste contexto o termo comunicação de massa e sua conceituação são discutidos por diversos autores 5, o que nos traz uma gama de conceituações. Podemos afirmar que falar em comunicação de massa é remeter seu significado ao chamado processo de universalização e acesso de informações ao todo, ou seja, a população atingida é de grande proporção justamente por ela se representar por meios de comunicação de maior abrangência pela população, porém, há autores que trazem a discussão a cerca do termo como errôneo, que questionam e dizem que o termo comunicação de massa é inadequado: Já disse que o termo comunicação de massa é uma expressão infeliz. O termo massa é especificamente enganoso. Ele evoca a imagem de uma vasta audiência de muitos milhares e até milhões de indivíduos. Isto pode perfeitamente vir a calhar para 5 Para maiores informações e esclarecimentos consultar: Peruzzo (1998); Santos (2008) e Thompson (1998). 3

4 alguns produtos da mídia, tais como os mais modernos e populares jornais, filmes e programas de televisão; mas dificilmente representa as circunstâncias de muitos produtos da mídia, no passado ou no presente. [...] Assim, o termo massa deve ser usado, não se pode, porém, reduzi-lo a uma questão de quantidade. O que importa na comunicação de massa não está na quantidade de indivíduos que recebe os produtos, mas no fato de que estes produtos estão disponíveis em princípio para uma grande pluralidade de destinatários. (THOMPSON, 1998, P.30). A partir de tal definição podemos ver que estudiosos como Thompson trazem e propõem fervorosas discussões a respeito da comunicação de massa, perdurando um dos questionamentos centrais de nossa discussão, que é até que ponto essa comunicação influencia na vida dos indivíduos. Já em Merton e Lazarsfeld (2003) já mencionados, temos em destaque que para os mesmos, a comunicação é uma função, ou seja, tem seu papel a cumprir na sociedade. Os autores trazem em suas obras, essa discussão a respeito do papel social da comunicação de massa ou também mass media, enfatizando em suas obras a grande preocupação a respeito dessa função. Traz assim, a necessidade de refletir como a mídia está interferindo e afetando a vida das pessoas em nosso cotidiano, as suas relações sociais e familiares e até que ponto isso vem a interferir na cultura e no modo como essas vivem. Essa influência perpassa por diversos campos, seja representada no campo comportamental, no campo das escolhas, no campo simbólico dos gostos. O principal receio dos autores Merton e Lazarsfeld trazidos nos estudos referidos à comunicação de massa junto à organização social é o que poderá acontecer com a sociedade caso não haja uma devida forma de controle da mass media. O termo mass media também é usado para nomear a comunicação de massa, sendo abordado por diversos autores que trazem como fenômeno atual, em função da proporção que se encontra hoje. Podemos trazer a caracterização de mass media como: Mass Media quer dizer meios de comunicação tecnicamente aptos à difusão simultânea de toda a espécie de informação, destinando-a a um número indiscriminado de indivíduos. Esses meios de comunicação modernos são, além do cinema, os jornais, as revistas, as emissoras de rádio, e, sobretudo, as redes de televisão. Ocupam posto de evidente destaque nos campos social e cultural da Modernidade, na sua fase de explosão, 4

5 ocorrida em meados dos anos 70. (POLISTCHUCK; TRINTA, 2003, P.79). Temos em Polistchuck (2003), exposto na citação acima, que a comunicação de massa atinge grande número de pessoas, facilitando o fortalecimento do seu poder, pois está presente nos grandes centros, fazendo parte assim da vida de milhões de pessoas. Tal fenômeno ocorre em função de a mass media se dar por um processo não discriminatório, pois se baseia na difusão e distribuição das informações, ou seja, está presente desde os grandes centros urbanos até as pequenas áreas rurais. Se trouxer a discussão para atualidade, pode-se usar como parâmetro as próprias relações familiares, que vem sofrendo um processo de metamorfose, junto à expansão de novas tecnologias como a internet por meio dos sites de relacionamentos como Orkut, Twitter ou Facebook e também a televisão que tem forte influência na atualidade. A sociedades está se configurando de maneira que muitas pessoas estão se relacionando mais com contatos das redes sociais do que com pessoas de seu convívio. II. Comunicação de massa: Benefícios e Perigos A televisão junto à mídia televisiva e os chamados veículos de comunicação e entretenimento se tornaram nos dias atuais uma grande opção de lazer a muitas pessoas ao redor do mundo. A falta de acessos a outros elementos culturais, fez com que a comunicação de massa seja a único meio de grande parte da população se divertir, entreter ou manter-se informados. Seguindo os estudos que dão base para a construção desse artigo, Merton (2003), traz uma grande preocupação a respeito dessa grande acessibilização da comunicação de massa pela população. Como citado, ela se tornou para muitas pessoas uma opção de lazer. Este estudioso evidencia alterações no segmento das relações sociais, para discussão quando afirma que muitas dessas pessoas são trabalhadores e quando entram em regime de férias, logo correm a frente da televisão e se esquecem de sua família. Fato esse muito preocupante, pois vivemos atualmente em um contexto de exploração da força de trabalho e de competição, onde as pessoas encontram-se em função da carga exaustiva de trabalho, gerando cada vez mais o aumento na taxa de 5

6 estresse, então, logo que conseguem um momento de folga, acabam adotando como companheiros os meios de comunicação. É visivelmente claro, que embora a comunicação de massa leve a essa configuração não podemos deixar de destacar os seus benefícios, pois como já afirmamos para muitas pessoas ela é o único meio de se conectar ou ficar a par com o mundo em que vivem, ou a única forma de entretenimento e aos extremos a única companhia, sendo assim: Há de se reconhecer o grande poder da mídia e sua manipulação, prioritariamente, a serviço dos interesses das classes dominates, mas nem por isso ela deixa de dar sua contribuição ao conjunto da sociedade. Quando quer, divulga campanhas e programas educativos e outros de elevado interesse público. Por outro lado, ao informar, instantaneamente, sobre os fatos que ocorrem em qualquer parte do mundo, também propricia entretenimento, preenchendo, assim, necessidades que os meios populares não se propõem e nem conseguem satisfazer. (PERUZZO, 1998, p.131). Peruzzo (1998) aborda uma questão muito importante a ser citada, traz o contraponto da mass media, quando afirma que mesmo apesar dela estar a favor dos grandes ou como Peruzzo diz, aos interesses individuais das classes dominates a mass media também tem seu lado positivo que se reflete em sua fala, principalmente quando diz respeito à universalização das informações, pois é através da comunicação que se possibilita o acesso a diversas informações e que é direito de todos saberem ou acessarem. A difusão das informações através da comunicação por intermédio de notícias ou outras formas é um dos pontos positivos a ser destacado a respeito da Comunicação de massa, pois contribui para o melhor entendimento e esclarecimento para a sociedade. Nesse sentido a mass media atua de forma extremamente fundante e positiva, pois, permitirá que as próprias pessoas decidam o que é importante, ou seja, o que é válido incorporar em seus costumes ou em suas relações enquanto sujeitos sociais: Os meios de comunicação atuam em sociedades que, em graus diferentes, abrem espaço para a participação da maior parte da população. Na chamada sociedade de massa, as decisões políticas, o consumo, o transporte, o lazer, o trabalho, a saúde, a 6

7 segurança, o turismo, a educação e a transmissão de informações que envolvem uma grande quantidade de pessoas, que assumem papéis de eleitores, cidadões contribuintes, consumidores e receptores de cultura e de informação. (SANTOS, 2008, p.46). É inquestionável que a mass media tem sua válida importância como já foi referido pelos autores acima citados, mas existe uma nova preocupação a ser debatida, preocupação essa levantada pelos mesmos, ou pelos profissionais que trabalham com a comunicação social de opinião. A comunicação de massa na questão da manipulação dos fatos está centrada nas mãos de poucos, ou podemos dizer não dos mais favorecidos. Tal certeza nos traz a pura realidade de novas consequências, tanto na veracidade dessas informações quanto no impacto que elas trazem para a vida das pessoas: Os meios de comunicação de massa, [...], em síntese: estão nas mãos da burguesia; orientam-se pela unidirecionalidade e verticalidade; privelegiam os objetivos e a ideologia das classes dominantes; criam hábitos de consumo por meio da percussão; ocultam ou disvirtuam a realidade; distorcem os fatos; despolitizam o receptor; desmobilizam interesses das classes subalternas; impedem o acesso, o diálago e a participação da sociedade no que se refere a decisões relativas a programações e mensagens; apropriam fragmentos da cultura popular; detêm a tecnologia; e são economicamente estáveis. (PERUZZO, 1998, p.134). Podemos trazer algumas questões a discutir do trecho acima de Peruzzo (1998), sendo uma delas a afirmação de que a partir do momento que interessa para as empresas a distorção das informações, onde para serem favorecidas, podem ou alteram o conteúdo informado dando uma nova direção com intencionalidades negativas sob as informações, ou seja, tem-se aí um processo muito perigoso que compromete a veracidade dos fatos e consequentemente, a credibilidade para com os meios de comunicação. Sabe-se que a mídia é formadora de opiniões, sendo manipulada, podemos trazer que se formam então através dela, pensadores alienados resultantes da manipulação feita pelas empresas por meio da mass media. Do ponto de vista que empresas estão nas mãos de poucos e a mass media também, criteriosamente na lógica tem-se sim a possiblidade de manipulação do teor das informações. 7

8 Outra preocupação a ser problematizada contida no trecho de citação acima é a questão da banalização dos gostos, ou seja, a preocupação com o caráter vulgar que a comunicação de massa proporciona para o público. Essa vulgarização dos gostos populares foi uma das maiores preocupações de Merton quando o mesmo afirma que: Uma terceira fonte de ampla preocupação com o papel social da mass media se encontra em seus efeitos supostos sobre a cultura popular e o gosto estético de seu público. Tem-se afirmado que à medida que a assistência aumenta, o nível de gosto estético tem decaído. Teme-se que, propositadamente, os mass media acatam tais gostos vulgarizados contribuindo para uma decadência cada vez maior. (MERTON; LAZARSFELD, 2000, p.1009) Ou seja, pode-se discutir qual o exemplo de cidadões que essa comunicação de massa está formando. Quais são os modelos de familias que estão se desencadeando através desse processo de perssuasão da mass media? Pode-se pensar que está surgindo um novo fenômeno, o fenômeno da normalidade. Há uma maior aceitação por parte de grande parcela da população e até mesmo uma incorporação de modos de ser, de pensar, de agir, de vestir e de viver tornando-se parte do chamado processo de banalização: Ao lado dessas críticas eletistas, teóricos mais progressistas também apontaram os defeitos da cultura veiculada para as massas: o incentivo ao consumo desenfreado, a baixa qualidade dos conteúdos (a exemplo da programação televisiva atual, que apela para a violência e a pornografia, explorando as mazelas da sociedade para obter audiência), a distorção ou manipulação política, a tendência ao escapismo, a espetacularização dos fatos-questões que ainda suscitam debates [...] (SANTOS, 2008, p.53-54). Por isso, informar o usuário acerca de seus direitos e orientar os indivíduos é competência do assistente social, prevista na Lei de Regulamentação da profissão de nº8662/93 de 07 de Junho de III. Comunicação de massa: Dilemas para o assistente social 8

9 Já foi discutida e problematizada a comunicação de massa, sua difusão pelo mundo, seus benefícios e seus perigos. Daqui para frente o bojo da discussão permeará pela sua forte influência recaída sobre os assistentes sociais, que trabalham com a maior parte da população que acessa a comunicação de massa e também reproduz suas influências em seu cotidiano. Sendo assim, e trazendo a discussão para o campo do Serviço Social pode-se refletir inicialmente de que forma a absorção do mass media está se dando dentro das relações societárias, e assim questionar de que modo as famílias em situação de vulnerabilidade 6 estão decorrendo desse processo, sendo que os mesmos possuem acesso aos meios de comunicação massivos, como rádio, televisão, jornal, ou seja, são atingidos pela mass media. Pode-se afirmar que as pessoas, por uma série de fatores, perdem o hábito de questionar a veracidade das informações, de modo que, apenas seguem o que lhes é oferecido pela mass media, ou seja, tomam como verdade aquilo que está posto. Confirma-se aí o poder que a comunicação detém, ficando evidente através de diversos fatores e reproduções seguidas pela população.sabe-se que, em muitos casos, esse é o único meio de acesso a essas pessoas. Porém o maior expemplo de que mass media detém um grande poder é representado pela propaganda. A propaganda poder ser uma grande inimiga, pois quando anuncia seus produtos, ela acaba excluindo boa parcela da sociedade, que não tem subsídios financeiros para acessar esses produtos, além de a propaganda induzir ao consumo; à compra de produtos com seu poder de forte apelo e perssuasão. São nos comerciais que nascem diversas desigualdades de gênero, podendo trazer como exemplo as propragandas de cerveja, que trazem uma imagem de mulher construída pela indústria da beleza como sendo perfeita, para atrair os indivíduos masculinos ao consumo do produto. Além disso, as propagandas passam, muitas vezes a falsa ideia de que todos podem acessar os produtos, uma fácil acessibilidade a tudo, mas sabe-se que isso não é viável, sendo assim, quem não os acessa acaba muitas vezes sendo excluído ou sente-se impotente por não adquirir certo produto. Sendo que muitas vezes esse desejo de 6 A proteção social na assistência social inscreve-se portanto, no campo de riscos e vulnerabilidades sociais que, além de provisões materiais, deve afiançar meios para o reforço da auto-estima, autonomia, inserção social, ampliação da resistência aos conflitos, estímulo à participação, equidade, protagonismo, emancipação, inclusão social e conquista de cidadania. (SPOSATI, 2004, p.43). 9

10 aquisição não se dá em função de necessidades e sim do sentimento de pertencimento por determinado grupo social. É concreto que os meios de comunicação influenciam na vida e no comportamento das pessoas, um claro exemplo disso é a novela. As pessoas acompanham o enredo, que muitas vezes trazem cenas de violências, que posteriormente serão reproduzidas na sociedade, e recairão como demandas para os assistentes sociais. As questões da linguagem que as novelas passam, ou até figurinos e acessórios que viram sonhos de consumo de muitos brasileiros, descaracterizam muitos indivíduos que passam a ser personagens e reproduções da ficção. Outro fator relevante diz respeito aos programas religiosos. São práticas reigiosas, endossadas com a chamada pressão psicológica, para oportunamente conseguir uma doação ou espécie de dízimo como é conhecida a doação feita pelo fiél para a Igreja. Atualmente essas práticas chegam a milhares de lares pela televisão ou rádio. A fé transforma-se em mercadoria, uma vez, que caracteriza-se por vezes como um recurso lucrativo. Através dos meios de comunicação, bombardeia-se a sociedade com diversos fatos curiosos, enquanto isso, os problemas sociais e políticos são literalmente esquecidos. O tempo que a comunicação de massa compartilha com as pessoas, serve como tema de discussão por parte de alguns teóricos. Segundo Briggs e Burke (2006): Um japonês, ao escrever que o vício da televisão havia tranformado milhões de seus compatriotas em imbecis, deve ter tirado esse testemunho em parte de uma pesquisa de opinião de Quando perguntaram aos norte-americanos e japoneses qual a única coisa que levariam para uma ilha deserta, mais de 36% dos japoneses escolhereram a telivisão, contra 4% de estadunienses. Na época as crianças japonesas de dois anos viam uma média de três horas e meia de televisão por dia, sozinhas ou com mães. (BRIGGS; BURKE, 2006, p.251). Confirma-se com citação acima que a atual configuração das famílias encontrase inversamente ao aconselhável, pois o diálogo é cada vez menos utilizado, sendo assim uma grande preocupação aos assistentes sociais, pois tais configurações se dão a partir da grande influência da mass media, precarizando cada vez mais as relações sociais. A família está se desintegrando cada vez mais e assumindo novas 10

11 configurações, onde os integrantes da família preferem olhar e ouvir o que a mass media passa, do que relacionar-se com a sua família. Tem-se aí uma perda da capacidade crítica e de reflexão dos sujeitos para com aquilo que está posto. Podemos trazer que a mass media tem uma papel importante quando traz notícias a respeito de casos de violências, porém a veracidade de seus conteúdos e da necessidade de reproduzir diversos assuntos faz com que as pessoas acabem por esquecer-se do que realmente é necessário. Sendo assim pode-se afirmar que as pessoas no contexto atual estão perdendo a capacidade de indignar-se, em função da manipulação da mass media, da repetição constante de propagandas ou assuntos que só interessam ao consumo ou a reprodução de comportamentos. As divergências no período da adolescência também em muitos casos pode ser resultado da má influência da mass media, pois sabemos que a mídia impõe a moda, ou seja, músicas, roupas, acessórios ou até tecnologia. Quando o acesso a esses meios tornam-se uma dificuldade talvez busquem outras maneiras disso acontecer. Podemos citar a violência, a quebra das regras e a reprodução de diversos comportamentos agressivos como manifestações latentes desse processo. Todos os argumentos citados são algumas das problemáticas que os assistentes sociais enfrentam em seu cotidiano profissional, uma vez que trabalham diretamente com os seres em suas relações com a sociedade. A discussão acerca dessa problemática é extensa e que poder-se-ia citar diversos exemplos, pois os problemas não se resumem apenas nesses citados acima, mas, cotidianamente são os mais comuns. É essa relação de conflito um dos maiores desafios do assistente social,e é com essa expressão da Questão Social 7, ou com essa nova roupagem que os assistentes sociais vão lidar, pois afinal, a maior parte dos usuários da política de assistência social são os que têm acesso ao mass media ou a parte vulgar dessa comunicação de massa. Cabe aos assistentes sociais por diversas ações formar pessoas mais críticas que estejam a par da realidade e conscientes do poder da mídia e da mass media, porém muitas ações devem surgir dos profissionais e pesquisadores que fazem parte da comunicação de massa, ou seja, cabe também aos comunicadores sociais, trabalharem em uma perspectiva social, no qual trabalhem na ótica da informação com ética, sem 7 Questão Social apreendida como o conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos seus frutos mantêm-se privada, monopolizada por uma parte da sociedade. (IAMAMOTO, 2011, p.27). 11

12 distorções ou manipulações. Cabe trazer, talvez articular junto com a sociedade e os profissionais envolvidos programas educativos com propostas mais atrativas ao público que tem acesso ao mass media. Além de conteúdos que contribuam na formação do sujeito crítico e investigativo que tenha um olhar atento para o movimento da sociedade. IV. Considerações Finais Nesse estudo procurou-se trazer um pouco sobre a discussão proporcionada por diversos estudiosos, que tentam explicar o poder da comunicação de massa, sendo um dos mais importantes Robert Merton que estuda a forte influência da mass media para com a população e como ela vem sendo representada na contextualização atual para o público. Junto a esses estudos problematizou-se como a mass media vai ser uma forte influência na vida das pessoas e como elas alteram o seu cotidiano e as vezes até mesmo o seu modo de viver em sociedade por causa da mesma. Delineou-se também como as más interpretações da comunicação de massa por parte da população vão recair na vida dos profissionais do Serviço Social, que recebem demandas surgidas muitas vezes por conflitos gerados pela mass media e quais configurações as mesmas trazem para a população, exigindo do profissional ações interventivas eficazes. Cabe ao assistente social, mas não só a ele, formar pessoas mais críticas, pessoas que readquiram a capacidade de se indignar e de pensar a respeito de muitas coisas passadas pela mass media. O estudo também remete, o quão manipuladora pode ser a mídia, uma vez, que elimina das pessoas o seu poder de argumentação e a sua capacidade crítica, fazendo das mesmas meras reprodutoras daquilo que está posto. A intensão de construir este artigo foi de instigar o debate a cerca do tema, ligando a área do serviço social, uma vez que tanto a comunicação social como o Serviço Social trabalham diretamente com pessoas em seu contexto social. O presente trabalho deixa como contribuição a reflexão a cerca da maneira como os profissionais de ambas as áreas então intervindo e qual a direção que estão dando para o tema comunicação de massa, sendo que ambos devem ter em seus princípios enquanto profissionais interventivos o propósito da busca por uma sociedade menos conflituosa, desigual, manipuladora e que desvaloriza o ser humano enquanto sujeito histórico e social. 12

13 REFERÊNCIAS: BRASIL. Lei nº 8.662/3, Lei de Regulamentação da Profissão. Brasília, BRIGGS, Asa; BURKE, Peter. Uma história social da mídia: de Gutemberg à internet. 2.ed.Rio de Janeiro: Zahar,2006. IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 21.ed. São Paulo: Cortez, MERTON, Robert; LAZARSFELD, Paul. Comunicação de massa, gosto popular e a organização da ação social. (IN) LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa. 5.ed. São Paulo: Paz e Terra, PERUZZO, Cicilia Maria Krohling. Comunicação nos movimentos populares: a participação na construção da cidadania. 3.ed. Petrópolis: Vozes, POLISTCHUCK, Ilana; TRINTA, Aluizio Ramos. Teorias da comunicação: o pensamento e a prática do jornalismo. Rio de Janeiro: Elsevier, SANTOS, Roberto Elísio dos. As teorias da comunicação: da fala à internet. 2.ed. São Paulo: Paulinas, SPOSATI, Aldaíza. Especificidade e intersetorialidade da política de assistência social. In: Revista Serviço Social &Sociedade. São Paulo, n.77, p.30-53, Mar THOMPSON, Jonh B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 8.ed. Petrópolis: Vozes,

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