Lara Ribeiro Sisti Luisa de Albuquerque Philippsen Laudicéia Soares Urbano INTRODUÇÃO

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1 FORMULAÇÃO DE DIETA ENTERAL ARTESANAL ADEQUADA PARA IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS TIPO 2 E HIPERTENSÃO ARTERIAL NO MUNICÍPIO DE LONDRINA, PR INTRODUÇÃO Lara Ribeiro Sisti Luisa de Albuquerque Philippsen Laudicéia Soares Urbano A pressão arterial elevada é o maior problema de saúde em todas as regiões do mundo. O risco de desenvolver hipertensão arterial aumenta acentuadamente com a idade, sendo a doença crônica mais comum em idosos, com prevalência de cerca de 60% na América Latina e, no Brasil, estima-se que essa doença acometa 50% a 70% dos indivíduos idosos (MUNARETTI, BARBOSA, MARUCCI, LEBRAO, 2011; FREITAS, LOYOLA FILHO, LIMA-COSTA, 2011). Assim como na hipertensão arterial, a prevalência de diabetes mellitus na população idosa é maior devido, em parte, ao próprio processo de envelhecimento populacional. Adicionalmente, alterações no metabolismo dos carboidratos ligados à idade parecem contribuir para esse aumento, uma vez que valores glicêmicos tendem a ser mais elevados na medida em que o indivíduo envelhece. Praticamente metade dos idosos de 75 a 79 anos têm valores elevados de glicemia (VIEGAS-PEREIRA, 2006). Entende-se por terapia nutricional enteral (TNE) um conjunto de procedimentos terapêuticos empregados para manutenção ou recuperação do estado nutricional por meio da nutrição enteral. Incluem-se nas indicações da TNE as situações em que o trato digestivo estiver total ou parcialmente funcional e quando a ingestão oral for insuficiente para atingir 2/3 a 3/4 das necessidades nutricionais diárias e na condição de desnutrição (WAITZBERG; ALVES, 2009). Discente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Filadélfia-UNIFIL Discente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Filadélfia-UNIFIL Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Filadélfia-UNIFIL

2 As dietas enterais artesanais são aquelas preparadas à base de alimentos in natura, produtos alimentícios (que passaram por algum processo de industrialização) e/ou módulos de nutrientes (fornecem um tipo específico de nutriente), liquidificadas e peneiradas em cozinha doméstica ou hospitalar (ZAMBERLAN; ORLANDO; DOLCE, 2002). Segundo os mesmos autores, estas dietas normalmente tendem a ser usadas em situações em que o trato gastrointestinal se encontra com capacidade normal de digestão e absorção, já que para seu preparo são utilizados alimentos in natura, ou seja, nutrientes na sua forma intacta: carboidratos provenientes de batata, mandioca, inhame, arroz, creme de arroz e amido de milho; proteínas derivadas do leite, ovo e carnes; e gorduras à base de óleos vegetais. Este estudo teve como objetivo formular uma dieta enteral artesanal adequada para idosos institucionalizados portadores de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial residentes em um Lar de idosos localizado no município de Londrina, PR. METODOLOGIA Este trabalho é referente ao estudo de caso realizado pelas discentes Lara Ribeiro Sisti e Luisa de Albuquerque Philippsen durante o período de estágio obrigatório em Nutrição Social: Creche, Escola e Idosos, nos meses de fevereiro e março de 2012, promovido pelo curso de Nutrição do Centro Universitário Filadélfia de Londrina. Para a elaboração do plano alimentar utilizou-se o software de nutrição clínica Dietpro versão 5.5.i. Para compor a dieta, foram escolhidos alimentos convencionais de baixo custo e que, de preferência, fizessem parte dos gêneros alimentícios da instituição. Com base na literatura, foi considerado a distribuição calórica percentual para proteína de, no máximo, 20%, lipídios de 30-35% e carboidratos de 50-60%. O teor de

3 água da formulação foi calculado subtraindo-se os sólidos do volume total (WAITZBERG; ALVES, 2009). No preparo da dieta, foi considerada a importância de se obter soluções com partículas pequenas e leves, possíveis de escoar pelo equipo e boa qualidade nutricional. A dieta foi preparada em panela de alumínio em fogão industrial. Após cozimento, foi acrescentado um complemento alimentar, em seguida a preparação foi resfriada. Após resfriamento a preparação foi então triturada e homogeneizada em liquidificador, peneirada três vezes consecutivas e colocada em frasco estéril de 300 ml específico para dieta enteral, sendo armazenado até o momento do consumo em refrigeração. RESULTADOS E DISCUSSÃO A dieta enteral artesanal formulada apresentou boa adequação em relação à distribuição calórica e de macronutrientes. A preparação elaborada mostrou-se normocalórica, normoglicídica, normoprotéica e normolipídica. Em relação aos micronutrientes, os quais são muitas vezes perdidos durante processos de cocção e preparação, optou-se em adicionar o complemento alimentar citado anteriormente e utilizar o próprio caldo de cocção para completar o volume final, evitando assim perdas significativas de vitaminas e minerais (MAHAN; ESCOTT- STUMP, 2009). A dieta enteral artesanal apresentou coloração semelhante às dietas enterais industrializadas, com aspecto agradável e cor marrom claro. Segundo Waitzberg (2009), a dieta não deve ser armazenada por mais de 24 horas. Restos que por ventura aconteçam devem ser descartados e, em hipótese alguma, congelados para consumo em outros dias. Considerando que a contaminação dos alimentos é algo relevante quando se trata de formulação artesanal, buscou-se durante todo o processo da elaboração da dieta utilizar equipamentos e técnicas de preparo corretas, bem como correta sanitização de legumes, diminuindo o risco de contaminação. De acordo com Rona, Matioli e Herrero

4 (2005), os equipamentos utilizados para preparo da dieta enteral artesanal devem ser restritos para esse uso e somente ocorrer após uma correta sanitização e esterilização dos mesmos. Salienta-se a importância da lavagem correta do copo de liquidificador, evitando, com isso, o acúmulo de alimentos no fundo do copo. Os demais utensílios, ou seja, frascos, seringas, equipo, são fornecidos em postos de saúde em embalagens estéreis. Pode-se concluir que a dieta enteral artesanal é uma forma de garantir as necessidades nutricionais dos pacientes com TNE que não tem condições de utilizar a forma industrializada e, embora apresente algumas complicações ou riscos como a contaminação, pode ser considerada uma boa alternativa para o tratamento e recuperação do paciente, se o processo de preparação seguir cuidados gerais de higiene e técnica dietética correta. A formulação enteral artesanal criada apresentou boa adequação nutricional e ótima fluidez. REFERÊNCIAS FREITAS, M. P. D.; LOYOLA FILHO, A. I.; LIMA-COSTA, M. F. Dyslipidemia and the risk of incident hypertension in a population of community-dwelling Brazilian elderly: the Bambuí cohort study of aging. Cad. Saúde Pública [online], MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 11 ed., São Paulo: Roca, MUNARETTI, D. B. ;BARBOSA, A. R.; MARUCCI, M. F. N.; LEBRAO, M. L. Hipertensão arterial referida e indicadores antropométricos de gordura em idosos. Rev. Assoc. Med. Bras. [online] RONA, M.S.S.; MATIOLI, G.; HERRERO, F. Contaminação microbiana em dietas enterais artesanais, industrializada em pó e industrializada líquida. In SOUZA, M.L.R. Elaboração de uma dieta enteral artesanal padronizada para alta de pacientes em um hospital público de belo horizonte. Belo Horizonte, VIEGAS-PEREIRA, Ana Paula Franco. Aspectos sócio-demográficos e de saúde dos idosos com diabetes auto-referido: um estudo para o estado de Minas Gerais, Disponível em:

5 < ra.pdf>. Acesso em: 23 de março de WAITZBERG, D.L. ; ALVES, C.C. Nutrição Enteral. Clínica Médica, volume 4 Doenças do aparelho digestivo, nutrição e doenças nutricionais. Barueri - SP: Manole, ZAMBERLAN, P.; ORLANDO, P. R; DOLCE, P.; Nutrição enteral em pediatria. Rev. Pediatria Moderna, 2002.

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