Estudo de caso de um sistema frontal atuante na cidade de Salvador, Bahia

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1 Estudo de caso de um sistema frontal atuante na cidade de Salvador, Bahia Fernanda Gonçalves Rocha 1 ; Maria Regina da Silva Aragão 2 1 Bolsista (CNPq), Programa de Pós-graduação em Meteorologia/DCA/UFCG, Rua Aprígio Veloso 882 Bloco CL, Campina Grande, PB, 2 Profª. Drª. DCA/UFCG, RESUMO: Neste trabalho o objetivo é analisar as características do evento extremo de chuva ocorrido na cidade de Salvador no dia 21 de outubro de Mapas e imagens de satélite meteorológico são utilizados, juntamente com totais de precipitação coletados em quatro pontos da cidade. Totais diários de chuva acima de 60 mm observados nos quatro locais, e os 69 mm registrados pela estação automática do INGÁ num período de 2 horas, entre as 6 e as 8 horas da manhã, caracterizaram esse evento extremo provocado por áreas de convecção profunda organizada em mesoescala que se formaram na zona de convergência, de um sistema frontal austral que avançou sobre o Brasil. Palavras-chave: mesoescala, evento extremo, precipitação, área urbana. ABSTRACT: The objective of this work is to analyze the characteristics of the extreme rainfall event that occurred on 21 October 2006, in the city of Salvador. Meteorological satellite images and mapas are used along with precipitation totals observed in four points within the city. The daily rainfall totals above 60 mm observed at all data points, along with the 69 mm registered by the automatic meteorological station of INGÁ during a period of 2 hours, between 6 and 8 hours in the morning, characterized this extreme event caused by areas of deep convection organized on the mesoscale that formed in the convergence zone of an austral frontal system that penetrated over Brasil. Keywords: mesoscale, extreme event, precipitation, urban area. 1. INTRODUÇÃO Situada no litoral leste da Região Nordeste, Salvador é uma das cidades brasileiras de maior pluviosidade anual, 2.098,7mm, dos quais 52,5% (1.101,4mm) são registrados no período de abril a julho (DNMET, 1992). Dependendo da intensidade, duração e freqüência das chuvas, esse quadrimestre também se destaca pelo número de eventos intensos e pela quantidade e gravidade dos efeitos adversos que provocam na cidade. (BARRETO et al.; SILVA ARAGÃO et al., 2008). Eventos intensos com precipitação igual ou maior do que 50 mm foram diagnosticados por Barreto et al. (2008) para o período No ano de 2006, em particular, foram encontrados 12 eventos intensos, um dos maiores totais do período, distribuídos nos meses de abril, junho, julho, outubro e novembro. Tendo por base esse resultado, o objetivo deste trabalho é caracterizar o evento extremo ocorrido no dia 21 de outubro de Totais horários e diários de precipitação, imagens de satélite meteorológico e mapas de variáveis atmosféricas são utilizados na caracterização do evento.

2 2. MATERIAIS E MÉTODOS Os totais pluviométricos diários utilizados foram coletados em quatro estações meteorológicas instaladas na cidade do Salvador (Fig. 1): Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ), ATERRO CENTRO E ATERRO CANABRAVA. Os dados horários de chuva acumulada foram registrados pela estação automática do INGÁ e processados pelo DCA/UFCG. Imagens do satélite meteorológico GOES-E no canal infravermelho e campos da pressão reduzida ao nível médio do mar e do vento no nível de 850 hpa também foram usados neste estudo. Estações Meteorológicas Figura 1: Localização de oito estações com registro de chuva na cidade de Salvador-BA. As estações estão indicadas por um ponto amarelo no mapa: INMET, 19BC,Aterro Canabrava,INGÁ, Aterro Centro, IMA, Ilha Amarela, Base Naval. As estações utilizadas estão circuladas de preto. (Fonte do mapa: 3. RESULTADOS A Figura 2 ilustra os totais diários de precipitação observados nas quatro estações no mês de outubro de É possível notar que houve registro de chuva nos primeiros dez dias do mês, mas sem valores significativos. Após dez dias sem precipitação, totais diários acima de 50 mm foram registrados nas quatro estações na manhã do dia 21. O total de 82,40 mm observado na estação do INMET representa 67% da normal climatológica do mês, que é de 122,2 mm. Valores de 70, 69 e 62,30 mm foram registrados nas estações do Aterro Centro, INGÁ e Aterro Canabrava, respectivamente. A precipitação horária acumulada registrada pela estação automática do INGÁ ilustrada na Figura 3 evidencia que o total diário observado nessa estação foi resultado da chuva ocorrida entre ás 9 e 11 UTC (6 e 8 horário local) desse dia, ou seja, 69 mm em apenas duas horas, o que caracteriza um evento extremo de chuva em Salvador.

3 Precipitação (mm) Aterro Cananbrava Dia Aterro Centro(CIA) INGÁ INMET-Ondina Figura 2: Totais diários de precipitação (mm) do mês de outubro de 2006 em quatro estaçõess meteorológicas da cidade de Salvador. (Fonte de dados: Instituto de Gestão das Águas e Clima-INGÁ). 120 Precipitação acumulada (mm) Dia/Mês-Hora (UTC) Figura 3: Precipitação horária acumulada (mm) registrada pelo INGÁ no período de 00UTC ás 23 UTC do dia 21 de outubro de (Fonte de dados: Instituto de Gestão das Águas e Clima-INGÁ). As imagens de satélite meteorológico obtidas em intervalos de 3 horas apresentadass na Figura 4 permitem acompanhar a evolução do sistema que provocou a chuva intensa no dia 21 de outubro de Nas imagens das 00 e 12 UTC do dia 20 (Fig 4a,b), há uma área de nebulosidade configurada de NW-SE que tem deslocamento considerável nesse período de 12 horas. Ela se estende sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, o estado da Bahia e o Oceano Atlântico, onde está centrado um ciclone frontal que pode ser visualizado no mapa de superfície (Fig. 5a) e do vento em 850 hpa (Fig. 5b). Um forte centro de alta pressão, com valor central de 1024 hpa, é visto a oeste da baixa frontal, na retaguarda da frente fria (Fig. 5a). Através dos mapas é possível constatar que a banda de nebulosidade se estende numa

4 área de cavado, ou seja, numa área que se caracteriza pela presença de convergência de massa (e umidade) induzida pelo sistema frontal. A imagem da Figura 5c indica que a convergência frontal já atingiu Salvador às 00 UTC do dia 21, o que é confirmado pelo mapa de superfície (Fig. 5b) e altitude (Fig. 5d). As imagens seguintes (Fig. 5d-f), assim como as anteriores, documentam a presença de aglomerados convectivos inseridos na banda frontal. O início do período de chuva intensa em Salvador corresponde à última imagem (Fig. 5f). a) b) c) d) e) Figura 4: Imagem do satélite meteorológico GOES-E na banda do infravermelho para o dia 20 de outubro de 2006 às 00UTC (a), 12UTC (b), e dia 21 de outubro às 00UTC (c), 03UTC (d), 06UTC (e) e 09UTC (f). (Fonte das imagens: Adaptado de 4. CONCLUSÃO Este trabalho avaliou o evento extremo de chuva ocorrido no dia 21 de outubro de 2006, na cidade de Salvador, Bahia. Nesse dia foram registrados totais diários de chuva acima de 60 mm em quatro pontos da cidade. A estação automática do INGÁ registrou quase 69 mm f)

5 de chuva num período de 2 horas, entre as 6 e as 8 horas da manhã. Áreas de convecção profunda organizada em mesoescala ao longo da banda de nebulosidade de uma frente fria que avançou sobre o Brasil provocaram os acumulados significativos de precipitação observados na cidade. a) b) c) d) Figura 5: Análise de pressão reduzida ao nível médio do mar ás 00UTC para o dia 20 e 21 de outubro de 2006 (a,b) e vento horizontal no nível de 850hPa, ás 00UTC para o dia 20 e 21 de outubro de 2006 (c,d). (Fonte dos mapas:http://www.cptec.inpe.br/). 5.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO, A. B.; SILVA ARAGÃO, M. R.; CORREIA, M. F.;SANTOS, A. H. M. Uma investigação sobre eventos intensos de chuva na cidade de Salvador, Bahia. In: CBMET, 15., 2008, São Paulo.Anais.São Paulo: SBMET. 1 CD-ROM DNMET. Normais Climatológicas ( ). Departamento Nacional de Meteorologia. Brasília f. SILVA ARAGÃO,M,R.;BARRETO, A.B.;CORREIA, M.F.(2008). Variabilidade sazonal e horária da chuva na cidade de Salvador, Bahia. IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste,Salvador,Bahia.

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