Pré-vestibular Aliança Professor: Renato Soares Geografia Geral e do Brasil.

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1 Pré-vestibular Aliança Professor: Renato Soares Geografia Geral e do Brasil. TELEVISÃO Antenas da sociedade Um quarto de século após a Constituição que marcou a nova etapa democrática da vida nacional, a organização do sistema de veículos de comunicação brasileiro é mais marcada pelo gigantismo e pela concentração empresarial do que no início da nova etapa por Gabriel Cohn Após pouco mais de seis décadas de existência, a televisão brasileira ostenta condições peculiares: sofisticação técnica, forte presença na cultura, agência de porte na vida econômica e política e aqui começa o problema elevada capacidade de manutenção, quando não de consolidação, de um padrão organizacional e de funcionamento construído em grande medida num período marcado pela concentração do poder político e econômico. A situação tem algo de paradoxal. Um quarto de século após a Constituição que marcou a nova etapa democrática da vida nacional, a organização do sistema de veículos de comunicação brasileiro é mais marcada pelo gigantismo e pela concentração empresarial do que no início da nova etapa. Não há como fugir à evidência de que esse é o grande problema que as políticas da comunicação e da cultura terão de enfrentar com mais força daqui para a frente. Esse é o pano de fundo que dá sentido a todo esforço que fizermos para caracterizar a natureza desse meio de comunicação, que há muito deixou de ser meio no sentido de veículo de mensagens para converter-se em meio no sentido de ambiente que fornece enquadramento para a vida das pessoas. Talvez um bom ponto de partida consista em examinar melhor a capacidade que acabei de atribuir à televisão, a de funcionar como um ambiente de vida. Seu nome altissonante esconde a fragilidade de um meio dependente de um sentido direcional como a visão. É nisso que seus afins mais próximos o rádio, com seu som não direcional, e o cinema, com seus espectadores imóveis levam vantagem sobre ela. Por maiores que sejam seus avanços técnicos, a TV não tem como dispensar a técnica do rádio e joga boa parte do seu esforço no áudio. A questão é: feitas as pazes com o rádio e o cinema, que já se apresentavam prontos e com perfil bem definido quando a TV nasceu, como ficam as tecnologias mais recentes, às quais ela agora tem de se adaptar, em especial as computacionais? Em especial se considerarmos que essas tecnologias de última geração condensam em si todas as características das anteriores? De certo modo a resposta já foi antecipada: trata-se de uma questão de adaptação mais do que de incorporação ou apropriação, como já ocorrera com o cinema e o rádio. E nisso a televisão tem se revelado um meio técnico altamente eficiente na destreza para fazer uso, como recurso na produção e como plataforma na distribuição, das novas conquistas informáticas. No entanto, ela não se transforma por dentro, no modo como organiza as mensagens que transmite, nem dá sinais de que vá ser incorporada por tecnologias mais recentes. A questão, claro, não é simplesmente fazer parte, mas diz respeito ao papel desempenhado no conjunto, se dominante como até agora tendeu a ser na relação com os demais veículos no sistema da indústria cultural. Em suma, a televisão será capaz de manter a iniciativa na formatação do espaço simbólico no qual se movem as pessoas leia-se, seus consumidores? Continuará a atrair e manter consumidores da sua programação, ou seja, continuará a programar amplos segmentos da vida de grandes setores da sociedade? Tudo indica que ela tem poder e flexibilidade para permanecer um bom tempo entre nós, fazendo aquilo que sempre soube fazer, que é captar energias no entorno para devolvê-las organizadas em programas. O que afinal sustenta a televisão em posição tão firme no complexo de meios de comunicação? A resposta é de ordem organizacional: trata-se do caráter compactamente controlado que ela assumiu no confronto com os outros meios no complexo da indústria cultural ao longo do século XX, com desdobramentos atuais. O cinema e a imprensa já tiveram sua idade de ouro de concentração monopólica, e a lógica do mundo digital também é centrada no controle (e em escala sem precedentes), mas sob outras formas. A boa e velha indústria cultural o sistema de meios interdependentes e intercomunicantes sob gestão empresarial tendencialmente monopolista e com um ramo do complexo dando o tom para o conjunto tem na televisão seu último bastião. Não nos esqueçamos de que a questão básica não é a relação da televisão com o poder político e econômico (se é complementar, subalterna, independente ou outra), mas sim a da televisão como estrutura de poder na relação com as demais instâncias da sociedade. Isso tudo não é estranho àqueles que a controlam; a abertura do sistema televisivo é especialmente difícil também por outras razões, sendo a mais evidente a escala dos investimentos envolvidos. Avanços na tecnologia da comunicação não envolvem a substituição dos meios mais antigos pelos mais novos. Estes simplesmente incorporam ao seu padrão próprio os recursos fornecidos pelos anteriores. Imprensa, rádio, cinema, televisão e redes digitais seguem essa linha. Mas a entrada no complexo das comunicações de novos ramos exige uma reconfiguração que necessariamente afeta aquele cuja posição era solidamente central. Por mais que se revele capaz de incorporar traços básicos do universo on-line, a televisão fica exposta ao novo padrão de divisão do trabalho que se cria com a expansão do sistema, formado por uma imprensa ultraconcentrada e apta a não só selecionar como a carimbar os eventos ditos importantes, atribuindo-lhes marcas de fácil identificação, como mensalão. A televisão vem se revelando capaz de manter seus traços básicos isso apesar de uma mudança mais funda do que parece, que é a substituição do eletrodoméstico receptor por equipamentos mais ágeis ; combina uma radiofonia dispersa, mas muito presente e com alto grau de disseminação e inculcação de temas e conteúdos, e uma ampla e multifacetada rede digital com sinais de crescente concentração e controle; e busca reorientar seu espaço nisso. Uma das mais antigas e persistentes críticas à televisão consiste em vê-la como tendo sobre seus consumidores efeitos alienantes em relação à realidade circundante, ao cercá-los por um mundo que, nos termos de programa célebre, é fantástico. Na realidade, a tendência observada é no sentido de um realismo por vezes linear e brutal, mas, no conjunto, matizado de modo muito peculiar. Isso não resulta de alguma intenção aberta, mas decorre da própria posição de ponta ocupada por ela no complexo da comunicação, em especial na sua dimensão econômica. Longe de estar desatenta aos grandes movimentos da sociedade e de desviar a atenção deles, a televisão, mais do que qualquer outro meio, empenha-se em

2 detectar as tendências emergentes e em capturá-las ao seu modo na programação. Nesse sentido, nada tem de marcadamente conservadora. Se quisermos brincar com os termos, ela é leninista. Está sempre um passo, mas nunca mais do que um passo, à frente das massas. Nisso, ela tem foco específico: capta os sinais da emergência de novos grupos no mercado e imediatamente os projeta na programação, ganhando com isso a iniciativa na definição social das suas novas identidades, desde logo como consumidores (de tudo, incluindo programação de TV). Mulheres, idosos (para não falar das indefectíveis crianças) e grupos étnicos de todo tipo são capturados nesse processo que não é de ajuste puro e simples ao mundo que já está dado, mas de preparação (seletiva) àquilo que se anuncia para vir. Reacionária? Não. Simplesmente conservadora? Também não. Prospectiva e atuante com relação às tendências que reforçarão o cenário no qual ela prospera? Sim, e nisso reside o principal segredo de sua vitalidade e longevidade. Entretanto, o traço característico mais importante da televisão revela-se na decisiva conversão, que se deu ao longo da sua história, de meio no sentido de veículo de mensagens e programas para meio no sentido de ambiente de vida, de atmosfera em cujo interior se movem os homens. A imprensa nunca fez isso, nem se propôs a tanto. (É verdade que um grande filósofo escreveu, há dois séculos, que a leitura dos jornais é a oração da manhã do homem moderno. Mas esse autor, Hegel, era protestante: para ele essa oração era crítica e reflexiva, formadora de opinião própria bem longe, portanto, da imprensa monocórdia e do avassalador jornal nacional da TV). O cinema sempre soube preservar a condição de evento com significado próprio, fora da rotina. E o rádio, que a rigor tinha mais condições de preencher a condição de enquadramento ambiental (como mais de um déspota soube apreciar), acabou sendo atropelado pela própria televisão. É verdade que, sem o adestramento prévio das audiências propiciado pelo rádio, a televisão teria tido sérias dificuldades para se alojar no cotidiano. Trata-se de linguagem bem mais complexa e específica do que parece à primeira vista, com uma estética própria, que se manifesta em especial na publicidade. Quando, nos anos 1970, um programa infantil norte-americano de sucesso, Vila Sésamo, usava recursos desenvolvidos nas mensagens de propaganda comercial com intuito educativo (não vamos discutir aqui se por acaso existe uma televisão não educativa ), não faltou quem comentasse que o programa tinha um ponto de notável sucesso, que simplesmente consistia em ensinar às crianças a técnica de ver TV. A televisão é envolvente, mas de modo incompleto, insaturado. Não é tão envolvente quanto o som radiofônico nem tão direcional quanto a imagem cinematográfica. Podemos respirar, então: esse ambiente televisual sempre terá lacunas, pontos de fuga. Seus consumidores sempre terão como encontrar outros ares para respirar. Contudo, isso nada tem de espontâneo ou de automático. Muita coisa tem de mudar, na cultura e na sociedade, começando pelo sistema educacional, para que o fôlego do cidadão deixe de ser virtual. A questão é sua organização como centro de poder econômico e político mais do que cultural. E aqui entramos no jogo aberto dos interesses, das reivindicações e da capacidade de organização um jogo que mal começou a ser jogado entre nós. É de suspeitar que esse jogo será finalmente ganho pelo lado que melhor souber se mover simultaneamente nas duas dimensões envolvidas, a da natureza da televisão enquanto forma de comunicação e a do alcance de sua organização empresarial. Saber fazer isso sempre foi a grande vantagem dos detentores e controladores do sistema no qual a televisão se insere. Do ponto de vista dos que buscam mudanças em profundidade nesse cenário, o truque consistiria em articular entre si, em pôr em fase os limites do meio e os do complexo empresarial. Isso envolveria operar simultaneamente no lado do consumo e no da produção (o que, de passagem, levaria a mobilizar juntos tanto a clientela quanto os profissionais como cidadãos). Fiquemos atentos ao próximo episódio. Gabriel Cohn Professor emérito da Faculdade de Filosofia da USP e bolsista sênior da Capes na Unifesp A caravana da cocaína no Sahel No meio do caminho entre a América Latina e a Europa, o oeste da África se tornou um centro comercial do tráfico de cocaína. Em todo itinerário que percorre, o dinheiro do comércio de drogas permite comprar numerosos intermediários, especialmente políticos, e contribuiu para a desintegração dos Estados por Anne Frintz Em novembro de 2009, um Boeing 727 vindo da Venezuela pousava em Tarkint, localidade perto de Gao, no nordeste do Mali. Ele transportava

3 entre 5 e 9 toneladas de cocaína, que nunca foram encontradas. Depois de descarregada, a aeronave falhou na decolagem e pegou fogo. O inquérito revelou que entre os envolvidos estavam uma família libanesa e um empresário mauritano que fizeram fortuna com o comércio de diamantes angolanos. Como um aparelho dessa envergadura, além de outros mais modestos, e tamanhas quantidades de cocaína conseguem passar por uma região que, embora desértica, é povoada e administrada? De acordo com um analista político francês especialista em Sahel, que prefere manter o anonimato, estão envolvidos um ministro e altos dignitários do Exército e dos serviços de inteligência, próximos do ex-presidente Amadou Toumani Touré (conhecido como ATT), além de deputados do norte malinês. Essa é a questão delicada. Ela toca o centro do poder, declara nossa fonte. Com o fim do regime de ATT, oficiais superiores do Exército do Mali e dos serviços de inteligência relacionados a esse tráfico ficaram totalmente deslegitimados. Essa é uma das razões pelas quais soldados e oficiais subalternos participaram do golpe de Estado de março de Os altos graduados possuíam um parque automobilístico que não poderiam pagar nem se desviassem todo o orçamento do Exército. O tráfico traz benefícios substanciais: apoio nas eleições, compra de imóveis vinculada à lavagem de dinheiro... Várias personalidades políticas pactuavam com os traficantes. Se um militar fosse excessivamente zeloso e parasse um comboio, recebia um telefonema de um supervisor com a ordem de deixar passar. Foi o que aconteceu na fronteira com a Guiné, quando Ousmane Conté, filho do presidente desse país, foi parado por tráfico de narcóticos, insiste o profissional, que viaja com frequência para a região do Sahel. ATT fechou os olhos, deixou as coisas se deteriorarem. O regime malinês é um dos mais corruptos da África Ocidental. Grande fator de desestabilização Simon Julien,1 pesquisador francês também especialista em Sahel, deu detalhes da competição, no norte do Mali, em 2012, entre populações com e sem acesso a renda. Financiando generosamente, com dinheiro das drogas, vários grupos de oposição aos tuaregues de Ifoghas, o regime tinha a esperança de sufocar as rebeliões tuaregues. Erro de cálculo. O influxo de armas da Líbia e de combatentes islâmicos precipitou a divisão do Mali. O peso do dinheiro das drogas na desestabilização de toda a sub-região não deve ser subestimado. Em Lagos, capital da Nigéria, o primeiro laboratório de fabricação ilícita de anfetaminas e metanfetaminas foi desmantelado em junho de Em Cabo Verde, em outubro do mesmo ano, 1,5 tonelada de cocaína foi apreendida numa praia da ilha de Santiago. Em junho de 2010, 2 toneladas do pó branco foram descobertas num entreposto de pesca de camarão na Gâmbia. Em abril de 2011, em Cotonu, 202 quilos de heroína foram confiscados em um contêiner marítimo proveniente do Paquistão, aparentemente com destino à Nigéria. Embora a Cannabis, única planta ilegal produzida localmente, continue a ser a droga mais difundida, ela serve apenas ao consumo local. As drogas sintéticas, cocaína e heroína, visam a mercados mais distantes: Europa, Japão e até China. Desde 2004, o oeste da África tem sido uma importante plataforma de tráfico, armazenamento e distribuição de cocaína. Ela fornece ao mercado europeu entre um oitavo e um quarto de seu consumo: 21 toneladas sobre 129 toneladas, em 2009, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês). Proximidade geográfica entre países produtores e destinatários finais, logística e mão de obra baratas, fragilidade da fiscalização e do aparelho repressivo e legislativo, corrupção endêmica e barata, impunidade generalizada: a sub-região oferece aos traficantes internacionais um leque de vantagens comparativas que desafia qualquer concorrência. A meio caminho entre América do Sul e Europa, o novo entreposto recebe os produtos dos principais países que cultivam e fabricam cocaína no mundo: Colômbia, Peru e Bolívia. E abastece a Europa, segundo maior mercado consumidor mundial de cocaína, estimado em US$ 33 bilhões em 2012 apenas 4 bilhões a menos do que o mercado mais polpudo, a América do Norte. A cocaína ganhou o posto de segunda droga mais consumida na Europa, logo após a maconha, com 4,1 milhões de usuários em 2008 pouco menos de 1% dos europeus. Esse próspero tráfico é considerado por muitas organizações internacionais, entre elas o UNODC e a Comissão Internacional de Controle de Narcóticos (INCB, na sigla em inglês), como um fator essencial de desestabilização da África Ocidental. A crise econômica e as políticas impostas pelo FMI e o Banco Mundial agravaram a ilegitimidade da maioria dos poderes. O dinheiro ali já comprava tudo antes mesmo que a sombra de uma tonelada de cocaína fosse avistada; mas a instalação de criminosos internacionais, trabalhando com somas consideráveis, só agravou a situação. A criminalidade transnacional organizada tem uma abordagem comercial: ela busca o menor risco. Os traficantes procuram as melhores rotas: aquelas onde seu jogo de influências das ameaças de morte ao assassinato e a corrupção lhes permitem circular livremente, explica Pierre Lapaque, diretor do UNODC para o oeste da África. Comparável em termos de valor ao contrabando de petróleo e de armas, o tráfico de cocaína é um dos mais rentáveis. Em 2012, ele teve um grande peso na região: 900 milhões de euros de lucro, sendo 400 milhões lavados e gastos ali mesmo; isso para umas 30 toneladas de cocaína, de acordo com o UNODC em Dacar (Senegal). Em comparação, em 2012, o orçamento da Guiné-Bissau, importante ponto de passagem, não excedeu 177 milhões de euros. A cocaína está entre os produtos que geram maior valor agregado: o quilo comprado por 2 mil a 3 mil euros nas áreas de produção vale 10 mil nas cidades do litoral do Atlântico, 12 mil nas capitais do Sahel, 18 mil a 20 mil nas cidades da África do Norte e entre 30 mil e 45 mil nas metrópoles europeias, de acordo com o especialista francês na região do Sahel já mencionado. E esses são preços do mercado atacadista, que se referem a um produto cujo grau de pureza vai diminuindo ao longo do circuito. Golpe de Estado na Guiné-Bissau Quais são as consequências da instalação, no norte do Mali, de grupos como o Movimento pela Unidade e a Jihad na África Ocidental (Mujao), a Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) ou o Ansar Dine? A AQMI e o Mujao2 participam do tráfico: cobram pedágio dos comboios de cocaína que atravessam os territórios sob seu controle e, por uma taxa, garantem sua proteção.3 Enquanto a AQMI tira apenas uma pequena parte de suas receitas das drogas o comércio de reféns lhes rende bem mais, o caso do Mujao é outro. Mas, paradoxalmente, a divisão do país não facilitou os negócios. Embora um Estado fraco seja uma vantagem para os traficantes, a desorganização completa do território torna-se perigosa, argumenta nosso especialista em Sahel. Sem um apoio de confiança dentro do Exército e da polícia, ou entre os políticos locais e nacionais, a segurança dos lotes de cocaína não está garantida. Mesmo que você tenha acordos com todos os grupos jihadistas e o MNLA [Movimento Nacional de Libertação do Azawad] no norte, ainda corre o risco de ser atacado. É por isso que os traficantes decidiram se estabelecer no vizinho Níger:

4 Em Arlit e Agadez, redes se formam. Cada vez mais traficantes se deslocam do Mali e do Níger, declarou o político nigeriano já citado. Apesar de todos os seus sobressaltos, um país não afugentou os traficantes: Guiné-Bissau. Em 15º lugar na lista de Estados falidos, logo atrás da Nigéria, de acordo com o Failed States Index 2012[Índice de Estados falidos 2012], ela é um dos principais balcões de cocaína da África Ocidental. Em 2007, a Drug Enforcement Administration (DEA) norte-americana estimava que a cada noite, por via aérea, de 800 a quilos de cocaína entravam em seu território. Instalações aeroportuárias e portuárias, e até ilhas, haviam sido arrendadas aos traficantes, com o conhecimento do governo local, que jogou a responsabilidade para o Exército. Em quase todos os casos ocorridos entre 2006 e 2007, nas apreensões de 1 ou 2 toneladas de cocaína, nenhum processo foi instaurado. E, mesmo quando foi, nenhuma condenação foi pronunciada, relata um especialista francês em Guiné-Bissau. Na Guiné-Bissau, o tráfico resulta de negociações entre o Exército e o poder civil. Os militares dizem: Os civis que usam terno e gravata e dirigem poderosos 4 4 na cidade mamam no dinheiro do FMI e das instituições internacionais; para nós, sobra o tráfico de drogas!. Embora o dinheiro que o Exército ganha com o tráfico lhe permita uma autonomia em relação ao poder civil, as drogas são para ele um recurso entre outros: Há também o controle de licenças de pesca, por exemplo, das grandes pirogas aos barcos de empresas internacionais. Entre a extorsão e a tributação, avalia o pesquisador. Após uma calmaria que vinha desde 2008, oficiais dos serviços de combate às drogas europeus observaram, no início de 2012, a chegada de muitas toneladas de cocaína, sempre com a cumplicidade dos militares, incluindo o chefe de Estado-Maior, Antonio Indjai, e o chefe da Aeronáutica, Ibrahima Papa Camara. Pistas de pouso no coração da Guiné-Bissau, às vezes até estradas, servem de aeroporto. O Exército garante a logística e a proteção das aeronaves: pistas, querosene, armazéns etc. É a DHL!4 Ele não está envolvido na organização do tráfico de narcóticos nem em sua revenda: é apenas um prestador de serviços, esclarece ainda nossa fonte especializada em Guiné-Bissau. Para essas operações, os traficantes internacionais de cocaína principalmente os sul-americanos e os líderes civis e militares da Guiné-Bissau forjaram uma aliança de altíssimo nível. Carlos Gomes Júnior ( Cadogo ), ex-primeiro-ministro guineense preso durante o golpe de Estado de abril de 2012, era suspeito de dar cobertura ao tráfico, lucrando com isso. As suspeitas sobre Gomes remontam a 2008, quando um navio desapareceu com a carga. Ele foi acusado de estar por trás do incidente. O caso foi arquivado, recorda o analista. E o golpe? Nem tudo está ligado às drogas, filosofa Lapaque, mas esse é um elemento que deve ser levado em conta. Qualquer coisa que entrave o bom funcionamento dos negócios é eliminada. Em 2011, Indjai neutralizou seu rival, o contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, então chefe de Estado-Maior da Marinha, atribuindo-se a autoridade sobre os portos. Incluído na lista negra das pessoas consideradas pelos Estados Unidos como relacionadas ao tráfico internacional de drogas, Bubo foi depois libertado em favor do golpe em 2012, mas parece até o momento fora de cena. Estima-se que o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, próximo a Gomes Júnior, se uniu ao golpe de Estado no último minuto, sabendo que era melhor estar com os seus, os militares, um conglomerado de clãs que designam eles próprios o seu chefe. Contrabando de petróleo na Nigéria Incentivado pelos opositores de Cadogo e conduzido pela base do Exército, o golpe de abril de 2012 tem muitas outras causas que não o tráfico de cocaína: acusações de fraude eleitoral, tensões históricas entre as alas civil e militar do poder, reivindicações comunitárias dos balantas grupo étnico majoritário no Exército e demanda por mais reconhecimento da parte de Bissau, a capital autônoma. O medo da reforma do setor de segurança (RSS) que Gomes Júnior pretendia realizar teve um peso especial: era uma reforma que os militares não queriam, pois os levava à aposentadoria e até ao desemprego, com garantias mínimas (pensões irrisórias, propostas de reconversão pouco convincentes). Após o golpe, o tráfico de cocaína pareceu um pouco lento por conta da confusão reinante tendência observada a cada transtorno sério. Mais uma razão para não atribuir o golpe de Estado guineense apenas ao tráfico de drogas. Embora seja inegável que a cocaína tenha se tornado a nova renda de certas elites da África Ocidental assim como a maconha representa uma cultura comercial alternativa para os camponeses do continente, seu impacto sobre os conflitos de amplitude nacional deve ser relativizado. O dinheiro da cocaína os alimenta, mas não parece ser a questão principal. O controle do tráfico e dos territórios que ele atravessa certamente está no centro das rivalidades e dos ajustes de contas entre Indjai e Bubo na Guiné-Bissau, ou entre os tuaregues e outras populações no norte do Mali antes de No entanto, os militares e civis guineenses no poder, ou os islamitas armados que afluem para o Mali, bem como a nova equipe localizada em Bamako, utilizam-no sobretudo como ferramenta para a conquista de objetivos políticos. Aliás, as malversações na cúpula dos Estados da África Ocidental não dizem respeito somente ao tráfico de cocaína. Apontada em razão de suas consequências sanitárias e de seu impacto nas sociedades europeias, a droga coloca muito oportunamente em segundo plano, por exemplo, a desestabilização provocada pelo contrabando de petróleo, mais socialmente aceitável, no leste da Nigéria, e permite que os Estados justifiquem políticas repressivas contra os traficantes de rua e viciados, enquanto manifesta uma total inércia em termos de desenvolvimento econômico e social. Anne Frintz Jornalista em Dacar (Senegal)

5 IRAQUE - DEZ ANOS Ecos de uma guerra por petroléo Tempos atrás, os responsáveis norte-americanos asseguraram: a invasão do Iraque que completará dez anos no dia 20 de março de 2013 não tinha como objetivo a exploração do petróleo, mas sim a busca por armas de destruição em massa. Entretanto, documentos recentemente desclassificados pelos EUA mostram outra história por Jean-Pierre Séréni (Membros da unidade de antiterrorismo iraquiana protegem instalação de petroléo na cidade de Basra) Para a população iraquiana, é muito claro; para os falcões do Pentágono, um contrassenso. A guerra do Iraque, que desde março de 2003 fez ao menos 650 mil mortos, 1,8 milhão de exilados e tantas outras pessoas deslocadas, foi uma guerra pelo petróleo? Graças a uma série de documentos norte-americanos recentemente desclassificados 1 e apesar das negações de George W. Bush, de seu vice-presidente Dick Cheney, de seu ministro da Defesa Donald Rumsfeld, assim como de seu fiel aliado Tony Blair, primeiro-ministro britânico no momento da invasão, o historiador agora pode responder a essa pergunta com uma afirmativa. Em janeiro de 2001, quando chegou à Casa Branca, Bush teve de enfrentar um problema antigo: o desequilíbrio entre a demanda de petróleo, que aumentava rapidamente em função do crescimento potencial dos grandes países emergentes, como a China e a Índia, e uma oferta que não dava conta do consumo. A única solução possível se encontrava no Golfo, que abriga 60% das reservas mundiais, com três gigantes a Arábia Saudita, o Irã e o Iraque e dois outros produtores importantes, o Kuwait e Abu Dhabi. Fosse por razões financeiras ou políticas, a produção patinava. Do lado saudita, as três riquíssimas famílias no poder os Al-Saud, os Al-Sabah e os Zayed al-nayan se contentavam com o nível bem confortável (dada sua pequena população) de suas receitas e preferiam manter seu produto bruto embaixo da terra. O Irã e o Iraque, que dispõem juntos de quase um quarto das reservas mundiais de hidrocarbonetos, poderiam preencher a lacuna entre a oferta e a demanda, mas estavam submetidos a sanções unicamente norte-americanas para Teerã, internacionais para Bagdá que os privavam dos equipamentos e dos serviços petroleiros indispensáveis. E Washington, que os classificava entre os Estados criminosos (rogue states), se recusava a dar fim a elas. Como, então, tirar mais petróleo do Golfo sem colocar em perigo a supremacia norte-americana na região? Os neoconservadores originalmente, intelectuais democratas que passaram a praticar um imperialismo sem complexos depois da queda da União Soviética acreditavam ter encontrado a solução. Eles nunca aceitaram a decisão do presidente George Bush pai, em 1991, durante a Primeira Guerra do Golfo, de não derrubar Saddam Hussein. Em uma carta aberta ao presidente Bill Clinton, inspirada por seu Projeto por um novo século americano (Pnac, na sigla em inglês), eles preconizavam desde 1998 uma mudança de regime no Iraque. A linha dos neocons era simples: era preciso tirar Hussein à força de Bagdá e colocar em seu lugar as majors norte-americanas. Muitos dos que assinaram o Pnac se encontraram a partir de 2001 nas equipes da nova administração republicana. No ano seguinte, foi um deles, Douglas Feith, jurista de profissão e segundo em comando de Rumsfeld no Ministério da Defesa, quem supervisionou o trabalho dos especialistas sobre o futuro da indústria petroleira iraquiana. Sua primeira decisão foi confiar a gestão, após a vitória, à Kellog, Brown & Root, uma filial do grupo petroleiro norte-americano Halliburton, que Cheney dirigiu por muito tempo. Sua orientação era manter a produção iraquiana no mesmo nível do início do ano de 2003 (2,84 bilhões de barris/dia), a fim de evitar um desmoronamento que perturbaria o mercado mundial. A outra grande pergunta que divide os especialistas está ligada à privatização do petróleo iraquiano. Desde 1972, as companhias estrangeiras estão excluídas de um setor que os iraquianos comandam com sucesso. Apesar de duas guerras com o Irã ( ) e a respeito do Kuwait ( ) e mais de quinze anos de sanções, eles conseguiram atingir em 2003 um nível de produção que se equiparou ao de , ano

6 de um recorde atingido num contexto normal e pacífico. Duas opções foram propostas aos poderosos de Washington e Londres: voltar, de fato, ao regime das concessões em vigor antes da nacionalização em 1972 ou vender as ações da Iraq National Oil Company (Inoc) sob o modelo russo, dando à população vales (vouchers) que poderiam ser trocados. Na Rússia, esse sistema levou muito rapidamente ao leilão dos hidrocarbonetos da Federação, com lucro para um punhado de oligarquias que se tornaram riquíssimas do dia para a noite. O plano colocado em ação pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado foi aprovado pelo presidente Bush em janeiro de Um velho general, coberto de medalhas mas claramente obsoleto, Jay Garner, tomou a frente da administração militar (a Secretaria para a Reconstrução e a Assistência Humanitária) encarregada de governar o Iraque pós-hussein. Ele se ateve a medidas de curto prazo, sem decidir entre as opções propostas pelos técnicos. Morrer por um poço Durante esses preparativos, as grandes companhias internacionais não permaneceram inativas. Lee Raymond, dono da ExxonMobil, a maior empresa petroleira norte-americana, era amigo de longa data de Cheney. Mas à audácia dos políticos se opõe a prudência dos industriais. Claro, o projeto era tentador e oferecia a oportunidade de inflar novamente as reservas da Exxon, estagnadas havia muitos anos. No entanto, uma dúvida pairava em toda a história: o presidente Bush seria capaz de criar as condições que permitiriam à Exxon se instalar no Iraque com toda segurança? Ninguém no seio da companhia estava disposto a morrer por um poço. Os engenheiros da companhia são muito bem pagos e sonham com uma aposentadoria luxuosa ao sol da Flórida ou da Califórnia, muito mais do que com um bunker no Iraque. A segurança deveria também ser jurídica: de que valem contratos assinados por uma autoridade de facto quando se investem bilhões de dólares cujo retorno leva anos para acontecer? A Exxon manteve assim uma distância prudente. Em Londres, a British Petroleum (BP) se preocupava com a parte que lhe seria reservada. Desde outubro de 2002, seus representantes partilhavam com o Ministério do Comércio seus receios de ver a Casa Branca conceder muitas vantagens às companhias petroleiras francesas, russas e chinesas em troca de uma renúncia de seus governos em utilizar o direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Total não vai passar na nossa frente!, bradava o representante da BP. 2 Em fevereiro de 2003, essas inquietações não tinham mais razão de ser: o presidente Jacques Chirac deu seu veto à resolução apoiada pela administração norte-americana, e a Terceira Guerra do Iraque aconteceu sem o apoio das Nações Unidas. Chega de respeitar os acordos assinados por Hussein com a Total e outras companhias, que nunca foram efetivos no território por causa das sanções, mas cujos planos estavam prontos. Para tranquilizar as companhias anglo-saxãs, o governo norte-americano nomeou, na véspera da invasão, dois de seus membros para acompanhar o caso: Grary Vogler (ExxonMobil) e Philip J. Carrol (Shell). Eles foram substituídos em outubro de 2003 por dois outros profissionais: Rob McKee (ConocoPhilips) e Terry Adams (BP). Tratava-se de contrabalançar o domínio do Pentágono e, por meio dele, dos neoconservadores, que colocaram seus homens em todos os cargos, ou quase, mas eram contestados no próprio seio da administração. Isso não ajudaria a esclarecer as ambições dos Estados Unidos, que oscilaram em permanência entre dois polos. De um lado, os ideólogos multiplicavam as ideias extravagantes: queriam construir um oleoduto para levar o produto bruto iraquiano para Israel, desmantelar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ou ainda fazer do Iraque livre um terreno de experimentação para um novo modelo petroleiro destinado a ser aplicado em seguida em todo o Oriente Médio. Do outro lado, os engenheiros e os homens de negócios, em busca de lucros e resultados, manifestavam um realismo mais pé no chão. Pilhagem generalizada O choque da invasão na indústria petroleira iraquiana se revelou devastador. Menos por conta do dilúvio de bombas e mísseis lançados pela aviação norte-americana do que pela pilhagem generalizada da qual o Estado foi vítima em todas as suas áreas: administrações, escolas, universidades, arquivos, bibliotecas, bancos, hospitais, museus e empresas foram sistematicamente roubados, esvaziados, saqueados. Os aparelhos de perfuração foram desmantelados por causa dos hipotéticos pedaços de cobre que encerravam, deixando para trás carcaças desossadas e inúteis. As pilhagens duraram dez semanas, de 20 de março ao fim de maio de Um terço dos danos infligidos à indústria petroleira aconteceu durante os combates, os outros dois terços, depois. Tudo se deu debaixo do nariz da Task Force RIO (Restore Iraq Oil), enquadrada pelo prestigioso US Corps of Engineers (corpo de engenheiros) e seus quinhentos funcionários, que, no entanto, foram especialmente preparados e treinados para proteger as instalações petroleiras. Apenas a brevidade das operações militares impediu os fiéis de Hussein de explodir os poços, mas, no início de junho de 2003, as sabotagens começaram. O único prédio protegido era o complexo que abriga o gigantesco Ministério do Petróleo, onde trabalhavam 15 mil funcionários controlando 22 filiais. Por que defender os poços e o ministério, mas não a State Oil Marketing Organisation (Somo), que comercializa o produto bruto exportado, ou os equipamentos? Os barris em terra constituíam para os ocupantes o único e verdadeiro tesouro do Iraque. Nem as instalações nem o pessoal interessavam. O ministério só foi poupado de seu descuido, em último caso, porque abrigava os dados geológicos e sísmicos de oitenta poços conhecidos, que encerram 115 bilhões de barris de produto bruto. O resto poderia ser substituído por equipamentos mais recentes made in USA e pelo know-how das companhias internacionais, o que a pilhagem tornava ainda mais indispensável. Thamir Abbas Ghadban, o mais jovem diretor-geral do ministério, se apresentou três dias depois às portas do prédio vazio e se tornou na falta de um ministro do Petróleo no cargo, já que não havia governo iraquiano o número 2 da instituição, sob a direção detalhista de Michael Mobbs, outro neoconservador que tinha a confiança do Pentágono. Um pró-cônsul pretensioso, Paul Bremer, que recebeu plenos poderes por um ano (de maio de 2003 a junho de 2004), presidiu o pior ano que o setor petroleiro conheceu desde seu início, setenta anos antes. A queda da produção para 1 milhão de barris por dia, ou seja, um terço de seu nível antes da guerra, representou uma perda de mais de US$ 13 bilhões. As instalações, guardadas por apenas 3,5 mil vigias sem meios, foram alvo de sabotagens ininterruptas (140, entre maio de 2003 e setembro de 2004), cujo custo foi estimado em US$ 7 bilhões. A pilhagem foi generalizada, o material foi roubado e os prédios na maior parte dos casos, incendiados, nos confiou Ghadban. A refinaria de Daura, perto de Bagdá, só era abastecida de maneira intermitente em razão dos danos infligidos aos milhares de quilômetros de canalizações que percorriam o território. Havia somente uma coisa a fazer: deixar queimar até o último litro o petróleo bruto contido na seção do oleoduto sabotado, depois consertar... Apesar de tudo, Daura continuou funcionando. Uma verdadeira proeza,

7 já que os funcionários não estavam mais recebendo. O golpe mais duro foi endereçado contra o grupo dirigente da indústria petroleira. Até 1952, praticamente todos os altos cargos da Iraq Petroleum Company (IPC) eram ocupados por estrangeiros. Um apartheid de fato reinava nos canteiros; as mansões e o gramado bem aparado dos compounds (conjuntos de habitações) cuidadosamente fechados e protegidos estavam reservados a eles, enquanto a mão de obra iraquiana vivia às suas portas nas periferias. Em 1952, a tensão com o vizinho Irã de Mohammad Mossadegh levou a IPC a revisar um pouco suas relações com Bagdá. Uma das cláusulas do novo tratado dizia respeito à formação de altos cargos iraquianos. Vinte anos depois, três quartos dos mil cargos de trabalho qualificado eram ocupados por locais, o que explica por que a nacionalização foi bem-sucedida: em 1972, a companhia nacional, a Inoc, recuperou a totalidade das perfurações do país. A produção atingiu níveis desconhecidos no tempo da IPC. Perseguição ao Baas Obcecado pelo precedente da desnazificação da Alemanha depois de sua derrota em 1945, Washington impôs uma desbaasificação mais rigorosa do que o expurgo reservado na época aos dignitários nazistas. O simples pertencimento ao partido único, o Baas, no poder de 1968 a 2003, era sancionado por demissão, aposentadoria forçada ou pior. Dezessete dos 24 diretores-gerais da companhia nacional foram expulsos, assim como diversas centenas de engenheiros, os mesmos que mantiveram a produção, ainda que nas circunstâncias mais assustadoras, por 25 anos. O grupo dos pais fundadores da Inoc foi liquidado pela Debaasification Commission, dirigida por exilados, entre os quais o atual primeiroministro Nouri al-maliki, ausente de seu país por 24 anos, que os substituiu por seus cúmplices, tão partidários quanto incompetentes. McKee, que sucedeu a Carrol no cargo-chave de conselheiro petroleiro do pró-cônsul norte-americano, constatou no momento de sua chegada, no outono [do Hemisfério Norte] de 2003: As pessoas encarregadas são incompetentes e foram nomeadas pelo ministro por motivos religiosos, políticos ou por amizade. Os que fizeram andar a indústria petroleira sob Saddam Hussein e a trouxeram de volta à vida depois da libertação do país foram sistematicamente expulsos. 3 Sem surpresa, a purificação abriu uma via real aos conselheiros de toda espécie, vindos essencialmente do outro lado do Atlântico. Eles ocuparam as direções do Ministério do Petróleo e multiplicaram notas, circulares e relatórios inspirados diretamente nos modos de fazer da indústria petroleira internacional, sem se preocupar muito com sua aplicação no terreno... A redação de dois textos fundamentais, a nova Constituição e a Lei Petroleira, lhes deu a oportunidade inesperada de balançar as regras do jogo. A sobrevivência de um Estado centralizado foi a priori condenada: Washington não queria mais, em nome da luta contra o totalitarismo e dos crimes perpetrados contra os curdos no tempo de Hussein. O novo regime, federal ou mesmo confederativo, seria então descentralizado a ponto de se tornar desestruturado. Bastava reunir dois terços das vozes em uma das três províncias do país para exercer um direito de veto sobre as decisões do governo central. Apenas o Curdistão tinha os meios e a vontade para isso. O poder em matéria petroleira seria de fato dividido entre Bagdá e Irbil, sede do governo regional do Curdistão (Kurdistan Regional Government, KRG), que impunha a sua leitura da Constituição no assunto: as perfurações em exploração continuariam sob a gerência do governo federal, mas a concessão de novas permissões seria de competência das províncias. Uma intensa chicaya(disputa) se desenvolveu entre as duas capitais, ainda mais porque o KRG consentia às companhias estrangeiras condições bem mais favoráveis do que Bagdá. A disputa levou a acordos de divisão da produção. Estes davam às companhias estrangeiras que financiavam os investimentos um direito sobre uma parte dessa produção que poderia ser muito importante ao longo dos primeiros anos de exploração. Foi a fórmula que os norte-americanos, tanto os políticos quanto os petroleiros, queriam impor desde sua chegada, mas não haviam conseguido. Apoiado por uma opinião pública que não tinha esquecido o precedente da IPC, o Parlamento, que inclusive foi tão desacreditado, se opôs. Tariq Shafiq, o pai da companhia nacional Inoc, explicou diante do Congresso dos Estados Unidos as razões técnicas dessa recusa. 4 As perfurações eram conhecidas e delimitadas; não havia, então, nenhum risco para as companhias estrangeiras: por definição, os custos de prospecção não existiam e a exploração era uma das mais baratas do mundo. A partir de 2008, Bagdá ofereceu aos majorscontratos de serviço muito menos interessantes: US$ 2 por barril para as maiores perfurações e nenhum direito sobre as próprias perfurações. ExxonMobil, BP, Shell, Total, mas também grandes grupos russos, chineses, angolanos, paquistaneses e turcos se precipitaram, no entanto, na esperança de que as coisas evoluiriam num sentido bom para eles. A Newsweekdeu como manchete no dia 24 de maio de 2010 o milagre iraquiano e escreveu: Esse país tem o potencial para se tornar a próxima Arábia Saudita. Dois anos depois, mesmo que a produção tenha aumentado (mais de 3 milhões de barris/dia em 2012), os petroleiros se irritavam com as condições que lhes eram impostas: os investimentos eram pesados, a rentabilidade permanecia medíocre e os barris em terra não entravam em suas próprias reservas, o que deprimia seus resultados na Bolsa. Apesar da decisão autoritária do governo federal, que ameaçava privar de seus direitos as companhias que se deixassem seduzir pelos contratos de partilha de produção no Curdistão, a ExxonMobil, depois a Total, passou por cima de sua autoridade. Pior ainda, a companhia norte-americana respondeu à ameaça com uma provocação suplementar: colocou à venda seu contrato de serviço no West Ourna, a maior perfuração do país, onde devia investir US$ 50 bilhões e dobrar a produção de então do país. Bagdá estava sob pressão: se sua recusa das condições persistisse, o Curdistão ganharia a preferência, mesmo que suas reservas fossem três vezes menos importantes que as do sul do país... A Turquia, que não fazia nada para melhorar a situação com Bagdá, prometeu um oleoduto direto entre o Curdistão e o Mediterrâneo. Chantagem? Para alguns, sem dúvida. Mas, sem a guerra, as companhias teriam tido a facilidade de colocar os iraquianos em concorrência entre si? O que quer que fosse, eles estavam longe dos objetivos que tinham sido fixados pelos Estados Unidos. Para eles, também na área petroleira a guerra foi um enorme fracasso. Alan Greenspan, que dirigiu o Federal Reserve, o banco central norte-americano, de 1987 a 2006, e por isso bem posicionado para conhecer a importância do petróleo na economia internacional, formulou o que sem dúvida se aproxima mais da verdade a respeito desse assunto sangrento: Eu lamento que seja politicamente deslocado reconhecer o que todo mundo sabe: um dos maiores objetivos da guerra do Iraque era o petróleo da região. 5 Jean-Pierre Séréni é jornalista.

8 CIDADES CONTROLADAS O controle do crime violento no Rio de Janeiro A compreensão coletiva dos conflitos sociais ficou cada vez mais reduzida à esfera cotidiana imediata, e os alvos das atividades de manutenção da ordem pública tornaram-se cada vez mais territorializados: não se trata mais de coibir atividades proibidas, mas de controlar áreas tidas como perigosas por Luiz Antonio Machado da Silva Nos idos de 1969, a ditadura militar, por vários motivos um dos quais combater os assaltos a banco realizados por grupos de esquerda, promulgou o Decreto-Lei de Segurança Nacional. A consequência que mais interessa aqui foi aproximar a violência política da violência comum, fazendo o controle do crime violento sair das últimas páginas dos jornais e se estabelecer como um problema central da agenda pública. É verdade que, ao longo da redemocratização, a repressão à violência criminal deixou de ser formulada como uma questão de defesa do Estado, cuja crítica se fazia na linguagem dos direitos humanos, para ser apresentada como um problema de defesa da sociedade, focalizando as ameaças à integridade física e patrimonial contidas no desenrolar da vida cotidiana. Entretanto, de lá para cá nunca mais o tema da ordem pública deixou de ser tratado, pelas agências estatais e pela população em geral, segundo um viés repressivo. Esse foi o resultado mais amplo da aplicação daquela lei que, ao forçar a convivência entre presos políticos e comuns, abriu para estes últimos a possibilidade de legitimar suas atividades, mimetizando uma ideologia revolucionária que eles não possuíam. O crime violento comum deixou de ser entendido e praticado como um punhado de atividades desviantes, meramente intersticiais e sem muitas relações umas com as outras, e adquiriu certa autonomia e uma visibilidade que nunca havia tido. Data dessa época a formação da Falange Vermelha, espécie de avó das facções atuais. Pode-se dizer, portanto, que o que se conhece hoje como o coração do mundo do crime foi uma decorrência, provavelmente não intencional, das políticas institucionais de controle social produzidas durante a ditadura militar. Mas a sobrepolitização e a polarização definitiva da compreensão da violência criminal como ameaça à continuidade das rotinas cotidianas, endurecendo o debate sobre a ordem pública, só vieram a ocorrer bem mais tarde, ao final do processo de redemocratização. Sua raiz está na reação de uma parte da população carioca à decisão de Leonel Brizola de proibir as grandes operações policiais nas favelas, cumprindo promessa de campanha para sua primeira eleição ao governo do estado ( ). A medida, que visava coibir o arbítrio e a violência policial que atingia os moradores daquelas localidades, foi entendida pelos antibrizolistas como uma defesa da criminalidade, já àquela época associada ao tráfico de drogas que então vinha se expandindo. Brizola ganhou a eleição, mas pode-se dizer que os antibrizolistas estabeleceram o quadro de referência básico das políticas atuais de manutenção da ordem pública no Rio de Janeiro. II É claro que as atividades de comércio de drogas ilícitas para consumo final, que tendem a ser realizadas em sua maioria em pontos fixos as chamadas bocas, demandam a defesa armada dos respectivos territórios, pois os varejistas não podem se esconder dos compradores nem contar com a proteção regular (sublinhe-se o termo, para não esquecer o espaço aberto pela corrupção policial) das instituições estatais. Produziuse assim uma dobradinha complexa e altamente rentável entre o comércio de drogas ilícitas e o comércio de armas, fornecendo a base material para a reprodução dos bandos de traficantes. De certa maneira, um dos subprodutos dessa combinação foi levar a tradicional e corriqueira delinquência juvenil a mudar de patamar, menos pelo desenvolvimento histórico interno de uma subcultura de adolescentes que desafiam os valores estabelecidos e mais por injunções político-econômicas. Essa mudança está associada a um debate público que passou a destacar e enfatizar a dimensão repressiva da organização da vida social e, ademais, a reduzir o entendimento dessa dimensão às disputas pelo domínio do território da cidade. Nesse quadro, entra em funcionamento a metáfora (será apenas metáfora?) da guerra, que mobiliza e reforça o imaginário fragmentado da representação do Rio de Janeiro, o qual, em certa medida, expressa a desigualdade da presença das instituições estatais nos diferentes bairros e regiões. Ressalte-se que é absurda, apesar de muito difundida, a ideia de ausência do Estado nas áreas de moradia das camadas populares: não há qualquer questionamento ou ameaça à soberania do Estado brasileiro em qualquer lugar. Aquela ideia só passa a fazer sentido quando traduzida para uma afirmação sobre as variações nas modalidades de presença das instituições estatais nessas áreas quando comparadas a outras regiões da cidade. Aí estaria a ironia, se não fosse uma tragédia: é a própria desigualdade na atuação do Estado que produz a ideia de sua ausência.

9 III Pode-se dizer que as transformações no debate público acompanham, enquadram e orientam as mudanças na organização institucional da vida social. A discussão coletiva nunca é apenas sobreas ações de pessoas e grupos, ela constituiessas ações na medida em que lhes confere sentido. Há décadas grande parte da atenção coletiva, das disputas que ela engendra e das práticas institucionais associadas a essas disputas vem se reduzindo à repressão à violência criminal embutida na esfera cotidiana. Lembremo-nos de que isso não tem nada de natural ou obrigatório. O Brasil é testemunha de conjunturas que enfatizaram o outro lado da coerção na produção da ordem social, ou seja, houve momentos na história de nosso país que privilegiaram processos de negociação, convencimento e aceitação voluntária de valores e normas que regulam conduta. Mas isso é incompatível com a metáfora da guerra que define a lógica das discussões atuais, mesmo que ela venha se transformando, como é o caso, em pacificação, que obviamente depende do resultado e é um sucedâneo da guerra. Ainda que essa modificação esteja longe de ser desprezível, na melhor das hipóteses, pacificação é a etapa final da guerra. Em resumo, a maneira de produzir a regulação social e garantir a ordem pública na atualidade, com foco no controle da violência urbana e não em uma relação em que os vários segmentos sociais reconhecem seus interesses e os negociam segundo regras compartilhadas, cria um enclave de significado na compreensão coletiva das relações sociais. Os diferentes são vistos como inimigos, o diálogo entre os segmentos sociais se esgarça e o policiamento cotidiano não se realiza mais como uma etapa indispensável, mas de importância secundária, relativa à ponta final do estabelecimento da ordem social. A atividade policial assume um protagonismo (para o bem e para o mal, como veremos) que pode ser qualificado como descabido em uma democracia. Por sua vez, é nesse quadro que se (re)organizam também as práticas criminais, pois, transformados em inimigos, os criminosos adquirem certa autonomia e espaço para se organizar. Não nos iludamos: nas últimas décadas, o crime tornou-se uma referência amplamente compartilhada pelas pessoas comuns, pelos próprios criminosos e pelos programas de intervenção dos órgãos públicos e privados, referência negativa ou positiva que articula a representação da violência urbana, essa representação genérica do perigo a rondar as rotinas diárias. Tal compreensão funciona como um sumidouro de grande parte das políticas sociais, as quais deixam de ser aplicadas na tradicional linguagem dos direitos e passam a ser justificadas como recursos de controle cotidiano do crime, subsidiárias à repressão policial direta e indissociáveis desta. Há tempos não há um programa de intervenção social, em qualquer nível, público ou privado, que não esteja focado em alguma área de moradia popular e não se apresente como recurso de combate ao crime. No Rio de Janeiro de hoje, o mais evidente exemplo, apesar das dificuldades de sua introdução efetiva, é a extensão social do programa das UPPs militares, a qual, mesmo não estando a cargo da polícia, é pensada como um reforço necessário de combate ao crime. IV Tudo isso tem sido desastroso para as camadas populares. Os processos de territorialização do controle social descritos, que reduzem as atividades de manutenção da ordem a uma questão de garantia da continuidade das rotinas cotidianas, as afastam do debate público e silenciam suas lideranças. As manifestações dos grupos subalternos são desqualificadas, como se fossem emanações dos interesses do crime. Perde-se de vista a distinção entre o domínio territorial que faz parte das atividades direta ou indiretamente ligadas ao crime violento e o restante dos moradores das localidades onde ele está instalado. Nas favelas, os residentes estão encurralados entre o arbítrio dos traficantes, as incursões policiais e a profunda desconfiança da população da cidade que não mora nessas áreas. Onde as UPPs estão, os confrontos diminuíram significativamente mas a submissão dos moradores comuns aos traficantes foi substituída pela submissão aos policiais, que também são agressivos e arbitrários. De modo geral, os moradores comuns preferem as UPPs, que de fato diminuíram as mortes, mas acham que estão trocando seis por meia dúzia quanto ao desrespeito com que são tratados. E permanece o medo do retorno ao domínio dos traficantes. Nas periferias, o papel das instituições estatais na produção de uma ordem pública que articula o território da cidade e as relações cotidianas entre a repressão policial e o domínio do crime é ainda mais complicado. Nelas, quase sempre constituídas por loteamentos clandestinos ou irregulares, o controle social tem estado a cargo das chamadas milícias. Compostas de policiais militares e civis, da ativa ou reformados, bombeiros, informantes etc., elas se organizam como máfias. Sob o argumento de combater o tráfico, os assaltos e roubos etc. o mesmo argumento do discurso oficial, assumem o controle das áreas onde atuam, cobrando pela oferta de proteção e monopolizando, à força, certas atividades econômicas. Nesses locais, o confronto das milícias com a polícia regular é quase inexistente, uma vez que elas são a polícia. Em suma, nas periferias o controle social é exercido pelo outro lado do Estado. Nesses espaços da cidade, os atores principais do filme não são os policiais e os bandidos, como nas favelas, mas os bandidos contra os bandidos. V A repressão violenta ao crime comum sempre foi uma delegação tácita conferida à polícia por parte dos grupos dominantes. Mas foi durante a ditadura que ela se institucionalizou e entrou no debate público, explodindo como uma questão política candente em meados dos anos De certo modo, essa nova maneira de tratar as atividades desviantes acabou favorecendo uma profunda reorganização do mundo do crime, que saiu dos interstícios da ordem social e adquiriu vida própria, auxiliada pelas altas taxas de acumulação proporcionadas pela dobradinha tráfico de drogas ilícitas/comércio de armas. No Rio de Janeiro, o crime passou a se organizar como uma espécie de nebulosa com vários graus de adesão a um núcleo duro, constituído como um padrão de sociabilidade caracterizado basicamente por relações de força material (não apenas a força física, mas também suas extensões na forma de armas cada vez mais pesadas) na obtenção dos objetivos almejados. A compreensão coletiva dos conflitos sociais ficou cada vez mais reduzida à esfera cotidiana imediata, e os alvos das atividades de manutenção da ordem pública tornaram-se cada vez mais territorializados: não se trata mais de coibir atividades proibidas, mas de controlar áreas tidas como perigosas o que, inevitavelmente, afeta em especial os territórios de moradia dos segmentos subalternos. Acrescente-se que o termo controle, neste caso, tem vários sentidos, que só se resolvem contextualmente e a partir de confrontos sempre mais violentos: controle pela polícia regular, pelo crime ou pela milícia. Tudo isso cria uma situação paradoxal. O crescimento econômico, apesar das oscilações, vem beneficiando as camadas populares, sobretudo nas últimas décadas. Mas, ao mesmo tempo, elas são castigadas por um intenso processo de segregação socioterritorial que provoca um silenciamento

10 político nefasto para a democracia brasileira. Luiz Antonio Machado da Silva Professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj e membro do Coletivo de Estudos sobre Sociabilidade e Violência (Cevis/Uerj). CRISTÃOS X ISLÃ, SUNITAS X XIITAS Por uma análise profunda dos conflitos Podemos compreender a guerra no Mali se ignorarmos as precárias condições de vida dos povos que habitam o Saara? O fato de a bandeira dos rebeldes ser a do islamismo radical não muda em nada os acontecimentos seculares, econômicos, sociais e políticos, que constituem o verdadeiro terreno das crises e enfrentamentos por Georges Corm Estamos em outra época. À época em que se condenava, no Ocidente, a subversão comunista encorajada por Moscou, enquanto no Oriente se celebrava a luta de classes e o anti-imperialismo, sucedeu-se o período da convocação de lutas de comunidades religiosas ou étnicas, até mesmo tribais. Essa nova grade de leitura adquiriu uma potência excepcional desde que o cientista político norte-americano Samuel Huntington popularizou, há mais de vinte anos, a noção de choque de civilizações, explicando que as diferenças de valores culturais, religiosos, morais e políticos estavam na origem de muitas crises. Huntington não fazia mais que ressuscitar a velha dicotomia racista, popularizada por Ernest Renan no século XIX, entre o mundo ariano, supostamente civilizado e refinado, e o mundo semita, considerado anárquico e violento. Essa invocação de valores incentiva um retorno às identidades primárias que as grandes ondas sucessivas de modernização fizeram recuar e que, paradoxalmente, retornam com a globalização, a homogeneização dos estilos de vida e consumo, e as transformações sociais provocadas pelo neoliberalismo, vitimando amplos segmentos da população mundial. Ela permite a mobilização da opinião pública internacional em favor de uma ou outra parte de um conflito, mobilização essa fortemente ajudada pela permanência de certas tradições universitárias impregnadas de um essencialismo cultural herdado de visões coloniais. Enquanto o liberalismo laico à moda europeia e a ideologia socialista, que se difundiram fora da Europa, parecem ter desaparecido, os conflitos reduzem-se à sua dimensão antropológica e cultural. Poucos jornalistas ou acadêmicos preocupam-se em manter um quadro de análise de ciência política clássico, levando em conta fatores demográficos, econômicos, geográficos, sociais, políticos, históricos e geopolíticos, além da ambição dos dirigentes, as estruturas neoimperiais do mundo e o desejo de reconhecimento da influência das potências regionais. Em geral, a apresentação de um conflito abstrai a multiplicidade de fatores que levaram ao seu desencadeamento. Ela se contenta em distinguir os bons dos maus, fazendo uma caricatura das questões em jogo. Os protagonistas são designados por suas afiliações étnicas, religiosas e comunitárias, o que supõe uma homogeneidade de opiniões e comportamentos no interior dos grupos assim designados. Os primeiros sinais desse tipo de análise surgiram no último período da Guerra Fria. Nessa lógica, durante o longo conflito libanês, entre 1975 e 1990, seus diversos atores foram classificados como cristãos e muçulmanos. Os primeiros seriam todos seguidores de um grupo denominado Frente Libanesa ou do Partido Falangista, formação de direita da comunidade cristã; os últimos estariam reunidos em uma coalizão denominada palestino-progressista e depois islamo-progressista. Essa apresentação caricatural não se abalava com o fato de que muitos cristãos pertenciam à coalizão anti-imperialista e anti-israelense, apoiando o direito dos palestinos a conduzir operações contra Israel a partir do Líbano, ao passo que muitos muçulmanos lhe eram hostis. Além disso, o problema colocado no Líbano pela presença de grupos armados palestinos e pelas represálias israelenses violentas e maciças sofridas pela população era de natureza secular, sem qualquer relação com as origens comunitárias dos libaneses. Generalidades vazias e estereotipadas Ao longo do mesmo período, seriam produzidas outras manipulações das identidades religiosas, que não foram em absoluto denunciadas pelos analistas especializados ou pela grande mídia. Desse modo, a guerra do Afeganistão, causada pela invasão soviética de dezembro de 1979, levaria a uma mobilização em massa do islã contra invasores qualificados de ateus, ocultando a dimensão nacional da resistência. Milhares de jovens muçulmanos de todas as nacionalidades, mas principalmente árabes, foram treinados e radicalizados sob a liderança norte-americana, saudita e paquistanesa, criando assim o contexto favorável ao desenvolvimento de uma internacional islamita jihadista que perdura até hoje. Além disso, a revolução iraniana de janeiro-fevereiro de 1979 esteve na origem de um mal-entendido geopolítico fundamental, com as potências ocidentais pensando que o melhor, para suceder ao xá e evitar um governo de coloração burguesa nacionalista (no modelo da experiência de Mohammad Mossadegh, no início dos anos 1950) ou socializante e anti-imperialista, seria a chegada ao poder de líderes religiosos. O exemplo de dois Estados muito religiosos estreitamente aliados aos Estados Unidos Arábia Saudita e Paquistão fez supor que o Irã também se tornaria um parceiro fiel e decididamente anticomunista. Na sequência, a grade de análise mudou. A política anti-imperialista e pró-palestina de Teerã foi denunciada como xiita, antiocidental e subversiva, em oposição a uma política sunita classificada de moderada. Criar rivalidade entre sunitas e xiitas, e secundariamente entre árabes e persas armadilha em que Saddam Hussein caiu de cabeça ao atacar o Irã em setembro de 1980, tornou-se uma preocupação essencial dos Estados Unidos, ainda mais depois do fracasso da invasão do Iraque em 2003, que acabou levando a um aumento da influência iraniana. 1 Toda uma literatura política e midiática passou então a invocar o perigo representado por um crescente dito xiita, composto por Irã, Iraque, Síria e

11 Hezbollah libanês, que tentaria desestabilizar o islã sunita, praticaria o terrorismo e seria impulsionado pelo desejo de eliminar o Estado de Israel. Ninguém pensou em lembrar que a conversão de uma parte dos iranianos para o islã xiita remonta apenas ao século XVI, tendo sido incentivada pela dinastia dos safávidas para melhor se oporem ao expansionismo otomano. 2 Também se finge ignorar que o Irã sempre foi uma grande potência regional e que o regime só faz prosseguir, sob nova roupagem, a política de grandeza do xá, que queria ser o gendarme do Golfo e que tinha, também ele, fortes ambições nucleares, incentivadas então pela França. Apesar de todos esses dados históricos seculares, tudo no Oriente Médio passou a ser analisado em termos de sunitas e xiitas. Desde que começaram as revoltas no mundo árabe, no início de 2011, o jogo da simplificação continua. No Barein, os manifestantes são descritos como xiitas manipulados pelo Irã contra os governantes sunitas. Isso significa esquecer os cidadãos de confissão xiita simpatizantes do poder vigente, bem como os de confissão sunita que simpatizam com a causa dos opositores. No Iêmen, a revolta houthi 3 dos simpatizantes da dinastia real que por muito tempo governou o país é vista apenas como um fenômeno xiita, em razão exclusivamente da influência do Irã. No Líbano a despeito das oposições que a organização possa suscitar no seio da comunidade xiita e, inversamente, de sua popularidade entre muitos cristãos e muçulmanos de diversas confissões, incluindo os sunitas, o Hezbollah é considerado um mero instrumento nas mãos das ambições iranianas. Esquece-se que o partido nasceu da ocupação por Israel, entre 1978 e 2000, de uma grande parte do sul do país, habitada predominantemente por xiitas; ocupação que certamente teria continuado sem sua feroz resistência. Aliás, o fato de o Hamas, em Gaza, ser um puro produto sunita, surgido da Irmandade Muçulmana palestina, é algo que não faz a menor diferença para os analistas que defendem o sunismo moderado : o movimento deve ser denunciado, uma vez que as armas fornecidas são de origem iraniana e destinadas a levantar o bloqueio do território por Israel. Em suma, qualquer nuance está ausente. As situações de opressão ou marginalidade socioeconômica passam em silêncio. As ambições hegemônicas das partes em conflito não existem: há potências do bem e potências do mal. Comunidades com opiniões e comportamentos diversificados são caracterizadas por meio de generalidades antropológicas vazias e essencialismos culturais estereotipados, apesar de terem vivido durante séculos em uma forte interpenetração socioeconômica e cultural. Novos conceitos invadiram os discursos: no Ocidente, os valores judaico-cristãos sucederam à invocação de natureza laica de raízes grecoromanas. Da mesma forma, a promoção de valores, especificidades e costumes muçulmanos, ou árabo-muçulmanos, seguiu-se às reivindicações anti-imperialistas, socialistas e industrializantes do nacionalismo árabe de inspiração laica, que por muito tempo dominou a cena política regional. Agora, os valores individualistas e democráticos que o Ocidente pretende encarnar opõem-se aos supostos valores exclusivamente holistas, patriarcais e tribais do Oriente. Grandes sociólogos europeus já afirmaram outrora que as sociedades budistas jamais atingiriam o capitalismo industrial, baseado nos valores supostamente muito específicos do capitalismo protestante... Da mesma maneira, a questão palestina não é mais percebida como uma guerra de libertação nacional, que poderia ser resolvida com a criação de um único país onde viveriam em pé de igualdade judeus, cristãos e muçulmanos, como há muito reivindica a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). 4 Ela é considerada uma recusa árabo-muçulmana à presença judaica na Palestina, portanto, para muitas boas mentes, o sinal de uma permanência de antissemitismo contra a qual seria necessário intervir duramente. Basta um pouco de bom senso para compreender que, se a Palestina fosse invadida por budistas, ou se a Turquia pós-otomana quisesse reconquistá-la, a resistência seria igualmente constante e violenta. No Tibete, em Sinqiang, nas Filipinas, no Cáucaso sob domínio russo e agora na Birmânia, onde se acaba de descobrir a existência de uma população muçulmana em conflito com seus vizinhos budistas, ou ainda na ex-iugoslávia desmembrada em linhas comunitárias (croatas católicos, sérvios ortodoxos, bósnios muçulmanos), ou na Irlanda (dividida entre católicos e protestantes)... Em todas essas regiões, os conflitos podem realmente ser vistos como um choque de valores religiosos? Ou eles são, ao contrário, seculares, isto é, enraizados em uma realidade social cuja dinâmica ninguém se preocupa em analisar, enquanto muitos líderes comunitários autoproclamados encontram aí a oportunidade para realizar suas ambições? Contornar o direito A instrumentalização das identidades no jogo das grandes e pequenas potências é velha como o mundo. Acreditou-se que a modernidade política e os princípios republicanos difundidos pelo planeta após a Revolução Francesa haviam instalado de maneira durável o laicismo na vida internacional e nas relações entre os Estados; mas não é nada disso. Assiste-se à ascensão das pretensões de alguns Estados em se fazerem porta-vozes de religiões transnacionais, em particular no que diz respeito às três religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo). Esses Estados valem-se do religioso para colocá-lo a serviço de sua política de poder, influência e expansão. Assim, justificam a não aplicação dos grandes princípios dos direitos humanos definidos pelas Nações Unidas, o endosso do Ocidente à ocupação contínua dos territórios palestinos desde 1967 e a permissão, por alguns poderes muçulmanos, de flagelações, apedrejamentos, mutilação das mãos dos ladrões. As sanções aplicadas aos infratores do direito internacional também variam: severas punições impostas pela comunidade internacional em alguns casos (Iraque, Irã, Líbia, Sérvia etc.), total ausência de uma simples reprimenda em outros (ocupação israelense, regime de detenção norte-americano em Guantánamo). Interromper essa instrumentalização e as análises simplistas que visam dissimular a realidade secular dos conflitos, sobretudo no Oriente Médio, constitui um imperativo urgente, caso queiramos alcançar o apaziguamento dessa região turbulenta.

12 TRANSNACIONAIS, GOVERNOS, USUÁRIOS... Quem governará a internet? O provedor Internet Free denunciou o YouTube por consumir muita banda e polemizou ao bloquear, em represália, a publicidade do Google. Assim, colocou em questão a neutralidade da internet um dos assuntos discutidos na conferência de Dubai, onde o grande assunto foi, contudo, a tutela dos EUA sobre a rede mundial por Dan Schiller Em geral circunscrita a contratos comerciais entre operadores, a geopolítica da internet há pouco se viu abertamente exposta. De 3 a 14 de dezembro de 2012, 193 países-membros da União Internacional de Telecomunicações (UIT, agência filiada à Organização das Nações Unidas) se encontraram em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para a 12ª Conferência Mundial das Telecomunicações Internacionais. No encontro, os diplomatas, atulhados de conselhos de industriais do setor, forjaram acordos que se espera facilitem as comunicações por cabo e satélite. Demoradas e tediosas, essas reuniões são, no entanto, cruciais em razão do papel determinante das redes no funcionamento cotidiano da economia global. A principal controvérsia nessa reunião de cúpula esteve concentrada na internet: a UIT deveria assumir responsabilidades na supervisão da rede mundial de computadores, a exemplo das que ela exerce há décadas sobre outras formas de comunicação internacional? Os Estados Unidos responderam com um não firme, já que o novo tratado renunciou a conferir qualquer papel à UIT naquilo que se costuma chamar de governança global da internet. No entanto, a maioria dos países aprovou uma resolução anexa convidando os países-membros a expor em detalhe suas respectivas posições sobre questões internacionais técnicas, de desenvolvimento e de política pública relacionadas com a internet. Apesar de simbólico, como salientou o New York Times, 1 esse esboço de monitoramento global entrou em choque com a postura intransigente da delegação norte-americana, que se recusou a assinar o tratado e bateu a porta da conferência, seguida entre outros pela França, Alemanha, Japão, Índia, Quênia, Colômbia, Canadá e Reino Unido. Porém, mais de dois terços dos países participantes 89 no total decidiram aprovar o documento. Outros podem assiná-lo mais tarde. Como essas peripécias aparentemente ocultas se revestem de uma importância considerável? Para esclarecer as questões, devemos primeiro dissipar a espessa nuvem de retórica que rodeia o caso. Há vários meses, a imprensa ocidental vinha apresentando a conferência em Dubai como o local de um confronto histórico entre os partidários de um diálogo aberto, respeitoso das liberdades, e os adeptos da censura, encarnados por Estados autoritários como Rússia, Irã e China. O quadro do debate foi colocado em termos tão maniqueístas que Franco Bernabè, diretor da Telecom Italia e presidente da associação de operadoras de telefonia móvel GSMA, denunciou uma guerra de propaganda, à qual ele imputou o fracasso do tratado. 2 Máquinas de vigilância norte-americanas A liberdade de expressão não é uma questão menor. Onde quer que se viva, não faltam razões para temer que a relativa abertura da internet seja corrompida, manipulada ou parasitada. Mas a ameaça não vem somente dos exércitos de censores ou da grande muralha eletrônica erguida no Irã ou na China. Nos Estados Unidos, por exemplo, os centros de escuta da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) monitoram o conjunto das comunicações eletrônicas que passam por cabos e satélites norte-americanos. O maior centro de cibermonitoramento do mundo está em construção em Bluffdale, no Deserto de Utah. 3 Washington persegue o WikiLeaks com determinação feroz. Por outro lado, foram empresas norte-americanas, como Facebook e Google, que transformaram a web em uma máquina de monitoramento que absorve todos os dados comercialmente exploráveis sobre o comportamento dos internautas. Desde os anos 1970, o livre fluxo de informações (free flow of information) constitui um dos fundamentos da política externa oficial dos Estados Unidos, 4 apresentada no contexto da Guerra Fria e do fim da descolonização, como um farol a iluminar o caminho da emancipação democrática. Ela hoje permite reformular interesses estratégicos e econômicos imperiosos na linguagem sedutora dos direitos humanos universais. Liberdade da internet, liberdade para se conectar : essas frases, apregoadas pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton e pelos executivos do Google, na véspera das negociações, constituem a versão modernizada da ode ao livre fluxo. Em Dubai, as discussões abrangeram uma grande variedade de áreas transversais. No programa, notadamente, a questão das relações comerciais entre os vários serviços da internet, como o Google, e as grandes redes de telecomunicações, como a Verizon, a Deutsche Telekom e a Orange, que transportam esses volumosos fluxos de dados. Crucial para suas questões comerciais, o assunto o é também pelas ameaças que representa para a neutralidade da rede, ou seja, o princípio da igualdade de tratamento de todas as trocas na web, independentemente das fontes, dos destinatários e dos conteúdos. O gesto de Xavier Niel, chefe da Free, de investir sobre as receitas de publicidade do Google em janeiro de 2013 bloqueando seus anúncios, ilustra essas questões. Uma declaração geral que exigisse que os fornecedores de conteúdo pagassem aos operadores de redes teria graves consequências sobre a neutralidade da internet, que é uma garantia vital para a liberdade do internauta.

13 Mas o confronto que marcou a conferência centrou-se em uma questão bem diferente: quem tem o poder de controlar a integração constante da internet na economia capitalista transnacional? 5 Até hoje, esse poder pertence essencialmente a Washington. Nos anos 1990, quando a internet explodiu em escala planetária, os Estados Unidos aplicaram intensos esforços para institucionalizar seu domínio sobre a gestão da rede. Por seu funcionamento, esta exige de fato que os nomes de domínio (como.com ), os endereços digitais e os identificadores de redes sejam atribuídos de forma distinta e coerente. Isso implica a existência de um poder institucional capaz de assegurar essas atribuições, e cujas prerrogativas se estendam por consequência ao conjunto de um sistema que é, no entanto, extraterritorial por natureza. Aproveitando essa ambiguidade original, os Estados Unidos confiaram a gestão dos domínios a uma agência criada por eles, a Internet Assigned Numbers Authority (Iana). Ligada por contrato ao Ministério do Comércio, a Iana funciona na qualidade de membro de uma associação californiana de direito privado, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann), cuja missão consiste em preservar a estabilidade operacional da internet. Quanto aos padrões técnicos, foram estabelecidos por duas outras agências norte-americanas, a Internet Engineering Task Force (IETF) e a Internet Architecture Board (IAB), elas próprias integradas a outra organização sem fins lucrativos, a Internet Society. Em vista de sua composição e de seu financiamento, não é surpreendente que essas organizações deem mais atenção aos interesses dos Estados Unidos do que às solicitações dos usuários. 6 Os sites comerciais mais prósperos do planeta não pertencem a capitais quenianos ou mexicanos, nem mesmo russos ou chineses. A atual transição para a computação em nuvem (cloud computing), cujos principais atores são norte-americanos, deve aumentar ainda mais a dependência da rede em relação aos Estados Unidos. O desequilíbrio estrutural do controle da internet garante a supremacia norte-americana no ciberespaço, tanto no plano comercial como no militar, deixando pouca margem a outros países para regular, apertar ou afrouxar o sistema de acordo com seus próprios interesses. Por meio de várias medidas técnicas e legislativas, cada país é, certamente, capaz de exercer um grau de soberania sobre o ramo nacional da rede, mas sob a supervisão bem próxima do policial planetário. Desse ponto de vista, como observa o estudioso Milton Mueller, a internet é uma ferramenta de política norte-americana de globalismo unilateral. 7 A função de gerente permitiu aos Estados Unidos propagar o dogma da propriedade privada mesmo no coração do desenvolvimento da internet. Embora dotada, no princípio, de uma relativa autonomia, a Icann ficou marcada pelos favores extraterritoriais concedidos a detentores de marcas comerciais registradas. Apesar de seus protestos, várias organizações não comerciais, embora representadas no seio da instituição, não conseguiram se contrapor a empresas como a Coca-Cola e a Procter & Gamble. A Icann invoca o direito empresarial para impor suas regras aos organismos que administram os domínios de primeiro nível (como.org e.info ). Se os fornecedores nacionais de aplicações controlam o mercado doméstico em vários países, sobretudo na Rússia, China e Coreia do Sul, os serviços de internet transnacionais ao mesmo tempo os mais rentáveis e mais estratégicos nesse sistema extraterritorial continuam da Amazon ao Paypal, passando pela Apple, como cidadelas norteamericanas, construídas sobre o capital norte-americano e ligadas ao governo norte-americano. Desde os primórdios da internet, vários países têm se revoltado contra seu statusde subordinados. A multiplicação de indícios que assinalam que os Estados Unidos não têm nenhuma intenção de afrouxar seu controle vem progressivamente ampliando o bloco dos descontentes. Essas tensões acabaram por causar uma série de reuniões no mais alto nível, especialmente no contexto da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (SMSI, na sigla em inglês), organizada pela UIT em Genebra e em Túnis, entre 2003 e Ao oferecerem uma tribuna para os países frustrados por não terem chance de se manifestar, essas reuniões prefiguravam o choque de Dubai. Reunidos em uma Comissão Consultiva Governamental (GAC, na sigla em inglês), cerca de trinta países esperavam persuadir a Icann a compartilhar uma parte de suas prerrogativas. Uma esperança logo frustrada, especialmente porque seu status na GAC os colocava no mesmo nível que as empresas comerciais e as organizações da sociedade civil. Alguns países teriam conseguido se adaptar a essa situação anormal se, apesar dos discursos edificantes sobre a diversidade e o pluralismo, a prova não tivesse sido imposta a todos: a governança global da internet é tudo menos igualitária e pluralista, e o Poder Executivo norte-americano de forma alguma pretende abrir mão de seu monopólio. Índia e Quênia aderem ao golpe O fim da era unipolar e a crise global de 2009 atiçaram ainda mais o conflito inflamado entre países sobre a economia política do ciberespaço. Os governos estão sempre à procura de pontos de alavancagem para iniciar a coordenação da gestão da rede. Em 2010 e 2011, por ocasião da renovação do contrato entre a Iana e o Ministério do Comércio norte-americano, vários países apelaram diretamente a Washington. O governo queniano pediu, em especial, uma transição da tutela norte-americana para um regime de cooperação multilateral, por meio de uma globalização dos contratos que regem a superestrutura institucional que enquadra os nomes de domínio e os endereços IP. Índia, México, Egito e China fizeram propostas no mesmo sentido. Os Estados Unidos reagiram a essa rebelião exagerando a retórica da liberdade na internet. Ninguém duvida que eles também intensificaram seu lobby bilateral com o objetivo de resgatar para o rebanho certos países desalinhados. Como prova, a reviravolta na conferência de Dubai: Índia e Quênia prudentemente aderiram ao golpe de força de Washington. Qual será o próximo passo? As agências governamentais norte-americanas e os grandes patrocinadores do cibercapitalismo, como o Google, provavelmente continuarão a usar todo seu poder para reforçar a posição central dos Estados Unidos e desacreditar seus opositores. Mas a oposição política ao unilateralismo global dos Estados Unidos está e permanecerá aberta, a ponto de o editorialista do Wall Street Journal não hesitar, depois de Dubai, em evocar a primeira grande derrota digital dos Estados Unidos. 8

14 REESTRUTURAÇÃO URBANA NO RIO DE JANEIRO UPP: o poder simplesmente mudou de mãos? O coronel Robson Rodrigues, da Polícia Militar do Rio, uma das cabeças pensantes do projeto de pacificação, reconhece de bom grado: Realmente são as Olimpíadas que ditam nossa escolha. Eu diria até que, sem esse evento, a pacificação nunca teria acontecido por Anne Vigna (Helicóptero da Polícia Militar do Rio de Janeiro durante a operação para instalação de UPP na favela da Rocinha) A cena poderia acontecer em qualquer bairro da cidade: uma patrulha da polícia que desembarca com estrondo e piora ainda mais o engarrafamento. Mas é preciso estar numa favela do Rio de Janeiro para observar uma jovem tentando acalmar a polícia e ouvindo como resposta, aos gritos, que era melhor não insistir porque, afinal de contas, quem manda aqui somos nós. Desde 2009, os moradores da favela do Pavão dizem: O dono do morro mudou. Os traficantes deram lugar à polícia; as armas e o poder simplesmente mudaram de mãos. Trata-se aqui do resultado mais flagrante de um programa que data de 2008: a pacificação das favelas. Mas seu impacto nem sempre é negativo. Os donos do morroé o título que a equipe do Laboratório de Análise da Violência, dirigido pelo sociólogo Ignácio Cano, escolheu para seu estudo (publicado em julho de 2012) sobre a pacificação no Rio. 1 Os trabalhos mostram que, mesmo incompleto e imperfeito, o dispositivo ofereceria resultados incontestáveis em matéria de segurança. Nas treze primeiras favelas pacificadas no Rio, o número de mortes violentas diminuiu em 70% e as que eram provocadas por intervenções policiais estão agora próximas de zero, explica o sociólogo. Crítico de longa data da violência das forças da ordem, Cano não poderia ser acusado de idolatria securitária. E seu relatório não poupa os excessos policiais e as escolhas estratégicas duvidosas: Teria sido bem mais inteligente pacificar em primeiro lugar as favelas mais violentas. Mas a escolha foi feita em função dos grandes eventos esportivos, não da realidade da criminalidade. O coronel Robson Rodrigues, da Polícia Militar do Rio, uma das cabeças pensantes do projeto de pacificação, reconhece isso de bom grado: Realmente são as Olimpíadas que ditam nossa escolha. Eu diria até que, sem esse evento, a pacificação nunca teria acontecido. A pacificação nasceu do que se chama no Rio uma conjuntura excepcional : a cidade ganhou a organização das Olimpíadas e, pela primeira vez, o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do estado, Sérgio Cabral, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, selaram uma aliança política. Há muito tempo a luta contra as facções criminosas do Rio não produzia quase nenhum resultado, apenas um número cada vez mais elevado de mortos, particularmente jovens negros. Um pequeno grupo de policiais foi então enviado a Boston, em 2005, para analisar a operação Cease fire ( Cessar fogo ), que acontecia nos bairros pobres (e portanto negros) da cidade. A ideia: criar uma unidade de polícia próxima, ao contrário das ideias que tinham sido defendidas pelo prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, e sua tolerância zero entre 1994 e Em Boston e no Rio, a polícia concentrou seus esforços contra as armas e renunciou a interferir no tráfico de drogas, mesmo que a tarefa se revelasse muito mais árdua no Brasil, onde era preciso também recuperar o acesso aos territórios onde a polícia só se aventurava esporadicamente numa efusão de violência. A primeira operação ocorreu em 2008: foi uma agência de comunicação que criou o termo pacificação (que não era utilizado em Boston). Depois disso, alguns símbolos permaneceram: a polícia de elite do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que se tornou célebre pelo filme Tropa de elite (2007) fincou sua bandeira no meio do território, antes que uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) fosse instalada. Uma maneira de deixar bem clara a mudança de proprietários. Com a preocupação de evitar a violência, as operações eram comunicadas com antecedência a fim de que os traficantes e as armas pudessem desaparecer. A maioria das pacificações aconteceu, então, sem que se atirasse uma só bala. Uma vez que a UPP é estabelecida, entra em ação a segunda fase da pacificação: a UPP social, um componente essencial sem o qual a política de segurança não pode funcionar, insiste o coronel Rodrigues. O objetivo é instalar serviços públicos e criar equipamentos destinados a dinamizar a economia local. No papel, o projeto é maravilhoso, mas na prática há poucos meios e nenhuma democracia, deplora a urbanista Neiva Vieira da Cunha. Censuram a cidade por construir teleféricos custosos nos morros, ao passo que os moradores pedem em primeiro lugar hospitais e serviços de saneamento básico. No entanto, algumas mudanças sociais e econômicas já são visíveis. Para Cano, esse é inclusive um dos efeitos mais positivos da pacificação: A diminuição da estigmatização das favelas é real; os moradores não sentem mais a necessidade de omitir seu endereço no momento de procurar emprego. Os moradores das favelas pacificadas finalmente obtêm empregos formais. Será o suficiente para afastar os jovens do tráfico de drogas?

15 O tráfico não é apenas questão de dinheiro, mas também de poder. Ao tirar as armas, a pacificação derrubou os bastiões e o tráfico perdeu muito de seu atrativo, estima Rubem César, diretor da ONG Viva Rio, que trabalha há vinte anos nas favelas. Um atrativo que a polícia ainda não possui, principalmente quando ela se comporta, como é por vezes o caso, num terreno conquistado e exerce a mesma forma de controle social autoritário.

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