Endereço Eletrônico: ANEXO VIII DO REGULAMENTO DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, PROIC, DA UNICENTRO

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE, UNICENTRO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO DIRETORIA DE PESQUISA PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA Endereço Eletrônico: ANEXO VIII DO REGULAMENTO DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, PROIC, DA UNICENTRO TÍTULO: A EDUCAÇÃO COM UM PROCESSO DE INCLUSÃO SOCIAL DAS PESSOAS SURDAS AUTOR: Miriam Aparecida Vichinheski BIC/CNPQ-JÚNIOR ORIENTADORA: Professora Anizia Costa Zych UNICENTRO-DEPED/IRATI PALAVRAS-CHAVE: educação, língua de sinais, cultura-surda, inclusão. Resumo: O presente trabalho constitui-se numa pesquisa qualitativa, realizada com base em um estudo de caso e num aprofundamento bibliográfico, objetivando adquirir conhecimentos referentes a linguagem através de sinais; interagir com a Língua Brasileiras de Sinais (LIBRAS.), apropriar-se das formas lingüísticas utilizadas pelos educandos surdos, analisar o contexto sócio-educacional que caracteriza a identidade e a cultura surda e, avaliar o processo das relações estabelecidas no contexto educacional, pelas pessoas surdas. Com esse estudo, conclui-se que o aluno surdo que adquire a LIBRAS, freqüentando salas específicas de apoio aos surdos, consegue interagir com maior facilidade no âmbito social. A LIBRAS ainda contribui para a concretização de uma aprendizagem significativa do educando, bem como a inclusão do mesmo na sociedade. 1

2 1. Introdução O presente estudo desenvolveu-se sob a forma de pesquisa qualitativa com base em observações diretas e indiretas nas Instituições Educacionais que mantém classes para surdos. Foram estabelecidos contatos e visitas com o Centro de Educação Especial para Surdos em Irati, visitas às classes de inclusão de uma escola pública municipal, para interação com os sujeitos surdos inseridos, priorizando a atenção à relação e à interação dos educandos, no convívio com seus familiares e no espaço escolar. Além das atividades citadas, outras interações e trabalhos se efetivaram, bem como a discussão sobre a disseminação dos resultados da pesquisa, junto ao Curso de Formação para Magistério, do Colégio São Vicente de Paulo, buscando promover encontros para a divulgação da LIBRAS. O encaminhamento da proposta, e o cumprimento do cronograma previsto, desenvolveu-se fundamentado por estudo bibliográfico referente à temática, especificamente com relação à Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), cujos conhecimentos estarão sendo disseminados através de eventos, direcionados aos alunos do Curso de Formação de Docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Subseqüente e Integrado, da Instituição onde a bolsista estuda. 2. A Língua de Sinais e a Língua Brasileira de Sinais A Língua de Sinais é uma linguagem viso-gestual, própria das pessoas surdas.segundo Capovilla (2001), para as pessoas que nascem surdas é muito mais fácil adquirir uma linguagem visual como sua primeira língua. Utilizando-se dessa linguagem, elas podem aprender a ler, escrever e, talvez a falar ou seja, a tornar-se bilíngües e biculturais. Skliar (1997) Ströbel Fernandes (1998) existem documentos comprovando que desde os primórdios da sociedade já existia a prática da comunicação gestual pelos surdos. Somente a partir da década de 1950 e no início dos anos 60, é que despertou o interesse real pela forma de comunicação com gestos. 2

3 Embora todos os aspectos discutidos a respeito da Língua de Sinais (LS), ainda encontramos pessoas que a desconsiderem como língua, desconhecendo, que ela é indispensável para os surdos, pois implica num processo bem mais amplo do que apenas gesticular. Razão pela qual, a comunidade surda lutou incansavelmente pela legalização da Língua Brasileira de Sinais, que foi oficialmente reconhecida como a língua a que os surdos têm direito à sua educabilidade de qualidade. Segundo Zych, (2003, p.27) O reconhecimento nacional da LS, através da lei n , de 24 de Abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e dá outras providências, de flagra uma nova perspectiva para a história da Educação dos Surdos, ressignificando a sua existência. Impedir os surdos de comunicar-se em LS, representa um grande prejuízo para o próprio desenvolvimento e, conquista de aspectos relacionados à cultura do seu grupo. É importante ressaltar que não basta fazer gestos com as mãos tentando comunicar algo, se seu corpo e sua face não traduzem nada. A corporeidade é parte da comunicação, pois a LS é expressa com todo nosso corpo, através de gestos. Segundo Ströbel e Fernandes (1998), A LS é portanto um sistema convencional de sinais estruturado da mesma forma como as línguas naturais, tais como português, o inglês, chinês, entre outros. Há várias línguas de sinais e todas elas são orientadas por sistemas de regras gramaticais, utilizados, principalmente, pelas comunidades surdas. Portanto, como todos os métodos de comunicação, a Língua Brasileira de Sinais é única, assim como a Língua Chinesa de Sinais, ou seja, cada país adota uma forma singular de representar seu idioma através da LS. Como quaisquer outras línguas, a LIBRAS apresenta uma estrutura própria nos quatro níveis lingüísticos. Sendo eles: o aspecto fonológico; o morfológico; o sintático e o 3

4 semântico-pragmático. O nível fonológico constitui-se em unidades distintas sem significados nos seguintes parâmetros principais: A configuração de mão(s); a localização do sinal ou ponto de articulação; o movimento das mãos, braços ou pulso e a orientação da(s) palma(s) da(s) mão(s). Já o nível morfológico pode ser descrito como sendo uma classe de palavras, tais como, substantivo, adjetivo, verbo e advérbio, que nem sempre se distingue quanto a sua forma e sua função, determinada pelo contexto lingüístico. O nível morfológico é dotado também de inúmeros componentes convencionais, codificados no léxico e nas estruturas da LIBRAS e, em princípios que subsidiem a geração de implícitos sentidos metamórficos, bem como de outros significados não literais.. Estes princípios surgem por meio do uso adequado das estruturas lingüísticas da LIBRAS, isto é, permite aos seus usuários usar estruturas nos diferentes contextos, que lhes apresentam de formas diferentes a corresponder as mais várias funções lingüísticas, emergidas nas interações sociais cotidianas(seesp,1997). Algumas referências significativas da LS são destacadas: os sinais de pontuação, tais como virgula, ponto final e de interrogação, quando necessário é feito o desenho no ar. As preposições e as outras classes de palavras de que as línguas não dispõem, são inseridas na sinalização por meio da dactilologia, ou seja, do alfabeto manual. A língua de sinais constitui-se numa comunicação natural, assim como a língua oral que, surgiu espontaneamente de interações entre pessoas e, devido a sua estrutura permitem qualquer conceito-descritivo, emocional, racional, literário, metamórfico, concreto, abstrato em fim permitem a expressão do ser humano. Saussure (1995, p.16) explica a inter-relação quanto à ligação intrínseca entre linguagem e o meio social, sendo assim: A linguagem tem um lado individual em lado social, sendo impossível conceber um sem o outro. Portanto, a linguagem constituí-se num fenômeno que mantém uma 4

5 função claramente definida, tanto em âmbito social quanto no individual. A língua de sinais distingue-se das demais utilizando um canal-visual espacial, sendo assim, as articulações são melhores percebidas visualmente. Entretanto, as formas icônicas da LIBRAS não são universais e/ou retratos fiéis da realidade. Cada língua representa seus referenciais, ainda que, cada pessoa veja os objetos a serem representados em sinais ou palavras, sob uma perspectiva própria. Por exemplo, para expressar a árvore em LIBRAS, usamos o antebraço elevado para simbolizar o tronco e as mãos com os dedos abertos representam às folhas em movimento. Porém o sinal para o mesmo conceito em LSC (Língua de Sinais Chinesa) é representado apenas pela simbolização do tronco com as duas mãos abertas e, em seguida semi-abertas e os dedos dobrados de forma circular. Devemos enfatizar que a LS é uma língua natural. Dessa forma considera-se que a mesma deva constituir-se na língua materna dos surdos. É comum o ouvinte pressupor que a língua de sinais seja uma versão sinalizada da língua oral, pois, acredita-se que ela seja uma forma de versão sinalizada da língua portuguesa. No entanto, embora haja semelhança ou aspectos comuns entre elas, a língua dos surdos não estrutura-se de acordo com as estruturas gramaticais da língua oral. O alfabeto manual é utilizado para soletrar e formar nomes próprios, como por exemplo: pessoas, lugares, rótulos, entre outros. Portanto é também importante para a comunicação, entre ouvintes que não dominam a LS, e, os surdos. Importante ressaltar que quando for se comunicar, através do alfabeto manual, com uma pessoa surda, é necessário e aconselhável soletrar devagar, formando as palavras com nitidez. Entre as palavras soletradas é preciso, fazer pausas curtas ou mover a mão direita, fechada, para a esquerda, como se estivesse empurrando a palavra já soletrada para o lado normalmente. Por fim, a língua de sinais torna-se tão natural e complexa quanto a língua oral, que dispõe de recursos expressivos suficientes para permitir aos seus usuários expressar-se sobre qualquer assunto em qualquer situação. (STRÖBEL e FERNANDES (1994). 5

6 A observância das regras lingüísticas que orientam a LIBRA estabelece a comunicação segura com o seu uso, em razão da credibilidade que credencia seu valor funcional. 3. Conclusões A LS, considerada como a língua natural dos surdos necessita ser divulgada no espaço escolar, como imprescindível para o sucesso da aprendizagem da educação dos surdos. Conforme o reconhecimento da Lei nº /2002, é direito dos surdos, receber educação de qualidade, sendo atendidos em sua primeira língua, língua de sinais. Assim, sendo, cabe a escola como centro de referência, desenvolver as aptidões dos educandos surdos, promovendo o acesso ao conhecimento, preparando-o para o exercício conscientemente da cidadania. A divulgação da língua de sinais como recurso indispensável para a educação dos surdos, constitui-se em instrumento fundamental para garantir à acessibilidade, dos educandos não-ouvintes, ao saber e o mundo do trabalho. O incentivo à participação do movimento social escolar, poderá facilitar seu acesso ao mundo do trabalho tornando-o consciente e participativo. Quanto maior o número de pessoas com as quais os surdos puderem interagir, maiores serão suas oportunidades de inclusão social. 6

7 Referências bibliográficas CAPOVILLA, F.C. e RAPHAEL, W.D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngüe, vol I, São Paulo: EDUSP, MEC. Programa de Capacitação de Recursos humanos do Ensino Fundamental: deficiência auditiva. Brasília: SEESP, 1997 vol. 1 SKLIAR, C. (org). Educação e exclusão: abordagem sócio-antropológica, em educação especial. Porto Alegre (Mediação, 1997). STROBEL, K. L; FERNANDES, S. Língua de Sinais: Aspectos lingüísticos. Curitiba: SEED/SEUD/DEE/, ZYCH, A. C. A avaliação do processo de escolaridade de pessoas surdas em sua interação no contesto social. Tese de doutorado. UNICAMP,

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