COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO E PARECERES PARECER Nº 001/2013. Competência do enfermeiro que atua na realização e tratamento da carboxiterapia.

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1 1. Dos fatos COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO E PARECERES PARECER Nº 001/2013 Aprovado na 517ª Reunião Ordinária de Plenária de 27 de maio de ASSUNTO: Competência do enfermeiro que atua na realização e tratamento da carboxiterapia. Competência do enfermeiro que atua na realização e tratamento da carboxiterapia. 2. Da fundamentação e análise Para melhor análise do caso, necessário se faz esclarecer de forma separada alguns aspectos do procedimento citado. A Carboxiterapia utilizada em estética consiste na aplicação de gás carbônico no tecido subcutâneo, através de uma agulha fina conectada a um equipamento, objetivando a melhoria da circulação e oxigenação dos tecidos, possibilitando a promoção de benefícios estéticos, conforme o posicionamento do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (2012). Contudo, o Conselho Regional de Medicina da Bahia (2011) em seu Parecer n 13/2011 confirma que a Câmara Técnica de Dermatologia reconhece que apesar do aparelho estar registrado na ANVISA, inexiste embasamento científico do uso para fins estéticos e terapêuticos. Na busca por trabalhos científicos em bases científicas como SciELO, LILACS e MEDLINE não foram encontrados artigos sobre o procedimento. O assunto questionado já tem vários pareceres a respeito, tais como: - no 13/11-CRM-BA. A carboxiterapia não deve ser divulgada como tratamento estético, visto a inexistência de fundamentação científica para sua utilização e eficácia nesta área; no 1.889/07-CRM-PR. Em relação ao fato de um profissional de fisioterapia poder efetuar este procedimento, entendemos que não seja o correto, pois foge das atribuições conferidas por lei ao fisioterapeuta, pois não se trata de método fisioterápico, mas sim modalidade terapêutica, não isenta de riscos e que carece de maior comprovação científica de seus resultados. O Decreto-lei no 938/69, que provê sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, e dá outras providências, em seu artigo 3º expressa que: É atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas fisioterápicos com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente; - no 1.899/07-CRM-PR. Existem poucos trabalhos científicos e controlados que mostram resultados em relação a este tratamento específico. Há na literatura vários estudos utilizando esta técnica para outros tipos de alterações. Há carência de literatura embasada de forma científica que corrobore os resultados;

2 - no 2.265/10-CRM-PR. Apesar da constante divulgação deste método, especialmente por médicos italianos, até o momento não existe literatura que esteja de acordo com a recomendação internacional de produção científica e que comprove a eficácia da carboxiterapia para fins estéticos ou terapêuticos, não sendo técnica isenta de risco, pois a ocorrência de infecção poderá eventualmente atingir graves dimensões, visto ser método invasiva, e embora rara possa ocorrer embolia gasosa; portanto, é nosso entendimento, neste momento, não haver justificativa para seu uso, assim como recomendamos que não seja divulgada, por ser técnica não reconhecida e sem evidências científicas pela comunidade médica; - A Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM produziu, em 2012, um editorial, que por meio de uma revisão sistemática avaliou publicações de valor científico referente à carboxiterapia. Observando os quase quinze manuscritos disponíveis na literatura, nacional e internacional, sobre o uso do CO2 terapêutico em cirurgia plástica ou dermatologia, de estudos controlados com alocação aleatória, nota-se que nenhum deles possui metodologia adequada. A adequação metodológica de uma investigação é a base para a credibilidade das conclusões. Portanto, este editorial, antes de qualquer outra coisa, tem por objetivo incentivar os profissionais a realizarem ensaios controlados randomizados para que a eficiência da carboxiterapia seja, cientificamente, comprovada ou refutada. - Resolução CFM no 1982/12. Dispõe sobre os critérios de protocolo e avaliação para o reconhecimento de novos procedimentos e terapias médicas pelo Conselho Federal de Medicina. A denominada carboxiterapia consiste na administração subcutânea de anidro carbônico, gás carbônico ou C02, através de injeção hipodérmica, diretamente nas áreas de celulite, flacidez cutânea, estrias e gordura localizada. Outra indicação seria na terapêutica de arteriopatias, flebopatias, úlceras vasculares e psoríase. Outro modo de aplicação seria via transcutânea ou como balneareoterapia, na forma de banho seco ou em água carbonada. A administração terapêutica do gás carbônico iniciou-se nos anos 30 na França. É um gás atóxico presente normalmente como intermediário do metabolismo celular. O mesmo utilizado em cirurgia videolaparoscópica para realizar pneumoperitônio, histeroscopia e contraste em arteriografias, embora considerado não embólico há relato de embolia na literatura acessada. Possíveis efeitos colaterais limitar-se-iam à dor durante o tratamento, sensação de crepitação no local da aplicação devido a pequeno enfisema que desapareceria em média em até 30 minutos, e pequenos hematomas decorrentes da punção. Tem-se divulgado que um fabricante de determinado equipamento informa dados histopatológicos obtidos por biópsia, em pacientes tratados na Itália e nos Estados Unidos, mostrando que o método é inócuo ao tecido conectivo, incluindo-se estruturas vasculares e nervosas, e que já teriam sido realizadas vinte mil aplicações de carboxiterapia com índice de complicações, reações adversas e mortalidade de zero.

3 Os treinamentos costumam ser realizados pelas empresas que representam os aparelhos, na maioria das vezes em locais inadequados, expondo o paciente e o médico a grandes riscos, bem como banalizando um procedimento que é invasivo. Em resposta à solicitação da Delegacia Regional de Piracicaba do Cremesp, publicada no Jornal do Cremesp em julho de 2007, sobre tratamentos recomendados para a lipodistrofia ginoide, conhecida comumente no meio leigo como celulite, o Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia assim posicionou-se: A carboxiterapia ainda não está reconhecida como tratamento formal para a lipodistrofia ginoide. Existem poucos trabalhos científicos e controlados que mostram resultados em relação a este tratamento específico. Alertamos para a falta de literatura embasada de forma científica e sugerimos que sejam feitos protocolos específicos. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Dermatologia continua sem fornecer aval para a utilização desta técnica na lipodistrofia ginoide. Em relação a outros tratamentos, não existe uma lista de aprovação. Visto que a lipodistrofia é uma alteração com múltiplos efeitos e sintomas, o médico deve manter os princípios básicos de ética, bom-senso e segurança para o paciente. Como referido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, essa técnica é realizada por clínicas de estética, cujos resultados são duvidosos, e há reclamação de muita dor na aplicação, além de relatos de casos de embolia pulmonar. O tempo mostrará se terá a validade científica pretendida, desde que realizada com o rigor científico. Os novos procedimentos propostos para uso no Brasil, mas em uso corrente no exterior, devem ser avaliados e poderão ser aprovados pelo CFM, cabendo a este definir a capacitação médica necessária para sua realização, bem como as condições hospitalares adequadas para sua ocorrência. A solicitação de aprovação de novos procedimentos pelo CFM será encaminhada à Comissão de Reconhecimento de Novos Procedimentos, que verificará o cumprimento das exigências dos artigos desta resolução, indicará uma Câmara Técnica Provisória Específica (CTPE), aprovada pelo pleno do CFM, para análise do novo procedimento proposto e emissão de parecer técnico consubstanciado, considerando a complexidade e o risco envolvido. A Enfermagem é uma profissão regulamentada pela Lei n 7.498/86 e pelo Decreto n /87, cuja atividade precípua é a assistência de enfermagem preventiva, curativa e de recuperação aos clientes/pacientes. Seus profissionais obedecem às normas e princípios de conduta descritas pela Resolução COFEN n 311/2007 (BRASIL, 1986; 1987; CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2007). CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM [...]

4 PREÂMBULO A Enfermagem compreende um componente próprio de conhecimentos científicos e técnicos, construído e reproduzido por um conjunto de práticas sociais, éticas e políticas que se processa pelo ensino, pesquisa e assistência. Realiza-se na prestação de serviços à pessoa, família e coletividade, no seu contexto e circunstâncias de vida. [...] PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde e qualidade de vida da pessoa, família e coletividade. O Profissional de Enfermagem atua na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais. O profissional de enfermagem participa, como integrante da equipe de saúde, das ações que visem satisfazer as necessidades de saúde da população e da defesa dos princípios das políticas públicas de saúde e ambientais, que garantam a universalidade de acesso aos serviços de saúde, integralidade da assistência, resolutividade, preservação da autonomia das pessoas, participação da comunidade, hierarquização e descentralização político-administrativa dos serviços de saúde. [...] (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2007, grifo nosso) Cada categoria profissional de Enfermagem possui suas competências legais elencadas na Lei do Exercício Profissional de Enfermagem, ações estas reiteradas pela Portaria CVS-15/99 (BRASIL, 1986; 1987; SÃO PAULO, 1999). Importante ressaltar, que as atividades de cuidado prestadas ao cliente/paciente pelo Técnico/Auxiliar de Enfermagem deverão ser devidamente registradas em prontuário e cabe ao Enfermeiro delegá-las por meio do Processo de Enfermagem, atendendo ao previsto na Resolução COFEN n 358/2009 (BRASIL, 1986; CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2009). Por tudo isso mesmo, a Enfermagem é uma profissão comprometida não com os resultados, mas sim com os meios1 aplicados com intuito de produzir o fim desejado, ou seja, deverá tomar condutas e realizar a assistência de enfermagem de acordo com todas as precauções decorrentes da prudência, diligência e perícia para atingir um resultado, sem cogitar-se na obrigação deste (SOUZA, 2006). Sendo certo que o Enfermeiro ao assumir a execução do tratamento estético poderá responder pela obrigação de resultado e arcar com todas as responsabilidades decorrentes do Código Civil, Penal e Ética pelo resultado diverso ao pretendido ou oferecido. Por fim, deve-se lembrar de que o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem em seu artigo 33 proíbe ao profissional de Enfermagem prestar

5 serviços que por sua natureza competem a outro (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2007). 3. Das Conclusões Em resposta ao solicitado, está patente que a carboxiterapia em procedimentos de estética nas mais variadas especialidades médicas e/ou áreas de atuação não tem, na atualidade, respaldo técnico, científico e ético, devendo obedecer a Resolução no 1.982/12 por ser ato médico experimental. Quanto ao questionamento de se é possível a prática desse procedimento por fisioterapeutas, fica bem claro que o Decreto-lei no 938, de 13 de outubro de 1969, que estabelece as competências da profissão, não prevê procedimento invasivo e este não deve ser praticado pelos mesmos. Principalmente quando não se tem segurança quanto aos efeitos colaterais mesmo nas mãos dos médicos. O Parecer Consulta Coffito nº 6/12, que disciplina a atividade dermatofuncional, contraria os preceitos e as competências legais da profissão de fisioterapeuta. Diante do exposto, não cabe ao Enfermeiro e aos demais profissionais de Enfermagem a execução da carboxiterapia. Os profissionais de Enfermagem que atuam na área de estética poderão desenvolver os procedimentos relacionados aos cuidados dos clientes/pacientes no pré, intra e pós-procedimento, de acordo com a Legislação Profissional e Código de Ética de Enfermagem, não devendo assumir a aplicação dos métodos de intervenção em estética, pois a técnica de realização desses procedimentos está diretamente ligada à responsabilização pelos resultados e atividade fim da profissão do executor, no caso do médico. Além disso, a Portaria CVS-15/99 determina de forma clara que os procedimentos em estética constituem-se em intervenções, executadas por profissional médico (SÃO PAULO, 1999). É o parecer. Curitiba, 27 de maio de RESI REJANE HUENERMANN Conselheira COREN PR n

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