Políticas Públicas I. Classificações de Welfare State e Modelos de Análise de Políticas Públicas. Professora: Geralda Luiza de Miranda Julho/2011

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1 Políticas Públicas I Classificações de Welfare State e Modelos de Análise de Políticas Públicas Professora: Geralda Luiza de Miranda Julho/2011

2 Temas Classificações de Welfare State (Titmuss e Esping-Andersen). Modelos de análise: sistêmico, institucional, pluralista e elitista

3 Política social Redistribuição? Igualdade? Cidadania Social?

4 Política social: igualdade X desigualdade Marshall: Cidadania sistema de igualdade (civil, política e social). Capitalismo sistema de desigualdade (classes sociais).

5 Titmuss (1974): Uma política social redistributiva pode redistribuir recursos materiais e não-materiais dos pobres para os ricos; de um grupo étnico para outro; da vida ativa para a velhice dentro de grupos de renda e classes sociais como, por exemplo, os esquemas de pensão de classe média....

6 Há políticas sociais na África do Sul hoje que muitas pessoas não considerariam como sendo benéficas ou orientadas para o bem-estar. Há programas de seguro social em alguns países da America Latina, Brasil em particular, que funcionam como multiplicadores camuflados de desigualdade eles transferem recursos dos pobres para os ricos. (TITMUSS, 1974, p ).

7 Políticas sociais de alívio da pobreza Políticas sociais modernas (industrialização, urbanização) Sistemas de políticas sociais welfare state, sistemas de proteção social

8 Tipologia de regimes de Welfare State de Esping- Andersen Liberal (residual), Conservador (meritocrático), Social-democrata, solidarista, universalista (institucional).

9 Critérios de diferenciação dos tipos: Grau de desmercantilização da força de trabalho, Grau de estratificação social, Relação entre Estado, mercado e família na proteção social

10 Modelo liberal: Predominam as políticas de assistência social testes de meios ou testes de necessidade. O acesso às políticas não se vincula ao desempenho no mercado de trabalho nem a direitos sociais (cidadania).

11 Benefícios são reduzidos e temporários. As pessoas não vivem com dignidade se não participam do mercado. Estímulo a compra de serviços e bens sociais. A estratificação configura um dualismo social. Exemplos: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia.

12 Modelo corporativo ou conservador Previdência social estatal é generosa. Não há desmercantilização ampla: a elegibilidade e a qualidade das políticas sociais a que se tem acesso depende do status ou do desempenho das pessoas no mercado.

13 O acesso às políticas sociais depende das contribuições feitas durante ou ao longo da vida ativa. A estratificação promovida pelo sistema de proteção reproduz ou reforça as desigualdades instituídas pelo mercado Exemplos: Alemanha, França, Itália, Bélgica.

14 Modelo universalista ou social-democrata: Desmercantilização mais ampla. Benefícios e serviços são universais e generosos e não estão relacionados com ganhos, contribuições ou desempenho no mercado.

15 O acesso é um direito de cidadania. Há redistribuição significativa de renda. A estratificação promovida pelo sistema de proteção é mínima ou ausente. Exemplos: Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia.

16 Modelos de análise de políticas públicas Modelos de Thomas Dye: sistêmico e institucional; da teoria dos jogos e da teoria da escolha racional; da teoria dos grupos ou pluralista e do elitismo; incremental e processual.

17 Modelo sistêmico Políticas são respostas do sistema político (outputs) para apoios ou demandas (inputs) da sociedade. Sistema político é um conjunto de estruturas e processos inter-relacionados que funciona de forma autorizada para alocar valores (materiais e não-materiais) para a sociedade.

18 Demandas e apoios: influenciam e sustentam a formulação e implementação das políticas. Demandas são feitas por meio de ações dos movimentos sociais, sindicatos, partidos, ONGs, conselhos, conferências. A influência (participação) ou indireta. social pode ser direta

19 Apoios: pagamento de impostos, obediência às leis, reeleição, não-ações consentimento. Para transformar demandas e apoios em políticas públicas, o sistema político estimula a deliberação, processa acordos, elabora leis e assegura seu cumprimento.

20 Contribuições Foco da análise na sociedade. Importância das demandas e dos apoios para a formulação e implementação das políticas. O apoio é necessário para a aprovação no Legislativo, para alocação de recursos, para a implementação.

21 O desenho da política (output) está relacionado com as demandas e os apoios (inputs). Se as demandas e os apoios mudam; as políticas públicas mudam.

22 Implicações: O Estado ou o sistema político tornam-se uma caixa preta. Falta de atenção ao processo decisório. A transformação (ou não-transformação) de demandas e apoios em políticas públicas não é explicado.

23 Modelo Institucional Políticas são intervenções dotadas de legitimidade, universalidade e coerção. Comandam ou asseguram a lealdade dos cidadãos e legitimam o Estado.

24 Alcançam (devem) todas as pessoas da sociedade ou de um grupo específico. O Estado obriga certos comportamentos e pune o descumprimento das regras.

25 Contribuições A estrutura institucional influencia o formato, o conteúdo e a implementação das políticas públicas e, assim, seus resultados. A estrutura institucional pode dispersar ou concentrar o poder: determina quem participa de qual fase, como participa e quais recursos pode ou deve utilizar.

26 Implicações Não basta mudar as instituições para mudar as políticas. O foco nas instituições não significa que demandas e apoios sociais, as condições culturais, sociais e econômicas do país deixam de influenciar a formulação, o conteúdo e o resultado das políticas.

27 Modelo da teoria das elites Políticas públicas são decididas apenas pelos representantes eleitos (Legislativos e Executivos) (democracias), ou por elites sociais com acesso privilegiado ou posições garantidas no sistema político (oligarquias).

28 Contribuições As políticas públicas refletem, muitas vezes, apenas as preferências das elites e não as da sociedade. Quando mudam as preferências das elites, ou as próprias elites, mudam as políticas sociais.

29 Implicações Não existem grupos de interesse. O povo é desorganizado e desinteressado (massa). O povo não tem visão clara do que é melhor para a sociedade como um todo.

30 As elites são racionais, esclarecidas. Elas sabem o que é melhor para a sociedade no curto e no longo prazo. As políticas são também responsivas, pois um governo de elites também tem que buscar legitimidade social.

31 Modelo pluralista ou da teoria dos grupos A interação entre os diversos grupos de interesse é o fato central da política. Indivíduos com interesses comuns reúnem-se em grupos, formais ou informais, para manifestar ou impor suas demandas aos governos.

32 Exemplos de grupos de interesse: sindicatos, as organizações não-governamentais, empresas, sindicatos, partidos políticos, ONGs, OSCIPS.

33 Contribuições Atenção à relação entre o grau de organização da sociedade civil e a dinâmica estatal. Quanto mais organizada a sociedade, mais capacitada para exercer influência sobre a formulação e implementação das políticas.

34 Implicações Mudanças nas políticas são vistas como resultado de mudanças na capacidade de influência dos grupos. Capacidade é determinada pelo número de integrantes, riqueza, força organizacional, liderança, acesso aos tomadores de decisão e coesão interna.

35 Os agentes públicos são vistos como constantemente respondendo à pressão desses grupos. Não há withinputs. A estrutura institucional do Estado; sua capacidade financeira, administrativa, técnica não são investigados.

36 Elitismo e pluralismo (comparação): Grupos: equivalentes no pluralismo; desiguais no elitismo. Desenho das políticas: previsível no elitismo (preferências das elites); imprevisível no pluralismo (disputa) Ambos tratam do processo decisório (formulação) os atores.

37 Modelo da teoria da escolha racional Políticas são intervenções racionais do Estado: possibilitam ganhos para a sociedade como um todo. No cálculo de custos e benefícios, os benefícios superam os prejuízos que podem advir de outra ou nenhuma intervenção.

38 Entre políticas alternativas, é escolhida a que produz mais benefícios em relação aos custos. O cálculo inclui recursos materiais e valores sociais, políticos e/ou econômicos.

39 Para que a escolha seja racional, os tomadores de decisão devem: Conhecer todas as preferências sociais e políticas e o peso relativo de cada uma, além de todas as alternativas de políticas públicas disponíveis e as consequências de cada uma delas;

40 Calcular a proporção de benefícios e custos para cada alternativa; Selecionar a alternativa mais eficiente: a que proporciona mais benefícios, tendo em vista os recursos utilizados.

41 Pressupostos: As preferências existem e podem ser conhecidas e ponderadas. Consenso entre os envolvidos na atribuição de valor a cada opção.

42 Todas as informações necessárias para a tomada de decisão estão disponíveis. Os tomadores de decisão são capazes de calcular os benefícios e custos de qualquer decisão e de prever todas suas consequências.

43 Algumas condições institucionais nos permitem superar alguns obstáculos ou, pelo menos, minimizá-los. Exemplos: Audiências públicas: reunião do maior número de informações possível na etapa de formulação de leis.

44 Conferências e fóruns: discussão entre um grande número de atores com diferentes pontos de vista e diferentes recursos melhoram o processo de informação, negociação e pactuação das políticas. Conselhos: maior controle e fiscalização da gestão - mais fiscalização e responsabilização.

45 Contribuição Estabelece os parâmetros (ou condições) ideais em que as políticas devem ser decididas e implementadas

46 Implicações A política vigente é a melhor solução possível para os problemas sociais. Ela sempre produz resultados positivos. Não há desperdício de recursos.

47 Modelo da teoria dos jogos Supõe que há dois ou mais participantes (aqui denominados de jogadores ) envolvidos nas políticas. Todos têm escolhas e todos influenciam o resultado (a política). A política resulta das estratégias de todos os jogadores.

48 Os jogadores possuem interesses conflitantes e recursos diferentes ou desiguais. Se o conflito de interesse coincide com diferenças na posse de recursos de poder, abre-se a possibilidade de manipulação, de nãonegociação, de não-decisão

49 Contribuições Mostra as diferenças de preferências, recursos e estratégias entre os atores envolvidos. Explica o desenho e a implementação das políticas a partir dessas diferenças.

50 Implicação Desconsidera as variáveis institucional, organizacional e ideológica.

51 Modelos da escolha racional e da teoria dos jogos (comparação) O da teoria dos jogos: desvenda o caráter estratégico da dinâmica política em torno de recursos escassos; aponta o fato de que poder é sempre relacional: o poder de A depende do poder de B.

52 Escolha racional: serve de guia de como as decisões devem ser tomadas Ambos permitem a análise do processo decisório. Ambos são muito abstratos.

53 Modelo incremental As políticas existentes não são revistas todos os anos ou mesmo a cada governo. Políticas passadas são base das políticas futuras.

54 Contribuição Mostra o processo real de decisão e gestão das políticas públicas. A solução dos problemas é feita de forma gradual, incremental (a aproximação sucessiva a um ideal que sempre muda).

55 Implicações Os tomadores de decisão geralmente aceitam a legitimidade de programas estabelecidos e concordam em mantê-los. A mudança nas políticas públicas é difícil. Não há rupturas significativas de um governo para o outro.

56 Modelo processual Foco em cada uma das etapas das políticas públicas. Supostos: as etapas são sequências, separadas e independentes; cada etapa possui atores, recursos e desafios próprios.

57 Cinco etapas (Dye): identificação dos problemas; formulação das propostas de solução; legitimação da proposta (política) selecionada; Implementação; avaliação.

58 1- Identificação de problemas: As demandas pela ação do governo são expressas pelos cidadãos. Os agentes públicos (representantes, burocracias) percebem, organizam, selecionam, agregam as diversas demandas.

59 Nesta etapa, há uma série de conflitos no momento de definir o que é um problema que requer intervenção pública e grande dificuldade na investigação de suas causas.

60 2- Formulação de propostas de políticas Após se chegar ao consenso de que as demandas apontam para um problema que requer intervenção pública, elaboram-se as propostas para sua solução. Forma-se então uma agenda para discussão pública dessas propostas.

61 Paralelamente, os recursos administrativos e orçamentários necessários para a implementação das políticas são buscados.

62 3 Legitimação A proposta mais factível e em torno da qual há maior consenso é selecionada. Os recursos para sua implementação são previstos. O apoio político para sua aprovação é reunido (negociado).

63 A proposta de solução (a política) é deliberada e aprovada no Poder Legislativo. Transformada em lei, a política está pronta para ser implementada. Está legitimada politicamente.

64 4 Implementação As burocracias são organizadas, os impostos arrecadados, os pagamentos realizados e as ações são executadas tal como previstas na lei.

65 5 Avaliação As políticas implementadas são avaliadas A avaliação é traduzida em sugestões de mudanças, de ajustes ou de fim da ação, tendo em vista os problemas identificados na implementação e nos resultados.

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