DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E SEUS IMPACTOS SOBRE O MEIO AMBIENTE: É POSSÍVEL UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?

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1 OBERDAN RAFAEL PUGONI LOPES SANTIAGO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E SEUS IMPACTOS SOBRE O MEIO AMBIENTE: É POSSÍVEL UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? Lavras MG 2011

2 OBERDAN RAFAEL PUGONI LOPES SANTIAGO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E SEUS IMPACTOS SOBRE O MEIO AMBIENTE: É POSSÍVEL UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? Monografia apresentada ao Colegiado do Curso de Engenharia florestal, para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia Florestal. Dr. Luis Antônio Coimbra Borges Orientador LAVRAS MG 2011

3 OBERDAN RAFAEL PUGONI LOPES SANTIAGO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E SEUS IMPACTOS SOBRE O MEIO AMBIENTE: É POSSÍVEL UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? Monografia apresentada ao Colegiado do Curso de Engenharia florestal, para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia Florestal. APROVADA em 02 de dezembro de Msc. Dalmo Arantes de Barros Dr. Anderson Alves Santos UFLA UFLA Dr. Luis Antônio Coimbra Borges Orientador LAVRAS MG 2011

4 À Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal A- BEEF, que foi a principal responsável pela minha militância no movimento estudantil; proporcionou uma grande formação política e onde fiz grande parte de minhas amizades. Espero este trabalho possa contribuir para aprofundar a sua leitura em relação à conjuntura atual, especialmente sobre a questão energética e o capitalismo verde. Espero, também, que contribua para organizar a intervenção da Associação no próximo período. À Consulta Popular, que busca a construção de uma sociedade onde não haja explorados nem exploradores; que contribuiu de maneira decisiva para a construção de minhas decisões pessoais para o próximo período de minha vida. DEDICO

5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente ao povo brasileiro pela oportunidade de estudar em uma universidade pública, que, infelizmente, ainda não é um lugar aberto a ele. Agradeço a meus pais, que lutaram para permitir que concluísse a minha graduação. Aos queridos companheiros de militância no ME de Lavras, que compartilharam boa parte de minha vida. A minha companheira Nathália, de quem gosto e admiro muito, que sempre esteve junto comigo de uma maneira muito especial, dividindo angústias, raivas e alegrias em vários momentos. Aos queridos companheiros e as queridas companheiras do apartamento 106, por proporcionar um ambiente de moradia muito amigo, camarada, baseado em novos valores. Por fim, agradeço ao meu orientador Luis Antônio pela oportunidade de compartilhar este trabalho. OBRIGADO!

6 RESUMO O desenvolvimento econômico brasileiro possui características estruturais que foram consolidadas ao longo da história de sua formação econômica desde a época de colônia, chamadas de heterogeneidade estrutural. O Brasil foi desenvolvido na economia mundial como produtor primárioexportador. Esse caráter se faz presente ainda nos dias de hoje. O país projeta-se internacionalmente pelo fato de ser um grande exportador de commodities e pelo grande potencial de biodiversidade a ser explorado. Diante do impasse atual gerado pela degradação ambiental por parte do sistema capitalista, especialmente no século XX, torna-se presente a necessidade de fontes alternativas de geração de energia e de uma mudança no paradigma do crescimento econômico global. No Brasil as medidas giram entorno da produção do etanol, do biodiesel e da geração de energia elétrica a partir da biomassa oriunda da cana-de-açúcar, principalmente, fato que tem grandes implicações ambientais e sociais. Entender o conceito de desenvolvimento sustentável é importante para compreender a proposta do capitalismo verde, cuja principal medida é o comércio de carbono. As propostas advindas do mercado mundial de carbono, materializadas principalmente pelos mecanismos REDD e MDL, possuem um campo aberto no país como possibilidades de um desenvolvimento limpo da economia e são objeto de forte especulação financeira. O mecanismo do comércio de carbono não se mostra eficiente em seu objetivo de reduzir as emissões de carbono na atmosfera, fato que coloca em cheque as medidas do capitalismo verde. Palavras chave: Desenvolvimento brasileiro. Energia. Comércio de carbono. Desenvolvimento sustentável.

7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos MÉTODO DE ELABORAÇÃO DO TRABALHO FORMAÇÃO ECONÔMICA BRASILEIRA Contextualização histórica Descoberta e princípios da colonização O desenvolvimento da colônia Capitalismo Industrial e a nova era A Pequena propriedade A indústria Imperialismo O desenvolvimento industrial no século XX OS DILEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO Bases da economia hoje Questão energética hoje A produção e consumo energético no mundo A questão energética no Brasil ARMADILHAS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CAPITALISMO VERDE Comércio de Carbono e o contexto de MDL e REDD CONSIDERAÇÕES FINAIS BIBLIOGRAFIA:... 74

8 7 1 INTRODUÇÃO Atualmente, para analisar corretamente as possibilidades de desenvolvimento sustentável no Brasil, é preciso conhecer o histórico de sua formação econômica. Não apenas em números abstratos, mas é necessário que se avalie a raiz das principais características das atividades brasileiras ainda hoje se fazem sentir na estruturação da economia. O Brasil é fruto de um desenvolvimento histórico de contradições de todos os tipos, mas sempre com um lastro na economia. A formação econômica do país influenciou a formação cultural, étnica e a política da sociedade. O desenvolvimento não se confunde com crescimento econômico, que constitui apenas a sua condição necessária, porém não suficiente (SACHS, 2004). Dentro dessa perspectiva, é importante que a análise das premissas do chamado desenvolvimento sustentável esteja dentro da dinâmica atual da economia, tanto internamente quanto do ponto de vista global. Isso é necessário para que a se compreenda os eixos estruturantes da economia, sejam eles ambientais, sociais econômicos e/ou políticos. No mesmo sentido, o modo como está alicerçada a produção de energia nos dias atuais e os seus prognósticos para o futuro alimentar são determinantes para o desenvolvimento do país. A produção de energia é o coração da economia e deve estar estruturada estrategicamente dentro de uma matriz energética. Além disso, faz-se necessário entender realmente o que é o desenvolvimento sustentável e quais são os objetivos desse paradigma na economia global. Por fim, toda a gama de complexos elementos que envolvem as medidas de mitigação do aquecimento global, (conhecidas como capitalismo verde) deve ser bem compreendida, pois os seus reflexos serão gigantescos para o Brasil.

9 8 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Analisar e problematizar o modelo de desenvolvimento brasileiro e sua perspectiva sustentável. 2.2 Objetivos específicos 1. Resgatar e caracterizar a história econômica brasileira até o período atual; 2. Caracterizar a estrutura econômica brasileira, a matriz energética mundial e do Brasil; 3. Analisar o conceito de desenvolvimento sustentável; 4. Analisar as medidas do capitalismo verde.

10 9 3 MÉTODO DE ELABORAÇÃO DO TRABALHO Este trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica qualitativa sobre o tema. Foram objetos de pesquisa documentos acadêmicos, textos e cartilhas produzidas por organizações populares e não-governamentais e documentos elaborados por órgãos governamentais oficiais. A pesquisa qualitativa é um método relativamente recente e surgiu a partir da Antropologia e da Sociologia. O seu foco é mais amplo do que é adotado nos métodos quantitativos. Na pesquisa qualitativa o pesquisador busca a compreensão e interpretação dos fenômenos segundo a situação estudada (NEVES, 1996). A pesquisa documental analisa materiais que não foram submetidos a um exame analítico ou, ainda, que possam ser objetos de uma nova apreciação a partir de outra ótica (GODOY, 1995). Dessa forma, a pesquisa qualitativa permitiu analisar o estado da arte e formular uma ideia nova sobre o tema.

11 10 4 FORMAÇÃO ECONÔMICA BRASILEIRA Este estudo partiu da chegada dos portugueses ao Brasil, embora seja deselegante não tratar da história indígena no país. No entanto, para os objetivos deste trabalho não é determinante abordá-la. A história econômica do país sempre esteve atrelada à história econômica mundial, ao começar pela chegada dos portugueses no ano de Para compreender corretamente esse momento histórico, é importante tratar dos principais acontecimentos à época. 4.1 Contextualização histórica Descoberta e princípios da colonização Um dos grandes marcos do século XV foi o grande desenvolvimento da navegação marítima que permitiu ligar pelo mar os dois pólos de comércio europeu. Naquele novo cenário mundial que se configurou, as potências que se destacaram foram Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda. As rotas comerciais marítimas foram empreendimentos que possibilitaram altos lucros e que atraíram as potências da época (PRADO-JÚNIOR, 1993). Pode-se afirmar que naquele momento histórico o que interessava mais era a possibilidade de tráfico das terras longínquas dos povos europeus. A descoberta da América ocorreu nesse contexto. Não havia a ideia de povoamento dos novos territórios, mas sim a possibilidade de se comercializar os produtos ali encontrados. Até mesmo porque a população da Europa ainda não havia se recuperado do arraso que a peste negra causou no contingente populacional. No caso da colônia brasileira, o território era habitado por tribos indígenas de nível cultural muito inferior aos habitantes encontrados na América espanhola. Os povos da meseta mexicana e do altiplano andino já possuíam ouro acumulado, fato que assanhou os espanhóis em sua procura, enquanto que nas

12 11 terras em que chegaram os portugueses não existia nenhuma civilização desse tipo. Segundo Furtado (1969), o início da ocupação econômica do território brasileiro é em boa medida uma consequência da pressão política exercida sobre Portugal e Espanha pelas demais nações europeias. Diante disso, a ocupação econômica foi feita a partir da extração de produtos naturais. Neste sentido é que se começou o comércio de pele com os índios e, com maior importância, a extração do pau-brasil da costa do novo território lusitano, cuja decadência da exploração foi rápida. Ainda sobre efeitos de pressão sofrida pelos outros países, principalmente pela França, no terceiro decênio do século XVI, Portugal iniciou uma política de ocupação efetiva do território no Novo Mundo através dos sistemas de capitanias para se iniciasse a produção da cana-de-açúcar. Este fato foi de extrema importância para o mercado capitalista mundial na época, como retrata Furtado (1969): Das medidas políticas que então foram tomadas resultou o início da exploração agrícola das terras brasileiras, acontecimento de enorme importância na história americana. De simples empresa espoliativa e extrativa idêntica à que na mesma época estava sendo empreendida na costa da África e nas Índias Orientais a América passa a constituir parte integrante da economia reprodutiva europeia, cuja técnica e capitais nela se aplicam para criar de forma permanente um fluxo de bens destinados ao mercado europeu. Por outro lado, a cultura da cana-de-açúcar só era viável economicamente a grandes plantações baseadas na monocultura ou plantations. E é este tipo de empresa que se instala na colônia: grandes propriedades de terras distribuídas no litoral, onde se encontrava as terras férteis após a derrubada da mata, onde se utilizava da mão-de-obra escrava 1. Ou seja, a agricultura 1 É importante sublinhar aqui que a atividade do tráfico de escravos africanos se constitui

13 12 desenvolvida nas colônias tropicais tinha como único objetivo a exportação de gêneros comerciais altamente lucrativos no mercado mundial. O sistema adotado para tanto, não permitia uma exploração diversificada e de alto nível técnico (ANDRADE, 1982; PRADO-JÚNIOR, 1993;). O contraste da lavoura de açúcar com a produção de artigos para subsistência era muito grande. O abastecimento da população que residia no Brasil colônia, principalmente nos núcleos de povoamento mais denso, apresentou problemas graves, inclusive de insuficiência alimentar. Este fato demonstra o grande interesse dos colonizadores em apenas extrair a riqueza da maneira mais simples e barata do Brasil. É apenas a partir desse tipo de atividade que se via perspectiva de uma alta retribuição do trabalho de colonização do território lusitano na América (SODRÉ, 1968). Essa maneira de conceber a colônia brasileira por parte da metrópole foi latente durante praticamente todo o período de colonização. À medida que a população colonial crescia e demandava outras iniciativas econômicas, Portugal programou com maior rigor a sua política de restrições econômicas. Nesse sentido, procurava impedir que se produzissem gêneros que fizessem concorrência à sua produção Nacional (meados do séc. XVII). A essas restrições se somavam também o regime de monopólios comerciais. O objetivo, então, daquela nova política econômica era maximizar a exploração e o aproveitamento da colônia em benefício do Reino, compensando a perda do comércio do setor oriental para os holandeses, ingleses e franceses (ALENCAR; CARPI; RIBEIRO, 1996; PRADO-JÚNIOR, 1993; SODRÉ, 1968). Por outro lado, a produção de açúcar no Brasil começou a entrar em decadência na primeira metade do século XVII com a concorrência da produção em outras colônias, principalmente nas Antilhas. Na colônia portuguesa a produção do açúcar ainda era feita nos mesmos princípios e moldes tecnológicos em um notável mercado, gerando vultosos lucros para os traficantes até o século XIX.

14 13 arcaicos (baseados no desperdício e no esgotamento do solo), fato que comprometera fortemente a competitividade no comércio mundial do açúcar (LACERDA, 2008; SODRÉ, 1968; ANDRADE, 1968; ALENCAR; CARPI; RIBEIRO, 1996). 4.2 O desenvolvimento da colônia A situação de Portugal após a recuperação de sua independência do domínio espanhol, na segunda metade do século XVII, era extremamente débil. Para retornar ao cenário como potência colonial teve que se submeter à Inglaterra por meio de acordos que concediam enormes privilégios aos comerciantes ingleses e concessões econômicas ao país em troca de garantia de sobrevivência (por meio de proteção militar dos ingleses). Logo em seguida, ocorreu na colônia a descoberta dos aluviões auríferos de Minas Gerais. Naquela época, o pouco conhecimento da arte da mineração era compensado pela riqueza do jazimento e facilidade de extração do metal, liberado e grosseiro (SILVA, 1995). O período de exploração de metais preciosos (inclusive a exploração de diamantes), chamado de Ciclo do Ouro foi importante para a ocupação do interior da colônia, mas teve característica marcante de uma exploração predatória e inconsequente para o meio ambiente. A tecnologia empregada para a mineração dos metais era bastante rudimentar e se baseava nos depósitos de aluviões nos leitos de rios, que se esgotaram rapidamente. Não houve nenhuma preocupação por parte da Coroa em empregar melhores técnicas de exploração. A técnica utilizada foi baseada no conhecimento tribal dos escravos utilizados na atividade, fato que aumentou o preço da mão-de-obra escrava e alimentou um novo surto do tráfico de escravos (SODRÉ, 1968) Do ponto de vista econômico, o ciclo do ouro foi extremamente

15 14 importante para a Europa: [...] o ciclo do ouro brasileiro trouxe um forte estímulo ao desenvolvimento manufatureiro, uma grande estabilidade à sua capacidade para importar, e permitiu uma concentração de reservas que fizeram do sistema bancário inglês o principal centro financeiro da Europa. A Portugal, entretanto, a economia do ouro proporcionou apenas uma aparência de riqueza (FURTADO, 1969). Nas últimas décadas do século XVIII a decadência da mineração do ouro estava em curso. No entanto, a exploração já tinha cumprido o seu principal papel: A Inglaterra já havia, sem embargo, entrado em plena revolução industrial (FURTADO, 1969). Com a decadência da atividade econômica da mineração, a produção colonial se voltou novamente para a agricultura, embora a primeira metade do séc. XVIII tenha sido um período de intensas dificuldades da atividade. Com a Revolução Industrial o capitalismo entra numa nova fase em que a primeira necessidade é a ampliação de mercados para os produtos manufaturados. Desta forma era necessário dar um fim nas ataduras mercantilistas. Naquela nova situação histórica, Portugal, que já se encontrava distante da potência que havia sido no século XVI, foi mais fragilizada ainda com o fim dos acordos alfandegários com França e Inglaterra. Por outro lado, o florescimento da indústria têxtil nas últimas décadas do século XVIII possibilitou uma nova alta na produção agrícola brasileira. A grande demanda da fibra de algodão para alimentar as fábricas da época atraiu os olhos dos produtores da colônia portuguesa e passou a ser um dos principais produtos exportados. Prado-Júnior (1993) faz uma importante observação sobre este fato: verifica-se aí, mais uma vez, o papel que representa na economia brasileira a função exportadora: é ela o fator único determinante de qualquer atividade econômica de vulto. Sem avanços tecnológicos que permitissem

16 15 produzir o algodão e agregar valor antes de sua exportação, a produção brasileira é duramente afetada pela concorrência internacional, principalmente nas primeiras décadas do séc. XIX. O açúcar também voltou à cena juntamente com o surto da lavoura algodoeira e desenvolveu-se principalmente no interior de São Paulo. Este artigo foi importantíssimo para a prosperidade da velha capitania de São Vicente. Ainda no fim da o século XVIII, outros gêneros da agricultura ganharam destaque, como o arroz e o café, mas com um papel secundário na economia. Contudo, é importante considerar que o desenvolvimento da agricultura no período que temos em vista, embora bastante considerável, é muito mais quantitativo que qualitativo. [...] No terreno do aperfeiçoamento técnico o progresso da agricultura brasileira é naquele período praticamente nulo (PRADO-JÚNIOR, 1993). A implicação deste modelo de desenvolvimento econômico foi arrasador para o meio ambiente. Ainda se utilizava da queimada para o estabelecimento de novas áreas de cultura, não se buscava uma maneira de conservação do solo ou de contornar o problema do seu esgotamento, que não fosse a derrubada de áreas florestadas. A produção do açúcar demandava uso intensivo de lenha, cujas fontes foram as matas próximas a propriedade. Não se utilizavam técnicas simples como a utilização do próprio bagaço da cana como combustível, prática comum nos outros lugares produtores de açúcar (FURTADO, 1969, PRADO- JÚNIOR, 1993; SODRÉ, 1968). O sistema de monocultura e a maneira como eram encaradas as terras coloniais convergiram para uma grande exacerbação da exploração dos recursos naturais. Esse espírito devorador de riquezas foi a raiz da economia colonial brasileira e ainda é presente nos tempos atuais (na verdade é constante no desenvolvimento do capitalismo).

17 16 Foi também neste espírito que se desenvolveu a pecuária na região sul do território colonial, favorecida pela forragem natural proporcionada pelos pampas. Cabe ressaltar aqui, que as empresas estrangeiras foram responsáveis por desenvolver a indústria de carne congelada na região sul. 4.3 Capitalismo Industrial e a nova era A nova situação mundial deflagrada com a Revolução Industrial no fim do século XVIII significou o fim dos monopólios comerciais. Ou seja, para que o capital industrial pudesse se desenvolver era necessário destruir as bases em que se assentava o capitalismo comercial. Nesse sentido, os impérios coloniais ibéricos se achavam profundamente comprometidos. Estes, em uma situação decadente, já não eram mais capazes de manterem as amarras sobre as suas colônias. No caso do Brasil, Portugal era um verdadeiro chupim que precisava ser eliminado para que pudesse se desenvolver. Os gastos que representavam a Coroa para o Brasil, puderam ser empregados no desenvolvimento (considerável) de suas forças produtivas, após a independência brasileira. No entanto, este progresso foi financiado pela Inglaterra. Ou seja, o Brasil não conseguira se livrar da dependência econômica externa. Esta foi a tônica do seu desenvolvimento. A influência da Inglaterra foi constante até a Primeira Grande Guerra. Outro acontecimento que tem grande interferência daquele país foi o fim da escravidão no Brasil. Para que o capitalismo industrial pudesse se desenvolver plenamente, precisava ampliar seus mercados consumidores. Desta forma, a mão-de-obra escrava era um verdadeiro empecilho. Isso fez com que os ingleses pressionassem o Brasil para que acabasse com o tráfico de negros e

18 17 deflagrassem uma caça aos navios negreiros em alto mar 2. Essa atitude enfrenta grande resistência pela elite agrária do país. Mas como a Inglaterra estava decidida a acabar com essa prática e o Brasil não tinha como a enfrentá-la, inclusive militarmente, cede e proíbe o tráfico (inclusive com adoção de medidas de repressão efetivas e, posteriormente, declara o fim da escravidão) (ANDRADE, 1982; FURTADO, 1968; PRADO-JÚNIOR, 1993; SODRÉ, 1969). Do ponto de vista da economia, segundo Prado-Júnior (1993), o combate ao tráfico negreiro permitiu ao país conhecer pela primeira vez, um destes períodos financeiros áureos de grande movimento de negócios, pois parte considerável do montante destinado ao tráfico é investida em iniciativas econômicas. Na agricultura, por outro lado, apareceu um novo produto a partir da segunda metade do século XIX, que passou a ser o carro chefe da economia: o café. A exportação do café foi responsável por um novo crescimento brasileiro. A expansão do mercado mundial para esse artigo foi um prato cheio para os produtores rurais (ANDRADE, 1982). Novamente o Brasil ocupa a função primário-exportadora. O café era vendido com baixo valor agregado. Somente se conseguiu sustentar a sua produção através do avanço da fronteira agrícola. Os solos férteis das matas recém-derrubadas, principalmente na região do vale do Paraíba, foram os responsáveis por proporcionar este novo momento próspero do Brasil. Para contornar o problema da mão-de-obra escrava, introduziu-se o trabalhador europeu. Nos custos finais, a força de trabalho assalariada saía mais barata que a escrava. Esta corrente migratória foi intensamente responsável pelo sucesso da lavoura cafeeira e do avanço na ocupação do território brasileiro. 2 Os ingleses deflagram o combate à mão-de-obra escrava por todo o mundo, não somente no Brasil.

19 18 Com o advento da República instaurada no país, conseguiu-se romper as amarras extremamente conservadoras do Império e dar uma nova dinâmica para a vida econômica do Brasil. Este novo sistema abre as portas para a finança internacional que participara ativamente daqueles novos ares. Instalaram-se no Brasil diversos bancos estrangeiros (principalmente ingleses, franceses, alemães e norte-americanos). Segundo Prado-Júnior (1993), a ação progressiva dos interesses financeiros internacionais alastram-se e se infiltram ativamente em todos os setores fundamentais da economia brasileira, até colocá-la inteiramente a seu serviço. A produção cafeeira, em particular, a grande atividade econômica do país, será naturalmente logo atingida. [ ] Tudo isto trará, é natural, um grande estímulo às atividades do Brasil, pois põe a serviço delas os amplos recursos e a larga experiência da finança internacional. Os empréstimos públicos, feitos tanto pelo governo federal quanto pelos estados da República, tornaram-se a tônica para se cumprir os compromissos econômicos. Isso foi responsável pelo grande aumento da dívida externa do Brasil em 1930 alcançou a cifra de 250 milhões de libras esterlinas (PRADO- JÚNIOR, 1993). Sobre a situação em que o Brasil se encontrava, Prado-Júnior (1993) afirma que: Mas ao mesmo tempo em que se ampliavam as forças produtivas do país e se reforçava o seu sistema econômico, acentuavam-se os fatores que lhe comprometiam a estabilidade. A concentração cada vez maior das atividades na produção de uns poucos gêneros exportáveis, e a estruturação de toda a vida do país sobre base tão precária e dependente das reações longínquas de mercados internacionais fora do seu alcance, tornavam aquele sistema essencialmente frágil e vulnerável. E paradoxalmente, cada passo no sentido de ampliá-lo mais o comprometia porque o tornava mais dependente. Os efeitos desta contradição logo serão sentidos: no auge da prosperidade começarão a abater-se sobre o Brasil as primeiras crises e desastres graves que comprometerão

20 19 irremediavelmente o futuro da sua organização econômica. No caso do café, já se principiam a sentir perturbações sérias desde os primeiros anos do século [XX], se não antes: superprodução, queda dos preços, dificuldade de escoamento normal da produção. Mais grave será a crise da borracha, que depois de 1910 começa a ser excluída dos mercados internacionais pelo Oriente. Em menor escala se passará coisa semelhante com o cacau; e a vida econômica do Brasil, apoiada na exportação destes gêneros, entra numa crise que a levaria até o desastre final. A extrema produção brasileira voltada para a exportação fazia com que o país importasse enormes quantidades de artigos. Isso, aliado a balança de pagamento das dívidas externas, agiu como fator de desequilíbrio das finanças brasileiras. Por outro lado, o crônico déficit da balança das finanças externas servira como estímulo à indústria de manufaturas. Na virada do século XIX para o XX, o Brasil enfrentou uma das suas piores crises, oriundas da superprodução, fato responsável pelo aumento do domínio econômico dos agentes financeiros externos sobre a economia brasileira, como forma de contornar a conjuntura. No entanto, isto não significou uma mudança estrutural da economia. O país continuou essencialmente produtor de uns poucos gêneros de grande expressão no comércio internacional, baseando-se na grande propriedade de terra e exploração fundiária predatória sobre os recursos naturais (ANDRADE, 1982; FURTADO, 1968; PRADO- JÚNIOR, 1993). Assim, o início do século XX foi marcado por um período próspero da produção agrícola (açúcar, café, cacau), marcada pelo surto econômico mundial após o fim da Primeira Guerra Mundial. A produção de borracha passou por um ciclo mais curto e não chegou a vivenciar este período áureo do pós-guerra. A forma de exploração baseada no extrativismo predatório e arcaico fez com que a produção se tornasse inviável frente à concorrência mundial. A exploração foi feita sem o menor cuidado com o manejo das seringueiras utilizadas para a extração do látex, levando ao rápido esgotamento de áreas produtoras.

21 A Pequena propriedade A pequena propriedade surgiu em um ritmo e importância maior com as crises sucessivas que o café passou (fim do século XIX e início do XX, sobretudo depois de 1930). As grandes propriedades cujas terras já se encontravam exauridas e os proprietários sofriam com a superprodução, foram retalhadas e deram origem às pequenas propriedades, principalmente no interior de São Paulo. Já na região sul do país, o sistema de colonização baseado principalmente na imigração, também se originou ali pequenas propriedades, já que não sofriam concorrência com os produtos tropicais plantados em sistema de monoculturas. A produção realizada nas pequenas propriedades visava principalmente o abastecimento dos grandes aglomerados urbanos e industriais, uma vez que os artigos produzidos (verduras, frutas, flores, aves e ovos) não eram compatíveis com os padrões da grande propriedade extensiva e baseada na monocultura. Nesse tipo de sistema a relação com os recursos naturais é diferente: há uma busca de equilíbrio entre a produção e a natureza. A terra é o principal meio de sustento da família que reside na pequena propriedade, portanto, preservá-la também significava preservar o seu sustento (PRADO-JÚNIOR, 1993;). Ou seja, a pequena propriedade foi, aos poucos, ocupando o papel que cabia à importação. O crescimento da população brasileira implicou no aumento da demanda por gêneros alimentícios que a grande propriedade não se propunha a produzir e não poderiam simplesmente ser importados, devido ao seu alto volume. Apesar de seu papel estratégico, a economia camponesa ficou ao desamparo, sem uma política que permitisse o seu desenvolvimento, o que escamoteou a sua importância para o país até os dias atuais.

22 A indústria A produção industrial no Brasil ganhou maior importância nas últimas décadas do século XIX, quando a indústria têxtil se desenvolvia. A matériaprima abundante no país (algodão) e a mão-de-obra barata deram uma arrancada forte na industrialização do país. No entanto, a primeira Grande Guerra será o fator fundamental para o desenvolvimento da indústria. A necessidade de produzir manufaturas, que não poderiam ser mais importadas durante o conflito, e a forte queda do câmbio foram os principais incentivadores econômicos causados pela guerra (PRADO-JÚNIOR, 1993). Contudo, o maquinário empregado nas fábricas não era produzido no Brasil, mas importado de países desenvolvidos. Este fato, juntamente com as dificuldades oriundas da desvalorização da moeda devido à importação, conferia ao parque industrial brasileiro a característica de um baixo nível tecnológico e de baixo rendimento. Após a I Guerra Mundial as indústrias transnacionais se multiplicaram no Brasil, com destaque para os ramos de produção de veículos motores, produtos farmacêuticos e químicos, aparelhamento elétrico e alimentação. Da mesma forma, a guerra foi responsável também por impulsionar a exploração industrial do minério de ferro no país. Instala-se a primeira empresa de capital estrangeiro no setor: a Belgo-Mineira. A produção cresce, utilizando o carvão oriundo de florestas nativas. A produção siderúrgica será um dos principais fatores de dizimação das florestas mineiras (PRADO-JÚNIOR, 1993; FERNANDES, 1975). 4.6 Imperialismo O capital financeiro internacional entrou com dois alvos principais no

23 22 Brasil: a produção agrícola do café, que era presa fácil para a especulação, e os empreendimentos industriais. Isso foi a porta perfeita para que as grandes empresas transnacionais ocupassem os setores estratégicos da economia. Estava inaugurada a época do imperialismo no século XX. O imperialismo trouxe graves consequências para o Brasil. Primeiro atua como um poderoso fator de exploração da riqueza nacional de maneira muito intensa. Segundo, a produção econômica passa a atender prioritariamente interesses internacionais, deixando em segundo plano o desenvolvimento das próprias forças do país (ALENCAR; CAPRI; RIBEIRO, 1996). Outro fator negativo que a ação do capital estrangeiro traz é a instabilização das finanças internacionais, cujas flutuações do nosso mercado financeiro resultam em geral não de conjunturas internas e próprias da economia nacional, mas de situações inteiramente estranhas (PRADO-JÚNIOR, 1993). Embora o imperialismo trouxesse sérios malefícios, proporcionou o impulso das atividades industriais que deram base para o desenvolvimento industrial capitalista no Brasil (ALENCAR; CAPRI; RIBEIRO, 1996). 4.7 O desenvolvimento industrial no século XX A crise mundial instalada em 1929 atinge em cheio o país. O principal setor da economia (o cafeeiro) sofre bruscamente. A produção se volta, então, para a exportação de minérios. Porém, na sua forma bruta, como foi exportada, não gerou grandes dividendos para o país, mas um grande passivo em suas jazidas. Outro setor que foi atingido foi o capital estrangeiro, fato que gera grande ônus para a economia brasileira. Novamente o mundo entrava em guerra. A II Grande Guerra impôs restrições mais drásticas à importação de manufaturas. À indústria nacional coube, então, a tarefa de produzir os artigos que eram importados. Mas naquele

24 23 momento o mercado nacional era maior e já existia uma base industrial mais elevada. Sobre o impacto dessa nova ordem mundial no segundo pós-guerra para os países latinoamericanos, Fernandes (1975) afirma: O novo padrão de imperialismo é, em si mesmo, destrutivo para o desenvolvimento dos países latinoamericanos. A razão é facilmente compreensível. Não possuindo condições necessárias para um crescimento auto-sustentado, para a integração nacional da economia e para uma rápida industrialização, os países capitalistas da América Latina estavam tentando explorar uma espécie de miniatura do modelo europeu de revolução burguesa, através de expedientes improvisados e oportunistas. [...]. A erupção do moderno imperialismo iniciou-se suavemente, através de empresas corporativas norte-americanas ou europeias, que pareciam corresponder aos padrões ou às aspirações de crescimento nacional autossustentado, conscientemente almejado pelas burguesias latino-americanas e suas elites no poder ou pelos governos. Por isso elas foram saudadas como uma contribuição efetiva para o desarrolismo ou desenvolvimentismo, recebendo um apoio econômico e político irracional. Assim que elas se tornaram um pólo econômico ativo das economias latinoamericanas, revelaram sua natureza, como uma influência estrutural e dinâmica interna e como um processo históricoeconômico. As empresas anteriores, moldadas para um mercado competitivo restrito, foram absorvidas ou destruídas, as estruturas econômicas existentes foram adaptadas às dimensões e às funções das empresas corporativas, as bases para o crescimento econômico autônomo e a integração nacional da economia, conquistadas tão arduamente, foram postas a serviço dessas empresas e dos seus poderosos interesses privados. Naquela conjuntura, o capital industrial toma o centro do palco. Com isso, há uma nova classe dominante que contrasta com a antiga elite agrária, fato que se iniciou na revolução de 1930 e consolidou-se com a instalação das grandes empresas internacionais no país, em meados do século XX (FERNANDES, 1975; 2006). O momento pelo qual o país se encontrava permitiu dois cenários. O

25 24 primeiro era de marchar no sentido de uma remodelação profunda e de base da economia brasileira, única maneira de assegurar um desenvolvimento sólido e de reais perspectivas (PRADO-JÚNIOR, 1993). Contudo, preferiu-se o segundo cenário que se baseava em [...] assentar o projeto de desenvolvimento industrial nos fundamentos precários de uma conjuntura apenas momentaneamente favorável e prenhe de incertezas. [...] A administração federal se louvou, quase exclusivamente, nos estímulos imediatistas e nas diretrizes da iniciativa privada do mundo dos negócios, limitando-se a presidir a uma liberal, generosa e não raro venal e corrupta distribuição de licenças prévias para importação daqueles artigos que momentaneamente oferecessem aos felizes beneficiários maiores expectativas de fáceis lucros imediatos e, em boa parte, quase puramente especulativos (PRADO-JÚNIOR, 1993). A decisão do governo foi importante para o início mais direcionado da industrialização. No entanto, a política desenvolvida se limitou ao horizonte conjuntural e não estrutural, fato que mostraria seus reflexos na crise de 1952, onde se alcançou déficits recordes. Esse modelo de industrialização fora a tônica no desenvolvimento brasileiro, incluindo a política adotada no período de ditadura civil militar. Outro setor que sofreu grande avanço foi a agropecuária. A chamada revolução verde também se desenvolveu nos marcos da dependência externa. Os pacotes tecnológicos vindo dos EUA buscavam dar um fim ao lixo da guerra e aqui foram muito bem adaptados para o desenvolvimento do capitalismo no campo (tanques viraram tratores, venenos foram aproveitados como agrotóxicos etc.). Este tipo de desenvolvimento na agricultura provocou graves consequências, como o intenso êxodo rural para as grandes cidades, a perca de soberania alimentar, o abandono de uma política de reforma agrária e reforço do papel brasileiro de exportador primário no mercado mundial.

26 25 Já no final do século, o Brasil enfrentou um quadro de instabilidade profunda, fato que colaborou para a estagnação tecnológica do parque industrial nacional. Diante disso, para dinamizar a economia do país, o governo brasileiro expandiu a abertura econômica para o mercado mundial, principalmente para o setor financeiro. Nesse período ocorre, então, uma reestruturação produtiva e a privatização de diversas empresas estatais de setores estratégicos. Isso contribuiu, decisivamente, para que se aprofundasse a dependência exterior da economia. De maneira geral, o desenvolvimento industrial no país no século XX ocorreu, em sua essência, através de uma indústria de bens de consumo duráveis e substituta de importações, sem infraestrutura apreciável e dependente do exterior em relação ao fornecimento de seus principais insumos. Estabeleceu, também, alta dependência externa de tecnologia industrial. O setor moderno da indústria localizado no Brasil esteve atrelado a empresas multinacionais que buscaram, no país, vantagens para sua produção, desde aos incentivos fiscais, mão-de-obra barata, clima tropical até a elaboração de medidas legislativas menos rigorosas. Também se encontrava no Brasil um governo disposto a receber os grandes impactos ambientais de indústrias com alto potencial poluidor que outros países já não estavam dispostos a tolerar. Esse projeto recebeu o nome de II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND). Como resultado de sua implantação, houve uma forte expansão industrial, especialmente de indústrias do complexo metalúrgico e químico/petroquímico, sem a devida atenção à poluição gerada (LUSTOSA; CÁNEPA; YOUNG, 2003).

27 26 5 OS DILEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO Como consequência da formação econômica brasileira, a economia hoje apresenta características estruturantes, principalmente em relação à concentração de renda, a especialização econômica na produção de commodities e a maciça presença de corporações transnacionais. É importante que se entenda como a economia do país se desenvolve para se analisar a perspectiva de um desenvolvimento sustentável. 5.1 Bases da economia atual A economia atual do Brasil não apresenta muitas diferenças estruturais do que foi no passado. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPEA (2011a), a economia brasileira, assim como a de outros países da América Latina, é marcada por uma heterogeneidade estrutural (HE). O conceito de HE é utilizado para a descrição e a especificação conceitual da complexa realidade econômica e sociopolítica que se diferencia das sociedades homogeneamente estruturadas dos países desenvolvidos. Sua manifestação pode ser constatada na estrutura produtiva, no nível produtivo, na produtividade, na distribuição de renda, no consumo, na distribuição de poder etc. (IPEA, 2011a). A formação política e econômica do Brasil erigiu bases estruturais que impedem (ainda hoje) a distribuição da riqueza ou do desenvolvimento pleno. Isso ocorre porque os setores mais dinâmicos e modernos da estrutura econômica brasileira são pertencentes, praticamente todos, ao capital transnacional. São eles que detêm a capacidade financeira de implementar as tecnologias necessárias a ampliação e modernização da estrutura produtiva. Este

28 27 fato contribui para que aumentasse cada vez mais o fosso econômico entre os mais produtivos e os menos produtivos. Isto pode ser observado em todos os setores da economia: agropecuário, industrial ou de serviços. A heterogeneidade estrutural está umbilicalmente ligada ao fenômeno de centralização e concentração do Capital. Este fato é responsável, também, pela união dos processos produtivos. Assim, originam-se grupos de empresas de grande porte que dominam a produção completa da cadeia produtiva e, muitas vezes, até o capital financeiro necessário para a produção (ex.: grupo Votorantim). Como consequência do modelo de desenvolvimento adotado desde a ditadura militar, que preparou a estrutura jurídica e institucional para a captação de recursos externos, o Brasil foi lançado na órbita do capital financeiro internacional de maneira subordinada e dependente. Com isso, tentava-se atrair ao máximo o fluxo monetário ao mesmo tempo em que se reintegrava parte dele no movimento internacional de capitais, tendo como rampa as matérias-primas e fontes de energia, como petróleo, ferro e gás (CAMPANHA JUSTIÇA NOS TRILHOS et al, 2009). Do ponto de vista da economia mundial, o Brasil, hoje tem papel de destaque tanto pela sua situação geopolítica quanto pela sua capacidade produtiva ligada aos recursos naturais. As medidas do governo brasileiro na década de 2000 tiveram um grande eixo econômico traçado pela Política de Desenvolvimento Produtivo [...], [que] implica na elevação da escala de produção de minérios, produtos siderúrgicos, celulose, soja, cana-de-açúcar, gado etc. (GOMES, 2009). Essas medidas projetaram ainda mais o país e as suas grandes empresas transnacionais no cenário internacional. Vale, Petrobrás, Camargo Corrêa, Odebrecht, entre outras, foram beneficiadas por uma política polêmica do governo federal que permitiu aumentarem seus negócios, seu capital e, principalmente, agir em outros países. Esta política controversa na

29 28 sociedade foi responsável, por um lado, pela bom crescimento da economia, investimento em infraestrutura no país e de aumento da renda dos trabalhadores. Por outro, aumentou a concentração de renda no país e avançou sobre os recursos naturais. Mega obras como a transposição do Rio São Francisco, a instalação do projeto IIRSA 3, no qual estão previstas as usinas de energia Jirau e Belo Monte, dentre outras, que passam por um grande impasse na sociedade, são frutos dessa política. No entanto, essa política de desenvolvimento não fez o país sair da dependência de exportação de commodities, sejam elas agrícolas, florestais ou do setor de mineração. Pelo contrário, esse fato torna o país muito vulnerável à dinâmica do comércio exterior. Na década de 2000 as exportações brasileiras tiveram um grande aumento em valor monetário, devido principalmente a elevação do preço desse tipo de mercadoria fruto, principalmente, da especulação financeira. A China, grande consumidora de commodities, se tornou a principal parceira econômica do Brasil, como pode ser visto na Tabela 1. Ou seja, torna suas exportações dependentes da expansão econômica de outros países como a China. Esses mercados absorvem praticamente apenas os produtos de baixo valor agregado produzido pelo país. Isso pode ser visto logo após a crise de 2008, quando as exportações de alto valor agregado sofreram grande abalo, ao contrário da exportação de commodities. Isso acaba por reforçar o movimento de primarização da pauta exportadora brasileira (CASTILHO, 2011). 3 Para conhecer melhor o projeto Integración de la Infraestructura Regional Sudamericana IIRSA, ver Ceceña, Aguilar e Motto (2007).

30 29 Tabela 1 Evolução da distribuição geográfica das exportações brasileiras ( anos selecionados). Países/período 1990/ / / / / (1º semestre) Mercosul 5,8 14,5 12,7 10,2 11,1 10,3 10,9 Argentina 3,4 9,9 10,1 8,6 9,1 8,4 8,8 Uruguai 1,0 1,7 1,2 0,7 0,8 0,9 0,8 Paraguai 1,4 2,8 1,4 0,9 1,2 1,1 1,3 Aladi 7,4 8,1 9,9 12,4 11,5 9,2 9,4 Bolívia 0,7 1,1 0,6 0,5 0,5 0,6 0,6 Colômbia 0,5 1,0 1,0 1,4 1,2 1,2 1,1 Chile 1,9 2,4 2,3 3,0 2,6 1,7 2,0 Peru 0,6 0,8 0,6 1,0 1,1 1,0 1,0 México 2,0 1,3 3,2 3,4 2,4 2,4 1,9 Venezuela 1,1 1,0 1,7 2,3 2,8 22,2 2,0 União Europeia 32,7 27,7 26,7 21,9 23,8 4,0 21,6 Alemanha 6,4 4,6 4,5 4,3 4,6 1,7 4,0 Espanha 2,3 2,0 1,8 1,8 2,2 2,0 2,0 Itália 4,8 3,5 3,6 2,8 2,6 2,6 2,1 França 2,8 2,1 3,0 2,1 2,2 1,9 1,9 América do Norte 26,1 21,8 29, ,6 11,3 11,1 EUA 29,2 22,3 27,2 18,5 14,4 10,2 10 Ásia 17,6 17,2 11,9 15,7 17,8 25,8 27,3 China 1,0 2,5 2,7 6,1 7,7 13,2 15,1 Índia 0,5 0,5 0,5 0,8 0,6 2,2 2,2 Japão 7,9 6,6 4,0 2,9 3,0 2,8 3,2 Ásia Pacífico 7,9 7,0 4,2 5,3 6,0 5,9 5,4 Coréia do Sul 1,9 1,8 1,2 1,5 1,5 1,7 1,6 Oriente Médio 3,5 2,7 3,0 4,0 4,1 4,9 4,7 África 3,3 3,3 3,0 5,3 5,3 5,7 5,3 Total (em US$ milhões) Fonte IPEA (2011a)

31 30 A partir do exposto até agora, pode-se observar que o desenvolvimento capitalista em curso no Brasil ainda é calcado na exploração de suas riquezas naturais. Assim, para saber se é possível um desenvolvimento sustentável realmente é preciso responder a pergunta: qual será o limite desse modelo? 5.2 Questão energética presentemente Para qualquer modelo de desenvolvimento econômico, a questão energética é central. O crescimento da economia deve ser casado com a capacidade de crescimento de suporte energético. O consumo de energia é um dos principais indicadores do desenvolvimento econômico e do nível de qualidade de vida de qualquer sociedade. Ele reflete tanto o ritmo de atividade dos setores industrial, comercial e de serviços, quanto a capacidade da população para adquirir bens e serviços tecnologicamente mais avançados, como automóveis (que demandam combustíveis) eletrodomésticos e eletroeletrônicos (que exigem acesso à rede elétrica e pressionam o consumo de energia elétrica) (Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, 2008). A Figura 1 ilustra a relação da variação do PIB mundial com a variação do consumo de energia (em %). Ou seja, a matriz energética pode ser considerada como o pilar para o crescimento econômico.

32 31 Figura 1 Variação do PIB e variação do consumo de energia no Brasil ( ) Fonte ANEEL (2008) Por outro lado, para assegurar o pleno desenvolvimento e a soberania de uma nação, é importante que a mesma detenha um plano de segurança energética. Para tanto, é necessário que se contemple um conjunto de fatores, tais como: o acesso a serviços energéticos modernos, vínculo entre a energia e a mudança climática, confiabilidade do fornecimento de energia e variabilidade dos preços (LUZ, 2011). Desta forma, o conceito de segurança energética contém implicitamente que se combata a pobreza e as agressões ambientais indevidas. Logo, a estratégia de produção energética de um determinado país deve abranger um espectro de ações que não se limitam apenas a produção de energia em si. Pode-se dizer, então, que a energia não é uma simples mercadoria, mas um direito que permite a autodeterminação dos povos. 5.3 A produção e consumo energético no mundo A demanda de energia mundial segue a orientação do grau de

33 32 desenvolvimento industrial dos países. Também coincide com a participação na emissão de poluentes de cada país no mundo. A Figura 2 permite identificar as principais zonas consumidoras de energia e mostra claramente a divisão nortesul do consumo. Da mesma forma, os países ditos desenvolvidos são os principais responsáveis pela pressão sobre as riquezas naturais na produção de energia. Neles, as fontes não-renováveis são as principais na produção de energia. Para ilustrar o fato, somente o EUA, maiores consumidores de energia, respondem por 21,3% do total mundial, de acordo com o estudo feito pela ANEEL (2008). Figura 2 Consumo de energia per capita em 2007 Fonte ANEEL (2008) Hoje, por outro lado, reconhece-se que há uma grande pressão por aumento da oferta energética no mundo, principalmente pela expansão

34 33 econômica da China e dos chamados países emergentes. Esse movimento de expansão é extremamente necessário para que o sistema capitalista mundial em curso se mostre capaz, sobretudo, como medida de superar os efeitos da grande crise econômica mundial. Caso contrário, a economia mundial entra em contração. A Figura 3 caracteriza a composição da matriz energética mundial. Mais da metade é composta por energias não-renováveis (aproximadamente 66,7% considerando derivados de petróleo, gás natural e carvão mineral). Assim, podese inferir que substituir as fontes de energia sujas por limpas não é uma simples tarefa. 45,0 42,3 40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 16,2 16,0 13,7 10,0 8,4 5,0 3,5 - Derivados Hidrelétricas Gás natural de petróleo Energias renováveis Carvão mineral Outras Figura 3 Matriz energética mundial (composição em %) Fonte International Energy Agency IEA (2007, citado por LUZ, 2011)

35 34 Em relação ao consumo de combustíveis fósseis, Fuser (2010, citado por Movimento dos Atingidos por Barragens MAB, 2011), afirma que todas as previsões indicam que a demanda de energia no mundo deve crescer aproximadamente 40% até Durante esse período o petróleo ainda continuará a ser a principal fonte de energia, seguido do carvão mineral, que tenderá a aumentar sua participação na matriz energética mundial para 29% em Ainda segundo o mesmo autor, os principais responsáveis pelo crescimento do consumo do petróleo são os países em desenvolvimento, chamados de PED s, onde a indústria automotiva está em franca expansão, principalmente na China. Ao contrário do que poderia imaginar o petróleo não está acabando. Existe no subsolo do planeta um volume suficiente para abastecer a economia, com folga, ainda por três ou quatro décadas, caso sejam mantidas as taxas de consumo atuais. O desafio reside em atender aos prerrequisitos técnicos e econômicos para trazer à tona esses recursos a tempo de impedir o tão temido crunch (contração), isto é, o momento em que a oferta será incapaz de atender à demanda, o que provocará um choque nos preços dos combustíveis, causando transtornos econômicos de grandes proporções. Em suma: o petróleo existe, a dificuldade consiste em extraí-lo nos volumes exigidos por um consumo cada vez mais intenso (FUSER, 2010, apud MAB, 2011). Nesse sentido, o autor afirma que a queda na produção dos poços de petróleo existentes e queda no ritmo das descobertas são fatores que preocupam a economia e que pressionam o preço do produto no mercado mundial. Outro fato importante no cenário internacional do petróleo é a dependência dos EUA de sua importação. Esse fato, segundo Fuser (2010, citado por MAB, 2011) fez com que aquele país buscasse influenciar diversas regiões produtoras e estimular o crescimento da produção de energias alternativas em outras regiões do globo, inclusive para usar no próprio abastecimento. Logo, a questão energética mundial gera um impasse grande. Como se

36 35 pode diminuir a pressão no meio ambiente na busca de produção de energia sem comprometer o atual estágio de desenvolvimento do capitalismo, e, ao mesmo tempo, permitir a sua expansão mundial? As respostas dadas a essa pergunta variam desde o aumento da eficiência energética, à mudança da matriz de produção, substituindo-se as energias nãorenováveis por fontes renováveis. No entanto, são medidas controversas que devem ser observadas mais de perto, pois se fossem levadas ao pé da letra, significariam mudar totalmente o paradigma de desenvolvimento que a humanidade conhece. 5.4 A questão energética no Brasil A produção energética no Brasil também apresenta muita dependência de fontes não-renováveis de energia, embora haja grande potencial energético de fontes renováveis. A participação das fontes limpas reduziu. Em 2009 era responsável por 47,3% da demanda total de energia, enquanto que em 2010 a participação caiu para 45,3%. Por outro lado, a participação de energias nãorenováveis aumentou 13,69%, número expressivo (Tabela 2).

37 36 Tabela 2 Oferta Interna de energia (OIE) em tep (toneladas equivalente de petróleo e %). Especificação mil tep Estrutura (%) 2010/2009 (%) NÃO-RENOVÁVEL ,69 52,7 54,7 Petróleo e derivados ,09 37,9 37,7 Gás Natural ,36 8,7 10,3 Carvão mineral e derivados ,11 4,7 5,2 Urânio (U3O8) e derivados ,88 1,4 1,4 RENOVÁVEL ,10 47,3 45,3 Hidráulica e eletricidade ,96 15,2 14,1 Lenha e carvão vegetal ,32 10,1 9,5 Derivados da cana de açúcar ,75 18,2 17,7 Outras renováveis ,43 3,8 4,0 TOTAL , Fonte Brasil (2011) O Brasil investe, hoje, na ampliação da produção de energia, seja ela renovável ou não. O modelo de desenvolvimento brasileiro, calcado na produção de produtos de baixo valor agregado, requer uma grande oferta energética para sua expansão. Segundo Brasil (2010), os seguimentos industriais primários contribuem significativamente para o crescimento do consumo final energético [...]. No entanto, eles não agregam na mesma proporção ao valor adicionado da indústria [...]. Desta forma, para que a exploração desses artigos seja viável, é necessário que sua exploração ocorra em grande quantidade, o que, por sua vez, aumenta a demanda por fonte energética. De acordo com os estudos apresentados por Brasil (2011b), o consumo final residencial de energia elétrica e de energia (no sentido amplo) teve respectivamente a 23,4 e 9,5% dos totais respectivos em 2010, enquanto que o setor industrial representou respectivamente 43,7 e 34,6% do total no mesmo

38 37 ano. Esse fato o torna o principal consumidor de energia atualmente (Tabela 3). Tabela 3 Consumo final de energia entre os anos de 2009 e /2009 % Estrutura (%) 2009 Estrutura (%) 2010 Especificação Unidade Consumo final de energia mil tep , Industrial mil tep ,4 34,6 35,4 Transportes mil tep ,0 28,3 28,9 Residencial mil tep ,1 10,5 9,5 Outros mil tep ,5 26,5 26,2 Consumo final de energia elétrica GWh ,6 100,0 100,0 Industrial GWh ,5 43,7 44,5 Residencial GWh ,3 23,9 23,4 Comercial e público GWh ,6 23,7 23,3 Outros GWh ,6 8,7 8,8 Fonte Brasil (2011b) Outro fato importante que pressiona a demanda de energia é o grande aumento do número de veículos nos últimos anos. O setor de transporte tem uma participação muito importante na economia, mas também é um dos principais responsáveis pelo consumo de derivados do petróleo. Segundo Brasil (2010), o crescimento da frota de veículos leves entre o decênio deve ter uma média anual de 4,7% e deverá atingir, em 2019, o número de 39,7 milhões de automóveis, sendo a maioria da frota composta por veículos com a tecnologia Flex Fuel (ver Figura 4) que pressionam a demanda por etanol.

39 38 Figura 4 Projeção do perfil da frota de veículos leves Fonte Brasil (2010) Como a perspectiva nos próximos anos é de aumento no preço do petróleo, os combustíveis advindos de produtos agrícolas, conhecidos como agrocombustíveis, tendem a assumir papel importante no cenário. No caso do Brasil, o etanol se destaca tanto por já possuir um bom histórico na produção de combustível no país, com boa aceitação da população e grandes áreas produtoras, mas também pelo grande emprego em outros setores industriais (indústria farmacêutica, cosméticos, petroquímicos, compostos oxigenados e, recentemente, a indústria alcoolquímica que é capaz de produzir resinas termoplásticas a partir do produto). O Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, elaborado por Brasil (2010), apresenta um estudo que aponta a elevação em mais de 100% do consumo do etano carbureto, que é o álcool utilizado como combustível. Salta de 22,8 bilhões de litros consumidos em 2009 para uma perspectiva de um

40 Bilhões de litros 39 consumo aproximado de 52,4 bilhões de litros em O documento aponta, ainda, que o consumo de etanol não carburante terá uma média de 1,68 bilhão de litros por ano, entre 2011 e Aponta também que a exportação brasileira de etanol deverá saltar de 3,4 bilhões de litros em 2010 para aproximadamente 9,9 bilhões de litros em 2019, sendo que principais compradores internacionais do produto são EUA, Japão e União Européia. Um aumento significativo de quase 100% em 10 anos. A Figura 5 ilustra a projeção do aumento da demanda total de etanol para o período , incluindo a produção para exportação do produto. 70,0 60,0 50,0 40,0 33,7 37,0 40,0 43,6 47,0 50,2 53,5 56,8 60,6 64,4 30,0 20,0 10,0 0, Figura 5 Projeção da demanda total de etanol para o período de Fonte Brasil (2010) Para atender à demanda sucroalcooleira, o estudo aponta que seria necessário que a área destinada para o plantio de cana deverá atingir, pelo menos, 11,9 milhões de hectares em 2019, desde que se mantenha o aumento da

41 40 produtividade e o incremento tecnológico do setor. Em 2008 a área destinada à produção era de 7,1 milhões de hectares. Diante da grande importância que a produção de etanol assume na economia brasileira e mundial, o Ministério de Minas e Energia faz uma afirmação emblemática e que ilustra bem o caráter do desenvolvimento brasileiro: O Brasil celebrou acordos de cooperação com vários países, o que incentivará a diversificação de produtores e o aumento de oferta de etanol, contribuindo para torná-lo no futuro uma commoditiy 4 (BRASIL, 2010). Dentro da perspectiva mundial de busca por fontes renováveis de energia, a biomassa possui um grande potencial a ser explorado. Diversos estudos apontam que a utilização da biomassa para a produção de energia deverá assumir grande papel na matriz energética no país. Conforme Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL (2008): a utilização da biomassa como fonte de energia elétrica tem sido crescente no Brasil, principalmente em sistemas de cogeração [...] dos setores industriais e de serviços. Em 2007 ela foi responsável pela oferta de 18TWh (terawatts-hora), segundo o Balanço Energético Nacional (BEM) de Naquele ano, a biomassa correspondia a 3,7% da oferta total de energia elétrica, perdendo apenas para a hidroeletricidade, conforme a Figura 6. 4 Por outro lado, é importante observar que a o etanol brasileiro é a fonte alternativa do petróleo mais competitiva. Apresenta um saldo energético de 1 para 8 (enquanto que o biodiesel produzido a partir de vegetais apresenta o saldo de 1 para 1). Porém, o etanol está muito longe do saldo energético do petróleo, que no início da indústria petroleira era de 1 para 100, mas atualmente está em 1 para 30 (SAUER, AMADO e MERCEDES, 2011). Ou seja, do ponto de vista energético, o petróleo é mais vantajoso em relação ao etanol.

42 41 Figura 6: Matriz de oferta de energia elétrica no Brasil em 2007 Fonte: ANEEL (2008) A perspectiva de avanço da produção de cana para fabricação de etanol está intimamente ligada ao aumento da oferta de energia elétrica oriunda de biomassa. Tanto o bagaço da cana quanto a palha possuem um alto potencial energético. Diversas usinas já utilizam desses produtos para gerarem energia elétrica em suas instalações. Uma das grandes vantagens da cana é o fato da safra coincidir com o período de estiagem na região Sudeste e Centro-Oeste, onde está concentrada a maior potência instalada em hidrelétricas do país. Assim, a geração de eletricidade a partir da cana auxiliaria a preservação dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas (ANEEL, 2008). A Figura 7 mostra o potencial apresentado pelo setor sucroenergético na geração de energia elétrica na época de estiagem. A utilização desta fonte de energia contribuiria para recuperar os níveis dos reservatórios na época seca. Em 2020, de acordo com ANEEL (2008), a eletricidade produzida pelo setor poderá representar 15% da matriz brasileira ( MW med).

43 42 Figura 7 Complementaridade da bioeletricidade sucroenergética Fonte União da Indústria da Cana de Açúcar de São Paulo UNICA (2011) Outra fonte energética que vem ganhando destaque é a produção do biodiesel. O produto teve sua produção alavancada principalmente pela obrigatoriedade de sua adição ao diesel. Segundo Brasil (2010), no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) as cinco culturas básicas são: soja, mamona, dendê, algodão e girassol. O principal componente na produção é o óleo de soja, que em 2009 teve uma participação total de 78,3% na produção do biodiesel. É interessante notar que a gordura animal ainda é bem utilizada como matéria-prima, como mostra a sua participação de 15,8% (Figura 8).

44 43 Figura 8 Matérias Primas utilizadas para a produção de biodiesel Fonte Brasil (2010) De acordo com o estudo de Brasil (2010), estima-se que o óleo de soja continuará sendo a principal matéria-prima entre 2009 e 2019 e outras fontes, como gordura animal, dendê, mamona e algodão serão, provavelmente, apenas insumos complementares. O estudo aponta, também, que a produção de óleo de soja deve crescer mais de 50% no decênio, pressionada principalmente pelo aumento da demanda de biodiesel, como mostra a Figura 9.

45 44 Figura 9 Produção do óleo de soja X demanda de biodiesel Fonte Brasil (2010) Fora do Brasil, o consumo do biodiesel tende a aumentar bastante nos próximos anos devido ao aumento percentual obrigatório de agrocombustíveis em vários países. Para suprir essa demanda muitos países terão que importar esses tipos de combustíveis. Nesse sentido, muitas pesquisas estão em andamento visando aumentar a competitividade do biodiesel e a diversificação de matéria-prima para que possa abastecer tanto o mercado interno quanto o externo futuramente. No entanto, aqui reside uma grande contradição da produção do biodiesel. O grão de soja é o vegetal com menor percentagem de óleo e com o menor rendimento em óleo t/ha dentre aqueles elencados para a produção do biodiesel. Espécies como pinhão manso, babaçu e mamona apresentam alto rendimento, mas não são priorizadas para a atividade (ver Quadro1). Primeiro porque ainda são espécies que não são possíveis de ser cultivadas em larga

46 45 escala como a soja, e segundo porque privilegiaria a agricultura familiar na sua produção. Quadro 1 Características de alguns vegetais com potencial para a produção de biodiesel Conteúdo Rendimento Origem Meses de Espécie do óleo em óleo do óleo colheita (%) (t/ha) Dendê (Elaeis guineensis N.) Amêndoa ,0-6,0 Babaçu (Attalea speciosa M.) Amêndoa ,4-0,8 Girassol (Heleianthus annus) Grão ,5-1,5 Canola (Brassica camprestis) Grão ,5-0,9 Mamona (Ricinus communis) Grão ,5-1,0 Amendoim (Arachis ipogaea) Grão ,6-0,8 Soja (Glycine max) Grão ,2-0,6 Pinhão manso (Jatropha curca L.) Amêndoa * 2,0-4,0 * A variação deve-se à origem das plantas, pois aquelas oriundas de sementes atingem idade produtiva após quatro anos, já as provenientes de estacas começam a produzir no segundo ano. Fonte Bermann (2007) A perspectiva de produção do biodiesel é um dos principais fatores que levam à expansão do cultivo de soja no país. Na safra de 2010/2011 estima-se que a área plantada do grão se aproxima de 24 milhões de hectares (Figura 10) e prevê-se que a expansão deverá atingir 30 milhões de hectares no início da década de 2020 (Bermann, 2007). Esse avanço da soja pode aumentar os conflitos ambientais, o avanço da fronteira agrícola, além de causar grande impacto ambiental devido à forma como é cultivada hoje.

47 , , , , , , , , , , , , , , , , , ,0-1 Dados preliminares: sujeitos a mudanças 2 Dados estimados: sujeitos a mudanças Figura 10 Evolução da área destinada ao cultivo da soja (mil ha) Fonte Elaborado a partir de dados da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB (2011) Sobre a questão energética, pode-se dizer que o Brasil está passando por um momento de reestruturação. Apesar de utilizar modernas tecnologias e de sofisticação da matriz energética, as medidas apontam contradições. A primeira delas é que a intensa produção dos agroenergéticos acaba reafirmando o processo de especialização de produtos primários da economia brasileira. Outra contradição é o fato de que a produção de produtos agrícolas para geração de

48 energia acaba contribuindo para o aumento de preços dos alimentos, pois a produção de agroenergia que compete com o petróleo passa a concorrer com a produção de gêneros alimentícios (Figuras 11 e 12). Outra contradição observada, é que para concretizar esses planos de produção agroenergética, o país terá que abrir mão do desmatamento, degradação ambiental 5, avanço da fronteira agrícola e aumento de número e de intensidade dos conflitos socioambientais. 450,0 400,0 350,0 300,0 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 Indice de preço alimentos Indice de preço óleos Indice de preço Cereais Indice de preço Açucar Figura 11 Índice FAO de preços dos alimentos ( /2004) Fonte MAB (2011) 5 Pode-se entender o projeto do Novo Código Florestal Brasileiro nessa perspectiva.

49 48 Figura 12 Evolução dos preços médios anuais no mercado spot dos petróleos dos tipos Brent e WTI (US$/barril) Fonte Agência Nacional do Petróleo ANP (2011) Embora haja uma busca por fontes renováveis, o petróleo ainda continuará como a principal fonte energética, devido à grande dependência mundial dessa fonte na economia e também por ser um excelente negócio. Porém, cada vez precisa-se de mais dispêndio de energia para extraí-lo. Assim, a crescente demanda pelo produto aliado com a dificuldade progressiva de sua extração e com a especulação, faz com que disparem os preços do barril. A Figura 13 ilustra a estimativa de evolução de preços até o ano de 2019.

50 49 Figura 13: Perspectivas dos preços internacionais do petróleo (US$/barril) Fonte: Brasil (2010) Ou seja, aparentemente as medidas parecem que caminharão no sentido de um desenvolvimento sustentável, pois está claro que aumentará a produção de energias ditas renováveis, principalmente, devido ao aumento do preço do petróleo e da demanda energética. Mas quando se investiga mais aprofundadamente duas perguntas ficam mais latentes: o que é desenvolvimento sustentável? É realmente possível manter o desenvolvimento da economia de uma forma menos ou não predatória?

51 50 6 ARMADILHAS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL O panorama da questão energética brasileira deixa pistas sobre qual é a origem dos problemas ambientais atuais. O fato do Brasil se especializar cada vez mais na produção de produtos primários, as commodities, ilustra a necessidade de apropriação dos recursos naturais por parte do modelo de desenvolvimento econômico vigente possui. Para Sauer, Amado e Mercedes (2011) no momento atual da história brasileira, está no palco do debate a definição sobre o destino privado ou público dos benefícios da apropriação dos recursos naturais, que adquirem o caráter, normalmente oculto, das rendas de petróleo, dos potenciais hidráulicos, da renda da terra na produção de alimentos e biocombustíveis, e da renda dos recursos minerais. Esse dilema, na verdade, é ampliado para todo o mundo, devido ao grau de internacionalização da economia atualmente. Exatamente por isso, as definições envolvendo o destino da apropriação dos recursos naturais são tão delicadas. A alternativa encontrada pelas economias centrais do mundo está no chamado desenvolvimento sustentável, ou capitalismo verde. Amado (2010) lembra que um dos aspectos mais surpreendentes do atual discurso sobre sustentabilidade é que ele raramente seja diretamente formulado como um problema de produção. Invariavelmente, é apresentado como um problema moral (nosso compromisso com as gerações futuras) ou como um problema referente a comportamentos individuais (neste caso, fala-se em consumo ambientalmente responsável ou sustentável). A ênfase ideológica tem superado largamente a ênfase nos aspectos propriamente materiais da dinâmica entre mundo natural e mundo socioeconômico. O padrão atual de crescimento da economia mundial é o maior da

52 51 história. Com o desdobramento da Revolução Industrial, especialmente a partir de 1820, o desenvolvimento do sistema econômico atingiu níveis extremamente altos. Na chamada Era de Ouro do Capitalismo, período localizado entre 1950 e 1953, os níveis sem precedentes alcançados permitiram até o desenvolvimento do Estado de Bem Estar Social nos países centrais do sistema (AMADO, 2010). Dessa forma, o sistema mostrava ser mais eficiente que o chamado socialismo real, pois permitia melhorar a condição de vida dos indivíduos a medida que se desenvolvesse. A Tabela 4 apresenta uma noção da trajetória do crescimento econômico no mundo. Tabela 4 Crescimento da economia mundial Ano PIB mundial¹ Valores dados em índices relativos a 1500 Fonte Maddison (1995, citado por Amado, 2010) Segundo Amado (2010), no que diz respeito à questão ambiental, cabe notar que estas impressionantes taxas de crescimento econômico têm sido acompanhadas de uma aceleração sem precedentes dos fluxos de energia. Embora o contingente populacional do mundo nos dias de hoje seja colossal, a crise ambiental não tem origem nesse fator, mas em outro inerente ao sistema de

53 52 produção vigente. Além disso, o aumento do consumo de energia per capita ocorreu assustadoramente de forma mais acelerada nos países desenvolvidos. A Figura 14 ilustra o aumento do consumo per capita de energia em relação ao crescimento da população. Observa-se que onde mais se desenvolveu o capitalismo, maior foi a demanda de energia e a medida com que os países em desenvolvimento conseguem aumentar o crescimento econômico (a partir da década de 1970), passam também a aumentar sua necessidade energética. Figura 14 Crescimento populacional X Consumo per capita de energia 6 Fonte Gübler (2005, citado por Amado, 2010) Nessa perspectiva, Amado (2010) traz uma importante colaboração para o entendimento da questão ambiental: 6 Observações: trajetórias de intervalos de 25 anos cobrindo o período de Os dados referem-se a países industrializados (quadrados), países em desenvolvimento (triângulos), e a média mundial (círculos). Áreas dos quadrados ligando as coordenadas dos eixos x e y para 1800 e 2000 são proporcionais ao consumo total de energia. Dados anteriores a 1950 são estimativas.

54 53 Os países que apresentaram menores aumentos de população e maiores aumentos de produtividade e bem estar (países industrializados) são aqueles nos quais se observa uma forte e persistente tendência de aumentos no consumo de energia, indicando que a causa de aceleração dos fluxos de energia incorporados pelo sistema econômico tem sido menos o aumento da população e muito mais as funções desempenhadas pelo recurso energia dentro do sistema produtivo. Esses padrões de desenvolvimento permitem afirmar que os aumentos na produtividade do trabalho humano observados desde a Revolução Industrial têm dependido não somente da engenhosidade humana ou das instituições de mercado, mas também do acesso contínuo ao estoque de recursos de alta qualidade representado pelos combustíveis fósseis. Se tanto a população quanto o consumo per capita de energia aumentam à medida que se dá a reprodução do sistema econômico, aumentarão também os fluxos de energia extraídos do estoque de recursos e os correspondentes dejetos decorrentes da utilização destes recursos. Ou seja, é intrínseco ao desenvolvimento capitalista o contínuo crescimento econômico. Hoje o grau tecnológico alcançado permite um ganho de eficiência sem precedentes, mas não implica na estabilização da demanda energética. O impasse colocado ao sistema, na verdade, é como garantir uma fonte de energia de alta qualidade capaz de alimentar a demanda da expansão do sistema, principalmente quando outros países entram em cena seguindo os passos do primeiro mundo, os chamados países emergentes (principalmente China e Índia). O problema ambiental das energias não-renováveis não é, portanto, a questão de como substituí-las por outras renováveis que agridam menos o meio ambiente. Isso é apenas aparência do fenômeno. A grande questão que está posta em jogo é como resolver o paradigma do crescimento econômico sem limites que a teoria hegemônica neoclássica da economia defende. É nesse impasse global e na crescente contraposição de ambientalistas à degradação ambiental em nome do progresso (os defensores da Economia Ecológica ), que

55 54 desenvolve-se o conceito de desenvolvimento sustentável 7. Na concepção hegemônica neoclássica da economia, também conhecida pelo termo de sustentabilidade fraca, [...] o sistema econômico é visto como suficientemente grande para que a disponibilidade recursos naturais (RN) se torne uma restrição à sua expansão, mas apenas uma restrição relativa superável indefinidamente pelo progresso científico e tecnológico (ROMEIRO, 2003). Em uma nota de rodapé, Romeiro (2003) descreve a fórmula da economia neoclássica: Y=f(K, L, R), o que significa que a quantidade de recursos naturais (R) requerida pode ser tão pequena quanto se deseja desde que a quantidade de capital (K) seja suficientemente grande (L = fator trabalho).assim, para superar uma possível escassez dos recursos naturais, basta que se aumente os outros fatores envolvidos na produção: capital e trabalho. Desse ponto de vista desenvolve-se o conceito de eficiência ecológica, que é um dos eixos centrais defendido pelo desenvolvimento sustentável. Por outro lado, há outra concepção de desenvolvimento sustentável defendida pela corrente Economia Ecológica, conhecida como sustentabilidade forte, [...] que vê o sistema econômico como um subsistema de um todo maior que o contém, impondo uma restrição absoluta à sua expansão. [...]. O progresso científico e tecnológico é visto como fundamental para aumentar a eficiência na utilização dos recursos naturais em geral (renováveis e não-renováveis) e, nesse aspecto, essa corrente partilha com a primeira a convicção de que é possível instituir uma estrutura regulatória baseada em incentivos econômicos capaz de aumentar imensamente essa eficiência. 7 O conceito foi formulado primeiro em 1987, no Relatório Brundtland. No entanto, o termo foi formulando sem uma definição clara, fato que deu origem a duas margens de interpretação. São conhecidas pelos termos de sustentabilidade fraca e sustentabilidade forte, (ROMEIRO, 2003).

56 55 Permanece, entretanto, a discordância fundamental em relação à capacidade de superação indefinida dos limites ambientais globais (ROMEIRO, 2003). Mais a frente completa: a questão central para essa corrente é [...] como fazer com que a economia funcione considerando a existência desses limites. Ou seja, a proposta da sustentabilidade forte é utópica para o sistema capitalista, pois propõe um limite de expansão do sistema, o que é contra a sua própria natureza. Além disso, acreditar que precificar os bens ambientais pode ser um mecanismo eficiente para diminuir a pressão sobre eles, desconsidera toda a construção histórica do capitalismo, legitimando a apropriação privada dos bens comuns em função do aumento do lucro. Para Sauer, Amado e Mercedes (2011), Na verdade, o principal problema da retórica do desenvolvimento sustentável é que ela tem escamoteado o fato de que os atuais problemas ambientais são fruto do conflito entre duas leis, uma delas determinada pelo mundo social, outra pelo mundo físico. Por um lado, a lei do valor impõe que o capital não pode existir sem permanentemente direcionar a capacidade social de produção para aumentar a riqueza expressa na forma monetária, como nos mostram a busca ano após ano por crescimento no PIB, mesmo em países com níveis já altíssimos de riqueza e consumo e por vezes à custa da destruição das condições de desenvolvimento na periferia do sistema capitalista. Por outro lado, a dimensão biofísica dos processos produtivos impõe que a capacidade social de produção não pode ser efetiva sem mobilizar fluxos de energia e materiais de alta qualidade, os quais ao serem usados convertem-se em mercadorias e poluição. Na ordem social atual, a lei do valor, válida apenas na civilização capitalista, está em permanente conflito com as leis da termodinâmica, válidas em qualquer civilização. Diante dessa perspectiva, cabe-se analisar os caminhos do capitalismo verde e analisar sua viabilidade enquanto novas tecnologias de produção da economia mundial e entender os papéis destinados a elas.

57 56 7 CAPITALISMO VERDE Perante aos desafios encontrados pelo capital no âmbito dos impactos gerados ao meio ambiente no mundo, uma série de medidas tem sido desenvolvida para contornar a situação 8. No entanto, as alternativas encontradas giram em torno da lógica do mercado. Esse conjunto de medidas elaboradas [...] faz referência a uma etapa do capital na qual se considera o mercado como o principal meio para responder à crise ambiental global [,] [...] integrando considerações ambientais na economia nos processos de produção e criando novos mercados, denominados verdes e limpos, para permitir a reprodução do capital e uma saída à crise econômica e energética sem alterar as relações sociais e de produção do sistema capitalista 9 (PANQUEVA, 2011). Ou seja, esses ajustes propostos para a economia mundial são nada mais que demandas impostas nesse momento histórico para continuar seu movimento de expansão. São elas: limpar a imagem das tradicionais formas de exploração questionadas pelos altos impactos sociais e ambientais, dar novos fundamentos ao modelo de crescimento econômico para manter o paradigma do desenvolvimento, garantir um maior acesso aos recursos naturais para fins comerciais e abrandar as crescente resistências ligadas à apropriação privada da água, à perda da soberania alimentar dos povos, à defesa da biodiversidade e à defesa do território de populações originais (PANQUEVA, 2011). É importante que sejam analisadas tais medidas de um ponto de vista mais crítico e holístico. As que serão englobadas aqui estão estruturadas nos seguintes instrumentos: MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) e REED (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em 8 Essa questão foi tratada em diversas conferências internacionais que resultaram em acordos internacionais, como o protocolo de Kyoto e o de Montreal, a Eco 92 e a Convenção do Clima. 9 Traduzido do original pelo autor.

58 57 Desenvolvimento), que são as principais frentes de avanço para a apropriação privada dos recursos naturais. 7.1 Comércio de Carbono e o contexto de MDL e REDD O comércio de carbono foi desenvolvido a partir de teorias econômicas formuladas durante a década de 1960, cujo objetivo era impor um custo de geração da poluição. A ideia central era de que isso persuadiria empresas a diminuírem a poluição ambiental, já que seria um custo a mais na produção. A prática do comércio de emissões começou na década de 1990 nos EUA, com o comércio de enxofre. Curiosamente, aquele país também foi o que mais pressionou a ONU para que o comércio de carbono fosse o eixo central para tratar da mudança climática, embora não tenha ratificado o Protocolo de Kyoto e ter adotado o comércio de carbono como pilar central da sua política internacional para o clima (NAUGHTEN, 2010). Atualmente, os principais sistemas de comércio de carbono vigentes são o Protocolo de Kyoto (PK) que estabelece um limite de emissão para cada país industrializado, contemplando seis gases causadores do efeito estufa, mas não delimita nenhum teto de emissão desses gases para países em desenvolvimento e o Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) repasse de uma parte das permissões concedidas pelo PK de cada Estado-Membro da UE para suas indústrias mais poluidoras. (NAUGHTEN, 2010). Naughten (2010) explica o funcionamento dos sistemas de mercado de carbono: Em termos simples, o comércio de carbono é processo de comprar e vender autorizações para poluir. Nos sistemas atuais, essas autorizações têm dois formatos: permissões e créditos. O modelo usado em todos os sistemas atuais de comércio de

59 58 carbono se chama cap and trade (limite e comércio). Num sistema de limite e comércio, um governo ou órgão intergovernamental estabelece um limite legal geral às emissões ao longo de um período específico de tempo, e concede um número fixo de permissões àqueles que realizam as emissões. Um poluidor deve possuir permissões suficientes para cobrir suas emissões. Nos sistemas atuais de comércio de carbono, cada permissão é considerada equivalente a uma tonelada de equivalente de dióxido de carbono (CO2 e). No modelo teórico (mas raramente na prática) as permissões devem ser vendidas geralmente via leilão de modo que desde o começo os poluidores são obrigados a precificar suas emissões e são incentivados a reduzir ao mínimo absoluto as permissões que têm de buscar. Se um poluidor não usa todas as suas permissões, ele pode vendêlas para outro que já gastou todas as suas e precisa de mais para seguir emitindo acima do limite legal. A teoria reza que poluidores são punidos porque têm de comprar mais permissões e aqueles que investem num consumo de energia mais eficiente são recompensados financeiramente, pois podem vender suas permissões ociosas. A economia como um todo se beneficia porque é poupada não em cada indústria, mas sim onde isto é menos custoso. O meio ambiente todo se beneficia porque o nível geral das emissões é reduzido. Em qualquer discussão sobre o comércio de carbono, é importante lembrar que é apenas o limite que leva a reduções de emissões. O comércio e as compensações associadas a ele existem somente para tornar mais barato o cumprimento do limite (frequentemente apenas no curto prazo) para os participantes. O custo para cumprir as metas do PK nos países Anexo 1 são muito altos. Assim, foi permitido que os países cumprissem sua meta através de atuações em outras nações, por meio do mercado de carbono. Segundo IPEA (2011b), os mecanismos de flexibilização previstos no Protocolo são: i) mercados de cotas de carbono para transações entre países Anexo 1; ii) mecanismos baseados em projetos: implementação conjunta (IC, em inglês joint implementation) entre países Anexo 1; e iii) o mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL, em inglês clean developtment mechanism) entre países Anexo 1 e não-anexo 1(hospedeiros dos projetos). Ou seja, o propósito do MDL é ajudar às partes não incluídas no Anexo 1

60 59 (que lista os países industrializados) da Convenção sobre Mudanças Climáticas a conseguir um desenvolvimento sustentável, assim como ajudar as Partes inclusas no Anexo 1 a cumprir seus compromissos quantificados de limitação e redução das emissões de gases do efeito estufa (REDES-AMIGOS DE LA TIERRA URUGUAY, 2009). O MDL é ímpar porque permite um ganho de eficiência com transações entre países com metas e países sem metas de redução dos gases de efeito estufa (GEE) (IPEA, 2011b). Dessa forma, o comércio de carbono adquire um grande papel no mundo e criam um grande mercado, propenso, inclusive, a grandes especulações. A própria ONU em seu sítio eletrônico, segundo REDES-Amigos de la Tierra Uruguay (2009), assume esse avanço do capital ao dizer que o estabelecimento de objetivos de redução de emissões implica que estes adquiram um valor econômico 10. Os sistemas de limite e comércio de carbono envolvem créditos de compensação, também chamados de créditos de carbono. Estes são uma espécie de fonte suplementar de permissões para poluir que podem ser compradas por países ou empresas que excedem os limites (principalmente em países em desenvolvimento). Dessa forma, a compensação não reduz emissões, apenas as substitui (NAUGHTEN, 2010). Logo, é mais barato, em curto prazo, que empresas e governos negociem entre si para buscar atingir as metas de reduções. No Brasil, o principal mecanismo de incentivo ao MDL é o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões MBRE. A Lei Nº /2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, em seu Art. 9º institui que: O Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE será operacionalizado em bolsas de mercadorias e futuros, bolsas de valores e entidades de balcão organizado, autorizadas pela 10 Todas as referências ao documento foram traduzidas pelo autor.

61 60 Comissão de Valores Mobiliários - CVM, onde se dará a negociação de títulos mobiliários representativos de emissões de gases de efeito estufa evitadas certificadas. Ao instituir que o MBRE seja operacionalizado em bolsa de valores, abre-se margem para especulação. No entanto, devido à magnitude do mercado de carbono, não haveria outra forma de colocá-lo em prática tão rapidamente se não envolvesse o capital financeiro, fato que legitima o grande mercado do carbono (Figura 15). No mercado de carbono [...] as empresas transnacionais que impulsionam projetos de MDL são os principais fornecedores para gerar certificados de redução de emissões para os países Anexo 1. No entanto, é necessário também atentar ao outro extremo da cadeia, isto é, aos agentes que compram ou intercediam (compram e logo vendem) os Certificados de Redução de Emissões Para facilitar os acordos de compra e venda desses certificados intervém os Fundos de Carbono, que muitas vezes assumem os gastos de transação e que basicamente assumem um papel de intermediários, mas também de financiadores de projetos. [...] Em geral esses programas intermediários possuem um ponto de origem bastante focalizado na Unidade de Financiamento de Carbono do Banco Mundial, mas também existem outros bancos, como o Deutsche Bank, o Banco Santander, ou o Fundo Multilateral de Créditos de Carbono do Banco Europeu de Investimentos (MFCF, com foco no Leste Europeu e Ásia Central) (REDES-AMIGOS DE LA TIERRA - URUGUAY, 2009).

62 61 Figura 15 Dimensão do mercado mundial de carbono Fonte Naughten (2010)

63 62 Nesse sentido, Naughten (2010) diz que Em conferências financeiras, o carbono tem sido divulgado como uma nova classe de ativo para investidores, como fundo de pensão. Alguns dos maiores compradores de créditos do MDL são Bancos como Barclays, Goldman, Sachs e JP Morgan. Estes não são emissores de carbono cujas emissões foram limitadas. Eles atuam no mercado de carbono não para reduzir o custo de cumprir limites de emissões, mas para ganhar dinheiro. Enquanto os usuários de cumprimento de permissões e créditos buscam a previsibilidade de preços, estes novos atores do mercado secundário lucram com a volatilidade de preços, com a instabilidade e com a alta liquidez dos ativos porque mudanças bruscas de preços e negócios com grandes volumes são como eles auferem seus lucros. Como o Brasil é caracterizado como um país não Anexo 1, possui grandes oportunidades para receber os investimentos oriundos do MDL. A proposta do MDL casa com a análise elaborada pela Agenda 21, que considera como mais vulneráveis aos malefícios do aquecimento global as populações mais pobres, que historicamente foram alijadas do processo de desenvolvimento econômico. Sendo assim, construiu-se uma espécie de consenso mundial entorno da necessidade de desenvolver os países menos desenvolvidos por meio de mecanismos de adaptação à mudança climática. No entanto, a vulnerabilidade é considerada estritamente no âmbito econômico e são privilegiados os setores mais importantes para a economia mundial e que podem ser afetados significativamente (PANQUEVA, 2011). Isso pode ser ilustrado por uma passagem do Banco Interamericano de Desenvolvimento BID sobre a América Latina: A região deve estar em condições de enfrentar as consequências econômicas da mudança climática e, por isso, precisa-se adotar claras medidas de adaptação ao clima em setores econômicos e sistemas de infraestrutura vulneráveis, como a agricultura, a gestão

64 63 dos recursos hídricos, a infraestrutura de energia e transporte, o turismo, a saúde, o desenvolvimento urbano e a gestão de riscos de desastres (BID, 2010, apud PANQUEVA, 2011). Nesse sentido, enfrentar a mudança climática é a nova prioridade para garantir o desenvolvimento e garantir o crescimento econômico global. O MDL, portanto, está inserido nessa política econômica de baixo carbono que tem dois eixos principais, segundo Panqueva (2011): 1 Transição para as fontes de energias não-fósseis: possui o objetivo de aliviar a pressão por petróleo e de carvão, devido ao cenário de encarecimento dessas fontes energéticas. Nesse sentido, destacam-se os agrocombustíveis como um dos mercados mais agressivos que ampliam a matriz energética; 2 Transição para tecnologias limpas : se apoia no fato de que o financiamento que se deseja atrair para os países da América Latina é direcionado fundamentalmente a essa tecnologias, o que pode ser entendido como uma reativação da indústria. Além disso, há também a necessidade de se diversificar as fontes de energia. No Brasil, a Lei nº de 29 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, em seu parágrafo único do Artigo 11 faz menção à estratégia de consolidação de uma economia de baixo carbono : Decreto do Poder Executivo estabelecerá, em consonância com a Política Nacional sobre Mudança do Clima, os Planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas visando à consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono, na geração e distribuição de energia elétrica, no transporte público urbano e nos sistemas modais de transporte interestadual de cargas e passageiros, na indústria de transformação e na de bens de consumo duráveis, nas indústrias de química fina e de base, na indústria de papel e celulose, na mineração, na indústria da construção civil, nos serviços de saúde e na agropecuária, com

65 64 vistas em atender metas gradativas de redução de emissões antrópicas quantificáveis e verificáveis, considerando as especificidades de cada setor, inclusive por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e das Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas - NAMAs. A pergunta que surge, então, é: como fica a situação do Brasil frente ao MDL? Como já foi abordado, o país situa-se em uma região estratégica na produção de energia mundial, principalmente em relação ao etanol e ao potencial hidrelétrico ainda não explorado, que entram no objetivo de mitigação das mudanças climáticas. Além disso, as commodities minerais são um prato cheio para a especulação no comércio de carbono, da mesma forma que as extensas monoculturas florestais para a produção de celulose. Ou seja, o que se desenha é um grande aumento dos conflitos ambientais, devido ao desenvolvimento de grandes projetos de origem pública ou privada (tal como já estão ocorrendo com a construção da hidrelétrica de Belo Monte e de Jirau e do avanço da mineração em Congonhas MG). Outro fator que torna a proposta do MDL duvidosa é o de não se mostrar eficaz na redução significativa das emissões de GEE. Um forte exemplo é a Holanda (grande impulsionador global do MDL), onde as emissões entre 1990 e 2003 aumentaram 13%. Também se pode citar a Espanha, cujas empresas são muito ativas no âmbito de MDL, que aumentou suas emissões domésticas em 45% entre 1990 e 2005 (só estava habilitada a aumentar em 15% devido ao seu atraso econômico). No caso de outros grandes emissores de GEE, como Alemanha, França e Reino Unido, tiveram reduções abaixo dos acordos firmados internacionalmente, além de manterem matrizes energéticas baseadas na sua grande maioria em fontes não-renováveis (petróleo, carvão e nuclear, principalmente) (REDES-AMIGOS DE LA TIERRA URUGUAY, 2009). A contrapartida do impacto socioambiental será o forte estímulo que a economia nacional receberá. No entanto, essa política só tende a reforçar o

66 65 caráter internacional da economia brasileira e a concentração de renda. Já o mecanismo REDD Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal foi elaborado em 2007 na COP 13 (13ª Reunião das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas), realizada em Bali, Indonésia. O principal objetivo atribuído ao mecanismo durante a conferência é a redução das emissões de carbono oriundas a partir do desmatamento florestal (OBSERVATÓRIO DO REDD, 2011). Existem duas variações da formulação original do mecanismo. A primeira é chamada de REDD+. Esta inclui esforços direcionados para ações de conservação e manejo sustentável das florestas e atividades que propiciam o aumento dos estoques de carbono das florestas nativas. Há, também, uma versão recente, denominada REDD++ que inclui práticas de agricultura em prol do não desmatamento no conceito de REDD+ (IPAM, 2011, apud OBSERVATÓRIO DO REDD, 2011). O Ministério do Meio Ambiente produziu um documento para subsidiar a elaboração de uma estratégia nacional para REDD +, onde define que: O mecanismo REDD Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal foi elaborado em 2007 na COP 13 (13ª Reunião das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas), realizada em Bali, Indonésia. É um conjunto de políticas e incentivos positivos para a redução das emissões provenientes de desmatamento e degradação florestal, e incremento de estoque de carbono florestal (incluindo conservação e manejo florestal sustentável) em países em desenvolvimento (COP 13, 2007, apud BRASIL, 2011a). O escopo de REDD +, de acordo com a COP 16 (2010, citado por Brasil, 2011a) consiste em cinco pontos (direcionados aos países em desenvolvimento): 1 redução das emissões oriundas de desmatamento; 2 redução das emissões oriundas de degradação florestal; 3 conservação dos estoques de carbono florestal; 4 manejo florestal sustentável; 5 fortalecimento dos estoques de carbono florestal.

67 66 A grande contradição de REDD é de reduzir um aspecto político histórico na sociedade a uma fórmula econômica. Adota-se como pressuposto que todo bem precisa ter preço, principalmente quando se quer protegê-lo, fato que o atrelou bastante ao comércio de carbono. Moreno (2011) afirma que a com a política de REDD Está se propondo um novo regime de acesso a atividades econômicas com a floresta em terras que, até então, não estavam no mercado. São em sua maioria terras públicas ou territórios de povos indígenas e que configuram hoje, não por acaso, a reserva de terras tropicais do planeta ainda não incorporadas à fronteira agrícola. No mesmo sentido, outra grande fragilidade do mecanismo é que os compromissos aos princípios e critérios não são vinculados legalmente e não garantem direitos, assim como não se sobrepõem às certificações existentes. Ou seja, o REDD não tem o poder de garantir de fato a soberania dos povos originais. Aliás, isso resgata o problema histórico de conflitos por terra, desrespeito e violação de direitos desses povos, como o conflito entorno da construção de Belo Monte no Pará (MORENO, 2011). Ao quantificar as florestas somente em estoques de carbono, também põe a biodiversidade em risco. Não há obrigação para o investidor ou empresa recuperar a biodiversidade nativa (MORENO, 2011). Outro eixo do REDD engloba as florestas plantadas. Nos países em desenvolvimento, o plantio florestal, principalmente em esquema de monoculturas, é marcante tanto pelo poder econômico (normalmente são países que possuem as melhores condições ambientais para a atividade, que é dominada por grandes corporações) quanto pelos impactos socioambientais causados. No Brasil, as florestas plantadas para fins comerciais ocupam (dados de 2009) 6,31 milhões de hectares aproximadamente, distribuídos de acordo com a Figura16. A maior produtividade no setor, segundo Bracelpa (2011) e ABRAF (2010), é a

68 67 maior o mundo inteiro. Dessa forma, ao considerar em seu escopo os estoques de carbono provenientes de florestas plantadas, o mecanismo de REDD pode se configurar como um estímulo gigantesco para o avanço da atividade no país, o que é bastante problemático devido aos seus grandes impactos comparados com o pouco valor agregado que produz Sobre os impactos da monocultura do eucalipto ver Ramos (2006).

69 68 Figura 16 Área e distribuição geográfica das florestas plantadas no Brasil (2009) Fonte Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas ABRAF (2010) Assim como os problemas identificados no comércio de carbono

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