POLÍTICA EXTERNA E MEIO AMBIENTE: A ATUAÇÃO BRASILEIRA NA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (RIO+20)

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1 POLÍTICA EXTERNA E MEIO AMBIENTE: A ATUAÇÃO BRASILEIRA NA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (RIO+20) Autor (a) Lusimeire Peireira do Nascimento, UEPB CAPES

2 POLÍTICA EXTERNA E MEIO AMBIENTE: A ATUAÇÃO BRASILEIRA NA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (RIO+20) Lusimeire Pereira do Nascimento 1 RESUMO O surgimento da temática ambiental em nível internacional ocorreu no início do século XX, a partir dos primeiros acordos entre os países, os quais decorriam da tentativa de contenção dos recursos naturais. No entanto, foi com o Tratado da Antártida 2, 1959, que, pela primeira vez, obteve a preservação de uma área do planeta por meio de um acordo internacional. Com o desmoronamento da ordem bipolar ocorreu a reemergência dessa temática na agenda dos Estados nacionais, já que os mesmos haviam sofrido um retrocesso devido o contexto internacional no período de , no qual foi priorizado as questões de segurança. Atualmente, o Brasil é considerado um importante ator ambiental internacional, devido a sua extensão territorial e a sua enorme diversidade biológica. No entanto, a época da Conferencia das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Humano, realizada em Estocolmo (1972), a atuação brasileira priorizou as questões de desenvolvimento em detrimento a preocupação ambientais. Enquanto, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, o Brasil utilizou as questões ambientais como uma ferramenta para obter o desenvolvimento nacional, partindo do conceito de desenvolvimento sustentável. Por fim, realizou-se, recentemente, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, entendida como uma tentativa para renovar a confiança internacional no papel do sistema multilateral como foro de solução dos grandes problemas globais. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo entender a ascensão brasileira como importante ator ambiental internacional, priorizando a atuação e as tomadas de decisões da política externa desse país na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Utilizaremos como método de pesquisa, a pesquisa documental e bibliográfica. Palavras-chaves: Rio+20; Política Externa; Desenvolvimento Sustentável. INTRODUÇÃO O surgimento da temática ambiental em nível de sistema internacional ocorreu no início do século XX, a partir dos primeiros acordos entre os países. Esses decorreram da tentativa de contenção de exploração de recursos naturais pelos colonos em suas colônias. No entanto, esses primeiros acordos fracassaram, pois a devastação ambiental 1 Mestranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Estadual da Paraíba UEPB. Bacharel em Relações Internacionais pela mesma instituição. 2 Esse tratado foi assinado na Conferência em Washington para Criação de um Regime Internacional para a Antártica, a qual foi promovida pelos Estados Unidos, o objetivo foi assegurar que essa área seja usada para fins pacíficos, para cooperação internacional na pesquisa científica, e não se torne cenário ou objeto de discórdia internacional. Ver: FERREIRA, Felipe Rodrigues Gomes. O Sistema do Tratado da Antártica: Evolução do Regime e seu Impacto na Política Externa Brasileira. Brasília: FUNAG, 2009.

3 não foi contida. Foi a partir do Tratado da Antártida 3, 1959, que, pela primeira vez, se obteve a preservação de uma área do planeta por meio de um acordo internacional (Ribeiro, 2005: 53). Entretanto, entre o período de ocorreu um retrocesso das questões ambientais na pauta dos países devido ao contexto internacional da época. Durante esse período, ocorreu o acirramento do conflito árabe-israelense, a instabilidade e a crise mundial causada pela desregulamentação do sistema monetário internacional e pelos dois choques do petróleo em e e o aumento das tensões entre Leste-Oeste. Assim, nesse período a agenda internacional dos Estados estava alocada nas questões de segurança e economia, o que levou a temática ambiental ao segundo plano das discussões internacionais (Le Preste, 2000). Com o desmoronamento da ordem bipolar, iniciada na Guerra Fria houve a reemergência de novos temas na agenda dos Estados nacionais, entre eles: as questões de meio ambiente, de direitos humanos, os debates culturais, sociais, e de conflitos étnico-religiosos. Da mesma forma, no entendimento de Lafer e Fonseca (1994), estes novos temas já estavam presentes nos Fóruns Multilaterais, mas não apresentavam prioridade, pois a ênfase estava alocada no sistema internacional, sendo que a dissuasão nuclear e o equilíbrio do terror decorriam da lógica das relações entre as duas superpotências. Atualmente, o Brasil é considerado um importante ator ambiental internacional, devido a sua extensão territorial e a sua enorme diversidade biológica. No entanto, a época da Conferencia das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Humano (CNUMH), realizada em Estocolmo (1972), o posicionamento brasileiro priorizou as 3 Esse tratado foi assinado na Conferência em Washington para Criação de um Regime Internacional para a Antártica, a qual foi promovida pelos Estados Unidos, o objetivo foi assegurar que essa área seja usada para fins pacíficos, para cooperação internacional na pesquisa científica, e não se torne cenário ou objeto de discórdia internacional. Ver: FERREIRA, Felipe Rodrigues Gomes. O Sistema do Tratado da Antártica: Evolução do Regime e seu Impacto na Política Externa Brasileira. Brasília: FUNAG, O primeiro choque de petróleo, que ocorreu entre 1973 e 1974, foi iniciado como uma repressão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ao apoio dos Estados Unidos à Israel na Guerra de Yom Kipur. Esse acontecimento propiciou à OPEP uma ocasião para usar o petróleo como arma, reduzindo a produção de petróleo em 5% ao mês, e suspendendo a venda para os países apoiadores dos israelenses. Ver: BERSTEIN, Serge Et. al.. História do Século XX: de 1973 aos dias atuais A Caminho da Globalização e do Século XXI. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007, p O segundo choque do petróleo, entre 1979 e 1980, ocorreu pela interrupção temporária do fornecimento iraniano devido à revolução islâmica, isso provocou pânico entre os operadores, o que, consequentemente, levou o aumento desproporcional dos preços do barril de petróleo. Ver: Ibidem, p.17.

4 questões de desenvolvimento em detrimento a preocupação ambientais, o que acarretou ao país a imagem de vilão ambiental. Enquanto, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMD), realizada no Rio de Janeiro, em 1992, o Brasil utilizou as questões ambientais como uma ferramenta para obter o desenvolvimento nacional, partindo do conceito de desenvolvimento sustentável. Por fim, realizou-se, recentemente, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), também conhecida como Rio+20, seus objetivos principais foram: a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável; a avaliação de lacunas no progresso e na execução do cumprimento dos compromissos já assumidos; e a discussão sobre desafios novos e emergentes. Durante as reuniões preparatórias o governo brasileiro esperava que a Rio+20 fosse uma ocasião para reconhecer a emergência de novos países como atores decisivos na estrutura de governança global, renovar a confiança internacional no papel do sistema multilateral como foro de solução dos grandes problemas globais e confirmar a crescente importância brasileira dentro deste sistema. Assim, durante os quarenta anos que separaram a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano (1972) da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (2012), a posição internacional do Brasil no tocante ao meio ambiente mudou de forma significativa, sendo reconhecido internacionalmente como o Estado que fez maior progresso na área ambiental. Como vimos, o país resistiu à adoção da agenda ambiental em 1972 e se associou a ela, em E no caso de 2012, como foi a atuação brasileira na Rio+20? Quais foram os objetivos, os principais acordos, conquistas e críticas dessa Conferência? Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo entender a ascensão brasileira como importante ator ambiental internacional, priorizando a atuação e as tomadas de decisões da política externa desse país na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Portanto, na primeira parte desse trabalho traçaremos um breve histórico da atuação brasileira nas Conferências Ambientais Internacionais, Estocolmo-72 e Rio-92. Na terceira parte, iremos definir e contextualizar a Rio+20. Em seguida, estudaremos as diretrizes da política externa do governo Dilma Rousseff. Por fim, entenderemos a

5 atuação brasileira na Rio+20. Utilizaremos como método de pesquisa, a pesquisa documental e bibliográfica. 1. BREVE HISTÓRICO SOBRE O POSICIONAMENTO BRASILEIRO NAS CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS Em 1972, foi convocada a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (CNUMAH), realizada na cidade de Estocolmo, com o objetivo de examinar as ações em níveis nacional e internacional que poderiam limitar ou eliminar os obstáculos com o meio ambiente humano, de maneira a dirigir a atenção dos governos e da opinião pública para a urgência dessa questão (Lago, 2006). A importância da convocação dessa Conferência se deu a partir do diagnóstico alarmante das consequências do progresso mundial sobre o meio ambiente humano. Esse estudo foi realizado pelo Clube de Roma 6, resultando na premissa de que o desenvolvimento dos países periféricos provocaria o aumento da escala de destruição mundial (Ibidem, 2006). Assim, a Conferência reuniu 115 países, 19 órgãos intergovernamentais, e 400 outras organizações intragovernamentais e não governamentais, porém apenas dois chefes de Estados compareceram à reunião: Olaf Palme e Indira Ghandi, representando respectivamente a Suécia e a Índia (Ribeiro, 2005: 74). Durante a Conferência prevaleceu o debate conceitual sobre desenvolvimento e meio ambiente, o que resultou nas divergências de idéias e interesses entre os países dos hemisférios Norte e Sul. Desse modo, o argumento central dos países desenvolvidos baseava-se na premissa de que o desenvolvimento do resto do mundo causaria sérios impactos ambientais, e deveria, portanto, ser controlado (Barros-Platiau, 2006). 6 O Clube de Roma se apresenta como sendo uma organização sem fins lucrativos, independente de quaisquer interesses políticos, ideológicos ou religiosos. Sua missão é agir como um catalisador para a mudança global através da identificação e análise dos problemas ambientais enfrentados pela humanidade, e comunicar tais problemas aos tomadores de decisão públicos e privados, bem como ao público em geral. Foi fundado em 1968, idealizado pelo italiano Aurélio Peccei, membro do conselho administrativo da empresa automotiva FIAT, e pelo escocês Alexander King, cientista e ex-diretor científico da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Disponível em:

6 Para os países do terceiro mundo, cujo líder era o Brasil, os discursos dos países desenvolvidos era apenas uma estratégia para congelar o poder no sistema mundial. Partindo desse pressuposto, o Brasil contestou as posições do Norte, argumentando que a soberania nacional absoluta e o direito de uma nação de explorar seus recursos naturais, de acordo com suas prioridades, deveriam ter preferência em detrimento às análises da comunidade científica que correspondiam as questões de meio ambiente e de crescimento populacional. Assim, o pensamento brasileiro apregoava ser necessário primeiro desenvolver-se, depois pagar a conta dos danos ambientais, tal como haviam feito os países ricos (Duarte, 2003: 16-17). Ou seja, para o governo brasileiro, 1) o ônus maior de corrigir a deterioração do meio ambiente cabe aos países desenvolvidos; 2) o desenvolvimento econômico é o instrumento adequado para resolver os problemas de poluição dos subdesenvolvidos; 3) devem ser contrapostas proposições que resultem em compromisso que prejudique o desenvolvimento; 4) deve ser conduzido o debate sob enfoque técnicopolítico; 5) Evitar iniciativas isoladas e fracionárias por parte de órgãos da administração pública do país, que possam prejudicar a política estabelecida; e 6) Desenvolver ação junto à opinião pública para esclarecer as implicações e repercussões de cada iniciativa proposta, neutralizando possíveis pressões consideradas prejudiciais aos nossos interesses (Lago, 2006: 119). Dessa forma, notamos que o posicionamento brasileiro reflete as diretrizes da ação externa do governo Médici, na qual se entende que a política exterior do Brasil atrelou-se a concepções de desenvolvimento como forma de superar a dependência externa e alcançar a inserção internacional (Duarte, 2003: 15), inaugurando a diplomacia do interesse nacional 7. Segundo Vizentini (1998), a estratégia era buscar uma melhor posição para o Brasil dentro do sistema, transformando o país em uma grande potência, com o ingresso no primeiro mundo. Para isso a diplomacia deveria atuar de forma que consolidasse a sua soberania, aproveitando as oportunidades de cooperação seja no campo técnico, econômico ou na área de tecnologia. 7 Para se entender a diplomacia do interesse nacional ler: OLIVEIRA, Henrique Altemani (2005). Política Externa Brasileira. São Paulo: Saraiva. SOUTO, Cíntia Vieira (2001). A Política Externa do Governo Médici ( ): Uma Nova Proposta de Inserção Internacional para o Brasil. Revista Cena Internacional, ano 3, no1, pp VIZENTINI, Paulo Fagundes (1998). A política Externa do Regime Militar Brasileiro. 1. ed. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRG.

7 Em 1992, ocorreu no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento 8 (CNUMAD), sendo considerado um evento com grande repercussão e caracterizado como o marco histórico do debate ambiental, pois contou com um grande número de líderes políticos, de atores não estatais, como Organizações Não Governamentais (ONG) e cientistas. Segundo Lago (2006), participaram da Conferência delegações de 172 países, 108 representantes de Estado e governo, e representantes de ONGs. A Conferência teve como objetivo a elaboração de estratégias e medidas para reverter os efeitos da degradação ambiental no contexto dos esforços nacionais e internacionais para a promoção de um desenvolvimento ambientalmente adequado para todos os países. As principais fontes de discussões na CNUMAD foram referentes à conservação da biodiversidade biológica, às mudanças climáticas e aos instrumentos de financiamento para projetos de recuperação ambiental. Assim, o presidente Fernando Collor de Melo anunciou que o meio ambiente era prioridade em seu governo, pois percebeu que a ênfase na proteção ambiental era sua maior moeda de troca na parceria pretendida com o Norte. Além disto, Collor também compreendeu que a escolha do Brasil para sediar a CNUMAD-92 por parte da Assembléia Geral da ONU dava-lhe maior oportunidade para projetar sua pessoa e seu governo no cenário internacional (Viola, 1998). Nesse sentido, a posição do governo brasileiro, segundo Eduardo Viola, na realização da Rio-92 foi fundada nos seguintes princípios: 1- Os problemas ambientais globais são relevantes e devem ser tratados prioritariamente pela comunidade internacional; 2- Existe responsabilidade diferenciada pela causa e pela correspondente solução dos problemas ambientais globais, sendo que os países ricos devem assumir um custo fortemente maior (Viola, 1998:11). Desse modo, as posições brasileiras foram influenciadas por cincos fatores: 1) a crise do modelo desenvolvimentista brasileiro na década de 1980, que produziu uma significativa abertura na opinião pública para a idéia de desenvolvimento sustentável; 2) o presidente Collor incorporou uma sensibilidade para os problemas ambientais; 3) a matriz energética brasileira está fundada em recursos naturais renováveis, num contexto em que a quase totalidade dos países é fortemente dependente de combustíveis fósseis 8 Também chamada de Eco-92, Rio-92, Cupúla da Terra.

8 ou nucleares; 4) a consciência da importância da floresta Amazônica pela sociedade brasileira e o consenso favorável na combinação de preservação com desenvolvimento sustentável; 5) por o Brasil ser o país sede do Eco-92, produziu uma pressão estrutural em favor do compromisso com o desenvolvimento sustentável (Viola, 1998). Para Barros-Platiau (2006), as ações políticas brasileiras na Conferência da Rio- 92 foram entendidas como o aproveitamento do momento de grande importância atribuída às questões ambientais no contexto do desenvolvimento sustentável, levando o país a marcar posição sobre essa temática, tanto no âmbito do G77/China quanto em face dos países desenvolvidos. Assim, os principais objetivos brasileiros eram: reverter os debates iniciados em Estocolmo; instituir os conceitos e princípios que interessavam ao Brasil; responder às acusações de que o país degradava os seus recursos ambientais de maneira imprudente; e reforçar o conceito de soberania para resgatar a legitimidade do conceito para os países em desenvolvimento. A posição assumida foi à necessidade de cooperação entre o Norte e o Sul, mas com a rejeição de certas regras e idéias até então impostas. Assim, o governo Collor de Mello inaugurou um novo período do discurso ambiental, ao se afastar do discurso da soberania. A ação brasileira acerca do meio ambiente não se limitou apenas às questões de soberania, mas passou a revelar a aceitação de uma ótica dupla, incorporando também uma abertura à cooperação (Seixas Corrêa, 2007: 503 apud França, 2010: 17). Portanto, como podemos perceber, a atuação brasileira foi alterada em função das mudanças internas e externas do País: a questão da soberania passou de um instrumento que certificava ao Governo a legitimidade de plena atuação em seu território nacional, a um princípio que deveria ser mantido para ser usado quando surgissem ameaças interpretadas como tal por um regime democrático, pois o Brasil não era mais o país que tivera de aceitar parte da agenda ambiental por imposição dos países industrializados. 2. A CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (RIO+20) A situação mundial e brasileira, em 1992, é muito diferente daquela que vigora atualmente. Hoje em dia, a configuração geopolítica mundial é marcada pelo maior

9 dinamismo econômico dos países emergentes, estimulado pelo êxito das políticas de diminuição da pobreza e de ampliação dos mercados consumidores. No que diz respeito à governança internacional, busca-se maior equilíbrio entre países desenvolvidos e em desenvolvimento no debate sobre questões econômicas e financeiras globais (Brasil, 2011). Assim, a Conferência ocorreu em um cenário internacional complexo, permeado por tensões políticas e desdobramento da crise econômico-financeira iniciada nos EUA em 2008, a qual originou significativas consequências que, na Europa, impactou o euro e atingiu, mesmo de maneira diferenciada, grande parte dos países do mundo. Além disso, no sistema internacional se verificou o aumento da multipolaridade política e econômica. No entanto, isto não foi capaz de gerar uma ordem mais estável, podemos citar como exemplo, os impasses quanto a reforma do sistema financeiro, apesar do empenho do G20, e as dificuldades da Rodada Doha da OMC em transformar em obrigações o mandato negociador da Conferência de 2001 (Lafer, 2012). Em âmbito de América Latina, no plano econômico, foram praticamente sobrepujadas na região as questões da dívida externa e das periódicas crises de balanço de pagamentos; o crescimento econômico tem sido consistente e a inflação está controlada na maioria dos países. A alta nos preços dos principais produtos de exportação permitiu manter em equilíbrio as balanças comerciais, mas a estrutura produtiva continua concentrada em setores primários e a produtividade ainda é baixa comparada à dos países desenvolvidos (Brasil, 2011). No plano ambiental, o mundo passou por mudanças significativas, ocorreu o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, o que ocasionou no reconhecimento do aquecimento global como um fenômeno determinante para o futuro da humanidade ao ser avaliado na elaboração de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. Concomitantemente, o crescimento desordenado das cidades apresentava consequência negativa com a revolução nas telecomunicações, a qual trazia enorme impacto positivo nos campos social e político, com a disseminação de informação instantaneamente (Idem, 2011). No Brasil, os elementos que se destacaram foram o dinamismo econômico aliado ao combate à pobreza, o enfrentamento da mudança do clima, a conservação da biodiversidade, a ampliação e diversificação da matriz energética com ênfase em fontes

10 renováveis, entre outros. Entretanto, o país ainda apresenta desafios compatíveis com seu grau de desenvolvimento, como: aprimorar a qualidade da educação, intensificar o progresso científico e tecnológico, promover urbanização e maior desenvolvimento rural (Idem, 2011). Dentro desse contexto, após vinte anos Cúpula da Terra, a Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu, outra vez, governos, instituições, sociedades civis internacionais e representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) para acordar uma série de medidas que possam reduzir a pobreza, e, promover energia limpa e o uso mais justo de recursos sustentáveis. A Rio+20 foi, inicialmente, proposta pelo Presidente Lula durante seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas em 2007, o objetivo era celebrar os 20 anos da Rio-92 e revisar os temas desta conferência, fazendo um balanço das conquistas e fracassos, e a partir disso repensar o desenvolvimento sustentável no século XXI. Essa proposta se concretizou, em 2009, por meio da Resolução 64/2361. Nela foram definidos que o Brasil sediaria a nova Cúpula Ambiental e estabelecido um processo de negociação com uma agenda que permitisse chegar a junho de 2012 com os trabalhos finalizados (CEBDS, 2011). Assim, as reuniões dividiram-se em duas categorias: as preparatórias e as intersessionais. Na Resolução 64/236, que estabelece as regras e características da Rio+20, haviam sido previstas três reuniões preparatórias (Prepcom), com duração de dois dias cada. Parte dos países envolvidos com a preparação da Conferência acreditou que era necessário mais que seis dias de discussão para se chegar a resultados significativos, isso levou o Brasil a sugerir, posteriormente, a realização de mais três reuniões entre as Prepcom, denominadas Intersessionais. Tais reuniões não podem produzir decisões formais, mas são reconhecidas no processo formal e avançam nas discussões necessárias (Idem, 2011). Assim, ao longo de 2011, foram feitas inúmeras consultas a diferentes atores, governamentais e não governamentais para contribuir com a Conferência. Nesse sentido, no início de 2012, foi divulgado o texto Rascunho Zero (Zero Draft), o qual serviu de base para a negociação. A previsão inicial era que o documento fosse negociado nas duas reuniões de 2012, dando origem a um texto que seria encaminhado para a aprovação dos chefes de Estado e governo (CEBDS, 2011).

11 No entanto, com o número de reuniões previstas se revelou insuficiente, foram convocadas outras rodadas de negociações. Consequentemente, o texto do Zero Draft incorporou sugestões e modificações dos países, reunindo propostas alternativas aos dilemas que surgiram durante as seções, isso acarretou na implementação e apresentação de diferentes observações para cada parágrafo do documento, chamado Co-chairs Suggested Text (CST), e, após a negociação da segunda versão, foi nomeado de New Co-chairs Suggested Text (NCST). No final da última reunião, o texto tinha 21 parágrafos aprovados por consenso e 400 parágrafos ainda pendentes, o que originou uma nova rodada de negociação informal no período de 29 de maio a 2 de junho (Idem, 2011). O resultado dessas reuniões foi a criação de um documento cuja estrutura e temas já estavam delineados no texto que foi negociado nas reuniões preparatórias e, posteriormente, nas reuniões oficiais. No documento constava o enfoque de dois temas centrais: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. Assim, o texto foi estruturado em cinco seções: introdução, renovação do empenho político (quatro capítulos), economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza (três capítulos), arranjos institucionais para o desenvolvimento sustentável (três capítulos) e arranjo para ação e acompanhamento (três capítulos) (CEBDS, 2011). As negociações que se seguiram foram baseadas nesse documento. No entanto, esse documento diminuiu devido o próprio processo de negociação. Os chairs reuniram as propostas que entraram em consenso, o que reduz o tamanho do texto, já que nessa conferência usou-se de regras do multilateralismo onusiano, ou seja, foi preciso chegar a um consenso para produzir resultados. Faltando apenas um dia para o início oficial da conferência, o Brasil declarou o encerramento da discussão do texto, o que, consequentemente, provocou o descontentamento de mais de 100 chefes de Estado e de Governo que participaram da conferência, pois os mesmo não conseguiram impor seus interesses e críticas. O documento final, contudo, refletiu apenas um mínimo denominador comum dos interesses da comunidade de estados sobre as discussões da política internacional de sustentabilidade, portanto, não conseguiu atender adequadamente aos problemas ambientais e de desenvolvimento (Beishei; Lode; Simon, 2012).

12 Dentro desse contexto, se realizou no Rio de Janeiro, em Junho de 2012, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), também conhecida como Rio+20, com objetivo de tratar a renovação do compromisso com o desenvolvimento sustentável pelos próximos vinte anos, por meio da avaliação das ações já realizadas e da discussão de desafios para estabelecer a economia verde e a erradicação da pobreza, assim como propôs a discussão do quadro institucional para se desenvolver instrumentos de governança para o desenvolvimento sustentável (ONU, 2012). A Rio+20 foi considerada uma oportunidade de modificar o paradigma financeiro tradicional e agir para acabar com a pobreza, diminuir a destruição do meio ambiente e construir uma ponte para o futuro. Essa Conferência teve o total de participantes, dos quais foram cerca de 100 chefes de Estado e governo, aproximadamente 12 mil delegados vindos de 188 delegações de países e três observadores internacionais, e representantes de Organizações Nãogovernamentais e outros grupos (Idem, 2012) 9. Assim, as discussões oficiais focaram em dois temas principais: como fazer para se obter uma construção de economia verde, que alcance o desenvolvimento sustentável e retire as pessoas da pobreza, incluindo o apoio aos países em desenvolvimento; e como aperfeiçoar a coordenação internacional para o desenvolvimento sustentável. Dentro desses temas a Conferência das Nações Unidas discutiu: a transição para economias mais verdes e ao mesmo tempo focou na erradicação da pobreza; a proteção dos oceanos da sobrepesca e dos efeitos adversos das mudanças climáticas; ampliação do uso dos recursos de energias renováveis que possam de fato diminuir as emissões de carbono; gerenciamento das florestas; redução do desmatamento pela metade até 2030; a conservação e administração de recursos hídricos para promover o desenvolvimento e a proteção contra a desertificação (ONU, 2012). A versão final do documento é composto por 283 parágrafos dividido em 6 seções. A Seção I, "Nossa visão comum", descreve o desenvolvimento sustentável como fator importante para erradicação da pobreza. Esta foi uma preocupação central dos países em desenvolvimento e emergentes. Na seção seguinte, "Renovar compromisso 9 Fonte de dados:

13 político", os resultados anteriores da Rio-92 foram reafirmados, incluindo os princípios da Declaração da Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. As outras seções tratavam de dois temas principais da conferência: a transição para uma "economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza" (III), "quadro institucional para o desenvolvimento sustentável" (IV). A Seção V tratou da formação de ação relativa aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por fim, o último capítulo abordou os meios de implementação dos compromissos firmados na conferência (Beishei; Lode; Simon, 2012). O documento final da conferência, O Futuro que Queremos, respondeu à maioria das demandas e interesses dos países em desenvolvimento e emergentes, reunidos no Grupo dos 77 (G-77). No entanto, o descontentamento da União Européia e diversas organizações não-governamentais, iniciado nas reuniões preparatórias se intensificaram durante a sessão oficial. Entre os mais insatisfeitos com o texto estavam os delegados da União Européia (UE). Janez Potočnik, comissário do ambiente e negociador-chefe da delegação da UE, veio perseguir metas mais ambiciosas para a conferência. As organizações ambientais também criticaram o documento por ser vago e evasivo em sua formulação, não nomear instrumentos explícitos para a implementação de políticas globais de sustentabilidade, e, portanto, não criou nenhum mecanismo que efetivamente pudesse enfrentar os desafios propostos pelo desenvolvimento sustentável. No entanto, os Estados europeus decidiram aprovar a declaração final, afirmando que continha elementos suficientemente positivos, que além do mais pode e deve ser a negociar em próximos processos. Portanto, ao final da Conferência, o documento foi aprovado por consenso (Idem, 2012). Os instrumentos discutidos na Cimeira da Rio incluem: o aumento do apoio às tecnologias limpas, a redução de impostos e subsídios prejudiciais ao ambiente, a mudança de padrões insustentáveis de consumo e produção, assim como o reconhecimento dos diversos benefícios econômicos para conservação da natureza. Os delegados não chegaram a um verdadeiro acordo global para as questões que envolvem a economia verde ou instrumentos significativos para fazê-lo. O documento reafirma as mudanças no nível multilateral da percepção do que deveria ser indicadores para maior medida de progresso (Beishei; Lode; Simon, 2012).

14 Como resultado, o documento final da Rio prevê a criação de um processo inclusivo, transparente, intergovernamental que visa desenvolver um conjunto de metas globais para a solução dos problemas ambientais. Segundo o documento, essas metas de sustentabilidade devem ser consistentes com o direito internacional, contribuindo para a plena implementação dos resultados de todos os princípios ambientais, econômicos, sociais e, principalmente, os baseados na Declaração do Rio e da Agenda 21, adotadas em 1992 (Idem, 2012). 3. POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO DILMA ROUSSEF O mandato presidencial de Dilma Rousseff no Brasil iniciou-se em janeiro de 2011, após oito anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Com grande destaque na mídia nacional e internacional tanto pela atuação da política externa de seu governo quanto pela crescente importância do Brasil no sistema internacional, a vitória de Dilma representou a superioridade do discurso da continuidade, principalmente no que diz respeito as diretrizes da política externa. A princípio, entendemos que a inserção internacional brasileira e as bases da ação externa do governo Rousseff vinculam-se ao conceito tratado por Cervo (2012) de Estado Logístico que é entendido como aquele Estado que não se reduz a prestar serviço, como fazia à época do desenvolvimentismo, nem a assistir passivamente às forças do mercado e do poder hegemônico, como se portava à época do neoliberalismo. Logístico porque recupera o planejamento estratégico do desenvolvimento e exerce a função de apoio e legitimação das iniciativas de outros atores econômicos e sociais, aos quais repassa responsabilidades e poder (Cervo, 2012: 39). Assim, são componentes do Estado Logístico: multilateralismo da reciprocidade, internacionalização econômica, abertura do mercado de consumo bem como dos sistemas produtivo e de serviço, estabilidade monetária e moeda forte, agências de fomento, equilíbrio financeiro interno e externo, ascensão da sociedade e diminuição do Estado, organização social avançada, competitividade sistêmica global elevada. Em síntese, inserção interdependente no capitalismo maduro, sendo o Brasil o protótipo desse modelo na América do Sul (Ibidem: 51). No entanto, Cervo afirma que existe um dilema que se põe à inserção brasileira no exterior: balancear seu projeto de integração e desenvolvimento regional com sua aspiração de potência emergente de alcance global, principalmente, na região da

15 América do Sul. Isso foi administrado com equilíbrio, tanto durante o governo de Fernando Henrique Cardoso quanto no de Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos comprometeram-se em conduzir a nação nessas duas vias de ação externa, dando respaldo às lideranças setoriais nacionais. No momento em que Dilma Rousseff assume o poder, a ação externa tende à construção da potência global (Cervo, 2012). Assim, o governo está predisposto a atuar no cenário global de maneira mais individual, enquanto anteriormente ocorria hesitação nessa ação. Essa inflexão não equivale a uma renúncia à integração regional, mas trata-se de um reconhecimento de que a estratégia globalista adquiriu relevância no modelo brasileiro de inserção internacional. Cervo (2012: 43) coloca como as duas explicações para essa inflexão: os problemas causados pelos países vizinhos, por um lado, e a percepção segundo a qual as instâncias globais contribuem de modo mais concreto e objetivo para a emergência do Brasil sobre o cenário internacional do que as instâncias regionais. Outra linha de argumentação coloca a importância do papel do BRICS para a inserção brasileira. Essa linha afirma que esse grupo é como uma nação capaz de influir sobre a transformação da ordem internacional e a promoção dos interesses dos países em desenvolvimento (Ibidem: 46). Assim, o grupo induz a satisfação de demandas individuais dos membros. Um exemplo disso é a superação dos Estados Unidos pela China como primeiro parceiro comercial do Brasil, levando ao aumento do comércio intrabloco e o fortalecimento das relações econômicas por meio de mecanismos de cooperação. Nesse sentido, Cervo (2012: 47) coloca como dois resultados perceptíveis: a mudança em curso da estratégia internacional de segurança e a redistribuição de poder em órgãos da governança financeira internacional. Assim, o Brasil encontrou um assento entre as grandes potências, envolvendo-se com a promoção da transformação gradual da ordem internacional, ou seja, à transição da assimetria para a igualdade entre as nações através da relevância dada as questões de direitos humanos. Cervo ainda qualifica a reciprocidade, como as regras do ordenamento multilateral que beneficiam igualmente todas as nações, consequentemente, afastam a ordem que favorece as nações mais desenvolvidas e prolongam as assimetrias existentes. Os pressupostos do multilateralismo da reciprocidade são dois:

16 a necessidade de regras para o ordenamento internacional sem as quais irá prevalecer a disparidade de poder em benefício das grandes potências; e a elaboração conjunta dessas regras de modo a garantir reciprocidade de efeitos para que não realizem interesses de uns em detrimento de outros (Cervo, 2012: 49). Por fim, as relações internacionais do Brasil nesse século são norteadas por dois objetivos: a realização de interesses nacionais e a apoio a reforma da ordem internacional. Os pressupostos da ação externa do país compreendem idéias e valores. Assim, o meio dirigente revela a convicção de que convém ao país desempenhar papel relevante sobre o cenário internacional e tal convicção resulta em desígnio nacional, ao ser assimilada pelas lideranças sociais. As ideias que geram tal desígnio fundamentam-se em base cultural interna. O multilateralismo da reciprocidade, segundo o qual os benefícios da ordem internacional devam espalhar-se sobre todas as nações, promover a igualdade e atenuar assimetrias entre elas. As negociações diplomáticas multilaterais destinam-se, segundo esse conceito, a produzir regras relativas ao comércio, às finanças e às questões ambientais benéficas para todos, especialmente para as nações vítimas da globalização assimétrica. O universalismo da política internacional afeta, por outro lado, os direitos humanos: a serem respeitados por todos, grandes, pequenas e médias potências, e jamais posto a serviço de ideologias e culturas específicas, como tem ocorrido. A convivência de diferenças, em outras palavras, induz o desmonte do choque de civilizações e da estabilidade hegemônica, teorias e práticas postas a serviço de grandes potências (Cervo, 2012: 56). Portanto, vinculado ao conceito de Estado logístico, a inserção do país busca um novo relacionamento com o mundo e a maior integração com a América do Sul, área natural de expansão da economia brasileira. No âmbito internacional, o país forja coalizões com outros emergentes como Índia, Rússia, China e África do Sul que o reforçam como ator importante e permitem bloquear as estruturas hegemônicas, possibilitando o maior desenvolvimento e o aumento do campo de inserção internacional brasileira. No entanto, não subjugam as parcerias tradicionais, com Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Itália, Japão, França, Grã-Bretanha, e as novas, como Portugal, Espanha e China (Cervo, 2012). Nesses primeiros anos de governo Dilma, percebemos que as diretrizes gerais da política externa de seu antecessor foram mantidas, os quais já foram consolidados pela Política Externa Independente (PEI), pautando-se na busca de diversificação de parceiros com vistas a conseguir um posicionamento internacional mais autônomo. Essa visão baseia-se no pensamento nacionalista que entende a inserção brasileira como

17 uma política comprometida com a promoção do desenvolvimento do país, com a busca da autonomia decisória e com a luta para tornar a ordem internacional menos desconfortável para os países em desenvolvimento (Gonçalves, 2011:11), consolidando o caráter pragmático e autonomista da política exterior brasileira. No entanto, há diferenças de estilo e ênfase, principalmente no que se refere às questões de direitos humanos que passaram a ter maior centralidade, no relacionamento com o Oriente Médio e na ascensão brasileira como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A concretização da inflexão de prioridades na agenda exterior no campo dos direitos humanos é representada pela postura do país em relação às violações cometidas pelo Irã. Nos primeiros meses do novo governo, o Brasil votou de maneira inédita no Conselho de Direitos Humanos (CDH), compartilhando do posicionamento norteamericano na designação de um relator especial para monitorar a situação humanitária no Irã. Nesse contexto, destacamos como a segunda inflexão ocorrida no inicio de 2011: a chamada Primavera Árabe 10. Nesse período, ocorreram revoltas populares que abalaram todas as nações árabes, com importantes efeitos, de mudanças institucionais por meio de conflitos civis, em países como Argélia, Bahrein, Egito, Iêmen, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Omã, Síria e Tunísia (Gonçalves, 2011). Segundo Casarões (2012), entre esses casos, os conflitos na Líbia e na Síria foram particularmente onerosos à política externa brasileira. Nessas situações, o governo Dilma foi exposto a um dilema: apoiar os governos de Khadafi e Assad, o que mostraria não apenas uma posição cautelar com relação aos episódios, mas também a disposição brasileira em manter os laços oficiais, políticos e os fluxos comerciais com ambos os países; por outro lado, foram relatadas diversas violações de direitos humanos perpetradas por aqueles regimes, o que causaria a contradição da política externa do governo, já que a mesma priorizou em sua agenda a preservação desses direitos. No entanto, devido às circunstâncias supracitadas, ocorreu a necessidade de um rápido ajustamento brasileiro as mudanças contextuais, preservando a coerência da 10 Termo utilizado para descrever o conjunto de revoluções populares do mundo árabe na Tunísia, em dezembro de Os efeitos dessa agitação social levaram: a destituição do presidente tunisiano Zine El Abdique Ben Ali, após 23 anos no poder; a renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak, no poder desde 1981.

18 política externa, ao menos em discurso. Assim, os direitos humanos deveriam delimitar a ação brasileira diante da Primavera Árabe. No caso líbio, diante dos abusos massivos contra a população civil, esperavase que o Brasil referendasse as medidas tomadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em remissão a doutrina internacional da responsabilidade de proteger. No tocante a crise do regime de Bashar al- Assad, a expectativa era a de que o Brasil se juntasse ao coro das nações, muitas das quais árabes, que condenavam a violenta repressão do governo aos manifestantes e civis em geral (Casarões, 2012: 49). No entanto, nenhuma dessas duas previsões concretizou-se de fato. Mesmo que, em fevereiro, o Brasil tenha votado a favor de sanções econômicas contra Khadafi, a delegação brasileira absteve-se sobre a autorização de uma zona de exclusão aérea em território líbio. O posicionamento brasileiro acompanhou os votos dos demais BRICS (China, Índia e Rússia) e da Alemanha. Em todos os casos, foi utilizado um argumento semelhante: a chamada no fly zone poderia abrir espaço para uma intervenção ocidental indesejada e desproporcional, liderada pela OTAN (Idem, p. 49). Outro motivo para justificar essa ação brasileira é que ela significou o prejuízo do país na dimensão comercial, pois o fortalecimento dos rebeldes líbios e a crescente instabilidade local colocaram em risco o interesse corporativo de inúmeras empresas nacionais que passaram a atuar na Líbia a partir do governo Lula (Casarões, 2012). Com o fim do conflito, ocorreu o reconhecimento do governo rebelde por parte dos Estados Unidos e de grande parte das nações européias, mas o governo brasileiro apenas descredenciou os partidários do antigo líder, Khadafi, de suas representações oficiais, em setembro. Criticado pela demora em aceitar o Conselho Nacional de Transição (CNT), o ministro Antonio Patriota afirmou que o Brasil reconhece Estados, e não governos (Idem, 2012). Ao contrário da questão líbia, a situação na Síria encontra-se paralisada no âmbito do Conselho de Segurança, pois os interesses das potências ocidentais de impor sanções ao regime de Assad contrapõem-se aos da Rússia e China, que são aliados tradicionais do governo sírio. Eles vetaram uma proposta de resolução iniciada pelos países europeus. Enquanto, o Brasil, Índia e África do Sul, abstiveram-se novamente do voto e causaram imediata reação da opinião pública, o que comprometeu as aspirações futuras a uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas (Casarões, 2012).

19 Em declaração conjunta com esses parceiros emergentes, o Brasil condenou a violência na Síria, mas reafirmou seu compromisso com a soberania do país. A tentativa do grupo em mediar o conflito acabou gerando resultados ambíguos. Na Assembléia Geral e no Conselho de Direitos Humanos, o Brasil votou contra o regime de Assad (Idem, 2012). Assim, Casarões afirma que a política externa brasileira de Dilma mantém fortes traços de continuidade com a diplomacia de Lula. No entanto, existiu a dificuldade em se manter a coerência nos foros internacionais, devido a tradição da diplomacia brasileira de não intervenção e respeito a soberania, e nos acordos assumidos com os blocos emergentes, Brics e Ibas. Embora Isso não significa que não haja espaço para a inovação ou para a mudança. A desvinculação dos votos brasileiros nos âmbitos do Conselho de Segurança e do Conselho de Direitos Humanos, por exemplo, mostra uma flexibilidade inédita da diplomacia nacional em condenar governos próximos por suas violações de direitos humanos (Casarões, 2012:50). Nesse contexto, o discurso da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, na abertura da 66ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas clamou por uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, que corrói sua credibilidade e sua eficácia. Essa busca brasileira pelo assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciou-se sob o governo de José Sarney, em 1989, na abertura da 44ª sessão da Assembleia Geral, o governo defendeu as mudanças na estrutura do Conselho. Desde então, o discurso baseia-se na orientação em favor da democratização dos processos decisórios internacionais, bem como de maior representatividade nos mesmos foros (Cardoso et al., 2012). Ademais, os argumentos utilizados pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso na Assembléia enfatizaram o caráter pacífico das relações brasileiras com seus vizinhos, os bem-sucedidos processos de integração e o posicionamento contrário à iniciativa de autorizar a intervenção na Líbia sob o capítulo VII da Carta da ONU. Apesar dessa abstenção, a Resolução 1973 foi aprovada em março, e, ainda que não se apresentasse totalmente pautada no princípio Responsabilidade de Proteger 11, refletia 11 O principio da responsabilidade de proteger foi proposto inicialmente em 2001, por um relatório elaborado pela International Comission on Intervention and State Sovereignty (ICISS), cuja motivação foi tentar evitar a repetição de genocídios como aqueles verificados em Camboja, Ruanda e Bósnia. A

20 seu conteúdo ao permitir o emprego de todas as medidas necessárias para proteger os civis dos ataques do governo de Muammar al-gaddafi (Idem, 2012). Assim, o Brasil fortaleceu sua posição de potência emergente, buscando participar de maneira mais ativa e autônoma dos debates globais para defender seu posicionamento e interesses que afirmam sua própria visão de como lidar com questões que atravessam fronteiras. Nas discussões sobre violência contra as mulheres, o Brasil demonstrou que seu discurso diplomático abrigou uma relação especial sobre este assunto, conforme visto durante a 17ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra. Neste encontro, o Brasil buscou demonstrar que existe um alinhamento entre as políticas para as mulheres do governo, o discurso diplomático brasileiro em direitos humanos e a perspectiva da relatora das Nações Unidas. Assim, o país explanou sobre suas políticas públicas para mulheres, o que vinculou com a maior parte das preocupações da relatora especial (Monte, 2011). No que diz respeito ao relacionamento com a Argentina, o governo Rousseff deu continuidade a política de aproximação bilateral desempenhada na era Lula. Assim, o processo de integração entre Argentina e Brasil ganhou outro foco, especialmente, no âmbito social e no desempenho econômico frente à crise internacional. O discurso é de superação das assimetrias e delinear um novo eixo baseado na União das Nações da América do Sul (UNASUL), o que possibilitaria o aumento da relevância da América do Sul e o peso nas negociações. Outro aspecto difundido pela política externa menciona à integração das cadeias produtivas, voltada a maior cooperação técnicocientífica por ambos, o objetivo é o rompimento da dependência tecnológica dos países em relação às economias centrais, aproveitando o cenário de crise internacional. (Gonzales et. al, 2012). Em relação ao Mercosul, a posição adotada no governo de Lula está sendo mantida: não é prioridade, mas sua defesa é uma política de estado. Os seus avanços se concentram em áreas não-comerciais, buscando-se espaços para a ampliação industrial e o desenvolvimento de infraestrutura (Saraiva, 2011). comunidade internacional deveria apoiar os Estados a cumprir a proteção da população contra as violações e crimes de seu próprio governo e, quando não fosse viável pela via pacífica, deveriam garantir a proteção da população através do emprego coletivo da força autorizado pelo CS sob o Capítulo VII ( Ver: Cardoso, Amanda Rodrigues Lima; THOMAZ, Diana Zacca; MACHADO; Rafael Piccinini. O discurso de Dilma Rousseff e suas repercussões na pauta da mídia e da agenda internacionais. XV Encontro de História da ANPUH. Rio de Janeiro, 2012., p. 17).

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