Módulo 2 Panorama mundial da questão ambiental. 1. Evolução do movimento ambientalista. Décadas de 60 e 70. Década de 80.

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1 Módulo 2 Panorama mundial da questão ambiental 1. Evolução do movimento ambientalista Durante os últimos 30 anos tem se tornado crescente a preocupação da sociedade com a subsistência, mais precisamente com o esgotamento dos recursos naturais no futuro. Décadas de 60 e 70 Situação: Até a década de 70, o mundo baseou o seu crescimento econômico na acumulação de riquezas materiais sem nenhuma preocupação com o meio ambiente. Resultado: Desequilíbrio ecológico atual, levando a sociedade à preocupação com o esgotamento dos recursos naturais. Reação: Surge o movimento ecológico. O livro Primavera Silenciosa, escrito por Rachel Carson e publicado em 1962, chamou a atenção a degradação dos recursos naturais e para os riscos dela decorrentes para a população humana. Em 1968, foi fundado o Clube de Roma constituído por um grupo de cientistas e pensadores para discutir a crise ambiental, entre outros temas relevantes da época. Quatro anos depois, foi publicado o relatório dessa análise, intitulado Os Limites do Crescimento, que propunha modificações no modelo de desenvolvimento. Nas políticas públicas, a década de 60 marca o início da estruturação das instituições e a formulação das políticas ambientais em diversos países. O movimento ecológico surge no início da década de 70, questionando os padrões vigentes e apresentando um novo estilo de vida, privilegiando a preservação do meio ambiente. Nessa época, as políticas públicas caracterizaram-se como corretivas, com mecanismos de controle da poluição. Começou a configurar-se efetivamente uma mudança da sociedade pós-industrial. Este processo teve como base as mudanças tecnológicas e organizacionais através do uso crescente das tecnologias da informação, de novos produtos e a melhoria de desempenho. Década de 80 Situação: Duas graves crises do petróleo ocorridas na década anterior (1973 e 1979) Resultado: Constatação de que os recursos naturais são finitos. Reação: As políticas ambientais passaram a ter um enfoque preventivo. Nesta época começou-se a adotar estudos de avaliação do impacto ambiental como instrumento de prevenção e subsídios a decisão. O sistema de gestão ambiental, centralizado na mão do Estado, utilizava instrumentos de comando e controle. Fortes conflitos entre os interesses públicos e privados surgiram, até que em 1987 a ONU buscou conciliar as partes com o relatório Nosso Futuro Comum. 1

2 Década de 90 Situação: Busca de novos instrumentos de gestão ambiental. Resultado: Introdução de instrumentos econômicos e implementação de instrumentos de comando e controle menos punitivos. Reação: Rio 92 Um novo modelo de desenvolvimento baseado na compatibilidade entre o crescimento econômico, a justiça social e a conservação dos recursos naturais começou a ganhar força: o desenvolvimento sustentável. A evolução dos instrumentos de gestão ambiental nas empresas gerou muitos avanços, destacando-se: Desenvolvimento na série de Normas ISO 14000; Sistema de gestão ambiental; Auditoria ambiental; Avaliação de desempenho ambiental e ciclo de vida; Rotulagem e aspectos ambientais em padrões, relacionados à gestão ambiental de produtos. Na área pública, a gestão ambiental foi pautada pela introdução de instrumentos de comando e controle menos punitivos, e de instrumentos econômicos (novas ferramentas de gestão). A Rio 92 foi um marco na gestão ambiental no mundo, com um papel importante na disseminação deste novo conceito. Nesta época surgiram novos fatores na área ambiental: Crescimento de atitudes pró-ativas das empresas para a gestão ambiental; Expansão da Eco-Diplomacia, com a realização de convenções internacionais sobre problemas ambientais globais; Melhoria na atuação das administrações locais, em resposta ao processo de globalização; Aumento de uma sensibilização ambiental por toda a sociedade, originando crescimento das demandas e da mobilização. 2. Conferências internacionais Muitos esforços globais foram feitos para a construção de um novo 1 paradigma de desenvolvimento. Alguns marcos internacionais demonstram a evolução da gestão ambiental no mundo. 1 Paradigma: padrão, ou exemplo que serve como modelo. 2

3 Conferência de Estocolmo Data: 1972 Local: Estocolmo, Suécia. Participantes: 113 países Objetivos: Estabelecer uma visão global e princípios comuns para a preservação e melhoria do ambiente humano. Declaração dos Princípios da Conferência de Estocolmo, contendo 23 princípios para a orientação de todos sobre questões relacionadas ao meio-ambiente. Principais desdobramentos: Declaração sobre o Ambiente Humano; Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA); Programa de Observação Terra: monitora os diversos tipos de poluição; Comissão Mundial para Meio Ambiente e Desenvolvimento (CDMMA): vinculada ao Sistema das Nações Unidas: Participantes: 21 países Objetivo: pesquisar os problemas mais críticos da sociedade moderna. Relatório "Nosso Futuro Comum": publicado em 1987, engloba as preocupações, os desafios e os esforços comuns a todos os países em relação às questões ambientais, sociais, econômicas e políticas. Novo conceito de desenvolvimento: Desenvolvimento Sustentável.! Textos adicionais Sugestão de leitura: Declaração dos Princípios da Conferência de Estocolmo Rio 92 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) Data: 1992 Local: Rio de Janeiro Participantes: 179 países assinaram a Agenda 21. Objetivos: Envolver a temática ambiental e suas interfaces com o tema do desenvolvimento humano. Agenda 21 A Formação de Redes de Comunicação temáticas a nível mundial Convenção da Biodiversidade Convenção de Mudanças Climáticas Governança Ambiental Internacional! Textos adicionais Sugestão de leitura: Efeito estufa e a Convenção sobre Mudança de Clima 3

4 A Formação de Redes de Comunicação temáticas a nível mundial Os avanços tecnológicos possibilitaram o estabelecimento de redes de comunicação temáticas, nas quais diversos atores sociais e grupos de várias partes do mundo puderam interagir. Este novo canal favoreceu a discussão das questões ligadas ao desenvolvimento e meio ambiente em escala global e a influência sob políticas públicas. Convenção da Biodiversidade Objetivos: "a conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a partilha justa e eqüitativa dos benefícios provenientes da utilização dos recursos genéticos". primeiro acordo que engloba todos os aspectos da diversidade biológica: genomas e genes, espécies e comunidades, habitats e ecossistemas. estabelece novos modelos de parceria entre os países: cooperação científica e técnica, acesso aos recursos financeiros e genéticos, transferência de tecnologias novo significado para a diversidade natural: uma medida de segurança para garantir o avanço de descobertas medicinais, na alimentação e no desenvolvimento econômico Convenção de Mudanças Climáticas Desde a década de 80 quando as evidências científicas passam a relacionar as emissões de gases de efeito estufa provenientes das atividades humanas ao risco de mudança do clima global, esse tema passou a despertar a preocupação pública. Data: início das assinaturas em Participantes: mais de 175 países até 1999 Objetivos: estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça a interferência antrópica perigosa no sistema climático, dentro de um prazo limitado que permita aos ecossistemas a adaptação às mudanças climáticas e garanta o desenvolvimento sustentável. A Conferência das Partes (COP) - órgão supremo da Convenção - reuniu-se pela primeira vez em Berlim, em Em 1997, em sua terceira sessão, a COP adotou o Protocolo de Quioto, que estabelece compromissos de redução das emissões conjuntas de gases estufa dos países desenvolvidos em pelo menos 5% até o período de 2008 a 2012, com base nos níveis de emissão de O Protocolo de Quioto teve a adesão de 55 países, representando pelo menos 55% das emissões totais de dióxido de carbono. Governança Ambiental Internacional A sustentabilidade do planeta requer uma abordagem equilibrada, com reconhecimento do princípio da responsabilidade comum porém diferenciada, integrando proteção ambiental, crescimento econômico e desenvolvimento social. A comunidade internacional deve encaminhar essa questão de forma mais coerente e coordenada. Para tanto, a arquitetura institucional internacional precisa ser fortalecida. A Declaração de Nairóbi (1997), definiu o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como "principal órgão da ONU na área do meio ambiente", com o papel de "principal autoridade ambiental mundial, com competência para definir a agenda ambiental global, promover a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no sistema da ONU e atuar como defensor oficial do meio ambiente global". A nova estrutura institucional deverá tratar, ainda, das preocupações do mundo em desenvolvimento com capacitação, transferência de tecnologias ambientalmente saudáveis e 4

5 estratégias de financiamento. As quatro reuniões do Grupo Aberto de Ministros e seus Representantes sobre a Governança Ambiental aconteceram em Nova York (abril de 2001), Bonn (julho de 2001), Argel (setembro de 2001) e Montreal (novembro-dezembro de 2001), tendo sido acordado que o relatório emitido pelo Diretor Executivo da Governança Ambiental Internacional deve ser considerado um documento dinâmico a ser periodicamente revisado. As principais conclusões dessa reunião foram: Necessidade de aprimoramento da governança ambiental internacional; O processo de governança ambiental internacional deve-se dar no amplo contexto do desenvolvimento sustentável; É necessário aumentar a cooperação regional e fortalecer os mecanismos regionais; Recomendou-se a consideração do relacionamento entre o PNUMA e o Fundo Ambiental Mundial (GEF); Foi considerada de vital importância a busca de soluções para o financiamento das atividades ambientais internacionais, bem como o exame da consideração de questões relacionadas à locação e cooperação programática com PNUMA; Deve-se apoiar a participação efetiva de outras partes interessadas e facilitar as representações da sociedade civil dos países em desenvolvimento. Rio + 5 Data: 1997 Objetivos: Local: Rio de Janeiro Balanço dos avanços das políticas públicas e das ações implementadas na Rio 92. Pouca repercussão e poucos resultados concretos. Rio +10 Data: 2002 Local: Joanesburgo, África do Sul. Participantes: 40 mil delegados, líderes mundiais. Objetivos: Conciliação entre o combate à pobreza e a defesa do meio ambiente: o desenvolvimento sustentável; Implementação dos compromissos da Agenda 21; Debate de temas como Energia, Água, Agricultura, Biodiversidade, Clima, Saúde. 2 Lideranças presentes: chefes de governo, representantes de Organizações Não-Governamentais, da indústria e de outros setores da sociedade. 5

6 Rio +10 (continuação) Metas definidas: Reduzir à metade, até 2015, a proporção de pessoas com renda inferior a um dólar por dia, de pessoas com fome e sem acesso a água potável; Estabelecer um fundo mundial para erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento social e humano nos países em desenvolvimento; Melhorar significativamente o padrão de vida de 100 milhões de favelados; Eliminar as piores formas de trabalho infantil; Ratificar o Protocolo de Quioto relativo a mudanças climáticas (saiba mais); Reduzir até 2015 em dois terços os índices de mortalidade infantil e em três quartos a mortalidade materna; Destinar 0,7% do Produto Interno Bruto dos Países Desenvolvidos para assistência oficial ao mundo em desenvolvimento; Reduzir as dívidas externas insustentáveis inclusive pelo cancelamento, quando indicado; Assegurar que alimentos e medicamentos não sejam usados como ferramenta de pressão política. Avanços mais concretos, principalmente em relação à transferência de recursos das nações mais ricas para as mais pobres, não foram alcançados. Análise e crítica da Conferência: Impasse entre as posições dos países desenvolvidos e em desenvolvimento; Princípios do documento Legado do Rio são questionados por alguns países industrializados, inviabilizando compromissos como o Protocolo de Quioto. O novo desafio é a gestão e implementação das medidas já acordadas nos últimos anos. Opinião do especialista Para Marta de Azevedo Irving e Aline Pinto de Almeida, a fragilidade da ONU na implementação das decisões e na indução do processo tornou-se clara. É evidente uma certa desmobilização na área ambiental por parte da sociedade civil nos últimos dez anos, comparativamente à movimentação sem precedentes observada no Rio de Janeiro, em O desafio agora não é mais realizar grandes conferências internacionais. O que se impõe é a gestão e implementação do enorme conjunto de medidas já acordadas nos últimos anos. 6

7 Recomendações futuras Após a Conferência Rio+10, algumas tarefas urgentes são recomendadas: O resgate do "Legado do Rio"; Novas rodadas de consultas internacionais para discutir os impasses para uma: Globalização solidária: o desenvolvimento possibilitado pela globalização atingiu os países de forma assimétrica, gerando um questionamento do Estado como promotor da justiça social e da redução da pobreza. Impõe-se um novo paradigma, a globalização solidária, envolvendo todos os setores da sociedade para que os benefícios desta universalização possam ser melhor distribuídos. Cidadania Planetária: os anseios de participação da sociedade no futuro sustentável devem ser atendidos, não permitindo-se a tendência de privilegiar os temas da agenda comercial entre os países. A promoção do debate sobre o estabelecimento de uma Cidadania Planetária é urgente, fortalecendo ao mesmo tempo um equilíbrio entre as decisões internacionais e a identidade nacional de cada povo.! Textos adicionais Sugestão de leitura: Carta de Aalborg Uma aposta sobre as reservas mundiais Fim Módulo 2 Dúvidas ou sugestões, envie para a analista de meio ambiente da Embratel - Alexandra Mendes Silva 7

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