OS LIMITES DA CIDADANIA AMBIENTAL NO CONTEXTO DA RIO+20: UMA DISCUSSÃO SOBRE REDISTRIBUIÇÃO E RECONHECIMENTO

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1 CAPÍTULO 8 OS LIMITES DA CIDADANIA AMBIENTAL NO CONTEXTO DA RIO+20: UMA DISCUSSÃO SOBRE REDISTRIBUIÇÃO E RECONHECIMENTO Ana Virgínia Gabrich Fonseca Freire Ramos Franclim Jorge Sobral de Brito Mestranda em Direito Ambiental e Sustentabilidade, Escola Superior Dom Helder Câmara. Doutorando em Teoria do Estado e Direito Constitucional, PUC/RIO. 183

2 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos INTRODUÇÃO A questão da cidadania sempre esteve presente nas discussões acerca do exercício de direitos: se num primeiro momento a cidadania estava diretamente ligada à concepção política, na atualidade sua prática se torna pressuposto para o exercício de direitos mais universais, a exemplo dos direitos humanos. No contexto ambiental, o exercício da cidadania encontra barreiras impostas pelos avanços tecnológicos, pelos desastres ambientais, pela exploração descontrolada dos recursos naturais, dentre outros. Em termos políticos, seu exercício se depara com a barreira da participação, principalmente no tocante às Conferências Internacionais sobre o ambiente, a exemplo da última grande Conferência, a Rio+20. Por meio da Rio+20, a práxis cidadã se viu comprometida, na medida em que não houve espaço para a participação popular, que ficou restrita ao evento paralelo denominado Cúpula dos Povos. Assim, podemos falar em um documento final intitulado o futuro que queremos quando o clamor popular não foi ouvido? A barreira da participação popular esbarra na discussão acerca da redistribuição (ligada à esfera econômica) e do reconhecimento (ligado às esferas de gênero), discussão que será abordada segundo os ensinamentos de Nancy Fraser, e que se arregimentam ao núcleo da promoção da justiça social. Na conjuntura ambiental, procurar-se-á abordar os temas aproximando a ideia da redistribuição ao cenário da Rio+20 e o reconhecimento ao cenário da Cúpula dos Povos. Será a partir dessas inquietações que a presente discussão se desenvolverá. Buscando enfatizar seu caráter transdisciplinar, a pesquisa teve como base dados secundários, extraídos principalmente de livros, artigos científicos, dos documentos oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU) e das discussões do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Meio Ambiente e Sustentabilidade, a que se filia esta obra. O objetivo geral foi compreender os limites do exercício da cidadania ambiental no contexto da Rio+20 e o consequente emprego da teoria de Nancy Fraser sobre Redistribuição e Reconhecimento como releitura dessa limitação. Para tanto, num primeiro momento, foi apresentada a evolução histórica do conceito de cidadania até se alcançar a noção de cidadania ambiental. Posteriormente, foi realizada uma análise acerca do contexto da 184

3 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio Rio+20, apresentando todas as principais Conferências internacionais que a antecederam. Por fim, foi exposta a avaliação dos conceitos de Redistribuição e Reconhecimento a partir da teoria de Fraser. A conclusão foi no sentido de demonstrar que o documento oficial da Rio+20 deixou clara a limitação do exercício da cidadania ambiental, assim como apresentou uma colisão entre redistribuição e reconhecimento. CIDADANIA AMBIENTAL: GLOBAL? Não há como apontar com precisão o momento do surgimento do conceito global de cidadania. Classicamente, seu significado estava associado à participação política, nos remetendo à ideia de Cidade-Estado antiga. Para os gregos, o conceito de cidadania se confundia com o de naturalidade e status: somente era considerado cidadão o indivíduo nascido em terras gregas (o que mais tarde foi abolido, ampliando-se o conceito, a fim de abranger também os estrangeiros). Apesar das mudanças e ampliação do pensamento, para os gregos, a cidadania ainda estava associada ao exercício da participação política. Em Roma, a situação era bem semelhante: no início, a cidadania e os direitos políticos eram exclusivos dos patrícios; com o passar do tempo esse quadro se alterou e todos os romanos de nascimento, mesmo que escravos libertos, passaram a ter acesso à cidadania. Assim, na antiguidade, o seu conceito estava diretamente ligado à esfera política (FILHO; NETO, 2001). Com a queda do Império Romano e o início da Idade Média, a noção de cidadania ganhou nova roupagem. Num primeiro momento, em que a política cedeu espaço para a religião, a cidadania foi atribuída ao clero e à nobreza, respectivamente detentores do saber e do poder. Num segundo momento, já na baixa Idade Média, sua noção volta a se identificar com a ideia de direitos políticos, ressurgindo o ideal de igualdade entre os cidadãos. Com as inovações trazidas pelo século das Luzes, essa percepção se aproximou novamente da sua concepção clássica, ligando-se à concessão de direitos políticos. Já no século XX, conforme Arendt (2011, p. 311), os direitos do homem foram absorvidos pelos direitos do cidadão. Assim, o surgimento do Estado totalitário fez com que homens e mulheres privados de nacionalidade acabassem por perder toda capacidade jurídica; isto é, deixassem de ser pessoas (BRITO, 2012). O conceito de cidadania, nesse sentido, passou a ser compreendido à luz das questões 185

4 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos sociais. A cidadania é uma invenção moderna que se localiza na passagem da centralidade da fé para a razão e se consolida nos referenciais políticos, uma vez que sua legitimidade está associada à artificialidade da figura do Estado representativo. Juan Ramón Capella afirma que: Nesse particular, apresenta uma descrição minuciosa e crítica acerca dos elementos integrantes do que se denomina relato político moderno, forjado pelo pensamento ilustrado à luz da razão burguesa. Trata-se de um discurso centrado em indivíduos extrassociais; no estado de natureza como justificativa à criação de instituições; na coexistência de duas esferas separadas, uma pública, lugar dos cidadãos iguais, outra privada, espaço apolítico dos indivíduos, com suas diferenças e desigualdades latentes; na ideia de soberania; no conceito de cidadão, despojado de suas peculiaridades e revestido de direitos iguais; no ideário de povo e de um pacto político hipotético; e, por fim, nas expressões vontade geral e representação (CAPELLA, 1998, p. 89). Dessa forma, passa-se a distinguir as figuras do homem e do cidadão, a fim de se provocar uma separação entre os direitos individuais (do homem) e os direitos políticos (do cidadão), sob o sustentáculo do discurso jurídico burguês revolucionário. A cidadania deixa de reconhecer a pessoa para simbolizar o status político da diferenciação. Capella (1998, p. 114), afirma que a chave do discurso da cidadania se assenta na palavra todos, inerente ao ideário da igualdade capitalista moderna. A questão da cidadania é retomada por Arendt (2010) em sua obra A condição humana, ressaltando sua dimensão pública ao afirmar que o social é resultado de um certo hibridismo entre o público e o privado. Entretanto, Arendt (2010, p ) nos reconduz à ideia central de que é no reconhecimento do Estado à pessoa que ocorre o acesso ao público; para ela, requerer sacrifícios de indivíduos que ainda não são cidadãos é exigir deles um idealismo de que eles não tem e nem podem ter em vista da urgência do processo vital Brito (2012, p. 61 ), analisando a questão afirma que: Ao tratar da cidadania, Arendt (2011) aponta para o risco de tornar o homem descartável, uma vez alijado de seu contexto sob o pretexto de não possuir texto de legitimidade, sem um mínimo de proteção. A própria expressão direitos humanos tornou-se para todos os interessados vítimas, opressores e espectadores uma prova de ideologismo fútil ou de tonta e leviana hipocrisia (ARENDT, 2011, p. 302). Destarte, a 186

5 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio expressão por ela cunhada: direito a ter direitos, é na verdade o direito à cidadania, pois somente por meio dela a proteção jurídica dos direitos humanos açambarcará o homem (grifos do autor). Além da ótica dos direitos humanos, a cidadania também é abordada na contemporaneidade sob a ótica do ambiente. Todavia, seu exercício se vê ameaçado quando tratamos de sua dimensão especializada. Isso porque os avanços tecnológicos surgidos ao longo do século XX levaram o homem a intervir na natureza de maneira impensada e sem controle, causando danos aos ecossistemas e gerando um desequilíbrio ambiental grave. Os recursos naturais, renováveis e não renováveis, foram explorados de maneira rápida e sem nenhum tipo de preocupação acerca do seu esgotamento ou da sua capacidade de renovação, o que prejudicou (e prejudica) o ciclo da natureza. Tais atos tiveram consequências desastrosas, que se materializaram por meio de grandes desastres ambientais, a exemplo do vazamento de gases tóxicos em Bhopal (Índia 1984) e da explosão nuclear em Chernobyl (Ucrânia 1986), que causaram a morte de milhares de pessoas. Somam-se a esses fatores os casos de extração desenfreada dos recursos naturais e os de desmatamento de grandes áreas, que levaram à destruição de ecossistemas e causaram a extinção de diversas espécies animais e vegetais. Além disso, a degradação ambiental também causou: A modificação severa de diversas regiões que atualmente sofrem a perda das características naturais, a escassez de água e a desertificação do solo, tornando imprópria a vida de plantas, animais e do próprio homem, que não dispõe de água para o consumo humano, para a dessedentação de animais e não consegue retirar do solo o alimento necessário para a sua sobrevivência (BRITO; CAMPOS, 2013, p. 383) Esse cenário de mudanças naturais propiciou o aumento do número de pessoas que saem do seu local de origem em busca de outros locais com melhores condições de vida, o que gera perdas das mais diversas dimensões. Para Arendt (2011, p.237), a primeira perda que as pessoas privadas de direito sofrem não é a da proteção legal, mas a perda dos seus lares, o que significa a perda de toda textura social na qual haviam nascido e na qual haviam criado para si um lugar peculiar no mundo. Com isso, podemos afirmar que, para Arendt, a cidadania ocupa uma dimensão importante para se pensar no sujeito local enquanto instância de legitimida- 187

6 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos de política e jurídica (BRITO; CAMPOS, 2013, p. 383). Nesse contexto: Os impactos ambientais têm se tornado um risco ao exercício pleno da cidadania, na medida em que subtraem dos povos refugiados, vitimados pela degradação ambiental, direitos humanos como a liberdade, o acesso igualitário aos bens essenciais à vida, a participação popular, à educação, dentre outros. A cidadania, nesses casos, reduz-se ao exercício do voto, desprovido de qualquer poder de cobrança dos representantes do povo, quanto à efetivação de direitos constitucionalmente garantidos, o que é inadmissível nos estados modernos, notadamente nos Estados democráticos de direito. (CAMPOS; BRITO. 2013, p. 383) A grande questão que se impõe, dessa forma, reside no fato de que a cidadania é pressuposto para a fruição político-jurídica. Com isso, para que alcancemos a participação humana no processo de consolidação dos Estados, é preciso que pensemos a cidadania a partir dos seus três pilares: civil, político e social. A cidadania ambiental, nesse contexto, somente alcançará reconhecimento na medida em que a participação humana (aqui entendida como participação popular) nas decisões envolvendo as questões ambientais for efetivada. Ademais, essa participação se dará no âmbito das conferências ambientais internacionais, conferências cuja preocupação ao menos em termos teóricos ultrapassa a questão institucional-estatal para alcançar a dimensão humana (popular). Nesse sentido, a última grande conferência internacional a tratar do tema foi a Rio+20. O CONTEXTO DA RIO+20 E SEU LIMITE PARA A CIDADANIA AMBIENTAL Pelo fato dos recursos ambientais terem sido considerados por muito tempo como inesgotáveis, inexistindo qualquer tipo de preocupação com o futuro do ambiente, a questão da proteção ambiental começou a ter espaço tardiamente. A ameaça de extinção de várias espécies, a elevação dos níveis de poluição ambiental e do número de acidentes ambientais foram alguns dos fatores que levaram a mudança de atitude com relação à proteção ambiental. Assim, a temática passou a ser objeto de discussão em conferências internacionais, promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), sendo a Conferência de Estocolmo (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano), realizada em 1972, a 188

7 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio primeira que objetivou a discussão dos problemas ambientais e o reconhecimento do modelo vigente de desenvolvimento como um modelo de elevado potencial degradador, com capacidade de danificar as estruturas da sociedade. Em Estocolmo, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado foi declarado como direito fundamental pelo princípio I da Declaração. O resultado da Conferência de Estocolmo foi a produção de um relatório contendo 19 princípios que representam um manifesto ambiental para os dias atuais. Tal manifesto estabeleceu as bases para a nova agenda ambiental das Nações Unidas, o que pode ser percebido pelo trecho abaixo transcrito: Chegamos a um ponto na história em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais. Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem-estar dependem. Por outro lado, através do maior conhecimento e de ações mais sábias, podemos conquistar uma vida melhor para nós e para a posteridade, com um meio ambiente em sintonia com as necessidades e esperanças humanas [...]. Defender e melhorar o meio ambiente para as atuais e futuras gerações se tornou uma meta fundamental para a humanidade. (ONU, 1972). A partir da Conferência de Estocolmo, passou-se a adotar uma consciência ambiental, estabelecendo-se os princípios que norteariam as políticas ambientais de grande parte dos países. Também em 1972, no mês de dezembro, a ONU criou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), para coordenar os seus trabalhos em nome do meio ambiente global. As prioridades atuais do PNUMA, conforme informações da própria ONU, são os aspectos ambientais das catástrofes e conflitos, a gestão dos ecossistemas, a governança ambiental, as substâncias nocivas, a eficiência dos recursos e as mudanças climáticas (ONU, 2013). Outro evento que merece destaque ocorreu em 1983, com o convite do Secretário Geral da ONU para que a médica Gro Harlem Brundtland, mestre em saúde pública e ex-primeira Ministra da Noruega, estabelecesse e presidisse a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Com isso, em abril de 1987, a Comissão Brundtland, como ficou conhecida, publicou um relatório inovador intitulado Relatório Brundtland ou Nosso Futuro Comum. O referido Relatório foi o primeiro 189

8 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos documento internacional a apresentar o conceito de desenvolvimento sustentável para o discurso público: O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades [...]. Um mundo onde a pobreza e a desigualdade são endêmicas estará sempre propenso à crises ecológicas, entre outras... O desenvolvimento sustentável requer que as sociedades atendam às necessidades humanas tanto pelo aumento do potencial produtivo como pela garantia de oportunidades iguais para todos. [...] Muitos de nós vivemos além dos recursos ecológicos, por exemplo, em nossos padrões de consumo de energia... No mínimo, o desenvolvimento sustentável não deve pôr em risco os sistemas naturais que sustentam a vida na Terra: a atmosfera, as águas, os solos e os seres vivos. [...] Na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o atual e o futuro potencial para satisfazer as aspirações e necessidades humanas (ONU, 1987). A segundo grande evento realizado em matéria ambiental foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, conhecida pelos nomes de Rio92 (ou Eco 92) e/ou Cúpula da Terra. Essa procurou examinar, dentre outros aspectos, a situação ambiental mundial desde o ano de 1972, bem como sua relação com o estilo de desenvolvimento vigente. Na oportunidade, foi consolidado o conceito de desenvolvimento sustentável, e importantes convenções e documentos foram estabelecidos, a exemplo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (que busca a redução da emissão de gases de efeito estufa), a Agenda 21 (que procura compatibilizar desenvolvimento econômico e proteção ambiental), a Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (uma carta com 27 princípios, que busca fomentar um novo estilo de vida), os Princípios para a Administração Sustentável das Florestas (visa a um consenso geral sobre o manejo florestal), a Convenção da Biodiversidade (almeja a conservação da biodiversidade) e a Carta da Terra (uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica). A Rio92 foi a Conferência que mais apresentou desdobramentos. Em 2002, foi realizada, em Johanesburgo, África do Sul, a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), para marcar 190

9 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio os 10 anos da Rio92 e avaliar seus avanços, principalmente com relação à Agenda 21 e outros acordos firmados em A Rio+10 também procurou discutir a implementação dos compromissos e reafirmar metas. Na ocasião, foram produzidos mais dois documentos: a Declaração de Johanesburgo, que busca reafirmar compromissos assumidos dez anos antes; e um Plano de Implementações, que sofreu duras críticas por apresentar uma redação vaga e imprecisa. Para marcar os 20 anos da Eco92 foi realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimentos Sustentável, conhecida como Rio A Conferência veio com a proposta de ser o evento mais importante sobre política internacional dos próximos anos, com muitas expectativas em relação à retomada de pontos polêmicos não discutidos satisfatoriamente na Conferência anterior, em Johanesburgo, bem como com relação à discussão do desenvolvimento sustentável em suas três dimensões econômica, social e ambiental. O principal propósito desse evento era de se voltar para as questões ambientais, com ênfase na administração dos recursos naturais pelas gerações atuais e futuras, garantindo-lhes uma forma de vida digna e segura. A Rio+20 produziu um documento final intitulado The future we want, que apresenta uma série de reafirmações e mantém lacunas sobre questões de implementação e compromisso efetivo com o ambiente por parte dos Estados-firmantes. O texto foi publicado no site da ONU em inglês e traduzido para os idiomas oficiais das Nações Unidas: espanhol, árabe, russo, francês e chinês. O conteúdo do documento está divido em seis partes principais: 1. Nossa visão comum; 2. Renovação do compromisso político, por meio da reafirmação dos princípios do Rio e dos planos anteriores de ação, e do fomento da integração, da aplicação e da coerência, ou seja, avaliação dos avanços obtidos até o momento e do que ainda está por fazer enquanto aplicação dos resultados das principais reuniões sobre o desenvolvimento sustentável, e solução das dificuldades novas e emergentes e, por último, participação dos principais grupos e outros interessados; 3. A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza; 3 O tema Rio+20 foi discutido no artigo intitulado A relação de complementaridade entre as propostas da Cúpula dos Povos e da Rio+20: uma resposta possível ao modelo de sustentabilidade? da Revista de Direito Brasileira. Ano 3, v. 4, jan-abr, 2013, p

10 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos 4. Marco institucional para o desenvolvimento sustentável, por meio do fortalecimento das três dimensões do desenvolvimento sustentável, do fortalecimento dos mecanismos de intergovernabilidade de desenvolvimento sustentável, do pilar ambiental no contexto do desenvolvimento sustentável e a adoção de instituições financeiras internacionais e atividades operacionais das Nações Unidas em nível regional, nacional, subnacional e local; 5. Marco para a ação e o seguimento, por meio de esferas temáticas e questões transversais e; 6. Meios de execução, com temas de financiamento, tecnologia, criação de capacidade, comércio e registro dos compromissos. O grande tema do documento é a preocupação com a erradicação da pobreza global, que aparece logo em sua primeira parte, intitulada nossa visão comum, e de forma transversal em todos os itens acima elencados, assim: 2. Eradicating poverty is the greatest global challenge facing the world today and an indispensable requirement for sustainable development. In this regard we are committed to freeing humanity from poverty and hunger as a matter of urgency 4. (UN, 2012). Para a questão da erradicação da pobreza, o texto sugere a transferência de tecnologia de países ricos aos países em desenvolvimento: We emphasize the importance of technology transfer to developing countries and recall the provisions on technology transfer, finance, access to information, and intellectual property rights as agreed in the Johannesburg Plan of Implementation, in particular its call to promote, facilitate and finance, as appropriate, access to and the development, transfer and diffusion of environmentally sound technologies and corresponding know-how, in particular to developing countries, on favorable terms, including on concessional and preferential terms, as mutually agreed [ ] 5 (UN, 2012). 4 A erradicação da pobreza é o maior desafio global que o mundo enfrenta hoje e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. A este respeito temos o compromisso de libertar com urgência a humanidade da pobreza e da fome. (tradução nossa) 5 Ressaltamos a importância da transferência de tecnologia para países em desenvolvimento, relembrando as disposições relativas à transferência de tecnologia, financiamento, acesso à informação e os direitos de propriedade intelectual, tal como acordado no Plano de Implementação de Johanesburgo, em particular o seu apelo para promover, facilitar e financiar, conforme o caso, acesso e desenvolvimento, transferência e difusão de tecnologias ambientalmente saudáveis, em particular para os países em desenvolvimento, em condições favoráveis, inclusive em condições de concessão e preferenciais, conforme mutuamente acordado (tradução nossa)

11 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio Dessa forma, percebe-se que o documento oficial procura apontar meios para a construção de um modelo eficaz de desenvolvimento sustentável, que seja capaz de contemplar os principais problemas ambientais, sociais e econômicos enfrentados pelo mundo na atualidade. Paralelamente à Rio+20, a sociedade civil global organizou um evento que contou com a participação ativa de movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo. O evento conhecido por Cúpula dos Povos na Rio+20 objetivou colocar em discussão questões que pudessem auxiliar no combate à crise enfrentada pelo planeta, pois, na visão de seus participantes, poucas ações foram realizadas por parte dos governantes para ultrapassar as questões ligadas às injustiças social e global nos 20 anos que se passaram entre a Rio92 e a Rio+20, fato que desacreditou o papel da ONU. A Cúpula dos Povos encontrou na Rio+20 uma oportunidade para tratar dos graves problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política dos povos organizados (Cúpula dos Povos, 2012). Com o slogan venha reinventar o mundo, o evento ocorreu entre os dias 15 e 22 de junho de 2012 e teve como eixo de discussão três aspectos primordiais: a) denunciar as causas estruturais das crises, das falsas soluções e das novas formas de reprodução do capital; b) soluções e novos paradigmas dos povos; c) estimular organizações e movimentos sociais a articular processos de luta anticapitalista pós Rio+20. Procurando sintetizar as principais discussões ocorridas durante o evento, apontar os pontos comuns discutidos (entre o evento oficial e o paralelo) e suas alternativas, assim como apresentar as principais agendas de luta para o próximo período, a Cúpula dos Povos produziu um documento final intitulado Declaração final: Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida. O documento também deixou claro que ocorreram retrocessos significativos, principalmente com relação aos direitos humanos já reconhecidos e que: As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial. Em contraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa con- 193

12 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos vicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro (Cúpula dos Povos, 2012). Apesar do teor da Declaração Final da Cúpula dos Povos, percebeu-se que essa não foi levada em consideração quando da elaboração do Documento Final da Rio+20, que acabou por deixar de lado os anseios da sociedade civil. Como forma de demonstrar sua insatisfação, uma carta intitulada O futuro que não queremos foi apresentada pela sociedade solicitando a remoção da expressão com plena participação da sociedade civil presente no parágrafo 1 do texto oficial (o que não foi atendido) e reiterando que o acordo estabelecido pela Conferência foi apressado e ineficiente, não representando o futuro que queremos. A carta reiterou, também, o fato de que o documento oficial não contou com a participação popular, visto que foi elaborado (ou melhor, imposto) por uma minoria, 1%, composta pelos negociadores e pelas elites constituintes, ao passo que os anseios e clamores populares não foram escutados, excluindo-se os outros 99,9% (de cidadãos). Analisando-se o percurso entre 1972 e 2012, percebe-se que o ponto alto da discussão sobre a proteção e conservação ambiental está na Eco92 e que a Rio+20 foi o ponto que ainda apresenta mais controvérsias, visto que, devido às crises mundiais, o paradigma que gravitou tais discussões não foi propriamente o ambiental ou social, mas o econômico. Apesar das críticas, não há que se negar que a Rio+20 foi um evento rico em partilha entre os povos, capaz de estimular uma enorme reflexão a respeito da consciência socioambiental humanitária. No que diz respeito à sua intenção, é crível louvá-la pelo seu êxito. Todavia, essa intenção viu-se comprometida no documento final, que tornou o compromisso real uma demanda de segunda ordem, na medida em que a questão econômica foi colocada como prioridade, deixando a questão ambiental sem a atenção necessária. Com isso, o que se viu foi a intenção de sanar a crise econômica mundial primeiro, para só depois se poder voltar os olhos ao ambiente; as promessas de ações vindouras, a serem definidas num futuro próximo, demonstram-no, claramente. Sob outra perspectiva, Caco De Paula, diretor do Planeta Sustentável, apresenta interessante análise sobre os resultados da Rio+20. De Paula (2012, p. 1), ressalta a dificuldade de uma Conferência da ONU produzir acordos ousados, inovadores, à altura dos desafios do desenvolvimento sustentável (grifos do autor), na medida em que se trata de um encontro que 194

13 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio reúne representantes de quase 200 países. Ressalta, ainda, que essa dificuldade não pode ser encarada como justificativa de análises rasas, que classificaram a Rio+20 como um grande fracasso. Pelo contrário, existem importantes indícios capazes de atribuir o status de sucesso à Conferência, a exemplo da participação do setor empresarial (praticamente ausente na Rio92), liderando a realização de compromissos voluntários, reconhecendo o valor do capital natural e se comprometendo a usar os recursos naturais de forma responsável. (DE PAULA, 2012, p. 1). Ultrapassando a questão dos resultados da Rio+20, pode-se afirmar que o fato da Conferência ter sido realizada por uma minoria composta pelos negociadores e por uma elite constituinte foi preponderante para a limitação ao exercício da cidadania. Ao rejeitar a participação popular, a Rio+20 calou a voz da população impedindo-a de apresentar suas demandas. Apesar da realização da Cúpula dos Povos, o fato do documento nela produzido não ter sido levado em consideração quando da elaboração oficial do documento O futuro que queremos apenas reitera a questão da limitação do exercício da cidadania. Dessa forma, faz-se instigante discutir os modelos de justiça social elaborados por Nancy Fraser, que advogam controvérsias no entorno da Redistribuição e do Reconhecimento. Se a limitação da Rio+20 está na não participação cidadã, conforme fora demonstrado por meio da intervenção da Cúpula dos Povos com o documento O futuro que não queremos, a discussão de Fraser salta como capaz de compreender a falsa incongruência dos modelos de Conferências (oficial e não oficial) com as políticas bidimensionais de sua teoria. A IMERSÃO DA CIDADANIA AMBIENTAL NA DISCUSSÃO SOBRE REDISTRIBUIÇÃO E RECONHECIMENTO Imergir a cidadania ambiental na discussão acerca da Redistribuição e do Reconhecimento é imperativo para se pensar sua problemática no contexto da legitimação política hodierna, uma vez que várias são as exigências da cidadania e muito se investiga de seu impacto na consecução dos Direitos Humanos embora esse estudo tangenciará tal celeuma dos Direitos Humanos para alcançar o núcleo de proposição afirmativa da cidadania ambiental. Para tanto, utilizar-se-á dos institutos da Redistribuição e do Reconhecimento, cunhados por Nancy Fraser. O primeiro está alinhando ao clamor igualitário pautado pelo rigor economicista e o segundo postula 195

14 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos questões de identidade e gênero. Inicialmente ambos se contradizem nas suas demandas por justiça: Crescentemente, [...] redistribuição e reconhecimento são retratados como alternativas mutuamente excludentes. Alguns proponentes da primeira, tais como Richard Rorty, Brian Barry e Todd Gitlin, insistem que a política de identidade é um desvio contraprodutivo das questões econômicas reais [...]. Contrariamente, alguns proponentes do reconhecimento, tal como Iris Marion Young, insistem que uma política de redistribuição cega às diferenças pode reforçar a injustiça ao universalizar falsamente normas do grupo dominante, requerendo que grupos subordinados as assimilem, e não reconhecendo a peculiaridade dos últimos (FRASER; HONNETH, 2003, p.15). Nesse contexto, liberais e comunitaristas assumem suas bandeiras por justiça distributiva e por justiça identitária, respectivamente. Ambos se excluem, discursivamente, apontando os limites de cada abordagem na seara de seu algoz. Se, por um lado, a Redistribuição advoga individualidade e reafirma a visão reducionista liberal que não capta a injustiça promovida pela política do capital, de outro lado, acusa-se a irrupção da subjetividade como fragilidade fulcral da política de Reconhecimento. O debate entre Redistribuição e Reconhecimento suscitado por Fraser se assenta na sua teoria feminista o que não será tratado neste ensaio. Entretanto, a reivindicação por modelos de justiça que açambarquem às diferentes noções de filosofia moral e política social podem facilmente ser aproveitadas no seu raciocínio partidário à discussão feminista. A autora norte-americana tratará do descompasso dos modelos de justiça polarizados na Redistribuição e no Reconhecimento, buscando sua efetiva harmonização a partir de pressupostos morais, de modo que não haja sobreposição de um ao outro. Insere-se nessa discussão a questão dos modelos de Conferências, tradado nos capítulos anteriores, que estão alinhadas de forma assimétrica e, embora reivindiquem complementaridade, estão diametralmente opostas nos seus arquétipos estruturais para se pensar a questão ambiental: o oficial se pauta tão somente pelo paradigma econômico e o não oficial pelo paradigma da representação popular, reivindicando participação na tomada de decisões. Daí a proposição de Fraser: investigar as relações de complementaridade das demandas de justiça alocadas na passagem dos séculos XX ao XXI, a partir da distinção analítica entre injustiça econômica e in- 196

15 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio justiça cultural, pois reconhece o entrelaçamento de ambas: Mesmo as mais materiais instituições econômicas possuem uma dimensão cultural constitutiva, irredutível; elas estão permeadas de significações e normas. De modo recíproco, mesmo as mais discursivas práticas culturais possuem uma dimensão político-econômica constitutiva, irredutível; elas estão embasadas em apoios materiais. Então, longe de ocuparem duas esferas impermeáveis separadas, injustiça econômica e injustiça cultural estão usualmente interimbricadas de modo a reforçarem uma a outra dialeticamente (FRASER, 1995, p. 72). Assim, Redistribuição e Reconhecimento se alinham aos paradigmas de justiça e de política contemporâneas que, segundo Fraser, se contrapõem às injustiças a partir de seus antagonismos: de diferentes concepções grupais e de diferentes concepções de coletividade. Enquanto, na seara da injustiça a Redistribuição se pauta pelo veio socioeconômico exaustivo do discurso presente no documento O futuro que queremos, o Reconhecimento se pauta, por sua vez, no desrespeito do não reconhecimento das diferenças a partir dos formatos de representação presentes na Cúpula dos Povos, ou melhor, no documento O futuro que não queremos, acusado por seu oponente de preconcebido socialmente. (Fraser; Honneth, 2003). Além disso: Reivindicações por reconhecimento freqüentemente tomam a forma de chamar a atenção para, se não performativamente de criar, a especificidade putativa de algum grupo, e então de afirmar o valor daquela especificidade. Logo, elas tendem a promover a diferenciação do grupo. Reivindicações por redistribuição, ao contrário, exigem a abolição dos arranjos econômicos que servem de base para a especificidade de grupo [...]. Dessa forma, elas tendem a promover a desdiferenciação de grupo [...]. Enquanto a primeira [forma de política] tende a promover a diferenciação, a segunda tende a solapá-la. Os dois tipos de reivindicação, portanto, encontram-se em tensão; elas podem interferir entre si, ou até atrapalhar uma a outra (FRASER, 1995, p. 74). Trazer o debate de Fraser para o contexto da cidadania se justifica pela complexidade desse instituto no contexto social econômico e de representação, ou seja, os vários atores que advogam para si a autonomia de participação no espaço público, especificamente do debate ambiental, devem se alinhar a um discurso emancipatório sem se deter a um partidarismo. Surge, dessa forma, a possibilidade de vindicar um modelo de ci- 197

16 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos dadania no seu aspecto global: a Redistribuição aponta para a importância da repartição equânime de recursos materiais; já o Recnhecimento, como desdobramento da primeira, refere-se à necessidade de se pautar políticas desde as ideias de representação, dada a multiplicidade coletiva de sujeitos no cenário político. Essa compreensão bidimensional e integrada da justiça social se expressa num dualismo de perspectiva, que Fraser e Honneth explicam: Conjugando-se a política de redistribuição com a política de reconhecimento, porquanto mais amplas, respectivamente, do que a política de classe e do que a política de identidade em seu sentido convencional, torna-se possível superar essa falsa antítese, sobretudo, considerando-se as coletividades que se denomina como bivalentes, por combinar, em suas reivindicações, as dimensões de classe e de status. (FRASER; HONNETH, 2003, p. 77) Nesse sentido, a Redistribuição e o Reconhecimento como partes do projeto social de reconstrução, supera a crise de cidadania suscitada nos tópicos anteriores que afirma o não reconhecimento da pessoa pelo Estado explicitamente quando se reporta à confecção do texto oficial da Rio+20, deixando-a à sorte da inocência de que ser humano comum seja seu maior empecilho à participação política. Essa teoria bidimensional da justiça social resignificaria a prática cidadã por meio de vínculos sociais em transferência à proteção do Estado moderno. A cidadania se converteria em fonte de poder e de legitimidade real, não só formal em contextos trans: locais, nacionais, políticos, ideológicos, etc. Assim, a cidadania ultrapassaria uma função de mero status legal e de direitos políticos. Estar-se-ia diante de uma reinvenção do Estado, uma vez que o acaso do homem contemporâneo seria norteado pelo novo homem-relação, radicado pelo reconhecimento do outro desde um lugar comum. Essa ideia reforça uma cidadania descentralizada do Estado na qual os direitos humanos estariam contemplados na sua universalidade, inclusive contra os Estados à luz de tal inversão paradigmática, que atribuiu à dignidade humana universal o status de núcleo ético e normativo inviolável, a despeito de quaisquer outros elementos. Esse espaço público reconstruído seria o caminho da resignificação da cidadania desde a assertiva de Fraser ao tratar da dicotomia entre os modelos de justiça, que advogamos ao emprego da demanda ambiental. Isso porque é um erro achar que o reconhecimento dos direitos pelo Estado 198

17 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio encerra a luta pela cidadania, é um equívoco que subestime a sociedade civil como arena e alvo de luta política. Com isso, a dimensão normativa da cidadania subjuga a dimensão política. Ao revés, a autonomia do sujeito se conjuminaria à pluralidade paradoxal da sociedade hodierna, ou seja, esse novo formato de cidadania abriria uma fenda indispensável ao governo do Estado no sentido de permitir que a legitimação cidadã acontecesse: Consoante essa dinâmica, a cidadania encontra-se, portanto, vinculada à participação e à solidariedade, no contexto de uma complexa realidade, concomitantemente subnacional e transnacional, a relacionar os direitos e deveres da prática cidadã à humanidade, não mais ao Estado. Nesse sentido, a consagração universal dos direitos humanos sublinha a transição da cidadania vinculada aos direitos individuais para cidadania devida à pessoa universal. (VIEIRA, 2001, p.47, grifo nosso) Impõe-se, desse modo, a emergência de uma cidadania pautada pela Redistribuição e pelo Reconhecimento como institutos que garantam legitimidade, embora haja enormes variantes de sua compatibilidade. Fraser elucida seus pontos de convergência e os fazem incidir em modelos de cidadania que neste trabalho se postula sua vertente ambiental. CONSIDERAÇÕES FINAIS O limite da cidadania ambiental no contexto da Rio+20 se mostra patente, uma vez que Redistribuição e Reconhecimento não estão alinhados ao exercício da justiça social por que não constituem legitimidade ao sujeito autônomo. Pelo contrário, subtrai desse a capacidade de participação atribuindo o processo decisório à dissensão política. Na medida em que os aspectos social, econômico e ambiental se divorciam na consecução formal do documento oficial da Conferência, O futuro que queremos, percebe-se, claramente, que colidem Redistribuição e Reconhecimento, no sentido de se excluírem por se mostrarem incompatíveis. Tem-se a justiça social como dimensão motivacional para as discussões no entrono da questão ambiental, tanto que o documento é inteiramente pautado pela temática da erradicação da pobreza. No entanto, é apenas um argumento discursivo por que as causas de justiça ou injustiça são tangenciadas pelas questões de crise de capital econômico. Há um enorme equívoco de se associar sustentabilidade ambiental ao desenvolvimento econômico, e outro maior, justiça social à distribui- 199

18 Bases da Sustentabilidade: os Direitos Humanos ção de riquezas, se não levar-se em conta a dimensão fulcral do Reconhecimento (empregado na conjuntura da Cúpula dos Povos) para a questão ambiental. É aí que a cidadania desperta maior densidade política: é preciso pensar o problema ambiental a partir da cidadania local, atribuindo ao sujeito a capacidade de agir localmente e pensar globalmente inserindo-o na dialética da cidadania local e global. Resta crível o problema da cidadania ambiental no contexto da Rio+20, que, por meio da teoria de Fraser, capaz de superar uma falsa antítese, melhor elucida tal imbróglio, o da coletividade bivalente para o das categorias sociais bidimensionais, a partir da correspondência de seu modelo de justiça social: Redistribuição e Reconhecimento. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARENDT, Hannah. A condição humana. Tradução de Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. Tradução de Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, BRITO. Franclim J. S. de. A questão da cidadania na construção do Estado Socioambiental: uma análise dos direitos humanos em face da contribuição de Hannah Arendt f. Dissertação (Mestrado em Direito) Escola Superior Dom Helder Câmara- ESDHC BRITO. Franclim J. S. de; CAMPOS, Allysson P. Os apátridas ambientais: uma análise à luz do pensamento de Hannah Arendt. Revista Brasileira de Direito Ambiental, 2013, p CAPELLA. Juan Ramón. Os cidadãos servos. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris, CÚPULA DOS POVOS. Declaração final Disponível em: <http:// cupuladospovos.org.br/2012/06/declaracao-final-da-cupula-dos-povosna-rio20-2/> Acesso em: 13 dez DE PAULA, Caco. Rio+20 teve grandes resultados. Disponível em: <http://planeta sustentavel.abril.com.br/blog/riomais20/2012/07/03/rio20- teve-grandes-resultados/>. Acesso em: 13 dez FILHO, Cyro de Barros Rezende; NETO, Isnard de Albuquerque Câmara. 200

19 Os Limites da Cidadania Ambiental no Contexto da Rio A evolução do conceito de cidadania. Revista Ciências Humanas. Taubaté, v. 7, n. 02, Disponível em: <site.unitau.br/scripts/prppg/humanas/ download/aevolucao-n pdf> Acesso em: 06 out FRASER, Nancy. From Redistribution to Recognition? Dilemmas of Justice in a Postsocialist Age. New Left Review, n. I/212, p , jul./ aug FRASER, Nancy; HONNETH, Axel. Redistribution or recognition?: a political-philosophical exchange. London: Verso, ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente humano Disponível em: <http://www.onu.org.br/ rio20/img/2012/01/estocolmo1972.pdf> Acesso em: 13 dez ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Nosso futuro comum Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/ /relatorio-brundtland-nosso-futuro-comum-em-portugues> Acesso em: 13 dez ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. A ONU e o meio ambiente Disponível em: <http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-omeio-ambiente/> Acesso em: 13 dez UN. The future we want Disponível em: <http://www.un.org/en/ sustainablefuture/ pdf/rio20%20concludes_press%20release.pdf> Acesso em: 13 dez VIEIRA, Evaldo. Estado e política social na década de 90. In: NOGUEI- RA, Fernando (Org). Estado e Políticas Sociais no Brasil. Cascavel: Edunioeste,

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