REGIME JURÍDICO e ESTATUTO dos SERVIDORES PÚBLICOS do MUNICÍPIO de ARMAÇÃO DOS BÚZIOS

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1 REGIME JURÍDICO e ESTATUTO dos SERVIDORES PÚBLICOS do MUNICÍPIO de ARMAÇÃO DOS BÚZIOS Lei Complementar nº 15, de 15 de janeiro de Elaborado pelo Departamento de Redação Oficial 1

2 ÍNDICE TÍTULO I CAPÍTULO ÚNICO DISPOSIÇÕES PRELIMINARES TÍTULO II DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO CAPÍTULO I DO PROVIMENTO Seção I Disposições Gerais Seção II Da Nomeação Seção III Do Concurso Público Seção IV Da Posse e do Exercício Seção V Da Estabilidade Seção VI Da Readaptação Seção VII Da Reversão Seção VIII Da Reintegração Seção IX Da Recondução Seção X Da Disponibilidade e do Aproveitamento CAPÍTULO II DA VACÂNCIA CAPÍTULO III DA SUBSTITUIÇÃO TÍTULO III DIREITOS E VANTAGENS 2

3 CAPÍTULO I DO VENCIMENTO E DA REMUNERAÇÃO CAPÍTULO II DAS VANTAGENS Seção I Das Indenizações e Auxílios Subseção I Das Diárias Subseção II Da Indenização de Transporte Seção II Das Gratificações e Adicionais Subseção I Da Retribuição pelo Exercício de Função de Direção, Chefia e Assessoramento CAPÍTULO III DAS FÉRIAS CAPÍTULO IV DAS LICENÇAS Subseção II Da Gratificação Natalina Subseção III Dos Adicionais de Insalubridade ou Periculosidade Subseção IV Do Adicional por Serviço Extraordinário Subseção V Do Adicional Noturno Subseção VI Do Adicional de Férias Seção I Disposições Gerais Seção II Da Licença por Motivo de Doença em Pessoa da Família Seção III Da Licença por Motivo de Afastamento do Cônjuge ou Companheiro 3

4 Seção IV Da Licença para o Serviço Militar Seção V Da Licença para Atividade Política Seção VI Da Licença Prêmio Seção VII Da Licença para Capacitação Seção VIII Da Licença para Tratar de Interesses Particulares Seção VIII Da Licença para o Desempenho de Mandato Classista CAPÍTULO V DOS AFASTAMENTOS Seção I Do Afastamento para Servir a Outro Órgão ou Entidade Seção II Do Afastamento para Exercício de Mandato Eletivo CAPÍTULO VI DAS CONCESSÕES CAPÍTULO VII DO TEMPO DE SERVIÇO CAPÍTULO VIII DO DIREITO DE PETIÇÃO TÍTULO IV DO REGIME DISCIPLINAR CAPÍTULO I DOS DEVERES CAPÍTULO II DAS PROIBIÇÕES SEÇÃO III DA ACUMULAÇÃO CAPÍTULO IV DAS RESPONSABILIDADES CAPÍTULO V DAS PENALIDADES 4

5 TÍTULO V DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS CAPÍTULO II DO AFASTAMENTO PREVENTIVO CAPÍTULO III DO PROCESSO DISCIPLINAR Seção I Do Inquérito Seção II Do Julgamento Seção III Da Revisão do Processo TÍTULO VI DA SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR CAPÍTULO ÚNICO DO PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL TÍTULO VII DISPOSIÇÕES GERAIS TÍTULO VIII DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS E FINAIS 5

6 PREFEITURA DA CIDADE DE ARMAÇÃO DOS BÚZIOS GABINETE DO PREFEITO LEI COMPLEMENTAR N 15, DE 15 DE JANEIRO Dispõe sobre o regime jurídico e o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Armação dos Búzios. O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE ARMAÇÃO DOS BÚZIOS Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei Complementar: TÍTULO I CAPÍTULO ÚNICO DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º Esta Lei Complementar institui o Regime Jurídico e aprova o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Armação dos Búzios, obedecidos os princípios e normas constitucionais e as disposições da Lei Orgânica Municipal. Art. 2º O regime jurídico dos Servidores Públicos do Município de Armação dos Búzios é o Estatutário, conforme previsto no art. 126, I, da Lei Orgânica Municipal e abrange os órgãos da Administração Direta dos Poderes Executivo e Legislativo, e as entidades da Administração Indireta que vierem a ser criadas na forma da lei. Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público de provimento efetivo ou em comissão. Art. 4º Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor. Parágrafo único. Os cargos públicos municipais, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão. Art. 5º É vedada a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei específica. TÍTULO II DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO CAPÍTULO I DO PROVIMENTO Seção I Disposições Gerais Art. 6º São requisitos básicos para investidura em cargo público: I - a nacionalidade brasileira; II - o gozo dos direitos políticos; 6

7 III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; V - a idade mínima de dezoito anos; VI a aptidão física e mental. 1º. As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos estabelecidos em lei. 2º. Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 10% (dez por cento) das vagas oferecidas no concurso. Art. 7º O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato da autoridade competente de cada Poder do Município. Art. 8º A investidura em cargo público ocorrerá com a posse. Art. 9º São formas de provimento de cargo público: I - nomeação; II - promoção; III - readaptação; IV - reversão; V - aproveitamento; VI - reintegração; VII - recondução. Seção II Da Nomeação Art. 10. A nomeação far-se-á: I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de carreira; II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos. Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade. Art. 11. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia habilitação em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua validade. Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Municipal e seus regulamentos. Seção III Do Concurso Público Art. 12. O concurso será de provas ou de provas e títulos, podendo ser realizado em duas etapas, conforme dispuserem a lei e o regulamento do respectivo plano de carreira, condicionada a inscrição do candidato ao pagamento do valor fixado no edital, ressalvadas as hipóteses de isenção nele expressamente previstas. Art. 13. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período. 1º. O prazo de validade do concurso e as condições de sua realização serão fixados em edital, que será publicado no órgão oficial do Município. 7

8 2º. Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato da mesma categoria funcional aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expirado. Seção IV Da Posse e do Exercício Art. 14. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, no qual deverão constar as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício previstos em lei. 1º. A posse ocorrerá no prazo de 30 (trinta) dias contados da publicação do ato de provimento. 2º. Só haverá posse nos casos de provimento de cargo por nomeação. 3º. No ato da posse, o servidor apresentará ao órgão competente os elementos necessários ao seu assentamento individual, e ainda: I - declaração de bens e valores que constituem seu patrimônio; II - declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública. 4º. Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse não ocorrer no prazo previsto no 1º. Art. 15. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial. Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e mentalmente para o exercício do cargo. Art. 16. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função de confiança e ocorrerá concomitantemente com a posse. 1º. O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem efeito o ato de sua designação para função de confiança, se não entrar em exercício imediatamente. 2º. À autoridade competente do órgão ou entidade para onde for nomeado ou designado o servidor compete dar-lhe exercício. Art. 17. Para cada servidor será aberto, individualmente, assentamento funcional individual, onde serão registrados os fatos e acontecimento da carreira, tais como: início, suspensão, interrupção e o reinício do exercício, licenças, afastamentos e punições. Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresentará ao órgão competente os elementos necessários ao seu assentamento individual. Art. 18. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que é contado no novo posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato que promover o servidor. Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em razão das atribuições pertinentes aos respectivos cargos, respeitada a duração máxima do trabalho semanal de quarenta horas e observados os limites mínimo e máximo de seis horas e oito horas diárias, respectivamente. 1º. O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança submete-se a regime de integral dedicação ao serviço, podendo ser convocado sempre que houver interesse da Administração Pública Municipal. 2º. O disposto neste artigo não se aplica à duração de trabalho estabelecida em leis especiais ou normas regulamentares específicas. 3º. As funções de confiança exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei a ser aprovada no prazo de 90 dias, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefe e assessoramento. 8

9 Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 3 (três) anos, durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados os seguintes fatores: I - assiduidade; II - disciplina; Ill - capacidade de iniciativa; IV - produtividade; V - responsabilidade. 1º. Quatro meses antes de findo o período do estágio probatório, será submetida à homologação da autoridade competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada de acordo com o que dispuser a lei ou o regulamento do plano de carreira, sem prejuízo da continuidade de apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V deste artigo. 2º. O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado, observado o disposto no parágrafo único do art º. O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer cargos de provimento em comissão ou funções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação. 4º. Ao servidor em estágio probatório somente poderão ser concedidas as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 71, incisos I, II, III e IV, e arts. 76 e 84. 5º. O estágio probatório ficará suspenso durante as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 73, 74,75 e 76, e será retomado a partir do término do impedimento. Seção V Da Estabilidade Art. 21. O servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar 3 (três) anos de efetivo exercício. Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa. Seção VI Da Readaptação Art. 23. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, verificada em inspeção médica e atestada por junta médica oficial. 1º. Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado. 2º. A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. Seção VII Da Reversão Art. 24. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado por invalidez, quando, por junta médica oficial, forem declarados insubsistentes os motivos da aposentadoria. Art. 25. A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação. Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. Art. 26. Não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 70 (setenta) anos de idade. Seção VIII 9

10 Da Reintegração Art. 27. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens. 1º. Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, observado o disposto nos arts. 29 e 30. 2º. Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Seção IX Da Recondução Art. 28. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de: I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; li - reintegração do anterior ocupante. Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado em outro, observado o disposto no art. 29. Seção X Da Disponibilidade e do Aproveitamento Art. 29. O retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-á, mediante aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado. Art. 30. No âmbito de cada Poder, a autoridade competente determinará o imediato aproveitamento de servidor em disponibilidade em vaga que vier a ocorrer nos órgãos ou entidades da Administração Pública Municipal. Art. 31. Será tornado sem efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o servidor não entrar em exercício no prazo legal, salvo doença comprovada por junta médica oficial. CAPÍTULO II DA VACÂNCIA Art. 32. A vacância do cargo público decorrerá de: I - exoneração; II - demissão; III - promoção; IV - readaptação; V - aposentadoria; VI - posse em outro cargo inacumulável; VII - falecimento. Art. 33. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício por ato da autoridade competente de cada Poder. Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á: I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório; II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício imediatamente. Art. 34. A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança dar-se-ão: I - a juízo da autoridade competente; II - a pedido do próprio servidor. 10

11 CAPÍTULO III DA SUBSTITUIÇÃO Art. 35. Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia terão substitutos previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade, obedecidas as disposições regimentais. Parágrafo único. O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o exercício do cargo ou função de direção ou chefia, nos afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do titular, hipóteses em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período. TÍTULO III DIREITOS E VANTAGENS CAPÍTULO I DO VENCIMENTO E DA REMUNERAÇÃO Art. 36. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei. Parágrafo único. Nenhum servidor receberá, a título de vencimento, importância inferior ao salário-mínimo aplicável ao setor público. Art. 37. A remuneração do servidor compõe-se de vencimento-básico do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei. 1º A remuneração do servidor efetivo investido em cargo em comissão ou função de confiança, será paga na forma prevista no art º Os vencimentos dos ocupantes de cargos públicos, bem como o valor do subsídio, nos casos previstos em lei, são irredutíveis, ressalvadas as disposições constitucionais pertinentes. 3º Os servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, serão remunerados, conforme o caso, por vencimento ou subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, verba de representação ou outra espécie remuneratória. Art. 38. É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de servidor público. Parágrafo único. Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo. Art. 39. A remuneração e o subsídio dos servidores ocupantes de cargos e funções dos Poderes do Município, terão como limite o valor do subsídio do Prefeito. Art. 40. O servidor perderá a remuneração do dia em que faltar ao serviço, sem motivo justificado. 1º. As faltas justificadas decorrentes de caso fortuito ou de força maior poderão ser compensadas, na forma do que dispuser o regulamento. 2º. A critério da autoridade máxima do órgão de lotação, poderão ser compensados os atrasos e as saídas antecipadas do servidor. Art. 41. Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento. 1º. Mediante autorização do servidor, poderá haver consignação em folha de pagamento a favor de terceiros, a critério da Administração e com reposição de custos, na forma definida em regulamento. 11

12 2º. Em qualquer hipótese, a consignação ou o desconto não poderão ultrapassar 30% (trinta por cento) da remuneração líquida do servidor. Art. 42. As reposições e indenizações ao erário serão previamente comunicadas ao servidor e descontadas em parcelas mensais em valores atualizados. 1º. A indenização será feita em parcelas cujo valor não exceda 10% (dez por cento) da remuneração ou provento. 2º. A reposição será feita em parcelas cujo valor não exceda 25% (vinte e cinco por cento) da remuneração ou provento. 3º. A reposição será feita em uma única parcela quando constatado pagamento indevido no mês anterior ao do processamento da folha. Art. 43. O servidor em débito com o erário, que for demitido, exonerado, ou que tiver sua aposentadoria ou disponibilidade cassada, ou ainda aquele cuja dívida relativa a reposição seja superior a 3 (três) vezes o valor de sua remuneração terá o prazo de 60 (sessenta) dias para quitar o débito. 1º. A não-quitação do débito no prazo previsto implicará sua inscrição em dívida ativa. 2º. Os valores percebidos pelo servidor, em razão de decisão liminar, de qualquer medida de caráter antecipatório ou de sentença, posteriormente cassada ou revista, deverão ser repostos no prazo de 30 (trinta) dias, contados da notificação para fazê-lo, sob pena de inscrição em divida ativa. Art. 44. O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, seqüestro ou penhora, exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial. CAPÍTULO II DAS VANTAGENS Art. 45. Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as seguintes vantagens: I - indenizações; II - gratificações; III - adicionais. 1º. As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento para qualquer efeito. 2º. As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou provento, nos casos e condições indicados em lei. Art. 46. As vantagens pecuniárias percebidas pelo servidor, não serão computadas nem acumuladas para fins de concessão de quaisquer outros acréscimos pecuniários ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico fundamento. Seção I Das Indenizações e Auxílios Art. 47. Constituem indenizações e auxílios ao servidor, nos termos que a lei dispuser: I - diárias; II transporte; III auxílio transporte; IV auxílio refeição; V auxílio saúde; VI auxílio educação. Art. 48. Os valores das indenizações, assim como os requisitos e condições para a sua concessão, serão estabelecidos em regulamento. 12

13 Subseção I Das Diárias Art. 49. O servidor que, a serviço, afastar-se do Município em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacional, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com hospedagem, alimentação e locomoção urbana, em valores fixados em norma específica. 1º. A diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida pela metade quando o deslocamento não exigir pernoite fora do Município. 2º. Nos casos em que o deslocamento do Município constituir exigência permanente do cargo, o servidor não fará jus à diária, podendo esta ser substituída por gratificação de função específica. Art. 50. O servidor que receber diárias e não se afastar do Município, por qualquer motivo, fica obrigado a restituí-ias integralmente, no prazo de 3 (três) dias. Parágrafo único. Na hipótese de o servidor retornar ao Município em prazo menor do que o previsto para o seu afastamento, restituirá as diárias recebidas em excesso, no prazo previsto no caput. Subseção II Da Indenização de Transporte Art. 51. Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme dispuser o regulamento. Seção II Das Gratificações e Adicionais Art. 52. Além do vencimento e das vantagens previstas nesta Lei Complementar, serão deferidos aos servidores as seguintes retribuições, gratificações e adicionais: I - retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento; II - gratificação natalina; III - adicional por tempo de serviço, na forma da lei; IV - adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas; V - adicional pela prestação de serviço extraordinário; VI - adicional noturno; VII - adicional de férias; VIII - outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho. Subseção I Da Retribuição pelo Exercício de Função de Direção, Chefia e Assessoramento Art. 53. Ao servidor ocupante de cargo efetivo investido em função de direção, chefia ou assessoramento, ou cargo de provimento em comissão é devida retribuição pelo seu exercício, nas situações estabelecidos em lei específica. Parágrafo único. A lei prevista no caput estabelecerá os quantitativos e valores de remuneração dos cargos em comissão e das funções de confiança, bem como os casos, condições e o percentual mínimo de cargos em comissão a serem preenchidos por servidores de carreira. Subseção II Da Gratificação Natalina Art. 54. A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração a que o servidor fizer jus no mês de dezembro, por mês de exercício no respectivo ano. 13

14 Parágrafo único. A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias será considerada como mês integral. Art. 55. A gratificação será paga até o dia 15 (quinze) do mês de dezembro de cada ano. Art. 56. O servidor exonerado perceberá sua gratificação natalina, proporcionalmente aos meses de exercício, calculada sobre a remuneração do mês da exoneração. Art. 57. A gratificação natalina não será considerada para cálculo de qualquer vantagem pecuniária. Subseção III Dos Adicionais de Insalubridade ou Periculosidade Art. 58. Os servidores que trabalhem com habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicional sobre o vencimento básico do cargo efetivo. 1º. O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade deverá optar por um deles. 2º. O direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das condições ou dos riscos que deram causa a sua concessão. Art. 59. Haverá permanente controle da atividade de servidores em operações ou locais considerados insalubres ou perigosos. Parágrafo único. A servidora gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação ou a lactação, das operações e locais previstos neste artigo, exercendo suas atividades em local salubre e em serviço não-penoso e não-perigoso. Art. 60. Na concessão dos adicionais de insalubridade e de periculosidade, serão observadas as situações estabelecidas em legislação específica. Art. 61. Os locais de trabalho e os servidores que operam com Raios X ou substância radioativas serão mantidos sob controle permanente, de modo que as doses de radiação ionizante não ultrapassem o nível máximo previsto na legislação própria. Parágrafo único. Os servidores a que se refere este artigo serão submetidos a exames médicos a cada 6 (seis) meses. Subseção IV Do Adicional por Serviço Extraordinário Art. 62. O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) em relação à hora normal de trabalho. Art. 63. Somente será permitido serviço extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias, ou vinculadas à execução de atividades essenciais, que não podem sofrer solução de continuidade. Parágrafo único. A realização de serviço extraordinário observará o limite de 2 (duas) horas por jornada, admitida a sua extensão, nos casos excepcionais, devidamente justificados, na forma do regulamento. 14

15 Subseção V Do Adicional Noturno Art. 64. O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento), computando-se cada hora como cinqüenta e dois minutos e trinta segundos. Parágrafo único. Em se tratando de serviço extraordinário, o acréscimo de que trata este artigo incidirá sobre a remuneração prevista no art. 63. Subseção VI Do Adicional de Férias Art. 65. Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias, um adicional correspondente a 1/3 (um terço) da remuneração do período das férias. Parágrafo único. No caso de o servidor exercer função de direção, chefia ou assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a respectiva vantagem será considerada no cálculo do adicional de que trata este artigo. CAPÍTULO III DAS FÉRIAS Art. 66. O servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas ate o máximo de dois períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação específica. 1º. Para o primeiro período aquisitivo de férias serão exigidos 12 (doze) meses de exercício. 2º. É vedado levar à conta de férias qualquer falta ao serviço. 3º. As férias poderão ser parceladas em até três etapas, desde que assim requeridas pelo servidor e no interesse da Administração Pública Municipal. Art. 67. O pagamento da remuneração das férias será efetuado até 10 (dez) dias antes do início do respectivo período, observando-se o disposto no 1º deste artigo. 1º. O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comissão, perceberá indenização relativa ao período das férias a que tiver direito e ao incompleto, na proporção de um doze avos por mês de efetivo exercício, ou fração superior a 14 (quatorze dias). 2º. A indenização será calculada com base na remuneração do mês em que for publicado o ato exoneratório. 3º. Em caso de parcelamento de férias, o servidor receberá o valor adicional previsto no caput do art. 66, quando da utilização do primeiro período. Art. 68. O servidor que opera direta e permanentemente com Raios X ou substâncias radioativas gozará 20 (vinte) dias consecutivos de férias, por semestre de atividade profissional, proibida em qualquer hipótese a acumulação. Art. 69. As férias somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública, convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade do serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou entidade de lotação do servidor. Parágrafo único. O restante do período interrompido será gozado de uma só vez. Art. 70. Conceder-se-á ao servidor licença: CAPÍTULO IV DAS LICENÇAS Seção I Disposições Gerais 15

16 I - por motivo de doença em pessoa da família; II - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro; III - para o serviço militar; IV - para atividade política; V - prêmio por assiduidade; VI - para capacitação; VII - para tratar de interesses particulares; VIII - para desempenho de mandato classista. 1º. A licença prevista no inciso I será precedida de exame por médico ou junta médica oficial do Município. 2º. É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença prevista no inciso I. Art. 71. A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da mesma espécie será considerada como prorrogação. Seção II Da Licença por Motivo de Doença em Pessoa da Família Art. 72. Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional, mediante comprovação por junta médica oficial do Município. 1º. A licença somente será deferida se a assistência direta do servidor for indispensável e não puder ser prestada simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, na forma do disposto no 2º do art º. A licença será concedida sem prejuízo da remuneração do cargo efetivo, até 60 (sessenta dias), podendo ser prorrogada por igual período, mediante parecer de junta médica oficial e, excedendo estes prazos, sem remuneração, por até 60 (sessenta) dias. Seção III Da Licença por Motivo de Afastamento do Cônjuge ou Companheiro Art. 73. Poderá ser concedida licença ao servidor para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público, que tenha sido deslocado para servir em outra localidade distante do Município, ou para o exercício de mandato eletivo dos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou de outro Município. 1º. A licença se dará sem remuneração. 2º. O prazo da licença será definido em regulamento. Seção IV Da Licença para o Serviço Militar Art. 74. Ao servidor convocado para o Serviço Militar, será concedida licença, na forma e condições previstas na legislação específica. Parágrafo único. Concluído o Serviço Militar, o servidor terá até 30 (trinta) dias sem remuneração para reassumir o exercício do cargo. Seção V Da Licença para Atividade Política Art. 75. O servidor terá direito a licença, sem remuneração, durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção partidária, como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral. 16

17 1º. O servidor candidato a cargo eletivo e que exerça cargo de direção, chefia, assessoramento, arrecadação ou fiscalização, dele será afastado, a partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral, até o 3º (terceiro) dia seguinte ao do pleito. 2º. A partir do registro da candidatura e até o 3º (terceiro) dia seguinte ao da eleição, o servidor fará jus à licença, assegurados os vencimentos do cargo efetivo, somente pelo período de 3 (três) meses. Seção VI Da Licença Prêmio Art. 76. Após cada qüinqüênio ininterrupto de exercício, o servidor fará jus a 3 (três) meses de licença, a título de prêmio por assiduidade, com a remuneração do cargo efetivo. Art. 77. Não se concederá licença-prêmio ao servidor que, no período aquisitivo: I - sofrer penalidade disciplinar de suspensão; II - afastar-se do cargo em virtude de: a) licença por motivo de doença em pessoa da família, sem remuneração; b) licença para tratar de interesses particulares; c) condenação a pena privativa de liberdade por sentença definitiva; d) afastamento para acompanhar cônjuge ou companheiro. Parágrafo único. As faltas injustificadas ao serviço retardarão a concessão da licença prevista neste artigo, na proporção de 1 (um) mês para cada falta. Seção VII Da Licença para Capacitação Art. 78. Após cada qüinqüênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da Administração Pública Municipal, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até 3 (três) meses, para participar de curso de capacitação profissional. Parágrafo único. Os períodos de licença de que trata o caput não são acumuláveis. Seção VIII Da Licença para Tratar de Interesses Particulares Art. 79. A critério da Administração Pública Municipal, poderá ser concedida ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em estágio probatório, licença para o trato de assuntos particulares pelo prazo de até 2 (dois) anos consecutivos, sem remuneração, prorrogável uma única vez por período não superior a esse limite. 1º. A licença poderá ser interrompida, a qualquer tempo, a pedido do servidor ou no interesse do serviço. 2º. Não se concederá nova licença antes de decorridos 2 (dois) anos do término da anterior ou de sua prorrogação. Seção IX Da Licença para o Desempenho de Mandato Classista Art. 80. É assegurado ao servidor estável o direito à licença remunerada para o desempenho de mandato classista em confederação, federação, associação de classe, sindicato representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da profissão, na forma do que dispuser o regulamento. Art. 81. A licença será concedida aos servidores eleitos para a diretoria de qualquer das entidades referidas no art. 81, em número proporcional ao número de representados. 17

18 1º. Somente poderão ser licenciados servidores eleitos para cargos de direção ou representação nas referidas entidades, desde que comprovem existência legal, e quando for o caso, sejam registradas no Ministério do Trabalho e Emprego. 2º. A licença terá duração igual à do mandato, podendo ser prorrogada, no caso de reeleição, e por uma única vez. CAPÍTULO V DOS AFASTAMENTOS Seção I Do Afastamento para Servir a Outro Órgão ou Entidade Art. 82. O servidor estável poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal ou de outro Município, unicamente para exercício de cargo em comissão ou função de confiança, conforme dispuser o regulamento. 1º. Na hipótese tratada no caput, o ônus da remuneração será sempre do órgão ou entidade cessionária. 2º. A cessão se dará mediante ato privativo do titular do Poder a que estiver vinculado o servidor, e será publicado no órgão oficial do Município. Seção II Do Afastamento para Exercício de Mandato Eletivo Art. 83. Ao servidor investido em mandato eletivo aplicam-se as seguintes disposições: I - tratando-se de mandato federal ou estadual, ficará afastado do cargo; II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração; III - investido no mandato de vereador: a) havendo compatibilidade de horário, perceberá as vantagens de seu cargo, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo; b) não havendo compatibilidade de horário, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração. Parágrafo único. No caso de afastamento do cargo, o servidor contribuirá para a seguridade social como se em exercício estivesse. CAPÍTULO VI DAS CONCESSÕES Art. 84. Sem qualquer prejuízo, poderá o servidor ausentar-se do serviço: I - por 1 (um) dia, para doação de sangue; II - por 8 (oito) dias consecutivos em razão de: a) casamento; b) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos. Art. 85. Será concedido horário especial ao servidor estudante, quando comprovada a incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição, sem prejuízo do exercício do cargo. 1º. Para efeito do disposto neste artigo, será exigida a compensação de horário no órgão ou entidade que tiver exercício, respeitada a duração semanal do trabalho. 2º. Também será concedido horário especial ao servidor portador de deficiência, quando comprovada a necessidade por junta médica oficial, independentemente de compensação de horário. 3º. As disposições do 2º, são extensivas ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente portador de deficiência física, exigindo-se, porém, neste caso, compensação de horário na forma do 2º do art

19 CAPÍTULO VII DO TEMPO DE SERVIÇO Art. 86. O tempo de serviço público prestado ao Município será contado para fins de percepção do adicional por tempo de serviço previsto no inciso III do art. 52, bem como para os fins da licença prevista no inciso V do art. 71. Art. 87. A apuração do tempo de serviço será feita em dias, que serão convertidos em anos, considerado o ano como de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias. Art. 88. Além das ausências ao serviço previstas no art. 85, são considerados como de efetivo exercício os afastamentos em virtude de: I - férias; II - exercício de cargo em comissão ou equivalente, em órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e de outros Municípios, quando decorrente de cessão regular; III - desempenho de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, exceto para promoção por merecimento; IV - júri e outros serviços obrigatórios por lei; V - licença: a) à gestante, à adotante e à paternidade, na forma de lei específica; b) para tratamento da própria saúde, até o limite de 24 (vinte e quatro) meses, cumulativo ao longo do tempo de serviço público prestado ao Município, em cargo de provimento efetivo; c) para o desempenho de mandato classista, exceto para efeito de promoção por merecimento; d) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional; e) prêmio por assiduidade; f) para capacitação, conforme dispuser o regulamento; g) por convocação para o serviço militar. Art. 89. Contar-se-á apenas para efeito de disponibilidade: I - o tempo de serviço público prestado ao Município, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e a outros Municípios; II - a licença para tratamento de saúde de pessoa da família do servidor, com remuneração; III - a licença para atividade política, no caso do art. 76, 2º; IV - o tempo de licença para tratamento da própria saúde que exceder o prazo a que se refere à alínea "b" do inciso V do art º. Para efeito de aposentadoria, será contado o tempo de serviço público prestado ao Município, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e a outros Municípios, na forma disciplinada por lei específica, observado o disposto no art. 40, 10, da Constituição Federal, consoante o art. 4º da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de º. É vedada a contagem cumulativa de tempo de serviço prestado concomitantemente em mais de um cargo ou função de órgão ou entidade dos Poderes do Município. CAPÍTULO VIII DO DIREITO DE PETIÇÃO Art. 90. É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes do Município, em defesa de direito ou interesse legítimo. Art. 91. O requerimento será encaminhado via protocolo para a autoridade competente para decidi-lo. 19

20 Art. 92. Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato ou proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado. Art. 93. Caberá recurso: I - do indeferimento do pedido de reconsideração; II - das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos. 1º. O recurso será dirigido à autoridade máxima de cada órgão dos Poderes do Município, ou da entidade a que estiver vinculado o servidor. 2º. O recurso será encaminhado por intermédio da autoridade a que estiver diretamente subordinado o requerente. Art. 94. O prazo para interposição de pedido de reconsideração ou de recurso é de 30 (trinta) dias, a contar da publicação ou da ciência, pelo interessado, da decisão recorrida. Art. 95. O recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo, a juízo da autoridade competente. Parágrafo único. Em caso de provimento do pedido de reconsideração ou do recurso, os efeitos da decisão retroagirão à data do ato impugnado. Art. 96. O direito de requerer prescreve: I - em 5 (cinco) anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou que afetem interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho; II - em 120 (cento e vinte) dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo for fixado em lei. Parágrafo único. O prazo de prescrição será contado da data da publicação do ato impugnado ou da data da ciência pelo interessado, quando o ato não for publicado. Art. 97. O pedido de reconsideração e o recurso, quando cabíveis, interrompem a prescrição. Art. 98. A prescrição é de ordem pública, não podendo ser relevada pela Administração Municipal. Art. 99. Para o exercício do direito de petição, é assegurada vista do processo ou documento, na repartição, ao servidor ou a procurador por ele constituído. Art A Administração Pública Municipal deverá rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de vício ou ilegalidade. Art São fatais e improrrogáveis os prazos estabelecidos neste Capítulo, salvo motivo de força maior. sigilo; TÍTULO IV DO REGIME DISCIPLINAR CAPÍTULO I DOS DEVERES Art São deveres do servidor: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - ser leal às instituições a que servir; III - observar as normas legais e regulamentares; IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; V - atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por 20

21 b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública municipal. VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo; VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público; VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição; IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa; X - ser assíduo e pontual ao serviço; XI - tratar com urbanidade as pessoas; XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder. Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa. CAPÍTULO II DAS PROIBIÇÕES Art Ao servidor é proibido: I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato; II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição; III - recusar fé a documentos públicos; IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço; V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição; VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado; VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a partido político; VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil; IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública; X - participar de gerência ou administração de empresa privada, de sociedade civil, ou exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário; XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas municipais, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro; XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições; XIII - praticar usura sob qualquer de suas formas; XIV - proceder de forma desidiosa; XV - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares; XVI - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias; XVII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho; XVIII- recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado. 21

22 CAPÍTULO III DA ACUMULAÇÃO Art Ressalvados os casos previstos na Constituição Federal, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos. 1º. A proibição de acumular estende-se ao exercício de cargos, empregos e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista da União, dos Estados, do Distrito Federal e de outros Municípios. 2º. A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da compatibilidade de horários. 3º. Considera-se acumulação proibida a percepção de vencimento de cargo ou emprego público efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas remunerações forem acumuláveis na atividade. Art O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto no parágrafo único do art. 10, nem ser remunerado pela participação em órgão de deliberação coletiva. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à percepção de remuneração estipulada em legislação específica. Art O servidor vinculado ao regime desta Lei Complementar, que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando investido em cargo de provimento em comissão ou função de confiança, ficará afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada pela autoridade competente do órgão ou entidade envolvidos. CAPÍTULO IV DAS RESPONSABILIDADES Art O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições. Art A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros. 1º. A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma prevista no art. 42, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial. 2º. Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva, na forma do que dispuser o regulamento. 3º. A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o limite do valor da herança recebida. Art A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa qualidade. Art A responsabilidade civil-administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo ou função. Art As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si. Art A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. 22

23 CAPÍTULO V DAS PENALIDADES Art São penalidades disciplinares: I - advertência; II - suspensão; III - demissão; IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade; V - destituição de cargo em comissão; VI - destituição de função comissionada. Art Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais. Parágrafo único. O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar. Art A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante do art. 114, incisos I a III e VI, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave. Art A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias. Parágrafo único. Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido à inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação. Art As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar. Parágrafo único. O cancelamento da penalidade não surtirá efeitos retroativos. Art A demissão será aplicada nos seguintes casos: I - crime contra a administração pública; II - abandono de cargo; III - inassiduidade habitual; IV - improbidade administrativa; V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; VI - insubordinação grave em serviço; VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de outrem; VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo; X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio municipal; XI - corrupção; XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; XIII - outros casos previstos em lei específica. Art Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas, a autoridade a que se refere o art. 130, notificará o servidor, por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar opção no prazo improrrogável de 10 (dez) dias, contados da data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua apuração e regularização imediata, cujo processo administrativo disciplinar se desenvolverá nas seguintes fases: 23

24 I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por 2 (dois) servidores estáveis, e simultaneamente indicar a autoria e a materialidade da transgressão objeto da apuração; II - instrução sumária, que compreende indiciação, defesa e relatório; III - julgamento. 1º. A indicação da autoria de que trata o inciso I, dar-se-á pelo nome e matrícula do servidor, e a materialidade pela descrição dos cargos, empregos ou funções públicas em situação de acumulação ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das datas de ingresso, do horário de trabalho e do correspondente regime jurídico. 2º. A comissão lavrará, até 3 (três) dias após a publicação do ato que a constituiu, termo de indiciação em que serão transcritas as informações de que trata o 1º, bem como promoverá a citação pessoal do servidor indiciado, por intermédio de sua chefia imediata, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentar defesa escrita, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição, observado o disposto no art º. Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, opinará sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade instauradora, para julgamento. 4º. No prazo de 5 (cinco) dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão, aplicando-se, quando for o caso, o disposto no art. 128, I. 5º A opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa configurará sua boa-fé, hipótese em que se converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo. 6º Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão, destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos ou funções públicas em regime de acumulação ilegal. 7º O prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar submetido ao rito sumário não excederá trinta dias, contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando as circunstâncias o exigirem. 8º O procedimento sumário rege-se pelas disposições deste artigo, observando-se, no que lhe for aplicável, subsidiariamente, as disposições dos Capítulos II e III do Título V, desta Lei Complementar. Art Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na atividade, falta punível com a demissão. Art A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão. Art A demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos dos incisos IV, VIII, X e XI, do art. 119, implica o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível. Art A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por infringência ao art. 104, IX, incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público municipal, pelo prazo de 5 (cinco) anos. Parágrafo único. Não poderá retornar ao serviço público municipal o servidor que for demitido ou destituído do cargo em comissão por infringência ao 119, I, IV, VIII, X e XI. Art Configura abandono de cargo a ausência intencional do servidor ao serviço por mais de 30 (trinta) dias consecutivos. Art Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justificada, por 60 (sessenta) dias, interpoladamente, durante o período de 12 (doze) meses. 24

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