Gravidez precoce e a saúde da mulher. Geografia da Saúde Prof. Raul Borges Guimarães

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1 Gravidez precoce e a saúde da mulher Geografia da Saúde Prof. Raul Borges Guimarães

2 Gravidez indesejada? https://www.youtube.com/watch?v=fzg3mtvbhdu

3 O que você acha desta charge?

4 Essa imagem tem circulado recentemente no Facebook e, desde a primeira vez que a vi, me senti incomodada. Primeiro, porque, como mãe, me identifico com os três primeiros quadrinhos. Segundo, porque não vejo relação tão direta entre os três primeiros quadrinhos com o último. Terceiro, porque discordo que uma gravidez não desejada seja responsabilidade apenas da mulher (a menos que ela tenha conseguido concebê-la sozinha). Quarto, porque apenas a mulher está sendo representada nessa charge. Onde está o pai?

5 O que essa charge reafirma? 1 - O velho ditado machista: "Prendam suas cabras, que meus bodes estão soltos" 2 - O velho pensamento machista: "Mulher fica se insinuando, depois reclama que é estuprada" (isso também justifica o estupro de crianças e também é culpa da mãe que acha bonitinho a filha rebolar com músicas de adultos) 3 - Que a falha na educação é sempre da mãe, nunca da escola, do Estado e nem do pai, afinal, pai foi feito para prover o sustento da casa. Se o pai não provê o sustento, se a mulher também trabalha fora... mesmo assim, ela é culpada e ponto final.

6

7 A gravidez na adolescência é preocupante em adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Conforme dados do IBGE/ IPEA, a taxa de fecundidade adolescente, em 2006, cresceu em 0,14 nas classes econômicas mais baixas. A incidência de gravidez é maior nas adolescentes negras, com baixo poder aquisitivo e com baixa escolaridade.

8 Como o SUS deve abordar a questão? É um tema tratado pela Secretaria da Atenção Básica, do Ministério da Saúde, em dois campos: 1 - Saúde sexual e saúde reprodutiva 2 - Saúde na escola

9 Saúde sexual e saúde reprodutiva APRESENTAÇÃO DIREITOS, SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA: MARCOS LEGAIS E POLÍTICOS O QUE OS ADOLESCENTES E OS JOVENS TÊM A VER COM DIREITOS, SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA Marcos legais e políticos dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos de adolescentes e jovens A ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE HUMANIZAÇÃO, OS PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA, ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA E ABORDAGEM FAMILIAR: PONTOS-CHAVE NA ATENÇÃO EM SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA SEXUALIDADE E SAÚDE Um pouco de história A sexualidade na infância A partir de que momento se inicia o desenvolvimento da sexualidade? Masturbação ABORDANDO A SAÚDE SEXUAL NA ATENÇÃO BÁSICA ABORDANDO A SAÚDE REPRODUTIVA NA ATENÇÃO BÁSICA...57 quarta-feira, de janeiro Planejamento de 2015 reprodutivo versus controle de

10 8 PROMOVENDO A SAÚDE SEXUAL E A SAÚDE REPRODUTIVA NA DIVERSIDADE População de adolescentes e jovens População idosa População negra População de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais LGBT População indígena Pessoas com deficiência Prostitutas e outras pessoas que exercem a prostituição Pessoas em situação de prisão PRÁTICAS EDUCATIVAS EM SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA FALANDO SOBRE ANTICONCEPÇÃO MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS FALANDO SOBRE CONCEPÇÃO E INFERTILIDADE ATENÇÃO ÀS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SEXUAL...256

11 Geografia, corpo e sexualidade A sexualidade diz respeito a um conjunto de características humanas que se traduz nas diferentes formas de expressar a energia vital, chamada por Freud de libido, que quer dizer energia pela qual se manifesta a capacidade de se ligar às pessoas, ao prazer/ desprazer, aos desejos, às necessidades, à vida. Comumente, as pessoas associam sexualidade ao ato sexual e/ou aos órgãos genitais, considerando-os como sinônimos. Embora o sexo seja uma das dimensões importantes da sexualidade, esta é muito mais que atividade sexual e não se limita à genitalidade ou a uma função biológica responsável pela reprodução (NEGREIROS, 2004). Ao refletir um pouco mais sobre o assunto, pode-se perceber que o corpo como um todo é fonte de prazer, pelo fato de propiciar, desde nosso nascimento, o sentir, o perceber e o comunicar o mundo. Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica, Saúde sexual e saúde reprodutiva, Do ponto de vista cultural, dá para pensar geografia sem pensar no corpo?

12 PANORAMA SITUACIONAL DA SAÚDE SEXUAL E DA SAÚDE REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES E JOVENS BRASILEIROS A Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas (PCAP) da População Brasileira em relação ao HIV e outras DST, entre pessoas de 15 e 54 anos, realizada pelo Ministério da Saúde, em 2004, revelou, com relação às práticas sexuais, que 74% dos jovens tiveram alguma relação sexual na vida e 66,4% tiveram relação no último ano. O início da atividade sexual aconteceu, em média, aos 15,3 anos e aproximadamente 36% dos jovens tiveram a primeira relação antes dos 15 anos. Cerca de 16% deles tiveram mais de 10 parceiros na vida e quase 7% tiveram mais de cinco parceiros eventuais no último ano (BRASIL, 2005g). Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica, Saúde sexual e saúde reprodutiva, 2010.

13 PANORAMA SITUACIONAL DA SAÚDE SEXUAL E DA SAÚDE REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES E JOVENS BRASILEIROS Quanto à prática do sexo seguro, o uso de preservativo na primeira relação foi relatado por 53% dos jovens. Quase 40% deles declararam o uso da camisinha em todas as relações sexuais, independentemente da parceria, 38,8% com parceiro fixo e 58,4% com parceiro eventual. Chama a atenção o fato de que 95% citaram o preservativo como forma de proteção da infecção pelo HIV Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica, Saúde sexual e saúde reprodutiva, 2010.

14 PANORAMA SITUACIONAL DA SAÚDE SEXUAL E DA SAÚDE REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES E JOVENS BRASILEIROS Com relação à atividade sexual e à anticoncepção, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), realizada em 2006, constatou que as mulheres estão começando sua vida sexual cada vez mais cedo, o mesmo sucedendo com a prática contraceptiva. Até os 15 anos, em 2006, 33% das mulheres já haviam tido relações sexuais, valor que representa o triplo do ocorrido na PNDS/ Por sua vez, 66% das jovens de 15 a 19 anos sexualmente ativas já haviam usado algum método anticoncepcional, sendo que o preservativo (33%), a pílula (27%) e os injetáveis (5%) foram os mais utilizados (BRASIL, 2008a). Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica, Saúde sexual e saúde reprodutiva, 2010.

15 Gravidez na adolescência: considerações finais A gravidez na adolescência é um acontecimento que está associado a diversos fatores sociais, como também pessoais e familiares. Por sua vez, é preciso considerar que há relevantes distinções entre a gravidez ocorrida no início da adolescência, na faixa etária de 10 a 14 anos, e aquela que ocorre na faixa etária de 15 a 19 anos. Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica, Saúde sexual e saúde reprodutiva, 2010.

16 Gravidez na adolescência: considerações finais Em muitos casos, a gravidez na adolescência está relacionada com a situação de vulnerabilidade social, bem como com a falta de informações e acesso aos serviços de saúde, e ao baixo status de adolescentes mulheres nas relações sociais vigentes, sobretudo das pobres e negras. Alguns estudos têm explorado a relação entre gravidez na faixa etária de 10 a 14 anos e a ocorrência de violência sexual, hipótese que não tem sido contestada. Por outro lado, não se pode deixar de considerar, na análise dessa questão, que a gravidez pode expressar um desejo de adolescentes e jovens e pode estar incluída em seus projetos de vida. A maternidade e a paternidade podem se revelar, ainda, como elemento reorganizador da vida, e não somente desestruturador. Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica, Saúde sexual e saúde reprodutiva, 2010.

17 ADOLESCENTES E JOVENS NA ATENÇÃO BÁSICA A frequência de adolescentes e jovens nos serviços de saúde no Brasil é ainda muito pequena. Segundo pesquisa da Unesco, os serviços de saúde não aparecem como um lugar importante e prioritário para se encontrar informações confiáveis sobre sexualidade, do ponto de vista dos adolescentes brasileiros Vários estudos indicam que os profissionais de saúde não se sentem preparados para essa atenção, principalmente no que diz respeito aos seus aspectos éticos e legais. Nessa perspectiva, o acolhimento é um aspecto fundamental. Isso implica que todos os adolescentes e jovens que procuram o serviço de saúde sejam ouvidos com atenção, recebam informações, atendimento e encaminhamentos adequados.

18 MARCOS LEGAIS DOS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS DE ADOLESCENTES E JOVENS Constituição Brasileira de 1988 reconheceu, no seu art. 227, crianças e adolescentes como sujeitos de direitos Outro marco fundamental é a Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em Em consonância com essa mudança de paradigma, em 1989, o Ministério da Saúde criou o Programa de Saúde do Adolescente (PROSAD), para a faixa etária de 10 a 19 anos, 11 meses e 29 dias. No Brasil, entre os principais avanços legais que norteiam a atenção à saúde de adolescentes, destaca-se a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, que regulamenta o art. 227 da Constituição Federal de 1988.

19 Direitos fundamentais dos adolescentes Constituem-se direitos fundamentais do adolescente a privacidade, a preservação do sigilo e o consentimento informado. Na assistência à saúde, isso se traduz no direito do adolescente de ter privacidade durante uma consulta, com atendimento em espaço reservado e apropriado, e de ter assegurada a confidencialidade, ou seja, a garantia de que as questões discutidas durante uma consulta ou uma entrevista não serão informadas a seus pais ou responsáveis, sem a sua autorização consentimento informado. Esses direitos fundamentam-se no princípio da autonomia e, sem dúvida, favorecem a abordagem de temas relacionados à saúde sexual e à saúde reprodutiva nos serviços de saúde.

20 Direitos fundamentais dos adolescentes Diversos códigos de ética profissionais e o próprio código penal expressamente determinam o sigilo profissional, independentemente da idade da pessoa sob atenção, prevendo sua quebra apenas nos casos de risco de vida ou outros riscos relevantes para a própria pessoa ou para terceiros. Os professores de geografia e geógrafos também podem ser responsabilizados por este tema?

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