Revista Jurídica da FACULDADE 2 DE JULHO

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2 ISSN: Revista Jurídica da FACULDADE 2 DE JULHO Direitos Humanos na Contemporaneidade e Meio Ambiente

3 EXPEDIENTE Ficha Catalográfica Biblioteca Basílio Catalá Castro. Ano I, n.1 (out. 2007)-. Salvador: Faculdade 2 Julho, Semestral ISSN 1. Direito. I. Faculdade 2 de Julho Diretor Geral Prof. Josué da Silva Mello Diretor de Administração e Finanças Prof. Sergio Miranda Souza Coordenação Pedagógica e Acompanhamento Acadêmico Prof.ª Tecla Dias de Oliveira Mello Assessor de Comunicação Prof. Sílvio César Tudela Secretária Acadêmica Marane Iara Xavier Rodrigues Coordenadora da Biblioteca Rosane Rubim Coordenador do Curso de Direito Profª Valnêda Cássia Santos Carneiro CDU: 34 Coordenação do Curso de Comunicação Social Prof. Derval Gramacho Coordenação do Curso de Administração Prof. Adeimival Barroso de Pinho Júnior Relações Institucionais Fabiano Peixinho Os trabalhos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Permitida a reprodução, total ou parcial, desde que citada a fonte. FUNDAÇÃO 2 DE JULHO FACULDADE 2 DE JULHO Avenida Leovigildo Filgueiras, 81 Bairro do Garcia, CEP Salvador - Bahia - Brasil Tel.: (71) Coordenação da Revista Profª Valnêda Cássia Santos Carneiro Prof.º Yuri Carneiro Coelho Conselho Editorial Alexandre Rocha Camilo Colany Dirley da Cunha Junior Paulo Afonso Leme Machado Saulo Casali Bahia Projeto Gráfico Vinícius Silva Carvalho Diagramação Joel Calixto

4 SUMÁRIO 1 Extração de recursos minerais e crime de usurpação Alessandra Rapassi Mascarenhas Prado A valoração da biodiversidade e a biopirataria Kamila Assis de Abreu Desafios da ética na administração pública : a importância do princípio da moralidade e seus reflexos nos direitos humanos Rommel Robatto O direito à educação ambiental enquanto direito constitucional fundamental. Valnêda Cássia Santos Carneiro Filosofia da justiça: a formação de um conceito de justiça e os direitos humanos Yuri Carneiro Coelho O usucapião especial de imóvel urbano, uma forma de efetivar o direito constitucional à moradia Ademário Gómez; João Fábio dos Santos; Jonathas Gusmão; José Wilson Júnior; José Sérgio Nogueira; Luiz Geraldo Teles Poluição ambiental e resíduos Cleane Silva Reale; Fernanda Silva Rodrigues; Lenio Silva Reale; Marta Cruz de Oliveira; Rosa Helena T. Costa; Soraya Araújo; Vera Lima Almeida Responsabilidade civil do estado por danos ambientais sob a luz do risco integral Maria Auxiliadora Andrade Pereira Para que cuidar do meio ambiente? Laurides Pereira Gravatá Instruções para apresentação de artigos à publicação

5 EDITORIAL Direitos humanos na contemporaneidade e meio ambiente: temas recorrentes em uma sociedade globalizada. Eles emergem dentro da crise do positivismo como instrumentos da alteração dos paradigmas para a construção de uma sociedade preocupada com o homem em todas as suas dimensões. Apesar de a Carta Magna brasileira ofertar perspectivas diversas de garantia dos direitos humanos essa temática permanece atual, na medida em que ainda nos inserimos em um contexto social de profundo desrespeito às garantias fundamentais ao homem. Na sociedade moderna, é um grande desafio o buscarem-se, dentro dos paradigmas do pós-positivismo, os caminhos necessários à preservação dos direitos humanos. Sem o respeito a eles, não se pode falar em sociedade democrática. Por sua vez, o meio ambiente também se revela de suma importância, já que sua preservação é essencial como sustentáculo da própria humanidade. Desse modo, avulta em importância a busca dos meios adequados à sua tutela. A importância desses dois temas levou o Curso de Direito da Faculdade 2 de Julho a editar sua primeira revista jurídica valorizando-os, buscando, com isto, aprofundar a reflexão sobre os desafios que eles nos impõem. Assim, a Coordenação do Curso de Direito e a Direção da Faculdade 2 de Julho abrem este importante espaço de dialogo entre sociedade acadêmica, discentes e acadêmicos de outras instituições, convidados a produzirem e divulgarem seus estudos neste meio impresso de comunicação. Acreditamos ser possível construir uma Faculdade em que o debate seja a tônica, buscando sempre a renovação do pensamento acadêmico. Este veículo que ora se inaugura pretende ser penhor e instrumento deste desidetrato. Profª Valnêda Cássia Santos Carneiro Prof.º Yuri Carneiro Coelho Coordenadores da Revista Jurídica da Faculdade de Direito 2 de Julho

6 APRESENTAÇÃO Apraz-me colocar à disposição da comunidade acadêmica a REVISTA JURÍDICA, uma publicação do Curso de Direito da Faculdade 2 de Julho. No semestre anterior, a Faculdade lançou a Revista Independência, de caráter institucional, abrangente e pluralista, como resultado de sua caminhada acadêmica, sinal de seu compromisso com o futuro, fruto do amadurecimento da academia, do avanço de seu projeto pedagógico e do entendimento de que a educação superior de qualidade não deve se restringir à sala de aula. Urge produzir conhecimento novo e socializá-lo. Como resultado desse avanço lança, no presente semestre, a Revista Jurídica para estimular a produção do saber na área do Direito e possibilitar aos seus docentes e discentes um instrumento de veiculação de suas pesquisas, de seus pensamentos e de sua produção científica. O Curso de Direito transpõe para o patamar da realidade o que antes era apenas um sonho. Uma Revista específica para a área do Direito. Começou na forma eletrônica e rapidamente alcança o formato de Revista impressa. Em se tratando do Curso de Direito e da Faculdade 2 de Julho todo sonho é possível e passível de tornar-se realidade. E mais ainda quando se concebe a amplitude do alcance da ciência jurídica. O Direito, mais do que um conjunto de normas jurídicas, representa uma das maiores conquistas da humanidade, porquanto tem estabelecido, desde os primórdios da vida em comunidade, as formas de vida coletiva, os paradigmas do processo civilizatório, abrangendo as mais diversas dimensões do ser humano e de suas relações com a sociedade. Em seu primeiro número a Revista inclui colaboração de um professor convidado, artigos de professores integrantes do corpo docente da própria Faculdade, trabalhos de estudantes do curso de Direito e uma quarta sessão de informes científicos. E assim há de continuar nas edições futuras. Não bastasse a relevância da ciência jurídica para justificar a inserção de mais uma Revista no programa de editoração da Faculdade 2 de Julho, ainda em fase incipiente, haveria que se destacar o compromisso institucional com a qualidade acadêmica, a busca permanente da verdade, mediante a pesquisa e o debate de idéias, a viabilização do projeto político pedagógico voltado para a reelaboração e produção de conhecimento novo e os desafios da participação no processo de transformação da sociedade. Diretor Geral

7 EXTRAÇÃO DE RECURSOS MINERAIS E CRIME DE USURPAÇÂO uma análise da jurisprudência brasileira Alessandra Rapassi Mascarenhas Prado * RESUMO O artigo procura demonstrar a relação entre o crime de extração de recursos minerais e o crime de usurpação, à luz da jurisprudência brasileira, mais notadamente, do STJ e dos Tribunais Regionais Federais da 1ª, 3ª e 4ª regiões. PALAVRAS-CHAVE Meio ambiente, Crime, Recursos minerais, Usurpação, Especialidade, Jurisprudência. ABSTRACT The article shows how to relate felonies like undue extraction of mineral resources and usurpation on basis of Brazilian jurisprudence as shown in decisions by the STJ (Brazilian Federal Court of Appeals) and Tribunais Regionais Federais (Brazilian Circuit Courts) of 1st, 3rd, and 4th regions. KEYWORDS Enviroment - crime, Mineral resourses-usurpation. * Doutora e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito da UFBA Mestrado e Doutorado, Professora da Pós-Grdauação Latu Sensu em Ciências Penais da Fundação Faculdade de Direito da UFBA e Professora de Direito Penal na Faculdade Ruy Barbosa e na FTE.

8 1 INTRODUÇÃO Os recursos minerais constituem-se em recursos naturais não renováveis, isto é, que não se reproduzem. Por esse motivo, a sua exploração pode resultar em irreversível diminuição ou até em seu desaparecimento. O conhecimento científico cada vez maior do ecossistema e, evidentemente, das conseqüências decorrentes das atividades antrópicas sobre o mesmo, confere ao ser humano, cada vez mais, a possibilidade de decidir sobre as formas, os meios e a intensidade da intervenção sobre a natureza, sobre a criação de riscos. O aumento desses riscos provenientes de atividades que afetam a própria condição de existência humana, por causarem impacto negativo sobre o meio ambiente, impulsionou o reconhecimento de que este não é apenas um provedor de recursos naturais propiciadores do desenvolvimento econômico, mas também um bem valioso em si mesmo. Verifica-se, portanto, a necessidade de um controle diferenciado das atividades por meio de normas jurídicas, isto é, que visem não apenas à proteção do patrimônio público (recursos minerais, p. ex.), mas também à proteção do meio ambiente como bem comum do povo. O desenvolvimento sustentável torna-se um clamor, um princípio na atual sociedade de riscos. Ou seja, se por um lado, não é possível nem desejável proibir o desenvolvimento científico e tecnológico em sua totalidade em prol da proteção do meio ambiente, é preciso exigir que atividades econômicas se desenvolvam com limitações pautadas na preservação do meio ambiente. Destarte, o meio ambiente ganhou autonomia como bem jurídico ao passo que deixou de se confundir com os demais valores tradicionalmente protegidos, como, por exemplo, a vida, a saúde e a propriedade, por possuir substantividade própria, por ser valioso em si mesmo, o que se revela não no reconhecimento constitucional, mas no fato de a conservação e a manutenção deste bem serem essenciais ao homem e ao provimento de suas necessidades existenciais. 1 Essa mudança de concepção sobre o meio ambiente repercutiu sobre os ordenamentos 13

9 jurídicos de vários Estados. e 4º; e 180). 14 No Brasil, a primeira referência constitucional ao meio ambiente foi indireta e de caráter patrimonial, quando a Constituição da República de 1891 determinou que o Congresso Nacional tinha competência para legislar sobre terras e minas de propriedade da União. A Constituição de 1934 faz menção a alguns elementos do meio ambiente, como bens públicos, de valor econômico, como riquezas do subsolo, mineração, metalurgia, águas, energia hidrelétrica, florestas, caça e pesca, em relação à competência para legislar (art. 5, XIX); e minas e riquezas do subsolo, quedas d águas, jazidas minerais, energia hidráulica, no tocante à exploração e ao aproveitamento desses bens (arts. 118 e 119, caput e 2º). A Constituição de 1937 repete as previsões citadas na Constituição anterior, referentes a alguns elementos do meio ambiente (arts. 16, XIV; 36, b,c; 18, a; 143, caput e 2º). Traz pequenas novidades em relação ao meio ambiente, acrescentando entre as matérias de competência legislativa da União os metais preciosos (art. 16, IX). A mais importante delas, porém, foi a equiparação dos atentados cometidos contra os monumentos históricos, artísticos e naturais, assim como as paisagens ou os locais particularmente dotados pela natureza àqueles cometidos contra o patrimônio nacional (art. 134, in fine). Na Constituição de 1946, apesar do agravamento da questão social e da assunção de novas atribuições pelo Estado, o meio ambiente continuou sem receber atenção maior, havendo, no particular, dispositivos versando sobre as mesmas questões das Constituições anteriores (art. 5º, VI, XV, l; 34, I; 152; 153, 2º e 3º; 175). Na Constituição do Brasil de 1967 a matéria relativa ao meio ambiente, apesar de ter sido relativamente ampliada, não foi tratada sob um enfoque da proteção do bem em si, mas indiretamente, como nas anteriores (arts. 4º, II e III; 5º; 8º, XVII, h, i, j; 161, 1º e 4º). O artigo 172, parágrafo único, lembrando o artigo 134, da Constituição de 1937, atribui ao Poder Público o dever de proteção especial de obras e locais de valor histórico ou artístico, monumentos e paisagens naturais notáveis e jazidas arqueológicas. Em 1969, a Emenda Constitucional n. 1 altera a Constituição de 1967, porém, no tocante ao meio ambiente, mantém as disposições anteriores (arts. 4ºº; 8º, XVII; 168, caput, 1º Até aqui nenhuma das Constituições havia previsto a tutela do meio ambiente como bem jurídico fundamental, numa concepção global, que visasse sua conservação, pois a referência ao meio ambiente ocorreu indiretamente, através dos recursos naturais ou do patrimônio histórico e artístico, considerando-os bens de domínio público. Contudo, diante da evidente necessidade de proteção ao meio ambiente como bem autônomo, e seguindo as recomendações das Conferências e Convenções internacionais e nacionais, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, entre as significativas inovações em defesa de interesses difusos, prevê um capítulo específico relativo ao meio ambiente (Título VIII Da Ordem Social, Capítulo VI Do Meio Ambiente), elevando-o a bem de uso comum do povo, a direito fundamental 2, oferecendo uma abordagem direta, mais abrangente e preventiva, e indicando também, ao legislador, além de outras coisas, a necessidade de proteção penal do referido bem (art. 225, 3º). No que diz respeito à legislação infraconstitucional, é necessário observar que a proteção do meio ambiente, como interesse difuso, implica limitação de atividades que causam a degradação do meio ambiente, o que deve ocorrer principalmente por meio da legislação ambiental, ou seja, de sua regulamentação, da exigência de prévio estudo de impacto ambiental, de licença prévia de instalação e de operação, enfim, da adoção de medidas que minimizem esse impacto. No tocante à exploração de recursos minerais, além da obtenção da Licença Ambiental, que pressupõe, por exemplo, a apresentação de Plano de Controle Ambiental contendo projetos executivos de minimização dos impactos ambientais, e autorização para desmatamento, quando for o caso, conforme Resolução CONAMA n. 10/90 3, a Constituição Federal exige ainda que a área afetada seja recuperada (art. 225, 2º). Embora como ultima ratio, a intervenção penal também se faz necessária em relação àquelas condutas e atividades que causam graves lesões ao meio ambiente o que determina expressamente o artigo 225, 3º, da Constituição. Nesse sentido, no tocante aos recursos minerais, o artigo 55 da Lei n /98 tipifica o fato de executar pesquisa, 15

10 lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão ou licença, ou em desacordo com a obtida 4. 2 CRIME DE EXTRAÇÃO DE RECURSOS MINERAIS (ART. 55, LEI N /98) A pesquisa mineral constitui-se, segundo o Código de Minas (Decreto-Lei n. 227/67), na execução dos trabalhos necessários à definição da jazida, sua avaliação e a determinação da exeqüibilidade do seu aproveitamento econômico (art. 14, caput) 5 ; a lavra é o conjunto de operações coordenadas objetivando o aproveitamento industrial da jazida 6, desde a extração das substâncias minerais úteis que contiver até o beneficiamento das mesmas (art. 36); e a extração é a retirada de recursos minerais para qualquer fim, o que pode ocorrer por meio de garimpagem 7 ou mineração. Com base nos princípios que regem o Direito Penal em um Estado democrático de Direito, as normas penais devem ser criadas visando à proteção de determinado bem jurídico, no caso de lesões graves praticadas contra os mesmos. No caso da Lei n /98, os tipos penais nela contidos objetivam a proteção do meio ambiente como condição de existência do ser humano, ou seja, bem jurídico supra-individual, como aponta o artigo 225, caput, da Constituição Federal brasileira. A tutela do meio ambiente por meio da norma penal contida no artigo 55 justifica-se à medida que a extração mineral, além da diminuição ou do esgotamento de recursos minerais (como dano ambiental e não patrimonial), pode implicar extinção de espécies da fauna e da flora, interações de reprodução biológica, emissão de gases, modificação da qualidade das águas, enfim, modificação do ecossistema. São objetos materiais do crime previsto no artigo 55 os recursos minerais, isto é, concentrações minerais na crosta terrestre, no solo ou subsolo, como alumínio, ouro, manganês, estanho, quartzo, caulim, rocha fosfática, cromo, grafite, níquel, areia, argila, ligas de ferro, pedras preciosas, amianto, petróleo, gás natural, entre outros. 2.1 TIPO PENAL Conforme dito anteriormente, as atividades de pesquisa, lavra e extração de recursos minerais devem ser realizadas pautadas no princípio do desenvolvimento sustentável, sendo passíveis, portanto, de sofrer limitações que favoreçam o equilíbrio ecológico. É certo que toda atividade extrativista resulta em dano ao meio ambiente. Porém, considerando o caráter subsidiário e fragmentário do Direito Penal, a intervenção deve ocorrer como ultima ratio, apenas em relação às lesões mais graves a que é exposto o bem jurídico. A fórmula encontrada pelo legislador para punir esses fatos lesivos em inviabilizar de toda forma a atividade econômica foi descrever o crime por meio de uma normal penal em branco, isto é, vinculando a configuração do crime à ausência de autorização, permissão, concessão ou licença, ou à não observância do respectivo ato administrativo. Dessa forma, se a pessoa, ao explorar uma dessas atividades, agir de acordo com a licença obtida, não deve ser responsabilizada penalmente pelo impacto causado, presumindo-se que as condições estabelecidas para a concessão da respectiva licença são capazes de reduzir o impacto sobre o meio ambiente, restando afastada a tipicidade do fato em respeito ao princípio da lesividade. Alerta-se, contudo, que a licença apenas legitima a atividade praticada após sua concessão, desde que cumpridas todas as exigências impostas. A Resolução do CONAMA n. 09/90 dispõe sobre normas específicas para o Licenciamento Ambiental de Extração Mineral das Classes I, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX; a Resolução do CONAMA n. 10/90 dispõe a respeito de critérios específicos para o Licenciamento Ambiental de Extração Mineral da Classe II; e a Lei n /89 cria o regime de permissão de lavra garimpeira

11 3 CRIME DE USURPAÇÃO (ART. 2º, LEI N /91) Apesar de considerar o meio ambiente um bem supra-individual, autônomo, a Constituição Federal não abandonou a concepção econômio-patrimonial conferida aos elementos que o compõem. Assim, o artigo 20, inciso IX, da Constituição Federal brasileira de 1988 declara que os recursos minerais, inclusive os do subsolo, são bens da União. Enquanto o artigo 176, caput, estabelece que: [...] as jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. No âmbito penal, a Lei n /91, que define os crimes contra a ordem econômica e cria o Sistema de Estoques de Combustíveis, em seu artigo 2º, prevê: Constitui crime contra o patrimônio, na modalidade usurpação, produzir bens ou explorar matéria-prima pertencente à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizador. Verifica-se, portanto, que o bem jurídico aqui protegido é o patrimônio da União, composto, entre outras matérias-primas, pelos recursos minerais; e a lesão caracteriza-se pela usurpação desses objetos materiais. A exigência de inexistência ou desobediência da necessária autorização na descrição do referido tipo penal corresponde à limitação imposta pela Constituição, ao estabelecer que a pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput desse artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional (art. 176, 1º). Observa-se, por exemplo, que a pesquisa deve ser precedida de autorização outorgada pelo DNPM (art. 15, Código de Minas); a concessão de lavra terá por título uma portaria assinada pelo Ministro de Estado de Minas e Energia (art. 43, Código de Minas); e a lavra garimpeira depende de permissão do DNPM (art. 1º, Lei n /89). 4 CONFLITO APARENTE DE NORMAS OU CONCURSO FORMAL DE CRIMES? A edição da Lei n /98, que dispões sobre crimes e infrações administrativas contra o meio ambiente, tipifica em seu artigo 55 o crime de extração de recursos minerais, provocou a sustentação de teses divergentes entre os operadores do Direito a respeito da sua coexistência com o referido artigo 2º, argüindo-se, de um lado, a existência de um conflito aparente de normas, e, de outro, a ocorrência de um concurso formal de crimes. O conflito aparente de normas verifica-se quando duas ou mais normas aparentemente são aplicáveis a um mesmo fato, havendo, entretanto, incidência de apenas uma delas, por constituir a mais apropriada à solução do caso, seja porque é específica, principal ou mais abrangente (consuntiva). O conflito resolve-se, então, por meio da interpretação das normas, aplicando-se, respectivamente, o princípio da especialidade, subsidiariedade ou consunção. Frise-se que o conflito aparente de normas tem como pressupostos a unidade de fato, isto é, uma única conduta que provoca uma única lesão ao bem jurídico, e a pluralidade de normas. O concurso formal de crimes, ou concurso ideal, diversamente, resta caracterizado quando a pessoa, mediante uma só conduta, causa dois ou mais resultados, isto é, comete dois ou mais crimes. Neste caso, há uma pluralidade de fatos, regidos por normas jurídicas distintas. Portanto, havendo uma única conduta (extração de recursos minerais, por exemplo) que cause lesão ao meio ambiente, bem comum do povo, e ao patrimônio da União, direito de propriedade do estado, sem as necessárias autorizações dos órgãos competentes ou em desacordo com estas, não há que se falar em unidade de fato, ao contrário, resta caracterizado o concurso formal de crimes. A respeito do tema já se manifestaram o Superior Tribunal de Justiça e os Tribunais Regionais Federais da Primeira, Terceira e Quarta Regiões, cujas posições serão expostas a seguir

12 4.1 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestou-se, em três oportunidades, contrariamente à tese de conflito (aparente) entre o artigo 55 da Lei n /98 e o artigo 2º da Lei n /91, asseverando, por unanimidade, a existência de concurso formal de crimes, com base no argumento de que as referidas leis cuidam de bens jurídicos distintos, conforme se verifica nas Ementas a seguir transcritas: CRIMINAL. RHC. CRIME CONTRA A ORDEM ECONÔMICA E CONTRA O MEIO AMBIENTE. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. PRETENSÃO DE DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDUTA. AUTORIA E MATERIALIDADE DEMONSTRADAS, EM TESE. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA NÃO-EVIDENCIADA DE PLANO. IMPROPRIEDADE DO WRIT. RECURSO DESPROVIDO. I. Denúncia imputando ao paciente a possível prática de delitos contra a ordem econômica e contra o meio ambiente, em razão da extração de areia em cava submersa, sem autorização do Órgão competente, que teria provocado lesão ao patrimônio da União e danos ao meio ambiente. II. Comprovada, a princípio, a prática de dois tipos penais um cuja tutela recai sobre a ordem econômica e o sistema de estoque de combustíveis e, outro, que disciplina as sanções penais e administrativas a serem aplicadas em caso de condutas lesivas ao meio ambiente não se justifica o trancamento da ação penal. III. [...] IV. [...] V. Recurso desprovido. (STJ, 5ª Turma, RHC SP (2003/ ), Rel. Min. Gilson Dipp, j , DJU ) 8 Em outro caso de lavra e extração de areia, o Superior Tribunal de Justiça, também por unanimidade, ao decidir pela cassação do Acórdão recorrido que reconhecia o conflito aparente de normas, declarou a existência, em tese, de concurso formal de crimes: III - Recurso conhecido e provido para cassar o acórdão recorrido, dandose prosseguimento à ação penal. (STJ, 5ª Turma, RESP SP (2003/ ), Rel. Min. Gilson Dipp, j , DJU ). No Voto do Acórdão acima referido há declaração de que o artigo 2º da Lei n /91 e o artigo 55 da Lei n /98 tutelam respectivamente, o patrimônio público (usurpação) e o meio ambiente (extração), aduzindo que: Desta forma, não há de se falar de conflito aparente de normas, mas em caso de concurso formal, no qual um mesmo comportamento acarretou vários resultados, neste caso, ofendeu objetos jurídicos diversos. A inicial acusatória descreve a conduta de extrair areia, sem autorização ou licença, com finalidade mercantil, demonstrando ofensa a objetos jurídicos distintos, um de ordem patrimonial e, outro, ambiental. Esse, aliás, o entendimento da douta Subprocuradoria-Geral da República, lançado no parecer ministerial de fls. 171D178, cujas assertivas adoto como razões de decidir: Inicialmente, cabe ressaltar que os recursos minerais, inclusive os do subsolo, pertencem à União, conforme os art. 20, incidso IX, e o art. 176 da Constituição Federal, sendo que para a utilização destes é necessária autorização do DNPM. Assim, os recorridos ao extraírem e lavrarem areia, elemento conceituado como substância mineral (Decreto-Lei n.º 227D67 cdc Decreto n.º D68), sem prévia autorização do órgão competente, praticaram um, delito patrimonial, de acordo com a determinação do art. 2º da Lei n.º 8.176D91, já que a areia é de propriedade da União. Verifica-se, também, que os recorridos não possuíam licença ambiental para extrair o recurso mineral, portanto, além do delito patrimonial demonstrado acima, restou configurado o delito ambiental, uma vez que houve dano ao meio ambiente, incidindo, desta forma, o artigo 55 da Lei n.º 9.605D98 (Lei Ambiental), verbis: 20 CRIMINAL. HABEAS CORPUS. EXTRAÇÃO DE AREIA SEM AUTORIZAÇÃO DO ÓRGÃO COMPETENTE COM FINALIDADE MERCANTIL. USURPAÇÃO X EXTRAÇÃO. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. INOCORRÊNCIA. DIVERSIDADE DE OBJETOS JURÍDICOS. CONCURSO FORMAL CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. I - O art. 2º da Lei 8.176/91 descreve o crime de usurpação, como modalidade de delito contra o patrimônio público, consistente em produzir bens ou explorar matéria-prima pertencente à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo. Já o art. 55 da Lei 9.605/98 descreve delito contra o meio-ambiente, consubstanciado na extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida. II - Se as normas tutelam objetos jurídicos diversos, não há que se falar em conflito aparente de normas, mas de concurso formal, caso em que o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes. [...] Assim, o Ministério Público não se equivocou ao denunciar os recorridos como incursos no art. 55 da Lei n.º 9.605D98 e no art. 2º da Lei n.º 8.176D91, em concurso formal e de forma continuada, pois estes ao extraírem e lavrarem areia, sem prévia autorização e licença ambiental, violaram diferentes objetos jurídicos, quais sejam: patrimônio da União (delito patrimonial) e o meio ambiente (delito ambiental). Como se vê, o artigo 55 da Lei n.º 9.605D98 não pode ser considerado especialização do artigo 2º da Lei n.º 8.176D91 como pretende o v. acórdão, pois cada um busca tutelar bens diversos: o primeiro artigo tem como objetivo proteger o meio ambiente, ao passo que o segundo refere-se à proteção do patrimônio da União. Nesse sentido, entende o Procurador da República de BauruDSP Pedro Antônio de Oliveira, em parecer publicado no Boletim dos Procuradores da República, ano 1, n.º 6, outubro de 98, fls. 20D21: Assim, a partir da entrada em vigor da novel Lei reguladora das infrações ambientais, o minerador que estiver em atividade clandestina sem a 21

13 competente licença ambiental e o título minerário respectivo (Portaria de Lavra e Registro de Licença Municipal), incidirá nos delitos estampados no artigo 2º da Lei n.º 8.176D91 e artigo 55 da Lei n.º 9.605D98, em concurso material - art. 70, do Código Penal Brasileiro. Os mesmos argumentos repetem-se em outro caso de extração de areia sem autorização e licença dos órgãos competentes. PENAL. RECURSO ESPECIAL. EXTRAÇÃO DE AREIA SEM AUTORIZAÇÃO. DERROGAÇÃO. LEX MITIOR. ART. 2º DA LEI Nº 8.176/91 E ART. 55 DA LEI Nº 9.605/98. INOCORRÊNCIA DA NOVATIO LEGIS IN MELLIUS. I - Quando as normas incriminadoras tutelam bens jurídicos diversos inocorre o denominado conflito de leis penais no tempo. Não há, no caso, derrogação. II - O art. 2º da Lei nº 8.176/91 indica o delito da usurpação como forma de infração contra o patrimônio público, consistente em produzir bens ou explorar matéria-prima pertencente à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas por título autorizativo. O art. 55 da Lei nº 9.605/98, por sua vez, descreve crime contra o meio ambiente. Recurso provido. (STJ, 5ª Turma, RESP SP (2002/ ), Rel. Min. Felix Fischer, j , DJU ). Posição mantida em decisões mais recentes: REsp BA (2006/ ), Rel. Min. Gilson Dipp, julgamento , DJU ; REsp SP (2004/ ), Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, j , DJU ; HC SP (2004/ ), Rel. Min. Felix Fischer, j , DJU ; HC SP (2003/ ), Rel. Min. Gilson Dipp, j , DJU A Sexta Turma sustenta o mesmo entendimento, como se verifica na Ementa a seguir transcrita: RECURSO EM HABEAS CORPUS. EXTRAÇÃO DE AREIA SEM AUTORIZAÇÃO DO ÓRGÃO COMPETENTE COM FINALIDADE MERCANTIL. USURPAÇÃO X EXTRAÇÃO. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. INOCORRÊNCIA. DIVERSIDADE DE OBJETOS JURÍDICOS. CONCURSO FORMAL CONFIGURADO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. O art. 2º da Lei 8.176/91 descreve o crime de usurpação, como modalidade de delito contra o patrimônio público, consistente em produzir bens ou explorar matéria-prima pertencente à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo. Já o art. 55 da Lei 9.605/98 descreve delito contra o meio-ambiente, consubstanciado na extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida. 2. [...] 3. [...] 4. Recurso a que se nega provimento. 4.2 TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS No âmbito dos Tribunais Regionais Federais, a Segunda Seção e a Quarta Turma do TRF da 1ª Região, a Segunda Turma do TRF da 3ª Região, bem como as Sétima e Oitava Turmas do TRF da 4ª Região corroboram a tese do concurso formal de crimes. Entretanto, a Segunda Seção, bem como a Terceira Turma do TRF da 1ª Região, a Quinta Turma do TRF da 3ª Região e a Segunda Turma do TRF da 4ª Região sustentam a existência de um conflito aparente de normas, que seve ser resolvido com a aplicação do princípio da especialidade, conforme será visto a seguir Tribunal Regional Federal da 1ª Região A Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com base no entendimento de que os bens jurídicos tutelados pelas normas em questão são distintos, reconhece, por unanimidade, o concurso formal de crimes quando há extração irregular de recursos minerais e usurpação do patrimônio da União, a exemplo do que revela a Ementa abaixo transcrita. PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. EXTRAÇÃO DE ARGILA SEM A COMPETENTE AUTORIZAÇÃO. ART. 2º, CAPUT, DA LEI Nº 8.176/91 E ART. 55, DA LEI Nº 9.605/98. CONCURSO FORMAL DE CRIMES. BENS JURÍDICOS TUTELADOS DIVERSOS. SENTENÇA REFORMADA. DOSIMETRIA DA PENA. 1.A ação delituosa do réu, ora apelado, consistente na extração de argila sem a competente autorização, constitui crime praticado contra o meio ambiente, previsto no art. 55, da Lei nº 9.605/98, bem como contra o patrimônio da União previsto no art. 2º, caput, da Lei nº 8.176/91, uma vez que tutelam objetos jurídicos distintos. Precedentes deste Tribunal e do eg. Superior Tribunal de Justiça. 2.Materialidade e autoria do delito previsto no art. 2º, caput, da Lei nº 8.176/91 comprovadas. Condenação do réu como incurso nas penas do dispositivo legal mencionado em concurso formal com o delito contra o meio ambiente. 3.Pena-base fixada no patamar mínimo legal, acrescida de um sexto em decorrência do disposto no art. 70 do Código Penal, tendo sido substituída por pena restritiva de direitos. 4.A pena de multa remanesce por força do disposto no art. 72 do Código Penal. 5.Apelação provida. (ACR /BA, Rel. Dês. Fed. Ítalo Fioravanti Sabo Mendes, j , DJ ) 22 23

14 24 Decisão que se repetiu em outros dois julgados: ACR /BA, Rel. Ítalo Fioravanti Sabo Mendes, j , DJ ; ACR /BA, Juíza Federal Rosimayre Gonçalves de Carvalho Fonseca (Convocada), j , DJ Enquanto, inicialmente, a Segunda Seção, ao julgar conflito de competência, por unanimidade, reconheceu a possibilidade, em tese, de aplicação simultânea do artigo 2º da Lei n /91 e do artigo 55 da Lei n /98, considerando a tutela de bens jurídicos diversos pelos citados dispositivos. PROCESSUAL PENAL. AÇÃO CRIMINAL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. DESCLASSIFICAÇÃO DO DELITO APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO DA UNIÃO E CONTRA O MEIO AMBIENTE. CONHECIMENTO DO CONFLITO PARA DECLARAR COMPETENTE PARA O PROCESSAMENTO E JULGAMENTO DO FEITO O JUÍZO SUSCITADO. [...] 4) Na hipótese, não obstante a denúncia ter imputado ao réu apenas a prática do delito previsto no artigo 2º, da Lei nº 8.176, de 08 de fevereiro de 1991, penso que, se não estivesse prescrito, nada impediria eventual condenação, também, pelo crime praticado contra o meio ambiente, previsto no artigo 55, da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, por ausência da competente autorização, permissão, concessão ou licença, dada a existência de 02 (dois) bens jurídicos distintos, igualmente tutelados. [...] (CC /BA, Rel. Des. Fed. Plauto Ribeiro, j., DJ ) Posteriormente, contudo, alterou o entendimento, e, por maioria decidiu haver, entre os artigos em questão, um conflito aparente de normas, que se resolve pela aplicação do princípio da especialidade. PROCESSO PENAL. PENAL. LEI 8.176, DE 1991, ART. 2º (EXPLORAR A MATÉRIA PRIMA). LEI 9.605, DE 1998, ART. 55 (EXTRAÇÃO RECURSOS MINERAIS). DERROGAÇÃO. 1. Quando o agente extrai recursos minerais, sem a competente autorização legal, altera o mundo naturalístico uma só vez, havendo, no caso, um conflito aparente de normas. É de atentar-se que o art. 2º da Lei 8.176, de 1991, estabelece que constitui crime contra o patrimônio, na modalidade de usurpação, [...] explorar matéria-prima pertencentes à União, sem a devida autorização legal [...], e o art. 55 da Lei 9.605, de 1998, define como crime o executar [...] extração de recursos minerais sem a competente autorização. A conduta, nos dois crimes, é a mesma, razão por que muitos entendem que esta última norma, por ser posterior, derrogou o art. 2º da Lei 8.176, de 1991, modificando a pena, reduzindo-a. (INQ /BA, Rel. Des. Fed. Tourinho Neto, j , DJ ) E a Terceira Turma posiciona-se, por maioria, pela existência de concurso aparente de normas, conforme apontam as Ementas a seguir transcritas. PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. LEI 9.605, DE 1998, ART. 55. LEI 8.176, DE 1991, ART. 2º. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. PRESCRIÇÃO RETROATIVA. EXTENSÃO DO JULGADO.. 1. Os fatos narrados na denúncia - a atividade dos agentes consistia na extração de matéria-prima pertencente à União Federal, sem estarem devidamente autorizados pelos órgãos competentes - subsumem-se no tipo previsto no art. 55 da Lei 9.605, de 1998, e não no art. 2º da Lei 8.176, de Quando o agente extrai recursos minerais, sem a competente autorização legal, altera o mundo naturalístico uma só vez, havendo, no caso, um conflito aparente de normas. É de atentar-se que o art. 2º da Lei 8.176, de 1991, estabelece que constitui crime contra o patrimônio, na modalidade de usurpação, [...] explorar matéria-prima pertencentes à União, sem a devida autorização legal [...], e o art. 55 da Lei 9.605, de 1998, define como crime o executar [...] extração de recursos minerais sem a competente autorização. A conduta, nos dois crimes, é a mesma, razão por que muitos entendem que esta última norma, por ser posterior, derrogou o art. 2º da Lei 8.176, de 1991, modificando a pena, reduzindo-a. (HC /MG, Rel. Des. Fed. Tourinho Neto, j , DJ ) PENAL. EXTRAÇÃO DE RECURSO MINERAL SEM AUTORIZAÇÃO. ARGILA. ART. 2º DA LEI 8.176/91 E ART. 55 DA LEI 9.605/98. CONCURSO FORMAL. INEXISTÊNCIA. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. CONFIGURADO. SOLUÇÃO DADA PELA DOUTRINA. 1. O conflito aparente se instala quando, havendo duas ou mais normas incriminadoras e um fato único, o agente, mediante uma única ação ou omissão, ofende (aparentemente) tais normas (na hipótese, uma norma prevista em lei ambiental e outra na lei que trata dos crimes contra a ordem econômica). No conflito aparente de normas há unidade do fato e pluralidade de normas. A ofensa ao mundo naturalístico ocorre uma única vez. 2. Praticando o agente a lavra clandestina de argila (Lei 9.605/98, art. 55), não lhe pode ser imputado, também, o crime previsto no art. 2º da Lei 8.176/91 (explorar matéria-prima pertencente à União Federal sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo). 3. Havendo concurso aparente de normas, deve o juiz valer-se do princípio da especialização e proceder à subsunção adequada, aplicando apenas um dos preceitos legais, qual seja, o que melhor se ajusta à conduta praticada, sob pena de bis in idem. 4. Para que esteja caracterizado o concurso formal, é necessário que a conduta comissiva ou omissiva produza mais de um resultado naturalístico, simultaneamente. 5. Recurso não provido. (ACR /BA, Rel. Des. Tourinho Neto, j , DJ ) PENAL. EXTRAÇÃO DE RECURSOS MINERAIS SEM AUTORIZAÇÃO. EXPLORAÇÃO, SEM AUTORIZAÇÃO, DE MATÉRIA-PRIMA PERTENCENTE À UNIÃO. CONCURSO FORMAL. CONCURSO MATERIAL. 1. Comprovadas a autoria e a materialidade do crime do art. 55 da Lei 9.605/ 98 ( Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença ou em desacordo com a obtida: ), na pessoa do agente, é de se lhe confirmar a respectiva condenação imposta pela sentença.. 2. No concurso formal, o agente, com uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (art.70 - CP). Se a ação ou a omissão altera o mundo naturalístico apenas uma vez, mesmo que se enquadre em mais de uma norma incriminadora, deixa de haver o concurso formal, configurandose somente o concurso aparente de normas, que, no caso, foi solucionado pela aplicação do princípio da especialidade. 3. Tendo o acusado praticado a lavra clandestina de material arenoso (saibro), crime pelo qual foi condenado, nos termos do art. 55 da Lei 9.605/98, é incabível o enquadramento da mesma conduta no art. 2º da Lei 8.176/91 [...] produzir bens ou explorar matéria-prima pertencente à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas no título autorizativo. [...], a título de concurso formal. 4. Improvimento das apelações. (ACR /BA, Rel. p/ Acórdão Des. Fed. Olindo Menezes, j , DJ ) 25

15 4.2.2 Tribunal Regional Federal da 3ª Região A Primeira Turma, por unanimidade, concluiu pela existência de concurso formal entre o crime de usurpação (praticado contra o patrimônio da União, uma vez que não havia autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral) e o crime de extração (praticado contra o meio ambiente, sem autorização do órgão ambiental competente), sob o argumento de que são distintas as autorizações exigidas. PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXTRAÇÃO IRREGULAR DE AREIA. CRIME DE USURPAÇÃO. CRIME AMBIENTAL. LEIS N.º 8.176/91 E 9.605/98. CONCURSO FORMAL HETEROGÊNEO. CONFLITO DE NORMAS INEXISTENTE.. 1. O art. 2º da Lei n.º 8.176/91 e o art. 55 da Lei n.º 9.605/98 são normas que não se excluem, pois cada qual tutela um bem jurídico próprio.. 2. A extração de areia sem autorização do DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral configura o ilícito previsto no art. 2º da Lei n.º 8.176/ A extração de areia sem autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e da CETESB caracteriza o CRIME capitulado no art. 55 da Lei n.º 9.605/ Sendo distintas as autorizações exigidas, não há falar em normas penais coincidentes e tampouco em conflito aparente de normas; o agente pode praticar um, outro ou ambos os delitos, conforme possua apenas parte das autorizações necessárias ou não possua qualquer delas. 5. No caso dos autos, os pacientes foram acusados de extrair e lavrar areia em cava submersa, sem autorização, permissão, concessão ou licença do órgão patrimonial da União. Conduta que se amolda à previsão do art. 2º da Lei n.º 8.176/91. Ordem denegada. (HC 14812, Processo SP, Rel. Juiz Nelton dos Santos, j , DJ ). Tal posicionamento também pode ser observado nos seguintes casos HC 14095, Processo SP, Rel. Juiz Fausto De Sanctis, j , DJ ; HC 12479, Processo SP, Rel. Juiz Roberto Haddad, , DJ A Segunda Turma inicialmente se manifestou, por maioria, pelo reconhecimento de conflito aparente de normas, solucionando-o com a aplicação do princípio da especialidade. HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA O MEIO AMBIENTE. EXTRAçãO DE AREIA. ARTIGO 2º DA LEI N /91. E ARTIGO 5 denúncia. Por se tratar de lex mitior e face á aplicação do principio lex speciali derogat lex generali, impõe-se o acolhimento da presente impetração para adequar a capitulação dos fatos descritos na peça acusatória, ora impugnada, ao artigo 55 da Lei nº 9.605/98. II - A figura delitiva, prevista no artigo 55 da Lei n /98, enseja a aplicação dos procedimentos previstos na Lei nº 9.099/95, por se tratar de infração de menor potencial lesivo (art. 61, da Lei nº 9.099/95). Há, portanto, que se observar, no caso em questão, o disposto nos artigos 72 a 83, todos da Lei nº 9.099/95, que prevêem a composição de danos ou aplicação de pena restritiva de direitos, mediante proposta do Ministério Público. III - Ordem concedida. (HC 10339, Processo SP, Rel. Juiz Manoel Álvares, j , DJ ) Há que se ressaltar, entretanto, que este entendimento foi alterado, quando a Segunda Turma passou a acolher, primeiro, por maioria, depois, por unanimidade, a tese de que, ocorrendo extração de recurso mineral sem autorização, concessão ou licença dos respectivos órgãos competentes, configurado está o concurso formal de crimes. Isto porque uma única conduta afeta normas penais distintas (respectivamente, art. 55, da Lei n /98 e art. 2º, da Lei n /91). HABEAS CORPUS - EXTRAÇÃO DE AREIA SEM A DEVIDA AUTORIZAÇÃO PELOS ÓRGÃOS LEGAIS - DERROGAÇÃO DO ART. 21 DA LEI N /89 PELO ART. 55 DA LEI 9.605/98 - CONCURSO FORMAL COM O DELITO PREVISTO NO ARTIGO 2º DA LEI N /90 - OFENSA A BENS JURÍDICOS DIVERSOS - RECONHECIMENTO - ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1- A pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a devida autorização do órgão ambiental constitui crime contra o meio ambiente, previsto no artigo 55 da Lei n /98 que, por ser mais benéfica, derrogou o artigo 21 da Lei n / Ao mesmo tempo, a conduta atinge o patrimônio da União, na modalidade de usurpação, nos termos do artigo 2º da Lei n / Concurso formal de crimes que se reconhece. 4- Ordem parcialmente concedida, para modificar a tipificação da conduta prevista na denúncia para a do artigo 55 da Lei n /98, mantido o concurso formal. (HC 10250, Processo , Rel. Juíza Sylvia Steiner, maioria, j , DJ PENAL. CRIMES CONTRA A ORDEM ECONÔMICA E O MEIO AMBIENTE. ARTIGOS 2º DA LEI Nº 8.176/91 e 55 DA LEI Nº 9.605/98. CONCURSO FORMAL. TIPICIDADE.. 1. Diversos os bens objeto de proteção penal, a Lei nº 8.176/91 objetivando a tutela do patrimônio da União e a Lei nº 9.605/98 visando os interesses sociais na preservação do meio ambiente, ao praticar o fato imputado ofende o agente distintas objetividades penalmente protegidas. Hipótese de ação materialmente única que produz um evento lesivo dos interesses patrimoniais da União e outro ofensivo aos objetivos da proteção ambiental. Pressuposto que o evento lesivo é elemento constitutivo do fato delituoso, resta afastada a hipótese de CRIME único, configurando-se o concurso ideal. 2. [...]. 3. Recurso desprovido. (ACR 17847, Processo SP, Rel. Juiz Peixoto Junior, unanimidade, j , DJU ) Decisão que, também por unanimidade, se repete nos seguintes Acórdãos: HC 17093, Processo SP, Rel. Juíza Cecília Mello, j. 10/08/2004, DJ ; HC 16763, Processo SP, Rel. Juíza Cecília Mello, j , DJ ; HC 13954, Rel. Juíza Cecília Mello, j , DJ ; HC 15988, 26 27

16 28 Processo SP, Rel. Juíza Cecília Mello, j , DJ ; HC 15838, Processo SP, Rel. Juiz Fausto DeSanctis, j , DJ ; HC 15465, Processo, Rel. Juiz Peixoto Junior, j , DJ ; HC 10391, Processo SP, Rel. Juiz Carlos Loverra, j , DJ ; HC 12545, Processo SP, Rel. Juiz Peixoto Junior, j , DJ ; RCCR 2650, Processo , Rel. Juíza Marisa Santos, j , DJ Enquanto a Quinta Turma mantém o entendimento, unânime, de que o artigo 2º da Lei n /91 e o artigo 55 da Lei n /98 não podem ser aplicados concomitantemente ao mesmo fato, havendo, portanto, um concurso aparente de normas que deve ser resolvido pela aplicação do princípio da especialidade. É o que se verifica, entre outras decisões, nas Ementas a seguir transcritas. HABEAS CORPUS QUE OBJETIVA TRANCAR AÇÃO PENAL OU APLICAR O ART. 28 DO CPP OU, AINDA, CAPITULAR OS FATOS SOMENTE NO ART. 55 DA LEI Nº 9605/98. NÃO CONFIGURADA VIOLAÇÃO AO ART. 28 DO CPP. NÃO HOUVE PEDIDO DE ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO. A INICIAL NÃO É INEPTA, POIS ATENDE AOS REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP. CONFIGURADO CONFLITO APARENTE DE NORMAS ENTRE O ART. 2º DA LEI Nº 8176/91 COM O ART. 55 DA LEI Nº 9605/98. APLICAÇÃO DA LEI Nº 9605/98. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL QUANTO AO CRIME DE USURPAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA DA UNIÃO. APLICAÇÃO DO RITO DA LEI Nº 9099/95. ORDEM CONCEDIDA. [...] - Quanto à classificação jurídica da conduta criminosa, são relevantes os argumentos expostos pelo impetrante. A comparação do art. 2º da Lei nº 8.176, de com o art. 55 da Lei nº 9.605, de evidencia a prevalência do segundo, com aplicação do princípio latino de que a lei especial derroga a geral. Matéria-prima é gênero de que a substância mineral areia é espécie. Meio ambiente é espécie do gênero patrimônio. Assim, não há que se falar em concurso formal, mas em conflito aparente de normas. A Lei nº 9.605/98 é especial em relação à Lei nº 8.176/91, e esta é subsidiária àquela. Portanto, a ação penal deve ser trancada em relação ao crime de usurpação de matéria-prima da União. [...] - Ordem concedida. (HC 17338, SP, Rel. Juiz André Nabarrete, j , DJ ) HABEAS CORPUS - CRIME CONTRA O MEIO AMBIENTE - CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DA CONDUTA INVIABILIZADORA DE PROPOSTA DE TRANSAÇÃO PENAL - ORDEM CONCEDIDA PARA ANULAR A AÇÃO PENAL. 1.Recebimento de denúncia com a imputação da conduta de extrair argila, com finalidade mercantil e sem autorização do órgão competente, em detrimento do patrimônio da União e do meio ambiente.. 2.Alegação de ausência de justa causa afastada: a conduta é típica. Não pode o paciente alegar que desconhecia a necessidade de autorização do DNPM. 3.Incorreta classificação da conduta no tipo previsto no artigo 2º, da Lei Federal nº 8.176/91, e no artigo 55, da Lei Federal nº 9.605/98. 4.A conduta descrita subsume-se ao tipo do artigo 55, da Lei Federal nº 9.605/98, por ser norma especial, posterior e mais benéfica, permitindo a aplicação do procedimento relativo às infrações de menor potencial ofensivo. 5.Ordem parcialmente concedida, para o fim de anular a ação penal, a partir do recebimento da denúncia, a qual deverá observar o rito dos artigos 72, 74, 76 e 77 até 83, da Lei Federal nº 9.099/95. (HC 13929, Processo SP, Rel. Juiz Fábio Pietro, j , DJ ) HABEAS CORPUS. EXPLORAÇÃO/EXTRAÇÃO DE RECURSOS MINERAIS SEM A COMPETENTE AUTORIZAÇÃO LEGAL. ARTIGO 55, DA LEI Nº 9.605/98. ARTIGO 2º DA LEI Nº 8.176/91. CONFLITO DE LEIS PENAIS NO TEMPO. ARTIGO 5º, XL, DA CF. ARTIGO 2º, ÚNICO, DO CP. ORDEM CONCEDIDA. I. A conduta consubstanciada na exploração/extração de recursos minerais sem a competente autorização legal, descrita no artigo 2º, da Lei nº 8.176/ 91 é, em essência, idêntica ao do crime previsto no artigo 55, da Lei nº 9.605/98, pois os elementos do tipo são os mesmos, apesar de expressos em outras palavras. II. Consumação do apontado crime na vigência da Lei nº 8.176/91 e posterior superação quanto à tipificação penal referente à modalidade exploração de matéria-prima pertencente à União, através do artigo 55 da Lei nº 9.605/ 98, que estabeleceu pena menos gravosa. III. Em se tratando de conflito de leis penais no tempo, a ser dirimido pelo critério novatio legis in mellius, insculpido nos artigos 5º, XL, da Carta Magna e artigo 2º, único, do Código Penal, segundo o qual há de prevalecer a lex mittior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se a Lei 9.605/98, posto seu preceito impor sanção mais branda. IV. Ordem concedida. (HC 12852, Processo , Rel. Juíza Suzana Camargo, j , DJ ) PROCESSO PENAL - HABEAS CORPUS - CRIME CONTRA O MEIO AMBIENTE - EXTRAÇÃO DE AREIA - PREVALÊNCIA DO ART. 55 DA LEI 9.605/98 SOBRE O ART. 2O DA LEI 8.176/91 - SANÇÃO PENAL - POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PROCEDIMENTO RELATIVO ÀS INFRAÇÕES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO (ART.s 72, 74, 76 E 77 ATÉ 83 DA LEI 9.099/95) - ORDEM CONCEDIDA. 1. A extração de areia sem a necessária autorização se constitui em crime contra o meio ambiente, tipificado no art. 55, da Lei 9.605/98, cuja sanção cominada permite a aplicação do procedimento relativo às infrações de menor potencial ofensivo, previsto na Lei 9.099/ Tanto em relação ao objeto do delito, quanto em relação ao bem jurídico protegido, a Lei 9.605/98 dispôs de forma específica, tratando-se, assim, de lei especial que, como tal, derroga a geral, no caso o disposto no art. 2º da Lei 8.176/91. 3.Ordem concedida. (HC 11058, Processo SP, Rel. Juíza Ramza Tartuce, j , DJ ) Tribunal Regional Federal da 4ª. Região A Segunda Turma do TRF da 4ª Região declarou, por unanimidade, que a Lei n /98 prevalece sobre a Lei n /91, como segue: PENAL. EXTRAÇÃO DESAUTORIZADA DE MINERAIS. NOVATIO LEGIS IN MELLIUS. READEQUAÇÃO DA PENA. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. CRIME DE PERIGO. PROVA. 1.- O crime previsto no art. 2º da Lei nº 8176/91 foi derrogado pelo artigo 29

17 55 da Lei nº 9605/98, que retroage, por ser mais benéfica aos apelantes. O abrandamento da pena impõe readequação da dosimetria. 2.- Extinção da punibilidade que se reconhece de ofício, em face do transcurso de mais de dois anos entre a data da publicação da sentença e a do julgamento do recurso, tomando-se por base a pena recalculada. 3.- [...] 4.- [...] 5.- Dar parcial provimento ao recurso dos apelantes para readequar a pena, reconhecendo de ofício a extinção da punibilidade, bem como para absolvêlos da imputação do crime previsto no art. 15 da Lei nº 6938/81, em face da insuficiência de provas. (ACR 5015, Processo RS, Rel. Juiz João Pedro Gebran Neto, j , DJ ) A Oitava Turma, por sua vez, no julgamento de um Recurso em sentido estrito, relacionado a um caso de extração de argila sem a devida autorização e necessária licença ambiental dos órgãos competentes, afastou a hipótese de concurso aparente de normas. RECURSO CRIMINAL EM SENTIDO ESTRITO. EXTRAÇÃO DE ARGILA. INCABÍVEL O PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. INCOMPETÊNCIA JEF. - Competente a Justiça Federal para o processamento e julgamento de crime ambiental praticado em detrimento de bens da União. Inexistência de concurso aparente de normas. O art. 55, caput, da lei n /98 tutela o bem jurídico meio ambiente, sendo que a Lei n /91 tutela e define os crimes contra a ordem econômica (patrimônio público); verifica-se, assim, ofensas a bens jurídicos diversos, não se ajustando ao caso dos autos o princípio da especialidade. Recurso provido para manter a competência da Justiça Federal. (SER SC, Rel. Des. Fed. Volkmer de Castilho, j , DJ ) O posicionamento favorável à existência de concurso formal de crimes justifica-se pela diversidade dos bens jurídicos protegidos pelas Leis n /98 e 8.176/91, uma vez que: [...] pelo princípio da especialidade, o conflito aparente de normas é solucionado pela incidência da regra especial. Há relação de especialidade sempre que um tipo, cotejado com outro, contiver seus elementos, com o acréscimo de peculiaridades que o especializam. Especial é a norma incriminadora que engloba todas as elementares do outro tipo, acrescida de elementos que o singularizam. Assim, o tipo geral é aquele mais mediato, pois a realização do tipo especial (imediato) também é a realização do tipo geral. A hipótese dos autos, contudo, é diversa. A Lei n /91 tutela e define os crimes contra a ordem econômica, elencado em seu art. 2º o verbo nuclear explorar (matéria-prima pertencente à União). Como é sabido, o crime em tese praticado violou bens da União, patrimônio público, remetendo à incidência desta Lei. De outra banda, o art. 55, caput, da Lei n /98 tutela o bem jurídico meio ambiente, pretendendo evitar um desequilíbrio ecológico, zelando, pois, pela manutenção das propriedades do solo, do ar e da água, assim como da fauna, da flora e das condições ambientais de desenvolvimento das espécies do nosso sistema ecológico. A Sétima Turma também se pronunciou, por unanimidade pela inexistência de um conflito aparente de normas. HABEAS CORPUS. EXTRAÇÃO DE AREIA DE RIO. DENÚNCIA IMPUTANDO OS CRIMES PREVISTOS NO ART. 2º DA LEI 8176/91 E NO ART. 55 DA LEI 9605/98. CONCURSO APARENTE DE LEIS. INEXISTÊNCIA. CONCURSO FORMAL. 1. A paciente foi denunciada pelos crimes previstos no art. 2º da Lei 8176/ 91 e no art. 55 da Lei 9605/98 por determinar a extração de areia do rio Itajaí-Açu, entendendo que haveria concurso aparente de leis penais, devendo prevalecer o art. 55 da Lei 9605/98 que teria revogado o art. 2º da Lei 8176/ No caso em exame, pune-se pela usurpação com lesão à ordem econômica, porque se retira a areia e, ao mesmo tempo, pune-se pela simples extração da areia em defesa do meio ambiente. À conduta de extrair a areia (art. 55 da Lei 9605/98) soma-se a de usurpar o patrimônio público (art. 2º da Lei 8176/91), não havendo identidade de preceitos e, portanto, nenhum motivo para cogitar-se de revogação de uma regra por outra. 3. Inexistência de concurso aparente de leis. O concurso é formal, pois com um comportamento lesou-se o patrimônio e o meio ambiente, não havendo de operar-se a desclassificação pretendida. 4. Ordem denegada. (HC SC, Rel. Juiz Fábio Rosa, DJ ) O Acórdão esclarece o afastamento da ocorrência de conflito aparente de normas com base, principalmente, no argumento de que o fato envolve a ofensa a dois bens jurídicos distintos (meio ambiente e patrimônio), como se depreende de parte do voto a seguir transcrita: O concurso aparente de leis se caracteriza por um concurso de dispositivos legais sobre um único fato. É sempre uma exclusiva situação de fato que motiva a incidência de duas regras, o que pressupõe o concurso aparente de normas. A diferença fundamental entre o concurso aparente de leis e o concurso formal de crimes (uma ação de que decorrem vários resultados) é a unidade do bem jurídico violado. Lê-se no Tratado de Derecho Penal de Jiménez de Asúa, tomo II, pág. 540/ 41, ed. Losada, 1964: Em sentir de Grispigni, la diferencia radica em esto: Tanto em el concurso aparente como em el concurso formal, um mismo hecho está conforme com dos tipos legales. Pero, mientras em el concurso aparente lãs diversas partes Del hecho correspondientes a los dos tipos legales, son lãs mismas, en el concurso formal uma parte Del del hecho corresponde igualmente a los dos tipos legales, y las otras partes del hecho se conforman, una a un tipo legal y la otra al otro. Es decir, en el concurso formal las dos disposiciones toman en consideración una misma parte del hecho, y, además, cada una, una distinta parte del hecho mismo (I, pag. 504) Como se vê, a análise passa pelo exame da tipicidade. No caso em exame, pune-se pela usurpação com lesão à ordem econômica, proque se retira a areia e, ao mesmo tempo, pune-se pela simples extração da areia em defesa do meio ambiente. À conduta de extrair areia (art. 55 da Lei n /98) soma-se a de usurpar o patrimônio público (art. 2º da Lei n /91)

18 Não há identidade de preceitos e, portanto, nenhum motivo para cogitar-se de revogação de uma regra por outra. O concurso é formal. Com um comportamento lesou-se o patrimônio e o meio ambiente. Saliente-se que se tivesse havido apenas extração sem a usurpação, aí, sim, haveria a incidência exclusiva do art. 55 da Lei 9.605/98. Mas não foi o que ocorreu segundo a denúncia. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. BRASIL. Tribunal Regional Federal da 1ª Região. BRASIL. Tribunal Regional Federal da 3ª Região. BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O reconhecimento do equilíbrio ambiental como um interesse difuso não afastou o aspecto patrimonial/econômico que também se imprime e ao meio ambiente, como se verifica no tratamento diferenciado que a própria Constituição brasileira atribui ao meio ambiente e a seus elementos. Assim, o artigo 20, inciso IX, refere-se aos recurso minerais como bens da União, enquanto o artigo 225 declara o meio ambiente bem comum do povo (interesse supra-individual), passível de sofre lesão como tal. Portanto, não há que se confundir o patrimônio com o meio ambiente, são bens distintos, que justificam a coexistência de dispositivos penais contidos em leis criadas especificamente para proteção de cada um deles em separado. Dessa forma, a extração de recursos minerais pode resultar, se praticada sem autorização ou em desacordo com os atos administrativos emanados dos órgãos competentes, na configuração de dois crimes em concurso formal extração mineral, tipificado na lei n /98 (art. 55), e usurpação, previsto na Lei n /91 (art. 2º) embora possam coincidir os objetos materiais que representam os diversos bens. Verifica-se que a posição que prevalece nos Tribunais, inclusive no Superior Tribunal de Justiça, é aquela que reconhece a existência de concurso formal de crimes. NOTAS 1 PRADO, Alessandra R. M. Proteção penal do meio ambiente: fundamentos. São Paulo: Atlas, O caput do artigo 225 dispõe que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O parágrafo 2º, do artigo 5º, da Constituição Federal estabelece que são considerados fundamentais também os direitos decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. 3 No que diz respeito à garimpagem, a Lei n /89 exige o prévio licenciamento ambiental pelo órgão ministerial competente (arts. 13 e 16). 4 O referido artigo 55 revogou o artigo 21 da Lei n /89. 5 O parágrafo 1º do artigo 14 estabelece ainda que A pesquisa mineral compreende, entre outros, os seguintes trabalhos de campo e de laboratório: levantamentos geológicos pormenorizados da área a pesquisar, em escala conveniente, estudos dos afloramentos e suas correlações, levantamentos geofísicos e geoquímicos; aberturas de escavações visitáveis e execução de sondagens no corpo mineral; amostragens sistemáticas; análises físicas e químicas das amostras e dos testemunhos de sondagens; e ensaios de beneficiamento dos minérios ou das substâncias minerais úteis, para obtenção de concentrados de acordo com as especificações do mercado ou aproveitamento industrial. 6 Art. 4º Considera-se jazida toda massa individualizada de substância mineral ou fóssil, aflorando à superficie ou existente no interior da terra, e que tenha valor econômico; e mina, a jazida em lavra, ainda que suspensa. 7 De acordo com o artigo 10, da Lei n /89, considera-se garimpagem a atividade de aproveitamento de substâncias minerais garimpáveis, executadas no interior de áreas estabelecidas para este fim, exercida por brasileiro, cooperativa de garimpeiros, autorizada a funcionar como empresa de mineração, sob o regime de permissão de lavra garimpeira. 8 De acordo com o artigo 10, da Lei n /89, considera-se garimpagem a atividade de aproveitamento de substâncias minerais garimpáveis, executadas no interior de áreas estabelecidas para este fim, exercida por brasileiro, cooperativa de garimpeiros, autorizada a funcionar como empresa de mineração, sob o regime de permissão de lavra garimpeira. 9 << falta nota >> REFERÊNCIAS PRADO, Alessandra R. M. Proteção penal do meio ambiente: fundamentos. São Paulo: Atlas,

19 A VALORAÇÃO DA BIODIVERSIDADE E A BIOPIRATARIA Kamila Assis de Abreu * RESUMO Trata-se de um estudo sobre a valoração da biodiversidade em alguns de seus aspectos, em especial o econômico, em um contexto onde o Brasil é atualmente considerado o país mais rico (ou megadiverso) do mundo. Por outro lado, tem-se a biopirataria, ou o saque indevido da diversidade biológica, que vem há séculos sendo responsável por prejuízos imensuráveis no território brasileiro nos mais diversos âmbitos: perda de recursos naturais, subordinação biotecnológica e social, além do prejuízo pecuniário. PALAVRAS-CHAVE Biodiversidade, biopirataria ABSTRACT The paper discusses valuing biodiversity, mainly on economic grounds, when Brazil is deemed to house the greatest world variety in biodiversity. Biopiracy is discussed too, and the many-featured losses it causes to Brazil are examined. KEYWORDS Biodiversity, biopiracy * Advogada e Professora de Direito da Faculdade 2 de Julho e da Faculdade Regional da Bahia - UNIRB, Salvador BA. Mestre em Direito Privado e Econômico pela UFBA.

20 1 INTRODUÇÃO No Brasil, a utilização comercial dos recursos naturais teve início já no período colonial, através da exploração do pau-brasil pelos portugueses, hoje ameaçado de extinção. A exploração dos recursos naturais do país pelos atuais colonizadores sempre esteve presente em nossa realidade, sendo um exemplo emblemático o da seringueira (Hevea brasiliensis), árvore nativa da Amazônia utilizada para a produção de borracha, que se tornou uma das principais atividades econômicas do país entre 1870 e Ainda no fim do século XIX, sementes da seringueira foram contrabandeadas por ingleses para o Sudeste Asiático, região onde estão hoje os maiores produtores mundiais 1. Dessa forma, pode-se definir o Brasil como um país que sempre foi alvo da exploração de sua diversidade biológica e cultural pelos demais países do mundo, principalmente os desenvolvidos, sendo os Estados Unidos, o Japão e a Grã-Bretanha os países, e os laboratórios farmacêuticos o setor, que mais têm pirateado os nossos recursos naturais para fins de utilizá-los na biotecnologia. É sobre este prisma que este artigo vem a ser elaborado: a hiper-valoração econômica, juntamente com a insustentabilidade da situação e sua importância para o atual contexto brasileiro são aspectos que requerem discussão e mais do que isso, solução. 2 BIODIVERSIDADE À LUZ DA ECONOMIA As teorias da ecologia e da biogeografia, nas quais estão baseadas as práticas de conservação da natureza, evoluíram muito durante o século XX, e, no início do século XXI, os ecólogos se uniram em torno de uma nova idéia de conservação: a biodiversidade 2. A conservação e o uso sustentável da biodiversidade passaram a ser alvo de discussões tanto no Brasil quanto no exterior. Chegou-se a conclusão de que não há como preservar sistemas naturais tão dinâmicos e complexos sem estudar e elaborar formas racionais de acesso à diversidade biológica. Há vários benefícios trazidos pela biodiversidade relacionados à própria natureza e ao círculo natural, como a regulação do clima do planeta, formação e maturação do solo, conservação e alternância de nutrientes essenciais, absorção e eliminação de poluentes, dentre outros. Além desses benefícios naturais, há ainda sua relevância para outros campos de interesse, como o da genética, do estudo científico, da cultura, educação, social, recreativo e ainda estético. Contudo, outro foco tem sido dado à questão da biodiversidade: o econômico. A escassez de recursos naturais passou a ser uma preocupação central dos economistas. Na medida em que se ampliasse o uso de um recurso, rendimentos cada vez menores seriam obtidos desse recurso. Mais cedo ou mais tarde, todo o sistema econômico seria levado a um estado estacionário, no qual não existiria crescimento econômico, apenas reprodução do nível de atividades do período anterior. Ocorre que naquela época acreditava-se que o meio ambiente seria conservado através de seu isolamento, o que concretizou pela criação das unidades de conservação e parques nacionais por todo o mundo, isolados do contexto regional sócio-econômico e político em que se inserem. Não se imaginava preservar a natureza e ao mesmo tempo utiliza-la de forma consciente, como se defende atualmente 3. Não restam dúvidas que várias das mais fantásticas paisagens do mundo se encontram em reservas ou parques ambientais, enfim em locais isolados do homem comum, o que contribui para o ecoturismo. Além disso, é ali que se encontram muitas das espécies utilizadas para estudos científicos de todo o mundo. Contudo, mister ressaltar que o valor da natureza (econômico, social, cultural, etc.) ultrapassa esta importante atividade. Vale lembrar a crítica feita por Roxana Cardoso Brasileiro Borges sobre o tema: Existem obstáculos de várias naturezas contra a efetivação do direito ambiental. Não se pode falar em proteção ambiental na América Latina sem falar também em pobreza. Não faz sentido a implementação de áreas de preservação permanente, enquanto há um visível e insistente abandono em relação às condições básicas para que se possa dizer que um ser humano tenha vida com qualidade 4. Além disso, apesar de o Brasil ser signatário da Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América 5, aprovada pelo Decreto 36 37

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