Autor: Uriálisson Mattos Queiroz Instituição: Escola de Engenharia Mecânica da Bahia(EEMBA)/IQUALI

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1 UTILIZAÇÃO DO GEOPROCESSAMENTO PARA ESTUDOS ECOLÓGICOS DA REGIÃO DA SUB-BACIA DO RIO CAPIVARI-BA NOS MUNICÍPIOS DE CRUZ DAS ALMAS, MURITIBA E SÃO FÉLIX. Autor: Gabriel Barbosa Lobo Instituição: Escola de Engenharia Mecânica da Bahia(EEMBA)/IQUALI Contato: (75) Telefone: (75) Autor: Uriálisson Mattos Queiroz Instituição: Escola de Engenharia Mecânica da Bahia(EEMBA)/IQUALI Contato: (75) Telefone: (75) Autor: Camila da S. Dourado Instituição: Mestre em Engenharia Agrícola UNICAMP Contato: (75) Telefone: (75) Autor: Claudia Bloisi Vaz Sampaio Instituição: Professora da UFRB de Geopropcessamento Contato: (75) Telefone: (75) RESUMO O uso dos recursos naturais sem planejamento vem causando uma série de problemas, os quais afetam os recursos hídricos, a vegetação, o solo e a biodiversidade. A supressão da vegetação ao longo dos anos descaracteriza as paisagens naturais, com prejuízos para o ecossistema. A utilização do geoprocessamento é uma importante ferramenta no monitoramento ambiental. O rio Capivari, afluente do rio Paraguaçu, ao longo dos anos teve a vegetação da sua bacia alterada, causando impacto na sua distribuição hídrica. Diante disso, esse trabalho teve como objetivo avaliar impactos ecológicos presentes na região da Sub-Bacia do Rio Capivari nos trechos das cidades de Cruz das Almas, Muritiba e São Félix utilizando ferramentas do geoprocessamento. Foram utilizadas imagens do satélite SPOT para o cálculo do Índice de Vegetação Por Diferença Normalizada (NDVI) para analisar o estado da mata ciliar. Além disso foram feitas análises do leito do rio com imagens do Google Earth e tiradas fotos no local para comprovação. Concluiu-se que a paisagem natural do rio foi alterada, com redução da mata ciliar do seu curso, sendo que o mesmo encontra-se com evidências de transformações físicas causando impactos como a diminuição do volume de água e perda da qualidade dos recursos hídricos. PALAVRAS-CHAVE: monitoramento ambiental, geoprocessamento, transformações ecológicas.

2 INTRODUÇÃO 05 a 07 de Dezembro de 2013 A ocupação dos espaços naturais pelo homem no decorrer da história se deu de acordo com suas motivações políticas, econômicas e culturais, sendo que o próprio desenvolvimento humano está diretamente ligado aos recursos naturais disponíveis. Segundo Sanchez (2008), ambiente é o meio de onde a sociedade extrai os recursos essenciais à sobrevivência e os recursos demandados pelo processo de desenvolvimento sócio-econômico, além de ser também o meio de vida, de cuja integridade depende a manutenção de funções ecológicas essenciais à vida. Segundo Bensusan (2006) a ideia de conservar a natureza nem sempre esteve presente entre nós, foi se desenvolvendo e se transformando desde a Antiguidade, culminando, no Ocidente em relações de domínio e desprezo pela natureza e uma crença equivocada na tecnologia como solução para todos os problemas ambientais. O Brasil, por possuir grandes extensões territoriais, grande oferta de recursos hídricos e riqueza de fauna e flora, foi e ainda é explorado intensamente, tendo áreas de delicado equilíbrio ecológico. O uso das geotecnologias vem se tornando cada vez mais indispensável para o estudo das transformações do meio ambiente. A utilização do sensoriamento remoto (SR), uma das ferramentas do geoprocessamento, na análise do equilíbrio ecológico é justificada pelas vantagens que esta técnica proporciona à gestão dos recursos naturais, tais como a disponibilidade de dados multiespectrais, possibilidade de detecção rápida de mudanças das condições vegetais e terrestres, realização de coberturas repetidas sobre uma mesma região, facilidade de registro permanente das informações obtidas e capacidade de integração de pesquisas existentes em sistemas de monitoramento (ZULLO ET AL, 2002). Foi utilizado nesse trabalho o Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI), que constitui uma ferramenta importante na análise da dinâmica da vegetação. Como todo índice, ele consiste em correlacionar uma banda com máxima reflectância com uma banda de máxima absortância do alvo em estudo. Nessa lógica, para o cálculo do NDVI são utilizadas as bandas que se localizam na região do vermelho (máxima absortância) e a outra na região do infravermelho próximo (máxima reflectância) do espectro eletromagnético. Os valores resultantes do NDVI variam entre -1.0 e A análise a partir da imagem do Google Earth aperfeiçoa processos de análise da percepção ambiental e da paisagem, pois a mesma constitui um recurso simples, gratuito e de acesso fácil as diversas pessoas, inclusive do mundo acadêmico.

3 OBJETIVOS Avaliar o estado das áreas de conservação ecológica da Sub-Bacia do Rio Capivari nos trechos que percorrem as cidades de Cruz das Almas, Muritiba e São Félix utilizando as ferramentas do geoprocessamento. METODOS UTILIZADOS A sub-bacia hidrográfica do rio Capivari localiza-se na região do Recôncavo Sul do estado da Bahia, entre as coordenadas 12º 00' e 14º 00' de latitude sul e 38º 00' e 40º 00' de longitude oeste (Figura 1). Passando por seis municípios e diversos lugarejos, a sub-bacia encontra-se numa região que possui habitantes (IBGE, 2010). Constitui-se em uma das sub-bacias que alimentam a bacia hidrográfica do Paraguaçu. Sua Sub-Bacia localiza-se nas seguintes cidades: Castro Alves, Sapeaçú, Cabaceiras do Paraguaçu, Cruz das Almas, Muritiba e São Felix. A pluviosidade é um fator de destaque entre os fatores climáticos da região de estudo, apresentando estreitas correlações com o regime fluvial, as formações vegetais e o modelo do relevo. A posição geográfica é determinante para a configuração das características naturais, já que a massa líquida da costa influencia na ocorrência de altos índices de umidade e chuvas frequentes (a região do recôncavo justamente se posiciona côncava à Baía de Todos os Santos). Figura 1. Mapa dos municípios de abrangência da Bacia do Rio Capivari Para o georeferenciamento do rio utilizou-se o receptor GPS Garmin 60 CSx, com pontos tomados ao longo do curso do Rio, com início no municípios de Cruz das Almas e passando por Muritiba e São Félix. As imagens utilizadas para o estudo da área foram do

4 satélite SPOT, captadas pelo sensor HRG em 12 de fevereiro de 2007, possuindo resolução espacial de 5 metros. Utilizou-se também imagens adquiridas pelo software Google Earth, datadas de 2003 e 2010, para auxiliar na análise e visualização do curso do rio. No processamento da imagem SPOT foi realizado o cálculo do Índice de Vegetação Por Diferença Normalizada (NDVI). O cálculo é feito a partir de operações algébricas utilizando-se as bandas 3 e 4 (as quais captam melhor a identidade espectral relativa a vegetação) das imagens selecionadas, pela equação abaixo, onde o IVP é a banda do infravermelho próximo e o V é a banda do vermelho. (IVP V) NDVI = (IVP + V) V e IVP correspondem aos valores de reflectâncias das bandas do vermelho no espectro visível e do infravermelho próximo, o que permite a identificação das áreas cobertas por vegetação das áreas com solo exposto, mostrando diferenças de coloração a medida que se intensifica ou diminui a presença de vegetação.as fotos tiradas do local foram feitas numa câmera digital Sony DSC S730. RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir do processamento das imagens de satélite, da análise do Google Earth e pelas observações em campo pode-se constatar a alteração da paisagem natural da Sub- Bacia do rio Capivari, com a supressão da mata ciliar ao longo de seu curso e modificações na estrutura física do rio. Ao se aplicar o índice NDVI nas imagens de satélite é possível observar, pela diferenciação de cor entre os componentes do meio físico, podendo desta forma diferenciar as áreas com vegetação das de áreas desmatadas. Foi gerada uma escala de cores em que as mais claras evidenciam solos expostos e as de verde mais escuro maior presença de vegetação. As Figuras 2, Figura 3 e Figura 4 abaixo mostram as imagens geradas, divididas em três trechos.

5 Figura 2. Imagem NDVI do trecho de Cruz das Almas Figura 3. Imagem NDVI do trecho de Muritiba

6 Figura 4 Imagem NDVI do trecho de São Félix Para a visualização do curso do rio foi captada imagens temporais de 2003(parte superior) e 2010 (parte inferior) do banco de dados do Google Earth (Figura 5a e 5b) e Interpoladas com os pontos de GPS (pontos vermelhos na figura) coletados em campo. O trecho percorrido em Cruz das apresentou poucos fragmentos de mata (Figura 5), predominando na paisagem áreas cobertas por gramíneas e rio com o volume de água bastante reduzido. Figura 5a e 5b da esquerda para direita (ano 2003 acima e 2010 abaixo)

7 O trecho que vai de parte de Muritiba até São Félix apresentou melhor estado de conservação, com maior presença de mata ao longo do rio (Figura 6 e Figura 7). Esta se dispôs de forma mais continua e com uma formação mais fechada que no trecho anterior, apresentando indivíduos de maior porte e em maior variedade fitofisionômica. A água do rio nesse trecho mostrou-se visualmente com melhor aspecto, fator que provavelmente se deve a maio presença de vegetação natural e menor presença humana nas proximidades. Figura 6 : Rio Capivari passando em Muritiba Figura 7: Rio Capivari em São Félix

8 Já próximo da foz (Figura 7), a vegetação vai mudando de aspecto e a água do rio fica mais turva, tomando um aspecto característico às áreas de mangue, com solo muito encharcado e plantas com raízes aéreas (pneumatóforos). CONCLUSÂO O estudo das transformações ecológicas ocorridas utilizando as ferramentas do Geoprocessamento mostrou a ocorrência e distribuição das superfícies alteradas nos trechos da sub-bacia do rio Capivari, no local estudado. O trecho analisado do rio Capivari encontra-se com a vegetação natural intensamente descaracterizada, estando com sua mata ciliar bastante suprimida, principalmente no trecho de Cruz das Almas. No trecho final do Rio Capivari em São Félix observou-se uma melhor conservação da mata ciliar.a retirada da mata provocou impactos em vários trechos do rio, e consequentemente afetou a qualidade e quantidade da água nos corpos hídricos principalmente na Região de Cruz das Almas. REFERÊNCIAS 1. BENSUSAN, N. Conservação da biodiversidade em áreas protegidas. Rio de Janeiro: Editora FGV, IBGEBRASIL Disponível em: <http://www.inpe.br/unidades/cep/atividadescep/educasere/tutorial/licao6.pdf>. Acesso em 20 de Agos. de SÁNCHEZ, L. E. Avaliação do Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de textos, ZULLO Jr.J. LAMPARELLI, R., GUYOT, G.,BEZERRA,P.C. Pré-processamento de imagens de satélite. Caderno de informações Georreferenciadas. Disponívem em: <htp://ww.cpa.unicamp.br/zullojr.htlm>. Acesso em 20 de agos. de CONSIDERAÇÕES GERAIS Dessa forma, a partir dos resultados obtidos, recomenda-se uma atenção com trabalhos de preservação e educação ambiental, tendo em vista a importância ecológica e as proximidades com as áreas de proteção permanente do local. Importante também realizar atividades que contemplem o monitoramento e a conservação dos recursos naturais, a fim de garantir um fluxo de escoamento adequado para o Rio Capivari, a preservação das nascentes, manutenção da cobertura vegetal e, principalmente, o equilíbrio ecológico da região.

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