Quando a cirurgia falha - as implicações da melancolia no tratamento cirúrgico da obesidade

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Quando a cirurgia falha - as implicações da melancolia no tratamento cirúrgico da obesidade"

Transcrição

1 Quando a cirurgia falha - as implicações da melancolia no tratamento cirúrgico da obesidade Camila Chudek Ribeiro 1 Maria Virginia Filomena Cremasco 2 A obesidade tem atingido níveis epidêmicos na atualidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2005 o mundo teria 1,6 bilhões de pessoas acima de 15 anos de idade com excesso de peso (IMC 25 kg/m2) e 400 milhões de obesos (IMC 30 kg/m2). Estima-se que em 2015 estes números cheguem a 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso e 700 milhões de obesos, o que representaria 75% de aumento nos índices de obesidade em apenas dez anos (MELO, 2011). Apesar de tradicionalmente ser tratada de maneira clínica, por meio de reeducação alimentar e prática de exercícios físicos, nem sempre estas medidas são eficazes para o tratamento da obesidade mórbida (IMC 40). A cirurgia bariátrica surge, então, como a principal ferramenta da perda de peso substancial e duradoura que a medicina oferece atualmente. De acordo com Oliveira e cols. (2004) as cirurgias bariátricas ou antiobesidade podem ser divididas didaticamente em três categorias: os procedimentos restritivos, que diminuem a capacidade do estômago; os mal-absortivos, que modificam a digestão; ou ainda uma combinação de ambas as técnicas. Os critérios de indicação para a cirurgia são: IMC maior que 40 kg/m² ou IMC acima de 35 kg/m², associado com doenças com, no mínimo, cinco anos de evolução e que melhorem com a perda de peso, como 1 Estudante de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (2008/2013), aluna do Programa de Voluntariado Acadêmico do Laboratório de Psicopatologia Fundamental na linha de pesquisa A Clínica do Traumático sob orientação da Profª Maria Virginia Filomena Cremasco. Endereço eletrônico: 2 Psicóloga, Doutora em Saúde Mental (2002/Universidade Estadual de Campinas SP, Brasil), Pós-doutorado em Psicopatologia e Psicanálise (2010/Université Paris VII, França). Professora Adjunto IV do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, Brasil. Membro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental. Autora do Livro: Psicopatologia e Disfunção Erétil: a clínica psicanalítica do impotente, São Paulo, Escuta, 2004, organizadora do livro: O sofrimento humano em perspectiva, enfoques psicológicos. Curitiba, PR, CRV, 2011 entre outros. Endereço eletrônico:

2 diabetes melito e hipertensão arterial, doenças osteoarticulares (principalmente de membros inferiores), apnéia do sono, histórico de falha de tratamentos conservadores prévios e ausência de doenças endócrinas como causa da obesidade (PORIES, 2003 apud Oliveira, 2004). Tais cirurgias possuem um alto índice de sucesso (estima-se que ela seja eficaz em cerca de 85% dos casos), porém, é comum encontrarmos, tanto na clínica quanto na literatura especializada, casos nos quais os pacientes recuperam grande parte do peso perdido, desenvolvem transtornos alimentares como a Anorexia, a Bulimia e o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), ou ainda adotam diversos comportamentos como o comprar compulsivo e o abuso de álcool e outras substâncias. Powers e cols. (1999 apud Cordás, 2004) realizaram um estudo com 116 pacientes submetidos à cirurgia gástrica restritiva e encontraram episódios bulímicos em 52% dos casos, Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica em 16% e Síndrome do Comer Noturno em 10%. Estes resultados nos alertam para a necessidade de superar a compreensão da tradicional da obesidade apenas como uma doença que deve ser combatida a qualquer custo, buscando compreendê-la como uma expressão de um sofrimento psíquico. Não pretendemos negar as diversas facetas que a constituem, porém, neste trabalho adotaremos como foco o sofrimento que aponta para um posicionamento subjetivo melancólico. Para tanto, nos apoiamos na Psicopatologia Fundamental. A Psicopatologia Geral se ocupa da observação e descrição sintomática, como podemos observar em manuais como o DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana) e o CID-1O (Classificação Internacional de Doenças), propiciando uma linguagem padronizada entre pesquisadores e clínicos de diferentes abordagens teóricas. Tratase, segundo Ceccarelli (2005), de um sistema de classificação que tem como uma das principais críticas certa negligência com a questão da subjetividade, tanto daquele que está sendo classificado quanto daquele que classifica. A Psicopatologia Fundamental não pretende negar as contribuições advindas da Psicopatologia Geral, mas sim somar estes conhecimentos à observação do pathos como experiência do sujeito, como o seu modo de se relacionar com o mundo. Ceccarelli (2005) define o pathos como um excesso pulsional que se torna patológico, trazendo sofrimento e levando ao

3 assujeitamento, à perda de si. Podemos observar na obesidade, foco de nosso trabalho, a presença do excesso, representada tanto no sobrepeso inerente ao obeso, quanto na sua vontade desmedida do comer, muito além das suas necessidades nutricionais. O autor insere o conceito de terapéia, ou seja, o cuidado sobre Eros restabelecendo, assim, o equilíbrio pulsional para que Eros seja liberado desse excesso (CECCARELLI, 2005); a reflexão acerca desta prática pode contribuir para ampliar nosso campo de conhecimento. Obesidade: sintoma ou atuação? Um dos conceitos centrais na obra de Freud é o conceito de pulsão. Roudinesco (1997) define a pulsão como a carga energética que se concentra na origem da atividade motora do organismo e do funcionamento psíquico inconsciente do homem. Freud (1905) conceitua a pulsão como algo que atua na fronteira entre o mental e o somático, como uma carga energética produzida no corpo em direção à psique. Libido, por sua vez, seria uma força quantitativamente variável que se relaciona com os processos e transformações ocorrentes no âmbito da excitação sexual. Importante ressaltar que esta excitação não é fornecida apenas pelas partes sexuais, mas sim por todos os órgãos no corpo (FREUD, 1905). Freud (1894) defende que o aparelho psíquico opera de acordo com o princípio de constância, ou seja, uma tendência a manter a quantidade de excitação do organismo tão baixa quanto possível. Posteriormente, Freud (1915) apresenta um princípio correspondente ao princípio de constância, denominado princípio do prazer, no qual a atividade do aparelho mental seria regulada por sentimentos de prazer-desprazer, buscando uma redução na tensão através da obtenção de prazer, evitando o desprazer. Importante ressaltar que estas pulsões podem ser conscientes ou inconscientes, e sofrem a ação da repressão, um esforço psíquico para afastar determinado conteúdo da consciência, quando representam uma ameaça ao aparelho psíquico. Esta tentativa de represamento pulsional obriga a pulsão a encontrar vias indiretas de se expressar, por exemplo, por intermédio dos sintomas. Tais conceitos são fundamentais para a compreensão da obesidade como um sintoma. O comer do obeso pode ser observado a partir do princípio de constância e do princípio do prazer, reduzindo a tensão do aparelho psíquico (e evitando o desprazer) através da obtenção de prazer.

4 Sob este enfoque, o comer compulsivo do obeso pode ser compreendido como um sintoma, uma satisfação sexual substitutiva gerada por uma falha na repressão, e a dificuldade do obeso em livrar-se deste sintoma residiria justamente no prazer envolvido neste ato um prazer não apenas nutricional, mas também pulsional. É importante ressaltar que o sintoma é uma tentativa de resolução de conflitos ainda que seja uma tentativa falha, é o que garante a integridade ao sujeito; apenas sua retirada poderá levar à produção de novos sintomas, como dito anteriormente. Porém, veremos como esta metaforização do sofrimento nem sempre é possível. Sob outra perspectiva, o comer compulsivo pode ser entendido como uma atuação. Para compreendermos esta diferenciação, é preciso retomar o conceito de pulsão de morte. Além das pulsões de vida (sexuais e de autoconservação), Freud (1920) define o conceito de pulsões de morte, pulsões estas que não seriam representáveis, uma tendência presente em todos os seres vivos em direção à destrutividade, à descarga total das excitações e, consequentemente, associada a vivências de total plenitude e satisfação. De acordo com Minerbo (2009) a meta da pulsão de morte é a descarga da excitação para fora do aparelho psíquico pelo caminho mais rápido. Se isso não ocorre, é porque o ego se encarrega de modular a violência do ataque pulsional e de fazer as necessárias ligações (MINERBO, 2009, pg. 129). Porém, se não há uma rede de representações suficientemente capaz de conter a pulsão dentro do aparelho psíquico ou se a pulsão é irrepresentável (derivada de uma vivência traumática muito precoce, anterior à função simbolizante), a pulsionalidade não ligada pode ser descarregada para fora do aparelho psíquico, sob a forma de atuação (MINERBO, 2009). Dentro desta perspectiva entendemos, então, a obesidade como consequência de uma tentativa de reduzir a tensão do aparelho psíquico por meio de uma atuação: o comer compulsivo. Roudinesco (1997) também insere o conceito de compulsão à repetição, ou seja, uma compulsão [que] leva o sujeito a se colocar repetitivamente em situações dolorosas, réplicas de experiências antigas. Na obesidade, a pulsão de morte poderia ser compreendida como compulsão à repetição no próprio ato de comer desse indivíduo, uma forma encontrada por esse sujeito para escoar por meio da atuação (acts it out) essa pulsão irrepresentável.

5 Considerando a abrangência e a complexidade do tema, neste trabalho o foco será dado apenas na obesidade encarada como uma atuação, buscando compreender como o padecimento melancólico pode ser entendido como um sofrimento mental subjacente à obesidade. A melancolia e a obesidade Segundo Freud (1917), a melancolia se trata de uma neurose narcisista, na qual há o direcionamento da libido para o próprio eu. A melancolia pode ser definida como um estado onde há um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade e uma diminuição dos sentimentos de autoestima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e autoenvilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição (FREUD, 1917, pg. 250) Ela se relaciona com a perda real ou imaginária de um objeto de amor, algo vivenciado pelo sujeito como traumático e, portanto, não representável. Encontramos aqui uma relação entre a melancolia e as pulsões de morte, também irrepresentáveis, e que encontram sua expressão no ato. Nesta perspectiva, a obesidade poderia ser encarada, portanto, como um modo de atuação melancólica. O que Freud (1917) define como cessação de interesse pelo mundo externo seria uma forma de proteção contra a perda vivenciada pelo sujeito. Na obesidade, esta tentativa de isolamento do mundo externo pode ser observada inclusive na gordura corporal do sujeito obeso, que o protege e isola do contato com os outros. Freud (1917) destaca que outra característica da melancolia é sua tendência em transformar-se em mania, ainda que não isto não seja uma regra. A mania seria expressa em forma de uma ação que tentaria superar a perda do objeto, uma tentativa de se religar ao mundo, de preencher o vazio insuportável que habita o sujeito. Magtaz (2008), ao relacionar a melancolia com os chamados distúrbios da oralidade (dentre os quais se encontra a obesidade), afirma que a ação maníaca seria uma forma de negação de um profundo desamparo, destacando o papel da falta e do vazio na base destes distúrbios. A perda tem uma expressão/inscrição direta no corpo, na qual as vivências de solidão e vazio são correspondentes da falta ou excesso de alimento. Sendo assim, o vazio é causa e

6 consequência dos comportamentos adictivos na anorexia e na bulimia. (MAGTAZ, 2008, p.28) Freud (1895) correlaciona a melancolia com a anestesia sexual ao traçar uma analogia entre a melancolia e os sintomas anoréxicos, afirmando que a anorexia é uma melancolia que a sexualidade não desenvolveu. A paciente afirma que não se alimenta simplesmente porque não tem nenhum apetite; não há qualquer outro motivo. Perda do apetite em termos sexuais, perda da libido (FREUD, 1895). Para Magtaz (2008), esta insensibilidade psíquica é parte importante da melancolia, como forma de suportar a dor e a angústia. Na obesidade, ela se manifestaria através da camada de gordura que reveste e insensibiliza a carne, estagnando a libido. Cabe ressaltar, no entanto, que esta estagnação da libido não se expressa necessariamente através da sexualidade. Minerbo (2009) insere o conceito de não-neurose para definir as estruturas psíquicas que se organizaram ou desorganizaram a partir de distúrbios na constituição do narcisismo. Dentre eles se encontram, além da melancolia, as adições, os distúrbios alimentares e as compulsões. São caracterizados por fronteiras egóicas frágeis, encarando qualquer estímulo como excessivo; possuem uma relação de dependência com o objeto e sofrem com a angústia diante da possibilidade da perda deste. Sua rede de representações é falha: o afeto que não está ligado a uma representação invade o aparelho psíquico, exigindo descarga imediata porém, justamente por esta falta de ligação, o afeto não pode ser processado através do processo secundário. O mecanismo de defesa típico da não-neurose é a cisão. Quando a dor produzida pelo objeto é intolerável, o ego é obrigado a se cindir. Diferentemente da neurose, em que o ego tenta administrar o conflito, o ego aqui tenta se evadir dele, pois não dispõe dos recursos para enfrentá-lo. O ego se mutila e, dessa forma, se desconecta da angústia (MINERBO, 2009, pg. 140). Na não-neurose, a representação da ausência não se forma, ou não pode ser significada pelo sujeito, que fica diante de um sem-sentido, de uma experiência de vazio angustiante (MINERBO, 2009, pg. 85). Observamos na obesidade esta dificuldade de lidar com a falta, que encontra sua expressão na repetição compulsiva do ato de comer, em uma tentativa de incorporar o objeto e diminuir a angústia. Esse comer seria uma atividade pseudossublimatória, uma

7 tentativa compulsiva de preservar sua integridade narcísica, mas que produziria alívio e não prazer. A não-neurose (Minerbo, 2009) ou as neuroses narcisistas (Freud, 1914) se relacionam diretamente com a constituição da instância denominada ideal do eu. Segundo Freud (1914), o ego infantil se veria, durante a primeira infância, como sendo possuído de toda perfeição de valor, sendo a criança objeto de seu amor. Assim, o ego real e ego ideal seriam, neste caso, a mesma coisa. Quando adulto, o homem se vê perturbado pelas admoestações de terceiros e por seu próprio julgamento crítico e perde a sua perfeição, buscando recuperá-la sob a nova forma de um ego ideal. O que ele então projeta diante de si como sendo seu ideal é o substituto do narcisismo perdido de sua infância. Minerbo (2009) define o ideal do eu como um projeto identificatório, algo que o sujeito deve atingir para constituir seu amor próprio. Na não-neurose, haveria uma falha na inscrição primária. Uma mãe que não narcisou suficientemente seu bebê (por exemplo, fazendo-o crer que havia algo de errado com ele) não sustentou o ego ideal pelo tempo necessário. Assim, a busca de ser o próprio ideal a busca pela perfeição narcísica, condição para ser amado pelas figuras parentais continua pela vida afora. (MINERBO, 2009, pg. 146). É o ideal do eu que irá nortear, portanto, o sujeito na sua busca pelo retorno a um euideal, uma busca por uma existência sem frustração. Porém, a perfeição narcísica é uma meta inatingível; a dificuldade em aceitar esta ambivalência dos objetos, compreendendo-o em sua totalidade (como bom e mau, amado e odiado), leva o sujeito a situações de fracasso narcísico, com prejuízo a seu amor próprio, como ocorre no autoenvilecimento melancólico. Observamos frequentemente nos indivíduos obesos uma dificuldade em aceitar a frustração, por uma falha na construção de um símbolo para a privação, o que os leva a se relacionar de maneira incorporadora com os objetos, ou seja, dar prazer a si mesmo através da penetração do objeto em si, destruir o objeto e assimilar as qualidades do objeto (ROUDINESCO, 1997, pg. 393); notamos aqui novamente uma referência à questão da oralidade presente na obesidade. A cirurgia bariátrica

8 Freud, em seus estudos sobre a histeria, observou que a simples eliminação de um sintoma sem o trabalho analítico adequado levaria o paciente à escolha (inconsciente) de um novo sintoma para diminuir a tensão do aparelho psíquico. No caso do padecimento melancólico, o sujeito não sabe o que foi perdido, ou seja, não há uma representação constituída e, portanto, a tensão não pode ser eliminada por meio do processo secundário. Enquanto sua rede de representações não for constituída, o sujeito continuaria a buscar o escoamento deste excesso pulsional através da atuação compulsiva. As cirurgias bariátricas, especialmente as restritivas, propõem uma diminuição da capacidade estomacal, levando a um impedimento físico da ingestão alimentar e uma consequente perda de peso. Porém, ao pensarmos no comer do obeso não apenas como um comportamento alimentar, mas sim como uma atuação, somos levados a questionar as consequências da simples supressão deste ato. Encontramos na literatura 3 diversos casos nos quais os pacientes desenvolvem transtornos alimentares ou adicções após a cirurgia bariátrica; em tais casos, a restrição física da cirurgia impede que a atuação do obeso se mantenha, impossibilitando-o de satisfazer de maneira imediata suas necessidades pulsionais, forçando-o a buscar o caminho mais rápido para a descarga da excitação para fora do aparelho psíquico. Minerbo (2009) destaca que para a subjetividade não-neurótica o mundo não tem nuanças, com experiências emocionais da ordem do absoluto (depressão-mania, tudo-nada), o que pode ajudar na compreensão de como patologias opostas por exemplo, obesidade e anorexia são, de certa maneira, similares para o aparelho psíquico. Minerbo (2009) define que um objeto narcísico seria essencial para a sobrevivência do ego quando exerce a função de evitar, - ou de processar, angústias que, de outra forma, o invadiriam e o desorganizariam (MINERBO, 2009, pg. 113). Na obesidade, observamos esta relação entre o sujeito e a comida; o rompimento forçado desta ligação, imposto pela cirurgia bariátrica, poderia levar o sujeito a buscar outro objeto de dependência o que ajudaria a compreender as adicções que surgem ou se intensificam após as cirurgias bariátricas. É importante que os psicólogos superem a mera observação de comportamentos alimentares sejam eles patológicos ou não e busquem compreender os modos de funcionamento psíquico associados a essas sintomatologias. É importante observar que a defesa 3 Para mais informações sobre este tema ver: CORDAS, Táki A.; LOPES FILHO, Arnaldo P. and SEGAL, Adriano. Transtorno alimentar e cirurgia bariátrica: relato de caso. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2004, vol.48, n.4, pp ISSN

9 psíquica que se dá por meio da clivagem ou cisão não forma representação no inconsciente e, portanto, não se submete à clínica psicanalítica tradicional da interpretação por meio da livre associação. É preciso auxiliar o paciente a criar uma rede de representações, a formar símbolos que o permitam processar psiquicamente suas experiências emocionais, sobretudo sua baixa resistência à frustração e sua dificuldade de lidar com a ausência. Daí a importância da terapia, tanto antes quanto após a cirurgia.

10 Referências Bibliográficas CECCARELLI, P. R. O Sofrimento Psíquico na Perspectiva da Psicopatologia Fundamental. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 10, n. 3, p , Disponível em: CORDAS, T. A.; LOPES FILHO, A. P. and SEGAL, A. Transtorno alimentar e cirurgia bariátrica: relato de caso. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2004, vol.48, n.4, pp ISSN FREUD, S. (1894). Rascunho E. In:. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 1. Rio de Janeiro: Imago, 2006, p (1895) Rascunho G. In:. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 1. Rio de Janeiro: Imago, p (1905). Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade. In:. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 7. Rio de Janeiro: Imago, 2006, p (1914). Sobre o narcisismo: uma introdução. In:. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 14. Rio de Janeiro: Imago, 2006, p (1915). Os Instintos e Suas Vicissitudes. In:. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 14. Rio de Janeiro: Imago, p

11 . (1917) Luto e Melancolia. In:. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 14. Rio de Janeiro: Imago, p (1920). Além do princípio do prazer. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. v. 18. Rio de Janeiro: Imago, p MAGTAZ, A.C. Distúrbios da Oralidade na Melancolia Tese (Doutorado em Psicologia Clínica). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. MELO, M. E. Os Números da Obesidade no Brasil: VIGITEL 2009 e POF Disponível em: 09%20POF2008_09%20%20II.pdf. MINERBO, M. Neurose e não-neurose. São Paulo: Casa do Psicólogo, OLIVEIRA, V. M. de; LINARDI, R. C.; AZEVEDO, A. P. de. Cirurgia bariátrica: aspectos psicológicos e psiquiátricos. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 31, n. 4, Disponivel em: en&nrm=iso ROUDINESCO, E.; PLON, M. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar,

12

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

A Psiquiatria e seu olhar Marcus André Vieira Material preparado com auxílio de Cristiana Maranhão e Luisa Ferreira

A Psiquiatria e seu olhar Marcus André Vieira Material preparado com auxílio de Cristiana Maranhão e Luisa Ferreira A Psiquiatria e seu olhar Marcus André Vieira Material preparado com auxílio de Cristiana Maranhão e Luisa Ferreira Transtornos Neuróticos Aspectos históricos A distinção neuroses e psicoses foi, durante

Leia mais

UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA. Mestrado de Psicanálise Saúde Sociedade COMIDA: OBJETO DA PULSÃO POR: ADRIANA RIBEIRO MACEDO VARGAS

UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA. Mestrado de Psicanálise Saúde Sociedade COMIDA: OBJETO DA PULSÃO POR: ADRIANA RIBEIRO MACEDO VARGAS 1 UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA Mestrado de Psicanálise Saúde Sociedade COMIDA: OBJETO DA PULSÃO POR: ADRIANA RIBEIRO MACEDO VARGAS Orientadora: Profa Dra Maria Anita Carneiro Ribeiro Rio de Janeiro Agosto.2014

Leia mais

O papel do corpo na contemporaneidade, as novas patologias e a escuta analítica.

O papel do corpo na contemporaneidade, as novas patologias e a escuta analítica. O papel do corpo na contemporaneidade, as novas patologias e a escuta analítica. Silvana Maria de Barros Santos Entre o século XVI a XIX, as transformações políticas, sociais, culturais e o advento da

Leia mais

Obesidade: um sintoma convertido no corpo. Os sentidos e os destinos do sintoma em indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica.

Obesidade: um sintoma convertido no corpo. Os sentidos e os destinos do sintoma em indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica. Obesidade: um sintoma convertido no corpo. Os sentidos e os destinos do sintoma em indivíduos que se submeteram à cirurgia bariátrica. REI, Vivian Anijar Fragoso [1] ; OLIVEIRA, Paula Batista Azêdo de

Leia mais

"Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1

Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica. 1 V Congresso de Psicopatologia Fundamental "Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1 Autora: Lorenna Figueiredo de Souza. Resumo: O trabalho apresenta

Leia mais

Laboratório de Ensino PULSÕES E SEUS DESTINOS (1915)

Laboratório de Ensino PULSÕES E SEUS DESTINOS (1915) Laboratório de Ensino PULSÕES E SEUS DESTINOS (1915) Flávia Lana Garcia de Oliveira (Doutoranda em Teoria Psicanalítica pela UFRJ Bolsa CAPES no Brasil e Bolsa doutorado sanduíche FAPERJ Université Paris-Diderot

Leia mais

PSICANÁLISE: UM SOBREVÔO SOBRE A HISTÓRIA DE SIGMUND FREUD E DE SUAS IDÉIAS

PSICANÁLISE: UM SOBREVÔO SOBRE A HISTÓRIA DE SIGMUND FREUD E DE SUAS IDÉIAS 1 PSICANÁLISE: UM SOBREVÔO SOBRE A HISTÓRIA DE SIGMUND FREUD E DE SUAS IDÉIAS Sandra Mara Volpi 1856: Nasce Sigmund Freud, onde hoje localiza-se a Tchecoslováquia, em uma família de origem judaica em que

Leia mais

PROJETO PEDAGÓGICO DE POS GRADUAÇÃO LATO SENSU. Ano: 2014/2015

PROJETO PEDAGÓGICO DE POS GRADUAÇÃO LATO SENSU. Ano: 2014/2015 PROJETO PEDAGÓGICO DE POS GRADUAÇÃO LATO SENSU Ano: 2014/2015 1 - JUSTIFICATIVA A hospitalização pode ser experienciada como um dos momentos mais delicados e difíceis do processo do adoecer. Isso porque

Leia mais

UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY. Mestranda em Psicanálise Joana S. Oliveira Psicóloga CRP 06/114168

UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY. Mestranda em Psicanálise Joana S. Oliveira Psicóloga CRP 06/114168 UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY Mestranda em Psicanálise Joana S. Oliveira Psicóloga CRP 06/114168 Considerações psicanalíticas sobre a imagem corporal, algumas conseqüências após intervenções sobre

Leia mais

Mães sem nome: a perda de um filho por assassinato

Mães sem nome: a perda de um filho por assassinato Mães sem nome: a perda de um filho por assassinato Luciana Tiemi Kurogi 1 Maria Virginia Filomena Cremasco 2 A morte é algo muito difícil de ser explicado, por se tratar de um fenômeno que desconhecemos

Leia mais

Tratamento do TCAP. Psicologia: como os processos mentais interferem na vida do sujeito. História individual, singularidade.

Tratamento do TCAP. Psicologia: como os processos mentais interferem na vida do sujeito. História individual, singularidade. Tratamento do TCAP Psicologia: como os processos mentais interferem na vida do sujeito História individual, singularidade Psicoterapia: Tratamento: multidisciplinar Equipe coesa Importância de entender

Leia mais

A FORMAÇÃO DAS NEUROSES E SUA CONSTITUIÇÃO NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA ESCOLAR

A FORMAÇÃO DAS NEUROSES E SUA CONSTITUIÇÃO NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA ESCOLAR A FORMAÇÃO DAS NEUROSES E SUA CONSTITUIÇÃO NA INFÂNCIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA ESCOLAR Jane Kelly de Freitas Santos (apresentador) 1 Maria Cecília Braz Ribeiro de Souza (orientador) 2 1 Curso de Pedagogia

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA ANEXO II DA RESOLUÇÃO CEPEC Nº 952 EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA NÚCLEO COMUM Análise do comportamento O método experimental na análise das relações comportamentais complexas:

Leia mais

ESTUDO SOBRE VIVÊNCIA DO LUTO EM ADOLESCENTES E SUA MANIFESTAÇÃO EM DECORRÊNCIA DO TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO AMOROSO

ESTUDO SOBRE VIVÊNCIA DO LUTO EM ADOLESCENTES E SUA MANIFESTAÇÃO EM DECORRÊNCIA DO TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO AMOROSO ESTUDO SOBRE VIVÊNCIA DO LUTO EM ADOLESCENTES E SUA MANIFESTAÇÃO EM DECORRÊNCIA DO TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO AMOROSO Autoras: Tânia Regina Goia; Maria Luísa Louro de Castro Valente Instituição: Universidade

Leia mais

O investimento narcísico da mãe e suas repercussões na reverie e na preocupação materna primária

O investimento narcísico da mãe e suas repercussões na reverie e na preocupação materna primária O investimento narcísico da mãe e suas repercussões na reverie e na preocupação materna primária Renata de Leles Rodrigues Eliana Rigotto Lazzarini Resumo do trabalho: A proposta deste trabalho é articular

Leia mais

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO E O CONSUMISMO

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO E O CONSUMISMO MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO E O CONSUMISMO 2012 Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário de Lavras UNILAVRAS (Brasil) E-mail: vivianecastrofreire@yahoo.com.br RESUMO Freud explica em seus textos

Leia mais

Narcisismo e cultura contemporânea

Narcisismo e cultura contemporânea Narcisismo e cultura contemporânea Flávia Ferro Costa Veppo José Juliano Cedaro A cultura hedonista, marcada pela ilusão na satisfação rápida e sempre possível, evidencia a ausência do elemento de barramento

Leia mais

Palavras-chave: amadurecimento, amor, equilíbrio. ..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..

Palavras-chave: amadurecimento, amor, equilíbrio. ..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-.. 1 AMAR É PARA EQUILIBRISTAS Eloá Andreassa Hugo César Gaete Verdugo Resumo: O amor é a questão fundamental da vida. Mas não sabemos o que exatamente é o amor e é a vida que vai nos ensinar sobre ele através

Leia mais

moralista para com os idosos. Não é muito fácil assumir o ódio contra a natureza do humano quando ele se refere à velhice. Existe uma tendência a

moralista para com os idosos. Não é muito fácil assumir o ódio contra a natureza do humano quando ele se refere à velhice. Existe uma tendência a José Carlos Zeppellini Junior: Especialista em Psicopatologia pelo NAIPPE/USP, Mestrado em Psicologia Clínica realizado no Laboratório de Psicopatologia Fundamental da PUCSP e Segundo Secretário da Associação

Leia mais

Pedagogia, Departamento de Educação, Faculdade de Ciências e Tecnologia- UNESP. E-mail: rafaela_reginato@hotmail.com

Pedagogia, Departamento de Educação, Faculdade de Ciências e Tecnologia- UNESP. E-mail: rafaela_reginato@hotmail.com 803 AS CONTRIBUIÇÕES DO LÚDICO PARA O DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL INFANTIL NO CONTEXTO ESCOLAR Rafaela Reginato Hosokawa, Andréia Cristiane Silva Wiezzel Pedagogia, Departamento de Educação, Faculdade de

Leia mais

Questão Resposta Questão Resposta 1 21 2 22 3 23 4 24 5 25 6 26 7 27 8 28 9 29 10 30 11 31 12 32 13 33 14 34 15 35 16 36 17 37 18 38 19 39 20 40

Questão Resposta Questão Resposta 1 21 2 22 3 23 4 24 5 25 6 26 7 27 8 28 9 29 10 30 11 31 12 32 13 33 14 34 15 35 16 36 17 37 18 38 19 39 20 40 SIMULADO SOBRE TEORIAS DA PERSONALIDADE Aluno(a) A prova contém 40 questões de múltipla escolha. Utilize a folha de respostas abaixo para assinalar suas respostas. Ao final da prova, devolva apenas esta

Leia mais

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento Diagnóstico: um sintoma? Larissa de Figueiredo Rolemberg Mendonça e Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP) O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal

Leia mais

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna www.franklingoldgrub.com Édipo 3 x 4 - franklin goldgrub 7º Capítulo - (texto parcial) A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação com a função paterna (Salvo menção expressa em contrário,

Leia mais

OS RELACIONAMENTOS AFETIVOS DE MULHERES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

OS RELACIONAMENTOS AFETIVOS DE MULHERES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE OS RELACIONAMENTOS AFETIVOS DE MULHERES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE Élide Dezoti Valdanha, Fernanda Kimie Tavares Mishima e Valéria Barbieri. INTRODUÇÃO De acordo com o DSM-IV-TR - Manual

Leia mais

PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO E A PESTE EMOCIONAL

PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO E A PESTE EMOCIONAL PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO E A PESTE EMOCIONAL (2006) Francisco Tosta Graduado em Administração de Empresas pela PUC/PR, Brasil Acadêmico de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná, Brasil A frequentar

Leia mais

O TER E O FAZER: A PSICOPATOLOGIA DA OBESIDADE INFANTIL. Carolina Mendes Cruz Ferreira. Me. Fernanda Kimie Tavares Mishima

O TER E O FAZER: A PSICOPATOLOGIA DA OBESIDADE INFANTIL. Carolina Mendes Cruz Ferreira. Me. Fernanda Kimie Tavares Mishima O TER E O FAZER: A PSICOPATOLOGIA DA OBESIDADE INFANTIL Carolina Mendes Cruz Ferreira Me. Fernanda Kimie Tavares Mishima Profa. Dra. Valéria Barbieri INTRODUÇÃO A obesidade infantil é considerada uma patologia

Leia mais

Essa pesquisa foi motivada pelas dificuldades encontradas durante o atendimento

Essa pesquisa foi motivada pelas dificuldades encontradas durante o atendimento Essa pesquisa foi motivada pelas dificuldades encontradas durante o atendimento clínico de pacientes melancólicos. Foi a partir dessa problemática, especialmente relacionada ao estabelecimento da transferência,

Leia mais

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Alfredo estava na casa dos 30 anos. Trabalhava com gesso. Era usuário de drogas: maconha e cocaína. Psicótico, contava casos persecutórios,

Leia mais

MECANISMOS DE DEFESA

MECANISMOS DE DEFESA 1 MECANISMOS DE DEFESA José Henrique Volpi O Ego protege a personalidade contra a ameaça ruim. Para isso, utilizase dos chamados mecanismos de defesa. Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos

Leia mais

Depressão não é sintoma, mas inibição

Depressão não é sintoma, mas inibição 4 (29/4/2015) Tristeza Atualmente denominada de depressão, por lhe dar por suporte o humor, a tristeza é uma covardia de dizer algo do real. Seu avesso, no sentido moebiano, a alegria, pode ir até a elacão.

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

REFLEXÕES CLÍNICAS SOBRE UM CASAL DE PAIS ADOTANTES

REFLEXÕES CLÍNICAS SOBRE UM CASAL DE PAIS ADOTANTES REFLEXÕES CLÍNICAS SOBRE UM CASAL DE PAIS ADOTANTES Autores: Tânia Regina Goia; José Paulo Diniz; Maria Luísa Louro de Castro Valente Instituição: Universidade Estadual Paulista Faculdade de Ciências e

Leia mais

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO Andréa Lima do Vale Caminha A temática do Perdão tem nos atraído nos últimos tempos e para atender a nossa inquietação, fomos investigar esse tema no

Leia mais

DO DESENVOLVIMENTO DA TEORIA PULSIONAL FREUDIANA PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AMOR E ÓDIO. Ligia Maria Durski

DO DESENVOLVIMENTO DA TEORIA PULSIONAL FREUDIANA PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AMOR E ÓDIO. Ligia Maria Durski DO DESENVOLVIMENTO DA TEORIA PULSIONAL FREUDIANA PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AMOR E ÓDIO. Ligia Maria Durski Iniciemos este texto fazendo uma breve retomada de alguns momentos importantes da

Leia mais

Questão Resposta Questão Resposta 1 21 2 22 3 23 4 24 5 25 6 26 7 27 8 28 9 29 10 30 11 31 12 32 13 33 14 34 15 35 16 36 17 37 18 38 19 39 20 40

Questão Resposta Questão Resposta 1 21 2 22 3 23 4 24 5 25 6 26 7 27 8 28 9 29 10 30 11 31 12 32 13 33 14 34 15 35 16 36 17 37 18 38 19 39 20 40 SIMULADO SOBRE PSICOPATOLOGIA PSICANALÍTICA Aluno A prova contém 40 questões de múltipla escolha. Utilize a folha de respostas abaixo para assinalar suas respostas. Ao final da prova, devolva apenas esta

Leia mais

CONVERSA DE PSICÓLOGO CONVERSA DE PSICÓLOGO

CONVERSA DE PSICÓLOGO CONVERSA DE PSICÓLOGO Página 1 CONVERSA DE PSICÓLOGO Volume 02 - Edição 01 Julho - 2013 Entrevistada: Mayara Petri Martins Entrevistadora: Bruna Aguiar TEMA: OBESIDADE Mayara Petri Martins. Psicóloga analista do comportamento,

Leia mais

Unidade II TEORIAS PSICOLÓGICAS. Profa. Dra. Mônica Cintrão França Ribeiro

Unidade II TEORIAS PSICOLÓGICAS. Profa. Dra. Mônica Cintrão França Ribeiro Unidade II TEORIAS PSICOLÓGICAS DO DESENVOLVIMENTO Profa. Dra. Mônica Cintrão França Ribeiro Ementa Estudo do desenvolvimento do ciclo vital humano a partir de diferentes teorias psicológicas. Compreender

Leia mais

A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO EM ANÁLISE RESUMO. pela Psicanálise. No trabalho com pessoas que têm dificuldade na integração de amoródio

A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO EM ANÁLISE RESUMO. pela Psicanálise. No trabalho com pessoas que têm dificuldade na integração de amoródio A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO EM ANÁLISE RESUMO Sandra C. Tschirner 1 Winnicott compreende que as técnicas psicanalíticas clássicas atenderiam a um grupo específico de pacientes, aos neuróticos, que

Leia mais

A ILUSÃO NOS ADOECE E A REALIDADE NOS CURA. O ENIGMA DA DOENÇA E DA CURA

A ILUSÃO NOS ADOECE E A REALIDADE NOS CURA. O ENIGMA DA DOENÇA E DA CURA 1 A ILUSÃO NOS ADOECE E A REALIDADE NOS CURA. O ENIGMA DA DOENÇA E DA CURA José Fernando de Freitas RESUMO Os doentes têm uma relação especial com suas doenças. A mente diz que quer se curar, mas, na realidade,

Leia mais

A clínica da toxicomania: uma intoxicação transferencial. Amanda Teixeira Rizzo

A clínica da toxicomania: uma intoxicação transferencial. Amanda Teixeira Rizzo A clínica da toxicomania: uma intoxicação transferencial. Amanda Teixeira Rizzo Desde um recorte clínico grupal a pacientes internados em uma instituição hospitalar psiquiátrica para tratamento de dependência

Leia mais

PREVENIR PRECOCEMENTE A VIOLÊNCIA E O FRACASSO ESCOLAR. Professor Maurice BERGER (Hospital Universitário Saint Etienne, França)

PREVENIR PRECOCEMENTE A VIOLÊNCIA E O FRACASSO ESCOLAR. Professor Maurice BERGER (Hospital Universitário Saint Etienne, França) PREVENIR PRECOCEMENTE A VIOLÊNCIA E O FRACASSO ESCOLAR Professor Maurice BERGER (Hospital Universitário Saint Etienne, França) 1 Trinta anos de experiência num serviço de psiquiatria infantil especializado

Leia mais

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 1 Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 Maria Izabel Oliveira Szpacenkopf izaszpa@uol.com.br Psicanalista, Membro

Leia mais

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2 A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1 Selma Correia da Silva 2 Neste trabalho pretendemos discutir a articulação do discurso da Psicanálise com o discurso da Medicina, destacando

Leia mais

Centro de Ciências da Saúde Curso: Nutrição

Centro de Ciências da Saúde Curso: Nutrição Centro de Ciências da Saúde Curso: Nutrição RESUMO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Título do Trabalho: Aspectos nutricionais de mulheres submetidas à cirurgia bariátrica relacionados ao período gestacional

Leia mais

DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL Professor Responsável: Mohamad A. A. Rahim Quadro sinóptico baseado na bibliografia sugerida em cada aula DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL 1. SEXUALIDADE E LIBIDO Libido : é uma fonte original de energia afetiva

Leia mais

A contribuição da Psicologia no Tratamento Clínico e Cirúrgico da Obesidade

A contribuição da Psicologia no Tratamento Clínico e Cirúrgico da Obesidade A contribuição da Psicologia no Tratamento Clínico e Cirúrgico da Obesidade Thaís Cristina Simamoto* Thaís Silva Luiz* A obesidade mórbida é uma doença crônica metabólica que combina grandes chances de

Leia mais

Faculdade de Medicina UFRGS Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal

Faculdade de Medicina UFRGS Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal Faculdade de Medicina UFRGS Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal Disciplina: Med 8834 - Psiquiatria Roteiro de Estudo de Caso Prof. Aristides Volpato Cordioli 1. DADOS DA IDENTIDADE DO PACIENTE

Leia mais

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n o 10. Janeiro a julho de 2012

Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais - Almanaque On-line n o 10. Janeiro a julho de 2012 Título: A sintonia do eu com o sintoma: a problemática da angústia na neurose obsessiva Autora: Simone Souto Psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP) e da Associação Mundial de Psicanálise

Leia mais

O apelo contemporâneo por laços narcísicos

O apelo contemporâneo por laços narcísicos O apelo contemporâneo por laços narcísicos Ângela Buciano do Rosário Psicóloga, Doutoranda em Psicologia PUC-MG. Bolsista da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG. Mestre em

Leia mais

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1 A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1 Este artigo trata da difícil relação entre a teoria psicanalítica, que tradicionalmente considerava os comportamentos eróticos entre pessoas

Leia mais

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Este trabalho tem por intuito verificar quais as transformações sofridas pelos sintomas histéricos ao longo dos anos. Esta indagação se deve

Leia mais

PARECER TÉCNICO. Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (NAVES) Rua Tibagi, 779, Gabinete 803, Centro, Curitiba PR, telefone 3250-4022.

PARECER TÉCNICO. Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (NAVES) Rua Tibagi, 779, Gabinete 803, Centro, Curitiba PR, telefone 3250-4022. PARECER TÉCNICO Atendendo à solicitação da Procuradora de Justiça Coordenadora do Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (NAVES), Dra. Rosângela Gaspari, eu, Erica A. C. M. Eiglmeier, psicóloga, venho apresentar

Leia mais

CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DEPRESSÃO INFANTIL: CARACTERISTICAS E TRATAMENTO. CHAVES, Natália Azenha e-mail: natalya_azenha@hotmail.

CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DEPRESSÃO INFANTIL: CARACTERISTICAS E TRATAMENTO. CHAVES, Natália Azenha e-mail: natalya_azenha@hotmail. CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DEPRESSÃO INFANTIL: CARACTERISTICAS E TRATAMENTO CHAVES, Natália Azenha e-mail: natalya_azenha@hotmail.com RESUMO Este artigo teve como foco o termo depressão infantil, que é

Leia mais

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Trabalho apresentado na IV Jornada de Saúde Mental e Psicanálise na PUCPR em 21/11/2009. A prática da psicanálise em ambulatório de saúde mental pode

Leia mais

ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/)

ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/) ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/) Arminda Aberastury foi pioneira no estudo da psicanálise de crianças e adolescentes na América Latina. A autora

Leia mais

Claudio C. Conti www.ccconti.com. Transtorno do Pânico e Fobias

Claudio C. Conti www.ccconti.com. Transtorno do Pânico e Fobias Claudio C. Conti www.ccconti.com Transtorno do Pânico e Fobias Transtorno do pânico definição CID-10: F41.0 [ansiedade paroxística episódica] A característica essencial deste transtorno são os ataques

Leia mais

EM BUSCA DO CORPO PERFEITO: UM ESTUDO DO NARCISISMO

EM BUSCA DO CORPO PERFEITO: UM ESTUDO DO NARCISISMO 1 EM BUSCA DO CORPO PERFEITO: UM ESTUDO DO NARCISISMO Shirlaine Nascimento de Azevedo Resumo A incessante busca pelo corpo perfeito é um sintoma contemporâneo que aponta para desejos e questões da atualidade.

Leia mais

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE.

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. Desde os primeiros passos de Freud em suas investigações sobre o obscuro a respeito do funcionamento da mente humana, a palavra era considerada

Leia mais

Terapia Cognitivo-Comportamental dos Transtornos Alimentares Psicologia- Ulbra/Guaíba

Terapia Cognitivo-Comportamental dos Transtornos Alimentares Psicologia- Ulbra/Guaíba Terapia Cognitivo-Comportamental dos Transtornos Alimentares Psicologia- Ulbra/Guaíba Profa. Mestre Cláudia Galvão Mazzoni Fabiana Lima Rosinski Lisiane Botelho Ferreira Patrícia dos Santos Silveira Resumo:

Leia mais

A INFLUÊNCIA QUE A RELAÇÃO FAMILIAR PODE EXERCER NO PACIENTE PÓS CIRURGIA BARIÁTRICA

A INFLUÊNCIA QUE A RELAÇÃO FAMILIAR PODE EXERCER NO PACIENTE PÓS CIRURGIA BARIÁTRICA A INFLUÊNCIA QUE A RELAÇÃO FAMILIAR PODE EXERCER NO PACIENTE PÓS CIRURGIA BARIÁTRICA Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Psicologia do Centro Universitário Jorge Amado como pré-requisito

Leia mais

Traumatismo, repetição e comportamento infracional 1

Traumatismo, repetição e comportamento infracional 1 Traumatismo, repetição e comportamento infracional 1 Aline Guimarães Bemfica 2 Em Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna (1908), Freud apresenta uma leitura psicanalítica do criminoso: aquele

Leia mais

A ENERGIA DO BRINCAR: UMA ABORDAGEM BIOENERGÉTICA

A ENERGIA DO BRINCAR: UMA ABORDAGEM BIOENERGÉTICA 1 A ENERGIA DO BRINCAR: UMA ABORDAGEM BIOENERGÉTICA Dayane Pricila Rausisse Ruon Sandra Mara Volpi* RESUMO O brincar é um tema bastante discutido e de muita importância no desenvolvimento infantil. Esse

Leia mais

Almoço trinta gramas de brócolis (Anorexia Nervosa)

Almoço trinta gramas de brócolis (Anorexia Nervosa) Edson Saggese Almoço trinta gramas de brócolis (Anorexia Nervosa) Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Psiquiatria. Doutor em Ciências da Saúde pelo IPUB/UFRJ, psiquiatra, psicanalista,

Leia mais

Psicoterapia Procedimento sistemático e cientificamente fundamentado que visa auxiliar o indivíduo a lidar com seu sofrimento emocional.

Psicoterapia Procedimento sistemático e cientificamente fundamentado que visa auxiliar o indivíduo a lidar com seu sofrimento emocional. Maricelma Bregola Psicoterapia Procedimento sistemático e cientificamente fundamentado que visa auxiliar o indivíduo a lidar com seu sofrimento emocional. O sofrimento resulta da dificuldade de recrutar

Leia mais

DO ENSINO DA PSICANÁLISE NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA: ALGUMAS QUESTÕES

DO ENSINO DA PSICANÁLISE NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA: ALGUMAS QUESTÕES Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 800 DO ENSINO DA PSICANÁLISE NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA: ALGUMAS QUESTÕES Roberto Mielke 1, Carmen Lúcia

Leia mais

Abordagem subjetiva e papel do entrevistador nas primeiras entrevistas*

Abordagem subjetiva e papel do entrevistador nas primeiras entrevistas* 1 Abordagem subjetiva e papel do entrevistador nas primeiras entrevistas* Rodrigo Pirard Basso 1, Luciano Souza 2, Bárbara do Nascimento 3, Diego Fabian Karvat Gracia 4, Julia Alram 5 Resumo - As primeiras

Leia mais

AS RELAÇÕES AMOROSAS E OS TRAÇOS DE CARÁTER

AS RELAÇÕES AMOROSAS E OS TRAÇOS DE CARÁTER 1 AS RELAÇÕES AMOROSAS E OS TRAÇOS DE CARÁTER Eloá Andreassa Resumo: As relações amorosas continuam sendo mais que um objetivo na vida das pessoas, é uma necessidade, um sonho, até uma esperança. Porém,

Leia mais

REFLEXÕES SOBRE O LUTO E AS RELAÇÕES OBJETAIS

REFLEXÕES SOBRE O LUTO E AS RELAÇÕES OBJETAIS Centro Universitário de Brasília FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - FACS CURSO: PSICOLOGIA REFLEXÕES SOBRE O LUTO E AS RELAÇÕES OBJETAIS CAROLINA MOURA BENTO BRASÍLIA NOVEMBRO/2005 CAROLINA MOURA BENTO REFLEXÕES

Leia mais

PSICANÁLISE E SAÚDE DO TRABALHADOR. A respeito das relações entre pathos e saúde, tema deste congresso, a minha

PSICANÁLISE E SAÚDE DO TRABALHADOR. A respeito das relações entre pathos e saúde, tema deste congresso, a minha PSICANÁLISE E SAÚDE DO TRABALHADOR. Lucianne Sant Anna de Menezes Prólogo. A respeito das relações entre pathos e saúde, tema deste congresso, a minha contribuição para este debate vai no sentido de refletir

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE Maria Fernanda Guita Murad Pensando a responsabilidade do analista em psicanálise, pretendemos, neste trabalho, analisar

Leia mais

IX JORNADA CELPCYRO Sobre Saúde Mental JUNHO DE 2012.

IX JORNADA CELPCYRO Sobre Saúde Mental JUNHO DE 2012. IX JORNADA CELPCYRO Sobre Saúde Mental JUNHO DE 2012. *PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA: VISÃO CONTEMPORÂNEA DA TÉCNICA: LUIZ CARLOS MABILDE ** PSIQUIATRA E PROFESSOR/SUPERVISOR CONVIDADO DOS CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO

Leia mais

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA X AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA X AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA AULA 1 A Importância da Observação Psicológica em Neuropsicologia Infantil. Fundamentação Teórica e Apresentação de Caso Clínico Denise Gonçalves Cunha Cotuinho Psicóloga Especialista em Neuropsicologia

Leia mais

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE. Prof. Me. Jefferson Cabral Azevedo

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE. Prof. Me. Jefferson Cabral Azevedo TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE Prof. Me. Jefferson Cabral Azevedo PSICOPATOLOGIA Psicopatologia é uma área do conhecimento que objetiva estudar os estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental. É a

Leia mais

Decio Tenenbaum Vitória, 2012

Decio Tenenbaum Vitória, 2012 O diagnóstico psicodinâmico 1 Decio Tenenbaum Vitória, 2012 Roteiro 2 1- O que é diagnóstico? 2- O que é psicodinâmica? 3- Para que servem os diagnósticos? 4- A construção do diagnóstico psicodinâmico

Leia mais

Obesidade grave e cirurgia bariátrica. Indicação cirúrgica e preparação pré-operatória multidisciplinar. Dra Solange Cravo Bettini UFPR

Obesidade grave e cirurgia bariátrica. Indicação cirúrgica e preparação pré-operatória multidisciplinar. Dra Solange Cravo Bettini UFPR Obesidade grave e cirurgia bariátrica. Indicação cirúrgica e preparação pré-operatória multidisciplinar. Dra Solange Cravo Bettini UFPR Obesidade Definição é a condição clínica caracterizada por um excesso

Leia mais

CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE ANSIEDADE E SUAS POSSIBILIDADES DE APRENDIZAGEM NA ESCOLA POR MEIO DA DESCENTRAÇÃO

CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE ANSIEDADE E SUAS POSSIBILIDADES DE APRENDIZAGEM NA ESCOLA POR MEIO DA DESCENTRAÇÃO CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE ANSIEDADE E SUAS POSSIBILIDADES DE APRENDIZAGEM NA ESCOLA POR MEIO DA DESCENTRAÇÃO Geiva Carolina Calsa (DTP/UEM) Telma Cristina Amaral (PG/UEM) Mariana Costa do Nascimento (G/UEM)

Leia mais

Feminilidade e Violência

Feminilidade e Violência Feminilidade e Violência Emilse Terezinha Naves O tema sobre a violência e a feminilidade apresenta-se, nas mais diversas áreas do conhecimento, como um tema de grande interesse, quando encontramos uma

Leia mais

CONSTELAÇÕES FAMILIARES E SEU EMPREGO EM PSICOTERAPIA CORPORAL

CONSTELAÇÕES FAMILIARES E SEU EMPREGO EM PSICOTERAPIA CORPORAL 1 CONSTELAÇÕES FAMILIARES E SEU EMPREGO EM PSICOTERAPIA CORPORAL Ernani Eduardo Trotta Juliana Lima Bezerra RESUMO A incorporação de novos recursos terapêuticos pode contribuir para a ampliação da eficácia

Leia mais

Um olhar psicanalítico sobre o Transtorno de Stress Pós-Traumático

Um olhar psicanalítico sobre o Transtorno de Stress Pós-Traumático Um olhar psicanalítico sobre o Transtorno de Stress Pós-Traumático Fernando Del Guerra Prota O presente trabalho surgiu das questões trabalhadas em cartel sobre pulsão e psicossomática. Não se trata de

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM TERAPIA OCUPACIONAL 1 º PERÍODO

EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM TERAPIA OCUPACIONAL 1 º PERÍODO EMENTAS DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM TERAPIA OCUPACIONAL 1 º PERÍODO 1) História da Terapia Ocupacional (30 hs) EMENTA: Marcos históricos que antecederam o surgimento formal da profissão de

Leia mais

Diálogos N. 7 Clarissa M.ª Dubeux Lopes Barros Sobre as dificuldades...

Diálogos N. 7 Clarissa M.ª Dubeux Lopes Barros Sobre as dificuldades... SOBRE AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NA CULTURA CONTEMPORÂNEA - UMA TRAJETÓRIA DO DESEJO DE SABER. CLARISSA MARIA DUBEUX LOPES BARROS Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica (UNICAP) Doutoranda em Psicologia

Leia mais

A MORTE COMO OpçÃO PESSOAL OU REFLEXO DE UMA DOENÇA

A MORTE COMO OpçÃO PESSOAL OU REFLEXO DE UMA DOENÇA A MORTE COMO OpçÃO PESSOAL OU REFLEXO DE UMA DOENÇA Por Dr. Paulo F. M. Nicolau Há estudos pormenorizados demonstrativos de que pessoas com constantes distúrbios emocionais caracterizam-se principalmente

Leia mais

O lugar da depressividade no tratamento da drogadicção

O lugar da depressividade no tratamento da drogadicção O lugar da depressividade no tratamento da drogadicção Amanda Teixeira Rizzo Quem já se aproximou da clínica das drogadicções e escolheu ficar próximo para compreender esse fenômeno clínico, provavelmente,

Leia mais

Estrutura Curricular do Programa de Pós-graduação em Psicologia UFSC (Atual) Cursos de Mestrado e Doutorado

Estrutura Curricular do Programa de Pós-graduação em Psicologia UFSC (Atual) Cursos de Mestrado e Doutorado Estrutura Curricular do Programa de Pós-graduação em Psicologia UFSC (Atual) Cursos de Mestrado e Doutorado Os cursos de Mestrado e Doutorado do PPGP/UFSC compreendem um conjunto de disciplinas obrigatórias

Leia mais

PROGRAMA DE SAÚDE SEXUAL GOVERNAMENTAL: CONTRIBUIÇÕES, DIFICULDADES E LIMITAÇÕES

PROGRAMA DE SAÚDE SEXUAL GOVERNAMENTAL: CONTRIBUIÇÕES, DIFICULDADES E LIMITAÇÕES PROGRAMA DE SAÚDE SEXUAL GOVERNAMENTAL: CONTRIBUIÇÕES, DIFICULDADES E LIMITAÇÕES MARTYRES, Thais Raffaela dos Faculdade de Ensino Superior Dom Bosco Acadêmica do Curso de Farmácia Membro do Grupo de Bolsista

Leia mais

Doenças do Comportamento Alimentar. Filipe Pinheiro de Campos

Doenças do Comportamento Alimentar. Filipe Pinheiro de Campos NUTRIÇÃO e PATOLOGIAS ASSOCIADAS Doenças do Comportamento Alimentar Saúde e Bem Estar ATITUDES AMBIENTE FISIOLOGIA SAÚDE HEREDITARIEDADE ECONOMIA CULTURA ALIMENTAÇÃO 2 Implicações Clínicas Doenças por

Leia mais

Ger-Ações Centro de Ações e Pesquisas em Gerontologia CNPJ: 09.290.454/0001-19 / CCM: 3.722.8927 www.geracoes.org.br

Ger-Ações Centro de Ações e Pesquisas em Gerontologia CNPJ: 09.290.454/0001-19 / CCM: 3.722.8927 www.geracoes.org.br A MANIFESTAÇÃO DE EPISÓDIOS DEPRESSIVOS NA VELHICE: O CORPO, AS IDEIAS HIPOCONDRÍACAS E O DESAMPARO MARIA ELVIRA M. GOTTER Ger-Ações Centro de Pesquisas e Ações em Gerontologia - São Paulo - Brasil O presente

Leia mais

FENÔMENOS E PROCESSOS PSICOLÓGICOS ENFOQUE PSICODINÂMICO II

FENÔMENOS E PROCESSOS PSICOLÓGICOS ENFOQUE PSICODINÂMICO II FENÔMENOS E PROCESSOS PSICOLÓGICOS ENFOQUE PSICODINÂMICO II SILVIA MARIA BONASSI - DE Adjunto I Psicologia Clínica /UFMS/CPAR FONE: 67-81903430 silviabonassi@gmail.com ORIGEM HISTÓRICA DAS PSICOTERAPIAS

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. Prefácio Só as crianças têm segredos, Dos quais mais tarde já nem lembram! A dor talvez é um deles.

Leia mais

Do Sofrimento ao Sintoma nas Doenças Crônicas

Do Sofrimento ao Sintoma nas Doenças Crônicas Do Sofrimento ao Sintoma nas Doenças Crônicas Selma Correia da Silva Damiana Avila Carvalho Moema dos Santos Duberley Introdução O presente trabalho tem como ponto de partida a nossa experiência clínica

Leia mais

Negativo: espaço, tempo e história [1] espaço delimitado por um tempo e um momento que faz notação histórica

Negativo: espaço, tempo e história [1] espaço delimitado por um tempo e um momento que faz notação histórica Negativo: espaço, tempo e história [1] Marcela Toledo França de Almeida [2] Universidade de Brasília UnB O sujeito se funda pela ausência do que um dia fez marca em seu corpo, espaço delimitado por um

Leia mais

DEPRESSÃO CONHECENDO SEU INIMIGO

DEPRESSÃO CONHECENDO SEU INIMIGO DEPRESSÃO CONHECENDO SEU INIMIGO E- BOOK GRATUITO Olá amigo (a), A depressão é um tema bem complexo, mas que vêm sendo melhor esclarecido à cada dia sobre seu tratamento e alívio. Quase todos os dias novas

Leia mais

Fundada em 1986. Gestão Comportamental. Educação para a saúde Gestão de crise

Fundada em 1986. Gestão Comportamental. Educação para a saúde Gestão de crise MISSÃO Educar para a prevenção e condução de crises, visando a saúde emocional individual, da família e da organização. Gestão Comportamental Fundada em 1986 PAP - Programa de Apoio Pessoal Atuações em

Leia mais

A adolescência e o fenômeno da drogadição. Prof. Marco Aurélio de Patrício Ribeiro marcoaurélio@7setembro.com.br Cel. 9998.6560

A adolescência e o fenômeno da drogadição. Prof. Marco Aurélio de Patrício Ribeiro marcoaurélio@7setembro.com.br Cel. 9998.6560 A adolescência e o fenômeno da drogadição. Prof. Marco Aurélio de Patrício Ribeiro marcoaurélio@7setembro.com.br Cel. 9998.6560 A Sociedade muda (acentuando o problema das drogas nos últimos 30 anos) Ao

Leia mais

Educação Sexual no desenvolvimento infantil. Profª.Teresa Cristina Barbo Siqueira

Educação Sexual no desenvolvimento infantil. Profª.Teresa Cristina Barbo Siqueira Educação Sexual no desenvolvimento infantil Profª.Teresa Cristina Barbo Siqueira Início dos questionamentos: Educação Sexual... Quando, onde, por quem e como falar sobre este tema? É preciso que o professor/os

Leia mais

PASTOREANDO PASTORES PASTORING PASTORS. João Rainer Buhr. 1. DE OLIVEIRA, K. M. Roseli. Cuidando de Quem Cuida. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2005.

PASTOREANDO PASTORES PASTORING PASTORS. João Rainer Buhr. 1. DE OLIVEIRA, K. M. Roseli. Cuidando de Quem Cuida. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2005. PASTOREANDO PASTORES PASTORING PASTORS João Rainer Buhr. 1 DE OLIVEIRA, K. M. Roseli. Cuidando de Quem Cuida. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2005. O livro é o resultado da dissertação de mestrado da autora

Leia mais

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO 2014 Olga Cristina de Oliveira Vieira Graduada em Psicologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Docente no Centro Técnico de Ensino Profissional (CENTEP). Especialização

Leia mais

COMO ORIENTAR O PACIENTE QUE TEM COMPULSÃO/DISTÚRBIO ALIMENTAR E QUE DESEJA PARAR DE FUMAR. Nutricionista Fabricia Junqueira das Neves

COMO ORIENTAR O PACIENTE QUE TEM COMPULSÃO/DISTÚRBIO ALIMENTAR E QUE DESEJA PARAR DE FUMAR. Nutricionista Fabricia Junqueira das Neves COMO ORIENTAR O PACIENTE QUE TEM COMPULSÃO/DISTÚRBIO ALIMENTAR E QUE DESEJA PARAR DE FUMAR Nutricionista Fabricia Junqueira das Neves smoke [ti] OR smoking [ti] OR tobacco [ti] OR tabagism [ti] ("binge

Leia mais