DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL

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1 CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA EVENTO: Audiência Pública N : 1593/07 DATA: 25/09/2007 INÍCIO: 10h16min TÉRMINO: 12h27min DURAÇÃO: 02h11min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 02h11min PÁGINAS: 46 QUARTOS: 27 DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO PAULO CORRÊA Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a ENERSUL da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul. ANTÔNIO EDUARDO DA SILVA OLIVA Diretor-Presidente da ENERSUL. ROMEU DONIZETE RUFINO Diretor-Geral-Substituto da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. PATRÍCIA GALDINO DE FARIA BARROS Coordenadora-Geral de Políticas e Relações de Consumo do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça. WILLIAM DOUGLAS DE SOUZA BRITO Representante do PROCON. RONALDO SCHUCK Secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia. PAULO DUARTE Vice-Presidente da CPI da ENERSUL. SUMÁRIO: Discussão acerca das tarifas de energia elétrica na área de concessão da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul ENERSUL. Houve exibição de imagens. OBSERVAÇÕES

2 O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Declaro abertos os trabalhos da presente reunião de audiência pública da Comissão de Minas e Energia, destinada a discutir as tarifas de energia elétrica na área de concessão da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul ENERSUL, em atendimento ao Requerimento nº 102, de 2007, do eminente Deputado e amigo Vander Loubet, aprovado em 1º de agosto de Convido para fazer parte da Mesa o eminente Deputado Paulo Corrêa, que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a ENERSUL, no âmbito da Assembléia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul; o Dr. Antônio Eduardo da Silva Oliva, Diretor-Presidente da ENERSUL; o Dr. Romeu Donizete Rufino, Diretor- Geral Substituto da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Registro a presença da Dra. Joísa Campanher Dutra Saraiva e do Dr. Edvaldo Alves de Santana, Diretores da ANEEL, além de Superintendentes e outros servidores da Agência, cujo comparecimento concede a esta audiência pública a importância devida. Agradeço a todos da ANEEL que se fazem presentes. Convido para integrar a Mesa o Dr. Ronaldo Schuck, Secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, e a Dra. Patrícia Galdino de Faria Barros, Coordenadora-Geral de Políticas e Relações de Consumo, do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça. Registro a presença do Superintendente do PROCON do Estado de Mato Grosso do Sul, que dividirá o tempo com a Dra. Patrícia. Registro ainda a presença do Deputado Paulo Duarte, Vice-Presidente da CPI da ENERSUL, de Mato Grosso do Sul. Esta Comissão tem a honra de receber S.Exa., bem como o Deputado Paulo Corrêa, que preside a CPI. Registro ainda a presença do Deputado Marcio Junqueira, meu querido e fraterno amigo, irmão de todas as horas, Parlamentar do Democratas de Roraima, que, na qualidade de membro desta Comissão, auxilia este Presidente e lhe oferece companhia. Inicialmente cumprimento os presentes, em especial todos os que foram convidados. Saúdo os senhores assessores, jornalistas, assistentes, enfim, todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, estando aqui, fazem que este debate, 1

3 que trata de assunto tão importante, no âmbito de um Estado tão importante, como o Mato Grosso do Sul, ocorra da melhor maneira possível. Cumprimento especialmente o eminente Deputado Vander Loubet pela iniciativa e pela disposição de debater, na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, tema que seguramente diz respeito, de maneira muito presente e intensa, a todos os nossos conterrâneos sul-mato-grossenses. Informo que a lista de inscrição para os debates está aberta. O Deputado que desejar questionar os senhores expositores deverá dirigir-se primeiramente à Mesa. Informo ainda que é praxe desta Comissão determinar que os convidados não sejam interrompidos no decorrer de suas exposições. Após encerradas as mesmas, os Deputados poderão fazer seus questionamentos, tendo cada um o prazo de 3 minutos, e o interpelado igual tempo para responder. Tendo em vista a presença de tantos convidados, estipulamos o prazo de 5 minutos para a abordagem inicial. É claro que, no curso do debate, os convidados haverão de se manifestar e, em conseqüência disso, terão mais tempo. Mas uma primeira rodada de 5 minutos me parece importante para que possamos ouvir todos, e a partir daí os debates acontecerem. Antes de passar a palavra ao Deputado Paulo Corrêa, que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito da ENERSUL, da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul, faço questão de ouvir o Deputado Vander Loubet, requerente desta audiência pública. Deputado Vander Loubet, V.Exa. tem a palavra assegurada. O SR. DEPUTADO VANDER LOUBET - Obrigado, Sr. Presidente. Deputado José Otávio Germano, agradeço a presença a todos os pares da Comissão e aos convidados, principalmente aos 2 Deputados, Paulo Corrêa e Paulo Duarte, Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, da CPI da ENERSUL. Com certeza, Presidente José Otávio Germano, esta audiência pública terá um desdobramento muito importante, inclusive para outros Estados brasileiros. Tarifa é um ponto muito questionado. Depois de aprovado o requerimento para realização desta reunião, vários Deputados já me procuraram. O problema ocorre em praticamente todos os outros Estados. 2

4 Considero que a CPI do Mato Grosso do Sul já apresentou resultado concreto. No entanto, mais do que isso, cumpre observar que ela não só buscou os holofotes da mídia. Os trabalhos se deram numa relação muito respeitosa com a concessionária. A CPI pôde fazer seu trabalho e avançou muito. Ela foi fruto de toda uma demanda de movimentos sociais, tanto de empresários do setor produtivo, quanto dos próprios usuários, os mais simples, pela revisão do preço da tarifa que pagamos em nosso Estado, até então a mais cara do Brasil. A CPI foi criada no dia 23 de maio de 2007 com a finalidade de investigar os motivos que fazem que a tarifa da energia elétrica fornecida pela ENERSUL seja uma das mais altas do País. Não achamos que o vilão seja a ENERSUL. Houve várias audiências públicas no Estado convocadas pela CPI; a empresa e os consumidores participaram. Fruto do trabalho da CPI, os usuários já obtiveram um resultado concreto, redução de 3,014% no preço da tarifa que vinham pagando. Quando a Comissão me procurou a mim na condição de membro da Comissão de Minas e Energia e propôs trazermos para cá esse debate foi exatamente porque o papel da CPI no Estado praticamente chegou no teto, se esgotou. Precisamos envolver ainda mais a agência reguladora, que tem o papel e a missão de promover o equilíbrio entre a concessionária e o usuário. E temos o entendimento creio que teremos a oportunidade de debater isso aqui de que alguns pontos são obscuros, principalmente com relação à revisão tarifária de Nesta Comissão, da forma mais tranqüila e equilibrada, devemos debater a questão tarifária de 2003 a ANEEL já entrou. Eu acredito que é possível avançarmos e, com isso, reduzir ainda mais as tarifas. O nosso objetivo é esse. Nosso Estado é novo, já faz sacrifícios, visto que temos uma lei de incentivo para atrair algumas empresas e agregar valores, principalmente no que se refere àquilo que lá produzimos. A tarifa de energia tem espantado algumas empresas em razão do seu alto preço. Reunimos todas as condições, junto com a ANEEL, com os órgãos competentes, para buscar o equilíbrio da forma mais tranqüila e pacífica, de modo a 3

5 chegarmos a um resultado que atenda aos usuários e que não prejudique a concessionária. Por essa razão, solicitamos a realização desta audiência pública. Estamos convencidos de que a CPI da Assembléia Legislativa do Estado de Mato do Sul poderá servir de parâmetro e como modelo para outros Estados, no sentido de obter resultados. Historicamente, vemos que as CPIs produzem poucos resultados. E a CPI a que me referi está de parabéns. Com o Deputado Paulo Corrêa na Presidência, a Comissão tem produzido resultados concretos. Entendemos que isso é o mais importante. Na qualidade de Deputado da base do Governo e do partido do Presidente da República, nosso objetivo não é tumultuar. Ao contrário, é encontrar caminhos, saídas, fazendo com que, a partir desta audiência pública, tenhamos desdobramentos com resultados concretos, e que tanto os empresários quanto a população de baixa renda obtenham bom êxito. Com isso, quem ganha é a comunidade, a população. Nós, na condição de representantes do povo, estamos fazendo a nossa parte. É com esse objetivo que solicitamos a realização desta audiência pública. Sr. Presidente, agradecemos a V.Exa. o esforço e a consideração pelo Estado de Mato Grosso do Sul. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Agradeço ao Deputado Vander Loubet. Com a palavra o Deputado Paulo Corrêa, Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da ENERSUL, da Assembléia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul, por 5 minutos, para fazer a sua exposição. O SR. PAULO CORRÊA - Sr. Presidente, em nome do Estado de Mato Grosso do Sul e do Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Jerson Domingos, agradeço a V.Exa., a pedido do nobre Deputado Vander Loubet, a gentileza de nos convidar para aqui estarmos reunidos a fim de discutir questão tão preocupante para o nosso Estado, que é o valor da energia elétrica. Portanto, agradeço a V.Exa. a sensibilidade. 4

6 O Estado de Mato Grosso do Sul sente-se muito honrado por aqui estar, na presença de V.Exa., do Deputado Vander Loubet, autor do requerimento, e dos demais Deputados, no coroamento de uma conversa que tivemos em agosto, quando foi feita a solicitação pelo Deputado Vander Loubet para discutirmos um processo do qual efetivamente o Estado de Mato Grosso do Sul não participou. Se o fez, não contemplou a Assembléia Legislativa e o seu povo, da forma como nós gostaríamos. Estamos exercitando, até porque as agências de regulação no País foram criadas exatamente para manter o equilíbrio. A partir do momento em que a Assembléia se deteve diante da revisão tarifária de 2003 da ENERSUL, começamos a querer participar do processo. O Deputado Vander Loubet nos perguntou quem gostaria que aqui estivesse presente. Solicitamos, então, a presença de um membro do Ministério de Minas e Energia, porque temos assuntos comuns a discutir. Fomos muito bem recebidos no Ministério V.Exa. estava presente, assim como a bancada federal e o Governador do Estado, quando do começo da nossa preocupação, antes de a nossa CPI ser implantada. Graças a Deus e ao trabalho desta Comissão, pudemos nos reunir. A empresa concessionária, ENERSUL, agradece ao Sr. Antônio Oliva e aos demais membros a presença. Não está presente o Dr. Jerson Kelman, da ANEEL. Mas, em determinado momento, foi importante a nossa ligação, fazendo com que o Presidente da ANEEL pudesse ter conhecimento do que aconteceu na gestão anterior. Portanto, creio que conseguimos fazer com que a ANEEL olhasse um pouco para trás e visse o que foi feito na gestão do então Presidente Mário Abdo, na revisão de Dessa forma, pudemos apontar as nossas razões e o motivo de estarmos aqui presentes. A energia mais cara do País, até o dia em que assinamos o termo de acordo na Assembléia Legislativa, era de Mato Grosso do Sul. Agora somos a terceira energia mais cara do Brasil. Gostaríamos de ficar pelo menos na décima quinta posição, se for possível. 5

7 Estamos discutindo alguns pontos. Estou encaminhando ofícios a V.Exa., com a participação da nossa Comissão, ao Ministro Nelson Hubner. Nós pedimos o retorno do ponto de medição da linhas de 138 KV de Jupiá para Campo Grande. Era em Campo Grande, levou-se para Jupiá. Foi dito pela diretoria da empresa, na oitiva realizada na Assembléia Legislativa, que, caso retornássemos o ponto de medição, ganharíamos praticamente 5%, e se a concessionária ENERSUL deixasse de pagar para a ELETROSUL a receita agregada permitida referente à utilização de 3 circuitos de 138 KV. Cinco aqui em cima e cinco aqui embaixo são dez, o que representa uma substancial redução. Há que ter vontade política por parte do Governo Federal. E aí entra o Ministério de Minas e Energia. Sr. Presidente, V.Exa. está nos permitindo fazer essa interface, junto com o Deputado Vander Loubet. Gostaríamos de também discutir com o Ministério o Programa Luz para Todos, que impacta na tarifa cerca de 3%. O Estado de Mato Grosso do Sul é extremamente prejudicado. Enquanto o Estado do Rio Grande do Sul tem sem demérito, Sr. Presidente 65% de subsídio, temos apenas 40%. Na época, o Ministério deu a seguinte explicação para a ENERSUL: há os indicadores sociais. Temos grande admiração pelo Estado do Presidente José Otávio Germano. Com certeza, os indicadores sociais do Rio Grande do Sul são superiores aos indicadores sociais do Mato Grosso do Sul. Vários gaúchos nos visitam no Mato Grosso do Sul, assim como nós os visitamos. Portanto, creio que poderíamos estar encaminhado algo nesse sentido. Depois entregarei a documentação ao Deputado Vander Loubet. Estamos encaminhando ao Dr. Jerson Kelman solicitação no sentido de que o Estado de Mato Grosso do Sul a Assembléia e os Poderes constituídos não fique à margem das discussões da revisão tarifária. Hoje, o assunto mais comentado no Estado é a CPI. Portanto, queremos participar ativamente da revisão tarifária de 2008, do começo até o fim. Sr. Presidente, convido V.Exa. a também participar. Com certeza o Deputado Vander vai estar conosco. Isso vai acontecer em abril, está previsto para terminar em abril. Existe um dia certo para se fazer uma audiência pública. 6

8 Gostaríamos de solicitar, na Comissão de Minas e Energia, que tem poder, que tem cunho político, que pode encontrar uma forma de encaminharmos isso em conjunto, que fosse lá na Assembléia Legislativa, que não fosse mais com nenhum Estado. Mato Grosso do Sul não quer discutir o aumento em Rondônia. Ele tem que ser discutido em Rondônia. Não queremos saber de Rondônia e de Acre no Mato Grosso do Sul. Nós queremos saber de Mato Grosso do Sul. Então, essa é a nossa solicitação. É a mesma que estamos fazendo para o ilustre Ministro e para o Dr. Jerson Kelman também, no sentido de que envidem esforços nesse sentido. Temos alguns questionamentos. Eu e o Deputado Paulo Duarte estamos aqui representando a CPI. Somos mais 3 membros. O Relator é o Deputado Marquinhos Trad e também há os Deputados Yossif Domingos e Dione Hashioka, que mandam um grande abraço. Resolvemos que fosse um dia de trabalho. Por meio do trabalho da CPI, conseguimos que a ENERSUL sentasse à mesa e conversasse conosco. Conseguimos um avanço: a ENERSUL concedeu num momento difícil do nosso Estado. Só para entender, Sr. Presidente, o aumento deste ano foi de Quando a ENERSUL volta a significa que ela praticamente abre mão do aumento deste ano. Nós achamos que houve sensibilidade da empresa diante do momento difícil por que passa o Estado de Mato Grosso do Sul. Mas nós queremos avançar mais. E aí nós só podemos avançar com a colaboração da ANEEL, do Ministério, da Comissão de Minas e Energia, com a qual com certeza vamos poder contar. Sr. Presidente, no momento oportuno, quando me for permitido, farei meus questionamentos. Basicamente o que queremos é colaboração para que possamos reduzir a tarifa de energia elétrica do Mato Grosso do Sul substancialmente. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Muito obrigado ao Deputado Paulo Corrêa. Passo imediatamente a palavra ao Sr. Antônio Eduardo da Silva Oliva, Diretor-Presidente da ENERSUL, por 5 minutos, para fazer a sua exposição. 7

9 O SR. ANTÔNIO EDUARDO DA SILVA OLIVA - Muito obrigado, Sr. Presidente. Estou com alguma dificuldade, porque eu trouxe uma apresentação e não sabia quanto tempo me iria ser permitido. Mas o fato é que 5 minutos não dão para fazer essa apresentação. Portanto, eu vou pular grande parte dessa apresentação. O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Quantos minutos o senhor precisa? O SR. ANTÔNIO EDUARDO DA SILVA OLIVA - Eu tinha apontado entre 15 e 20 minutos, mas já percebi que é demais. Mas eu posso pular todo um conjunto da primeira parte e ir direto ao fim. Se não forem 5 minutos serão 7 minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Certo. Não tem problema. O senhor fique à vontade. Cinco, sete, oito minutos, não tem problema. O SR. ANTÔNIO EDUARDO DA SILVA OLIVA - Sr. Presidente, eu agradeço. V.Exa. quase está me dando tempo para apresentar tudo. Mas eu não vou gastar o tempo todo. Vou rapidamente passar a parte que penso ser mais importante. Sr. Presidente, ilustres membros que compõem a Mesa, Srs. Deputados, minhas senhoras e meus senhores, vamos passar rapidamente estes slides. (Segue-se exibição de imagens.) Essa é uma caracterização. Evolução do número de clientes. Portanto, isso me dá uma média de 10,4% ao ano. Segmentação do mercado. Como o mercado está dividido em termos de consumo de energia e também em termos de faturação. Isso mostra a diferenciação de tarifas entre as várias classes de clientes. Esse é o número de clientes. Oitenta e um por cento dos clientes são residenciais isso é um número muito expressivo e apenas 0,6 são industriais. Ou seja, é um Estado que tem pouca indústria. O que é curioso é que 31% desses 81% são clientes de baixa renda. Isso também é um dado importante, mostra a estrutura existente na segmentação do mercado. 8

10 Número de clientes por quilômetro quadrado. A Light, 346; Bandeirante, que é uma empresa-grupo, 142; Excelsa, 26; ENERSUL, 2. Vejam bem a diferença. Isso quer dizer que o território da ENERSUL é quase 30 vezes o território da Light. A Light tem 3 milhões e 800 mil clientes, e a ENERSUL tem 690 mil. Portanto, há nitidamente aqui características completamente diferentes entre as várias concessões. Evolução do mercado. O único ponto mais importante é que os 2 últimos anos têm tido um crescimento muito pequeno. Em 2005: 2,6; em 2006: 0,6. Praticamente o mercado, em 2006, estagnou, por razões várias, particularmente por economia do Estado. Felizmente, 2007 está a apresentar uma melhoria. Evolução das perdas. Estamos preocupados sobretudo com o que aconteceu em Foram perdas muito altas. São perdas, o que se entende por furtos, por gatos. É o que estamos falando aqui. Chamo a atenção para aquela linha vermelha, que é o máximo que a entidade reguladora permite que passe para a tarifa. Tudo da linha vermelha para cima é prejuízo da companhia. E estamos com um problema grave de investimentos com a questão dos furtos. Temos falado em qualidade de serviço. O DEC é um dos parâmetros que indicam, que medem a qualidade de serviço. Pus aqui as 4 empresas concessionárias que operam energia no Centro-Oeste. Como se vê, a ENERSUL está muito comparada à CEB, que opera no Distrito Federal. Depois temos a CELG, em Goiás, e a CEMAT, com diferenças bastante acentuadas na qualidade do serviço. O FEC é outro parâmetro também. O mesmo comportamento da ENERSUL, até melhor que a CEB e bastante distante da CELG e da CEMAT. O investimento evoluiu. Ressalta no tratamento de 2005 e Por quê? É que exatamente aqui é que começa o impacto da chamada universalização urbana e rural. Aqui está incluído o Luz para Todos. E a ENERSUL, efetivamente, tem vindo a investir muito nesse programa, embora parte desse investimento não vá para a tarifa, porque 40% é do Estado Federal e 10% para o Estado de Mato Grosso do Sul. 9

11 Programa Luz para Todos. Esta é a evolução que tem acontecido. Este é o acumulado. Vai acumulando. Portanto, em 2006, já tínhamos feito 19 mil investimentos. Previstos para 2007 é o que aí está e também para As metas para 2008 e os financiamentos ainda vão ser renegociados. Pode chegar então à parte da tarifa. Eu ia fazer um breve histórico, muito rápido, da base de conversão prorrogatória. Por quê? Porque isso, de fato, tem um grande peso na determinação da tarifa nomeada em O processo começa em outubro e novembro de 2002, quando assinamos um contrato com a empresa Advanced, uma empresa independente credenciada pela ANEEL, para prestação de serviços de reavaliação dos ativos da ENERSUL. Isso era obrigatório. Não era a ENERSUL que olhava os seus ativos. Tinha de ser uma empresa independente e credenciada pela ANEEL. No dia 31 de janeiro, o laudo feito por essa empresa foi apresentado à ANEEL e, depois, em abril, foi estabelecido um valor provisório para base de conversão. Admite-se que não tenha havido tempo sequer para se analisar aquele laudo, fazer as respectivas fiscalizações. Então, foi fixado um valor provisório. Entretanto, até março de 2005, decorreram várias reuniões, fiscalizações e ajustes nesse mesmo laudo. Em março de 2005 é que foi aprovado o valor da base de conversão definitivo. De resto, foi blindado em Foram incluídos 2 anos numa base provisória. Fomos agora recentemente apresentar um termo de unificação da ANEEL, indicando uma ruptura da tal base de conversão relativa a Isso é um processo que se encontra neste momento em fase de análise. Nos tínhamos um período para apresentar nossa manifestação, e foi apresentada sextafeira passada. Trata-se de assunto sobre o qual não gostaria de me pronunciar neste momento, na medida em que está exatamente em processo de análise. Tudo indica que irá haver uma ruptura da base de conversão. De quanto? Ainda não posso dizer, porque não saiu. Isso já é conhecido. Foi o que aconteceu em Portanto, o posicionamento era de 50% e 81%; foi aplicado 32% e 59%. E a diferença foi definida em 4 anos, embora em 2007 não tenhamos conseguido essa parcial. E foi aqui que começou, de fato, o problema: em Esse é o histórico ao longo dos últimos 4 anos. Já é conhecido. 10

12 Gostaria de mostrar para onde vão os recursos. Esse é um exemplo do consumidor residencial. Para cada 100 reais pagos por esse tipo de consumidor, 60,6% vão para geração, transmissão, encargos e tributos. Sobra para a empresa 39,4%, com os quais a ENERSUL paga operação e manutenção pessoal, materiais etc., reposição dos ativos e remuneração. E a remuneração de quem? Do capital próprio, do capital de terceiros, imposto de renda e contribuição social. É o que sobra. E para onde vão aqueles 60,6% que não são receita da ENERSUL? Destinam-se, em 29,8%, a encargos e tributos; 27,4%, à geração, compra de energia; à transmissão, 3,4%. Isso mostra claramente o peso grande que os encargos e tributos têm na composição das tarifas. Já se disse aqui sobre os estudos sobre a composição tarifária na seqüência dos trabalhos da CPI da ENERSUL, onde chegamos a um entendimento que já foi anunciado. Deixamos de ter a tarifa mais alta. Apesar da tarifa para energia industrial não ser a mais alta, achou-se que também seria importante que a ENERSUL também contribuísse com o Estado, promovendo aquele desconto de 5% para os clientes que aderissem à condição de interruptibilidade. A ENERSUL tem uma tarifa elevada. Neste ponto estamos todos de acordo. Costumo dizer: quem nos dera que a tarifa baixasse mesmo, pois seria bom para todos, inclusive para a ENERSUL. Porque aí se reduziriam os furtos etc. Enfim, acho que estamos todos de acordo nesse ponto. Algumas causas. Elevada extensão territorial, como já mostrei; baixa densidade de clientes, 2 clientes por quilômetro quadrado; e baixa densidade de carga. Isso implica elevado investimento para expansão dos serviços e, para atender com a qualidade definida pelo regulador, elevados custos de operação e manutenção. Outro aspecto importante é a ausência de malha adequada de rede básica. O suprimento está muito distante dos centros de descarga. Isso traz perdas elevadas. Portanto, é um aspecto que muito nos preocupa: a falta de rede básica adequada. Então, não há investimentos, e as perdas técnicas também ocorrem nesse nível e são suportadas por clientes da ENERSUL. 11

13 O tal marco regulatório prevê que os custos de concessão sejam rateados pelo seu mercado, sem injeção externa de recursos. E isso começa a partir de 1993, quando este marco foi introduzido. As tarifas das diversas operadoras começaram a, lentamente, distanciar-se uma das outras, em função das características próprias. Claramente, as concessões com menos densidade e mais periféricas, se assim podemos chamá-las, começaram a ser prejudicadas. E é por aí que se chega àquela revisão de Foi a primeira revisão tarifária da ENERSUL, que vinha apresentando resultados abaixo de equilíbrio econômico-financeiro, o que resultou naquele valor enorme que apareceu em Algumas sugestões para diminuir o valor da tarifa apenas sugestões: avaliar a possibilidade de redução de encargos definidos em lei pelo Governo Federal; outra hipótese é avaliar a possibilidade de redução de tributos que também poderia contribuir para isso; calibrar o nível de qualidade exigido em função do nível tarifário que se pretende. Esse aspecto é importante e, por isso, mostrei a qualidade dos nossos serviços. Em nível de Centro-Oeste, temos a melhor qualidade de serviços. Honestamente, posso afirmar isso. E quem seria contra a ENERSUL, se os clientes querem esta qualidade? Não pode haver uma variação de nível de qualidade, aproximando-se a ENERSUL, por exemplo, da CEMAT? É uma questão. Quer dizer, temos que pensar qual é a qualidade que queremos, em função da tarifa que temos. Isso é um assunto delicado. Diria que essa decisão é política, mas se isso viesse a acontecer, teríamos, obviamente, que repactuar com a ANEEL as metas fixadas. Caso contrário, iríamos sofrer penas muito grandes, da ordem de alguns milhões. Portanto, é um assunto que pode e deve ser estudado. Já se falou aqui na estrutura da rede básica. Por último, é uma hipótese possível criar-se, de alguma forma, um subsídio nacional às concessões periféricas. Não estou pedindo isso apenas para a ENERSUL; evidentemente, há outros Estados em condições idênticas. Agora, poder-se-ia escolher ou estudar um parâmetro, qualquer que fosse, que definisse para esses Estados uma condição especial. Não sei qual é, mas acho que valeria a pena estudar a recriação de um subsídio, por exemplo, para operação 12

14 e manutenção que pudesse ser utilizado por todos. Vai ter um peso muito grande na tarifa. Aumentar a subvenção é outra hipótese, como já foi dito aqui pelos Deputados. Ou poderíamos criar outros tipos de subsídios para essas concessões que, realmente, têm essas peculiaridades e que levam, queiramos ou não, as tarifas para os seus valores mais altos. Muito obrigado pela atenção. O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Muito obrigado ao Dr. Antônio Eduardo da Silva Oliva, Presidente da ENERSUL. Registro a presença do Deputado Geraldo Resende, do PMDB do Mato Grosso do Sul, e do eminente Deputado José Carlos Aleluia, do Democratas da Bahia, que sempre dignificam e abrilhantam com suas presenças esta Comissão. Em seguida, passo a palavra ao Dr. Romeu Donizete Rufino, Diretor-Geral Substituto da ANEEL, por 5 minutos. O SR. ROMEU DONIZETE RUFINO - Bom-dia a todos. Sr. Presidente, Deputado José Otávio Germano, Parlamentares, senhoras e senhores, vou pedir permissão para exceder um pouco o tempo de 5 minutos para fazer minha apresentação sobre o processo tarifário, de modo geral, com particular foco para o caso da ENERSUL. O primeiro aspecto que acho relevante ressaltar é que o processo tarifário observa o dispositivo legal e o contrato de concessão. Então, a margem que a ANEEL tem para aplicar o processo tarifário limita-se ao que estabelece o contrato de concessão. Então, por ocasião da privatização da ENERSUL, em 1997, foi também assinado um contrato de concessão. Assim como ocorreu com a ENERSUL e todas as demais empresas, por ocasião da privatização do controle societário e assinatura do contrato, não foi concebido um processo tarifário para aferir se a concessão obedecia ao equilíbrio econômico-financeiro. Isso foi verificado por ocasião da primeira revisão tarifária, o que, no caso da ENERSUL, ocorreu em Portanto, em 1997, quando da assinatura do contrato, não se tinha certeza se a concessão estava ou não em equilíbrio, porque não foi feita essa aferição. Em 2003, isso foi feito. 13

15 Então, são estas as principais características do contrato de concessão: definição do nível tarifário a ser praticado, quer dizer, a tarifa faz parte da definição do contrato; estabelecimento do padrão de qualidade, como disse o Presidente da ENERSUL, pois, de fato, o nível tarifário tem a ver com a qualidade exigida; fixação de obrigações e direitos da concessionária, pois é um contrato de longo prazo, 30 anos. Portanto, estão bem caracterizados os direitos e as obrigações de cada concessionária. A ação da ANEEL está pautada na Lei Geral de Concessões, Lei nº 8.987; na lei que criou a ANEEL e no contrato de concessão. De maneira resumida, o processo tarifário de qualquer concessionária, a exemplo da ENERSUL, tem 3 possibilidades de alteração na tarifa: a primeira, o reajuste tarifário, que ocorre anualmente quando do aniversário de cada concessão; segunda, a revisão tarifária periódica, também contratual, com prazo estabelecido para sua ocorrência; terceira, a revisão tarifária extraordinária, sem previsão de data. Esta pode acontecer se, de fato, ocorrer algo extraordinário que desequilibre o contrato de concessão. O reajuste, como já se disse, segue uma fórmula estabelecida no contrato, complementada por regulamentos, e visa preservar o equilíbrio econômicofinanceiro da concessão. Por sua vez, a revisão tarifária redefine o equilíbrio econômico-financeiro. Então, em cada revisão discute-se o nível tarifário, quer dizer, o nível de receita, e os custos da concessionária, além de reposicionar a tarifa com o objetivo de buscar o equilíbrio econômico-financeiro. No caso da ENERSUL, dado como exemplo, o contrato foi assinado em Em seguida, de 1998 a 2002, houve sucessivos reajustes. Houve também uma revisão em 2003, a qual irei depois aprofundar um pouco mais. Houve reajustes de 2004 a 2007 e a próxima revisão ocorrerá em abril de Como comentei, no processo de revisão tarifária, justamente na fase de revisão, a tarifa pode ser alterada. A estrutura dos custos das concessionárias, o mercado daquela distribuidora, o nível de tarifa observado em empresas similares, como determina a lei e o contrato de concessão, os estímulos à eficiência e a motricidade tarifária são revisados. (Segue-se exibição de imagens.) 14

16 Além disso, serão estabelecidos os valores do fator X, aquele percentual a ser deduzido ou acrescido à variação do IGPM nos reajustes que se seguem após a revisão. Portanto, na revisão, analisamos os custos operacionais eficientes e a remuneração adequada sobre os investimentos prudentes. O resultado dessa revisão pode reposicionar a tarifa para menos ou para mais. Vai depender daquela receita requerida. O processo de revisão indica qual a receita requerida para manter o equilíbrio, compara com a receita verificada, a receita auferida, e se estiver percebendo uma receita maior do que a necessária, a tarifa é reposicionada para menos. Se ocorre o contrário, ou seja, se estiver percebendo receita menor do que a necessária, a tarifa é reposicionada para mais. Já houve, naturalmente, reposições para ambos os lados, para mais e para menos. Como se processa a revisão? Há um primeiro bloco chamado de Parcela A, uma parte dos custos da concessionária sobre os quais ela não tem gerência. É o caso da energia comprada para revenda, que, em grande parte, é comprada por contrato regulado mediante leilão de compra de energia. A concessionária não tem gestão sobre esses contratos; ela tem apenas a obrigação de contratar o mercado necessário. Então, identifica-se o mercado necessário para atender seus consumidores cativos, o nível de perda aceito a ser repassado à tarifa e se encontra o requisito de energia. Depois, aplicado os preços contratados, chegase ao valor do custo da energia a ser computado na tarifa. O mesmo ocorre com o custo da transmissão, utilizada a mesma lógica, e com os encargos setoriais todos estabelecidos por lei: CCC, CDE, PROIN, RGR e outros sobre os quais a concessionária não tem margem de gerência. (Segue-se exibição de imagens.) No segundo bloco, chamado de Parcela B, a concessionária tem de fato um grau maior de ação. Aqui consta o laudo de avaliação, como já dito, que encontra a base de remuneração. Esse laudo é bastante importante, porque ele determina o valor da remuneração e a quota de depreciação, talvez os 2 principais itens que compõem a 15

17 Parcela B. Consta também a empresa de referência, ou seja, todos os gastos necessários para a empresa gerir a concessão. Define-se também o fator X, como já expliquei. Daí, com todos esses fatores, calcula-se o valor da tarifa. O Presidente da ENERSUL já fez referência a esse ponto, mas, no que se refere ao valor de uma determinada conta de energia, sabe-se qual a parcela a ser destinada a cada segmento. No caso do segmento de geração, a parte da energia comprada para revenda, os custos de transmissão e da distribuição, que chamei de Parcela B, aquele sobre o qual a concessionária tem de fato a gestão, os encargos e aquela outra parcela formada pelos tributos, os quais têm uma forma de cálculo diferente, por dentro, correspondente a 23,81. Na verdade, como a sua margem de cálculo é diferenciada, ele representa um percentual de 31% no preço final da energia. ICMS e PIS/COFINS são os tributos acrescidos ao valor da tarifa e que fazem parte do preço final da energia. No processo de revisão tarifária periódica da ENERSUL, em 2003, o primeiro, o reposicionamento tarifário definitivo, apesar de ter havido algumas resoluções que estabeleceram percentual provisório, foi de 50,81%. Assim, tendo em vista aquele comando legal e o contrato, para atender ao princípio da motricidade tarifária concomitante com a condição de equilíbrio econômico-financeiro da concessão, foi diferida a aplicação dos 50,81%. Naquela oportunidade, foram aplicados 32,59% e a diferença foi acrescida ao valor dos reajustes de 2004 até 2007, sendo que o último parcelamento daquele diferencial do diferimento, o de 2007, não foi aplicado este ano; ele será analisado na revisão de (Segue-se exibição de imagens.) Aqui um resumo do ocorrido desde Na primeira coluna, o que chamamos de Índice de Reajuste Tarifário. O reposicionamento, no caso da revisão, que, em 2003, era de 50,81%, mas com o efeito diferido de menos 18%, ficou em 32,59%. A partir de 2004, os 18% diferidos foram acrescidos ao valor do IRT propriamente dito. A última coluna mostra o valor percebido pelo consumidor. Quer dizer, o IRT, com o critério, o cálculo, a fórmula do contrato de concessão, acrescido ao valor que ficou pendente na revisão, até chegar ao valor percebido pelo consumidor. 16

18 Vejam que, em 2007, não incluímos a última parcela. Está em zero o efeito de diferimento, porque, como expliquei, ele foi postergado e será analisado em Aqui, neste gráfico, outra comparação, vamos dizer assim, das características da concessão da ENERSUL e outras concessionárias. O Presidente da ENERSUL já fez referência e nós trouxemos outras comparações, como as de área por quilômetro quadrado da concessão, número de consumidores, mercado em megawatt/hora. Neste quadro, a mesma comparação para o DEC/FEC; aquilo que, resumidamente, mede a qualidade exigida no contrato e nos regulamentos. De fato, a ENERSUL ocupa uma posição intermediária, vamos dizer assim e é claro que aqui não nos referimos a todas as concessionárias; nossa intenção é mostrar que existem concessionárias com padrão de qualidade exigido no contrato de concessão, padrão mais rigoroso do que o da ENERSUL, sendo que há outras concessionárias com padrão de qualidade superior. Como disse o Presidente, e eu concordo, a qualidade tem a ver com o preço da energia. Então, a revisão tarifária, evidentemente, é uma oportunidade para repactuar, se for o caso, o nível de qualidade, porque ele causa impacto na tarifa. Em função da revisão realizada em 2003, como expliquei e já mostramos de maneira resumida as ações de fiscalização da ANEEL desde 1998; em dezembro de 1997 foi assinado o contrato de concessão, houve 3 processos de fiscalização, 3 superintendências compostas de serviço de eletricidade, fiscalização econômico-financeira e fiscalização da geração. Fizemos, realmente, inúmeras fiscalizações na ENERSUL, como fazemos em todas as concessionárias, e emitimos notificações e autos de infração. Ou seja, algumas sanções foram aplicadas pelo fato de não ter sido cumprido algum procedimento, conforme rezava o contrato ou os regulamentos. Vejam aqui a base de remuneração regulatória uma questão relevante. Na verdade, no reajuste tarifário de 2007, o Diretor-Relator, Sr. Edvaldo, propôs, e o colegiado da ANEEL concordou, que as áreas diretamente envolvidas no processo revisassem o tema na medida em que havia indícios e preocupações até em função da abertura do segundo ciclo. E aí a massa crítica se expandiu em termos de comparação; isto é, pudemos comparar todas as concessionárias. 17

19 Assim, foi determinado pela diretoria colegiada, naquela reunião realizada em 11 de abril de 2007, que se verificasse o processo tarifário realizado em 2003, em particular a base de remuneração. Esse trabalho foi realizado pela ANEEL, com apoio de consultores independentes contratados pela Agência. Identificou-se um possível erro material na base de remuneração utilizada para o processo de Então o laudo de avaliação, depois de preparado por uma empresa especializada contratada pela ENERSUL entre várias credenciadas pela ANEEL para essa finalidade, foi feito, e, na nossa análise, nós identificamos uma possível falha, um erro material. Foi então encaminhado à ENERSUL um termo de notificação no processo de fiscalização, e a empresa teve prazo até 21 de setembro de 2007 para fazer sua manifestação. Ela fez. Sexta-feira foi entregue a manifestação. O processo se encontra agora em fase de análise da manifestação. Esse é o processo da ANEEL, que tem de obedecer, evidentemente, ao processo legal de ampla defesa e do contraditório. Nós estamos nessa fase de análise. Isso, evidentemente, não configura uma reabertura do processo de revisão tarifária de A bem da verdade, esse é um dever de qualquer ente público. Se ele encontra erro, ele tem a obrigação de corrigi-lo. É o que nós estamos fazendo. Por fim, a questão da próxima revisão tarifária, que será feita em abril de Ela foi divulgada com a devida antecedência, e temos um resumo do cronograma das diversas atividades. O processo tarifário da ANEEL, em geral, e em particular as revisões, é bastante participativo. Ele é público, é aberto. Como está mostrado aí em tela, existe a fase em que a ANEEL encaminha ofício solicitando informações à ENERSUL. Depois de apresentadas pela ENERSUL, essas informações são analisadas pela ANEEL. Faz-se então uma reunião de trabalho com a própria concessionária, para discussão do processo; depois, uma reunião com o Conselho de Consumidores da ENERSUL, na ANEEL. Toda concessionária tem um conselho de consumidores. Esse conselho tem a oportunidade de emitir as suas considerações sobre o processo. Depois vem a manifestação da ENERSUL sobre o aprimoramento. E então, como está previsto ali para 30 de janeiro de 2008, a ANEEL apresenta na Internet, em forma de consulta pública, a proposta de reposicionamento tarifário e a respectiva análise. Nessa oportunidade, é disponibilizada uma nota técnica que trata de maneira exaustiva do 18

20 processo tarifário. Os interessados podem acessar esse material e estudá-lo. No dia 7 de março haverá uma audiência pública presencial na cidade de Campo Grande. Esse procedimento é o mesmo para todas as concessionárias. Normalmente, marcamos audiência na principal cidade da área de concessão. No caso, será em Campo Grande. Finalmente, como o processo decisório é da ANEEL, em reunião pública a ser realizada no dia 8 de abril será deliberado sobre o resultado da revisão tarifária. É isso. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado José Otávio Germano) - Muito obrigado, Dr. Romeu Rufino. Passo a palavra à Sra. Patrícia Galdino de Faria Barros, Coordenadora-Geral de Políticas e Relações de Consumo do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça. A SRA. PATRÍCIA GALDINO DE FARIA BARROS - Sr. Presidente, Deputado José Otávio Germano, na pessoa de quem cumprimento a Mesa, antes de mais nada, eu gostaria de agradecer, em nome do Ministério da Justiça, a participação do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor nesta audiência pública. Agradeço-lhe também a oportunidade de dividir o meu tempo com o Superintendente do PROCON do Mato Grosso do Sul. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor é o órgão que coordena o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, do qual o PROCON faz parte. Então, nada mais justo do que ouvirmos também o Superintendente do PROCON do Mato Grosso do Sul sobre os principais problemas que enfrentam. E o PROCON, enquanto órgão de defesa do consumidor, é o que está lá na ponta, atendendo diretamente o consumidor. Minha apresentação será breve. Nós temos o SINDEC, que é o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor. Eu trouxe algumas informações do SINDEC geradas no PROCON. Se não me falha a memória, ouvi o Sr. Antônio Eduardo dizer que 81% dos consumidores nós chamamos de consumidores e não de clientes são residenciais e que, desses 81%, 30% são de baixa renda. Eu não gostaria de focar na questão tarifária, Srs. Deputados, até porque o nobre colega da ANEEL já deu essa explicação há pouco. Mas os colegas da ANEEL presentes sabem que não é 19

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