A ETAR de Setúbal encontra-se dimensionada para as seguintes condições de base: Habitantes equivalentes Fração de caudal industrial 28%

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1 A Estação de Tratamento das Águas Residuais de Setúbal (ETAR de Setúbal), constitui pela sua importância para o equilibro natural, desenvolvimento económico, bem-estar e saúde da população do Concelho, um importante órgão do Sistema de Drenagem das Águas Residuais do Concelho de Setúbal. Localizada na Quinta da Cachofarra, freguesia de S. Sebastião, nas proximidades da Estrada da Graça e da estação ferroviária de Praias do Sado, numa zona de características predominantemente industriais, esta infraestrutura tem uma capacidade de tratamento equivalente a habitantes, dos quais correspondem à fracção industrial. A ETAR de Setúbal encontra-se atualmente em fase de incorporação gradual de efluentes, à medida que se vão realizando as ligações de rede ao Sistema Interceptor. O caudal médio afluente no final do ano 2010 situava-se em m³/dia, que corresponde a um equivalente populacional de habitantes. A ETAR de Setúbal encontra-se dimensionada para as seguintes condições de base: Caudal médio diário anual m³/dia População Habitantes equivalentes Fração de caudal industrial 28% Carga orgânica (CBO5) Sólidos em suspensão (SST) Azoto total (Nt) Fósforo total (Pt) kg/d kg/d kg/d 292 kg/d Em termos de qualidade na descarga estão estabelecidos, pela licença de descarga da ETAR, entre outros, os seguintes valores para os parâmetros analíticos do efluente tratado: Carga orgânica (CBO5) Sólidos em suspensão (SST) Azoto total (Nt) Fósforo total (Pt) 25 mg/l 35 mg/l 15 mg/l 10 mg/l 1

2 Descrição dos Processos de Tratamento Em termos processuais a ETAR é constituída por três fases de tratamento, as quais se encontram descritas no esquema que se apresenta e são elas; fase líquida, de lamas e de gás. 2

3 1. LINHA LÍQUIDA Pré-tratamento Nesta fase, através de processos físicos, removem-se do efluente bruto os sólidos grosseiros (<6 mm), as areias e as gorduras. Todos os subprodutos removidos nesta fase do tratamento são encaminhados a destino final adequado; as areias e os gradados são enviados para aterro sanitário e as gorduras submetidas a processo de tratamento específico. Após esta fase, removem-se nos decantadores primários, por sedimentação os sólidos de menor dimensão, constituindo as lamas primárias, cujo tratamento se encontra descrito na linha de lamas. Tratamento secundário O tratamento secundário é efetuado em reator de biomassa dispersa de média carga, denominado reator biológico (tratamento biológico). Nesta fase do processo efetua-se a oxidação de compostos de carbono e a remoção de nutrientes (azoto e fósforo). As lamas biológicas que se desenvolvem no reator são separadas do efluente tratado através de um segundo processo de sedimentação. O efluente já tratado é então encaminhado para a última fase de tratamento. 3

4 Tratamento terciário O tratamento terciário e final é constituído pela desinfecção do efluente através de radiação de ultravioletas, a qual visa inativar os microrganismos ainda presentes no efluente tratado. 2. LINHA DE LAMAS Espessamento de lamas O espessamento das lamas primárias é efetuado graviticamente nos espessadores, enquanto o das lamas biológicas é efetuado por flotação, através da injeção de ar. Da mistura das lamas primárias espessadas e das lamas biológicas flotadas, resulta as denominadas lamas mistas. Digestão anaeróbia As lamas mistas são enviadas para os digestores primários, onde sofrem um processo de digestão na ausência de oxigénio, que consiste na degradação da matéria volátil, durante 22 dias aproximadamente, resultando a produção de biogás. Os digestores primários funcionam a temperatura constante de 35ºC, sendo o seu aquecimento efetuado através de água quente, produzida na caldeira ou por aproveitamento da água do circuito de arrefecimento dos grupos de cogeração. 4

5 Digestão secundária & gasómetro No digestor secundário ocorre a sedimentação das lamas e a separação entre o biogás e as lamas, armazenado numa campânula móvel. Desidratação de lamas As lamas digeridas são posteriormente submetidas a processo de centrifugação para desidratação, otimizada pela adição de um reagente, com vista a diminuir o teor de água contido nas lamas. A parte líquida deste processo (escorrências) é enviada para o início da ETAR e reintegra o tratamento em conjunto com os restantes efluentes. As lamas desidratadas são armazenadas nos silos de lamas e posteriormente enviadas para valorização agrícola. 3. LINHA DE BIOGÁS O biogás produzido no processo de digestão serve para alimentar os grupos de cogeração os quais têm capacidade para produzir energia elétrica que será consumida na ETAR, permitindo desta forma reduzir o consumo energético da rede e impacto ambiental. A capacidade máxima de produção de energia é de 2 x 335 kw. 5

6 Outro dos grandes consumos de energia na ETAR é o aquecimento das lamas no digestor que devem ser mantidas a uma temperatura constante. O biogás é utilizado na caldeira para aquecimento da água que serve para aquecimento das lamas. O calor presente nos gases de escape dos grupos de cogeração também é aproveitado para o aquecimento de lamas. 4. LINHA DE TRATAMENTO DE AR Em funcionamento permanente, o ar recolhido dos edifícios e órgãos de tratamento da ETAR, é encaminhado através de ventilação forçada para um sistema de tratamento por lavagem química de ar, onde são eliminados os odores. Este tratamento permite o controlo de odores quer para o exterior da instalação quer no ambiente interno dos edifícios, assegurando a qualidade do ar e um ambiente salubre para os trabalhadores. 6

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