Mediação de conflitos. A solução de muitos problemas pode estar nas suas mãos. Prof. Daniel Seidel

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1 Mediação de conflitos. A solução de muitos problemas pode estar nas suas mãos. Prof. Daniel Seidel

2 CONFLITO

3 CONVERSANDO SOBRE CONFLITOS Conflitos não são problemas Podemos perceber uma tendência geral de se ter uma visão negativa do conflito. É a resposta que se dá aos conflitos que os torna negativos ou positivos, construtivos ou destrutivos. A questão central é como se resolvem os conflitos: se por meios violentos ou através do diálogo.

4 O que é conflito Conflito é uma parte normal da vida organizacional, já que as pessoas têm ideias diferentes sobre a utilização dos poucos recursos disponíveis... Não é bom ou mau em si mesmo: o que é bom ou mau é o impacto que terá na organização (Owens, 2004, p.328).

5 Conflito é uma situação em que as pessoas independentes satisfazem suas necessidades e seus interesses de formas diferentes e experimentam a interferência uns dos outros na busca de seus objetivos... (Garston e Wellman, 1999, p.185).

6 Um conflito pode ser definido como a diferença entre duas metas, sustentadas por agentes de um sistema social. Podem ser organizados em três níveis: pessoais, grupais ou entre nações.

7 Frente ao conflito, podem ser assumidas três atitudes básicas: ignorar os conflitos da vida; responder de forma violenta aos conflitos; lidar com os conflitos de forma nãoviolenta, por meio do diálogo.

8 Os benefícios do conflito Entre os benefícios do conflito, podemos citar: estimulam pensamento crítico e criativo; melhoram a capacidade de tomar decisões; reforçam a consciência da possibilidade de opção; incentivam diferentes formas de encarar problemas e situações; melhoram relacionamentos e a apreciação das diferenças; promovem auto-compreensão.

9 Paz e Conflitos A paz é um conceito dinâmico que nos leva a provocar, enfrentar e resolver os conflitos de uma forma nãoviolenta.

10 Três caminhos fundamentais para uma cultura de paz : a prevenção do conflito, desenvolvendo a sensibilidade à presença ou potencial de violência e injustiça (sistemas de alerta prévio) e a capacidade de análise do conflito; a resolução, ou seja, o enfrentamento do problema e a busca de mecanismos institucionais; a transformação, em vista de estratégias para mudança, reconciliação e construção de relações positivas.

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16 Quatro características associadas ao termo violência Uso da força (direta) Ameaça de uso da força (indireta) Violência simbólica (valores, hábitos) Desrespeito a limites estabelecidos (contexto cultural e histórico)

17 VIOLÊNCIA X ILEGALIDADE LEGALIDADE

18 VIOLÊNCIA X USO DA FORÇA

19 VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

20 VIOLÊNCIA X NÃO- VIOLÊNCIA

21 Como vimos, a violência pode surgir como consequência de um conflito. Quando falamos em resolução pacífica ou não-violenta de conflitos, precisamos então, primeiramente, entender o conceito de violência.

22 Na verdade, o mais correto seria falarmos violências, no plural, considerando os distintos conceitos e as diversas formas de manifestação de violência. Alguns conceitos: Ação direta ou indireta, concentrada ou distribuída, destinada a prejudicar uma pessoa ou a destruí-la, seja em sua integridade física ou psíquica, seja em suas posses, seja em suas participações simbólicas (MICHAUD, 1973, p. 05)

23 Violência vem do latim violentia que remete a vis (força, vigor, emprego de força física ou os recursos do corpo para exercer sua força vital). Essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações, adquirindo carga negativa ou maléfica. É, portanto, a percepção do limite e da perturbação (e do sofrimento que provoca) que vai caracterizar o ato como violento, percepção essa que varia cultural e historicamente (ZALUAR,1999, p. 28).

24 O caminho de Gandhi A Ahimsa A Satyagraha Não violência ativa A força da Não-violência Passividade X pacifismo

25 O objetivo básico da resolução não-violenta de conflitos é a transformação das pessoas de peças de um conflito em sujeitos no conflito.

26 Dificuldades para a resolução Nãoviolenta de conflitos Vivemos numa sociedade que deseja que de um conflito saia uma ganhador e uma perdedor. A meta é vencer o adversário, ou detê-lo: esquema vitória-derrota ou ganha-perde. As figuras do pai, do líder, do mestre, são daqueles que protegem seus filhos, liderados e alunos das dificuldades do conflito. É uma perigosa tradição que deixa as pessoas totalmente despreparadas para lidar com as dificuldades que os conflitos trazem.

27 5 formas de resolução de conflitos Resolução Judicial Arbitragem Conciliação (também chamada de Mediação Judicial) Mediação Negociação

28 Resolução Judicial O Estado por meio do Poder Judiciário, analisa um caso concreto e aplica a norma, a Lei. O Juiz, tem a função de julgar e decidir, de acordo com o que diz a Lei. A resolução pode gerar mais conflitos, pois sempre sairá um ganhador. É o esquema GANHA-PERDE. As partes não têm autonomia e não têm controle sobre a resolução do caso.

29 Arbitragem Duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) recorrem de comum acordo a um terceiro, conhecido como árbitro, que irá intervir no conflito, decidindo-o. Geralmente é um técnico ou especialista no assunto da disputa. O árbitro conduz o processo arbitral de forma semelhante ao judicial, com mais rapidez. Aqui também se configura o resultado GANHA-PERDE.

30 Conciliação É o método, dentro do processo judicial, pelo qual o Juiz tenta um acordo entre as partes, que deverá ser homologado coo resultado da demanda. A função do conciliador é aproximar as partes, sugerir e formular propostas de acordo e apontar as vantagens e desvantagens do que foi sugerido pelos envolvidos.

31 Mediação É o método pelo qual duas ou mais pessoas, envolvidas no conflito, recorrem uma terceira pessoa, que irá facilitar o diálogo entre elas, para que elas possam encontrar uma solução ao conflito. É o esquema GANHA-GANHA. Aqui se amplia a autonomia das partes, em escolher o mediador que facilitará que facilitará o diálogo.

32 Negociação Caracteriza-se por ser uma forma conjunta de solucionar os conflitos. Nela são as partes envolvidas que tentam diretamente chegar a um acordo. Aqui a autonomia é completa, a condução do caminho para resolver o conflito é conduzido pelas partes. O esquema também é GANHA-GANHA.

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34 Negociação É o procedimento mais comum para administração de conflitos. Ela ocorre naturalmente nos nossos relacionamentos cotidianos. Característica principal: Não existe a participação de uma terceira pessoa. A administração do conflito é feita pelas partes.

35 As pessoas ou grupos tentam chegar a uma solução mutuamente aceitável do conflito mediante uma reflexão e uma tomada de decisões comuns.

36 Trata-se, não de impor um ponto de vista, mas de chegar a um terceiro termo, o que implica algumas condições: ambas as partes desejem realmente encontrar uma solução e não derrotar ou subjugar a outra parte. expressar o desejo com clareza; manifestar os sentimentos de raiva ou desagrado, porém não de modo ofensivo ou prejudicial; escutar o que o outro tem a dizer; esforçar-se para entender seu ponto de vista; respeitar as necessidades do outro.

37 O processo da Negociação Faz-se uma lista dos pontos a debater. Esse passo define o próximo e enfoca a discussão. Acordam-se algumas normas básicas. Por exemplo: cada parte escutará, sem interromper, enquanto a outra parte apresenta sua versão; cada parte fará um resumo da versão de outra parte, até que ambas fiquem satisfeitas. Então, começará a discussão.

38 Estabelece-se um turno de intervenções. Faz-se uma lista com os pontos de acordo. Começar pelos pontos de acordo pode ajudar a reduzir a tensão dos desacordos. Em continuação, elabora-se uma lista com os pontos de desacordo. Há que procurar ser o mais preciso possível.

39 Transformar acusações desproporcionadas ou exageradas em frases específicas de desacordo. Discute-se possíveis soluções (utilizando, por exemplo, a chuva de ideias). Define-se bem qualquer solução aceitável em princípio: quem fará (ou não fará) o que, quando, aonde... Escreve-se tudo.

40 A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS (consenso indireto)

41 Mediação Processo voluntário de resolução de conflitos. Quando acabam as possibilidades comunicacionais entre as partes, a mediação se faz necessária. Características: Conta com presença de uma terceira pessoa, aceita por ambas as partes envolvidas no conflito.

42 A mediação tem um potencial especial de contribuir naqueles conflitos que surgem de relações continuadas ou cuja continuação seja importante. (nas relações familiares, de vizinhança, de trabalho...) Poderá contribuir para o restabelecimento ou aprimoramento das relações que foram interrompidas ou prejudicadas pelo conflito.

43 Papel do mediador O mediador exerce um papel apenas de facilitador, ajudando as partes a obter uma solução e a estabelecer uma ação comunicativa, diferenciando-se da arbitragem ou da imposição coercitiva de uma solução.

44 A ação do mediador tem em vista capacitar os envolvidos a construírem a solução para o conflito, ajudando-os a assumir responsabilidade de suas próprias ações e tomar decisões de forma que possam suportá-las. Isso aumenta a legitimidade da solução perante as partes e aumenta a probabilidade de que estas cumpram o acordo.

45 As etapas da Mediação de Conflitos 1- Pré-Mediação. 2- Começo da mediação. 3- Escuta ativa. 4- Procurando Soluções. 5- Firmando Compromissos.

46 Fonte: SEIDEL, Daniel (org.) Mediação de Conflitos: a solução de muitos problemas pode estar em suas mãos. Vida e Juventude: Brasília, Daniel Seidel

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